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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CONTRA A ANSIEDADE.











 
CONTRA A ANSIEDADE.
Receita do Céu ou recursos da Terra?

A ansiedade é um estado de alma que tem atingido milhares de milhares de indivíduos pelo mundo afora. Suas causas são as mais variadas fontes, e suas conseqüências deságuam em diversas áreas e provocam alarmantes fatores na alma e por vezes em alguns casos extravasam-na e afloram-se no corpo.

Qualquer um de nós já experimentou senão momentos, pelo menos algum momento de ansiedade. Alguns poucos, leves e rápidos e outros muitos, profundos e longos. A ansiedade geralmente está ligada ao medo. Uma forma de desassossego, uma inquietude ansiosa ligada a expectativas.

Existem aqueles que padecem mais e há aqueles que sofrem menos. Existem aqueles que atravessam longas temporadas sob os ardis da ansiedade e seus efeitos e há aqueles que passam curtas e eventuais, sofrendo sob suas investidas. O fato é que ninguém poderia declarar que nunca teve a experiência da ansiedade.

O Filho de Deus, Jesus Cristo, vivendo como homem nesta terra e sem pecado, sentiu o peso das conseqüências do pecado que está sobre os homens. Por causa dos homens, e em favor destes, Ele não passou sem haver experimentado a ansiedade na forma de angústia, aflição, profunda tristeza momentânea na Sua alma, quando nos momentos do Getsêmane. Mt 26.37-38.

As Seleções do Reader’s Digest vezes por outras tem publicado interessantes matérias sobre a ansiedade. E no esforço de fazer o seu público leitor absorver melhor aquelas informações e orientações e alcançar o grau de satisfação esperado, aqueles editores conseguem transmiti-las empregando uma linguagem não-técnica, acessível e de fácil compreensão.

Segundo aquele ilustre editor, ansiedade é um termo da psiquiatria, que designa a sensação de angústia ou de medo inicialmente sem motivo evidente que a justifique. Os vários e melhores dicionários, empregando uma linguagem comum e acessível, também definem a ansiedade como sendo ânsia, angústia, aflição, sofreguidão, impaciência e pressa.

Existem dois tipos de ansiedade – a racional, ou real, a que está ligada aos fatos reais envolvendo expectativas, perspectivas e enfrentamento de dificuldades; e a irreal, aquela que não está em proporções com os fatos que caracterizam as situações do indivíduo. 

As conseqüências da ansiedade vão desde tensão e fadiga até os casos extremos que se afloram no corpo, como úlceras, colite, asma e doenças do coração. Não raro, esses casos se mostram em quadros clínicos mais evidentes acompanhados de sinais acentuados de excessiva transpiração e palpitações. A ansiedade é um mal que pode causar profundas e extremas perturbações emocionais.

Não é raro encontrar as muitas dicas e matérias, em publicações populares, sobre a ansiedade, seus males, receitas e terapias. Parece que todos sabem e conhecem experimentalmente um pouco de cada uma das facetas e detalhes da ansiedade.

Os ramos da nutrição afirmam haver logrado bons êxitos apresentando receitas interessantes. Os ramos da química farmacêutica e da medicina também apresentam os seus produtos que muito bem dominam e com eles lidam. Alguns estudiosos nessas áreas apontam para compostos suplementares nutricionais e substâncias com propriedades ansiolíticas declarando expectativas de resultados positivos.

Descobertas declaram que seus ensaios e mostras laboratoriais revelaram que a maçã, a banana, a nozes, a aveia, a ameixa, a castanha brasileira, o gérmen de trigo, o leite de soja e o iogurte natural são excelentes fontes que também contêm substâncias com propriedades ansiolíticas  favorecedoras à manutenção do equilíbrio do humor.

Mais recentemente uma dessas receitas nutricionais afirmou que a mistura equilibrada desses nutrientes tem conquistado a atenção e distinguido algum sucesso terapêutico sobre a ansiedade – a salada da tranqüilidade -. Afirma-se que traz benefício contra a ansiedade -. Tudo isso é interessante e não pode ser desmerecido.

Louvamos a Deus pelas competentes vidas que dedicam o seu precioso tempo em se engajarem nessas brilhantes pesquisas. Seria uma ingratidão deixar de reconhecê-las e não se lembrar de seu empenhado esforço contributivo. Creio, portanto, que esses ilustres e dignos estudiosos merecem apreço, consideração e reconhecimento.

