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sábado, 1 de agosto de 2015

SARDES ESTAVA VIVA?

SARDES? PARECIA VIVA...
Linda, poderosa e exuberante, mas estava morta.
A auto presunção é um inimigo cruel e silencioso, cujas lentes destorcem o foco real das vistas e desestabiliza o eixo do olhar coerente com a realidade. Presunção é uma palavra deveras esquecida e pouquíssimo usual. Uma palavra que desnuda o que se imagina seja ou pareça que é. O ato de presumir não chega a ser um pecado em si mesmo, contudo é um condutor de dúvidas cruéis. A presunção tem o poder de incutir na mente algo que dista da realidade que que esse algo de fato é.

O capítulo 3 do Livro do Apocalipse é um dos avisos do Senhor Deus que nos ajudam a enxergarmos os riscos perigosos da auto presunção, ao olharmos os seus primeiros cinco versículos que falam da aparentemente linda, poderosa e exuberante igreja de Sardes. A promissora cidade de Sardes era uma das sete da Ásia Menor citadas no Livro do Apocalipse. Sardes era merecidamente aplaudida por ter sido uma das mais poderosas e ricas do mundo antigo. Suas fábricas de jóias, indústrias, seus pomares e sua extração de ouro a faziam brilhar no panorama comercial da região e inculcava o orgulho na cabeça dos seus cidadãos.

Entretanto, umas das feias realidades daquela cidade era a sua presunção. E como uma praga, a presunção estribada no orgulho assolava os seus habitantes. A igreja de Sardes não escapou daquela assolação, e por essa foi contaminada. Os crentes da igreja de Sardes absorveram a ideologia que predominava na mentalidade popular e na vida comum dos cidadãos daquela cidade, e assim prosseguia a sua vida de boa política sobre as ondas da calmaria e do sossego.

O panorama interno da igreja de Sardes parecia dizer que ela vivia uma vida de comunhão perfeita e distante de heresias e falsas doutrinas. Ela nasceu, floresceu, cresceu e se desenvolveu na cidade. Tornou-se famosa, renomada, reconhecida e aplaudida pela cidade e pelos poderes humanos que a aplaudiam. Ser crente da igreja de Sardes era sinal de possuir status de gente famosa, creditada e acima de qualquer crítica religiosa, política e social. E assim a igreja de Sardes viva o seu cotidiano em paz e sossegada na cidade. Parecia rica, poderosa e perfeita.

Entretanto, a radiografia espiritual daquela igreja não revelava exatamente isso. Um dia, bem distante dali, uma voz do Céu, como de muitas águas, veio na rochosa Ilha de Patmos e revelou o estado e as condições reais da igreja de Sardes a um homem mantido prisioneiro e exilado nela, cujo nome era João e cuja vida havia palmilhado o chão ao lado do Mestre e Senhor Jesus de Nazaré.

O apóstolo João que ouviu a voz recomendatória a escrever um livro contendo cartas às sete igrejas da Ásia Menor, enviou tempos depois os escritos às suas destinatárias. E assim fez a igreja de Sardes se tornar sabedora de sua real situação espiritual ao ter tomado conhecimento das realidades escritas sobre si. Verdades sobre uma triste e enganosa realidade que não era percebida no seio daquela igreja socialmente renomada e respeitada. Qual perplexidade aquelas escritas destinadas a si e sobre si não houvera lhe causado.  

Tanto a origem como o destinatário de cada carta estavam definidamente especificados. Não havia como alimentar dúvida alguma quanto a endereçamentos. E para a igreja de Sardes, o teor de sua realidade é aberto com um sinete de palavras inconfundíveis. Aquele que dirigiu a revelação declarou que bem conhecia quem era o responsável pela igreja, assim como sabia o que ela fazia e o que era e como estava existindo e o que estava acontecendo em seu meio.

A igreja de Sardes era alimentada pela auto presunção. Vivia de passado e de fachada. Era poderosa de nome e de fama. A sua glória residia no passado que teve. Era uma igreja que vivia apenas do “foi” e do “era”. Vivia de uma reputação horizontal invejável. A sua vida de rótulo a fazia se passar como um museu renomado e reconhecido. Sua exuberância e o seu nome ecoavam na cidade. Um esplendor entre os homens. Porém, tudo isso somente entre os homens, na sua vida horizontal entre os homens.

