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segunda-feira, 30 de abril de 2012
MEDIOCRIDADE: uma infeliz herança.
MEDIOCRIDADE: uma infeliz herança.
Os dias de Habacuque estão aí.
Os dias que se têm ido e os que ora se vão parecem querer
externar uma linguagem dos dias do profeta Habacuque. Dias de indagações, mas
também de ansiedades. Dias de questionamentos, mas também de incertezas. Dias
de confusão, mas também de auto-suficiências. Dias de descasos generalizados,
mas também dias de injustiças. Dias de súplicas, mas também dias de espera. Enfim,
dias de perigos iminentes.
Na verdade, são os dias do aberto “troco na troca”
e dos trocos ocultos para as trocas manifestas. Dias de hostilidades veladas e de
violências polidas. Dias de a falsidade com simulação de justiça usar a
oratória e a retórica para falar de verdades e dias da verdade ser duvidada e
da honestidade ser desprezada.
São os dias do desgoverno governar e os dias do
inverso inverter. São os dias de coroar o lixo, enaltecer o luxo e desprezar o
nexo. São os dias de valorizar o argueiro ínfimo num olho e não sentir incômodo
e inquietude com a trave aguda no outro, de coar o mosquito e engolir o camelo.
É preciso saber viver e lidar com tudo nestes dias de muitas e tantas
semelhanças aos de Habacuque.
Alguém em certo lugar disse: “estamos vendo algumas
gentes viverem de forma medíocre e na visão de dias medíocres”. Grandes olhos
sobre insignificâncias e olhos grandes sobre ilusões e efemeridades. Macros
olhares sobre micros sentidos e micros olhares sobre macros demandas. Desejos
maiúsculos em cima de reles ninharias minúsculas. Enfim, dias de mediocridade.
Que significa a palavra mediocridade? Os bons
dicionários definem a “mediocridade” como
sendo a qualidade de algo que possui pouco mérito; estado ou qualidade de algo
vulgar, ordinário, insignificante, desprezível, sem merecimento”. Em simples parafraseado,
é colocar valor onde não tem e retirar o valor daquilo que na sua essência o possui.
Mediocridade é uma palavra aparentemente de
aplicação indelicada. Entretanto, não se teria outra para conceituar algumas
coisas que estão em voga e no passo da moda. Enquanto o mundo pagão desce ao
lixo e solidariamente garimpa desvalores para colocá-los sobre o luxo, certa
parte do mundo gospel sobe no luxo para literalmente descartar e jogar valores
no lixo. A igreja do Senhor Jesus não deveria contribuir para que interesses lesivos
e pretensões aleivosas entulhem os seus poços abertos com a ajuda de Deus e sob
sangue, suor e lágrimas.
A mediocridade tem sido uma cova sutil e aprisionado
não poucas gentes. Há mais gente do mundo gospel preocupada em promover-se a si
mesma do que predispostamente ocupada nas tarefas das legítimas causas do Reino
e com as muitas vidas carentes de Cristo. A mediocridade enche os olhos inescrupulosos
de uns e esvazia as vistas celetistas de outros. Dias de mediocridade, dias do
profeta Habacuque.
À luz da Palavra de Deus, e sobre os lastros do bom
senso e da razão, nota-se muita gente gospel banhando-se no lamaçal das
sensações da mediocridade tentando induzir outros a acreditarem que ela está num
mergulho no oceano do Espírito. Antes que os frutos falem, as folhas precocemente secas já
revelam o estado da árvore. Há muita gente saboreando as iguarias da
mediocridade acreditando estar degustando o maná do Céu. Tal é o volumoso engano
que a mediocridade produz com suas ilusões distorcidas.
Rodeado de assombros sociais e de escombros
religiosos alimentando e sendo alimentados pelo círculo vicioso da
mediocridade, o profeta Habacuque se viu desconfortável e inquieto diante das
vias das ruínas do povo dos seus dias, e não viu outra iniciativa prioritária,
a não ser a de determinadamente clamar ao Senhor Deus em busca de respostas. Uma
mescla de confusão e superficialidade parecia ofuscar a visão de perspectivas,
mas também parecia anestesiar o discernimento dos juízos.
