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domingo, 20 de março de 2011
UM POUCO MAIS SOBRE TALENTOS (II).
UM POUCO MAIS SOBRE TALENTOS (II).
· Introdução.
Na continuação do nosso mergulho nas profundidades da Parte I sobre talentos, e como penhorado antes, venho aos caros e generosos leitores para lhes trazer as diferentes visões de quem recebeu o “talento” e o que dele foi feito por cada um de seus recebedores.
· A visão de quem recebeu mais talentos.
Olhando mais de perto para o servo que recebeu cinco talentos, descobrimos fatos interessantes. Apesar dele ser um servo em pé de igualdade como servo entre outros servos, as suas capacidades e competências para trabalhar com a quantidade recebida foram percebidas que eram diferentes dos demais servos, e isto partiu do juízo do “homem” que o chamou e confiou os seus bens e lhe deu talentos.
Notemos que esse servo apenas possuía a capacidade disponível e não o poder de determinação ou reivindicação. Ele apresentou senso e visão de diligência e prontidão tamanhas que o texto revela para essa atitude as palavras “logo saiu”, “imediatamente saiu”. Ele percebeu que a confiança do “homem” nele merecia ser correspondida com resultados lucrativos através de um senso de urgência, uma visão de emergência, para sair em campo a negociar com os talentos que recebeu e com eles investir, aplicar, e conseguir ganhar mais.
Há um limite para aplicação de toda capacidade. E existe uma suficiência de capacidade para exercê-la dentro do parâmetro “cinco” – o parâmetro da graça humanamente suportável - dentro das limitações humanas que pode fazer uma pessoa realizar obras que glorifiquem ao Senhor, sem a presença de pesos e pesares, sobrecargas e lamúrias.
· A visão de quem recebeu menos.
Notemos que o segundo servo foi levado em conta da mesma forma que o anterior, e recebeu menos do que o primeiro – recebeu dois talentos – era o que a sua capacidade comportava, segundo a avaliação e juízo do “homem” que os deu. Suas limitações foram devidamente avaliadas pelo “homem”. A convivência do servo com aquele “homem” comprovara até onde poderia ir, até quais resultados poderia lograr.
Algumas virtudes são reveladas nele também. Tendo recebido menos do que o primeiro, procedeu da mesma forma que aquele. A sua visão parece não ter focado em quantidades e nem em comparações, mas sim em correspondência ao que recebeu daquele “homem”, mesmo sendo menos, foi o que lhe foi confiado.
Esse segundo servo não viu e não considerou diferenças. Simplesmente ele considerou o “homem”, teve a humildade e a iniciativa de seguir o procedimento do seu companheiro, o primeiro que recebeu mais. Ele imitou o primeiro e lucrou assim dobrando a quantidade recebida também. Ele não se deixou influenciar por qualquer fator estranho à sua iniciativa.
Na parábola encontramos indicadores de que ele agiu e se empenhou da mesma forma de quem era mais capaz do que ele e recebeu maior quantidade do que ele recebeu. Quem age e enfrenta os desafios como esse servo, não cai nas malhas do pessimismo, da inveja, do ressentimento e da inferioridade.
Esse servo nos dá uma lição de equilíbrio e sensatez, assim como de consciência sobre o que lhe competiu realizar e da consideração para o “homem” que lhe chamou e confiou os seus bens e talentos a ele. Que lição o Senhor Jesus nos dá com a profundidade dessa linda parábola...
· A visão de quem recebeu apenas um.
Notemos, por fim, o terceiro servo, o que recebeu apenas um talento. Ele não foi visto pior do que os anteriores pelo “homem”. Implicitamente, percebemos nesse servo algumas atitudes que nos dão indicadores de que ele saiu deliberadamente dos propósitos do “homem” que lhe chamou e confiou os bens e o talento. Note que ele apenas saiu como os anteriores, mas a escalada dos seus erros começa pela direção auto-suficiente e isolada que tomou.
