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domingo, 1 de maio de 2016

NÃO ABUSE DO PODER

JEORÃO: ABUSOU DO PODER
Sentenciado nas suas entranhas.
O poder é um dos fatores que desafiam personalidade e caráter de uma pessoa. O poder é depositado nas mãos de pessoas e revela seus caminhos. Quando conduzido por sensos saudáveis, com probidade e no bom exercício da consciência e nos trilhos da coerência, o poder governa e promove o bem e a verdadeira ordem. Quando manipulado e feito dele abuso e meio alimentador da ganância, torna-se um instrumento de crueldade que pode ampliar e estender silenciosamente suas mazelas conseqüentes a terrenos antes despercebidos.

O abuso de poder somado à ganância foi o terrível e aterrorizante mal cometido por Jeorão, rei de Judá, filho do rei Josafá. Um mal que parecia uso de esperteza vantajosa, contudo lhe afundou e fez sua vida soçobrar lenta e progressivamente. Apesar de ter crescido e visto o rei seu pai Josafá haver com o bom uso do poder empreendido e realizado grandes e bons feitos, Jeorão permitiu-se escorregar para o abuso e a ganância empregando desse poder detido em suas mãos. 1Cr 21.1-20.

Aquele Jeorão, que teve o privilégio de haver subido ao trono antes ocupado por seu pai, aos seus trinta e dois anos de idade, agora de posse do poder tornou-se uma figura destemperada, imprevidente e sombria. E nos limiares de seu exercício de poder já começara a ser um monarca auto-confiante em extremo, porém miserável e cruel. E sem aperceber-se do que estava vindo nos seus próximos anos, afundou-se na prática do cinismo abusando impiamente do poder detido e confiado em suas mãos.

O rei Josafá havia deixado bem fortalecido as fronteiras do reino de Judá e uma grande e boa herança para os seus filhos, contudo deixou o trono para o seu filho primogênito Jeorão. O que a vida pessoal de Jeorão nunca havia experimentado, agora começara a sentir o gosto do poder em sua tutela. E fortalecido e consolidado no trono, iniciou a sua jornada de males e desacertos começando por matar seus próprios irmãos. Logo depois ingressou no caminho de imitar reis ímpios, cujos corações aninhavam rapinas e amontoavam para si males e tragédias.

Jeorão recebeu o poder, porém sua consistência pessoal não tinha estrutura para exerce-lo. Se sentiu atraído e afim  pelas más condutas de sucessos aparentes de outros monarcas e por elas teve sua alma engodada. Seu foco concentrou-se nas trilhas sedutoras do terreno do abuso. Uniu-se com a filha do casal Acabe e Jezabel do reino do norte. Vindo o rei Jeorão mais tarde por suas maldades o seguir o caminho inverso ao de sua sogra. Enquanto Jezabel somou injustiças e assassinato à idolatria, o seu genro Jeorão começou o seu caminho com assassinatos vindo a cair no lamaçal da idolatria.

E estando nos píncaros do abuso do poder, o imponente rei Jeorão arrastou os habitantes do seu reino para a lama movediça aparentemente fértil promovida pela extravagante alegria e o vale-tudo do culto da idolatria. O rei Jeorão agora já estava voando alto o suficiente para induzir e desviar a conduta dos habitantes de Judá e afasta-los do Livro de Deus. Até que em meio a esse clímax de aventuras, lhe sobreveio uma guerra inesperada contra o seu reino seguida de perdas e fragmentações.

Agora o poder e as forças de Jeorão começaram a ser subitamente minados e a visitação inesperada sobre si e o seu reino chegou. E logo depois juntamente a essa lhe veio às mãos uma carta escrita de um profeta que estava distante lhe dando contas das respostas conseqüentes de seus atos pessoais aparentemente cobertos de imunidades, de sua má condução do poder e de sua péssima influência sobre o seu povo por ele governado. O escritor da carta foi o profeta Elias, seguindo os padrões respeitosos no esboço de primeiro denunciar a culpa e o dolo e em seguida exarar e apresentar a sentença.

O não esperado pelo rei Jeorão no seu abuso de poder durante um exercício de curto tempo, agora começou a lhe avassalar e arrasar o seu reino através de hostilidades, invasões e perdas sobre perdas. E aquilo que Jeorão não percebeu no passado agora estava lhe vindo e quebrando limites de fronteiras e fortalezas e chegando cada vez mais perto de si. Para o rei Jeorão, nem iras e nem coragem lhe valeram e nem lhe sustentaram os ímpetos. O espelho de Jeorão estava revelando uma fisionomia de péssimo histórico irreparável de mortes de seus irmãos, não lhe sobrando espaço para acertos e nem consertos. Sua história já havia sido escrita por sua própria vida de mandos, abusos e desmandos.

Enfim, em meio ao caos e ao sufoco, o rei Jeorão chegou ao sexto ano de seu reinado, quando dores terríveis inesperadas começaram a lhe dar presença nas pontadas no estômago e intestinos. Um câncer nas suas entranhas, e o que havia sido predito na carta que recebera, agora era o quadro real e sintomático que estava desafiando seu poder monarca e consumindo diariamente suas entranhas de forma progressiva e ferozmente. Seu poder, seus privilégios, sua posição de monarca, suas honrarias e suas forças estavam agora recebendo uma paga cujo preço jamais aquele Jeorão previu receber e tampouco temeu. Jeorão parece não ter percebido que há duras sentenças que chegam ao homem por fora, mas que também existem dolorosas sentenças que surgem por dentro.