A mediocridade produz a superficialidade. Todo
medíocre é raso em si mesmo, posto que serve o que é reles e se ilude em ser
servido com coisas rasteiras. Alguns são rasos de valores objetivos e outros
são rasos de valores subjetivos. Pior se fazem aqueles que são rasos e
paupérrimos em ambos os sentidos. Há mais tolos medíocres do que propriamente
medíocres tolos. Aqueles não sabem porque se trocam e estes se trocam por não
saberem o que trocar.
Existem os medíocres dominadores e há os medíocres
subjugados. Existem os medíocres que pensam e há os medíocres que pouquíssimo
ou quase nada refletem, e quando se dão ao trabalho de pensar, absorvem e
assimilam a confusão flutuante dos nossos dias e optam pelas escolhas da alheia
visão fosca, turva e tosca. Dias da mediocridade desviar convicções e arrebatar
sentidos.
A mediocridade conduz ao terreno da insipiência.
Todo medíocre é insipiente, e pior se faz quando também é insípido. Como nos
dias de Habacuque, não importa se a impiedosa Babilônia vá lhe devorar, a
auto-suficiência e a soberba da mediocridade lhe impedem de perceber as
gravidades nos caminhos que anda. A mediocridade ignora porque não conhece como
deveria e desconhece porque não sabe o que deveria conhecer. A mediocridade
prioriza o que enche as vistas dos seus olhos e valoriza o que lhe esvazia dos
ideais. Dias de mediocridade, dias de Habacuque.
A mediocridade erra classicamente. Gera erros
crassos, induz outros a erros conflitantes e com sagacidade e sutileza aprisiona
e cativa outros na feiúra dos seus próprios erros. Todo medíocre é tendencioso
a ser persuadido e guiado cegamente pelos rastros da mediocridade alheia. Se
vende por trinta moedas de prata pensando que está comprando quem vale muito
mais que ouro, e por fim termina enforcado no seu próprio nó resultante do
remorso de suas próprias negociatas e manobras medíocres.
Existem os medíocres eventuais e há os viciados em
mediocridade. Há mais gentes viciadas em mediocridade muito mais do que se
imagina. Aplaudem desvalores ao pódio, forçam destronização de valores e ridicularizam
princípios imutáveis. Viciados em mediocridade se envenenam a si mesmos com os
seus medíocres pensamentos e buscam intoxicar os outros com a sua visão
medíocre. Fecham os seus olhos para não enxergarem aquilo que o coração já
sentiu e a consciência apontou.
Alguém em certo lugar disse que “não há lugar pior para esse vício maldito
mostrar as suas garras do que na igreja”. De certa forma e pela visão
panorâmica, esta declaração possui consistência, em face de certos quadros gospel
banhados pelo calorento suor da mediocridade que vemos tanta gente transpirá-lo
nos nossos dias. O vício da mediocridade cria, lança, alimenta e sustenta seus orgulhosos,
fingidos e soberbos ídolos nos santuários.
Os dias trevosos de Habacuque foram semelhantes aos
nossos. A diferença é que naqueles dias, um profeta percebeu a forte presença
da mediocridade, clamou por respostas de Deus, subiu para vigiar quando as
receberia do Senhor e foi orientado a escrever em tabuinhas a visão reclamante
de Deus para ser lida correntemente. E nestes nossos, uma multidão clama e
prossegue altissonante com placas e faixas dizendo: “O show de puras encenações
e sutis objetivos artificiais e artificiosos tem que acabar!”
Tenebrosas vielas da mediocridade conduzem ao perigoso
vício de si mesma. Existem os viciados em mediocridade e há os medíocres
viciados em igreja. Aqueles confundem-se e iludem a si mesmos pela ignorância e
estes se confundem pela perda do senso em não saberem a diferença entre amor e
vício. Os medíocres viciados em igreja são os que desapercebidamente se
esfriaram no amor a Deus e se tornaram mecânica e automatisadamente aquecidos
no vício de igreja. Aqueceram os interesses e as pretensões e esfriaram o amor
no íntimo, e o resultado fatal é o vício da mediocridade. Enfim, o produto
resultante é: nem fariseu tradicionalista e nem cristão modernista – apenas medíocres
viciados em igreja e alienados em redomas de partidarismos -.
No mundo gospel, não é difícil encontrar medíocres
viciados em posição e status, viciados em liderança e mando, viciados em
humildade e subserviência, viciados em prestígios e adulações, viciados em
simulações e soberbas, viciados em cargos e funções, viciados em medos e
inseguranças, viciados em “ondas” de afoitamentos e aventuras, viciados em
ostentação e arrogância. O vício da mediocridade silenciosamente gera, discipula
e embriaga mais medíocres do que se
imagina.
