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domingo, 20 de março de 2011
UM POUCO MAIS SOBRE TALENTOS (II).
UM POUCO MAIS SOBRE TALENTOS (II).
· Introdução.
Na continuação do nosso mergulho nas profundidades da Parte I sobre talentos, e como penhorado antes, venho aos caros e generosos leitores para lhes trazer as diferentes visões de quem recebeu o “talento” e o que dele foi feito por cada um de seus recebedores.
· A visão de quem recebeu mais talentos.
Olhando mais de perto para o servo que recebeu cinco talentos, descobrimos fatos interessantes. Apesar dele ser um servo em pé de igualdade como servo entre outros servos, as suas capacidades e competências para trabalhar com a quantidade recebida foram percebidas que eram diferentes dos demais servos, e isto partiu do juízo do “homem” que o chamou e confiou os seus bens e lhe deu talentos.
Notemos que esse servo apenas possuía a capacidade disponível e não o poder de determinação ou reivindicação. Ele apresentou senso e visão de diligência e prontidão tamanhas que o texto revela para essa atitude as palavras “logo saiu”, “imediatamente saiu”. Ele percebeu que a confiança do “homem” nele merecia ser correspondida com resultados lucrativos através de um senso de urgência, uma visão de emergência, para sair em campo a negociar com os talentos que recebeu e com eles investir, aplicar, e conseguir ganhar mais.
Há um limite para aplicação de toda capacidade. E existe uma suficiência de capacidade para exercê-la dentro do parâmetro “cinco” – o parâmetro da graça humanamente suportável - dentro das limitações humanas que pode fazer uma pessoa realizar obras que glorifiquem ao Senhor, sem a presença de pesos e pesares, sobrecargas e lamúrias.
· A visão de quem recebeu menos.
Notemos que o segundo servo foi levado em conta da mesma forma que o anterior, e recebeu menos do que o primeiro – recebeu dois talentos – era o que a sua capacidade comportava, segundo a avaliação e juízo do “homem” que os deu. Suas limitações foram devidamente avaliadas pelo “homem”. A convivência do servo com aquele “homem” comprovara até onde poderia ir, até quais resultados poderia lograr.
Algumas virtudes são reveladas nele também. Tendo recebido menos do que o primeiro, procedeu da mesma forma que aquele. A sua visão parece não ter focado em quantidades e nem em comparações, mas sim em correspondência ao que recebeu daquele “homem”, mesmo sendo menos, foi o que lhe foi confiado.
Esse segundo servo não viu e não considerou diferenças. Simplesmente ele considerou o “homem”, teve a humildade e a iniciativa de seguir o procedimento do seu companheiro, o primeiro que recebeu mais. Ele imitou o primeiro e lucrou assim dobrando a quantidade recebida também. Ele não se deixou influenciar por qualquer fator estranho à sua iniciativa.
Na parábola encontramos indicadores de que ele agiu e se empenhou da mesma forma de quem era mais capaz do que ele e recebeu maior quantidade do que ele recebeu. Quem age e enfrenta os desafios como esse servo, não cai nas malhas do pessimismo, da inveja, do ressentimento e da inferioridade.
Esse servo nos dá uma lição de equilíbrio e sensatez, assim como de consciência sobre o que lhe competiu realizar e da consideração para o “homem” que lhe chamou e confiou os seus bens e talentos a ele. Que lição o Senhor Jesus nos dá com a profundidade dessa linda parábola...
· A visão de quem recebeu apenas um.
Notemos, por fim, o terceiro servo, o que recebeu apenas um talento. Ele não foi visto pior do que os anteriores pelo “homem”. Implicitamente, percebemos nesse servo algumas atitudes que nos dão indicadores de que ele saiu deliberadamente dos propósitos do “homem” que lhe chamou e confiou os bens e o talento. Note que ele apenas saiu como os anteriores, mas a escalada dos seus erros começa pela direção auto-suficiente e isolada que tomou.
Enquanto os outros saíram para negociar, ele saiu para cavar um buraco no chão e enterrar o talento recebido. Aqui começamos a ver que ele teve uma visão desfocada do bem que recebeu; não conhecia o valor do que lhe foi dado; não queria ou sabia o que fazer e nem onde empregar o talento recebido.
Ele preferiu ficar neutro, nada querendo fazer com o talento dado pelo seu senhor. Ele deu provas de que desconhecia o “homem” que o chamou e a ele confiou bens e talento, assim como o desconsiderou. Ele focou sua vista em si mesmo, e não concentrou-a no “homem”.
· Enterrar e esconder é maldade e negligência.
O fato é que ele cavou um buraco na terra e enterrou o talento recebido. Simplesmente lhe faltou a visão verdadeira requerida dentro de suas possibilidades e capacidade. Isto quer nos deixar a lição de que ele não demonstrou interesse e não deu a devida importância pelo que recebeu, preferindo investir na terra.
Ele é o retrato daqueles que recebem do Senhor bens e talento e dão a preferência a investi-los apenas no mundo, nas coisas terrenas. Faltou-lhe a visão de que o talento era para ser e estar visível, ser movimentado, e jamais escondido, com o fim de granjear ganhos e trazer lucros para o seu senhor e dentro da aceitação daquele senhor.
Ele teve uma visão contrária a visão dos outros. O talento recebido deveria lhe servir de objeto de investimento para o seu senhor, como era a visão normal e natural de todos que receberam. Ele apenas aplicou sobre o talento a sua visão pessoal de segurança, de proteção, de cuidado, de cautela, para si mesmo.
Quando a visão requerida era de negócio, de investimento, de ganho, de granjeamento. Seu desempenho foi definido por aquele “senhor” como maldoso e negligente.
· Saiu “um homem”, regressou “o senhor”.
Notemos que a parábola começa com a figura de “um homem”, mas é concluída com a volta de “o senhor”.
Quando na partida foi ilustrado apenas como “um homem”, mas “muito tempo depois” quando voltou, agora é citado como “o senhor”. Aquele que primeiramente foi visto como “um homem”, agora no seu regresso é notado como “o senhor”.
· A prestação de contas é inevitável.
Agora, por ocasião do seu regresso, na prestação de contas, ali estava “o senhor” que voltou, e não apenas “um homem” que partiu. Na prestação de contas, a verdade de cada um, assim como as suas recompensas vieram à tona. Nenhuma irrealidade e quaisquer que fossem as inverdades poderiam prevalecer.
Não foram elogiadas as capacidades de cada um, porém foram reconhecidas as qualidades de cada um. E as recompensas foram sobre o trabalho realizado por cada um com os talentos recebidos. As capacidades são fatores inatos concedidos divinamente a cada pessoa, e “o homem” as conhece muito bem, assim como “o senhor” sabe recompensá-las justa e corretamente.
Chega o momento de dar contas do que se recebe. E nele também chega a hora do confronto com a verdade que pessoa alguma dele e dela poderia fugir. Os dois servos que receberam mais de um talento apresentaram serviço dando contas do que produziram em resultado de suas visões e tiveram as suas recompensas do seu “senhor”.