Enquanto os outros saíram para negociar, ele saiu para cavar um buraco no chão e enterrar o talento recebido. Aqui começamos a ver que ele teve uma visão desfocada do bem que recebeu; não conhecia o valor do que lhe foi dado; não queria ou sabia o que fazer e nem onde empregar o talento recebido.
Ele preferiu ficar neutro, nada querendo fazer com o talento dado pelo seu senhor. Ele deu provas de que desconhecia o “homem” que o chamou e a ele confiou bens e talento, assim como o desconsiderou. Ele focou sua vista em si mesmo, e não concentrou-a no “homem”.
· Enterrar e esconder é maldade e negligência.
O fato é que ele cavou um buraco na terra e enterrou o talento recebido. Simplesmente lhe faltou a visão verdadeira requerida dentro de suas possibilidades e capacidade. Isto quer nos deixar a lição de que ele não demonstrou interesse e não deu a devida importância pelo que recebeu, preferindo investir na terra.
Ele é o retrato daqueles que recebem do Senhor bens e talento e dão a preferência a investi-los apenas no mundo, nas coisas terrenas. Faltou-lhe a visão de que o talento era para ser e estar visível, ser movimentado, e jamais escondido, com o fim de granjear ganhos e trazer lucros para o seu senhor e dentro da aceitação daquele senhor.
Ele teve uma visão contrária a visão dos outros. O talento recebido deveria lhe servir de objeto de investimento para o seu senhor, como era a visão normal e natural de todos que receberam. Ele apenas aplicou sobre o talento a sua visão pessoal de segurança, de proteção, de cuidado, de cautela, para si mesmo.
Quando a visão requerida era de negócio, de investimento, de ganho, de granjeamento. Seu desempenho foi definido por aquele “senhor” como maldoso e negligente.
· Saiu “um homem”, regressou “o senhor”.
Notemos que a parábola começa com a figura de “um homem”, mas é concluída com a volta de “o senhor”.
Quando na partida foi ilustrado apenas como “um homem”, mas “muito tempo depois” quando voltou, agora é citado como “o senhor”. Aquele que primeiramente foi visto como “um homem”, agora no seu regresso é notado como “o senhor”.
· A prestação de contas é inevitável.
Agora, por ocasião do seu regresso, na prestação de contas, ali estava “o senhor” que voltou, e não apenas “um homem” que partiu. Na prestação de contas, a verdade de cada um, assim como as suas recompensas vieram à tona. Nenhuma irrealidade e quaisquer que fossem as inverdades poderiam prevalecer.
Não foram elogiadas as capacidades de cada um, porém foram reconhecidas as qualidades de cada um. E as recompensas foram sobre o trabalho realizado por cada um com os talentos recebidos. As capacidades são fatores inatos concedidos divinamente a cada pessoa, e “o homem” as conhece muito bem, assim como “o senhor” sabe recompensá-las justa e corretamente.
Chega o momento de dar contas do que se recebe. E nele também chega a hora do confronto com a verdade que pessoa alguma dele e dela poderia fugir. Os dois servos que receberam mais de um talento apresentaram serviço dando contas do que produziram em resultado de suas visões e tiveram as suas recompensas do seu “senhor”.
O último, que também lhe foram confiados bens e recebeu um talento, não obteve a mesma felicidade de apresentar o esperado. Veio a ser confrontado com a cobrança normal que é para todos os servos. Nesse momento de acerto, ao invés de notícias e provas promissoras, lhe vieram desculpas evasivas e desconexas com a sua realidade pessoal e com o seu contexto, justificativas não-verdadeiras, confissões infundadas. Enfim, um contraste de sua visão pessoal, de sua realidade e incoerência do seu contexto.
· Aquele “senhor” possui a exata visão.
Enquanto os outros foram claros e em nada precisaram lançar mão para desculpas, justificativas, este último foi completamente o contrário. Na visão do “senhor” ele foi mau, negligente, preguiçoso, indolente, causador de prejuízos ao “senhor”. Agora o medo confessado foi desmascarado e revelada a sua falsa visão do seu “senhor”.
