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sábado, 30 de maio de 2015
QUE CULTO ESTAMOS FAZENDO?
QUE CULTO ESTAMOS
FAZENDO?
Verdades
sobre o culto cristão.
O ato de cultuar em si é uma expressão de prática essencialmente
de contexto religioso. O culto em si é um ato que envolve consideração,
reverência, adoração, serviço e veneração respeitosos. O ato de cultuar é uma
manifestação prática das mais antigas de que se tem conhecimento na humanidade.
Todo e qualquer ato de culto em si possui as suas bases e fundamentos,
alicerçados em princípios e propósitos que direcionam o indivíduo que cultua ao
que este conhece e acredita.
Em todo tempo o ato de cultuar se defrontou com influências,
ameaças e manipulações. Houve épocas em que esse ato foi tomado e usado com a
finalidade de empregá-lo para a glorificação de homens, poderes humanos, animais, símbolos, figuras e objetos da criatividade imaginativa ou da natureza. O ato de cultuar está intrinsecamente ligado a
algum tipo de fé e também envolve a demonstração de alguma crença.
Mas, e o culto cristão? O Novo Testamento mostra clara e
definidamente a natureza viva, os princípios notáveis e os propósitos imutáveis
do culto cristão. A igreja cristã começou seus dias de culto freqüentando as
sinagogas e reunindo-se nas casas. Anos depois passou a construir templos e se reunir neles. A natureza do culto cristão é espiritual e
apoiada na verdade expressa nas Escrituras Sagradas e na verdade encontrada e demonstrada na pessoa que o faz. O culto cristão é
fundamentado em princípios histórica e teologicamente. O culto cristão é
dirigido e direcionado aos propósitos preconizados na Palavra de Deus. O culto cristão não admite invenções e nem idealizações espúrias e heréticas.
Por que o culto cristão vem se defrontando com influências e
mudanças alheias a si? Por que a adoração cristã vem sendo roubada, minada,
infiltrada, desvirtuada e desviada de suas origem e natureza, de seus
princípios e propósitos? Por algumas razões além do fator diabo. A primeira, o
culto cristão vem se defrontando com mudanças porque a teologia do
Protestantismo brasileiro vem sofrendo infiltrações de mudanças. A segunda, o
culto cristão vem se confrontando com mudanças porque o conceito de igreja e o
relacionamento do cristão evangélico em relação à história e à teologia da
igreja cristã vem sofrendo influências e mudanças alheias à Palavra de Deus.
Assim, quando se mudam as bases e princípios, também com isso sofrem e
desviam-se a natureza e os propósitos.
Biblicamente, a palavra original para “culto”, no Antigo e no
Novo Testamentos refere-se basicamente a um “serviço” prestado direta e
devidamente ao Senhor Deus. Culto é um serviço que para ser desempenhado deve
ser dirigido sobre os lastros estabelecidos na Bíblia Sagrada. O culto cristão
é um serviço cuja referência central, única e mestra é a Bíblia Sagrada, e cuja
Pessoa única e exclusiva a ser agradada e servida por ele é o Senhor Deus.
O culto cristão é composto nas suas bases por liturgia, serviço,
assistência, submissão e ministração. A igreja cristã reúne-se para cultuar a
Deus como prestação de um serviço espiritual, conduzido de forma racional e
inteligente, pautado nas consideração, reverência, adoração e veneração respeitosos diante de um momento
de encontro com Deus. Uma prestação de serviço por assistência e ministração de
cânticos de louvor, adoração, orações, mensagem, especiais e exclusivos ao
Senhor Deus, seguindo a liturgia fundamentada na Bíblia Sagrada. Esses são os
pontos centrais da vida da igreja cristã militante na terra enquanto olha,
almeja e espera a sua chegada de triunfo no Céu.
No serviço de culto cristão, o alvo e o centro determinantes
únicos são o Senhor Deus. O culto cristão não admite interferência de elementos
de ideologias e ideais da visão humana. Nós não determinamos o culto cristão. E
se o fizermos, ele deixa de ser culto cristão e passa a assemelhar a outros
cultos alheios aos moldes, aos princípios e aos propósitos bíblicos. O culto cristão é essencialmente didático. As gerações de cristãos aprendem a agradar e servir a Deus com outras anteriores cultuando a Ele, de forma que ao nos questionarem a respeito do culto cristão, somos aptos a apontar para bases e fundamentos sólidos que cada geração cristã recebe da anterior.
O culto cristão é um serviço prestado a Deus inspirado no amor.
Dt 6.4-5, e 7.8. O culto cristão é um serviço prestado a Deus com reverência.
Sl 44.1-3, 89.7, Ec 3.15, Hb 2.20. O culto cristão é um serviço oferecido a
Deus por fé. Jo 6.27-28, 14.22. O culto cristão é um serviço oferecido a Deus
com emprego da razão e da inteligência. Rm 12.1. O culto cristão é um serviço
feito e oferecido a Deus como sacrifício vivo no qual nós somos o próprio
objeto do sacrifício. Rm 12.2. O culto cristão é um serviço feito, prestado e
oferecido a Deus em espírito de louvor e adoração deliberado e voluntário. Hb
13.15.
O culto cristão NÃO é um serviço frio, engessado e conduzido por
uma expressão de obrigatoriedade imposta à pessoa que cultua como um elemento
recipiente e participante apenas de um auditório. O culto cristão expressa
exatamente diante de Deus e dos demais homens a nossa esperança, a nossa
gratidão, a nossa fé, a nossa herança espiritual e a nossa fidelidade
voluntária para com o Senhor nosso Deus a quem cultuamos com entrega e
satisfação reverentes. O culto cristão nos dá a rica e inestimável oportunidade didática de sermos cada um usados por Deus para servi-lo e para ministrar aos homens
para sua edificação, fortalecimento e consolação.
O legítimo e verdadeiro culto cristão não abre espaço algum para
entronização ou devoção a nenhuma figura, nenhum objeto, nenhum ser, nenhuma
pessoa. O culto cristão possui historicidade e princípio teológico, é pautado
na Bíblia Sagrada e o seu alvo receptor é única e exclusivamente o Senhor Deus.
No culto cristão todos os presentes tomam parte. Cada um presente tem hinos,
cânticos, salmos, mensagens, e todos seguem uma ordem de fatores jamais
inventados ou criados e desconexos com a história da igreja cristã e com a
teologia dos textos sagrados.
O culto cristão não é individualista. Nem se destina nos seus
fins a fazer proselitismos e adesões. O Culto cristão não deve ter sua liturgia,
história e teologia depreciadas, menosprezadas. O culto cristão não é
antropocêntrico, humanocêntrico, objeto de negócios e apoios financeiros. O
culto cristão não é ordenado pela mentalidade ou força da criatividade humanas.
Nossas intenções e ações particulares, por melhores e mais bem atraentes que
sejam ou se apresentem, não podem estar acima da ordenação bíblica para o
serviço de culto cristão.
Portanto, o culto cristão é um serviço que visa agradar e servir
a Deus e na sua execução os homens são ministrados para a condução de
edificação, correção, fortalecimento e consolação de suas vidas. A direção do
culto cristão possui a responsabilidade prazerosa de estimular os congregados
presentes a se envolverem na consciência do culto cristão, conduzindo o culto descente
e ordenado.
EvGS
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sábado, 7 de janeiro de 2012
EXEGESE NO SALMO 103.1-5.
EXEGESE NO SALMO 103.1-5.
Para começar um novo ano.
Chegamos ao ano novo. Estamos iniciando os primeiros dias de sua abertura. O calendário começou a abrir os seus numerais e a oferecer novas datas, apontar para novos espaços, marcar novos empreendimentos, assinalar as oportunidades, fazer lembrar as promessas, ajudar a fortalecer espectativas e mostrar quando fincar novas estacas.
E neste jubiloso momento de caminhada se faz jus e oportuno olhar para os grandiosos feitos do Senhor nosso Deus. Por tudo que Ele é, assim como por tudo que somente Ele faz.
Neste bom e feliz momento de começo de novo ano, abrindo o primeiro artigo, convido os caros e generosos leitores a refletir nesta breve exegese no Salmo 103.1-5. Ele começa com uma expressão importante e impressionante: “Bendize, minha alma, ao Senhor...”. A palavra do texto hebraico original para esse verbo “bendize” é “bārakh” e tem a sua raiz em “brk”. Esta palavra é muito especial porque significa uma ação de graça respondente.
Ela expressa uma saudação, um cumprimento, de agradecimento, no qual o favorecido dobra os joelhos em atitude de reconhecimento e adoração diante do seu favorecedor pelo bem recebido. No original desse salmo ela se repete cinco vezes. Isto não é por acaso e muito menos seria uma coincidência. Biblicamente, o cinco é o número da graça de Deus. Recebemos os bens dessa graça e precisamos expressar esse tipo de gratidão em todo o tempo ao Senhor Jesus, Dono absoluto dela.
Esse lindo salmo é extremamente rico, tocante e encorajador. Ele renova as nossas forças; nos incentiva; e nos faz confiante no Deus Eterno. Ele é conhecido como um salmo de gratidão. Ele é um salmo convidativo a prestar gratidão ao Senhor, e na mesma medida a renovar a nossa confiança no Deus Vivo e Verdadeiro.
