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domingo, 6 de maio de 2012
CONSIDERAÇÕES NO SALMO 107
CONSIDERAÇÕES NO SALMO 107
Louvai ao Eterno Deus porque Ele é bom.
O lindo Salmo 107 é uma extraordinária obra poética divinamente
inspirada. Ele faz parte do Quinto Livro dos Salmos, e é o décimo quarto salmo
de louvor. Ele fala de alguns dos grandiosos feitos do Senhor Deus aos Seus
remidos. Ele deixa claro os livramentos, a libertação e a providência de Deus.
Um dos detalhes interessantes nesse salmo é que os versículos 8,
15, 21 e 31 são exatamente iguais, como um estribilho nos seus originais. E ao
mesmo tempo que o texto poético fala de uma história passada, também detalha as
experiências pelas quais passa a igreja do Senhor Jesus. Da mesma forma mostra
a condição espiritual de multidões de vidas no presente, assim como aponta profetica e figuradamente para uma glória futura reservada ao destino do seu amado e
redimido povo.
O maravilhoso Salmo 107, direta e historicamente, se refere em
primeiro plano às fases vividas do antigo povo israelita quando de suas
experiências passadas na saída do Egito de então e mais tarde quando no regresso em retorno do
seu cativeiro. Na condição de cativo, clamou e o Senhor Deus o ouviu e com
braço forte lhe resgatou da mão do seu inimigo. Em segundo plano e
figuradamente, ele revela a vida de experiências da igreja militante na Terra e
mostra a condição de um coração perdido, errante e vagante na aridez espiritual
do mundo.
Deus sempre zela pelo Seu povo, e para este faz coisas nem
sempre bem compreendidas, e em favor deste realiza feitos independentes de
explicações humanas e nem sempre nas mesmas dimensões de tempo e espaço
esperados ou estimados pela intelectualidade humana.
O Salmo começa com a célebre frase: “Dêem graças ao Senhor porque Ele é bom”. (NVI). Os textos originais
também sugerem no mesmo significado: “Proclamem
ao Eterno porque Ele é bom”. Nesta frase própria de um coração cônscio da
graça, do livramento, da providência e da satisfação de necessidades, como
favores de Deus oferecidos, encontramos o forte senso de gratidão e de júbilo
em louvor a Deus.
Esta é uma das mais espetaculares declarações de louvor e
adoração que incomoda e humilha o diabo e intriga o inferno e suas dominações
demoníacas. O pobre e passageiro homem mortal sofre infelicidades e quedas na
sua vida, mas durante ela tem repetidas vezes a oportunidade de durante as suas
aflições serem ouvidos os seus clamores a Deus e DEle obter o livramento e
satisfação de necessidades. Oposto ao completo favor misericordioso do Senhor
Deus, o diabo busca apenas iludir a visão humana com saciedades e satisfações
terrenas e temporais.
Cada vez que conscientemente declaramos com o nosso coração
cheio de gratidão e júbilo que o Senhor Deus Eterno é bom, diante de todas elas
as forças da maldade e o inferno se consomem em invejas e se aviltam em ódio e
horrores de si mesmos, posto que como acusadores destinados ao horrendo fim,
buscam roubar do homem a liberalidade legítima, sincera e verdadeira de abertamente
dizer “Louvai ao Senhor Deus Eterno
porque Ele é bom”.
Não é de se surpreender o fato estratégico das hostes
espirituais da maldade tentarem tirar o foco principal da fé de sobre a
essência da pessoa de Deus para colocá-lo direta e bitoladamente sobre apenas
benefícios terrenos e temporais desta vida. Uma estratégia para distorcer as
Escrituras, produzir uma imagem mesquinha de Deus e insuflar os corações a se
enveredarem no indiferentismo e no materialismo.
Este lindo salmo nos inspira a perceber os fortes motivos da
gratidão sincera e verdadeira. Assim como por outro lado nos conduz a notar
quão grandes são a fidelidade e a misericórdia de Deus contra a ingratidão de
Seu povo. As vistas sobre as aflições momentâneas podem sofrer a ilusão de
falsos juízos e serem ofuscadas pelas dúvidas sobre até onde Deus estaria
conosco e atento ao que ocorre em todos os parâmetros de nossa vida aqui na
Terra.
Este salmo mostra as quatro linhas básicas do ciclo seqüencial e
repetitivo da experiência humana: primeiro o pecado; em seguida, a sua
conseqüente aflição; depois o clamor; e por fim o livramento. A tribulação,
depois a súplica, em seguida a libertação e finalmente a gratidão. É grato quem
sente os motivos. Expressa gratidão quem é humilde o suficiente para externá-la.
Proclama gratidão quem é responsável com a dívida de anunciá-la.
No mundo todos os homens têm aflições, e dentro da visão de
soberania de Deus, há dentre elas algumas providenciadas por Deus como em doses
necessárias, a fim de que sejam suscitados o arrependimento e seu impacto e com
isto ao coração arrependido seja ministrado o perdão. O Senhor Deus dirige uma
história cujos detalhes fogem aos pensamentos e ao entendimento humanos.
Às vezes, se faz necessário que haja uma porção de angústia suficiente
para que por esta seja provocada a experiência da tristeza segundo Deus e se
levantem o reconhecimento sincero e o clamor verdadeiro pela misericórdia de
Deus. Por vezes é difícil conceber os parâmetros dessa didática experiencial,
mas ela é verdadeira e real.
Cogitar citações sobre fatos alheios são apenas declarações
ignorantes, visto que a glória se manifesta e repousa em cima do sacrifício.