A má visão de poder que lhe subiu à cabeça seis anos atrás quando teve começado o seu reinado lhe não permitiu enxergar que há o Deus Soberano que possui uma Escritura a ser observada e um povo a ser guiado, governado e conduzido de forma que juntos, poderes e povo, alcancem os propósitos do Eterno. E dois anos depois de sucumbido nesse quadro deplorável, no seu oitavo ano de exercício de poder monarca, aos trinta e oito anos feneceu e desapareceu o rei Jeorão sem que deixasse rastro algum de lamento sobre si, e excluído foi sepultado fora do panteão real, posto que o seu povo errante já se encontrava enjoado do monarca também errante e cínico contumaz,  sem acertos e nem consertos.

Nenhum poder torna homem algum imunizado, imune, intocável, acima de contingências trágicas e demandas cruéis advindas das estradas da vida ou lhe sobrevinda em conseqüência de seus desacertos contumazes. O exercício do poder sobre pessoas pode ser um caminho promotor e sustentador de bênçãos divinas, entretanto pode ser a pedra fogueada que lhe leve aos calores de vícios perniciosos de desatinos e misérias contraídos para si e para as pessoas em sua volta. O vício de poder pode tornar-se como a embriaguez do mando e a alucinação do ópio. Só se percebe seus destroços quando as suas tragédias já não podem ser evitadas nem contidas.

Uma das recomendações bíblicas escritas pelo apóstolo dos gentios é a de que aquele que preside, o faça com cuidado. Para a liderança do povo de Deus, o modelo de condução desse povo está atrelado ao que o Livro de Deus instrui, orienta, manda, recomenda, estatui. E copiar modelos estranhos desprezando esse modelo é um peso de sentença reprovadora e uma estratégia pespontada pelo mal. Menosprezar o respeito a esse povo e subestimar o conteúdo desse Livro são atitudes e comportamentos assemelhados aos do rei Jeorão com conseqüências drásticas, cujo fim somente a eternidade pode dizer.

Receber do Senhor Deus a oportunidade honrada e o poder de conduzir o Seu povo é uma atividade eminentemente privilegiada. Muito mais honrosa e ilustre se torna quando se faz, com a ajuda de Deus, dessa oportunidade um marco de sucessos espirituais que louvem e glorifiquem a Ele e consubstanciem o respeito para com a Sua Palavra e o decoro e a elevada estima do Seu povo. Que nenhum de nós proceda como o rei Jeorão.
EvGS
www.glaukosantos.com




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

FÉ EMPRESTADA É UM DESASTRE

JOÁS SERVIU BEM, MAS ENQUANTO...
Fé emprestada tem prazo de validade.

O Senhor Deus quer que sejamos melhores a cada dia, e precisamos saber que esta verdade é uma realidade cotidiana. E por esta causa, no Livro de Deus estão registradas vidas para nos ensinar caminhos e inculcar princípios que nos orientam a buscar sermos melhores no nosso viver. A vida do rei Joás é uma que tem muito a esclarecer pontos e fatos que ocorrem no cotidiano de inúmeras pessoas que apóiam suas atitudes, ações e fé em pessoas ou coisas passageiras. Joás, filho do rei Acazias, tem uma história que elucida outras de tantas e tantas gentes ao longo dos anos.

O rei Joás teve seus primeiros anos de vida agraciados com privilégios e oportunidades ímpares e ricamente abençoados pelo Eterno Deus, desde sua infância até alguns anos de seu tempo no reino de Judá. Oriundo de uma família real e descendente de uma linhagem historicamente respeitada, o menino Joás nasceu num ambiente palaciano refinado e pomposo, entretanto alinhavado e pespontado pela impiedade, pelos desmandos, pelo destemor e pela maldade em vários sentidos.

A providência divina poupou o menino Joás de ver seu lar ser decomposto e destroçado entre família. Sua vida nos seus primeiros anos foi providencialmente poupada e preservada do extermínio familiar total e completo. O conceito de família na família do menino Joás foi literalmente rasgado pela sua avó Atalia, cujo coração abrigou a impiedade, a crueldade e a maldade, ocultas. E felizmente foi tirado do corredor do extermínio familiar e conduzido por um bondoso coração a seguir sua vida infantil tendo formação e intimidade com as coisas de Deus, na casa de Deus.

O menino Joás teve ainda o rico privilégio de ser doutrinado e mentoreado por um firme e equilibrado conselheiro de Deus, o respeitado sacerdote Joiada. O que poucos conseguem, o menino Joás teve. Foi preparado honestamente e apresentado honrosamente ao seu povo como o novo rei aos tenros sete anos de idade. Começou o caminho de uma vida promissora. Teve a sua campanha feita pelo sacerdote Joiada, que também o colocou agora como rei diante de Deus e do seu povo e promoveu a sua aliança direta com o seu povo, recebendo daí um aprovo reconhecido e aceito por unanimidade.

Os anos se passaram, e Joás como rei fez os seus primeiros anos de reinado valerem muito, mostrando coisas e feitos bons ao povo, satisfazendo o coração e a presença de Joiada. Uma coisa é demonstrarmos deliberalidade por convicões próprias, construídas sobre os lastros da legitimidade de vivência com Deus, e outra é fazermos as coisas valerem somente enquanto há a presença de alguém que respeitamos a nos acompanhar. O homem é como árvore frutífera, cada um dá os seus próprios frutos.

Enquanto o sacerdote Joiada viveu, o rei Joás foi um sucesso de gente e um espetáculo de rei. Joás foi bem e foi bom, mas até Joiada passar. Tão logo aos cento e trinta anos Joiada morreu farto de dias e tendo recebido honras reais, o rei Joás começou a descarrilar dos trilhos e virar as costas para o Senhor seu Deus e se envolver em ambiências e concordâncias de pensamentos e práticas da multidão descrente e desgovernada. Entre prioridades, a nenhuma se deve colocar Deus em comparação. Porquanto, o Senhor Deus está acima de toda e qualquer prioridade.