No mundo gospel, existem muitos corações que profundamente
amam o Senhor Jesus e sua amada igreja. Porém, há pessoas que começaram a vida
cristã amando ao Senhor, mas em dado momento foram se permitindo ser vencidas e
sucumbidas, sem se aperceberem das prioridades íntimas de sua individualidade
com Deus e de si mesmas. Se enveredando cativas por fatores mecanicamente
viciosos, se tornaram amantes viciados em mediocridade. Tornaram-se sonsos
porque perderam os sensos.
Por outro lado, no meio dessa confusão de
interesses e pretensões, também não é difícil encontrar os amantes de
teologias, amantes de dogmas, amantes de tradições, amantes de invenções e
fábulas, amantes de si mesmos, amantes de discursos, amantes dos desleixos perniciosos
e da permissividade e do desequilíbrio, amantes de cantigas humanistas e
paródias hedonistas, amantes de costumes e hábitos e amantes do dinheiro. Enfim,
há mais amantes profundamente viciados em mediocridade do que se imagina possa existir.
Dias de Habacuque, dias de mediocridades.
Alguém também em certo lugar disse que: “Se
a igreja não fosse de Deus os homens já teriam terminado com ela". Uma verdade
tão clara quanto tão intrigante é, visto que ela choca e fere aqueles que
herdaram excelentes valores aprovados pelo Senhor com incontestáveis provas
através dos séculos e de experiências incontáveis. A impiedade quer disfarçadamente
governar o coração do justo e a profanação sutilmente cercear e limitar o
íntimo do santo.
A mediocridade é insana e insensata. Movida pelas avenidas
da insanidade afrontosa e pelos becos da insensatez, a mediocridade simula um
luminoso avivamento e promove o fogo estranho. Ela nunca experimentou o Avivamento
e sempre foge do ambiente realmente espiritual. A mediocridade ama e venera
apenas o favorecimento e as vantagens da circunstancialidade e da
eventualidade.
Aproveitando-se dos favores e das circunstâncias
favoráveis, a mediocridade dirige o seu foco sobre a futilidade relâmpago e a
frivolidade passageira promovida e facilitada pelas forças da impiedade. Há
mais gente gospel consumida pelo vício da mediocridade, preocupada unicamente com
o sucesso do seu ego e com o bem-estar do seu umbigo do que com a salvação de
vidas e com as propostas do Reino de Deus.
A mediocridade ama números e enamora dígitos. Com a
finalidade de obter os seus próprios interesses e atingir os seus objetivos,
ela ama o poder da representatividade. E com base nos números e nos dígitos que
lhe oferecem suporte, busca a qualquer custo tomar lugares de posição
privilegiada nos conselhos e nos concílios. Para tanto, ela importa-se com
números e dígitos que lhe alavanquem reconhecimentos entre os homens e lhe
rendam vantagens, lucros e rótulos.
Lastimosamente, para a mediocridade não importa se
esses números sejam almas ou sejam meros elementos integrantes. Não importa se
esses dígitos se tratem de vidas ou apenas sejam objetos descartáveis, representativos e manipuláveis. O que importa
é que sejam causa de renda, representem quantidade, façam número presencial
rotineiro e causem vantagens de alguma maneira.
Para os viciados em mediocridade nos nossos dias,
não importa se o produto da oliveira faça falta, posto que eles apenas
visualizam o vinho do sucesso para inebriar alegrias. Pouco lhes importa se nos
currais não haja vacas e tanto faz quanto tanto fez se as ovelhas da malhada
sejam cativas e arrebatadas pelo opressor. Afinal, já se foi ouvida a feia
frase: “crente é que nem biscoito, vai um
e vem oito”, dita nos recantos por algumas gentes insensíveis.
A mediocridade tenta fazer da igreja um curral. Ela
não enxerga um rebanho, nem um aprisco e muito menos um redil, mas uma massa passiva
de ser manipulada em suas mãos. A mediocridade estabelece as linhas das
porteiras, pastoreia quoruns pretextuosos, arrebanha votos politiqueiros e
apascenta o seu bel-prazer interesseiro e pretensioso. Mansa e sonsa, a
mediocridade vai ao público e chora lágrimas arquitetadas no laboratório de
suas sagacidades para manter o seu curral em alta e o seu “ibope” em cima.