Somente Deus conhece os corações e sabe lidar com cada um deles. Jamais
poderemos medir sacrifícios, haja vista que também nunca teremos capacidade
alguma para pesar glórias.
Esse lindo salmo também nos mostra as más situações humanas e as
incontestes intervenções divinas. Ele descreve cenas da vida humana que são
fatos e também figuras para o nosso ensino. Ele fala das reviravoltas
realizadas pelo Senhor sobre as coisas humanas. E tudo se resume numa boa,
grande e linda frase: “Deus está no controle”! Importa que o temamos e o
sirvamos conforme a Sua Eterna Palavra nos ensina e molda, e individualmente
como Seus filhos ou coletivamente como Seu povo confiemos na Sua soberania.
Em primeiro plano, o salmo fala de um povo redimido que andou
desgarrado e solitário pelo deserto – povo de Deus -. Tanto a saída do antigo
Egito em direção à terra de Canaã, como a saída da antiga Babilônia de volta em
direção a Judá, foram duras, solitárias, perigosas e penosas caminhadas.
Nenhuma delas foi empreitada confortável ou livre de esforços, aflições,
sacrifícios e lágrimas diárias.
Em segundo plano e como figura, o salmo revela a igreja do
Senhor Jesus, o povo da nova aliança, peregrina pelo deserto do mundo, a anunciante
do Evangelho, sem comunhão e sem ambiência para com os pensamentos espiritualmente
cegos do mundo e em relação aos estilos de vida trevosos ditados ou sugeridos pelos sistemas seculares.
A mensagem do Evangelho sempre foi oposta às linhas de pensamentos correntes no
mundo.
E, como igreja militante do Senhor Jesus, levando a genuína e
legítima mensagem do Evangelho, certamente deve estar pronta e disposta a
enfrentar a aparente solidão e desapego do mundo de impiedade. Que ninguém se
engane com as ondas eventuais de aplausos e alaridos simpaticamente levantados
pelo mundo interesseiramente amistoso e globalizadamente consumista.
Ainda como segundo plano e como figura, o salmo mostra a
condição do homem perdido e, na sua individualidade, com a alma vagante e
peregrina, andando desgarrado e espiritualmente solitário e vazio pelo deserto
do mundo. Tentando se abastecer de bagagens insatisfatórias e nutrir sua alma
com ilusões passageiras e aplacar sua consciência reclamante de Deus através de
aditivos apenas terrenos e temporais.
Em primeiro plano, o salmo fala de um povo que Deus o remiu da
mão do inimigo. Isto por muitas vezes. Por não poucas vezes o Eterno levantou
líderes, juízes, reis e valentes libertadores como ferramentas convictas e as
empregou como testemunhas das guerras e pelejas cujas vitórias Deus por estas
fez serem claramente notadas as incontestes marcas da Sua poderosa mão remidora
e resgatadora contra o inimigo.
Em segundo plano e como figura, o salmo revela a igreja do
Senhor Jesus, remida da mão do inimigo. Um povo gentio, estranho, de longe e
que antes não era o Seu povo. Um povo adquirido com o alto preço do sangue do
Cordeiro de Deus. Um povo que confundiu aqueles que eram Seus e não O receberam
motivados pelas tradições e pelos zelos invalidadores.
Ainda em segundo plano e como figura, o salmo mostra a condição
do homem perdido e desgarrado da mão do Senhor Deus. Vagante e debaixo da lei
tendenciosa da carne desenfreada. Um valioso ser inteligente, a coroa da
criação, mas infelizmente feito objeto de joguete na mão do inimigo. Isto somente até o dia em que o Rei Eterno Jesus
Cristo o redime, o resgata e o traz confessante ao Seu senhorio e soberania.
Em primeiro plano, o salmo fala do povo de Deus. Não achou
cidade para nela habitar durante o seu tempo de peregrinação e regressos de
cativeiros. Havia povoados isolados e cidades afastadas, mas estes eram
completamente dominados pelo paganismo, pelos costumes idólatras, anátemas e
misturados. Inóspitos à estada e acolhimento ao povo temente e servo do Deus
vivo e verdadeiro.
Em segundo plano e como figura, o salmo revela a igreja do
Senhor Jesus, durante o seu tempo militante na Terra e mantendo a sua
identidade nunca encontrou e jamais achará cidade terrena para nesta habitar.
Ela sempre será um povo peregrino. Que ninguém se permita ser iludido pelas
ondas de multidões e pelas influências convenientes e aquiescências
pretensiosas oferecidas pelos poderes terrenos cujos fins são cativar a igreja
e dela ou através dela somar vantagens e benefícios. Nossa cidade
definitivamente não é aqui.
Ainda em segundo plano e como figura, o salmo mostra a condição
do homem vagante e peregrino, andante em busca de segurança e de confortos em
lugares facilitadores da Terra. Buscando saciar a alma exclusivamente em bens e
patrimônios terrenais como pontos de apoio intocáveis e seguros, e acreditando
sejam próprios a habitar, chegam ao momento de perceberem que sua alma na
verdade está insatisfeita na Terra e nesta não acha uma cidade própria para que
sirva de sua habitação.
Em primeiro plano, o salmo fala do povo de Deus peregrinando para
a prometida Canaã e regressando de volta para a sua amada Judá, debaixo de
expectativas, de sequidões, de desgastes próprios das caminhadas em desertos e
lugares transitórios. Chegou aos momentos de desfalecimentos, de desesperanças,
de esgotamentos e de joelhos cansados e desconjuntados. São os momentos do
limite desafiante. São os momentos trilhados com a alma desfalecendo, mas
também os da infinita graça de Deus neles se mostrar.