Esse belo salmo encorajador foi escrito pelo rei Davi. É sobremaneira gratificante notar a exatidão de palavras e a firmeza de colocações na expressão experiente de verdadeira e sincera gratidão feita por um homem cujo poder de mando era venerado e cuja valentia era tida em estima.
Esse cativante salmo nos deixa ver a grande misericórdia e o fiel cuidado do Senhor Deus para conosco. Olhar para esse salmo é começar a compreender as muitas e inconfundíveis razões que temos para começar o novo ano mais apegados ao Senhor, mais unidos ao Senhor, mais contentes com o Senhor, mais amorosos para com o Senhor, mais esperançosos no Senhor.
Esse jubiloso salmo se constitui num verdadeiro hino de louvor e celebração ao Grande e Eterno Deus pelo Seu infinito amor para com todos aqueles que a Ele se chega. O salmo em foco é um hino de gratidão que responde aos benefícios recebidos do Senhor Deus. Um coração reclamante, murmurador, ingrato, insatisfeito, não teria propriedade, nem coragem e tampouco ousadia e liberalidade para reafirmar e fazer declarações pessoais nas profundidades escritas no Salmo 103.
A insatisfação, a murmuração, a ingratidão, o egoísmo e a insanidade seriam incapazes de influenciar a alma a bendizer ao Senhor e não teriam como reconhecer todos os feitos e benefícios vindos do Senhor Deus. Esse lindo salmo de Davi pode muito bem trazer para o terreno da reflexão sobre os grandes feitos do Senhor Deus. O salmo em apreço nos leva a perguntar por que somos imbuídos de profunda admiração que nos leva a bendizer com a nossa alma ao Senhor e não esquecer de nenhum dos benefícios do Senhor.
1 - É Ele que perdoa todas as tuas iniqüidades.
Na expressão “é Ele que...”, percebemos a unicidade, a autoridade e o poder do Senhor em perdoar todas as nossas iniqüidades. O texto nos deixa ver que não há outro perdoador como o Senhor nosso Deus. A Bíblia Sagrada categoricamente declara que Ele é rico em perdoar. Ele perdoa e esquece. Ele perdoa e lança a culpa no mar do esquecimento.
Percebamos também o universo e a totalidade de iniqüidades que somente o Senhor Deus é único em perdoar: “...perdoa todas as tuas iniqüidades”. Aqui percebemos a experiência de perdão que uma pessoa pode ter e com isso um novo levantar para refazer a vida e seguir em frente.
O verbo hebraico original “sālah”, ou “salach”, traduzido pela palavra “perdoa” é raro no saltério, entretanto aparece mais de setenta vezes nos escritos veterotestamentários e cerca de dez vezes no Novo Testamento. Ela é exclusivamente relacionada ao perdão do Senhor Deus em favor aos homens. Ela significa libertar, livrar, poupar, aliviar de um peso, perdoar. O Senhor é o único perdoador que libera esse tipo de perdão pelo Seu insondável amor aos homens.
2 - É Ele que sara todas as tuas enfermidades.
Aqui o texto revela também a unicidade e a exclusividade do Senhor em sarar, curar, todos os nossos males e enfermidades. O Senhor é o Médico por excelência em todas as especialidades em gênero, grau e número, e sara todas as enfermidades. Que melhor digam as multidões de milhares e milhares de pessoas com surpreendentes e extraordinários testemunhos de curas divinas.
Louvamos ao Senhor nosso Deus por todos os exímios e dedicados médicos e por todos os excelentes e respeitados profissionais de saúde que Ele concede a servir ao próximo. Mas os problemas do homem o resumem e o expõem a contrair, adquirir, sofrer, portar e estar subjugado a males e enfermidades de todos os tipos e espécies. Todavia, a resposta declarativa e prevalecente do Senhor nosso Deus é “é Ele que sara todas as tuas enfermidades”.
A palavra “sara” traduz a original do texto hebraico “rāpā”, ou “rapha”. Esta original aparece mais de sessenta vezes nos escritos veterotestamentários. Ela significa curar, restaurar, tornar saudável, e de certa forma está ligada ao perdão. Biblicamente, o pecado é um mal que, além de provocar a separação entre o homem e Deus, as mazelas dele também agravam o estado fisiológico e atestam ação de rebelião contra Deus. A cura divina traz consigo também a declaração de perdão.
A palavra “enfermidades” traduz a original hebraica “tahªlû’”, cuja tradução feita pela Septuaginta empregou o termo grego “nósous”. A palavra hebraica original significa basicamente “feridas”, e passou depois a significar também fraquezas, debilidades, doenças, agonias. Assim, a boa notícia desse salmo também publica que o Senhor Deus é único em curar todas essas feridas que abatem e humilham o homem.
3 - É Ele que redime a tua vida da perdição.
Aqui encontramos outra vez revelada a unicidade do Senhor Deus no extraordinário ato da remissão da vida. O texto original revela que Ele é o Único Remidor da vida que se encontra na cova da corrupção e da perdição.
A palavra “redime” traduz a extraordinária expressão “gā’al” no original do texto hebraico. Ela significa resgatar, redimir, livrar, vingar, libertar. Ela também diz da ação de comprar de volta uma propriedade. O texto revela que somente o Senhor é o único com o poder e a autoridade legais e legítimos a comprar de volta a vida enterrada na perdição. Nenhum outro nome há pelo qual podemos ser salvos.
Uma palavra seguida aparece: “perdição”. Esta palavra traduz o termo hebraico do texto original “šahath”, cuja tradução feita pela Septuaginta empregou a palavra grega “phthora”. Esse termo significa cova, e figuradamente diz de corrupção, destruição, fosso de perdição.
4 - É Ele que te coroa de benignidade e de misericórdia.
Aqui confirma outra vez que o Senhor Deus é o único que coroa de amor e de compaixão a nossa vida. Os termos originais hebraico desse trecho deixam claro que o Senhor é o único que realmente rodeia e cobre a nossa vida com o Seu brilho inestimável de profundo amor, de capacidade de fazer o bem, de bondade e de demonstração de verdadeira compaixão.
5 - É Ele quem enche a tua boca de bens.
Aqui aparece a forte e presente idéia de saciedade, tanto de bens materiais como de espirituais. O texto quer nos dizer que o Senhor Deus é o único que completa a dotação de bens materiais e espirituais necessários para o sustento da nossa vida. Está presente a idéia de transbordamento, mas não de esbanjamento, ufanação, desperdício. A idéia original dessa expressão no texto hebraico é de completamento, saciedade.
O texto dá o desfecho maravilhoso e encorajador: “Por isso que a tua mocidade se renova como a águia.” A dotação de bens proporcionada pelo Senhor nos leva ao rejuvenescimento, à renovação da juventude, periódicos e seqüenciais. Nem tudo que enche causa saciedade, completude e contentamento.
Os bens por si somente podem encher, mas sem a dotação de Deus não completam, não saciam e muito menos rejuvenescem e renovam. A visão que possuímos sobre a dotação de bens para a nossa existência precisa ser madura em experiências e afinada com a do Senhor. Somente o Senhor Deus é o único que conhece a medida de dotação de bens que precisamos para a nossa saciedade com contentamento.
Por tudo isso, começamos o novo ano olhando para os grandiosos feitos do Senhor, valorizando cada vez mais as bênçãos de Deus, sabendo que Ele é o único que perdoa “todas” (texto grego Septuaginta “pasas”: cada uma, todas, uma por uma) as nossas iniqüidades; o único que sara “todas” as nossas enfermidades; que redime a nossa alma das profundezas da perdição; que coroa a nossa vida com a Sua benignidade e a Sua misericórdia; quem enche a nossa boa de bens.
Bendito é o Senhor nosso Deus para sempre! Nenhum deus é como o Senhor nosso Deus revelado no Salmo 103. Por isso, neste novo ano reconhecemos tudo que o Senhor fez por cada um de nós no ano passado e aproveitamos desde agora com o nosso coração profundamente grato por tudo que Ele irá fazer.
BENDIZE AO SENHOR!
PbGS
NOTA:
Palavras e termos dos textos originais conforme o Theological Wordbook of the Old Testament; o Strong’s Hebrew and Greek Dictionary; o Vine’s Expository Dictionary of Biblical Words; o The Ancient Hebrew Dictionary; o The Biblical Hebrew Dictionary; e o The Old Testament Hebrew Lexicon.
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
PROFUNDAS EXPERIÊNCIAS NO SALMO 34.
PROFUNDAS EXPERIÊNCIAS NO SALMO 34.
Louvarei ao Senhor em todo tempo...
A vida de alguém que de fato serve ao Senhor Deus é rica de experiências. A cada tempo, uma nova estação revigorando a antiga. A cada dia, um novo formato dentro do antigo. A cada passo, uma nova perspectiva dentro da antiga. Faz bons proveitos delas quem pode, as despreza quem quer e as perde quem para elas não atenta.
Enfim, nas experiências da vida cristã até mesmo prantos, tristezas, decepções e perdas somam novas experiências, levantam novos sorrisos, trazem novas alegrias, encaminham e fortalecem a novas certezas e refletem em novos ganhos. Deus nos adestra e nos prontifica através de continuadas experiências.
Bendito é o Senhor que nos traz a novas experiências. Que nos conduz a excelentes caminhos e neles nos sustenta e nos confirma pela excelência de Sua maravilhosa pessoa, do Seu imensurável amor, de Sua infinita misericórdia e do Seu majestoso poder. Ao Senhor Deus sejam, pois, reconhecidas e proclamadas a Sua majestade, a Sua bondade, a Sua soberania e o Seu excelso cuidado para conosco.