O último, que também lhe foram confiados bens e recebeu um talento, não obteve a mesma felicidade de apresentar o esperado. Veio a ser confrontado com a cobrança normal que é para todos os servos. Nesse momento de acerto, ao invés de notícias e provas promissoras, lhe vieram desculpas evasivas e desconexas com a sua realidade pessoal e com o seu contexto, justificativas não-verdadeiras, confissões infundadas. Enfim, um contraste de sua visão pessoal, de sua realidade e incoerência do seu contexto.
· Aquele “senhor” possui a exata visão.
Enquanto os outros foram claros e em nada precisaram lançar mão para desculpas, justificativas, este último foi completamente o contrário. Na visão do “senhor” ele foi mau, negligente, preguiçoso, indolente, causador de prejuízos ao “senhor”. Agora o medo confessado foi desmascarado e revelada a sua falsa visão do seu “senhor”.
A satisfação daquele “senhor” era querer e esperar receber também desse servo pelo menos a devolução da mesma quantidade de talento acrescida de juros. O talento e seus juros. Se não pode ou não quer produzir, que pelo menos aplique o talento no que realiza para que este de alguma maneira sirva aos outros a trabalharem com ele e assim lhe corra juros.
· Conclusão.
Aquele “homem” do começo da parábola, e “senhor” na conclusão dela, é o próprio Senhor Jesus que veio ao mundo como homem e assim foi visto pelas multidões de homens, entre religiosos ou não, políticos ou não, poderosos ou não, senhores ou escravos, de sua época. E que chamou somente os seus servos e lhes entregou os Seus bens e também lhes deu talentos. Esses servos são cada um de nós.
Precisamos tomar atitudes responsáveis para com os bens do Senhor entregues a nós, assim como com os talentos dEle que nos deu para movimentá-los com as nossas capacidades próprias e individuais. O verdadeiro servo de Deus jamais precisa transformar-se em ídolo, ser idolatrado, em função dos talentos que possuem, esquecendo que os mesmos são do Senhor e foram dados pelo Senhor para serem trabalhados com nossas capacidades a fim de renderem lucros, glórias, para Ele.
Os talentos recebidos por nós e nos quais investimos e com os quais trabalhamos não nos fazem ser ídolos, não nos dá o direito de assenhorearmos deles para sermos colocados no pódio aos aplausos.
Se administrarmos os nossos talentos bem e adequadamente, nossos nomes e famas consequentemente vão em algum momento aparecer, assim como foi com o nosso Senhor Jesus, entretanto isto em momento algum seja causa de imaturidade e tropeço, e sim de rendimento de créditos e glórias para o Senhor dos bens e talentos que movimentamos.
Que nenhum de nós enterremos o talento recebido. Isto é investir no mundo. Que nenhum de nós “se ache” oportunista com os talentos que recebemos do nosso Senhor. E que todos nós venhamos administrar os bens do Senhor, e negociar, investir e aplicar os talentos do Senhor para apresentarmos resultados produtivos a Ele na inevitável prestação de contas quando Ele vier nos chamar a ela.
PbGS
terça-feira, 1 de março de 2011
UM POUCO SOBRE TALENTOS.
UM POUCO SOBRE TALENTOS.
· Introdução.
Hoje, minha missão neste artigo especificamente é lhes falar sobre “talentos” em duas dimensões. Muitas coisas temos lido e ouvido sobre essa palavra. E do somatório acerca do que sobre ela lemos e ouvimos, ainda nos resta um pouco mais a ser conhecido na palavra “talentos”.
Para tanto, convido, assim, os diletos leitores por um tempo deixar a superfície das coisas que temos ouvido sobre “talentos”, e com visão bíblica mergulharmos um tanto mais profundo a fim de que possamos enxergar e explorar um pouco mais além do que comumente se fala e ouve sobre essa palavra brilhante.
Apesar de ser tão comum em todos os meios o emprego da palavra “talento”, ela vai muito mais além do que na média e na moda, dela se pensa e aplica-se. Ela é muitíssimo rica e deveras empolgante, e por que não dizer impactante e impressionante. Lamentamos que por algumas vezes seja muitíssimo mal compreendida e para alguns pouco significativa, pouco importante e somenos interessante.
· Quem não sabe, perde.
É de se entender que nem sempre os homens sabem lidar com propriedade sobre algumas coisas e valores que possuem, assim como sobre as que nos seus contextos existem. Os extremos comprovam essa triste e terrível façanha humana que ora se enruste ou ora maquia-se no íntimo do seu coração – conhecer teoricamente ao mesmo tempo não saber praticamente.
Isto nos faz lembrar daqueles que conheciam teoricamente o ouro e já estiveram bem perto dele, tropeçaram nele, tiveram com ele nas mãos, mas por não saberem lidar com ouro na prática, perderam-no e pela sua ignorância permitiram que outros o descobrissem e o encontrassem e lhe conferissem o seu devido valor real considerado. Quem não sabe lidar com valores na prática, certamente os perde, mesmo estando repleto na teoria.
· Como vemos e lidamos com o talento.
Esta linda expressão “talento” nos fala de tantas coisas que traduzem valores. “Talento” é um substantivo cuja força expressiva causa impacto diferenciado na visão observadora de alguns de tal forma que sobrepuja o seu significado. Entretanto, “talento” é uma palavra que precisa ser mais de perto sobriamente apreciada, sensivelmente compreendida, consideravelmente reconhecida e corretamente aplicada.
“Talento” é uma palavra que apesar de estarmos bem familiarizados com ela, ainda relativamente pouco a conhecemos do que poderíamos percebê-la na amplitude da visão prática. Na verdade, nem todos sabemos reconhecer, considerar e avaliar justa e corretamente os significados, os valores, as funções e os propósitos dessa linda palavra “talento”, ou com ela lidar com sabedoria e tato no nosso mundo prático.
“Talento” é uma palavra que temos ouvido desde nas reuniões formais, nas pregações, nos ensinamentos, até nas conversas informais. Sem dúvida, é uma expressão que somente por si transmite brilho, valor, mas também expressa responsabilidades e diligência.
· Talento na visão do mundo.
O sistema mundo, na sua visão, conhece e emprega a palavra “talento” carregada de reconhecimentos elogiosos e para ele tudo parece finalizar no dever de inclinar-se diante dela. Para ele “talento” é uma questão quase de manifestação de alaridos, festejos e aplausos, idolatrados. Que melhor sejam vistos os meios artísticos e empresariais.
“Talento” não finaliza nos aplausos e alaridos reconhecedores, como se seu propósito final fosse apenas colher posições e manifestações como recompensa pela demonstração de habilidades e capacidades, de exemplos ilustrativos, somente para marcar histórias e também para um limitado fim. A visão do mundo dimensiona e cultiva “talento” assim.