Agradecemos realmente, sobretudo ao Senhor pela existência dos respeitáveis profissionais, assim como pela criação e emprego de todos os recursos físicos e técnicos resultantes de seus reconhecidos esforços. O nosso Deus merece ser louvado pelo seu grande presente de inteligência e capacidades concedido a cada homem. 

E quando se trata de autoridade maior sobre todo e qualquer assunto da raça humana, a Sagrada Escritura é a Infalível Palavra do Deus Criador que formou o homem. A Única e maior Autoridade que revela os segredos dos frutos e conseqüências do pecado na raça humana é a Sagrada Escritura.

E consultando-a jamais poderíamos fechar os nossos olhos e deixar passar as profundas verdades sobre a ansiedade e seus efeitos tendo como a causa principal e primária o pecado que entrou e atingiu os primeiros pais da raça humana no Éden.

Seria injusto, desleal, ficaria incompleto e estaria incoerente o omitir a maior e mais eficaz receita contra qualquer tipo de ansiedade e antídoto para os seus males – a receita do Céu – registrada no Livro do Deus Criador.

Inúmeras pessoas naturalmente são tentadas a colocarem a sua capacidade de crer e a sua virtude de esperar em todo e qualquer recurso visivelmente físico, instantaneamente palpável, temporariamente imediato, cujos efeitos configuram-se em experimentos e promessas. É possível que numerosa multidão de pessoas ignore ou desconheça o recurso verdadeiramente atingível e eficaz.

Trago uma boa notícia para todos aqueles que passam momentos de suas preciosas vidas suprimidos pelos males efeitos da ansiedade – a boa notícia é que existe uma receita superior, inigualável e eficaz contra qualquer tipo de ansiedade! -. A receita do Céu. É o recurso do Senhor Deus direto aos homens para lhes orientar contra a ansiedade quando perceberem a aproximação ameaçadora e instalação desta.  

Louvamos a Deus por todo e qualquer recurso da Terra contra os males da ansiedade. Mas é preciso e importante que não seja omitida a realidade e a veracidade da única receita eficaz do Céu contra a ansiedade, atingindo suas causas, sua natureza e suas conseqüências.

O mais importante não seria apenas conhecer causas e conseqüências, tampouco atingir ou minimizar as conseqüências. Isto é elogiável, mas insatisfatório e insuficiente. Todavia, além de ser o mais importante, é ainda o mais esperançoso e consolador atingir eficiente e eficazmente a causa principal, a fonte-raiz.

Para tanto, vejamos o que diz a Escritura Sagrada, mais especialmente o Livro dos Salmos, e diretamente o que nos revela o Salmo 37.3-7. Esses versículos do salmo lindo e consolador, escrito por Davi, nos trazem providencialmente os ingredientes da receita eficaz contra a ansiedade e seus males conseqüentes.

1 - Confiar no Senhor.
Primeiramente, preciso me ater a esta admirável orientação conselheira contida no primeiro ingrediente da receita. Aqui o verbete de ação “confia” traduz a palavra original do texto hebraico “bātah” que nos diz para “ser audaz, seguro e certeiro no ato de depositar a confiança”.

Aqui esse termo de ação quer nos dizer como deve ser o nosso confiar, e em quem devemos depositar esse tipo de confiança, expressando nela o nosso total e completo sentimento especial de certeza de proteção e de segurança. Somente o Senhor é merecedor de receber sobre Ele essa nossa confiança.

2 - Fazer o bem.
Em segundo lugar, tenho que explicar esta outra orientação indiscutível contida no segundo ingrediente da receita. Aqui a expressão “faze o bem” possui uma conotação singular. Ela traduz a original hebraica do texto “’āśāh” para o imperativo “faça” com o significado de “produza, execute, se ocupe avançando e realizando”.

E “o bem” para o objeto no termo hebraico “tôbh” como um substantivo ou adjetivo, que significa “o que é agradável, o que é frutífero, o que generoso, o que é de boa qualidade, o que possui pureza, o que expressa fineza, o que há de melhor”. 

3 - Deleitar-se no Senhor.
Somando aos ingredientes anteriores, veja o que está contido no terceiro ingrediente da receita. Esse importante ingrediente consiste na expressão “deleita-te”, ou “agrada-te”, que traduz a original variante do texto hebraico que quer dizer “responda com prazer, com delicadeza”, como também “se mostre, ou seja, agradável a”, “seja prazeroso ou agradável”.