A satisfação daquele “senhor” era querer e esperar receber também desse servo pelo menos a devolução da mesma quantidade de talento acrescida de juros. O talento e seus juros. Se não pode ou não quer produzir, que pelo menos aplique o talento no que realiza para que este de alguma maneira sirva aos outros a trabalharem com ele e assim lhe corra juros.
· Conclusão.
Aquele “homem” do começo da parábola, e “senhor” na conclusão dela, é o próprio Senhor Jesus que veio ao mundo como homem e assim foi visto pelas multidões de homens, entre religiosos ou não, políticos ou não, poderosos ou não, senhores ou escravos, de sua época. E que chamou somente os seus servos e lhes entregou os Seus bens e também lhes deu talentos. Esses servos são cada um de nós.
Precisamos tomar atitudes responsáveis para com os bens do Senhor entregues a nós, assim como com os talentos dEle que nos deu para movimentá-los com as nossas capacidades próprias e individuais. O verdadeiro servo de Deus jamais precisa transformar-se em ídolo, ser idolatrado, em função dos talentos que possuem, esquecendo que os mesmos são do Senhor e foram dados pelo Senhor para serem trabalhados com nossas capacidades a fim de renderem lucros, glórias, para Ele.
Os talentos recebidos por nós e nos quais investimos e com os quais trabalhamos não nos fazem ser ídolos, não nos dá o direito de assenhorearmos deles para sermos colocados no pódio aos aplausos.
Se administrarmos os nossos talentos bem e adequadamente, nossos nomes e famas consequentemente vão em algum momento aparecer, assim como foi com o nosso Senhor Jesus, entretanto isto em momento algum seja causa de imaturidade e tropeço, e sim de rendimento de créditos e glórias para o Senhor dos bens e talentos que movimentamos.
Que nenhum de nós enterremos o talento recebido. Isto é investir no mundo. Que nenhum de nós “se ache” oportunista com os talentos que recebemos do nosso Senhor. E que todos nós venhamos administrar os bens do Senhor, e negociar, investir e aplicar os talentos do Senhor para apresentarmos resultados produtivos a Ele na inevitável prestação de contas quando Ele vier nos chamar a ela.
PbGS
terça-feira, 1 de março de 2011
UM POUCO SOBRE TALENTOS.
UM POUCO SOBRE TALENTOS.
· Introdução.
Hoje, minha missão neste artigo especificamente é lhes falar sobre “talentos” em duas dimensões. Muitas coisas temos lido e ouvido sobre essa palavra. E do somatório acerca do que sobre ela lemos e ouvimos, ainda nos resta um pouco mais a ser conhecido na palavra “talentos”.
Para tanto, convido, assim, os diletos leitores por um tempo deixar a superfície das coisas que temos ouvido sobre “talentos”, e com visão bíblica mergulharmos um tanto mais profundo a fim de que possamos enxergar e explorar um pouco mais além do que comumente se fala e ouve sobre essa palavra brilhante.
Apesar de ser tão comum em todos os meios o emprego da palavra “talento”, ela vai muito mais além do que na média e na moda, dela se pensa e aplica-se. Ela é muitíssimo rica e deveras empolgante, e por que não dizer impactante e impressionante. Lamentamos que por algumas vezes seja muitíssimo mal compreendida e para alguns pouco significativa, pouco importante e somenos interessante.
· Quem não sabe, perde.
É de se entender que nem sempre os homens sabem lidar com propriedade sobre algumas coisas e valores que possuem, assim como sobre as que nos seus contextos existem. Os extremos comprovam essa triste e terrível façanha humana que ora se enruste ou ora maquia-se no íntimo do seu coração – conhecer teoricamente ao mesmo tempo não saber praticamente.