· Talento na visão bíblica.
“Talento” é uma palavra que na sua essência designava uma unidade de peso e medida nos tempos bíblicos, cujo valor monetário representava em dinheiro e pela natureza do material e seu peso geralmente em ouro ou prata. Referindo-se a ela, Mateus e Lucas empregaram as palavras gregas “tálanta” e “tálanton” nos evangelhos que tomam os seus nomes, respectivamente.
Mais tarde “talento” veio a ser percebida, interpretada e correlacionada a habilidades invulgares, a engenhos raros, à inteligência excepcional, a aptidões espetaculares. E assim permanecem esses conceitos atravessando épocas sem perderem a sua relação aplicativa legitimamente bíblica com o sentido que o Senhor Jesus quis dizer sobre o que Ele confere de habilidades, inteligências, aptidões, dons, mordomia de tempos e de valores e bens materiais, oportunidades, aos Seus servos.
Então, nos acostumamos a ver e considerar “talento” como uma palavra que nomeia a habilidades especiais e estas intimamente ligadas à capacidade individual de cada um. Os “talentos” conferem distinção de brilho, porém não outorgam e não justificam orgulho pelo brilho que possuem.
“Talento” na visão bíblica vai muito mais além do que enxerga e dimensiona a visão terrenal comum. É uma palavra que envolve brilho, valores, mas também produtividade. Envolve negociação e granjeamento, mas também diligência e responsabilidade. A visão do servo do Senhor Jesus sobre “talento” vai além da dimensão comum do brilho terrenal e atinge a visão de responsabilidade espiritual, na dimensão celeste.
Enquanto o mundo cultiva “talentos” unicamente na dimensão terrenal para fins particulares e transitórios, e o considera como um fenômeno artístico, os verdadeiros servos de Deus possuem em suas mentes vigilantes a visão de “talento” nas duas dimensões, indo muito mais longe da visão apenas terrenal.
· Olhando melhor a parábola dos talentos.
A parábola que o Senhor Jesus lançou ao se referir aos talentos – a que chamamos de “a parábola dos talentos” – registrada em Mateus 25.14-30 (versão ARC), nos acende uma luz sobre as verdades e realidades dos talentos, nos fazendo a enxergar mais além do alcançado pelos lampejos comuns da dimensão terrenal e natural.
Olhando melhor a parábola dos talentos, podemos ver “talento” um pouco mais claramente e aproximados de como é vista na dimensão celeste, segundo o que a Escritura Sagrada nos permite cristalinamente perceber dela.
A parábola começa citando uma semelhança, uma comparação, para nos trazer a enxergar além das coisas naturais, as lições espirituais que transcendem o contexto terrenal. E percebemos que uma das suas finalidades é nos fazer compreender por ela que no nosso mundo relacional com o Senhor Jesus existe uma diferente monta de investimento dEle sobre nós, uma margem de esforços ativos limitados e considerados, um poder de empreendimento com resultados antevistos, uma ação ativa de produtividade com responsabilidade.
A consistência da verdade imutável transcende mais além do que se contempla o fim terrenal e atinge a realidade nas duas dimensões com a finalidade proposta de nos revelar o que cada servo do Senhor Deus é capaz de realizar para o seu Senhor. Nenhum de nós trabalha no Seu Reino desprovido e sem vistas para resultados.
Assim como Ele nos chama e confia em nos entregar os seus bens e nos dar talentos, também precisamos estar lembrados de que num momento futuro Ele vai certamente nos chamar para prestação de contas e resultados sobre o que dEle recebemos para administrar.
· O “homem” entregou seus bens.
Considerando as muitas traduções e versões bíblicas, notamos que a parábola inicia dizendo que “um homem deixou a sua casa por um pouco de tempo”, “partiu para fora da terra”, “ausentou-se do seu país”. A parábola começa mencionando o proprietário dos bens e dos talentos como apenas “um homem”.
· O “homem” deu talentos.
O “homem” também no chamado deu talentos aos seus servos. Em outras palavras, ele fez uma distribuição de talentos aos seus servos, e vemos uma aparente amostragem ilustrativa com três deles. Uma amostragem que nos abre janelas para enxergarmos profundas lições extremamente consideráveis. A um aquele “homem” deu cinco unidades, a outro duas e ao outro uma. Aqui também percebemos claramente uma visão de investimento com sabedoria, sensibilidade e justiça, por parte de quem dá, e de privilégio, oportunidade e responsabilidade por parte de quem recebe.
· Conforme a capacidade de cada um dos servos.
Essa é uma distribuição espetacularmente justa e sábia. Ao se referir aos seus bens, o “homem” os entregou aos seus servos, mas ao falar de “talentos”, ele deu, distribuiu com eles dentro de sua visão, porquanto os conhecia muito bem. Nessa distribuição ele focou e considerou as competências, capacidades, particulares de cada um. Nos escritos originais encontramos para isto a expressão “conforme a “IDÍAN DÚNAMIN”.
“IDÍAN DÚNAMIN” se refere a capacidades, a competências, do poder ativo de ação, de força de trabalho, de movimento, de cada um em particular. A capacidade propriamente particular de cada um, ou seja, na medida que cada um pode suportar, conduzir e movimentar ativamente.
Isto nos deixa ver que “o homem” não deu margens para uma visão de superioridade ou inferioridade administrativas; nem houve brechas para desculpas de afadigamento ou sobrecarga causadas pelo trabalho com o “talento” recebido. Todos poderiam exercer as suas competências administrativas sobre os talentos recebidos dentro do previsto e na visão do “homem” que os deu e na de cada um que os recebeu.
Temos que saber que os bens e talentos são exclusivamente do Senhor e as capacidades particulares inatas, que estão em nossa natureza pessoal, são nossas e vieram dEle também. Com essas capacidades temos também o dever de investir no “talento”, e com o “talento”, recebido e com este produzir e granjear ganhos e juros. “Ganhos” é uma relação de negócios investidos em algum bem negociável e “juros” é uma relação de negócios aplicados com algum bem negociável.
Temos que saber administrar os bens que nos foram entregues, e também acionar a nossa força pessoal ativa para investir no “talento e movimentar com o “talento” que nos foi dado, dentro de nossa margem suportada de produtividade com consciência e responsabilidade.
· O “homem” sabe a quem entregou os seus bens e a quem deu talentos.
Antes de partir aquele “homem” chamou e reuniu apenas os seus servos e lhes entregou os seus bens. Notemos que no seu chamado para a entrega de seus bens, ele não incluiu pessoa alguma que lhe fosse estranha. Os bens foram entregues especialmente aos seus servos, os quais foram considerados e constituídos oficialmente no seu chamado.
O “homem” da parábola entregou os seus bens aos seus servos. Pessoas estranhas não conheceriam as particularidades do “homem”, não saberiam lidar com os seus bens e não teriam qualquer ligação com ele para cuidar de sua propriedade, de suas posses e de seus valores. Somente os seus servos foram especial e legitimamente chamados, porquanto estranhos não teriam qualquer relação de vínculo e ligação com ele.