Em segundo plano e como figura, o salmo revela a igreja do
Senhor Jesus peregrina em sua caminhada anunciante do Evangelho da graça de
Deus. Passando por momentos de sequidão, de expectativas e inquietudes, de
desgastes e incompreensões sofridas. Chegam os momentos de desfalecimentos, de
limites desafiantes, de combate às confusões e heresias, de preservar e
fortalecer os salvos e remidos dos seus apriscos. Ninguém do povo redimido e
peregrino do Senhor na Terra entrará na cidade Eterna sem haver passado por
qualquer experiência que seja. O Evangelho tem glórias, mas também a cada dia
leva a cruz.
Ainda em segundo plano e como figura, o salmo mostra a condição
do homem cansado e inebriado em ilusões terrenas e temporais, caminhando no
deserto espiritual do mundo, chega o momento de sua alma falar mais alto e
declarar que, com tudo e apesar de tudo que lhe possa satisfazer, mesmo assim
encontra inexplicavelmente desfalecendo-se.
Mesmo com a alma rodeada de inúmeras amplitudes de facilidades, está
desfalecendo como se estivesse aprisionada.
Em primeiro plano, o salmo fala do povo de Deus que na sua
caminhada chegou ao momento de sentir a sua própria situação, cair em si,
perceber o peso de suas aflições e clamar ao Senhor. Aqui está um dos grandes
contentamentos de qualquer coração que pertence e serve a Deus – sentir o seu estado,
cair em si, se arrepender de seus caminhos tortuosos e clamar ao Senhor -.
Servimos ao Deus que ouve e responde!
Em segundo plano e como figura, o salmo revela que a igreja do
Senhor Jesus jamais pode deixar de sentir as suas próprias situações e deixar
de levantar os seus olhos para o Autor e Consumador da nossa fé. Em meio e
rodeada de diversos ambientes de horrores e clamores no mundo, a igreja
redimida e militante do Senhor Jesus precisa continuar encorajada ao clamor
confiante e perseverante.
As hostes da maldade sempre buscaram infiltrar desanimadores e sugerir
desencorajamentos no seio do povo de Deus. Tentam enfraquecer a fé e a
identidade do povo israelita e com a mesma intensidade se levantam contra a
Igreja do Senhor Jesus até os dias correntes. Aqui está uma clara prova de que
tanto Israel como a Igreja do Senhor Jesus pertencem ao Eterno Deus como Suas
propriedades definidas nas Sagradas Escrituras.
O lindo Salmo 107 deixa clara a receptividade de Deus em direção
ao Seu amado povo, assim como a Sua infinita misericórdia para com este. Deus
livrou o Seu povo das dificuldades enfrentadas nas suas caminhadas, e o mesmo
Deus livra a Sua amada igreja hoje. Deus levou o seu povo por caminho direito,
e o mesmo Deus leva a Sua amada igreja hoje. Estas são verdades incontestáveis
no primeiro plano.
Mas além de tudo isso, nesse lindo texto há uma figura para o
futuro glorioso que ainda está por acontecer. Independente de opiniões
pré-milenistas, milenistas, pós-milenistas, amilenistas, isso vai acontecer
como diz a Escritura! Deus vai congregar todos os Seus redimidos dos quatro
cantos da Terra para irem a uma cidade de habitação!
O lindo texto do Salmo 107 revela duas grandes pérolas
apocalípticas escondidas em duas verdades. A primeira, a de que Deus congregou
os redimidos das terras do oriente e do ocidente, do norte e do sul. A segunda,
a de que Deus levou os redimidos por caminho direito, para irem a uma cidade de
habitação. Os verbos "congregou" e "levou" estão no tempo passado. Até então isto jamais aconteceu cabalmente e na totalidade com o povo do primeiro plano e
tampouco com a igreja em segundo plano, como figura. Essas duas pérolas ainda
estão por se revelarem como um acontecimento profético e espiritual.
Aqui, somos levados a refletir. Como encaramos as cenas
desastrosas da vida? Somos daquelas pessoas que ostentam frases-troféus
dizendo: “graças a Deus porque isso nunca aconteceu comigo, ou com os meus”? Ou
somos pessoas que com sábia visão percebem o âmbito geral das experiências
aflitivas de outras e sentimos juntamente o peso delas?
Numa reflexão direta. Você é um errante recuperado? Ou se faz
errante irrecuperável residente na sua cidade íntima de opiniões, no seu
palacete ou castelo erguido de duras pedras no seu coração? Você pode declarar
que o Senhor é bom pela essência da pessoa que Ele é? Ou o diz apenas
responsivamente por coisas temporais que lhe chegam às mãos?
Que nenhum dos redimidos do Senhor perca a liberdade de declarar
que o Senhor é bom. Que nenhum dos redimidos do Senhor perca o rumo durante a
caminhada no deserto deste mundo confuso e inebriado em ilusões. Que nenhum dos
redimidos do Senhor perca o ânimo para clamar ao Senhor. Que nenhum dos
redimidos do Senhor perca a esperança no Remidor Eterno e a visão do Lar Eterno.
Que nenhum errante e vagante pelas veredas desérticas deste
mundo prive a sua alma de buscar o Remidor e por Ele clamar. Que nenhuma alma
perca a oportunidade de remissão oferecida neste tempo da nova aliança da graça
de Deus aos homens. Que toda alma faminta e sedenta de Deus se permita sentir o
peso de suas prisões e se levante em erguer um clamor em busca do Senhor Jesus
Cristo, o Remidor Eterno, que garante a chegada na cidade de habitação eterna.