Isto nos faz lembrar daqueles que conheciam teoricamente o ouro e já estiveram bem perto dele, tropeçaram nele, tiveram com ele nas mãos, mas por não saberem lidar com ouro na prática, perderam-no e pela sua ignorância permitiram que outros o descobrissem e o encontrassem e lhe conferissem o seu devido valor real considerado. Quem não sabe lidar com valores na prática, certamente os perde, mesmo estando repleto na teoria.
· Como vemos e lidamos com o talento.
Esta linda expressão “talento” nos fala de tantas coisas que traduzem valores. “Talento” é um substantivo cuja força expressiva causa impacto diferenciado na visão observadora de alguns de tal forma que sobrepuja o seu significado. Entretanto, “talento” é uma palavra que precisa ser mais de perto sobriamente apreciada, sensivelmente compreendida, consideravelmente reconhecida e corretamente aplicada.
“Talento” é uma palavra que apesar de estarmos bem familiarizados com ela, ainda relativamente pouco a conhecemos do que poderíamos percebê-la na amplitude da visão prática. Na verdade, nem todos sabemos reconhecer, considerar e avaliar justa e corretamente os significados, os valores, as funções e os propósitos dessa linda palavra “talento”, ou com ela lidar com sabedoria e tato no nosso mundo prático.
“Talento” é uma palavra que temos ouvido desde nas reuniões formais, nas pregações, nos ensinamentos, até nas conversas informais. Sem dúvida, é uma expressão que somente por si transmite brilho, valor, mas também expressa responsabilidades e diligência.
· Talento na visão do mundo.
O sistema mundo, na sua visão, conhece e emprega a palavra “talento” carregada de reconhecimentos elogiosos e para ele tudo parece finalizar no dever de inclinar-se diante dela. Para ele “talento” é uma questão quase de manifestação de alaridos, festejos e aplausos, idolatrados. Que melhor sejam vistos os meios artísticos e empresariais.
“Talento” não finaliza nos aplausos e alaridos reconhecedores, como se seu propósito final fosse apenas colher posições e manifestações como recompensa pela demonstração de habilidades e capacidades, de exemplos ilustrativos, somente para marcar histórias e também para um limitado fim. A visão do mundo dimensiona e cultiva “talento” assim.
· Talento na visão bíblica.
“Talento” é uma palavra que na sua essência designava uma unidade de peso e medida nos tempos bíblicos, cujo valor monetário representava em dinheiro e pela natureza do material e seu peso geralmente em ouro ou prata. Referindo-se a ela, Mateus e Lucas empregaram as palavras gregas “tálanta” e “tálanton” nos evangelhos que tomam os seus nomes, respectivamente.
Mais tarde “talento” veio a ser percebida, interpretada e correlacionada a habilidades invulgares, a engenhos raros, à inteligência excepcional, a aptidões espetaculares. E assim permanecem esses conceitos atravessando épocas sem perderem a sua relação aplicativa legitimamente bíblica com o sentido que o Senhor Jesus quis dizer sobre o que Ele confere de habilidades, inteligências, aptidões, dons, mordomia de tempos e de valores e bens materiais, oportunidades, aos Seus servos.
Então, nos acostumamos a ver e considerar “talento” como uma palavra que nomeia a habilidades especiais e estas intimamente ligadas à capacidade individual de cada um. Os “talentos” conferem distinção de brilho, porém não outorgam e não justificam orgulho pelo brilho que possuem.
“Talento” na visão bíblica vai muito mais além do que enxerga e dimensiona a visão terrenal comum. É uma palavra que envolve brilho, valores, mas também produtividade. Envolve negociação e granjeamento, mas também diligência e responsabilidade. A visão do servo do Senhor Jesus sobre “talento” vai além da dimensão comum do brilho terrenal e atinge a visão de responsabilidade espiritual, na dimensão celeste.
Enquanto o mundo cultiva “talentos” unicamente na dimensão terrenal para fins particulares e transitórios, e o considera como um fenômeno artístico, os verdadeiros servos de Deus possuem em suas mentes vigilantes a visão de “talento” nas duas dimensões, indo muito mais longe da visão apenas terrenal.
· Olhando melhor a parábola dos talentos.