· O “homem” sabe de quem cobrar os seus bens e talentos.
Aqui apenas começamos a perceber a visão de responsabilidade. O “homem” entregou a quem ele mais tarde iria chamar a prestar-lhe contas do que dele recebeu. Ele sabia exatamente de quem cobrar. Ele sabia exatamente quem estava ligado a ele e lhe conhecia pessoalmente e a ele estava sujeito sob sua autoridade para desse alguém subordinado bem fazer o que lhe aprouvesse. Um futuro acerto de contas justo e cabível começa a ser aqui percebido quando notamos os detalhes nessa entrega.
Notamos na parábola que “o homem” que confiou bens e talentos aos seus servos não ficou para fiscalizar, controlar, gerir competências sobre os talentos dados aos seus recebedores oficialmente chamados por ele. Não vemos um cintilar de que tivesse havido um exercício de controle ou um mecanismo de fiscalização de qualquer tipo que fosse sobre os recebedores dos bens e talentos. Aqui também notamos a tamanha responsabilidade que cada um recebedor deveria devotadamente manter viva e dedicadamente acesa na consciência.
· Ausência e responsabilidades.
O mundo diz que “ausentando-se o patrão, os empregados fazem a festa” como bem acharem e quiserem aos seus gostos. Pensamento semelhante é observado em tantos que da mesma forma agem de modos descomprometidos na ausência do “homem”. Um falso pensamento de que essa ausência significaria algum tipo de facultação, de isenção de contas e de tolerância.
A Escritura Sagrada, porém, nos faz enxergar que a ausência do “homem” que confere bens e talentos é um forte sinal que precisamos interpretá-lo atentamente com as nossas sensibilidades, sobriedade, consciência e responsabilidades individuais. Um lembrete de cuidado vigilante redobrado sobre o que está sob as nossas responsabilidades.
O silêncio e a ausência de controles físicos do “homem” não nos declaram liberdade sem consciência e sem responsabilidade. O “homem” deixou que cada um trabalhasse livremente com o que dele recebeu, e a parábola nos deixa ver que os servos sabiam de quem eram os bens e de quem receberam os talentos para com estes trabalharem livremente. Implicitamente notamos que os servos estavam cientes do futuro regresso daquele “homem” e a possibilidade de um futuro chamamento para prestação de contas.
· Conclusão.
Podemos até fazer o que bem quisermos com os bens e talentos recebidos daquele que fora visto apenas como “um homem”, mas temos em contrapartida o dever de saber que vamos ser chamados para prestação de contas com ele agora não mais como “um homem”, mas sim como “o senhor”.
Num próximo artigo, querendo e permitindo Deus, estarei lhes trazendo a Parte II com mais pontos complementares sobre um pouco mais das verdades e realidades sobre “talentos”.
PbGS
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
JOVENS: gerações que nos sucedem.
JOVENS: gerações que nos sucedem.
“Jovens de hoje, sucessores de amanhã!”
Quantas vezes já ouvimos essa linda frase dita em nossos púlpitos. Pronunciadas muitas vezes por eminentes líderes e pessoas influentes. A frase é verdadeira, e tão verdade é que chegamos a ouvi-la repetidamente de peito estufado de orgulho altruísta ao dirigir nossos olhares para os nossos jovens. Existe uma multidão de holofotes focando seu facho de luz diretamente sobre eles. Entre cuidados e interesses que são lançados sobre os jovens, cuidemos bem dos nossos para que estes não caiam nos engodos artística e artificiosamente que cotidianamente atraem muitos e nas malhas interesseiras que a todo momento prendem ilusoriamente a tantos.
De há muito tempo paira uma preocupação visivelmente clara para com as gerações jovens que conosco convivem. Mas pergunto: que de fato palpável e verídico está sendo feito hoje efetivamente pelos nossos jovens para que estes se tornem os nossos sucessores amanhã? Que perfil de pregadores, que perfil de apascentadores, que perfil de ministros e líderes e que perfil de louvadores sacros estão sendo preparados hoje para serem os nossos sucessores amanhã?
Que não haja um futuro embriagado pelas cativações do poder. Que não haja um futuro desfocado pela ausência de passado. Que não haja um futuro descalçado pela ausência de referenciais originalmente seguros e significativos. Que não haja um futuro contentado pela fantasia transitória da força do terreno em função da substituição do espiritual. Que não haja um futuro movido pela autonomia arrogantemente autosuficiente nas vontades aqui na terra a tal ponto que estas se façam alheias da vontade do Pai feita no céu.
Que não haja um futuro regaladamente enxertado com as eruditas ferramentas da “carne e do sangue” e desarmado e enfraquecido pela ausência de revestimento de toda a armadura de Deus. Que não haja um futuro contente e satisfeito com a engenhosidade de palavras pela ausência de simplicidade eficiente e eficaz de conteúdo e de unção. Que não haja um futuro rico de aparências, máscaras e hipocrisias e pobre de verdade e de sinceridade pela ausência do temor reverente a Deus. Que não haja um futuro embalado pelas fortes emoções e ausente de espiritualidade e de razão. Que não haja um futuro de aplausos cegos em detrimento de um passado desprezado e de um presente ignorado.
Venho nesta oportunidade trazer um inquietante e incomodante artigo aos diletos leitores. Quisera que também este fosse acessado também por uma multidão de ministros e líderes para que esses despertassem suas capacidades de visão ao panorama que está nos contextualizando. Hoje preciso lhes falar sobre o que algumas lideranças infelizmente andam fazendo, ou negligenciando por coisa alguma realizar, para com as gerações de nossos jovens. Muitas lideranças e ministros estão em fortes dívidas para com os seus jovens, e poderão sofrer muito em conseqüência de menosprezos e de pouco caso para com eles.
Setores sociais de vários segmentos têm dirigido seu foco para as gerações jovens. Isto sempre foi normal em todo tempo, entretanto nos últimos dez anos essa linha de ação tem sido mais acirrada e mais direta em empreendimentos ousados ainda não vistos em épocas passadas. Vários fatores têm mexido com esses setores e segmentos sociais. Fala-se em investimentos sobre os jovens para que deles advenham expectativas e lucros promissores. Também se nota a intenção crescente de valorizar as gerações jovens em função da relação custo/benefício social.
Nações estão ameaçadas pelo acelerado processo de envelhecimento de suas populações, e a preocupação mudou de lugar e inverteu a polaridade de pensamentos nessas nações. Povos se subdividem em correntes de pensamentos nas metodologias do que fazer para salvarem suas multidões de jovens que estão mergulhadas na contracultura e na inversão de valores a ponto de se fazerem uma ameaça à identidade, à estabilidade e ao equilíbrio sociais. Instrumentos sociológicos se colocam no campo das observações pesquisadoras sem seus resultados obterem as respostas esperadas aos requerimentos das demandas.