E os dias que se seguiram depois da morte de Joiada mostraram de fato que o Joás de então já não era bem aquele Joás que tudo de bom fez enquanto o seu conselheiro e mentor, o sacerdote Joiada, viveu. À medida que os dias de honras e respeito aferidos ao respeitado sacerdote Joiada foram ficando para trás, o rei Joás mostrava mais claramente que existia um outro Joás oculto e escondido e adormecido dentro daquele Joás que um dia foi bom e foi bem. Não agrademos a pessoas por causa de outras, mas sim por causa de nossas convicções em servirmos a Deus.

Este é o grande perigo que ronda não poucas pessoas que se apóiam em terceiros e alimentam e nutrem uma fé suposta e emprestada de terceiros. Este é um terrível mal quando se descobre que seu ponto de apoio não existe mais. Não é apenas uma questão comportamental, mas sim uma questão moral. Joás foi bem e bom, mas somente e até enquanto estava ao alcance dos olhos de seu mentor e conselheiro Joiada. Joás foi bom e fez bem somente por questões de obrigatoriedade de compromisso terreno e temporário, como um compromisso de prestação de contas para satisfazer a pessoas e destas buscar aprovação para si.

Depois da morte de seu conselheiro Joiada, tudo em Joás parece ter começado a iniciar também um processo de passagem. Joás se perdeu e envolveu-se com a multidão de incrédulos até acomodar-se com as circunstâncias e assim abandonar a Deus e levar o seu povo a se afundar em erros. E apesar de ser por várias vezes advertido, o rei Joás não deu ouvidos nem mesmo ao profeta filho de seu conselheiro, indo mais além num ato de impiedade que mais tarde veio a lhe custar a própria vida, a saber: consentiu intencionalmente e mandou expressamente matar o profeta levantado por Deus que lhe veio alertar para mudar de caminhos porque o juízo de Deus sobre si e seu reino já estava por vias iminentes a acontecer.

O mesmo desfecho final da vida do rei Joás tem sido o de não poucas pessoas que arrastam suas vidas cumprindo papéis por conveniências momentâneas, por apenas um compromisso pessoal com fatores da transitoriedade temporal, em busca de aprovações. Apesar de ter sido rei e da linhagem do memorável rei Davi, terminou os seus dias e foi sepultado na desonra erigida por si mesmo. As palavras finais do profeta que foi impiedosamente desconhecido, desmerecido e desrespeitado vieram por fim serem visitadas pelo Senhor Deus que as tomou em conta.

Em tudo da vida do rei Joás, que Deus quer que saibamos para nos fazer ser melhores, estar livres e agindo com convicções de crenças bem assentadas? Que não apoiemos nossa fé em terceiros. Que não tomemos a fé emprestada de pessoa alguma ou referencial algum. Referenciais são importantes e usados para nos ensinar moldes e nos edificar, contudo são apenas temporais, falíveis e transitórios. Que não mantenhamos nossos compromissos com Deus alimentados apenas no compromisso objetivado a satisfazer pessoas, ou nomes ou rótulos. Nossos compromissos com Deus e em servir as pessoas independem de prazos de validade por respeito ou satisfação de quem quer que seja ao nosso redor.

Nunca tome fé e convicções emprestadas de terceiros. Vida de camaleão tem prazo de validade. Nunca embase suas atitudes nos corredores de captação de aprovações humanas para satisfazer a ambiências. Valorize em primeiro plano a sua vida diante do Senhor Deus e jamais se deixe ser influenciável pelos caminhos de multidões de errantes, ainda que esses caminhos estejam em pauta nos aplausos, na moda, na média e nas mentalidades medianas. Apóie a sua fé, as suas convicções e demonstre atitudes construídas na Palavra de Deus.
EvGS




terça-feira, 29 de setembro de 2015

AONDE VÃO NOSSAS CRIANÇAS?

AONDE VÃO NOSSAS CRIANÇAS?
Doutrinamento ou passatempo?
A chamada “igreja infantil” é a base da estrutura alvo do discipulado cristão de base. Essa igreja encontra-se sob sérios riscos quase que inconfessos em termos locais. Fugir desta verdade é fechar as vistas para a realidade que vem se arrastando em igrejas locais. Formar exige muito mais do que apenas informar. A igreja infanto-juvenil está pobre e carente de doutrinação formativa e rica de passatempos informativos.

Recentemente veiculou na internet e assumiu jargão no meio evangélico a frase “Leve seu filho hoje para a igreja, para que amanhã não o busque na cadeia”. Aparentemente a frase parece soar plausível e verdadeira. Mas somente parece. Os crivos da realidade apontam para verdades evitadas. Espelham e dão contas do falseio ilusório da frase grotesca e ignorantemente jargonada e reverberizada quase que inconsciente e ausente de lucidez e ausente de responsabilidades. Jargões e declarações inconsistentes são tendenciosos e desafinados da realidade.

Estudiosos e pesquisadores cristãos competentes no assunto da pedagogia cristã infanto-juvenil, juntamente com mestres dessa área, têm trazido a lume verdades quase que ocultas a respeito dessas realidades evitadas. Vozes lúcidas e competentes têm emitido alertas sobre causas e conseqüências atinentes ao assunto. A formação sólida das futuras gerações de cristãos evangélicos em igrejas está sob sérios riscos. Hoje evitado o assunto em não poucas igrejas locais, enquanto os sinais lampejam forte, inquietante e gritantemente realidades melindrosas e que têm passado em branco na visão desatenta para quadros do Mundo.

Olhares panorâmicos do mundo cristão evangélico têm acompanhado e se munido detalhadamente dos fatos progressivos tanto de igrejas locais como das sociedades humanas, e por bons esforços buscado contribuir para orientar reparações e ajustes. “Para onde estão sendo conduzidas nossas crianças evangélicas?” “Para onde está sendo levada a igreja infanto-juvenil cristã evangélica?” “Que está sendo feito com lucidez consistente, coerente e sólido para a igreja infanto-juvenil?” são questionamentos evitados ou ainda com ínfimas respostas.