A parábola que o Senhor Jesus lançou ao se referir aos talentos – a que chamamos de “a parábola dos talentos” – registrada em Mateus 25.14-30 (versão ARC), nos acende uma luz sobre as verdades e realidades dos talentos, nos fazendo a enxergar mais além do alcançado pelos lampejos comuns da dimensão terrenal e natural.
Olhando melhor a parábola dos talentos, podemos ver “talento” um pouco mais claramente e aproximados de como é vista na dimensão celeste, segundo o que a Escritura Sagrada nos permite cristalinamente perceber dela.
A parábola começa citando uma semelhança, uma comparação, para nos trazer a enxergar além das coisas naturais, as lições espirituais que transcendem o contexto terrenal. E percebemos que uma das suas finalidades é nos fazer compreender por ela que no nosso mundo relacional com o Senhor Jesus existe uma diferente monta de investimento dEle sobre nós, uma margem de esforços ativos limitados e considerados, um poder de empreendimento com resultados antevistos, uma ação ativa de produtividade com responsabilidade.
A consistência da verdade imutável transcende mais além do que se contempla o fim terrenal e atinge a realidade nas duas dimensões com a finalidade proposta de nos revelar o que cada servo do Senhor Deus é capaz de realizar para o seu Senhor. Nenhum de nós trabalha no Seu Reino desprovido e sem vistas para resultados.
Assim como Ele nos chama e confia em nos entregar os seus bens e nos dar talentos, também precisamos estar lembrados de que num momento futuro Ele vai certamente nos chamar para prestação de contas e resultados sobre o que dEle recebemos para administrar.
· O “homem” entregou seus bens.
Considerando as muitas traduções e versões bíblicas, notamos que a parábola inicia dizendo que “um homem deixou a sua casa por um pouco de tempo”, “partiu para fora da terra”, “ausentou-se do seu país”. A parábola começa mencionando o proprietário dos bens e dos talentos como apenas “um homem”.
· O “homem” deu talentos.
O “homem” também no chamado deu talentos aos seus servos. Em outras palavras, ele fez uma distribuição de talentos aos seus servos, e vemos uma aparente amostragem ilustrativa com três deles. Uma amostragem que nos abre janelas para enxergarmos profundas lições extremamente consideráveis. A um aquele “homem” deu cinco unidades, a outro duas e ao outro uma. Aqui também percebemos claramente uma visão de investimento com sabedoria, sensibilidade e justiça, por parte de quem dá, e de privilégio, oportunidade e responsabilidade por parte de quem recebe.
· Conforme a capacidade de cada um dos servos.
Essa é uma distribuição espetacularmente justa e sábia. Ao se referir aos seus bens, o “homem” os entregou aos seus servos, mas ao falar de “talentos”, ele deu, distribuiu com eles dentro de sua visão, porquanto os conhecia muito bem. Nessa distribuição ele focou e considerou as competências, capacidades, particulares de cada um. Nos escritos originais encontramos para isto a expressão “conforme a “IDÍAN DÚNAMIN”.
“IDÍAN DÚNAMIN” se refere a capacidades, a competências, do poder ativo de ação, de força de trabalho, de movimento, de cada um em particular. A capacidade propriamente particular de cada um, ou seja, na medida que cada um pode suportar, conduzir e movimentar ativamente.
Isto nos deixa ver que “o homem” não deu margens para uma visão de superioridade ou inferioridade administrativas; nem houve brechas para desculpas de afadigamento ou sobrecarga causadas pelo trabalho com o “talento” recebido. Todos poderiam exercer as suas competências administrativas sobre os talentos recebidos dentro do previsto e na visão do “homem” que os deu e na de cada um que os recebeu.
Temos que saber que os bens e talentos são exclusivamente do Senhor e as capacidades particulares inatas, que estão em nossa natureza pessoal, são nossas e vieram dEle também. Com essas capacidades temos também o dever de investir no “talento”, e com o “talento”, recebido e com este produzir e granjear ganhos e juros. “Ganhos” é uma relação de negócios investidos em algum bem negociável e “juros” é uma relação de negócios aplicados com algum bem negociável.