Como meios de investimento, se fala da alta importância da educação que é dada aos nossos jovens a fim de que os valores humanos não sejam perdidos ao longo de gerações. O desafio da evolução dos tempos cresce consideravelmente à medida que o desenvolvimento humano ocorre aceleradamente insuflando à visão mecânica de concorrência e competitividade desprezando o ser humano como pessoa individual. As influências dessa evolução arrasta as gerações jovens a crescer adquirindo hábitos, caráter e personalidade controversos e cada vez pouco aceitáveis. O mundo racional tentando estabelecer domínio suplantando e trazendo conflitos e desequilíbrios e falta de estabilidade nos mundos emocional, sentimental e afetivo das gerações jovens.
Há também uma facilidade cada vez maior, mais ampla e abrangente de aquisição de mobilidade e liberdade de pensamentos e comportamentos mais legalmente autônomos para atenderem ao que os ditames sociais das mentes pensantes dos dominadores do mundo estabelecem camufladamente quase imperceptíveis. Para estes o importante é não permitir que o seu “produto” seja despertado e fortaleça-se no Senhor Deus. O que mais se tem ouvido são comentários de todos os níveis em defesa das gerações jovens, fazendo-os serem vistos como astros supervalorizados, omitindo deles os devidos e reais esclarecimentos das funções e dos propósitos esperados de suas responsabilidades individuais e sociais em recíproca com as suas próprias vidas e com os meios em que vivem.
O estado precoce vem atingindo todos os setores da vida das gerações jovens. Da mesma forma como adquirem conhecimentos precocemente, também na mesma intensidade precocemente externam revoltas afoitas, ações suicidas impensadas, comportamentos imprudentes e reações emocionalmente desmedidas, e precocemente perdem suas vidas. Um fator que vem sendo cada vez mais alarmantemente notado é a “síndrome do pavio-curto” que tem arrastado jovens a não enxergarem mais de uma via de resolução diante dos fatos que lhes acontecem. O relativismo moral e espiritual vem desgovernando o jovem diante de situações impostas pela sociedade pós-moderna que conflita potencialmente contra a sua fé. Situações essas que cada vez mais exige do jovem cristão uma firmeza de resposta apologética de sua fé e prática conforme os ensinamentos da Palavra de Deus.
Muitos se desorientam facilmente diante de situações-obstáculos; muitos outros perdem a garra de lutar legitimamente e em primeira mão acessam logo a via da ilegalidade revanchista e revoltosa e outros na minoria se colocam a buscar orientações seguras e compartilhamento de idéias com gerações anteriores até que logrem sucesso no que pretendem vencer. As inúmeras experiências das gerações mais antigas podem muito servirem de ensinos e de elementos-guias indicadores de parâmetros para as gerações jovens sucessivas. As gerações jovens em todo tempo sempre carecem desses parâmetros para se conduzirem aos propósitos e funções que agradam e comungam com o Senhor Deus e Sua Palavra Eterna. Menosprezar os ensinamentos da Palavra de Deus para trilhar se orientando por auto-guias ou guias desconexos, alheios e divorciados da Bíblia Sagrada seria perder a conexão com o passado e com a via de acesso original, verdadeira e real com o futuro.
Atualmente, os instrumentos facilitadores de acesso à liberdade, a novas experiências desconhecidas ou não, maléficas ou não, prejudiciais ou não, encontram-se à disposição para aquisição facilitada, e esses instrumentos são mais perigosos e diversificados. A inversão da visão sobre os valores da relação direitos-deveres ameaçam até mesmo a integração e a integridade das próprias gerações jovens, levando-as a alimentar o campo da inimizade, do desrespeito e do desamor pela vida humana. Muitos jovens têm se perdido pelo caminho por contas da mente suscetível a fraquezas e conformismo a fragilidades, ou por se permitir ceder a influências externas ou a imposições sociais reprovadas pelos princípios da vida e da ordem.
Esta sociedade hodierna tremendamente materialista e consumista exerce o forte poder sobre as gerações jovens, subtraindo delas a visão das necessidades reais através de um processo influenciador de desinformação ao mesmo tempo que imprime nelas a “nova informação” oposta ao conceito das coisas que lhes são estritamente necessárias, passando enxergar apenas a visão fantasma do querer, do desejar e do ter, sem discernir parâmetros comparativos de possibilidades e de valores. Por isso, notamos as gerações jovens supervalorizarem tanto as sensações passageiras e momentâneas adquiridas velozmente e a fuga contumaz da busca sacrificial pelos valores duradouros que conferem sensações permanentes e prolongáveis.
Nesta década o que mais ouvimos foi uma frase costumeira a nos dizer “os jovens precisam de mais liberdade”. E em busca de atender a esse anseio vimos muitos mecanismos sociais terem acionado a facultação a esse acesso para a liberdade. Recentemente as muitas sociedades humanas vieram com remorsos declarar nos muitos meios da mídia em geral que “os jovens se perdem na sua visão de liberdade por não saberem lidar com a liberdade que pleitearam e portanto muitos índices indesejáveis se elevaram revelando a perda de muitas vidas entre os próprios jovens”. A liberdade que tem sido praticada pelas gerações jovens tem se revestido de uma capa embusteira de argumentos comprovadamente contraditórios e controvertidos, porquanto uma geração não pode possuir o conceito e a prática dentro da visão verdadeira se nada receber de verdadeiro das gerações anteriores.
As gerações jovens são mais bem informadas, porém temos visto que nada tem lhes impedido de serem confusas, vulneráveis a influências degeneradoras, complexos e deficiências de ajustamentos. Contudo essas gerações pouco se dão ao trabalho de investigarem e se dirigirem às experiências das gerações anteriores para identificar parâmetros e estabelecerem paralelos que lhes façam trilhar em continuidade nos valores saudáveis cultivados pelas gerações anteriores e com isto prossigam também sadias em tudo e construindo seguramente um futuro protegido para as suas gerações futuras. As gerações mais antigas tentam conviver com as gerações jovens no desafio da busca desse paralelismo para alcançar a compreensão sobre os movimentos impulsionadores das gerações jovens.
As gerações jovens possuem suas características próprias, todavia nestes últimos dez anos vem sendo observadas algumas tendências nos jovens – a ansiosa busca imediatista tem aumentado; têm buscado mais se organizarem em grupos com linguagem única onde matize, dificulte e sombrei a identidade pessoal do indivíduo; a persistência das angústias da vida amorosa tem atingido um nível mais elevado que anteriormente; a precocidade, a frustração e a ousadia vem causando conflitos em números cada vez mais crescentes.