Ainda que alguém tente fugir da realidade, a igreja infanto-juvenil cristã evangélica como um todo encontra-se sob sérios riscos de descontinuidade em suas futuras gerações. A Igreja nunca foi uma porta de fast-food gospel, nem um drive-thru de fiéis a mercadinhos preferenciais da fé. A igreja infanto-juvenil vem dando sinais de assimilação de pontos da demagogia e do afastamento da intrepidez da doutrina cristã. A desatenção ao grito de hoje poderá acarretar sérios riscos irreparáveis amanhã, que certamente contribuirão para um desfecho lamentável para quadros futuros que a eternidade revelará. Vale muito questionar como foco de exame se a igreja infanto-juvenil está sendo alvo de doutrinação, ou de passatempo caracterizada e puramente religioso.

A discipulação eficiente com resultados eficazes em qualquer âmbito deve levar seriamente em conta os fatores que envolvem o processo ensino-aprendizagem, para qualquer âmbito da vida humana. A aprendizagem eficiente de conteúdos e o seu desenvolvimento eficaz se dão por fatores que envolvem as áreas cognitiva, psicomotora e afetiva. O processo ensino-aprendizagem  se realiza visando cada uma destas e os objetivos que norteiam suas didática e metodologias. Fugir destas vertentes é o mesmo que tentar tapar o sol com a peneira.

Ainda na discipulação, há ainda que se ter em conta as realidades dos campos formativo e informativo. A base objetiva da doutrinação cristã na sua completude envolve a informação e a formação. Ambas se entrelaçam, se equilibram e se concluem completando a comprovação da frutificação. A informação oferece conteúdo e a formação confere o lastro da disciplina. É uma dívida impagável para com a igreja infanto-juvenil. Tentar falsamente aplacar a consciência empregando subterfúgios desconstrutivos e fugindo de se deparar com o grito da igreja infanto-juvenil é um grave erro comprometedor e negligente. Segundo observadores cristãos, algumas dessas realidades evocam foco.

Em primeiro plano estão os excessos de atividades lúdicas encaminhando e conduzindo a igreja infanto-juvenil. Reconhecendo o valor e a importância dos recursos instrucionais, das técnicas da didática infantil, assim como as suas metodologias, é preciso que as atividades da igreja infanto-juvenil sejam pautadas e voltadas para o equilíbrio entre caráter, métodos, técnicas e objetivação. Tem sido observado que as atividades da igreja infanto-juvenil em igrejas têm assumido o maior peso em distração lúdica do que propriamente direcionada para a formação doutrinária de base.

Em segundo plano está o notado despreparo na aplicação das técnicas didáticas direcionadas para o campo formativo. As atividades da igreja infanto-juvenil tem se afastado da prioridade sobre a disciplina formativa que consubstancia, consolida e fortalece as convicções cristãs. A supervalorização e concentração na vontade unilateral de passar informações e conteúdos tem deixado em segundo plano a condução da formação. É preciso engajamento consciente de esforços permanentes e insistentes no preparo de como aplicar as técnicas didáticas visando a formação e não apenas passar informação.

Em algumas igrejas, nem sempre as atividades da igreja infanto-juvenil têm sido conduzidas debaixo de objetivos responsavelmente percebidos por lideranças e orientadores. A soma de deficiências mais a ausência de preparo, mais a falta de boa vontade responsavelmente incansável e mais fatores desmotivacionais têm acarretado e incentivado a despriorização do campo formativo. Restando apenas a saída para o preenchimento das atividades com passatempos lúdicos e distracionais, descasados do livro Bíblia Sagrada em cerca de 80% das ferramentas, dos conteúdos bíblicos e do domínio do Livro.

Finalmente, em terceiro plano está o modelo empobrecido de condução e tratamento de classes dominicais da igreja infanto-juvenil. Tem sido observado que o modelo orientado na prática da condução de classes da igreja infanto-juvenil tem equivocadamente assumido a postura e o sistema apenas de creche infantil. A igreja infanto-juvenil em igrejas locais tem recebido o tratamento característico de creche infantil. Quase sempre igrejas locais mantém sua igreja infanto-juvenil entregue em mãos de veículos cuidadores em forma de condutores de passatempo ocupacionais em ambiente religioso. O que é um erro grave e crasso esse modelo.

Nem todos os elementos orientadores que conduzem as atividades da igreja infanto-juvenil desenvolvem suas atividades por questão consciente de responsabilidades com vistas comprometidas para o futuro da igreja cristã nos tempos vindouros. Alguns desses elementos aceitam ou optam por conduzir atividades da igreja infanto-juvenil por questões pessoais estranhas e alheias aos propósitos da igreja cristã. Algumas movidas por questões pessoais de foro íntimo particular ou motivadas em função de problemas existenciais que lhes envolvem na sua individualidade.

Assim sendo, há uma esperança nos corações responsáveis de que as atividades da igreja infanto-juvenil retornem ao campo do doutrinamento e não continuem a seguirem pelos caminhos e atalhos do passatempo. Sob pena de que as gerações futuras de cristãos evangélicos não venham se afastar e se perder do conhecimento da estrutura básica do livro Bíblia Sagrada, nem das fortes convicções cristãs reformadas. A fim de fazer frente ao mundo moderno, aos requerimentos das sociedades hodiernas, aos reclames explosivos do mundo em amplo espectro de confusão, faz-se necessário encaminhar a igreja infanto-juvenil ao caminho do doutrinamento como fator preponderante e predominante na história da igreja cristã militante.