Nestas linhas muito oportunas, tomaremos alguns minutos de reflexão no Salmo 34. Um salmo cujos teor e lições nos enriquecem sobremaneira e nos encorajam extraordinariamente a singrar os dias repousando inteiramente a nossa confiança e esperança no Senhor nosso Deus.
Como preliminar, preciso citar que esse salmo foi escrito por Davi. É o segundo dos salmos conhecidos como salmos de livramento. Um salmo que reflete a realidade experimental de uma pessoa, que apesar de suas fragilidades e desencontros, temeu, respeitou, venerou, reverenciou e reconheceu o Senhor como digno de louvor em todo o tempo e dEle não se apartou. Estas são atitudes que constroem uma pessoa rica de experiências com Deus.
Esse salmo contém uma oração que demonstra uma profunda e jubilosa gratidão reconhecendo que o Senhor é o único, verdadeiro e inigualável referencial digno de receber todo louvor e adoração. Esse salmo começa com um hino e é concluído com um sermão. Aos reis da Terra jamais seria justo consagrar tamanho agradecimento e profundo louvor por quaisquer favores que prestem.
Também se faz preciso o dizer que o Salmo 34 é um dos salmos poéticos com forma de acróstico, apesar de possuir algumas pequenas variantes e diferenças. Um escrito caprichado, destro e quase perfeito quanto foi a cena ocorrida com o salmista. Nele os versículos são cada um iniciados por uma letra do alfabeto hebraico, e se não fosse pela falta de algumas delas, estaria quase perfeito. Assim é todo homem após Adão – quase perfeito – para nos dizer que há um Salvador e Redentor que nos tornará perfeitos pela ação do Seu poder.
Esse é um dos salmos mais citados no Novo Testamento. Esse salmo contém expressões de louvores que espelham os resultados de profundas experiências de um coração seguramente grato, que teve suas súplicas respondidas e livramentos lhe concedidos em momentos extremamente delicados e difíceis.
Refletir nas expressões desse lindo e estimulante salmo, nos encoraja a prosseguir e nos anima a compreender que o Senhor Deus é verdadeiramente o Dono de todas as experiências daqueles que O temem, que O reverenciam. Que está atento aos nossos temores e responde às nossas mais profundas e inquietantes súplicas.
Diz a tradição que esse salmo é resultante da inspiração divina ao coração de Davi após o momento no qual se fingiu de louco diante do rei Abimeleque, e foi expulso por este da cidade. 1Sm 21.1-13. No título prefacial dado a esse salmo aparece o nome de um rei, Abimeleque, um nome que alguns historiadores inferem provavelmente se tratar de Aquis, rei de Gate.
Contudo, o mais importante nesse salmo em apreço não são exatamente os detalhes históricos e simulações nos episódios que o motivaram. E apesar de conter um lindo e destro arranjo escrito, não é esse ainda o mais importante em função do seu dispositivo artístico na forma.
O mais importante nesse salmo são a grandeza, a propriedade e a exatidão de expressão nas palavras empregadas pelo seu autor humano com profundas lições de experiências com o Senhor Deus em sua própria vida pessoal e particular. Notemo-las:
1 - Experiência na oração. (vs. 1-4)
O salmo abre os seus primeiros versículos com uma oração introdutória em forma de hino. Aqui notamos as palavras de ação do salmista afirmando com garbo a sua dedicação e com firmeza a sua intenção de louvar ao Senhor em todo tempo. Louvar a Deus continuamente. Isto não é produto de um entusiasmo. Isto é resultado de experiências com Deus.
Note que o escritor do salmo não faz qualquer alusão ao momento desafortunado e nem aos feios detalhes de sua simulação. Essas particularidades não precisavam ser publicamente arvoradas num espaço de louvor. Não serviriam de edificação para aquela comunidade de pobres na qual de passagem se encontrava na ocasião jubilosa ao escrever o salmo.
Isto quer nos dizer que nossas orações quando em público não devem e jamais precisam ser recheadas de comiserações, de fatos e detalhes dos históricos de nossas tristes experiências de infortúnios, de temores, de nossas fragilidades e de nossos desacertos pessoais. Isto existe sob várias formas e tipos e poderá acontecer debaixo do Sol. Se, por um lado, encobri-los é um grande prejuízo, por outro, publicá-los a quem não se deve é um horrível desastre.
Coisas que em nada edificam a outros, coisas que atraem a atenção para nós mesmos, são sempre desnecessárias e inoportunas. O mais importante não são os nossos infortúnios, desacertos e infantilidades. O importante sobretudo são as multidões de razões que temos para louvar ao Senhor Deus continuamente. O salmista está também em outras palavras afirmando que o lugar e a hora não são importantes e nem exercem influência sobre ele para que louve ao Senhor Deus.
Nota-se que o salmista quer dizer que em conseqüência de sua demonstrada alegria e sinceridade no louvor, os desanimados vão ouvi-lo e se alegrarem. O desanimado somente fica desanimado quando não opta por ouvir e crer na imensa graça do Senhor Jesus. O desânimo pode desarmar e desapontar um descrente, todavia os feitos do Senhor quando testemunhados pelo louvor de um crente debaixo da unção e inspiração do Espírito motiva os corações a crerem e se alegrarem.
Além disso, notamos as fortes razões do testemunho do salmista: o Senhor veio ao seu encontro e o recebeu quando ele O buscou; e também o Senhor lhe tirou todo o medo que havia no seu coração. Temos sempre os maiores e melhores motivos para demonstrar nossa profunda gratidão com um sincero e jubiloso louvor ao Senhor nosso Deus. Nossa gratidão e louvor devem ser tão mais profundos do que as profundezas dos perigos e temores que enfrentamos.
2 - Experiência na salvação. (vs. 5, 6)
Movido por suas experiências pessoais, o salmista expressa que a orientação do Senhor é segura, eficaz e jamais causa desapontamento. Ele confessa que o Senhor o ouviu e o ajudou quando no momento do desespero, assim como o livrou não somente de uma, mas de todas as suas tribulações. Experiência de salvação jamais pode ser comparada ou assemelhada a fragmentos experimentais de expectação.
Um olhar de fé é extraordinariamente significativo e conduz a resultados inestimáveis. A Escritura Sagrada registra: “Olhai para mim, e sereis salvos”. Is 45.22 (ARC). A salvação resultante do olhar confiante e direto ao Senhor. Nesse olhar direto jamais cabe ser inserida uma figura intermediária, um mediador. Quando Deus quer nos buscar, Ele move meios para nos trazer a olhar para Ele em algum momento e em algum lugar.
Alguém que tem a oportunidade de receber tamanha atenção e extraordinário livramento da parte do Senhor Deus, precisa centrar e dirigir o seu agradecimento legítimo ao Senhor por tudo que fez. Qualquer agradecimento artístico ficaria muito aquém, seria muito vilão, seria bastante artificial, seria completamente mesquinho e vergonhoso.
3 - Experiência na proteção divina. (v. 7)
O salmista se referiu ao seu livramento e salvação, e logo depois declara com firmeza por ter vivenciado tal experiência. Ele fala convictamente que “o anjo do Senhor cerca aqueles que temem ao Senhor e lhes dando proteção os livra.
A sua experiência de livramento leva-o a perceber uma realidade espiritual e nos traz essa revelação. Encontramos na Escritura Sagrada, a realidade dessa proteção divina empregada através de anjos como experiências circunstanciais visíveis. Abraão e Ló tiveram essa experiência. O Senhor prometeu essa experiência a Moisés. Pedro teve essa experiência sendo livrado da prisão. Sem qualquer misticismo ou superstição, somos seguros em afirmar e publicar naturalmente essa experiência de proteção divina.
4 - Experiência na bondade. (v. 8)
Se fosse um teórico, ou um fanfarrão, um artificioso, nenhum crédito poderia lhe ser dado nessa declaração de convite. Seria um convite passivo de receber variados graus de credibilidade. Mas como ela parte de alguém que passou pela experiência de haver recebido a grande bondade de Deus por várias vezes e em repetidas situações, temos que realmente confiar e experimentar provar e ver que o Senhor é bom.
A felicidade de poder confiar totalmente no Senhor é uma experiência espetacular. Somos atraídos a confiar no Senhor e também ir além em depositar a nossa confiança sobre outras pessoas ou recursos. Prove e veja! Um convite que indica a ação de por em teste e a de comprovar visualmente o resultado desse teste. Somos felizes se confiarmos e agirmos totalmente assim. Nessa experiência, somente vê aquele que primeiro prova.
5 - Experiência na abundância. (vs. 9-14)
Para as pessoas que se separam para de fato servirem a Deus, o convite conclama a temer ao Senhor. A sobrevivência e o suprimento de necessidades aqui ligam o seu estreito vínculo de dependência ao Senhor. Temos que buscá-lo, a fim de nunca padecermos necessidades. Aqui não se trata de riquezas, e sim de sobrevivência e suprimento de necessidades. Deus é o Sustentador da vida!