As gerações jovens atuais gritam por socorro através de projetos parceiros na evangelização, no fortalecimento da fé, no amadurecimento da vida cristã e na preparação para as sucessões ministeriais. É necessário hoje as lideranças ministeriais voltarem o foco de visão para projetos eficazes para as gerações jovens para que elas ganhem naturalmente o status necessário e adequado para estarem preparadas para as sucessões ministeriais e de lideranças tão logo seja oportuno e cabível. É preciso que as lideranças ministeriais de hoje reflitam e repensem no discipulado e na evangelização das gerações jovens para construir nessas um perfil mais comprometido com as Escrituras, começando por lhes oferecer um conteúdo teológico de fato também comprometido com as Escrituras.
As gerações jovens tem declaradamente feito acusações contra a igreja, afirmando que esta vive desconectada da realidade, alheia ao panorama e obsoleta na sua vida antiquada assumindo o papel de uma religião velha num mundo novo e em desenvolvimento progressivo. Alguns jovens ao serem entrevistados taxaram nas suas declarações que os cultos são demorados, desinteressantes e desatualizados. Outros vão um pouco mais além citando hipocrisias, proibições dogmáticas, cobranças e uso de autoritarismo. Mas os reflexos da pós-modernidade, aumentam a oferta e a procura por uma espiritualidade suave, leve, que aparente mais com terapias psicológicas e harmoniosa que atendam a visão do “homem moderno”.
Em todas essas declarações, notamos que o panorama sociocultural moderno tem estimulado as gerações jovens ao prazer de si mesmo sobre si mesmo levando-o ao individualismo notavelmente exagerado e potencialmente cruel. Com o advento da inserção do mundo gospel, as gerações jovens também sofreram massiçamente a influência comercial e a visão delas concentrou e atribuiu valores estritamente a arte e ao desempenho mais do que na natureza espiritual relevante que deve ser primordialmente acima de todas as realizações que se empreenda. Muitos cantam, mas não são louvadores e visam apenas um dia estar gravando. Outros tantos prelecionam, mas não são pregadores e visam apenas um dia serem conferencistas num púlpito famoso. E o que mais temos visto é ambos perderem a paciência e com esta se embaraçarem e perderem também a glória de Deus e o propósito de uma chamada de Deus.
Algumas denominações se arrastam pela vida afora sem projetos que envolvam os seus jovens e os conduzam para que elevem o seu moral e a sua auto-estima significativamente e descubram seus talentos sem se perderem pelo caminho. Buscam apenas oferecer atividades que os enclausurem em quatro paredes e resumam suas vidas a um grupo musical, a reuniões de orações generalizadas, a tarefas desconectadas com os contextos atuais da vida social. Essas denominações se conformaram a uma cultura massificantemente congelada, cerimonialista, ritualista e sem relevância, tratando as gerações jovens como se estas ainda estivessem no tempo de seus líderes primitivos.
Algumas dessas denominações, ignorando e atropelando requerimentos das épocas, praticam inconscientemente um homicídio contra a mocidade e os valores juvenis, chegando com isto a cair nas malhas da hipocrisia e do fingimento ao fechar os olhos para as realidades de cada tempo. Muitos dos seus líderes sustentam o argumento de “preservar” os seus jovens, mantendo-os “assim” nos seus “currais” para que não “se percam” em costumes e hábitos das outras denominações. Enfim, que brutalidade e ignorância sem igual ao aplaudirem suas incapacidades como líderes e em subestimar a capacidade de aprendizagem das gerações jovens em diante das vias de alaridos de nosso tempo...
É preciso urgentemente eliminar o despreparo e a brutalidade predominante em uma multidão de líderes carentes de reciclagem ministerial. É também urgente que sejam criadas estratégias bem elaboradas com programações simples, todavia significativas e marcantes como acampamentos com retiros guiados e com atividades e tarefas preestabelecidamente programadas e inteligentes que criem e fortaleçam vínculos e identidade entre os jovens participantes, lhes estimulem à integração. Também deve se focalizar em temas e mensagens com aplicação mais relevantes em vista dos assuntos contextualizados. Que sejam atividades que atendam a todas as esferas da vida jovem, que enriqueçam o nível de satisfação dos jovens pela vida congregacional e isso se estenda para a sua vida pessoal. Não se trata especificamente atividades voltadas unicamente para o lazer apenas, mas atividades multiemprego com tarefas mistas seccionadas em momentos especiais para cada objetivo proposto.
É necessário também que se crie uma boa política de acolhimento e uma eficiente forma de inclusão e integração de cada jovem nesses projetos para que os resultados se façam evidentes e produtivos somatoriamente a cada tempo que se promova projetos futuros. Isto contribui para que tenhamos realmente a satisfação de declarar com justificativas sólidas e comprováveis que os nossos jovens de hoje são os nossos efetivos e confiáveis sucessores amanhã. Os medos de perdas e de ultrapassagem, as inseguranças e os ressentimentos de uma multidão dos líderes velhos tornam-lhes em ilhas distantes, indesejadas e os incapacita a manter vínculos de investimento real em compasso com as gerações jovens. Tenho visto tantos prejuízos por trás de tantas desculpas injustificadas que chegam às margens da mentira na tentativa de se cobrir deficiências feias notadas pela multidão.
PbGS
www.glaukosantos.com
“Jovens de hoje, sucessores de amanhã!”
Quantas vezes já ouvimos essa linda frase dita em nossos púlpitos. Pronunciadas muitas vezes por eminentes líderes e pessoas influentes. A frase é verdadeira, e tão verdade é que chegamos a ouvi-la repetidamente de peito estufado de orgulho altruísta ao dirigir nossos olhares para os nossos jovens. Existe uma multidão de holofotes focando seu facho de luz diretamente sobre eles. Entre cuidados e interesses que são lançados sobre os jovens, cuidemos bem dos nossos para que estes não caiam nos engodos artística e artificiosamente que cotidianamente atraem muitos e nas malhas interesseiras que a todo momento prendem ilusoriamente a tantos.
De há muito tempo paira uma preocupação visivelmente clara para com as gerações jovens que conosco convivem. Mas pergunto: que de fato palpável e verídico está sendo feito hoje efetivamente pelos nossos jovens para que estes se tornem os nossos sucessores amanhã? Que perfil de pregadores, que perfil de apascentadores, que perfil de ministros e líderes e que perfil de louvadores sacros estão sendo preparados hoje para serem os nossos sucessores amanhã?
Que não haja um futuro embriagado pelas cativações do poder. Que não haja um futuro desfocado pela ausência de passado. Que não haja um futuro descalçado pela ausência de referenciais originalmente seguros e significativos. Que não haja um futuro contentado pela fantasia transitória da força do terreno em função da substituição do espiritual. Que não haja um futuro movido pela autonomia arrogantemente autosuficiente nas vontades aqui na terra a tal ponto que estas se façam alheias da vontade do Pai feita no céu.