A mediocridade faz muitos deixarem e se afastarem dos
moldes aprendidos de Cristo e se apegarem aos manejos da impiedade. Uns buscam
adorações, reverências e venerações para si, e outros lavam as mãos com
justificativas da auto-comiseração. Como os ímpios, o que importa é chegar aos
fins da mediocridade e fazê-la valer.
A mediocridade infelizmente tem invadido o poder. A
mediocridade é um pesadelo quando invade o poder. O grande servo de Deus,
A.W.Tozer, certa vez disse: “Todo povo é,
ou virá a ser, aquilo que seus líderes são”. Quando a liderança é medíocre,
o seu povo também o é, ou virá a sê-lo da mesma maneira. Caso contrário os
choques e crises batem-lhes as portas. A mediocridade é uma infeliz herança.
A ignorância e o autoritarismo encontram facilidade
em imperar onde a égide e a opulência da mediocridade encontram guarida. Alguém
em certo lugar também disse: “Para os
líderes medíocres, é mais interessante fazer liderados medíocres em série e
manipulá-los dentro do seu curral”.
Quando o poder é viciado em mediocridade, o povo
por ele liderado também seguirá os seus mesmos moldes e visão de mediocridade.
Nos dias de Habacuque o povo reproduzia a mediocridade dos erros que seus
líderes cometiam. A mediocridade é desprovida da capacidade de ajuizamento e
inimiga de filtragens. O povo reproduzia a infeliz herança da mediocridade, e
era levado a trilhar nos mesmos conceitos e visão medíocres dos seus líderes. Sabia
do seu estado e conhecia as indiferenças, mas era manobrado pela mediocridade
corrente de seus dias.
Habacuque percebeu todo o cenário medíocre que lhe
rodeava e passou a clamar por um avivamento. Obteve uma grande resposta de Deus
que logo depois ela veio atravessar séculos, fortalecer prontidão e realizar reformas
para a glória e o louvor do Senhor Deus. O profeta Habacuque não se deixou ser
levado pela mediocridade dos seus dias. Aquele profeta chegou a salmodiar um
cântico próprio da fé enquanto olhava e enfrentava os dias da mediocridade.
Nada influenciaria as suas convicções de fé, e os seus dias de festejar ao
Senhor e se alegrar no Deus da Salvação estavam nos seus horizontes.
Os dias de Habacuque eram como se a mediocridade
pelas ruas bradasse: “está todo mundo
medíocre, seja um também”! “A moda é
ser medíocre”! “Não seja
tradicionalista, não seja autêntico e nem pós-moderno, mas basta ser medíocre é
o que vale e dá ‘ibope’”!
Pouco se sabe sobre a pessoa do profeta Habacuque,
entretanto muito se pode experimentar do Deus que respondeu e fortaleceu a fé
dele em meio a um contexto campeado e permeado pela mediocridade. Pouco importa
que sejamos conhecidos, mas muito nos interessa que sejamos conhecidos do mesmo
Deus da salvação que guiou a vida de Habacuque nos enfrentamentos dos seus dias.
Enfim, nestes dias testemunhais da confusão, dos
descasos generalizados e das injustiças, é preciso ser realmente discípulo do
Senhor Jesus Cristo, para não ser tragado pelas correntes da mediocridade vestida
de fantasias e nem ser arrastado pelas enxurradas vergonhosas dela. São dias de
fazer como Habacuque fez. Clamou em busca de respostas e ao encontro delas
subiu em vigia para recebê-las do Senhor.
Para as indagações e questionamentos destes dias de
mediocridade, a resposta bíblica é: “O justo pela sua fé viverá” Hc 2.4. E mais
ainda: “se o justo recuar, a minha alma não tem prazer nele, diz o Senhor”. Hb
10.38. Não há surpresas, contudo existem respostas bíblicas.
Não sejamos atraídos pelos brilhos da mediocridade.
Sejamos convictos nas coisas nos ensinadas pelo nosso Bom Mestre e Senhor! Que
os palanques de atrações e os palcos de distrações promotores da mediocridade sejam
definitivamente extirpados e banidos do nosso meio. Que a glória de Deus torne
a ser a única e indivisível prioridade em tudo que se faça, e a salvação das
vidas torne a receber o mesmo primado, apreço, esforço e admiração que sempre
perdurou por séculos no meio de gente séria e ordeira que serve a Deus e o ama com
todas as suas forças, de todo o seu entendimento e com todo o seu coração!