Nem todas as pessoas sabem conviver ou possuir com a abundância, ou gerenciá-la. Muitos se perdem, outros se acham. Ainda, muitos tomam e assumem as rédeas dela, sabendo conscientes e sob convicções de sua temporalidade e da origem dos seus benefícios. Uma coisa é ter a abundância como bênção de Deus, e outra é possui-la como peso de medo ou monturo de aflições.
O salmista ainda faz aconselhamentos a pessoas mais jovens. Ele lhes pede a atenção e promete ensinar o temor do Senhor. Respondendo a uma pergunta didática, ele mesmo traz a todos os mais jovens a poderosa sugestão para ser feliz – “cuidado com o que fala” -. Não é difícil serem encontrados aqueles que torcem e controvertem as nossas falas. Eles cooperam com o inferno e prestam favores aos demônios. É preciso termos cuidado com o que falamos e sabermos também o que falamos.
O salmista também lança uma sugestão ao afastamento do mal e o convite ao esforço de fazer o bem, assim como ao de manter a paz com todos e o esforço para a conquista de consegui-la. Um conselho e um convite feitos por alguém que passou por profundas experiências devem ser levados em conta.
6 - Experiência nas provações. (vs. 15-21)
É deveras e extremamente reconfortante obtermos a certeza de que os olhos do Senhor não vacilam. Além de eles buscarem os fiéis da Terra, eles também vigiam aqueles a quem o texto sagrado chama de justos. Ter todos os pedidos de socorro atendidos é uma observação extraordinária. Não é comum aos homens essa totalidade, mas é prometida pelo Senhor e normalmente experimentada por aqueles que temem e O servem como o seu único Deus Vivo e Verdadeiro.
O salmo também fala sobre os maus. Dificilmente alguém de má índole, praticante do mal, fará parte dos bons elencos de memórias. Jamais será objeto de uma lembrança honrosa, e certamente seus nomes apenas ocuparão um exíguo espaço numa fria lápide. Os praticantes do mal caem na infelicidade de terem o rosto do Senhor contra eles. Aqui encontramos o triste espaço final dos perdidos e esquecidos para sempre. Prática não é questão de eventualidade e sim de continuidade e efetividade – e isto, no caso da prática do mal, é um costume perigoso com um fim infeliz -.
São privilegiados aqueles que possuem o coração quebrantado. Gozam da companhia do Senhor e os que têm o espírito humilde são salvos por Ele. Nenhum homem é melhor do que outro. Todos passam por muitos sofrimentos, agruras, momentos difíceis, porém aos justos o Senhor os livra de todos. Essa é a constatação feita pelo salmista por experiência pessoal, e nos transmite isso com muita propriedade e exatidão.
O bem-estar do justo é cuidado pelo Senhor. Nenhum osso é permitido lhe ser quebrado. Nessa experiência, é preciso ser notada aplicação da palavra “permitir” que seja quebrado. Isto nos diz que há o exercício da soberania do Senhor Deus na Sua vontade permissiva sobre o nosso bem-estar físico e nossa estrutura física. Logo, se algo nos acontece é em resultado da permissão do Senhor Deus. Essa experiência se cumpriu também no Senhor Jesus, o Messias rejeitado.
7 - Experiência na justiça divina. (vs. 21, 22)
Algumas promovem confusão quanto à justiça do Senhor e outras subestimam o Seu amor. Os maus sempre terminarão os seus dias sendo destruídos pelo mal. E a condenação não deixa de ser aplicada sobre todo aquele que odeia o justo. O número de justos tem sido sempre menor que o de injustos sobre a Terra.
Nem sempre atos de justiça isolados declaram que seu feitor seja propriamente justo, todavia o justo promove e faz prevalecer a justiça porquanto é justo. Ser justo causa incômodos, desconfortos e impedimentos aos planos e trâmites dos injustos. A lama da injustiça mistura-se com as bolotas e alfarrobas próprias aos paladares daqueles que degustam e se deliciam numa vida de injustiça. Desprezar o Senhor Deus é injustiça e odiar o justo é sinônimo de sofrer condenação.
Somos tornados justos ao estamos em Cristo. Em Cristo , somos justificados. E em Cristo, precisamos praticar e fazer prevalecer a justiça, fazer valer e reinar em nossa vida a justiça do Senhor Jesus. Do contrário, seria o nosso crer uma demonstração de fantasias, de irrealidades, de faz-de-contas e aparências.
Por fim, vem a declaração de uma promessa de livramento da destruição contra a vida dos servos de Deus. Essa promessa de livramento não se limita ao mundo físico e nem está condicionada somente ao mundo espiritual, mas a expressão seguinte “Ninguém que nEle se refugia será condenado” mostra fortemente o sentido de redenção oferecida por Deus aos homens.
Assim sendo, ao ler e refletir no Salmo 34, esse lindo salmo encorajador, composto com arte e sob a inspiração do Senhor Deus, nos deixando notar a profundidade de sabedoria, satisfação, respeito e gratidão no coração de alguém que se apegou ao Senhor de tal maneira que suas experiências com Deus nos leva a perceber nossas experiências próprias e louvar ao Senhor em todo o tempo com a totalidade do que somos, do que fazemos, do que temos e do que anelamos.
Louvar ao Senhor quando estamos bem, em boa forma, em boa fase, bem aplaudidos e acolhidos, num bom momento, é deveras aceitável e compreensível apenas por alguém que não conhece o Senhor Jesus, alguém que não serve a Deus. Difícil mesmo é louvá-lO sob quaisquer condições, em qualquer lugar e em qualquer tempo. Por isso, que a experiência de agradecer e louvar ao Senhor Deus é a atitude imanente e inerente dos filhos do Reino, com experiência de salvação.
Essa atitude somente parte de um coração que bem sabe o que passou e por onde passou. Viu de perto a morte, teve que empregar artifícios momentâneos para ganhar o futuro. E viu que nos caminhos de sua vida somente é o Senhor quem de fato livra e salva. E o resultado digno de reconhecimento consiste em louvar a Deus continuamente, sempre...
Obrigado, Senhor! Tu me livrastes dos muitos momentos difíceis e dolorosos pelos quais transitei. Por isso te louvarei sempre. Quer na presença dos anjos, dos deuses, das pessoas, dos ignorantes e dos entendidos, dos fracos e dos fortes, dos insatisfeitos e dos realizados, dos arrogantes e dos humildes, dos falsos e dos verdadeiros, dos desgostosos e dos esperançosos, dos maus e dos bons, dos invejosos e dos mais capazes, dos revanchistas e dos liberais, dos hostis e dos amáveis, dos tolos e dos sábios, dos embrutecidos e dos sensíveis, etc.
A EXPERIÊNCIA É PESSOAL, PORTANTO, LOUVAREI AO SENHOR CONTINUAMENTE...
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
POTIFAR – uma mão usada por Deus.
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POTIFAR – uma mão usada por Deus.
O Livro do Gênesis é uma sumidade extraordinariamente inigualável. Uma imensa fonte rica em revelações do curso da vontade soberana do Senhor. Um caudaloso rio de experiências extremamente profundas da ação e do mover da vontade soberana e do governo do Senhor sobre vidas para que os Seus propósitos sejam atingidos. Não é uma lagoa e muito menos um lago represado com as águas repetitivamente limitadas, estagnadas e sombrias, próprias da ilustre inteligência, da engenhosa capacidade elogiável e da espetacular habilidade humanas.
Na sua simplicidade literária e acessível é um poço profundo e inesgotável, e na sua realeza é um imenso e amplo universo dinâmico e revelador que inicia o Sagrado Livro de Deus expondo o que jamais autoridade alguma poderia falar com verdade, exatidão e propriedade – o princípio de todas as coisas.
Gênesis nos abre a história falando do princípio da criação, e sem concluir os feitos do Senhor Deus e a história da humanidade abre caminhos para o seu curso e encerra suas últimas palavras com uma expressão de fé seguida do corpo de José embalsamado num caixão no Egito.
O Gênesis revela o imenso poder e o governo do Senhor Deus que nos preservam, nos sustentam, nos adestram, nos ensinam, nos preparam, nos experimentam e nos fazem assentarmos em lugares altos para nos conceder a oportunidade de realizar os Seus propósitos.
E o Gênesis abre-nos entre tantas outras janelas a da soberana vontade de Deus em escolher, dirigir e usar a mão do homem para através dela Ele revelar o Seu prevalecente e dominante governo incontestável e realizar o que jamais o homem por si mesmo e de si mesmo poderia imaginar ou seria capaz fazer.
E uma das provas do mover de Sua vontade em direção a qualquer um de nós, entre tantas outras, é encontrada no capítulo 39 do Gênesis. Nele encontramos uma demonstração do que o nosso Deus faz com a mão do homem e como Ele age através dela independente de valores e conceitos que a nossa compreensão possa abraçar.
Olhar para esse capítulo é alegremente confortador, é extraordinariamente consolador, é extremamente revigorador, e poderosamente motivador. Deus usa a mão do homem, ainda que este homem não perceba esse mover e nem mesmo as suas razões pessoais e muito menos os propósitos eternos.
Neste capítulo, olhar para a mão de José é ver uma vida na mão de Deus, e olhar para Potifar é notar a mão do homem sendo dirigida e usada pela poderosa mão de Deus. Seria tendenciosamente mais fácil focar o pequeno escravo israelita abençoado e servindo de um veículo abençoador de Deus. Mas também seria na mesma intensidade perceptiva dirigir a nossa visão para notar o alto oficial capitão egípcio servindo de um instrumento usado por Deus.