A igreja de Sardes, apesar de ser uma igreja e ter nome de igreja, vivia fora da realidade de igreja. Ela vivia numa condição neutra na cidade. Não era “perigosa”. Não “incomodava” a cidade. Vivia uma vida rotineira acomodada e complacente. Não vivia problema doutrinário nela. Não sofria qualquer tipo de oposição. E como resultado de um círculo vicioso de acomodação social, se tornou espiritualmente apática. Ganhou exuberância e pompa, mas perdeu o Espírito do avivamento. Elogios e admirações horizontais podem não conferir e atestar afinação com a visão vertical.

Se tornou uma igreja maquiada com aparência de viva. Caída morta no CTI espiritual. Viva socialmente entre os homens, mas morta espiritualmente. Viva horizontalmente, mas morta verticalmente. Cheia de obras, de feitos, mas sem dignidade e sem vida espiritual. Suas obras sociais e seu empenho religioso confinado e conformado a fazia a viver anestesiada por uma simulação de avivamento. Ela perdeu o espírito de sua missão. Não tinha problemas de heresias, mas não tinha problema de oposição do inferno. Acomodada em si e dentro de si, ela se desinteressou pelas almas de fora.

Ela deixou de se importar com as obras inerentes à sua missão imperativa. Tinha alegria social, mas não tinha fervor espiritual. Como igreja, ela deixou de influenciar e de temperar a cidade. Ela estava sendo vencida pelos seus próprios erros e enganos gerados e mantidos em função de sua auto presunção. Maquiada de esplendor, fachada, aparência e fama na cidade, contudo feia e morta para o Céu. Apesar de ser linda e luxuosa, sua voz como igreja cristã não ecoava na cidade. Mas veio a ela o alerta de vigilância espiritual, posto que já era bem conhecido na história da cidade, por já ter sido invadida, capturada e saqueada repentinamente por duas vezes no seu passado.

A Palavra de Deus quer nos alertar que é possível uma igreja ser e subsistir como a igreja de Sardes. Quer nos alertar que é possível uma igreja se auto aniquilar-se como a igreja de Sardes. Quer nos dizer que aparências, obras e fama podem ser apenas um esplendor horizontal, entre os homens, mas não um sinal de vida e avivamento espiritual na relação vertical. Que o hábito do comodismo espiritual e o costume do conformismo social não tomem e arrastem algum de nós para a presunção, sob pena de que presumindo estar vivo, esteja morto. Deus tenha compaixão e misericórdia de cada um de nós, e nos faça estar despertados para o real fervor e verdadeiro  avivamento espiritual.
EvGS




terça-feira, 16 de julho de 2013

PAULO: um apóstolo novo convertido.

Paulo: um apóstolo.
Um novo convertido sempre!
Estamos vivendo dias de complexidades. Dias nos quais muitos elementos estão sendo observados sob diferentes aspectos, e alguns de difícil compreensão. Apesar dos muitos esforços na busca de simplificações, ainda assim as complexidades se levantam chamando, atraindo e prendendo atenções.

O chique e elegante é ser complexo, difícil. Um erro crasso, e de certa forma contraditório aos caminhos da vida cristã. E parece que para alguns o ser simples está sendo um sinal de ser ordinário, desprezível, mesquinho, medíocre e vil. Lamentavelmente a simplicidade está sendo subestimada e desprezada. Parece que o atraente é ser difícil, complexo. E o ridículo é estar sendo simples.

A simplicidade do Evangelho do menino nascido na manjedoura em Belém de Judá e mais tarde do homem nazareno vituperado na cruz do Calvário está sendo literalmente subestimada e desprezada pelas mentalidades que amam e se deleitam em complexidades. De tanto apego a complexidades, complicam a simplicidade exposta e ensinada no Evangelho da graça de Deus aos homens.

Por contas disso, coisas ao longo dos últimos vinte anos vêm aos poucos sendo desprezadas, sendo lentamente substituídas, suplantadas, sob a força e a égide do querer e do preciosismo de desejar. Sutilmente, elementos estranhos intencionam a perda da conexão com aquelas originais mostradas e comprovadas nos legados que temos recebido.