PbGS
terça-feira, 21 de junho de 2011
Breve comentário em Jo 8.1-11.
Breve comentário em Jo 8.1-11.
“...vai-te e não peques mais.”
Uma das piores e mais castigantes experiências na vida de uma pessoa é a de transitar pela sua existência permeada de reticências não identificando o que fazer dos erros e desacertos do seu passado, como também da mesma maneira não saber se resolver no seu presente e não ter diretivas seguras e firmes para o seu futuro.
Deus dá oportunidade de restauração e vida nova a cada alma reticente que chega verdadeiramente à presença do Senhor Jesus. Para tanto entender e confiar nessa verdade, convido o dileto e generoso leitor a passar vistas no que está escrito no Evangelho de Jesus Cristo escrito por João, especificamente em Jo 8.1-11.
Refletir nesse lindo e cativante texto é claramente notar que somente se prende, ou é encarcerado, em erros e desacertos do passado quem permanece perdido, reticente e acorrentado neles. Como chegou o dia daquela mulher encontrar com a Luz do mundo para não ter continuado a andar em trevas, assim também chega para tantas milhares de milhares de almas de perto e de longe que de alguma forma ainda não identificaram o que fazer dos seus espinhos e cardos do passado.
Do texto em vista, dizem os melhores e mais competentes historiadores que ele foi por vezes evitado nas leituras públicas nos tempos dos antigos cristãos, zelosos por questões interpretativas. Os crivos da veracidade e da historicidade atestam a existência legítima e autêntica tanto do episódio como do texto que o relata.
Ele não é um complemento aos Evangelhos, não é um anexo, nem é um apêndice e muito menos um adendo às Escrituras Sagradas, em virtude do que declaram os mais criteriosos, piedosos e rigorosos eruditos e críticos cristãos competentes e reconhecidos.
Testemunhalmente é notado que o texto em pauta é apreciado, conhecido e meditado por todos os que apaixonadamente amam a Palavra de Deus e dela comprovam experiências pessoais diariamente novas nas suas vidas. Esse texto fecha cabalmente qualquer gritante lacuna dos anseios de uma vida em busca de novos horizontes e significados existenciais.
Já ouvimos muitas vezes mensagens e citações fundamentadas nesse rico texto. E quantas lições preciosas a profundidade desse antigo texto traz para o panorama destes novos tempos.
Nele encontramos lições que desarmam pensamentos inconsistentes; que desarticulam ideais pretensiosos; que desarraigam propósitos incoerentes; e que desmancham interesses escusos. Por outro lado nos deixam ver qual é a receita definida do Senhor Jesus Cristo para curar o passado, aplicar o ponto final e definitivo nas reticências do presente, enquanto se avança para o futuro.
O Senhor Jesus não ignorou o passado da mulher. Ele não a isentou de culpa. O Senhor Jesus sabe perfeitamente lidar e tratar individualmente com o passado de cada pessoa, tirá-la das linhas de reticências do presente e dirigir-lhe com segurança e firmeza ao futuro.
O patamar que o Senhor Jesus palmilhou sempre foi elevadamente nobre. Ele não desceu ao nível dos acusadores medíocres e hipócritas, ressentidos por trás de revestimentos ardilosamente legalistas.
Ele também não fez do passado da mulher um objeto de espetáculo e muito menos a tornou como um ícone ilustrativo para com ele viabilizar caminhos para conseqüentes injustiças, ou para com ele oferecer exemplo, como os acusadores dela pretendiam que assim por alguma razão também o fosse feito, com o fim de atingirem suas vontades maliciosas e intenções maleficiosas.
O Senhor Jesus não foi complacente com o pecado daquela mulher. Jesus não perdeu o foco real da situação e nem se deixou desequilibrar de sua lucidez, de sua razão, de seu compromisso com Deus e com os homens, diante do quadro melindroso e vexatório da mulher trazida diante dos Seus olhos.
Mas também o Senhor Jesus Cristo não ignorou o estado lamentável daquela mulher, o caminho perigoso que ela vinha trilhando, a sua condição vexatória trazida pela mediocridade e hipocrisia dos “caçadores de pecador”. O Senhor Jesus não fugiu e nem se esquivou do confronto de decisões. Os únicos que queriam justiceiramente a consumação da vida da mulher eram eles.