Aquele abençoou a este, e este foi usado como o veículo que conduziria aquele para o patamar da bênção. O verdadeiro servo de Deus traz consigo o poder de abençoar o estranho e sua casa, mas também este estranho e sua casa podem ser usados por Deus para conduzir aquele ao patamar da bênção que cobrirá a muitos.
Seria mais fácil focar José, nesse capítulo de Gêneses. É muito gratificante olhar a ação abençoadora do Senhor. Mas poderia ser agraciador notar Potifar um pouco mais de perto. E é este o meu propósito em trazer o caro e generoso leitor a este singelo artigo. Que este artigo lhe faça confortado, consolado, revigorado e motivado na presença de Deus e diante dos incompreendidos embates da vida e no calor de suas aflições. Temos o Deus que escolhe e usa sempre uma mão para atingir o Seu propósito.
Potifar foi uma mão usada por Deus. Olhando pela visão humana pura e simples, sabemos que a mão dos irmãos de José trabalhou e se esforçou contra José movida pela inveja. Sabemos também que a mão dos mercadores midianitas tirou José da cova movida pelo comércio. Sabermos ainda que a mão dos ismaelitas tomou José movida pelo lucro.
Mas também sabemos que a mão de Potifar que comprou José movida pela necessidade do serviço de sua casa foi o veículo movido nas primeiras distâncias para levar José ao elevado cargo de primeiro-ministro em uma nação pagã e estranha. E o que jamais esquecemos é que a mão da mulher de Potifar se levantou contra José e o caluniou movida pelo desejo cobiçoso.
Quando se trata do mover da mão do homem, pouco nos impressiona ainda que por vezes nos surpreenda. Mas quando se refere ao mover da poderosa mão do Senhor, tudo nos conforta, tudo nos consola, tudo nos revigora e tudo nos motiva. A mão do homem pode ser a resposta visível do mover da mão de Deus.
Se olhar para a mão do homem com a visão humanamente pura e simplesmente, podemos nos entristecer, nos decepcionar, nos frustrar, nos desanimar e nos desleixar, posto que a mão do homem pode trabalhar e se esforçar por ou contra nós movida por diversos fatores desejáveis e elogiáveis ou não.
A mão do homem pode se aproveitar de nossas aflições e com isto nos tirar da cova para nos vender mais tarde a qualquer mão. A mão do homem pode ter a sagacidade de nos querer tomar e comprar aqui para sobre nós obter lucros mais adiante. A mão do homem pode querer nos procurar para nos comprar e nos levar a servirmos de satisfação de suas necessidades, sucessos e ostentações aos seus serviços.
Mas nunca podemos esquecer de que a mão do homem ressentido também pode, movida por desejos estranhos e cobiças, nos caluniar e publicar difamação infundada. Olhando pela visão natural, tudo isto é decepcionante, frustrante, desanimador, desalentador e desmotivador. Afinal, as deficiências e limitações do homem podem ser influenciadas, tolhidas e torcidas pela força do pecado, do diabo e da carne.
É preciso ser corajoso e confiante, persistente e destemido, crente e perspicaz, observador e oportuno (nunca oportunista). Porquanto o nosso Deus sempre há de usar uma mão para através dela Ele nos elevar e nos levar ao triunfo e à posição de abençoador de todos aqueles que de nós se acercarem e nos ouvirem e permitirem ser servidos com as riquezas dos celeiros que a nós especificamente foram confiados abrirmos aos públicos com a legítima chave que Deus nos entregou. Jamais José poderia abençoar uma numerosa nação e muitos povos vizinhos como um simples escravo confinado numa residência.
Não seriam a inveja e o despeito dos irmãos de José, não seria a vivacidade dos midianitas e dos ismaelitas, não seriam o bel-prazer e o poder de Potifar e muito menos a força caluniosa de sua mulher que iriam tolher, travar e impedir o desígnio e o mover da mão de Deus em favor de José, de uma nação e de povos.
Jamais José poderia ser um instrumento de preservação de vidas e de distribuição de bênçãos como um simples escravo confinado numa propriedade particular. Jamais José poderia abrir os celeiros do Egito numa época de crise, de fome, de desalento e restrições, se continuasse cuidando de uma despensa doméstica e restrita.
E olhando com a visão crente e confiante de verdadeiros servos de Deus que somos, notamos que dentro de um Egito o nosso Eterno e Maravilhoso Deus escolhe, dirige e usa uma mão para cumprir o Seu majestoso propósito.
Ainda que essa mão seja de um portentoso Potifar, o Senhor nosso Deus pode usá-la para fazer um José chegar a ser extraordinariamente usado por Ele diante de um poderoso Faraó. Não é a mão de irmãos, não é a mão de midianitas, não é a mão de ismaelitas, não é a mão de Potifar e muito menos a de uma mulher cobiçosa e caluniadora, nem tampouco a mão de Faraó, que determinam parâmetros travadores e impeditivos à consolidação e consumação dos propósitos de Deus para a vida de qualquer verdadeiro servo de Deus. Deus sempre usa uma mão para que esta cumpra o Seu propósito.
Potifar nos chama a atenção pelo seu nome. Apesar de seu nome conter um sinal do Sol, sua casa era trevosa. Apesar de ocupar um alto cargo no governo e ser materialmente abastado, mesmo assim as trevas dominavam o íntimo de uma esposa desenfreada em desejos e cobiças enrustidos e encobertos.
O nome de Potifar sustentava uma posição, mas não garantia a honra de seu casamento e nem clareava sua casa trevosa. Não importa o nome humano pelo qual um homem tenha sido nominado. Quando Deus quer usar uma mão, não importa o nome que essa possua. O nome não se faz elemento impeditivo e resistente contra o mover de Deus.
Potifar é um nome egípcio que significa “aquele que foi dado pelo deus Ra” - um deus que os egípcios antigos acreditavam ser o deus Sol -. O nome do alto oficial egípcio Potifar levava em sua composição o nome de um deus pagão. O nome de um alto Potifar jamais ofuscou o nome de um pequeno José. Pelo contrário, o nome de Potifar só entrou nas Escrituras porque na sua casa entrou a presença de José. Potifar possuía um nome brilhante, mas vivia sob a ronda do engano, da traição e das trevas.
O nome de Potifar somente teve lugar registrado no Livro de Deus porque o nome de José tinha chegado na sua casa. Se fosse em outra casa que chegasse José, jamais o nome de Potifar apareceria e os bens de suas propriedades jamais teriam sido acrescentados pelo Senhor por amor a José. Sem José, o Potifar seria apenas um respeitado cidadão ocupante de um alto cargo no governo egípcio com os bens que sempre rotineiramente possuía.
Sem José, o Potifar seria hoje apenas um registro comum nos anais da história como tantos outros que passaram e se perderam no tempo, e nada mais do que isso. Sem José, o Potifar não havia experimentado prosperidade real e verdadeira concedida pelo Deus Todo-poderoso e Eterno.
Mas porque o nome José estava em sua casa, o nome de Potifar tem atravessado séculos e sido lido e conhecido por milhares de leitores das Escrituras Sagradas. O nome de José significa “que Deus acrescente”, logo o nome do menor abençoou a casa do maior, porquanto o maior foi acrescentado pelo Senhor Deus por amor ao menor. A presença da luz de José na casa trevosa de Potifar foi o divisor de águas em experiências de ambas as partes.
O interesse da mão do alto e honrado oficial Potifar comprar o pequeno e desconhecido José foi o começo da subida dos degraus e de novas experiências testemunhais para ambos os lados. A compra de José foi o passaporte oficial para a entrada e estabelecimento da presença legítima de José no Egito.
A abertura das portas de Potifar para José foi a entrada da bênção de Deus no Egito. Jamais o oficial Potifar poderia esperar que estava recebendo em sua casa e diante de seus olhos a mão que anos depois iria abençoá-lo particularmente e mais tarde nacionalmente. Potifar foi uma mão usada por Deus para a consecução do propósito do Senhor.
A mão de Potifar começou a ser grandemente próspera em resultado da mão abençoadora de José porque o Senhor Deus que acrescenta estava com o pequeno servo que Deus acrescenta. Agora ele tinha em sua casa o instrumento até então desconhecido por todos. José era apenas um pequeno escravo estrangeiro como tantos outros expostos no mercado, adquirido no comércio como tantos outros eram.
Mas a diferença entre escravos e escravos na casa de Potifar consistia em que o Senhor Deus estava com o escravo José. E sem a mão do Senhor que acrescenta, nossa mão pouco significa, e de tudo que produz, pouco seja merecedor de apreciação e de significante multiplicação.
Potifar jamais esperava que o pequeno escravo José fosse a mão que faria tudo em sua casa e em seu campo prosperar. Nos olhos de Potifar, José não era um administrador de sucesso, não era um escolado como os tantos que havia no seu país. Potifar “viu que o Senhor Deus estava com José, e tudo quanto José fazia o Senhor prosperava em sua mão”.
Essas eram as razões aparentes que levaram Potifar a confiar e entregar a sua casa para José administrá-la em tudo. Potifar supervalorizou os talentos, mas infelizmente menosprezou o caráter de José. A visão materialista é perita em enxergar os bens terrenos e não discernir os valores e virtudes espirituais.