Que não haja um futuro regaladamente enxertado com as eruditas ferramentas da “carne e do sangue” e desarmado e enfraquecido pela ausência de revestimento de toda a armadura de Deus. Que não haja um futuro contente e satisfeito com a engenhosidade de palavras pela ausência de simplicidade eficiente e eficaz de conteúdo e de unção. Que não haja um futuro rico de aparências, máscaras e hipocrisias e pobre de verdade e de sinceridade pela ausência do temor reverente a Deus. Que não haja um futuro embalado pelas fortes emoções e ausente de espiritualidade e de razão. Que não haja um futuro de aplausos cegos em detrimento de um passado desprezado e de um presente ignorado.
Venho nesta oportunidade trazer um inquietante e incomodante artigo aos diletos leitores. Quisera que também este fosse acessado também por uma multidão de ministros e líderes para que esses despertassem suas capacidades de visão ao panorama que está nos contextualizando. Hoje preciso lhes falar sobre o que algumas lideranças infelizmente andam fazendo, ou negligenciando por coisa alguma realizar, para com as gerações de nossos jovens. Muitas lideranças e ministros estão em fortes dívidas para com os seus jovens, e poderão sofrer muito em conseqüência de menosprezos e de pouco caso para com eles.
Setores sociais de vários segmentos têm dirigido seu foco para as gerações jovens. Isto sempre foi normal em todo tempo, entretanto nos últimos dez anos essa linha de ação tem sido mais acirrada e mais direta em empreendimentos ousados ainda não vistos em épocas passadas. Vários fatores têm mexido com esses setores e segmentos sociais. Fala-se em investimentos sobre os jovens para que deles advenham expectativas e lucros promissores. Também se nota a intenção crescente de valorizar as gerações jovens em função da relação custo/benefício social.
Nações estão ameaçadas pelo acelerado processo de envelhecimento de suas populações, e a preocupação mudou de lugar e inverteu a polaridade de pensamentos nessas nações. Povos se subdividem em correntes de pensamentos nas metodologias do que fazer para salvarem suas multidões de jovens que estão mergulhadas na contracultura e na inversão de valores a ponto de se fazerem uma ameaça à identidade, à estabilidade e ao equilíbrio sociais. Instrumentos sociológicos se colocam no campo das observações pesquisadoras sem seus resultados obterem as respostas esperadas aos requerimentos das demandas.
Como meios de investimento, se fala da alta importância da educação que é dada aos nossos jovens a fim de que os valores humanos não sejam perdidos ao longo de gerações. O desafio da evolução dos tempos cresce consideravelmente à medida que o desenvolvimento humano ocorre aceleradamente insuflando à visão mecânica de concorrência e competitividade desprezando o ser humano como pessoa individual. As influências dessa evolução arrasta as gerações jovens a crescer adquirindo hábitos, caráter e personalidade controversos e cada vez pouco aceitáveis. O mundo racional tentando estabelecer domínio suplantando e trazendo conflitos e desequilíbrios e falta de estabilidade nos mundos emocional, sentimental e afetivo das gerações jovens.
Há também uma facilidade cada vez maior, mais ampla e abrangente de aquisição de mobilidade e liberdade de pensamentos e comportamentos mais legalmente autônomos para atenderem ao que os ditames sociais das mentes pensantes dos dominadores do mundo estabelecem camufladamente quase imperceptíveis. Para estes o importante é não permitir que o seu “produto” seja despertado e fortaleça-se no Senhor Deus. O que mais se tem ouvido são comentários de todos os níveis em defesa das gerações jovens, fazendo-os serem vistos como astros supervalorizados, omitindo deles os devidos e reais esclarecimentos das funções e dos propósitos esperados de suas responsabilidades individuais e sociais em recíproca com as suas próprias vidas e com os meios em que vivem.
O estado precoce vem atingindo todos os setores da vida das gerações jovens. Da mesma forma como adquirem conhecimentos precocemente, também na mesma intensidade precocemente externam revoltas afoitas, ações suicidas impensadas, comportamentos imprudentes e reações emocionalmente desmedidas, e precocemente perdem suas vidas. Um fator que vem sendo cada vez mais alarmantemente notado é a “síndrome do pavio-curto” que tem arrastado jovens a não enxergarem mais de uma via de resolução diante dos fatos que lhes acontecem. O relativismo moral e espiritual vem desgovernando o jovem diante de situações impostas pela sociedade pós-moderna que conflita potencialmente contra a sua fé. Situações essas que cada vez mais exige do jovem cristão uma firmeza de resposta apologética de sua fé e prática conforme os ensinamentos da Palavra de Deus.
Muitos se desorientam facilmente diante de situações-obstáculos; muitos outros perdem a garra de lutar legitimamente e em primeira mão acessam logo a via da ilegalidade revanchista e revoltosa e outros na minoria se colocam a buscar orientações seguras e compartilhamento de idéias com gerações anteriores até que logrem sucesso no que pretendem vencer. As inúmeras experiências das gerações mais antigas podem muito servirem de ensinos e de elementos-guias indicadores de parâmetros para as gerações jovens sucessivas. As gerações jovens em todo tempo sempre carecem desses parâmetros para se conduzirem aos propósitos e funções que agradam e comungam com o Senhor Deus e Sua Palavra Eterna. Menosprezar os ensinamentos da Palavra de Deus para trilhar se orientando por auto-guias ou guias desconexos, alheios e divorciados da Bíblia Sagrada seria perder a conexão com o passado e com a via de acesso original, verdadeira e real com o futuro.
Atualmente, os instrumentos facilitadores de acesso à liberdade, a novas experiências desconhecidas ou não, maléficas ou não, prejudiciais ou não, encontram-se à disposição para aquisição facilitada, e esses instrumentos são mais perigosos e diversificados. A inversão da visão sobre os valores da relação direitos-deveres ameaçam até mesmo a integração e a integridade das próprias gerações jovens, levando-as a alimentar o campo da inimizade, do desrespeito e do desamor pela vida humana. Muitos jovens têm se perdido pelo caminho por contas da mente suscetível a fraquezas e conformismo a fragilidades, ou por se permitir ceder a influências externas ou a imposições sociais reprovadas pelos princípios da vida e da ordem.
Esta sociedade hodierna tremendamente materialista e consumista exerce o forte poder sobre as gerações jovens, subtraindo delas a visão das necessidades reais através de um processo influenciador de desinformação ao mesmo tempo que imprime nelas a “nova informação” oposta ao conceito das coisas que lhes são estritamente necessárias, passando enxergar apenas a visão fantasma do querer, do desejar e do ter, sem discernir parâmetros comparativos de possibilidades e de valores. Por isso, notamos as gerações jovens supervalorizarem tanto as sensações passageiras e momentâneas adquiridas velozmente e a fuga contumaz da busca sacrificial pelos valores duradouros que conferem sensações permanentes e prolongáveis.