PbGS
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sábado, 7 de janeiro de 2012
EXEGESE NO SALMO 103.1-5.
EXEGESE NO SALMO 103.1-5.
Para começar um novo ano.
Chegamos ao ano novo. Estamos iniciando os primeiros dias de sua abertura. O calendário começou a abrir os seus numerais e a oferecer novas datas, apontar para novos espaços, marcar novos empreendimentos, assinalar as oportunidades, fazer lembrar as promessas, ajudar a fortalecer espectativas e mostrar quando fincar novas estacas.
E neste jubiloso momento de caminhada se faz jus e oportuno olhar para os grandiosos feitos do Senhor nosso Deus. Por tudo que Ele é, assim como por tudo que somente Ele faz.
Neste bom e feliz momento de começo de novo ano, abrindo o primeiro artigo, convido os caros e generosos leitores a refletir nesta breve exegese no Salmo 103.1-5. Ele começa com uma expressão importante e impressionante: “Bendize, minha alma, ao Senhor...”. A palavra do texto hebraico original para esse verbo “bendize” é “bārakh” e tem a sua raiz em “brk”. Esta palavra é muito especial porque significa uma ação de graça respondente.
Ela expressa uma saudação, um cumprimento, de agradecimento, no qual o favorecido dobra os joelhos em atitude de reconhecimento e adoração diante do seu favorecedor pelo bem recebido. No original desse salmo ela se repete cinco vezes. Isto não é por acaso e muito menos seria uma coincidência. Biblicamente, o cinco é o número da graça de Deus. Recebemos os bens dessa graça e precisamos expressar esse tipo de gratidão em todo o tempo ao Senhor Jesus, Dono absoluto dela.
Esse lindo salmo é extremamente rico, tocante e encorajador. Ele renova as nossas forças; nos incentiva; e nos faz confiante no Deus Eterno. Ele é conhecido como um salmo de gratidão. Ele é um salmo convidativo a prestar gratidão ao Senhor, e na mesma medida a renovar a nossa confiança no Deus Vivo e Verdadeiro.
Esse belo salmo encorajador foi escrito pelo rei Davi. É sobremaneira gratificante notar a exatidão de palavras e a firmeza de colocações na expressão experiente de verdadeira e sincera gratidão feita por um homem cujo poder de mando era venerado e cuja valentia era tida em estima.
Esse cativante salmo nos deixa ver a grande misericórdia e o fiel cuidado do Senhor Deus para conosco. Olhar para esse salmo é começar a compreender as muitas e inconfundíveis razões que temos para começar o novo ano mais apegados ao Senhor, mais unidos ao Senhor, mais contentes com o Senhor, mais amorosos para com o Senhor, mais esperançosos no Senhor.
Esse jubiloso salmo se constitui num verdadeiro hino de louvor e celebração ao Grande e Eterno Deus pelo Seu infinito amor para com todos aqueles que a Ele se chega. O salmo em foco é um hino de gratidão que responde aos benefícios recebidos do Senhor Deus. Um coração reclamante, murmurador, ingrato, insatisfeito, não teria propriedade, nem coragem e tampouco ousadia e liberalidade para reafirmar e fazer declarações pessoais nas profundidades escritas no Salmo 103.
A insatisfação, a murmuração, a ingratidão, o egoísmo e a insanidade seriam incapazes de influenciar a alma a bendizer ao Senhor e não teriam como reconhecer todos os feitos e benefícios vindos do Senhor Deus. Esse lindo salmo de Davi pode muito bem trazer para o terreno da reflexão sobre os grandes feitos do Senhor Deus. O salmo em apreço nos leva a perguntar por que somos imbuídos de profunda admiração que nos leva a bendizer com a nossa alma ao Senhor e não esquecer de nenhum dos benefícios do Senhor.
1 - É Ele que perdoa todas as tuas iniqüidades.
Na expressão “é Ele que...”, percebemos a unicidade, a autoridade e o poder do Senhor em perdoar todas as nossas iniqüidades. O texto nos deixa ver que não há outro perdoador como o Senhor nosso Deus. A Bíblia Sagrada categoricamente declara que Ele é rico em perdoar. Ele perdoa e esquece. Ele perdoa e lança a culpa no mar do esquecimento.
Percebamos também o universo e a totalidade de iniqüidades que somente o Senhor Deus é único em perdoar: “...perdoa todas as tuas iniqüidades”. Aqui percebemos a experiência de perdão que uma pessoa pode ter e com isso um novo levantar para refazer a vida e seguir em frente.
O verbo hebraico original “sālah”, ou “salach”, traduzido pela palavra “perdoa” é raro no saltério, entretanto aparece mais de setenta vezes nos escritos veterotestamentários e cerca de dez vezes no Novo Testamento. Ela é exclusivamente relacionada ao perdão do Senhor Deus em favor aos homens. Ela significa libertar, livrar, poupar, aliviar de um peso, perdoar. O Senhor é o único perdoador que libera esse tipo de perdão pelo Seu insondável amor aos homens.
2 - É Ele que sara todas as tuas enfermidades.
Aqui o texto revela também a unicidade e a exclusividade do Senhor em sarar, curar, todos os nossos males e enfermidades. O Senhor é o Médico por excelência em todas as especialidades em gênero, grau e número, e sara todas as enfermidades. Que melhor digam as multidões de milhares e milhares de pessoas com surpreendentes e extraordinários testemunhos de curas divinas.