O quadro trazido diante do Senhor Jesus não era apenas uma questão espiritual, mas também um assunto que partia obrigatoriamente da iniciativa do dever de resolução pela própria mulher em dar o devido tratamento sobre o seu pecado. Ninguém melhor do que ela para examinar o que vinha fazendo e saber o estado grave e perigoso no qual ela se encontrava.
O Senhor Jesus não “fez vistas grossas” para a situação dela, como também não a deixou sair de Sua presença vagando sem a dupla admoestação abrangente ao seu passado, o seu presente e o seu futuro. O Senhor deu a ela uma diretiva advertente para o seu futuro. O Senhor Jesus Cristo não facultou a ela um futuro entrelaçado de alternâncias, permissividade, acolhimento ou continuidade ao seu infortúnio passado.
O Senhor Jesus Cristo não a abandonou às paixões da natureza decaída do homem e nem a entregou a sentimentos perversos. O Senhor Jesus não ofereceu atalhos comportamentais e nem abriu concessões paliativas como doses particionadas a irem se complementando até atingir o seu resultado de cura final.
Notemos que o Senhor Jesus não lhe deu um rumo de esterilidade, de impossibilidades, ou um rumo ambíguo, bipolarizado. O Senhor Jesus não colocou sobre aquela mulher uma lei severa e desprovida de misericórdia. Ele não lhe indicou um futuro sem esperança, sem graça e privado da graça de Deus. Ele lhe aconselhou a retornar ao rumo real de restauração que exige renúncias, esforços, cujo custo é pago quando existe realmente a demonstração íntima de amor a Deus, a si mesmo e aos outros.
Ele não ofereceu à mulher um novo rumo simplesmente, todavia lha norteou de volta ao rumo de princípios dos mandamentos dos quais ela esteve distanciada por haver se mantido no sofrido e escondido dualismo de desejos, de lutas interiores entre os dois elementos carne e espírito, opostos entre si, que não cessam de se duelarem no íntimo de cada pessoa.
Depois da saída retirante dos acusadores, a interrogação lançada à mulher foi ao seu ponto máximo. E após receber a resposta da mulher, o Senhor Jesus disse a expressão “nem eu tampouco te condeno”, que não nos deixa de forma alguma inferir ou deduzir que essa fosse uma demonstração de demasiada compaixão e muito menos seria uma distante e suposta conivência ou aprovação.
É percebido claramente que não houve senso de conivência ou aprovação quando olhamos para a expressão seguinte “agora vai-te e não peques mais”, que confirma a observância da Lei e a missão cristocêntrica das Boas Novas salvíficas e reconciliadoras do Evangelho para restaurar e nortear cada pessoa arrependida que anseia deixar as linhas das reticências e sair de sob qualquer forma e tipo de prática pecaminosa.
Aqui aparecem os dois primeiros passos fundamentais para o começo da mudança de vida – o arrependimento e a conversão. O que Jesus estava dizendo para a mulher, está também nos falando literalmente em todas as direções hoje assim “de agora em diante não peques mais”, ou “doravante, a partir desse momento, não se entregue mais a pecar”, ou “a partir deste momento a mesma Graça que não lhe condena, ainda que tenha autoridade para tal, também lhe diz que vá e não peques mais”.
Olhando para direção dos acusadores, notamos que a mulher foi usada como objeto de uma cilada na tentativa de enganar ao Senhor Jesus. Os acusadores se introduziram diante do Senhor Jesus chamando-o com o tratamento de Mestre, entretanto possuíam uma natureza íntima indisposta, indiferente e não-responsiva aos ensinamentos do Mestre.
Tudo que os acusadores queriam para aquela ocasião era satisfazerem o seu desejo faminto de vingança insuflando o Senhor Jesus dentro de um joguete de vertentes entre dilemas e fazer da decisão ouvida do Senhor uma “palmatória de sentença” que mais tarde sobre ela iriam apanhar o Mestre.
A artimanha sagaz e invejosa possuía como mola-mestra o motivo principal de causar desmerecimento, descrédito e condenação ao Senhor Jesus. A antiga artimanha de Satanás atravessa épocas usando elementos como objeto de joguetes, de dilemas, como ciladas para desestabilizar valores e com isso conseguir algum êxito para os seus ímpios e maléficos intentos.