Cada vez os títulos e rótulos de hoje parecem estar desconexos e incoerentes dos sentidos de que deveriam ser à luz da Palavra de Deus. Linhas de pensamentos tendenciosos trafegando na contramão dos princípios nos ensinados no Evangelho de Cristo. A simplicidade nos referenciais do passado nos deixa perceber o grande poder das coisas pequenas, fracas e desprezíveis, segundo as vistas humanas.

Olhamos para os referenciais do passado, e encontramos um dentre os demais nos quais podemos nos espelhar em sua simplicidade – o apóstolo Paulo. Apesar de ser poderoso em palavras e obras, de não ter sido um tribuno, Paulo se mantinha firmado sobre os lastros da simplicidade.

A vida, o ministério e as obras do apóstolo Paulo têm sido apreciados, elogiados, reconhecidos, aplaudidos. Meritoriamente assim o tem, assim como têm sido de um forte estímulo para os filhos de Deus. E com propriedade e certa medida de autoridade espiritual ele nos estimula nos seus escritos a imitá-lo. Imitar a Paulo é um caminho permeado de desafios em todos os sentidos para obreiros e ministros do Evangelho neste século.

Olhar para a vida, o ministério e as obras do apóstolo Paulo é ter o privilégio e a oportunidade de poder ser, ter, exercer e manter um ministério pessoal saudável e edificante, ainda que não se possa servir de agrado e polidez a todos. Afinal em todo tempo esses elementos horizontalmente relacionais sempre receberam interpretações das mais diversas. Entretanto há de se admirar e se levar em conta tanto a maturidade cristã do apóstolo Paulo como os seus outros fatores pessoais.

O legado do apóstolo oferece marcos bem definidos que podem nos influenciar e seguramente nos direcionar a que cheguemos bem ao bom final que a nós está proposto. Se predispor a imitar a Paulo é sinal de alerta à prontidão para um viver em simplicidade. É ser como um apóstolo na maturidade e ao mesmo tempo sendo um novo convertido no fervor leal ao Senhor e no apego fiel às coisas de Deus.

Vemos em Paulo um apóstolo experimentado e maduro. Mas também enxergamos nele um novo convertido na busca de ser leal, fiel, entusiasmado, avivado, resignado. Quantas vezes ouvimos que o primeiro amor é patente na vida dos novos convertidos. Pois é, Paulo era assim. Cresceu e “deixou as coisas de menino”, entretanto permaneceu crescendo e mantendo o garbo e entusiasmo no fervor de um novo convertido.

Apesar de ser um apóstolo experimentado e bem vivido nos caminhos pelos quais passa todo homem de Deus, Paulo não se deixou, não se permitiu, ser coberto pelas “cascas”, mazelas, restolhos e rescaldos das lutas e das malícias que surgem nos caminhos da vida. Apesar de ser um apóstolo, lidando e interagindo com vários tipos de personalidades e labutando entre diversos ambientes, Paulo se manteve com o entusiasmo de um novo convertido sempre!

Estamos num tempo em que as interações relacionais estão exigindo de nós o exercício inteligente do bom senso e do equilíbrio na aplicação de cuidados comprometidos com a sinceridade, com a verdade e com a ética cristã. E jamais  deixar nos perder da simplicidade no fervor e no entusiasmo de novos convertidos. Ainda que por vezes os veios da malícia queiram e forcem invadir e enfraquecer o nosso espírito varonil. 

Um tempo permeado de fatores contrários e contraditórios aos princípios ensinados no Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Num tempo que desafia chamadas e vocações dadas pelo Senhor aos seus obreiros e ministros da Sua casa. Continuemos revestidos e exercendo da autoridade espiritual nos outorgada pelo Senhor, entretanto nos espelhando nos conselhos paulinos a nós obreiros e ministros no Santuário.

Em quaisquer posição, cargo e função que estivermos e exercermos, precisamos nos manter alimentados com espírito varonil, de novo convertido. Amando a simplicidade sem nos deixar ser temerosos ou contaminados pelas ostentações das complexidades e nem pelos visgos das malícias que chegam diante das nossas vistas ou ao alcance de nossos ouvidos.
PbGS





domingo, 14 de agosto de 2011

“Quanto ao irmão Apolo,...”.


1Co 16.12 – “Quanto ao irmão Apolo,...”.
Nobrezas de uma vida edificante e determinada.