Nesta década o que mais ouvimos foi uma frase costumeira a nos dizer “os jovens precisam de mais liberdade”. E em busca de atender a esse anseio vimos muitos mecanismos sociais terem acionado a facultação a esse acesso para a liberdade. Recentemente as muitas sociedades humanas vieram com remorsos declarar nos muitos meios da mídia em geral que “os jovens se perdem na sua visão de liberdade por não saberem lidar com a liberdade que pleitearam e portanto muitos índices indesejáveis se elevaram revelando a perda de muitas vidas entre os próprios jovens”. A liberdade que tem sido praticada pelas gerações jovens tem se revestido de uma capa embusteira de argumentos comprovadamente contraditórios e controvertidos, porquanto uma geração não pode possuir o conceito e a prática dentro da visão verdadeira se nada receber de verdadeiro das gerações anteriores.
As gerações jovens são mais bem informadas, porém temos visto que nada tem lhes impedido de serem confusas, vulneráveis a influências degeneradoras, complexos e deficiências de ajustamentos. Contudo essas gerações pouco se dão ao trabalho de investigarem e se dirigirem às experiências das gerações anteriores para identificar parâmetros e estabelecerem paralelos que lhes façam trilhar em continuidade nos valores saudáveis cultivados pelas gerações anteriores e com isto prossigam também sadias em tudo e construindo seguramente um futuro protegido para as suas gerações futuras. As gerações mais antigas tentam conviver com as gerações jovens no desafio da busca desse paralelismo para alcançar a compreensão sobre os movimentos impulsionadores das gerações jovens.
As gerações jovens possuem suas características próprias, todavia nestes últimos dez anos vem sendo observadas algumas tendências nos jovens – a ansiosa busca imediatista tem aumentado; têm buscado mais se organizarem em grupos com linguagem única onde matize, dificulte e sombrei a identidade pessoal do indivíduo; a persistência das angústias da vida amorosa tem atingido um nível mais elevado que anteriormente; a precocidade, a frustração e a ousadia vem causando conflitos em números cada vez mais crescentes.
As gerações jovens atuais gritam por socorro através de projetos parceiros na evangelização, no fortalecimento da fé, no amadurecimento da vida cristã e na preparação para as sucessões ministeriais. É necessário hoje as lideranças ministeriais voltarem o foco de visão para projetos eficazes para as gerações jovens para que elas ganhem naturalmente o status necessário e adequado para estarem preparadas para as sucessões ministeriais e de lideranças tão logo seja oportuno e cabível. É preciso que as lideranças ministeriais de hoje reflitam e repensem no discipulado e na evangelização das gerações jovens para construir nessas um perfil mais comprometido com as Escrituras, começando por lhes oferecer um conteúdo teológico de fato também comprometido com as Escrituras.
As gerações jovens tem declaradamente feito acusações contra a igreja, afirmando que esta vive desconectada da realidade, alheia ao panorama e obsoleta na sua vida antiquada assumindo o papel de uma religião velha num mundo novo e em desenvolvimento progressivo. Alguns jovens ao serem entrevistados taxaram nas suas declarações que os cultos são demorados, desinteressantes e desatualizados. Outros vão um pouco mais além citando hipocrisias, proibições dogmáticas, cobranças e uso de autoritarismo. Mas os reflexos da pós-modernidade, aumentam a oferta e a procura por uma espiritualidade suave, leve, que aparente mais com terapias psicológicas e harmoniosa que atendam a visão do “homem moderno”.
Em todas essas declarações, notamos que o panorama sociocultural moderno tem estimulado as gerações jovens ao prazer de si mesmo sobre si mesmo levando-o ao individualismo notavelmente exagerado e potencialmente cruel. Com o advento da inserção do mundo gospel, as gerações jovens também sofreram massiçamente a influência comercial e a visão delas concentrou e atribuiu valores estritamente a arte e ao desempenho mais do que na natureza espiritual relevante que deve ser primordialmente acima de todas as realizações que se empreenda. Muitos cantam, mas não são louvadores e visam apenas um dia estar gravando. Outros tantos prelecionam, mas não são pregadores e visam apenas um dia serem conferencistas num púlpito famoso. E o que mais temos visto é ambos perderem a paciência e com esta se embaraçarem e perderem também a glória de Deus e o propósito de uma chamada de Deus.
Algumas denominações se arrastam pela vida afora sem projetos que envolvam os seus jovens e os conduzam para que elevem o seu moral e a sua auto-estima significativamente e descubram seus talentos sem se perderem pelo caminho. Buscam apenas oferecer atividades que os enclausurem em quatro paredes e resumam suas vidas a um grupo musical, a reuniões de orações generalizadas, a tarefas desconectadas com os contextos atuais da vida social. Essas denominações se conformaram a uma cultura massificantemente congelada, cerimonialista, ritualista e sem relevância, tratando as gerações jovens como se estas ainda estivessem no tempo de seus líderes primitivos.
Algumas dessas denominações, ignorando e atropelando requerimentos das épocas, praticam inconscientemente um homicídio contra a mocidade e os valores juvenis, chegando com isto a cair nas malhas da hipocrisia e do fingimento ao fechar os olhos para as realidades de cada tempo. Muitos dos seus líderes sustentam o argumento de “preservar” os seus jovens, mantendo-os “assim” nos seus “currais” para que não “se percam” em costumes e hábitos das outras denominações. Enfim, que brutalidade e ignorância sem igual ao aplaudirem suas incapacidades como líderes e em subestimar a capacidade de aprendizagem das gerações jovens em diante das vias de alaridos de nosso tempo...
É preciso urgentemente eliminar o despreparo e a brutalidade predominante em uma multidão de líderes carentes de reciclagem ministerial. É também urgente que sejam criadas estratégias bem elaboradas com programações simples, todavia significativas e marcantes como acampamentos com retiros guiados e com atividades e tarefas preestabelecidamente programadas e inteligentes que criem e fortaleçam vínculos e identidade entre os jovens participantes, lhes estimulem à integração. Também deve se focalizar em temas e mensagens com aplicação mais relevantes em vista dos assuntos contextualizados. Que sejam atividades que atendam a todas as esferas da vida jovem, que enriqueçam o nível de satisfação dos jovens pela vida congregacional e isso se estenda para a sua vida pessoal. Não se trata especificamente atividades voltadas unicamente para o lazer apenas, mas atividades multiemprego com tarefas mistas seccionadas em momentos especiais para cada objetivo proposto.
É necessário também que se crie uma boa política de acolhimento e uma eficiente forma de inclusão e integração de cada jovem nesses projetos para que os resultados se façam evidentes e produtivos somatoriamente a cada tempo que se promova projetos futuros. Isto contribui para que tenhamos realmente a satisfação de declarar com justificativas sólidas e comprováveis que os nossos jovens de hoje são os nossos efetivos e confiáveis sucessores amanhã. Os medos de perdas e de ultrapassagem, as inseguranças e os ressentimentos de uma multidão dos líderes velhos tornam-lhes em ilhas distantes, indesejadas e os incapacita a manter vínculos de investimento real em compasso com as gerações jovens. Tenho visto tantos prejuízos por trás de tantas desculpas injustificadas que chegam às margens da mentira na tentativa de se cobrir deficiências feias notadas pela multidão.
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