Ao passo que os dias se iam, Potifar ia notando os resultados de sua compra promissora e ficando satisfeito com a presença de José em sua casa. Potifar visualizou apenas o talento de José, o jeito para conduzir as coisas materiais de sua casa.
Potifar percebeu que depois que colocou José na mais alta posição em sua casa, tudo estava melhor, mais vivo, mais claro, mais frutífero e correndo progressivamente. A mão de Potifar estava sendo ricamente recompensada. Aquela mão que comprou o escravo, agora estava, enfim, sendo usada por Deus para por José em posição de confiança debaixo do seu próprio teto e vendo o sucesso fruir com eficiência e progresso.
Apesar de Potifar ser um alto oficial egípcio, e seu nome ter ligação com a crença no seu deus Ra, sua casa jamais houvera sido abençoada antes da chegada de José. Potifar conhecia a velha e antiga mesmice de sua casa e os métodos e práticas costumeiros nela existentes, mas infelizmente pouco conhecia a sua mulher.
E agora as coisas se tornaram multiplicadas, sem desperdícios, atividades e tarefas realizadas com visão produtiva e promissora, empreitadas feitas com respeito pela qualidade e com presteza. Os deuses pagãos adorados por Potifar nada podiam influenciar ou coisa alguma tinham feito para que sua casa prosperasse ou seus escravos se comportassem e lograssem sucessivos êxitos como José.
Agora José já havia subido e estava em degraus mais altos do que quando chegou no comércio egípcio de escravos, e mais acima daqueles quando estava chegando nos primeiros dias depois que foi comprado por mão de Potifar. Agora estava tudo bem e estabilizado e confortável, mas o propósito de Deus era tão mais alto, que o perigo de uma vida de conformação, uma vida costumeira de conforto e luxo, gozando de alta consideração, estava rondando José e assim cativando-o a que se perdesse contente na restrição do governo de uma casa, contente com uma posição um pouco acima da dos escravos.
A mão de Potifar agora estava estabilizada, crescente e satisfeita, sem aparecer em mais nada além do que fez. Ela se tornou comum, e em poucos anos mais adiante a história humana diria em resumo que veio a fome e varreu e empobreceu ou matou Potifar, sua casa com tudo quanto possuía e sua nação. O Senhor Deus estava olhando para as muitas almas em multidões famintas que iriam vir anos pela frente.
E a honra e o controle do governo de tudo está somente com o Senhor. Seria um prejuízo para o Céu, deixar José confinado cuidando de uma despensa e governando uma casa, enquanto havia um extenso Egito que mais tarde iria carecer de um verdadeiro homem de Deus para administrá-lo e governá-lo sob a soberana vontade de Deus.
Agora, depois de anos, a mão de Potifar entregou José na prisão. A mesma mão que comprou, a mesma mão que pôs José no governo e no controle de sua casa, a mesma mão que foi prosperada por José, a mesma mão que recebeu José, foi essa a mão que o entregou na prisão. E aqui notamos seguidamente que Potifar foi uma mão usada por Deus.
O alto Potifar poderia dar tudo de material a José, mas jamais poderia lhe conduzir ao segundo trono de sua nação pelo reconhecimento legítimo de governo dela, ainda que este não era o interesse do pequeno José. Afinal, quem começou como simples escravo estrangeiro e desconhecido e agora alcançara ser um reconhecido administrador patrimonial já estava muito bom.
E enquanto Israel estava indiretamente fechando as portas para o jovem José, desprezando-o, o Egito estava providencialmente esperando recebê-lo e mais tarde reconhecê-lo ao cargo de primeiro-ministro da economia egípcia. Há sempre uma mão que o nosso Deus usa.
Entre as honrarias de uma casa e a subida de um trono de governo, haveria de existir algum meio que tirasse José da posição de conforto e conformação. E nisto levantou-se uma mão completamente diferente da de Potifar e oposta a de José. Inesperadamente surgiu uma mão cobiçosa, caluniadora, promotora de difamação. Enquanto José estava arraigado numa casa, o vasto campo do Egito estava lhe esperando, e para tirá-lo de lá a mão de Potifar foi usada por Deus.
Potifar fez o que tantas gentes equivocadamente fazem. Intempestivamente acreditou na contradição do que ouviu, mesmo conhecendo o que seus olhos testemunharam das certezas que viram. A sua capacidade de discernimento havia se focado nas “provas plantadas” contra José, também apenas nos talentos de José e deixou de considerar o caráter deste.
Acreditar sem conhecer os lados, movido apenas pelos olhos sobre coisas arquitetadas, arranjadas, premeditadas, pode levar a certezas infundadas e se tornar a causa de prejuízos desnecessários, e até a mudar o rumo de uma vida inteira de fidelidade, presteza, eficiência e lealdade.
Potifar sem saber que sua mão estava sendo usada por Deus, recompensou os esforços, o empenho, o desempenho e a sinceridade de José com o desprezo. Recompensou o caráter, a dignidade e a probidade de José com a desonra. Apesar de aos olhos egípcios a pena ser a morte, tudo indica que a mão de Potifar foi usada por Deus para preservar José. As recompensas de Potifar eram muito minúsculas e mesquinhas frente ao grande propósito de Deus para José.
A mulher de Potifar queria se livrar de uma situação com duplo objetivo – o de salvaguardar a sua concupiscência por sexo, a sua tendência traiçoeira, a sua atitude e seu comportamento reprováveis, por trás de uma honra e respeito inconsistentes; e ao mesmo tempo o de se livrar de uma situação apagando-a com a morte daquele que não consumou e silenciou com discrição a maldade dela.
Movido pela emoção diante do que ouvira e das “provas plantadas” como objeto da calúnia e da difamação, a mão de Potifar estava sendo dirigida para uma nova experiência de José. Na verdade, tudo nos deixa ver que Potifar não intencionava matar José porque já vira que o Senhor Deus era com José e considerou à sua maneira que algumas coisas relevantes existiam em José.
Potifar não poderia deixar passar em branco e ao mesmo tempo tinha que dar satisfação à sua mulher e exemplo à sociedade. E daí para frente José aparentemente desceu a uma posição pior do que aquela de quando entrou exposto à venda no comércio escravo no Egito. Aparentemente uma injustiça foi feita e um futuro incerto estaria surgindo para José.
A mão de Potifar tirou o conforto, corroborou a desonra, trouxe a público uma difamação, e agora era humanamente digna de ser reprovada, mas tudo que o nosso Eterno e Bom Deus queria era fazer José antes de subir ao patamar da bênção, primeiro experimentar a rejeição, a banalização, a confusão, o governo primeiro em uma dimensão menor, o modo de vida e recompensa daqueles presos infiéis, desleais e desonestos.
Assim como a possibilidade de existir num casamento próspero uma mulher desleal, a possibilidade de existirem num palácio empregados desleais, infiéis e desonestos.
Deus queria fazer José chegar vazio a uma posição elevada sem necessidade de conchavos e falcatruas arranjadas, e que a vida de um verdadeiro servo de Deus é dirigida por Ele para atender aos Seus soberanos propósitos.
Por que deixar José restrito e confinado, ainda que satisfeito, governando a despensa de uma casa sob a mira da cobiça, se existe um vasto Egito que mais tarde iria ouvir com propriedade e legitimidade e oficialmente o “ide a José”? O alto Potifar nas suas limitações, jamais poderia enxergar antecipadamente o pequeno José que passara em sua casa iria tomar posse oficial e legitimamente no segundo trono do governo de seu país. Em tudo a mão de Potifar foi usada por Deus.
Ao caro e generoso leitor, estimo que o Senhor nosso Deus use uma mão em direção à sua preciosa vida, com o fim de fazê-la cumprir o Seu imensurável propósito em favor de muitas outras.
De certo que a visão humana limitadamente curta possa apenas notar os seus talentos e não discernir o seu caráter, ou ainda não consiga perceber e contemplar diretamente os muitos êxitos de sua caminhada, mas persista em confiar que Deus dirige e usa uma mão a favor dos Seus verdadeiros servos.
Os despeitos e as invejas existem, os aproveitadores e oportunistas sempre vão nos rondar, os perseguidores cobiçosos e caluniadores nunca deixarão de serem sagazes e maleficiosos desde que mundo é mundo. Mas que os nossos olhos persistam e contentem em se guiar na providência do Deus Soberano que move, usa uma mão para abençoar outras tantas mãos carentes que trilham e esperam famintas por alguém que lhes abra os celeiros.
Potifar foi uma mão usada por Deus. Potifar foi uma mão que obteve a prosperidade por Deus. Potifar foi uma mão que, sem saber, estava sendo usada por Deus diretamente para a sua própria casa, para favorecer a José, para depois levar José a uma situação desfavorável, e indiretamente mais tarde para José abençoar o seu povo e a sua própria nação e povos adjacentes.
Não se decepcione e nem se frustre, sem compreender as situações e os contextos, mas saiba que o nosso Deus tem sempre uma mão para usar. O verdadeiro servo de Deus não é um produto favorecido, lançado e amparado pelas credenciais, prerrogativas e privilégios da mão e da posição humanas. Muito pelo contrário, a mão do homem somente é prosperada se acima dela estiver a mão soberana do Deus acrescentador.
Assim como José, nenhum de nós precisaríamos rogar, pedir, suplicar e muito menos bajular para que nos comprem e nos levem a servir as suas casas, porquanto quando o Deus de José quer usar uma mão a cumprir os Seus propósitos, a de Potifar serve.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
SER SERVO – antes de tudo é melhor.