Esse ingrediente possui um poder tremendo, visto que numa única palavra ele indica a fonte, a maneira e o destinatário da ação em si mesma e sobre si mesma ao mesmo tempo em que a ação ocorre. A pessoa é “agradável” enquanto faz porque “agrada” no que realiza em quem a faz “agradável” e para quem faz com “agrado, com prazer, com delicadeza”. Isto revela uma profundidade incrível. Por isso é um poderoso ingrediente nessa receita do Céu.  

4 - Entregar o caminho ao Senhor.
Este também é um poderoso ingrediente da receita. O termo imperativo “entrega” traduz o original hebraico no texto “gālal” que significa literalmente “role o curso de sua vida, sua conduta nele, para o Senhor”. A palavra “caminho” nesse texto quer dizer “vida”, “conduta”, “procedimento”.

Esse ingrediente da receita parece querer claramente nos dizer “se queres viver bem, remova as rédeas do teu governo sobre a tua vida e deposita-as aos cuidados do Senhor enquanto conduzes o curso da tua vida sob a dependência de Deus”.

5 - Descansar no Senhor.
Aqui está outro ingrediente extraordinário da receita eficaz contra a ansiedade. O termo por si mesmo traduz a intenção do original registrado no texto. Esse ingrediente quer nos dizer “repouse as tuas vontades, as tuas esperanças, os teus desejos, os teus anseios, os teus intentos, no Senhor”.

Descanso é um termo bastante conhecido por aqueles que aprenderam a confiar no Senhor, realizar coisas de boa qualidade no Senhor, entregar o caminho ao Senhor e se deleitar com prazer nas coisas do Senhor. Um coração dividido jamais consegue ter esse tipo de descanso. Somente sabe e traduz o valor do descanso quem conhece por experiência própria o significado e o peso do cansaço.

6 - Esperar no Senhor.  
Aqui está, por fim, o último ingrediente da receita eficaz contra a ansiedade. Que lindo é o termo “espera” no texto que traduz a palavra original hebraica “hûl”. Apesar de ter vários significado que abrange desde movimentos de danças e de contorcimentos, rodopios, até o de esperar ansiosamente algo.

Porém o ponto forte desse tipo de espera é o de nos sugerir que “se esperamos que algo aconteça, que o esperemos dirigindo a nossa expectativa unicamente no Senhor, e não confiando em pessoa ou outra coisa alguma, por mais influentes que apresentem ser”. O texto quer nos sugerir que quando esperamos algo, essa esperança seja depositada unicamente dependendo do Senhor. Uma linha única e direta de dependência.

Assim sendo, notamos que diante da ansiedade, o exemplo do nosso Mestre amado Jesus Cristo expressou resumidamente toda a composição dessa receita espetacular em duas expressões em dois momentos distintos de sua vida – a primeira, no Getsêmane, ao dizer “..., todavia seja feita a tua vontade”; e a segunda, sobre a cruz, no Calvário, ao dizer “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” -.

Uma das duras experiências na vida é entrar em ansiedade por expectação de algo que está certamente por acontecer. Uma triste experiência na vida é avançar ao estado de ansiedade por uma coisa que poderia possivelmente acontecer. Entretanto, a pior das experiências é sucumbir no estado de ansiedade, sem qualquer fundamento de apoio, por algo que não acontecerá.

Por isso, contra a ansiedade e seus males, a única receita eficaz está na Sagrada Escritura. Certamente que “no mundo tereis aflições” (Jo 16.33), todavia a orientação segura que corrobora a receita encontra-se em “humilhar-se sob a poderosa mão de Deus,... lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós”. 1Pe 5.6-7.

As muitas iniciativas e as saladas da Terra são úteis, entretanto perecíveis, temporárias. São aceitáveis, todavia a receita do Céu é a única efetivamente eficaz e permanece para sempre. Crer nela e colocá-la em prática é o grande desafio, sabendo que os seus resultados são certos, infalíveis e extremamente recompensadores.

Se os recursos da Terra são bons contra a ansiedade, a receita do Céu é superlativamente melhor. Os recursos da Terra possuem as suas contra-indicações e colaterais, a receita do Céu é poderosa e eficazmente ampla, irrestrita e apropriada. Os recursos da Terra são sazonais e periódicos e seus efeitos temporários e eventuais, a receita do Céu é duradoura, permanente e efetiva.