Pensemos e questionemo-nos sobre para onde estão conduzindo a igreja infanto-juvenil. Para onde ela está sendo levada. Está havendo doutrinamento formativo ou passatempo informativo para a igreja infanto-juvenil? Gerações da igreja infanto-juvenil cada vez mais rica de conhecimentos informativos e cada vez mais pobre de convicções cristãs. A frase jargonada “Leve seu filho hoje para a igreja, para que amanhã não o busque na cadeia” espelha a verdadeira realidade, ou apenas consiste num jargão à beira da ilusão falaciosa para aplacamento de consciências?
EvGS




segunda-feira, 14 de setembro de 2015

INFERTILIDADE E ESTERILIDADE.

INFERTILIDADE E ESTERILIDADE.
Igrejas na maternidade ou no CTI?

Frutificar e multiplicar são variáveis básicas na dinâmica da vida. A vida é mantida no seu panorama existencial renovável mediante a presença desses dois fatores importantes, fundamentais e insubstituíveis. Na dinâmica da vida, a renovação envolve a frutificação e a multiplicação. Frutificar e multiplicar são desafios que, além de comprovarem a existência de vida, possuem naturezas e finalidades. Nos reinos vivos, tudo que deixa de frutificar e de se multiplicar tende a definhar, a atrofiar e a morrer.

O frutificar e o multiplicar são fatores insubstituíveis e processos essencialmente trabalhosos. Nem tudo que vemos aparentemente crescer e multiplicar significa essencial e naturalmente isso. Frutificar refere-se ao que se produz e a natureza do que se se produz. E multiplicar diz-se da quantidade progressiva daquilo que se produz. Natureza refere-se à qualidade do que se faz e finalidade indica o objetivo a que se pretende atingir com o que é feito. Nem todas as mentes conseguem perceber a relação entre essas duas variáveis.

Frutificar e multiplicar são duas das finalidades basilares para as quais fomos chamados pelo Senhor Jesus. Semeamos e regamos, todavia o crescimento é o Senhor Deus quem o dá. Os fatores da frutificação e da multiplicação são conseqüentes da eficiência, da eficácia e da propriedade e do trabalho da semeadura e do cultivo. Frutificar é um trabalho individual e multiplicar é uma resultante do esforço conjunto. Nos reinos vivos, coisa ou algum frutifica e se multiplica sozinho.

Frutificar é movimento parcialmente individual (não inteiramente) e multiplicar é ação definitivamente coletiva. Há de ter sempre mais de uma parte inicial para que haja multiplicação. Frutificação e multiplicação estão relacionadas com a capacidade e o desenvolvimento e aplicação de emprenho. Desdenhar desta realidade e subestimar esta verdade é o mesmo que assinar e expedir declaração de idiotice, de tolice e de ignorância bíblica. A ausência de frutificação e de multiplicação por processos naturais indica perda ou deficiência da capacidade, do desenvolvimento e da aplicação.

E hoje em relação a igrejas, dois dos perigos silenciosos que têm provocado retrocessos e desfalecimentos de vidas e assolado igrejas são exatamente a infertilidade e a esterilidade espirituais. Hoje já notoriamente se percebe igrejas inférteis e estéreis em função de resultantes de si mesmas. E por causa da infiltração e da contumácia em “fertilizantes” e aditivos artificiais, superficiais e estranhos, temos claramente notado igrejas sossobradas na infertilidade e na esterilidade.

Igrejas que já foram maternidade e deixaram de ser. Hoje estão no CTI. Perderam suas capacidades ou se afastaram das suas habilidades, ou se divorciaram dos princípios naturais e normais de sua razão de existirem como igrejas. Perderam-se do rumo bíblico no caminho de ganhar, gerar, consolidar, discipular e enviar. Se desleixaram dos ensinos do Mestre Nazareno cujas bases estão estabelecidas em três ações lineares: Vinde, ficai e ide. Cada uma destas ações englobam e requerem trabalhos e empenho coerentes, consistentes e disciplinados, conforme o Evangelho.

Hoje estão literalmente no CTI da infertilidade e da esterilidade. Algumas delas tentam promover nomes e rotulações de marketing e outras capengando tentam se apoiar em histórias passadas e números espumantes. Nada nelas gera frutos e tampouco sustenta o que iniciou a produzir. Apesar de buscarem assimilar “fertilizantes” e aditivos artificiosos, não fertilizam e nem geram. Umas encontram-se impotentes para fertilizar e outras estão em condições incapazes ou deficientes para gerar. Umas fertilizam, mas não geram. Outras fertilizam e até geram, mas não seguram o seu fruto que por uma fase geraram. Direcionam-se para a saída de enxertos, e com isto arrastam-se em confinadas em si mesmas.

Igrejas encontram-se agonizantes e viciadas em tentativas artificializadas, outras constantemente sob o efeito de choques relâmpagos para ressuscitação e de cargas aderentes de vitaminização artificial, na tentativa de ressuscitarem ou alavancarem áreas e setores se arrastando em agonias. Coisas e artifícios estranhos ao Céu que mostram e revelam um quadro de agonias sendo maquiado por efeitos anestésicos. Não tem sido pequeno o número de igrejas que deixaram de ser maternidade e passaram a ser ocupantes de CTI em não poucos sentidos.

Algumas sendo encontradas bem vestidas, contudo deitadas respirando cuidados e sob efeitos aditivos artificiais. Apesar da aparência de números e injeções de estatísticas enfeitadas com espumas da artificialidade e o lançamento de jargões ilusionistas, igrejas sobrevivendo no desfalecimento vertical, chegando a assemelharem-se a estabelecimentos seculares em busca de equilibrar-se. Vivas segundo os ares do hall de espetáculos da ótica das aparências horizontais, contudo agonizando deitadas por insuficiência do oxigênio das originalidade, legitimidade e consistência.