Existem vidas que são extremamente úteis e produzem edificação em outras. E por possuírem um profundo sentimento somado a uma completa convicção, consciência e razão lúcidas de suas capacidades e habilidades, dentro da vontade de Deus realizam muito do que podem com o pouco que recebem, valorizando as oportunidades que têm. E olhando para essa verdade, percebemos que não basta apenas sermos úteis. É preciso mais, cabe-nos ir sempre um pouco mais além.

É preciso que tenhamos em mente que nossas vidas devem ser mais do que rotineiramente úteis. É imprescindível que possuamos sentimento e convicções conjugados no que somos e no que realizamos. É indispensável que mantenhamos a consciência e a razão centradas no Senhor que nos equipa com as capacidades e habilidades próprias para realizarmos dentro de Sua vontade o muito com o pouco que recebemos, aproveitando e valorizando as oportunidades que temos. Temos que ancorar a consciência e a razão seguras de que somos apenas o meio e que somente o Senhor Deus é o fim.

O Senhor nosso Deus emprega nossas vidas como meios na Sua grande obra para Ele atingir os Seus fins. Jamais devemos confundir essa verdade e nunca nos arrisquemos a trilhar outro rumo, sob pena de cairmos no triste engano de que seríamos o fim e não os meios. Cada um de nós tem os seus lugar e colocação, as suas próprias características, suas capacidades individuais, suas facilidades em habilidades. Na obra de Deus, enquanto um planta, outro rega e  somente o Senhor nosso Deus é quem dá o crescimento.

E o Senhor nosso Deus leva em conta esses fatores residentes ou predispostos em nós, e nos emprega como a ferramentas específicas na Sua grande obra. Ignorar esses fatores é hostilizar individualidades, é desconhecer o agir de Deus, é desconsiderar particularidades e assim causar desastres e promover prejuízos para a obra de Deus. Deus quer nos usar no que somos e com o que temos. As chaves das realizações são do Senhor e estão abrindo portas cooperando por vezes com as nossas vidas, talentos e capacidades.

E para tanto, Ele nos capacita e nos permite gerenciar o pouco que recebemos para fazermos realidade o muito que podemos fazer nas oportunidades que Ele nos presenteia. E visto que o norte de nossas realizações deve estar dirigido, afinado e aferido para a glória e majestade do Senhor nosso Deus, tudo que fazemos, o façamos integralmente para louvor do precioso nome dEle, assim como para produzir edificação em outras vidas.

Dentre as vidas extremamente úteis que realizam muito com o pouco que recebem esteve a de Apolo. E olhar direta e especialmente para vida daquele nobre servo de Deus registrada na Bíblia Sagrada é perceber a consciência e a razão de que o Senhor nosso Deus espera o melhor de nós com o que Ele nos presenteia. Notamos que não basta apenas saber o que temos, é preciso aproveitar e gerir bem isso nos aplicando para realizarmos muito no que podemos.

Apolo foi uma dessas vidas para a qual podemos dirigir sobre ela os nossos olhares com carinho e admiração pelo referencial de lições cativantes que oferece. Quanto ao alarde gratuito de expectativas levantado por alguns crentes em torno do nome e conseqüentes da obra de Apolo, nenhuma culpa referente a pensamentos divididos por preferências pessoais entre os crentes coríntios poderíamos atribuir incisiva e contundentemente a ele. Visto que em todo tempo cada coração nos públicos sempre se identifica e simpatiza com aqueles a quem naturalmente apreciam e sobriamente elegem e os consideram como seus favoritos. Cada pessoa se revela e é distinguidamente notada naturalmente.  

O pequeno conteúdo escrituristicamente resumido sobre Apolo é bastante para conhecermos um pouco do que aquele nobre irmão em Cristo foi na sua existência. Tanto as linhas que o descrevem como as que fazem ligeira citação de seu nome, são suficientemente nobres para que da vida de Apolo possamos extrair bons exemplos e edificantes lições intemporais e incentivadoras. Ter a vida de Apolo somada com a de outros referenciais incentivadores é obter encorajamento para vencer e avançar servindo cada vez melhor e mais legitimamente ao Senhor nosso Deus com o que temos.