Confie no Senhor; faça o bem; deleite-se no Senhor; entregue o teu caminho ao Senhor; descanse no Senhor e espere unicamente no Senhor – esses são os ingredientes da receita do Céu expressa em Sl 37.3-7 -.
PbGS

quarta-feira, 28 de abril de 2010

COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.

COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.



Ouvir é uma atitude interessante. A Bíblia está repleta deste verbo ouvir, ora afirmando, ora recomendando e aconselhando, ora convidando e ora declarando. As Escrituras afirmam claramente numa linguagem antropomórfica que Deus ouviu, que o Senhor ouve. As Sagradas Letras também falam do homem em relação ao seu ouvir. Ouvir é uma dádiva e um privilégio concedidos por Deus. “Bem-aventurados são os que ouvem as Palavras deste Livro”; “Quem tem ouvidos, ouça...”, diz a Bíblia.


Ao ouvir alguém, podemos conhecer algumas coisas que se passam no seu interior, podemos identificar o seu estado de espírito. Isto não é uma mágica e nem uma ação mística. Isto é uma sensibilidade básica no ser humano.


Tenho o grande privilégio de, por uma providência divina, possuir em meu pequeno e singelo quadro de amizades pessoais uma grande amiga fonoaudióloga, especializada e conhecedora de várias áreas e ramos do trabalho e tratamento da voz e acompanhamento da audição e que por anos trabalha com a voz e a audição humana. Certa vez ela me confidenciou algumas coisas importantes sobre a voz e o ouvir. Ela me disse que apenas em ouvir alguém consegue identificar o seu estado físico e emocional no momento em que seu paciente lhe dirige a voz na consulta.


Se aquela ilustre, respeitável e honrada amiga profissional de saúde, dentro de suas limitações consegue tal sensibilidade, imagine, se conseguir, o que pode o nosso Deus fazer por nós em nos ouvir! Temos a necessidade de ouvir e ser ouvidos. Empregamos o ouvir para também buscar conhecimentos, e pelo ouvir a fé vem a nós, sendo este ouvir o ouvir a Palavra de Deus. O que na verdade precisamos é saber empregar e em que empregar o nosso ouvir, não permitindo que coisas estranhas venham nos seduzir e provocar coceiras na nossa audição.


Estamos vivendo um período de grande obscuridade espiritual no mundo e que tende a tornar-se cada vez mais intensa. Um tempo de grandes iniciativas e famosos empreendimentos do conhecimento humano, mas também um tempo de grande ignorância espiritual. Um tempo em que a busca de conhecimento irmana-se com as inovações. Um tempo no qual os homens se aguçam e se entregam a esmiuçar detalhes de tudo que se lhes apresente no seu panorama, mas infelizmente um tempo em que poucos ouvem e se atêm a ouvirem a verdade. É o tempo da amontoação dos doutores, dos mestres, dos desejos ardentes e desenfreados mais do que em todos os tempos passados da história humana, apesar de tantas agruras por ela registradas.


Realmente, precisamos neste tempo de agora aplaudir alguns feitos extraordinários empreendidos pela criatura com a inteligência e propriedades lhe concedidas pelo Criador, creditando a Este toda a glória e louvor através de nosso reconhecimento e profunda admiração a que Ele é merecedor em cuidar e sustentar a vida de suas criaturas.


Neste tempo temos ouvido da sede de conhecimento mais do que nos dias passados, mas também temos testemunhado da corrida de ignorância espiritual que sombreia os homens. As fontes cada vez mais se diversificam, mas também se divergem. Algumas se diluem e tornam-se massificadas no meio de tantas informações, outras mantêm suas originalidade e linha de firmeza e conduta, a fim de se manterem fidedignas para com o que sustentam.


Todavia estamos inegavelmente vivendo um tempo em que ressurge o antigo com feições novas. Estamos literalmente no tempo em que muitos preferem desviar os seus ouvidos da verdade e voltarem a mergulhar nas fábulas e enganos motivados pela tamanha e crescente ignorância espiritual. As novas roupagens estão vestindo e cobrindo requintadamente as antigas mentiras e ilusões das fábulas e dos enganos, tentando anestesiar o homem para que este permaneça “dormindo”. É a epopéia das ficções tornando-as cada vez mais misturadas e parecidas com a realidade e com a verdade. Um brilhante recheado produzido com o misto de meias-verdades e mentiras. Algumas vezes vão um pouco além a misturar forçosamente nos seus ingredientes de mentiras fantásticas algumas “pitadas” de verdade.