E apesar da infertilidade e da esterilidade serem notória e testemunhalmente ameaças com seus efeitos bem conhecidos, são fáceis de serem ocultadas por trás de outros fatores equivocadamente substitutivos, mas que progressivamente roubam a essência do cristianismo e o espírito de Igreja nessas igrejas. Falsas estratégias nutridas com modismos e artifícios, alheios ao espírito de igreja e ao Espírito da Igreja, igrejas agonizantes tentam sustentar e publicar quadros falseados de crescimentos falsos e ilusórios.   

As coisas terrenas são imagens das espirituais. Olhando para as coisas visíveis, ganhamos alguma visão, ainda que limitada, de como são algumas invisíveis. Mas o suficiente para compreender lampejos de realidades da vida visível. No mundo visível ganhamos e temos a noção de coisas invisíveis. Por exemplo, no olhar objetivo sabemos o que é frutificação porque também temos alguma noção do que é infertilidade e esterilidade. Ambos os fatores no campo fisiológico podem oferecer noções para o campo espiritual.

Partindo da visão do campo fisiológico natural, e para que os fatores de infertilidade e esterilidade sejam entendidos, é preciso que se saiba que são o resultado de uma falência orgânica devido à disfunção dos órgãos reprodutores, dos gametas ou do concepto. E com relação a igrejas a semelhança e as dimensões são exatamente as mesmas, se dando com elementos semelhantes. Disfunções seguidas de falências sutis, múltiplas, lentas e progressivas.

Infertilidade é diferente de esterilidade. A infertilidade se dá quando não alcança a geração desejada ao longo de algum tempo de vida ativamente contínua e normal e sem objetos de mecanismos contraceptivos. A infertilidade pode ser um fator sem causa aparente. Já a esterilidade se dá quando já não tem mais como se reproduzir para continuidade, em função de fatores e elementos não tratados. Isto se dá também com igrejas.

Enquanto a infertilidade é a incapacidade de gerar, a esterilidade é a ausência de capacidade de reproduzir. É sinônimo de improdutividade. Esterilidade é ser ou estar incapaz de produzir resultados, frutos. E é preciso que se saiba que algumas síndromes, alguns fatores, algumas carências, disfunções, alterações, insuficiências, intoxicações, algum uso abusivo de algo, distúrbios, causam tanto a infertilidade como a esterilidade.

Tanto a infertilidade como a esterilidade apresentam sintomas. E estes sempre são detectados quando colocados à exames e diagnósticos não tendenciosos, levados a sério. No campo espiritual também é assim, e com igrejas não é diferente. Tanto a infertilidade como a esterilidade de igrejas também são detectáveis pelos seus sintomas. Detecta-se a presença da infertilidade e da esterilidade em igrejas através de observações analíticas, e para tanto é preciso se expor a elementos e parâmetros comparativos, ao mesmo tempo se predispor consciente e corajosamente a ser rever e consertar e reparar procedimentos e áreas.

Assim sendo, para algumas igrejas é premente e gritante a necessidade de frutificar e multiplicar. Sem os devidos e competentes tratamentos e procedimentos ensinados pelo Senhor da igreja e vividos pelos apóstolos bíblicos e pelas gerações de servos de Deus atreladas à Palavra de Deus e atentas aos movimentos dos tempos e épocas, sem isto, não há espaço para que o vale das insensibilidades, da indiferença, da desesperança, da mornidão mortífera, das brutalidades insensatas, responda com reações coerentemente responsivas e receba a vida pertinente no Reino de Deus. Sem isto, não há espaço e nem condições para frutificação e muito menos para multiplicação, nem individualmente e nem coletivamente.
EvGS




sábado, 1 de agosto de 2015

SARDES ESTAVA VIVA?

SARDES? PARECIA VIVA...
Linda, poderosa e exuberante, mas estava morta.
A auto presunção é um inimigo cruel e silencioso, cujas lentes destorcem o foco real das vistas e desestabiliza o eixo do olhar coerente com a realidade. Presunção é uma palavra deveras esquecida e pouquíssimo usual. Uma palavra que desnuda o que se imagina seja ou pareça que é. O ato de presumir não chega a ser um pecado em si mesmo, contudo é um condutor de dúvidas cruéis. A presunção tem o poder de incutir na mente algo que dista da realidade que que esse algo de fato é.

O capítulo 3 do Livro do Apocalipse é um dos avisos do Senhor Deus que nos ajudam a enxergarmos os riscos perigosos da auto presunção, ao olharmos os seus primeiros cinco versículos que falam da aparentemente linda, poderosa e exuberante igreja de Sardes. A promissora cidade de Sardes era uma das sete da Ásia Menor citadas no Livro do Apocalipse. Sardes era merecidamente aplaudida por ter sido uma das mais poderosas e ricas do mundo antigo. Suas fábricas de jóias, indústrias, seus pomares e sua extração de ouro a faziam brilhar no panorama comercial da região e inculcava o orgulho na cabeça dos seus cidadãos.

Entretanto, umas das feias realidades daquela cidade era a sua presunção. E como uma praga, a presunção estribada no orgulho assolava os seus habitantes. A igreja de Sardes não escapou daquela assolação, e por essa foi contaminada. Os crentes da igreja de Sardes absorveram a ideologia que predominava na mentalidade popular e na vida comum dos cidadãos daquela cidade, e assim prosseguia a sua vida de boa política sobre as ondas da calmaria e do sossego.