Os acusadores não estavam interessados em restaurar a mulher do seu passado, muito menos o de zelar pela Lei ou pela religião. Como tantos aprisionados no mundo de corrupios em torno da mediocridade, da hipocrisia e das invejas e ressentimentos, assim eram aqueles “caçadores de pecador”, sobrevivendo enroscados parasitariamente uns aos outros em ninhos como serpentes venenosas antagônicas entre si e prontas para darem o seu bote em quem não tivessem estômago para neles tomar parte.
Incapazes de se dobrarem e se humilharem diante dos ensinamentos do Senhor Jesus, aqueles pobres e miseráveis medíocres e hipócritas cegos de si mesmos se mantinham na conveniência de suas próprias mazelas, ao invés de buscarem ser libertos delas também.
Aqueles acusadores eram uma classe de acusadores incapazes de se auto-realizarem, de olharem por suas próprias vidas iludidas num panorama de “faz-de-contas” e aparências; incapazes de se dobrarem a acatar e fazer alguma coisa boa que confere significado real e promissor para a vida. Uma classe diariamente perambulante e mergulhada no despeito ressentido de suas mediocridades e hipocrisias insatisfeitas, cujos passos vagueiam sobre suas próprias miserabilidade e mesquinhez.
O elemento surpresa foi o veículo do flagrante forjado para a confecção de uma cilada sagaz e alimentada na obscuridade e feiúra da hipocrisia e arquitetada nos becos da mediocridade. Uma armadilha planejada para tentar levar o Senhor Jesus a ser tornado réu de juízo e ao descrédito público tão idealizados por aqueles “caçadores de pecador” insatisfeitos com suas próprias vidas e inconformados com a boa fama das outras alheias e apartadas deles.
A tentativa de impor um julgamento instantâneo e influenciar o Senhor Jesus a tomar uma decisão fria, fundamentada unilateralmente na letra sugerida da Lei e desconexa da Sua missão e do contexto. O juízo deles era motivado pela falsa paixão pela santidade e pela enganosa demonstração de respeito pela religião.
Eles figuram os religiosos frios e formalistas que determinam apenas juízos alheios e jamais tiram a trave dos seus próprios olhos. Que “sentados na cadeira de Moisés” sobrevivem inconformados em si mesmos e de acusações aos outros. Sem olharem para seus próprios caminhos, não acertam suas vidas em abandonar hábitos e práticas, e tampouco contribuem para que os outros acertem as suas.
O Senhor Jesus disse que essa classe não entra no Reino e impede os outros de entrarem. Afundados no charco de lodo classicamente com toda a sua autoridade religiosa, não entram no Caminho, passam murmurantes ao largo dEle fazendo acusações, e também buscam ferrenhamente impedir a quem dEle deseja se aproximar, chegar e efetivamente adentrá-lo.
O Senhor Jesus mostrou a importância da compaixão e do perdão. Ele não feriu nenhuma das partes, posto que exerceu com equilíbrio, amor e sabedoria a maneira didática de ensinar na prática apelando ao íntimo particular de cada um dos presentes, assim como acendendo-lhes a tamanha responsabilidade de cada um sobre as suas próprias vidas e diante de Deus.
O ato de atirar a primeira pedra naquele tipo de juízo da época era configurado numa expressão de elevada responsabilidade que envolvia o presente de conduta ética do atirador entre os homens e o seu futuro de recompensa diante do juízo de Deus. Pegar a primeira pedra para atirar era a mesma coisa que também determinar a sua própria sentença e estar aberto ao juízo fatal, conseqüente e inerrante sobre si próprio.
Jesus não se deteve em trilhar linhas do dilema formulado pelos acusadores. Jesus não se deixou influenciar por correntes investigativas na busca de causas e justificações, nem se colocou nos caminhos do bom senso. Jesus não tomou partidos particulares e muito menos engendrou ou favoreceu licitudes.
Jesus se manteve centrado nos princípios das Escrituras Sagradas, na Sua própria natureza e missão em buscar e salvar o que estava perdido, trazer de volta ao rumo, reaver para a luz e dissipar trevas.
Algumas coisas que se nos apresentam dispensam quaisquer resquícios de justificação explicados ou apoiados pelas ciências humanas e mecanismos filosóficos humanistas. As opiniões falíveis e hipotéticas das ciências humanas valem muito pouco diante dos eternos e insubstituíveis princípios ensinados na Palavra de Deus.
O texto diz que os acusadores foram saindo a começar pelos mais velhos. O que motivou os experientes a serem os primeiros a começarem a sair da cena? A experiência e a consciência peculiares da faixa etária deles possuem tino mais afinado, e quando acesas a seus próprios erros e desacertos, se tornam alvos frágeis diante das redargüições contra si mesmas.