SER SERVO – antes de tudo é melhor.
É melhor ser antes e acima de tudo um SERVO...
· Introdução:
Na minha postagem anterior, tive de Deus o seu bom favor e a rica oportunidade de tecer algumas linhas sobre o ponto focal da relação discípulo-mestre e o importante fator nela que nos conduz ao caminho do sucesso no viver cristão.
Hoje, junto com os diletos leitores, o nosso principal propósito é conhecer um pouco mais das nuanças no sentido bíblico do vocábulo “SERVO” a que tanto ouvimos. E para tanto, vamos nos guiar pelas Escrituras Sagradas, haja vista são elas a infalível e inerrante Palavra de Deus, assim como a nossa soberana regra áurea de fé e prática. Certamente que fontes literárias extra-bíblicas e experiências reais complementares possuem o seu estimado valor, e a diferença que nos faz pautar confiantes e seguros a nossa vida na Bíblia Sagrada se dá exatamente em vista do seu valor e conteúdo serem inestimavelmente preciosos e indubitavelmente verdadeiros.
· Quais visão e interpretação do vocábulo SERVO?
Que podemos, então, notar na palavra “SERVO” em nossas experiências através da história? Claramente percebemos que “SERVO” é uma palavra cujo conceito original por alguns tem sido esquecido e por outros tem sido pouco assimilado com o passar dos tempos. A força do genérico e a busca de facilidades para os atalhos da generalização de certa forma atingiram a percepção e a aplicação do conceito desse verbete.
Se nos houvessem oportunidade de tomar algum tempo para examinar escritos antigos dos mais diversos, notaremos que, tanto no mundo secular como no seio do povo de Deus, quanto mais singrássemos voltando até as remotas épocas, mais esse conceito vai se tornando vivo naqueles contextos. Ao contrário acontece quando partindo do passado, viemos prosseguindo em direção às épocas atuais. E tudo nos deixa ver que a palavra SERVO e seu conceito vêm sendo desfocados na interpretação e mal compreendidos na aplicação. Que pena que a visão de servo hoje venha sofrendo uma sensível variação, fantasias e seja tão diferente da visão original que possuíam os nossos antepassados.
· SERVO não caiu em desuso.
Vezes por outra vemos adesivadas nos pára-brisas dos veículos, estampadas nas roupas, printadas nos imãs de geladeiras, decalcadas nos enfeites e trabalhadas nas pinturas e nos entalhes produzidos nas obras das mãos de artesãos, múltiplas e diferentes frases que com o fim de marcarem a presença de um servo naquele ambiente. Isto é extremamente confortador e publicamente incentivador, sabermos que a palavra SERVO não foi esquecida, não caiu em desuso e tampouco tenha saído de nosso vocabulário cristão. Entretanto, melhor seria ainda que o seu conceito permanecesse diuturnamente avivado, aceso, em nossa mente, aquecido em nosso coração e externado ao longo do nosso viver. As gerações modernas precisam encontrar servos de Deus e carecem de ser identificadas neles, posto que o mundo está em crise sobre a quem servir, se a Deus ou ao deus mamon com suas ofertas de luxúrias e prazeres.
· Como alguns SERVOS mudam, perdem e se perdem...
Na vida de algumas pessoas, foi-se o tempo em que o início da caminhada cristã era marcado pelo altruísmo em ser apenas SERVO. E com o passar do tempo, Deus lhes estendeu a Sua misericórdia e abriram-se as portas no seu trajeto e aquele antigo altruísmo infelizmente foi arrefecido e se tornou em apenas uma sensação residente num sentimento secundário. E depois passou a já não se ver mais aquele SERVO e sim agora um ilustre senhor com potenciais flamejantes e qualidades religiosamente cativantes. Já não precisam mais ser reconhecidas como SERVO, e sim que seja pelo brilho do título atual que ostenta. Para elas, SERVO é coisa apenas de iniciante, principiante na caminhada, e não lhes cabem mais serem percebidas como SERVO e sim de alguma forma e por alguma força fazem questão de serem vistas como senhor. E com isto, ganham no poder humano e perdem na simplicidade e pureza divinas. Piores se tornam quando se desequilibram e erram na equação do que angariam em face do que perdem. Conquista-se a prata e o ouro, porém perde-se o principal que deveria possuir para dar.
· Podemos ser senhores continuando como SERVOS.
Podemos e devemos ser ilustres senhores com os nossos potenciais e qualidades reconhecidos e nossos títulos respeitados, porém não são esses as credenciais que devam suplantar e coroar a nossa natureza e identidade de servo. É lindo encontrar doutores servos e é incentivador e encorajador estarmos em comunhão com servos doutores. Por outro lado, é entristecedor ver o doutor cujo brilho do seu anel portentoso subiu-lhe à cabeça e o fez deixar de ser servo, arremessando-o a outro patamar cuja esfera encontra-se na verdade sedenta e faminta esperando-o como um SERVO e não apenas como mais um “diplomado” entre os tantos nela diplomados. Diplomas fazem doutores e são necessariamente úteis, todavia infelizmente são instrumentos muito pequenos e quase inúteis para produzirem servos.
· Antes de tudo, um SERVO.
Estou feliz por haver recebido de um bom amigo um vídeo contendo uma breve entrevista recente de um ilustre servo de Deus, um veterano pregador e pastor-mestre de quem fui aluno e a quem o tenho como um grande incentivador nos meus primeiros passos, cujas palavras patentearam sua firme resposta ao apresentador-entrevistador naquela entrevista depois que este citou resumidamente alguns itens do histórico, obras e passagens da trajetória daquele querido e amado pregador. Após aquelas citações, o pregador ressaltou declarando sua feliz identidade e natureza dizendo “gostaria de completar as suas palavras ressaltando-lhe que lhe faltou dizer que sou antes de tudo um SERVO de Deus”. Que lindo, belo, honesto, producente, admirável e caloroso, ver alguém com elevado reconhecimento por um legado eficiente de trabalhos testemunhados na seara e na vinha do Mestre, coroar a sua vida e as suas obras frisando claramente que antes de todas aquelas dignas expressões prefaciais uma coisa precisaria ser primordialmente salientada a seu respeito – ser antes de tudo um SERVO de Deus.
· Deixamos de ser SERVO quando deixamos de servir.
Certo pregador em determinada ministração fez uma alusão comparativa interagindo com o seu público ao perguntar se algum dos ouvintes presentes permitira deixar em sua parede um relógio que deixou de lhe servir, se manteria em sua garagem um veículo que deixou de lhe servir, se ocuparia um espaço em sua cozinha com uma geladeira que deixou de lhe servir. E foi mais longe ao dizer em alto e bom som que o cirurgião somente extrai um órgão quando este deixa de servir. Biblicamente, aprendemos do nosso Senhor Jesus Cristo, o Mestre por excelência que se fez SERVO dos servos, que “toda arvore que não dá fruto o lavrador corta e lança fora, e limpa a que dá fruto para que dê mais fruto ainda.”
Quando perdemos o senso de SERVO, deixamos de servir, buscamos independência e autonomia para fazermos o que acreditamos que seja o que bem quisermos para a nossa vida e para não estarmos ligados a um vínculo. É a demonstração da busca ansiosa por liberdade, independência e autonomia. A liberdade e a independência eram vistas nos tempos bíblicos como bens pessoais extremamente caros e preciosos. Possuir autonomia nas escolhas e nas vontades pessoais era um anelo de esperança. Existia o servo e também havia o livre, e o servo consciente de sua missão e ajuizando sobre os bens, favores e benefícios lhe concedidos no seu tempo de servidão não queria ser livre, preferindo continuar servindo. Que pena que hoje ocorre o contrário, quando algumas pessoas percebem que alcançaram bens, favores e patamares do Senhor, o que mais anelam é servirem aos poderes públicos ou aos seus deleites pessoais independentes e assim deixarem de ser servo.
· Consciência da porção do SERVO.
Que pena que alguns apascentadores e pregadores esqueceram-se de quando ainda mais jovens haverem tomado algum tempo para terem refletido e ajuizado de que o serviço de seus ministérios são exclusividade sem fins lucrativos, sem aposentadorias exuberantes e tem como objetivo a não-semelhança com os do mundo secular, porquanto a sua porção é o Senhor! Muitos fogem desse momento depois que passam pelo momento da jovialidade sem pensar nesta realidade que chega para todos aqueles que dedicam suas vidas para o sagrado ministério. E alguns outros preferem fechar os olhos e quando o tempo abre esta página inevitável do seu livro, esses querem arrancá-la se pudessem ou saltar por cima do infalível. O grande erro e a injustiça se mostram quando o santuário não reconhece essa verdade e negligencia o acolhimento ao SERVO que lhe serviu por tantos anos dedicando sua vida...
· Carentes da essência de SERVO.
Por outro lado, quantos embusteiros surgem do nada como se servo fossem abrindo portinhas ou saltitando nos púlpitos em busca da aclamação da “galera” ou da aquiescência e aplausos dos respeitáveis públicos. Para esses é mais fácil falar e vestir-se com fantasia de servo do que na verdade e na essência viverem a vida de servo. Talvez seja por isso que o painel da banalização vem apresentando o “escore” favorável ao espírito de infiltração. Servos sem marca de SERVO tentando produzir e edificar outros servos que carecem na verdade da essência de SERVO.