O panorama interno da igreja de Sardes parecia dizer que ela vivia uma vida de comunhão perfeita e distante de heresias e falsas doutrinas. Ela nasceu, floresceu, cresceu e se desenvolveu na cidade. Tornou-se famosa, renomada, reconhecida e aplaudida pela cidade e pelos poderes humanos que a aplaudiam. Ser crente da igreja de Sardes era sinal de possuir status de gente famosa, creditada e acima de qualquer crítica religiosa, política e social. E assim a igreja de Sardes viva o seu cotidiano em paz e sossegada na cidade. Parecia rica, poderosa e perfeita.

Entretanto, a radiografia espiritual daquela igreja não revelava exatamente isso. Um dia, bem distante dali, uma voz do Céu, como de muitas águas, veio na rochosa Ilha de Patmos e revelou o estado e as condições reais da igreja de Sardes a um homem mantido prisioneiro e exilado nela, cujo nome era João e cuja vida havia palmilhado o chão ao lado do Mestre e Senhor Jesus de Nazaré.

O apóstolo João que ouviu a voz recomendatória a escrever um livro contendo cartas às sete igrejas da Ásia Menor, enviou tempos depois os escritos às suas destinatárias. E assim fez a igreja de Sardes se tornar sabedora de sua real situação espiritual ao ter tomado conhecimento das realidades escritas sobre si. Verdades sobre uma triste e enganosa realidade que não era percebida no seio daquela igreja socialmente renomada e respeitada. Qual perplexidade aquelas escritas destinadas a si e sobre si não houvera lhe causado.  

Tanto a origem como o destinatário de cada carta estavam definidamente especificados. Não havia como alimentar dúvida alguma quanto a endereçamentos. E para a igreja de Sardes, o teor de sua realidade é aberto com um sinete de palavras inconfundíveis. Aquele que dirigiu a revelação declarou que bem conhecia quem era o responsável pela igreja, assim como sabia o que ela fazia e o que era e como estava existindo e o que estava acontecendo em seu meio.

A igreja de Sardes era alimentada pela auto presunção. Vivia de passado e de fachada. Era poderosa de nome e de fama. A sua glória residia no passado que teve. Era uma igreja que vivia apenas do “foi” e do “era”. Vivia de uma reputação horizontal invejável. A sua vida de rótulo a fazia se passar como um museu renomado e reconhecido. Sua exuberância e o seu nome ecoavam na cidade. Um esplendor entre os homens. Porém, tudo isso somente entre os homens, na sua vida horizontal entre os homens.

A igreja de Sardes, apesar de ser uma igreja e ter nome de igreja, vivia fora da realidade de igreja. Ela vivia numa condição neutra na cidade. Não era “perigosa”. Não “incomodava” a cidade. Vivia uma vida rotineira acomodada e complacente. Não vivia problema doutrinário nela. Não sofria qualquer tipo de oposição. E como resultado de um círculo vicioso de acomodação social, se tornou espiritualmente apática. Ganhou exuberância e pompa, mas perdeu o Espírito do avivamento. Elogios e admirações horizontais podem não conferir e atestar afinação com a visão vertical.

Se tornou uma igreja maquiada com aparência de viva. Caída morta no CTI espiritual. Viva socialmente entre os homens, mas morta espiritualmente. Viva horizontalmente, mas morta verticalmente. Cheia de obras, de feitos, mas sem dignidade e sem vida espiritual. Suas obras sociais e seu empenho religioso confinado e conformado a fazia a viver anestesiada por uma simulação de avivamento. Ela perdeu o espírito de sua missão. Não tinha problemas de heresias, mas não tinha problema de oposição do inferno. Acomodada em si e dentro de si, ela se desinteressou pelas almas de fora.

Ela deixou de se importar com as obras inerentes à sua missão imperativa. Tinha alegria social, mas não tinha fervor espiritual. Como igreja, ela deixou de influenciar e de temperar a cidade. Ela estava sendo vencida pelos seus próprios erros e enganos gerados e mantidos em função de sua auto presunção. Maquiada de esplendor, fachada, aparência e fama na cidade, contudo feia e morta para o Céu. Apesar de ser linda e luxuosa, sua voz como igreja cristã não ecoava na cidade. Mas veio a ela o alerta de vigilância espiritual, posto que já era bem conhecido na história da cidade, por já ter sido invadida, capturada e saqueada repentinamente por duas vezes no seu passado.

A Palavra de Deus quer nos alertar que é possível uma igreja ser e subsistir como a igreja de Sardes. Quer nos alertar que é possível uma igreja se auto aniquilar-se como a igreja de Sardes. Quer nos dizer que aparências, obras e fama podem ser apenas um esplendor horizontal, entre os homens, mas não um sinal de vida e avivamento espiritual na relação vertical. Que o hábito do comodismo espiritual e o costume do conformismo social não tomem e arrastem algum de nós para a presunção, sob pena de que presumindo estar vivo, esteja morto. Deus tenha compaixão e misericórdia de cada um de nós, e nos faça estar despertados para o real fervor e verdadeiro  avivamento espiritual.
EvGS




quarta-feira, 29 de julho de 2015

A ILUSÃO DA SOBERBA

O VIRUS DA SOBERBA
Uma virose que ilude corações e destroça vidas
Na Bíblia Sagrada escrito está que a soberba precede a ruína e o espírito altivo vem antes da queda. Na Bíblia Sagrada está a palavra “soberba” que traduz a dos textos originais, a saber: “huperephanos”, cujo sentido bíblico é “mostrar-se a si mesmo acima dos outros”, “querer aparecer ou se manifestar muito acima dos demais”. Soberba possui estreita ligação com o desdenho, a arrogância, a altivez, o orgulho (não gabardia). Nunca devemos confundir a soberba e o orgulho com a gabardia. A soberba estraga e desafora e avilta a gabardia. Toda soberba é um mal sinal indicador da presença de excessos, imoderação, inchação.