Louvamos ao Senhor nosso Deus por todos os exímios e dedicados médicos e por todos os excelentes e respeitados profissionais de saúde que Ele concede a servir ao próximo. Mas os problemas do homem o resumem e o expõem a contrair, adquirir, sofrer, portar e estar subjugado a males e enfermidades de todos os tipos e espécies. Todavia, a resposta declarativa e prevalecente do Senhor nosso Deus é “é Ele que sara todas as tuas enfermidades”.
A palavra “sara” traduz a original do texto hebraico “rāpā”, ou “rapha”. Esta original aparece mais de sessenta vezes nos escritos veterotestamentários. Ela significa curar, restaurar, tornar saudável, e de certa forma está ligada ao perdão. Biblicamente, o pecado é um mal que, além de provocar a separação entre o homem e Deus, as mazelas dele também agravam o estado fisiológico e atestam ação de rebelião contra Deus. A cura divina traz consigo também a declaração de perdão.
A palavra “enfermidades” traduz a original hebraica “tahªlû’”, cuja tradução feita pela Septuaginta empregou o termo grego “nósous”. A palavra hebraica original significa basicamente “feridas”, e passou depois a significar também fraquezas, debilidades, doenças, agonias. Assim, a boa notícia desse salmo também publica que o Senhor Deus é único em curar todas essas feridas que abatem e humilham o homem.
3 - É Ele que redime a tua vida da perdição.
Aqui encontramos outra vez revelada a unicidade do Senhor Deus no extraordinário ato da remissão da vida. O texto original revela que Ele é o Único Remidor da vida que se encontra na cova da corrupção e da perdição.
A palavra “redime” traduz a extraordinária expressão “gā’al” no original do texto hebraico. Ela significa resgatar, redimir, livrar, vingar, libertar. Ela também diz da ação de comprar de volta uma propriedade. O texto revela que somente o Senhor é o único com o poder e a autoridade legais e legítimos a comprar de volta a vida enterrada na perdição. Nenhum outro nome há pelo qual podemos ser salvos.
Uma palavra seguida aparece: “perdição”. Esta palavra traduz o termo hebraico do texto original “šahath”, cuja tradução feita pela Septuaginta empregou a palavra grega “phthora”. Esse termo significa cova, e figuradamente diz de corrupção, destruição, fosso de perdição.
4 - É Ele que te coroa de benignidade e de misericórdia.
Aqui confirma outra vez que o Senhor Deus é o único que coroa de amor e de compaixão a nossa vida. Os termos originais hebraico desse trecho deixam claro que o Senhor é o único que realmente rodeia e cobre a nossa vida com o Seu brilho inestimável de profundo amor, de capacidade de fazer o bem, de bondade e de demonstração de verdadeira compaixão.
5 - É Ele quem enche a tua boca de bens.
Aqui aparece a forte e presente idéia de saciedade, tanto de bens materiais como de espirituais. O texto quer nos dizer que o Senhor Deus é o único que completa a dotação de bens materiais e espirituais necessários para o sustento da nossa vida. Está presente a idéia de transbordamento, mas não de esbanjamento, ufanação, desperdício. A idéia original dessa expressão no texto hebraico é de completamento, saciedade.
O texto dá o desfecho maravilhoso e encorajador: “Por isso que a tua mocidade se renova como a águia.” A dotação de bens proporcionada pelo Senhor nos leva ao rejuvenescimento, à renovação da juventude, periódicos e seqüenciais. Nem tudo que enche causa saciedade, completude e contentamento.
Os bens por si somente podem encher, mas sem a dotação de Deus não completam, não saciam e muito menos rejuvenescem e renovam. A visão que possuímos sobre a dotação de bens para a nossa existência precisa ser madura em experiências e afinada com a do Senhor. Somente o Senhor Deus é o único que conhece a medida de dotação de bens que precisamos para a nossa saciedade com contentamento.
Por tudo isso, começamos o novo ano olhando para os grandiosos feitos do Senhor, valorizando cada vez mais as bênçãos de Deus, sabendo que Ele é o único que perdoa “todas” (texto grego Septuaginta “pasas”: cada uma, todas, uma por uma) as nossas iniqüidades; o único que sara “todas” as nossas enfermidades; que redime a nossa alma das profundezas da perdição; que coroa a nossa vida com a Sua benignidade e a Sua misericórdia; quem enche a nossa boa de bens.
Bendito é o Senhor nosso Deus para sempre! Nenhum deus é como o Senhor nosso Deus revelado no Salmo 103. Por isso, neste novo ano reconhecemos tudo que o Senhor fez por cada um de nós no ano passado e aproveitamos desde agora com o nosso coração profundamente grato por tudo que Ele irá fazer.
BENDIZE AO SENHOR!
PbGS
NOTA:
Palavras e termos dos textos originais conforme o Theological Wordbook of the Old Testament; o Strong’s Hebrew and Greek Dictionary; o Vine’s Expository Dictionary of Biblical Words; o The Ancient Hebrew Dictionary; o The Biblical Hebrew Dictionary; e o The Old Testament Hebrew Lexicon.
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
PROFUNDAS EXPERIÊNCIAS NO SALMO 34.
PROFUNDAS EXPERIÊNCIAS NO SALMO 34.
Louvarei ao Senhor em todo tempo...
A vida de alguém que de fato serve ao Senhor Deus é rica de experiências. A cada tempo, uma nova estação revigorando a antiga. A cada dia, um novo formato dentro do antigo. A cada passo, uma nova perspectiva dentro da antiga. Faz bons proveitos delas quem pode, as despreza quem quer e as perde quem para elas não atenta.