Temos que saber administrar os bens que nos foram entregues, e também acionar a nossa força pessoal ativa para investir no “talento e movimentar com o “talento” que nos foi dado, dentro de nossa margem suportada de produtividade com consciência e responsabilidade.
· O “homem” sabe a quem entregou os seus bens e a quem deu talentos.
Antes de partir aquele “homem” chamou e reuniu apenas os seus servos e lhes entregou os seus bens. Notemos que no seu chamado para a entrega de seus bens, ele não incluiu pessoa alguma que lhe fosse estranha. Os bens foram entregues especialmente aos seus servos, os quais foram considerados e constituídos oficialmente no seu chamado.
O “homem” da parábola entregou os seus bens aos seus servos. Pessoas estranhas não conheceriam as particularidades do “homem”, não saberiam lidar com os seus bens e não teriam qualquer ligação com ele para cuidar de sua propriedade, de suas posses e de seus valores. Somente os seus servos foram especial e legitimamente chamados, porquanto estranhos não teriam qualquer relação de vínculo e ligação com ele.
· O “homem” sabe de quem cobrar os seus bens e talentos.
Aqui apenas começamos a perceber a visão de responsabilidade. O “homem” entregou a quem ele mais tarde iria chamar a prestar-lhe contas do que dele recebeu. Ele sabia exatamente de quem cobrar. Ele sabia exatamente quem estava ligado a ele e lhe conhecia pessoalmente e a ele estava sujeito sob sua autoridade para desse alguém subordinado bem fazer o que lhe aprouvesse. Um futuro acerto de contas justo e cabível começa a ser aqui percebido quando notamos os detalhes nessa entrega.
Notamos na parábola que “o homem” que confiou bens e talentos aos seus servos não ficou para fiscalizar, controlar, gerir competências sobre os talentos dados aos seus recebedores oficialmente chamados por ele. Não vemos um cintilar de que tivesse havido um exercício de controle ou um mecanismo de fiscalização de qualquer tipo que fosse sobre os recebedores dos bens e talentos. Aqui também notamos a tamanha responsabilidade que cada um recebedor deveria devotadamente manter viva e dedicadamente acesa na consciência.
· Ausência e responsabilidades.
O mundo diz que “ausentando-se o patrão, os empregados fazem a festa” como bem acharem e quiserem aos seus gostos. Pensamento semelhante é observado em tantos que da mesma forma agem de modos descomprometidos na ausência do “homem”. Um falso pensamento de que essa ausência significaria algum tipo de facultação, de isenção de contas e de tolerância.
A Escritura Sagrada, porém, nos faz enxergar que a ausência do “homem” que confere bens e talentos é um forte sinal que precisamos interpretá-lo atentamente com as nossas sensibilidades, sobriedade, consciência e responsabilidades individuais. Um lembrete de cuidado vigilante redobrado sobre o que está sob as nossas responsabilidades.
O silêncio e a ausência de controles físicos do “homem” não nos declaram liberdade sem consciência e sem responsabilidade. O “homem” deixou que cada um trabalhasse livremente com o que dele recebeu, e a parábola nos deixa ver que os servos sabiam de quem eram os bens e de quem receberam os talentos para com estes trabalharem livremente. Implicitamente notamos que os servos estavam cientes do futuro regresso daquele “homem” e a possibilidade de um futuro chamamento para prestação de contas.
· Conclusão.
Podemos até fazer o que bem quisermos com os bens e talentos recebidos daquele que fora visto apenas como “um homem”, mas temos em contrapartida o dever de saber que vamos ser chamados para prestação de contas com ele agora não mais como “um homem”, mas sim como “o senhor”.
Num próximo artigo, querendo e permitindo Deus, estarei lhes trazendo a Parte II com mais pontos complementares sobre um pouco mais das verdades e realidades sobre “talentos”.
PbGS
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