A soberba é uma ferramenta terrível que se reveste de cores variadas e se lança de modos diferentes. A soberba chega a vestir roupas da falsa humildade para se passar como se na verdade humildade fosse. Ela tem a força de se ocultar por trás de nomes, rótulos, empreendimentos, projetos, planos, gestos e falas. A soberba é como um prato que somente aparece do meio da festa para frente. A soberba sempre lampeja indicativos para dar mostras que o final da festa está chegando.

A soberba é um dos fatores com os quais pessoas têm se complicado ao longo da história humana. Gentes de todas as camadas sociais já passaram por algum inchaço da soberba. Felizes são as que saem dela sem arranhões e sem haverem sido sequeladas por ela. A soberba atrai o ódio e se assemelha a um animal perigoso cuja mordida provoca feridas profundas. Nunca se confunda entre soberba e autoridade, e entre arrogância e ímpeto. São fatores diferentes, todavia um pode abrigar o outro ou serem interpretados tortuosamente.

A soberba é um dos elementos que por vezes se coloca como causa, mas também assume posição de efeito. Fama, prestígio e poder são três elementos com os quais nem todo homem sabe lidar e equacionar os vieses de cada um deles. A soberba tem derrubado não poucas pessoas. Reis e monarcas foram sentenciados por ela, e em função da mesma tiveram perdas sobre perdas. A soberba entrou no  anjo Lúcifer. Deixou um exemplo que o tornou em Satanás. Por causa da soberba, aquele que brilhava tornou-se trevas. Aquele que somava tornou-se um divisor. Aquele que convivia em harmonia tornou-se um inimigo em si mesmo. Um exemplo resultante da soberba a ser visto por todos os mortais.

Apesar de todos os exemplos e fatos, a síndrome de Lúcifer, continua encontrando guarida em não poucos corações. Os anos se passam, e aqui e ali e acolá vezes por outras surgem pobres corações contaminados pelo vírus da soberba. A soberba tem descarrilado não poucas vidas. Já destruiu elos da comunhão. Por causa de soberbas,  profetas, escribas, apóstolos e discípulos já foram feitos vítimas delas. Hoje continua vitimando pessoas do altar. Pregadores e cantores que um dia já foram servos, hoje vitimados pelo vírus da soberba se tornaram senhores opulentos pelos inchaços dela.  

A humildade e a predisposição para ela existe. E nunca terminemos de acreditar na existência da humildade, mesmo quando a falsa regra tenta ditar que a soberba faz parte da normalidade e nunca cai de moda. Nenhum espetáculo da soberba se sustém de pé e tampouco vai muito longe, posto que cedo ou aparentemente tarde a própria soberba corroerá o fio do equilíbrio ou desarticulará os mosquetões do picadeiro dela mesma. Sem que se perceba, silenciosa e progressivamente a soberba abate e faz o soberbo despencar do espetáculo.

A soberba manifesta numa vida jovem é bem mais fácil de ser perdoada e corrigida do que quando se instala num  coração maduro. Aquela porque poucas quedas tiveram que a entalhasse cortes e esta porque pelo tempo de experiências e vivências já deveria ser mestra em fugir dela por conhecer as dores de seus cortes. A soberba trai a pessoa do soberbo pela sua própria altivez e o prende em malhas da rede de demagogias. Quase sempre os soberbos são amantes da falsa coragem e da demagogia.

Os males do ufanismo e do gigantismo da soberba têm causado desperdícios e prejuízos em tribunas e púlpitos. Assim como feito danos em não poucos corações entre públicos. E quando a ignorância menospreza conselhos sábios e despreza as linhas bíblicas, mais as cópias da soberba se reproduzem nutrindo a mediocridade. Todo soberbo possui coração litigioso e espírito contendor. Da queda da soberba, dificilmente o soberbo sai ileso do poço dela e mais difícil ainda se levanta sozinho do fosso de vergonha que o abrigou nela.

A Bíblia Sagrada ainda está dizendo e aconselhando, instruindo e orientando, batendo e enfatizando, a que nenhum homem seja soberbo. Todo soberbo enquanto no seu auge cria e abre caminhos desaforados enquanto com isto fecha portas da compaixão e cerra portões para a misericórdia. Quem nunca enxerga os perigos da soberba é o próprio soberbo enquanto exaltado pela altivez dela.

Soberbos se contentam com escudos de cobre e desmerecem o alto valor e significado de escudos de ouro. Para o soberbo, tanto faz o brilho de um como o reluzir do outro. Para o soberbo, a diferença das coisas está apenas no campo seletivo interesseiro dele. O soberbo apenas visa tronos, status e posição, e as demais coisas somente se essas convergirem para o seu campo de interesse pessoal que contente e satisfaça a si. Ao soberbo o que mais importa é que haja brilho imediato diante de si.

Alguns antes de se tornarem soberbos começam nas profundezas da lama. Outros começam sobre tamancos alheios. E do meio para o fim sempre ambos buscam estar nos píncaros da altivez arrogante e sempre desconhecem aqueles que lhes emprestaram tamancos enquanto nos seus dias calçados com sandálias da falsa humildade e das aparências. A soberba despreza o sacerdócio alheio, denigre e avilta a legitimidade de quem na simplicidade, no suor e em lagrimas abriram caminhos antes dos que vêm depois.

Que nenhum de nós venha desprezar o vinho da simplicidade e se embriagar com o mosto da soberba. Que nenhum de nós venha abandonar o azeite perfumado da humildade e se lambuzar com a graxa fétida da soberba. A soberba que derribou o anjo Lúcifer até hoje continua enlameando e fazendo gentes despencar. Uma sugestão amiga: Fuja da soberba enquanto ela esteja apenas rondando a varanda do seu orgulho e a sala da sua gabardia. Ainda prevalece e deve predominar a simplicidade e a prudência ensinadas pelo Mestre da Galiléia.
EvGS