A vida de Apolo foi nobre porquanto possuiu consideráveis pontos de nobreza que a coroaram e a fizeram com que fosse nobremente distinguida. Se a vida e ministério pessoais de Apolo foram alvo de fortes e excelentes investimentos recebidos, isso foi uma questão sua de senso e inteligência piedosos e de percepção das demandas da vida que requereriam as suas constantes dedicação e aplicação. Problemas conseqüentes de preferências pessoais sempre surgem, mas também sempre são resolvidos com a aplicação apropriada de bom senso, inteligência e tato orientadores e instrutivos.

Vejamos esses pontos de nobreza da vida de Apolo que podem conferir significado às nossas vidas e torná-las mais extremamente úteis e mais nobres.

1 - A nobreza de sua chegada e apresentação.

Apolo chegou a Éfeso apenas como um cidadão judeu, natural de Alexandria do Egito.  At 18.24a. A chegada dele causou impacto natural e digno que a levou a ser registrada no Livro de Deus. Apolo não estava oficialmente registrado entre os profetas e mestres da igreja no seu tempo, nem existe o claro registro de quem o enviou a Éfeso para ficar ali, nem muito menos de uma carta de recomendação a seu respeito para aquela empreitada.

Entretanto sabemos com claridade que Apolo chegou naquela importante e desenvolvida cidade da época comprovando através de suas obras o seu histórico pessoal e o seu propósito de nela pregar e ensinar com verdade e fidedignidade acerca de Jesus e saiu dela para Corinto bem recomendado.

A nobreza de sua chegada estava expressa na sua apresentação notada por outros. Uma chegada digna e nobre não deve coisa alguma exclusivamente ao marketing de publicidade impetrado pelos que a apresentem, e sim às qualificações e características pessoais comprovadas, competentes e testemunhadas daquele que as possui. A apresentação de Apolo em Éfeso não foi exponencialmente arranjada ou publicitariamente promovida, porém notada na pessoa que ele era e no que ele fazia.

Não chegou a Éfeso uma grande figura apoiada nos anúncios e lançamento dos arrojos coloridos da propaganda e das montagens de arranjos de chamadas e vinhetas. Nenhum de nós precisa ser projetado com um grande nome, mas tudo que cada um de nós deve é fazer jus à simples identidade que temos revelada no que somos e realizamos para a glória de Deus por meio de Jesus Cristo. Por outro lado, muito menos chegou um aventureiro falante ou um falador ambulante.

Apolo não visitou a cidade de Éfeso. Apolo chegou a Éfeso. Chegou um homem com um histórico de qualificações e características conhecidas e comprovadas. Não chegou a Éfeso um cidadão falante e desconhecido, de histórico sombrio e duvidoso, um vendedor mercadejando discursos religiosos profissionais com o intento de viver naquela cidade às custas das igrejas e de “atividades profissionais de pregar e ensinar”. Sua chegada e apresentação foram testemunhadas, honradas e dignas de serem registradas na Bíblia Sagrada.

2 - A nobreza de sua eloqüência.

A boca daquele nobre pregador falava abundantemente com propriedade notória o que estava no seu coração repleto e completo de profundo sentimento conjugado a uma firme convicção no que cria, no que era e no que fazia. A pregação e o ensino ministrados por Apolo tinham a forte marca transparente do fervor original, legítimo, real e verídico de sua própria vida dedicada e aplicada.

Apesar de inicialmente sua pregação e ensino estarem incompletos, supriram o efeito desejado e não possuíam o propósito de serem meras demonstrações de falatórios retóricos, discursos simplesmente condicionados pelas técnicas da oratória com vistas a disseminar informações ou exposições de mostra do seu domínio de conhecimentos para demonstrar apenas erudição interesseira e ganhar e cativar seguidores para si.

Apolo era um homem culto (aner logios), um homem hábil na retórica, na aplicação de raciocínio, capaz na sua erudição de palavras e conhecimentos. Apolo era de estilo eloqüente e de presença carismática, uma ferramenta poderosa que o Senhor nosso Deus estava usando para somá-la ao trabalho de outros crentes pregadores e ensinadores. Isso de certa forma assumiu um contraste com a pessoa do apóstolo Paulo e sua atuação de pregação e ensino nas ministrações, visto que Paulo na sua simplicidade e humildade preferiu cumprir o seu ministério apoiando-se na persuasão unicamente pelo poder do Evangelho demonstrado.