Enfim, nas experiências da vida cristã até mesmo prantos, tristezas, decepções e perdas somam novas experiências, levantam novos sorrisos, trazem novas alegrias, encaminham e fortalecem a novas certezas e refletem em novos ganhos. Deus nos adestra e nos prontifica através de continuadas experiências.
Bendito é o Senhor que nos traz a novas experiências. Que nos conduz a excelentes caminhos e neles nos sustenta e nos confirma pela excelência de Sua maravilhosa pessoa, do Seu imensurável amor, de Sua infinita misericórdia e do Seu majestoso poder. Ao Senhor Deus sejam, pois, reconhecidas e proclamadas a Sua majestade, a Sua bondade, a Sua soberania e o Seu excelso cuidado para conosco.
Nestas linhas muito oportunas, tomaremos alguns minutos de reflexão no Salmo 34. Um salmo cujos teor e lições nos enriquecem sobremaneira e nos encorajam extraordinariamente a singrar os dias repousando inteiramente a nossa confiança e esperança no Senhor nosso Deus.
Como preliminar, preciso citar que esse salmo foi escrito por Davi. É o segundo dos salmos conhecidos como salmos de livramento. Um salmo que reflete a realidade experimental de uma pessoa, que apesar de suas fragilidades e desencontros, temeu, respeitou, venerou, reverenciou e reconheceu o Senhor como digno de louvor em todo o tempo e dEle não se apartou. Estas são atitudes que constroem uma pessoa rica de experiências com Deus.
Esse salmo contém uma oração que demonstra uma profunda e jubilosa gratidão reconhecendo que o Senhor é o único, verdadeiro e inigualável referencial digno de receber todo louvor e adoração. Esse salmo começa com um hino e é concluído com um sermão. Aos reis da Terra jamais seria justo consagrar tamanho agradecimento e profundo louvor por quaisquer favores que prestem.
Também se faz preciso o dizer que o Salmo 34 é um dos salmos poéticos com forma de acróstico, apesar de possuir algumas pequenas variantes e diferenças. Um escrito caprichado, destro e quase perfeito quanto foi a cena ocorrida com o salmista. Nele os versículos são cada um iniciados por uma letra do alfabeto hebraico, e se não fosse pela falta de algumas delas, estaria quase perfeito. Assim é todo homem após Adão – quase perfeito – para nos dizer que há um Salvador e Redentor que nos tornará perfeitos pela ação do Seu poder.
Esse é um dos salmos mais citados no Novo Testamento. Esse salmo contém expressões de louvores que espelham os resultados de profundas experiências de um coração seguramente grato, que teve suas súplicas respondidas e livramentos lhe concedidos em momentos extremamente delicados e difíceis.
Refletir nas expressões desse lindo e estimulante salmo, nos encoraja a prosseguir e nos anima a compreender que o Senhor Deus é verdadeiramente o Dono de todas as experiências daqueles que O temem, que O reverenciam. Que está atento aos nossos temores e responde às nossas mais profundas e inquietantes súplicas.
Diz a tradição que esse salmo é resultante da inspiração divina ao coração de Davi após o momento no qual se fingiu de louco diante do rei Abimeleque, e foi expulso por este da cidade. 1Sm 21.1-13. No título prefacial dado a esse salmo aparece o nome de um rei, Abimeleque, um nome que alguns historiadores inferem provavelmente se tratar de Aquis, rei de Gate.
Contudo, o mais importante nesse salmo em apreço não são exatamente os detalhes históricos e simulações nos episódios que o motivaram. E apesar de conter um lindo e destro arranjo escrito, não é esse ainda o mais importante em função do seu dispositivo artístico na forma.
O mais importante nesse salmo são a grandeza, a propriedade e a exatidão de expressão nas palavras empregadas pelo seu autor humano com profundas lições de experiências com o Senhor Deus em sua própria vida pessoal e particular. Notemo-las:
1 - Experiência na oração. (vs. 1-4)
O salmo abre os seus primeiros versículos com uma oração introdutória em forma de hino. Aqui notamos as palavras de ação do salmista afirmando com garbo a sua dedicação e com firmeza a sua intenção de louvar ao Senhor em todo tempo. Louvar a Deus continuamente. Isto não é produto de um entusiasmo. Isto é resultado de experiências com Deus.
Note que o escritor do salmo não faz qualquer alusão ao momento desafortunado e nem aos feios detalhes de sua simulação. Essas particularidades não precisavam ser publicamente arvoradas num espaço de louvor. Não serviriam de edificação para aquela comunidade de pobres na qual de passagem se encontrava na ocasião jubilosa ao escrever o salmo.
Isto quer nos dizer que nossas orações quando em público não devem e jamais precisam ser recheadas de comiserações, de fatos e detalhes dos históricos de nossas tristes experiências de infortúnios, de temores, de nossas fragilidades e de nossos desacertos pessoais. Isto existe sob várias formas e tipos e poderá acontecer debaixo do Sol. Se, por um lado, encobri-los é um grande prejuízo, por outro, publicá-los a quem não se deve é um horrível desastre.
Coisas que em nada edificam a outros, coisas que atraem a atenção para nós mesmos, são sempre desnecessárias e inoportunas. O mais importante não são os nossos infortúnios, desacertos e infantilidades. O importante sobretudo são as multidões de razões que temos para louvar ao Senhor Deus continuamente. O salmista está também em outras palavras afirmando que o lugar e a hora não são importantes e nem exercem influência sobre ele para que louve ao Senhor Deus.