· SERVO livre somente em Cristo.
Com a revelação do Senhor Jesus Cristo veio à luz uma realidade teológica que se tornou mais clara do que nunca havia sido antes esclarecida na experiência humana – a de que fora de Cristo todos os homens estão presos e sob sujeição nas garras implacáveis de um tipo de servidão escravizada completamente diferente. O Senhor Jesus revelando a quebra dessa sujeição e liberdade verdadeira, declarou publicamente “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.
· Servo na ótica humana.
Nas ordenanças humanas, de alguma forma os homens são servos de alguém, de algum poder ou de alguma força. A organização das sociedades humanas e das suas instituições possui os seus ordenamentos e vínculos de servidão, ainda que este seja adequado na visão modernizada de cada época na vida secular do mundo, mas é uma realidade inegável. E quando desencontros afetam esses fatores, o senso de servidão também recebe os conseqüentes reflexos. Os homens correspondem a esses ordenamento e vínculos, afinal “o que é de Cezar, deve ser dado a Cezar”. Os prejuízos na vida pessoal de um SERVO começam no momento da inversão de prioridades em apenas dar a Cezar e não servir a Deus correspondendo em “dar a Deus o que é de Deus” em primeiro plano.
· SERVO na visão bíblica.
Na visão bíblica, existem algumas palavras escritas nos textos originais que são versadas e traduzidas para a palavra SERVO. E mesmo cada uma com suas particularidades e denotações, trazem no seu conjunto a visão do conceito de SERVO. Nos textos veterotestamentários encontramos as expressões “SHÃRAT” e “ABED” ou “EBED”. Mas o que mais nos chama a nossa atenção é o fato de que a palavra SERVO pronunciada pelo Senhor Jesus foi traduzida pela expressão grega “DOULOS” na maioria das vezes e também aparece nos textos neotestamentários, além de outras.
· Verdades bíblicas essenciais sobre a palavra SERVO.
No panorama geral de todas as visões de SERVO como diz a Escritura Sagrada, aqui exponho sete verdades bíblicas essenciais que encontramos para a palavra SERVO e que nos possibilitam a identificar o verdadeiro SERVO segundo a Bíblia Sagrada:
1 – SERVO - é uma palavra intimamente ligada a trabalho e serviço e diretamente relacionada à submissão e obediência. Ela indica alguém que está sob sujeição de ordens e de vontades de outrem e ligado ao serviço deste. Indica alguém que deve obediência exclusiva e absoluta ao seu superior. Aqui temos os claros vínculos de submissão, obediência, sujeição e serviço exclusivos e absolutos que ligam o SERVO ao seu Senhor. E sendo mais contundente, o Senhor Jesus disse que “ninguém pode servir a dois senhores”. Quando o vínculo é ameaçado pelas atitudes divisórias, torna-se impossível o estabelecimento de exclusividade, e o Senhor Deus não divide Seus SERVOS com outros senhores para serem empregados por estes. Nem mesmo do exemplo de Jó poderíamos inferir, deduzir ou interpretar este tipo de divisão permissiva.
2 – SERVO - é uma palavra que também designa uma pessoa de grande importância e detentora de grandes responsabilidades para com o seu superior a quem esteja submissa e ligada. É alguém que está a serviço de um superior e trabalha submissa e obediente a este. É alguém que pode receber posição de comando, de liderança, sob sujeição de um superior a quem esteja subordinadamente ligada. Ela também denota uma pessoa que detém e demonstra a marca de submissão, humildade, responsabilidade, cortesia e respeito. Aqui encontramos também a presença de subordinação, obrigatoriedade e responsabilidade no desempenho do serviço lhe atribuído. O principal alvo do SERVO são fazer a vontade do seu superior e realizar a sua obra, o seu serviço, o seu trabalho.
3 – SERVO - é uma palavra que ainda nos diz que não se restringe apenas ao serviço de culto e liturgia, ainda que indique seja alguém que tenha o encargo de celebrar o culto. É uma palavra que transcende essas áreas e atinge as áreas moral, social e devocional, na administração, no socorro, na ministração, no serviço. Ela aparece na instituição dos primeiros diáconos na igreja primitiva e na separação de obreiros para obras específicas da chamada do Senhor para aqueles. Aqui aparece como "DIAKONOS" a serviço da diakonia.
4 – SERVO - é uma palavra que, além do que vimos acima, se refere a uma pessoa ou mesmo no coletivo a um povo ou grupo escolhido sob exigência exclusiva de obediência ampla à vontade de um superior ao qual tema e lhe seja fiel, ao qual ame e nele confie. Neste sentido, ela é aplicada a esses como alguém que não exerce o seu trabalho com o fim de merecer lucros ou de lhe serem rendidos agradecimentos. Aqui está a essência de alguém que realiza o serviço porque este é o propósito pelo qual serve. Um SERVO de Deus não visa merecimentos, nem comendas, nem lucros e nem agradecimentos. Os reconhecimentos e fama humanos são naturais e tornam públicos e notórios por causa da presença da glória de Deus no que o SERVO realiza com todo o seu entendimento, com toda a sua alma, de todo o seu coração, com toda a sua força em busca de oferecer-se com grau de perfeição imbuído por deliberada devoção a Deus.
5 – SERVO - é uma palavra que denomina especificamente uma pessoa que recebe de um superior uma determinada missão para realizar a vontade deste, mesmo que o sirva como um instrumento provisório a serviço desse superior. Aqui não é encontrado nenhuma garantia de direitos de incessação, de perenidade ou de perpetuidade. Existe o SERVO que serve por anos a fio, mas também há o SERVO que serve provisoriamente para atender propósitos especiais de um superior. Que poderia se dizer do rei persa Ciro, ao qual o Senhor lhe chamou de SERVO ao designá-lo para devolver o povo judeu à Jerusalém para reconstruí-la sob o comando de Esdras e de Neemias.
6 – SERVO - é uma palavra que também denomina uma pessoa que se dedica em auxiliar, assistir, atender, a alguém tendo este como o seu superior, obedecendo e rendendo-se ao serviço deste. Olhando para Josué, notaremos esse fato no capítulo e mais especificamente no versículo que abre o Livro que recebe o seu nome. Para Moisés o texto o denomina como SERVO (escravo), e para Josué o chama de assistente, auxiliar, como SERVO de Moisés.
7 – SERVO - é uma palavra que acima de tudo está presente no conceito de no íntimo adorar por servir a alguém. O SERVO de Deus possui esse conceito no seu íntimo, a adoração por servir ao Senhor, demonstrando também com isto o seu apego, a sua dedicação, a sua reverência, o seu respeito e o seu amor por servir a Deus despretensiosamente.
· SERVO possui as boas qualidades.
1 - Conhece o seu senhor. Gn 24.65
2 - Ama o seu senhor. Ex 21.25; 1Tm 6.1
3 - Realiza a vontade de seu senhor. Sl 123.2
4 - Obedece ao seu senhor. Pv 25.13; Ef 6.5
5 - Sofre por seu senhor. Pv 27.18
6 - É constituído pelo seu senhor. Mt 24.45
7 - Busca a glória do seu senhor. Jo 7.18
· Conclusão:
Esperamos que a palavra SERVO e seu conceito original permaneçam vivos e acesos em nossa mente, fogueados e aquecidos em nosso coração e demonstrados em nosso viver. Não carecemos de nos anexar altos brilhos, precisamos apenas brilhar antes de tudo como SERVOS. O nosso brilho não reside no anel com o qual adereçamos os nossos dedos e nem produzido pelas nossas posições eclesiásticas ou ministeriais. O verdadeiro brilho de SERVO tem uma marca e um endereço notório e não é comportado no confinamento da frieza nominal.
A Bíblia Sagrada revela alguns tipos de servos. Existe o servo bom e fiel, mas também há o servo mau e negligente. Existe o servo obediente, todavia também há o servo inútil. Existe o SERVO de Deus, porém há o servo do pecado. Hoje está cada vez mais claro do que antes que existem o servo e o SERVO. O primeiro vive conforme o vento ao seu favor e aos favores dos ventos ao sabor dos seus desejos pessoais, o segundo permanece servindo independentemente da força dos ventos contrários, mesmo estando diante dos “sinédrios” ou perante os Cezares, o SERVO tem uma posição firme e definida e não se rende a caprichos e visões estranhas e alheias ao que lhe está proposto no servir ao Senhor.
Apenas um convite a refletir.
- Que conceito você possui da palavra “SERVO”?
- Como você tem empregado a palavra e o conceito de “SERVO” na sua vida?
- Até que ponto a palavra e o conceito de “SERVO” predominam e prevalecem nas áreas de sua vida?
- Você tem contribuído com sua vida para influenciar outras vidas a viverem como SERVO?
- Você considera ser SERVO quando chega apenas a determinados momentos?
Apenas uma observação para servos e SERVOS dos nossos dias...
Quanta gente existe que fariam tudo se pudessem para serem SERVO, e como sua visão de Deus encontra-se distorcida e as suas opiniões e preconceitos lhes amarram e aprisionam, lamentavelmente perdem sendo servos contumazes do pecado, da carne, do diabo e nas garras implacáveis da força das frivolidades do engano...
É melhor sermos antes e acima de tudo um SERVO de Deus...
PbGS
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