Enquanto Apolo estava sendo útil através da aplicação de persuasão de palavras de sabedoria pela oratória e retórica com o fim de alcançar as camadas mais cultas entre o povo. Ambos foram grandes ferramentas evangelizadoras somadas uma a outra, tanto Paulo como Apolo, acrescentando e reconhecendo a Paulo como uma ferramenta também extremamente doutrinadora. 

Muitas pregações e ensinos têm sido literalmente rejeitados, apaticamente vomitados; causam náuseas, ojerizas e enjôos, não pelo conteúdo que possuem e nem pelas aplicações e resultados que pretendem, todavia pela razão de estarem friamente divorciados e desconexos da vida incoerente do seu ministrante. Púlpitos sagrados assemelhados a parlatórios de mostras oratórias profissionais e falas discursivas cheiram mais a currais religiosos veiculadores de engano e hipocrisia e cativadores de interesses ocultos do que simplesmente a promotores do bom perfume de influência e convencimento do Evangelho de Cristo.

A eloqüência de Apolo vinha de um profundo sentimento aliado a uma completa e verdadeira convicção de sua fé e obra. A eloqüência dele não era descasada de sua vida, de seu coração e de seu investimento pessoal e piedoso. Ela não era produto incendiário e atiçador de “fogo-de-palha” para promover impacto e atender momentaneidade nos seus ouvintes.

A eloqüência de Apolo muito menos consistia de discursos ou debates promotores de divisão e dissensão, mas de conteúdo e condução extremamente eficazes em argumentação esclarecedora, demonstração de provas, elucidação de fatos escriturísticos, riquezas de detalhes comparativos consistentes e convincentes.

3 - A nobreza de ser poderoso nas Escrituras. 
    
Esse é o tipo de poder que não é adquirido a curto prazo. Esse é o tipo de poder que é duradouro e jamais eventual. Esse tipo de poder é nobre porque é colhido no que se tem plantado efetivamente na dedicação aplicativa ao longo dos anos. Esse é o tipo de poder que não nasce isolado dos nossos frutos e experiências, nem está restrito a conjunturas lógicas e a técnicas de expressão da fala. É o resultado nobre da soma de esforços disciplinados – isso tem um alto preço, custa caro, não é automático e nem mecânico -.

Apolo era vigoroso (dynatos) no domínio de conhecimento no Antigo Testamento. Sua pregação e seu ensino começaram assim, e ele utilizava disso para fundamentar suas exposições e ministrações com mais exatidão acerca de Jesus Cristo.  

Apesar de Apolo ter iniciado a sua empreitada de pregação e ensino com sucesso, ele tinha apenas alguns poucos conhecimentos básicos sobre a pessoa e obras do Senhor Jesus Cristo, mas o acúmulo de bastante conhecimento e grandes experiências nas Escrituras somados à autoridade lhe concedida pelo Espírito Santo o fizeram ter êxito no seu sincero e transparente trabalho de pregação e ensino.

Para começar não é necessário se ter muito, contudo o pouco sólido e consistente que se tenha seja o resultado real, verdadeiro e legítimo da soma de fatores e virtudes que nos ofereçam base para realizarmos o que o Senhor Deus quer que façamos para a Sua glória.

4 - A nobreza de ser instruído no caminho do Senhor. 
      
A visão geral de algumas pessoas hodiernas do mundo gospel tende mais a ser teórica, clássica e categoricamente religiosa, do que ser propriamente prática de experiências trabalhadas no caminho do Senhor Jesus. Aqui notamos que Apolo dominava o conhecimento da letra e do Espírito da Palavra. Ele era esclarecido e ensinado na letra escrita da Palavra e na orientação do Espírito da Palavra.

Apolo não visava uma vontade expressiva de expor a bela e consistente bagagem de conhecimentos e informações teóricas para mostrar e oferecer seu repertório aos ouvintes. Ele vivia o que ensinava e isso coroava o seu trabalho com virtude e autoridade para ser ouvido. Apolo não estava em busca de aplausos e sim em tarefa de pregação e ensino diligentes para a salvação de almas.

Na mentalidade de alguns crentes da atualidade o ser instruído é doloroso e árduo de mais e de pouco significado e de quase nenhuma relevância. Buscar títulos e posições e demonstrar bagagem de informações e conhecimentos são o afã de muitos corações. Tomar ou fazer parte de um grupo de congregados pelos encontros e reuniões rotineiros em substituição da instrução parece estar sendo inteiramente suficiente e completamente satisfatório. Ser instruído é uma qualidade pouco popular entre os crentes atualmente. Ser instruído é muito mais do que ser vocacionado, chamado, treinado, nas coisas e trabalhos do templo.