Quando perceberam estar expostos àquela silenciosa e sábia exortação, que no fundo de certa forma também indiretamente era uma demonstração do terno amor e respeito do Senhor Jesus para com eles mesmos, saíram calados. Aquela exortação os protegeu eticamente de padecerem aquela mesma vergonha experimentada pela mulher, saíram logo e a influência deles exerceu certa liderança sobre os seus demais acompanhantes de menos idade.
Quanto mais uma pessoa nutre medo dos seus erros cometidos no passado e se prende neles, menos ela vence em acertar no presente e pouco visualiza do seu futuro. Quanto mais uma pessoa nutre medo dos seus erros e desacertos provocados no passado e se mantém presa a eles, mais os holofotes da mediocridade tentam aprisioná-la neles e avolumarem raios que não existem.
Quanto mais uma pessoa não se resolve nas oportunidades de acertos no seu presente, mais as reticências se estendem, lhe enclausuram desfiguradamente, distorcem ou roubam-lhe a visão e perspectivas de futuro, alimenta silenciosamente incapacidades e lhe distraem em falsas e volúveis satisfações.
Somente se prende no passado quem não tem futuro. Somente se prende, ou se permite ficar enclausurado, no passado quem não tem o futuro promissor concedido pelo Senhor Jesus Cristo, o Libertador de passado, o Fortalecedor do presente e o Salvador Eterno tanto do passado, quanto do presente e como do futuro.
O melhor e mais promissor caminho é subir dos escombros e ruínas do passado e viver livremente em Cristo, a Luz mundo. O melhor e maior remédio para vencer erros e desacertos passados não são se esconder no presente e nem tampouco fugir do futuro.
É relativamente fácil notar as pessoas que vivem costumeira e rotineiramente aprisionadas pela mediocridade, atoladas nos antros da hipocrisia, caçando erros e desacertos alheios para deles nutrirem a miserabilidade de suas inferioridades sufocantes e ressentidas.
De forma geral são aquelas que vivem no calor cruel do inferno chamuscando dia e noite suas vidas insatisfeitas, mal-resolvidas e inconformadas ao de longe olharem para aqueles que daquele mesmo inferno saíram e verem nestes o refrigério do céu em realizações promissoras, crescentes e empreendedoras. Os acusadores não tiveram a mesma felicidade de encontrar verdadeiramente o mesmo refrigério que aquela mulher encontrou.
Somente o Senhor Jesus verdadeiramente liberta reféns do passado, reabilita e restaura para a legítima e autentica liberdade presente e direciona para um futuro de retomadas e perspectivas ascendentes e desconexas de reticências insolúveis.
Quando não aprendemos com as lições de erros e desacertos do passado, é possível com isto perdermos a oportunidade de acertos no nosso presente e muito possivelmente singrar caminhos errantes em um futuro sem diretivas seguras, sem propósitos sólidos, coerentes e definidos para um viver que verdadeira e livremente serve e agrada a Deus.
Esse texto enriquecedor pretende tirar qualquer pessoa do escuro sufocante de seus erros e desacertos do passado. Ele mostra claramente que não vale a pena uma pessoa qualquer que seja manter uma vida sofrida e arrastada debaixo de pontos mal-resolvidos e reticentes do presente. E mais do que tudo ele deixa claro qual a diretiva segura e firme para o futuro.
A proposta do Evangelho é libertação e liberdade verdadeiras. A proposta do Evangelho não consiste em paliativos bipolares. Ela não se soma às conivências claudicantes alimentadas pelas migalhas do meio-termo tentador maquiado pelos destroços promovidos pelos laboratórios da libertinagem.
A proposta do Evangelho é salvação em todas as áreas. A proposta do Evangelho não nega o palmilhar pelo caminho estreito e o entrar pela porta estreita para a salvação. A proposta do Evangelho não oferece margem de pensamento a uma renúncia fictícia, figurada, e uma cruz utópica.
“Vai-te e não peques mais” é a proposta imutável. “Não diga que não tem pecado” é a declaração do presente. “Não deixe que o pecado reine, governe, impere, em vossa carne” é a recomendação em todo o tempo para se ter um futuro brilhantemente promissor.
Ao Senhor Jesus seja a glória, o louvor, a honra, a adoração e o domínio para sempre e sempiternamente.
PbGS
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