Nota-se que o salmista quer dizer que em conseqüência de sua demonstrada alegria e sinceridade no louvor, os desanimados vão ouvi-lo e se alegrarem. O desanimado somente fica desanimado quando não opta por ouvir e crer na imensa graça do Senhor Jesus. O desânimo pode desarmar e desapontar um descrente, todavia os feitos do Senhor quando testemunhados pelo louvor de um crente debaixo da unção e inspiração do Espírito motiva os corações a crerem e se alegrarem.
Além disso, notamos as fortes razões do testemunho do salmista: o Senhor veio ao seu encontro e o recebeu quando ele O buscou; e também o Senhor lhe tirou todo o medo que havia no seu coração. Temos sempre os maiores e melhores motivos para demonstrar nossa profunda gratidão com um sincero e jubiloso louvor ao Senhor nosso Deus. Nossa gratidão e louvor devem ser tão mais profundos do que as profundezas dos perigos e temores que enfrentamos.
2 - Experiência na salvação. (vs. 5, 6)
Movido por suas experiências pessoais, o salmista expressa que a orientação do Senhor é segura, eficaz e jamais causa desapontamento. Ele confessa que o Senhor o ouviu e o ajudou quando no momento do desespero, assim como o livrou não somente de uma, mas de todas as suas tribulações. Experiência de salvação jamais pode ser comparada ou assemelhada a fragmentos experimentais de expectação.
Um olhar de fé é extraordinariamente significativo e conduz a resultados inestimáveis. A Escritura Sagrada registra: “Olhai para mim, e sereis salvos”. Is 45.22 (ARC). A salvação resultante do olhar confiante e direto ao Senhor. Nesse olhar direto jamais cabe ser inserida uma figura intermediária, um mediador. Quando Deus quer nos buscar, Ele move meios para nos trazer a olhar para Ele em algum momento e em algum lugar.
Alguém que tem a oportunidade de receber tamanha atenção e extraordinário livramento da parte do Senhor Deus, precisa centrar e dirigir o seu agradecimento legítimo ao Senhor por tudo que fez. Qualquer agradecimento artístico ficaria muito aquém, seria muito vilão, seria bastante artificial, seria completamente mesquinho e vergonhoso.
3 - Experiência na proteção divina. (v. 7)
O salmista se referiu ao seu livramento e salvação, e logo depois declara com firmeza por ter vivenciado tal experiência. Ele fala convictamente que “o anjo do Senhor cerca aqueles que temem ao Senhor e lhes dando proteção os livra.
A sua experiência de livramento leva-o a perceber uma realidade espiritual e nos traz essa revelação. Encontramos na Escritura Sagrada, a realidade dessa proteção divina empregada através de anjos como experiências circunstanciais visíveis. Abraão e Ló tiveram essa experiência. O Senhor prometeu essa experiência a Moisés. Pedro teve essa experiência sendo livrado da prisão. Sem qualquer misticismo ou superstição, somos seguros em afirmar e publicar naturalmente essa experiência de proteção divina.
4 - Experiência na bondade. (v. 8)
Se fosse um teórico, ou um fanfarrão, um artificioso, nenhum crédito poderia lhe ser dado nessa declaração de convite. Seria um convite passivo de receber variados graus de credibilidade. Mas como ela parte de alguém que passou pela experiência de haver recebido a grande bondade de Deus por várias vezes e em repetidas situações, temos que realmente confiar e experimentar provar e ver que o Senhor é bom.
A felicidade de poder confiar totalmente no Senhor é uma experiência espetacular. Somos atraídos a confiar no Senhor e também ir além em depositar a nossa confiança sobre outras pessoas ou recursos. Prove e veja! Um convite que indica a ação de por em teste e a de comprovar visualmente o resultado desse teste. Somos felizes se confiarmos e agirmos totalmente assim. Nessa experiência, somente vê aquele que primeiro prova.
5 - Experiência na abundância. (vs. 9-14)
Para as pessoas que se separam para de fato servirem a Deus, o convite conclama a temer ao Senhor. A sobrevivência e o suprimento de necessidades aqui ligam o seu estreito vínculo de dependência ao Senhor. Temos que buscá-lo, a fim de nunca padecermos necessidades. Aqui não se trata de riquezas, e sim de sobrevivência e suprimento de necessidades. Deus é o Sustentador da vida!
Nem todas as pessoas sabem conviver ou possuir com a abundância, ou gerenciá-la. Muitos se perdem, outros se acham. Ainda, muitos tomam e assumem as rédeas dela, sabendo conscientes e sob convicções de sua temporalidade e da origem dos seus benefícios. Uma coisa é ter a abundância como bênção de Deus, e outra é possui-la como peso de medo ou monturo de aflições.
O salmista ainda faz aconselhamentos a pessoas mais jovens. Ele lhes pede a atenção e promete ensinar o temor do Senhor. Respondendo a uma pergunta didática, ele mesmo traz a todos os mais jovens a poderosa sugestão para ser feliz – “cuidado com o que fala” -. Não é difícil serem encontrados aqueles que torcem e controvertem as nossas falas. Eles cooperam com o inferno e prestam favores aos demônios. É preciso termos cuidado com o que falamos e sabermos também o que falamos.
O salmista também lança uma sugestão ao afastamento do mal e o convite ao esforço de fazer o bem, assim como ao de manter a paz com todos e o esforço para a conquista de consegui-la. Um conselho e um convite feitos por alguém que passou por profundas experiências devem ser levados em conta.