5 - A nobreza de seu notável fervor.

Apolo era fervoroso no espírito, e esse fervor era notável na sua empreitada de pregação e ensino a respeito de Jesus. Esse tipo de fervor revela a seriedade, a consistência, consubstanciadas nos sentimentos conjugados às convicções. Esse tipo de fervor em coisa alguma significa ou se assemelha a fanatismo ou intolerância ou linha de rigidez na tentativa de mostrar um painel de emoções misturadas a falas.

Esse tipo de fervor tem estado ausente de vidas e de alguns púlpitos na atualidade. Dificilmente hoje são encontrados vidas e púlpitos equilibrados no que crêem, no que são, no que contêm, no que fazem e no que expressam. Lamentavelmente os extremos se mostram em ou serem por um lado ardentemente desastrados e desalinhados ou por outro friamente polidos, classicistas e conservadores.

Felizes são vidas consistente e apropriadamente instruídas e púlpitos que são notavelmente sábios, maduros, repletos de fervor e entusiasmo, equilibrados no viver cotidiano, nos conteúdos e nas práticas da pregação e do ensino.

6 - A nobreza da exatidão de sua pregação e seu ensino.

Exatidão no conhecimento, na compreensão e na demonstração acerca de Jesus Cristo, expressam o caráter de fidedignidade e diligência nos trabalhos que se realiza. Temos ouvido pregações e ensinos que revelam o desleixo, a negligência, a inconsistência, o descaso, a falta de aplicação e a ausência de dedicação, expressos na superficialidade dos conteúdos e na artificialidade da execução.

Algumas pregações e ensinos fantasiados pelas riquezas da oratória e da retórica, todavia desvinculados da essência da mensagem do Cristo Vivo e Redentor. Sofistas profissionais, disseminadores de argumentos aparentemente válidos, porém no seu bojo possuem o fim de enganar e iludir os ouvintes, esconder a realidade da vida do orador, do preletor, do ministrante, ou melhor dizendo, do simplesmente falador.

O empenho na busca da exatidão acerca dos assuntos que se prega ou ensina é um trabalho esforçado, acurado, diligente, disciplinado e seguro, e resulta em frutos de um labor no qual não se engana. É ir além e acima da simples visão convencional. A pregação e o ensino com exatidão são resultantes de um trabalho dedicado de crivo, de examinação e avaliação.

A pregação e o ensino com exatidão não são “farofas” de falas e “profetadas avivamentistas”, servidas para preencher o tempo e iludir mentes. Deus não tem compromisso com as falações de “profeteiros”, de “farofeiros de falas”, cujas mensagens e jargões “fervorentos” intentam estimular suadouros e impelir sinais estranhos ao Espírito do Senhor. 

7 - A nobreza de sua humildade.

Existem muitas palavras que seus significados, seus sentidos, são equivocadamente confundidos, talvez o desconhecimento e a ignorância contribuam para isso. Humildade é uma dessas palavras que sofrem a força da confusão equivocada. É preciso saber identificar a verdadeira humildade e discerni-la da falsa, pretextuosa e interesseira. A humildade de Apolo era verdadeira e foi expressa através do seu zelo em se submeter a aprender mais ao ser convidado a visitar a casa de um casal de crentes extremamente piedosos, servos de Deus e servidores da igreja.

Assim que Priscila e Áquila ouviram a pregação e o ensino de Apolo, se interessaram por ele e o chamaram a parte em separado para que eele fosse estar na casa daquele casal de crentes. Apolo aceitou o convite e foi complementar a bagagem de seus conhecimentos acerca de Cristo com aquele casal. O bom perfume de Cristo em cada um de nós faz com que sejamos identificados nEle através do que somos e do que fazemos.

As explicações e esclarecimentos recebidos de Priscila e Áquila contribuíram para que Apolo se tornasse melhor ainda nas suas tarefas de pregação, debates e ensino, visto que resultaram em fazer com que Apolo muito auxiliasse os demais crentes de outras cidades. A idoneidade, os conteúdos, a capacidade, o denodo e a humildade de Apolo o identificaram com os demais crentes e logo foi animado e recomendado pelos irmãos a seguir o seu ministério sendo útil também em outros lugares e a outras vidas.