6 - Experiência nas provações. (vs. 15-21)
É deveras e extremamente reconfortante obtermos a certeza de que os olhos do Senhor não vacilam. Além de eles buscarem os fiéis da Terra, eles também vigiam aqueles a quem o texto sagrado chama de justos. Ter todos os pedidos de socorro atendidos é uma observação extraordinária. Não é comum aos homens essa totalidade, mas é prometida pelo Senhor e normalmente experimentada por aqueles que temem e O servem como o seu único Deus Vivo e Verdadeiro.
O salmo também fala sobre os maus. Dificilmente alguém de má índole, praticante do mal, fará parte dos bons elencos de memórias. Jamais será objeto de uma lembrança honrosa, e certamente seus nomes apenas ocuparão um exíguo espaço numa fria lápide. Os praticantes do mal caem na infelicidade de terem o rosto do Senhor contra eles. Aqui encontramos o triste espaço final dos perdidos e esquecidos para sempre. Prática não é questão de eventualidade e sim de continuidade e efetividade – e isto, no caso da prática do mal, é um costume perigoso com um fim infeliz -.
São privilegiados aqueles que possuem o coração quebrantado. Gozam da companhia do Senhor e os que têm o espírito humilde são salvos por Ele. Nenhum homem é melhor do que outro. Todos passam por muitos sofrimentos, agruras, momentos difíceis, porém aos justos o Senhor os livra de todos. Essa é a constatação feita pelo salmista por experiência pessoal, e nos transmite isso com muita propriedade e exatidão.
O bem-estar do justo é cuidado pelo Senhor. Nenhum osso é permitido lhe ser quebrado. Nessa experiência, é preciso ser notada aplicação da palavra “permitir” que seja quebrado. Isto nos diz que há o exercício da soberania do Senhor Deus na Sua vontade permissiva sobre o nosso bem-estar físico e nossa estrutura física. Logo, se algo nos acontece é em resultado da permissão do Senhor Deus. Essa experiência se cumpriu também no Senhor Jesus, o Messias rejeitado.
7 - Experiência na justiça divina. (vs. 21, 22)
Algumas promovem confusão quanto à justiça do Senhor e outras subestimam o Seu amor. Os maus sempre terminarão os seus dias sendo destruídos pelo mal. E a condenação não deixa de ser aplicada sobre todo aquele que odeia o justo. O número de justos tem sido sempre menor que o de injustos sobre a Terra.
Nem sempre atos de justiça isolados declaram que seu feitor seja propriamente justo, todavia o justo promove e faz prevalecer a justiça porquanto é justo. Ser justo causa incômodos, desconfortos e impedimentos aos planos e trâmites dos injustos. A lama da injustiça mistura-se com as bolotas e alfarrobas próprias aos paladares daqueles que degustam e se deliciam numa vida de injustiça. Desprezar o Senhor Deus é injustiça e odiar o justo é sinônimo de sofrer condenação.
Somos tornados justos ao estamos em Cristo. Em Cristo , somos justificados. E em Cristo, precisamos praticar e fazer prevalecer a justiça, fazer valer e reinar em nossa vida a justiça do Senhor Jesus. Do contrário, seria o nosso crer uma demonstração de fantasias, de irrealidades, de faz-de-contas e aparências.
Por fim, vem a declaração de uma promessa de livramento da destruição contra a vida dos servos de Deus. Essa promessa de livramento não se limita ao mundo físico e nem está condicionada somente ao mundo espiritual, mas a expressão seguinte “Ninguém que nEle se refugia será condenado” mostra fortemente o sentido de redenção oferecida por Deus aos homens.
Assim sendo, ao ler e refletir no Salmo 34, esse lindo salmo encorajador, composto com arte e sob a inspiração do Senhor Deus, nos deixando notar a profundidade de sabedoria, satisfação, respeito e gratidão no coração de alguém que se apegou ao Senhor de tal maneira que suas experiências com Deus nos leva a perceber nossas experiências próprias e louvar ao Senhor em todo o tempo com a totalidade do que somos, do que fazemos, do que temos e do que anelamos.
Louvar ao Senhor quando estamos bem, em boa forma, em boa fase, bem aplaudidos e acolhidos, num bom momento, é deveras aceitável e compreensível apenas por alguém que não conhece o Senhor Jesus, alguém que não serve a Deus. Difícil mesmo é louvá-lO sob quaisquer condições, em qualquer lugar e em qualquer tempo. Por isso, que a experiência de agradecer e louvar ao Senhor Deus é a atitude imanente e inerente dos filhos do Reino, com experiência de salvação.
Essa atitude somente parte de um coração que bem sabe o que passou e por onde passou. Viu de perto a morte, teve que empregar artifícios momentâneos para ganhar o futuro. E viu que nos caminhos de sua vida somente é o Senhor quem de fato livra e salva. E o resultado digno de reconhecimento consiste em louvar a Deus continuamente, sempre...
Obrigado, Senhor! Tu me livrastes dos muitos momentos difíceis e dolorosos pelos quais transitei. Por isso te louvarei sempre. Quer na presença dos anjos, dos deuses, das pessoas, dos ignorantes e dos entendidos, dos fracos e dos fortes, dos insatisfeitos e dos realizados, dos arrogantes e dos humildes, dos falsos e dos verdadeiros, dos desgostosos e dos esperançosos, dos maus e dos bons, dos invejosos e dos mais capazes, dos revanchistas e dos liberais, dos hostis e dos amáveis, dos tolos e dos sábios, dos embrutecidos e dos sensíveis, etc.
A EXPERIÊNCIA É PESSOAL, PORTANTO, LOUVAREI AO SENHOR CONTINUAMENTE...
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