Nunca sabemos ou dominamos todos os assuntos inteira e completamente. Sempre existe alguém que pode somar alguma coisa à bagagem que cada um de nós possui. É inicialmente o bastante estarmos abertos e predispostos a colher e examinar o que chega diante dos nossos olhos e na presença dos nossos ouvidos. Ninguém faz tudo, visto que sempre restará alguma coisa mais a ser feita por nós ou por alguém mais. Apolo se tornou melhor, mais poderosamente conclusivo, mais eficiente no seu trabalho e mais eficaz nos seus resultados porque aplicou sua humildade à sua bagagem e se ateve em muito ajudar outras vidas.

8 - A nobreza de sua firmeza e discernimento.

É preciso que cada um saiba o que é e o que realiza no Corpo de Cristo, mas também é necessário que cada uma dessas pessoas estejam seguramente conectadas ao fio principal dos propósitos do Corpo. Não basta apenas levar em conta o que somos e focar e fazer valer o que fazemos como se construíssemos um empreendimento solto da estrutura principal e desaprumado ou desalinhado a ela.

Certamente que são encontradas várias e diversificadas individualidades, muitas e variáveis maturidades e visões. Entretanto, melhor é conhecer e estar ladeado de uma pessoa como Apolo. Transparente nas atitudes e no fervor, firme nas vontades e convicções, humilde na predisposição de aprender, maduro e discernidor na visão das circunstâncias e contextos. Assim é o começo de quem adquire respeito e revela autoridade.

Apolo foi insistentemente solicitado a fazer uma viagem em visita a um grupo de crentes, todavia o pedido insistente conflitara com a visão de foro íntimo de Apolo. E essa visão pessoal foi acatada e respeitada. Não fora vista com olhares estranhos, com percepções ressentidas, com intentos revanchistas. A individualidade de Apolo foi respeitada e o momento era particularmente dele. Apolo sabia o que estava fazendo e o momento próprio de se dirigir ao empreendimento orientado.

A atitude de Apolo foi a de alguém que “possui a mente no Céu e os pés no chão”. Apolo não era do tipo de pessoa de idéias mutantes, essência volátil, íntimo volúvel, vontades afoitas, visão alegórica, senso desequilibrado e interesses desafinados com o Reino de Deus e muito menos um transeunte ambiencial nele.

Apolo era conhecido, por isso eram respeitadas a sua individualidade e a sua visão. Apolo não era e não foi posicionado como um concorrente dos apóstolos e discípulos. Apolo foi um poderoso e útil cooperador que soube regar o que outros plantaram. Conhecimento seguro e fidedigno somado ao determinado fervor das Escrituras são poderosos diferenciais na vida de quem serve a Deus.

Apolo era também do tipo de pessoa firme, determinada, consciente, de suas obrigações, de suas ferramentas e dos locais onde aplicá-las e do tempo oportuno para tal. A firmeza, a determinação e a visão de oportunidades que Apolo possuía não eram produto de dissociações, de revanchismos, de auto-supervalorização. Muitos atualmente avaliam seus colaboradores e conservos tendo numa mão à frente o prêmio da barganha e da negociata e na outra escondida atrás a pá do descarte e da revanche velados.

Assim sendo, para ajudar o caro e dileto leitor a estar convencido das nobrezas da vida de Apolo e com elas poder somar às suas, generosamente tome alguma boa oportunidade do seu precioso tempo para, além do texto bíblico citado no título deste artigo, ler também At 18.24-28. É realmente breve e rapidinho, mas o esforço é compensativamente duradouro e edificante.

Rogo ao Senhor nosso Deus que a sua vida expresse as nobrezas da vida de Apolo, que sua chegada seja como foi a de Apolo. Que sua eloqüência e fervor no espírito sejam na mesma intensidade e propriedade da de Apolo. Que seu empenho em buscar exatidão e fidedignidade na sua pregação e ensino acerca de Jesus seja  semelhante ao de Apolo. Que sua humildade seja tão própria, legítima e equilibrada como foi a de Apolo e que a sua firmeza e discernimento sejam maduros, consistentes e determinados como foram os de Apolo.
PbGS