E quando nos voltamos para as Escrituras Sagradas, encontramos o apóstolo Paulo empregando para este tempo uma expressão interessante que caracteriza singularmente em linguagem figurada um tipo de busca de conhecimento motivado no interior de pessoas pela ignorância espiritual fomentada pela curiosidade de conhecer desenfreadamente pelo que ouvem de doutores que amontoam para si. Um tipo de curiosidade de conhecer semelhante ao dos nossos primeiros pais no Éden. Uma expressão que denomina a causa dessa busca de conhecimento.


Acredito que muito nos vale nela refletir e certamente lograr edificação e êxito nesta ocasião, e nela me deter por alguns minutos junto aos meus caros e generosos leitores em conhecer seguramente um pouco mais do que precisamos.


Como sempre fiz quando na prédica ou no ensino, o repito agora pedindo por mais este momento ao Eterno Senhor a permissão para fazer citar de forma escrita um trecho do Livro Sagrado, registrado inspiradamente pelo apóstolo dos gentios, Paulo, na sua segunda carta ao jovem pastor Timóteo.


Assim está escrito: “...virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.


A expressão a que me refiro e que encontra-se no trecho da passagem bíblica acima é “comichão nos ouvidos”. Uma expressão quase pouco ouvida nas reuniões de ensino doutrinário, uma expressão pouco verbalizada por fazer parte de um texto que em si produz incômodo e desconforto em corações que, por não suportarem a sã doutrina, desviarão os ouvidos, em razão desta atingir contra aos seus desejos desenfreados e inescrupulosos, fazendo-as incomodadas, chocadas em si mesmas e em constante conflito interior por notar que estão em rumo divergente com a sã doutrina.


Para esta expressão “comichão nos ouvidos”, Paulo emprega no seu original escrito o termo grego “KNETHÓMENOI”, variante de “KNETHÕ”. O apóstolo o utiliza para expressar a verdade com uma linguagem figurada. Uma propriedade e característica marcantes dos grandes homens de Deus é ensinar as verdades eternas das Escrituras aplicando-as com figuras de linguagem para que esta atinja os maiores e mais altos valores espirituais através da simples compreensão sobre elementos físicos e naturais.


Que Paulo quer dizer com este termo? “KNETHÕ” significa “um desejo impaciente e ansioso”, “uma vontade irresistível como a que é provocada por uma coceira”, “sentir uma grande excitação como semelhante a provocada por cócegas”, “um grande desejo ardente de ouvir adulações e coisas agradáveis”. Um termo empregado figuradamente para dizer de um “um tipo de coceira na audição”. E o apóstolo Paulo o utiliza para expressar em linguagem figurada um tipo de coceira na audição causada contrariadamente por não suportar ouvir os ensinamentos da verdade da Palavra de Deus.


O termo toma o lugar no texto inicialmente de conseqüência, de sintoma, mas também assume o lugar de causa, de origem, em relação ao restante do conteúdo do texto em pauta. Paulo está nos dizendo através do que escreveu para o jovem pastor Timóteo desde o contexto anterior parafraseadamente “pregue a Palavra... porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, não se contentarão com ela, estarão excitados para conhecerem e ouvirem coisas que lhes agradem e os iludam, lhes enganem dizendo adulações, coisas convenientes que massageiem o ego; porém, tendo impaciência, ansiedade, vontade irresistível de ouvir buscarão ardentemente, excitadamente ouvir coisas que lhes atraem por curiosidades interessantes a si mesmos, buscarão ouvir especialmente para si um elenco de doutores, de mestres, de acordo com o programa de seus próprios desejos, interesses; e desviarão os ouvidos da verdade da Palavra, voltando às historinhas misticistas, mistificadas, místicas, as fábulas, do passado”.


Estamos no tempo no qual as pessoas se manterão na vontade de ouvir, acatar e conceber para si apenas o que satisfaz os seus desejos pessoais particulares, suas paixões ardentes e irresistidas. As pessoas terão curiosidades irresistíveis nelas mesmas e impacientes para buscar informações mirabolantes e interessantes, fomentadas e ampliadas pelas mensagens estranhas e heréticas, produzidas pelas interpretações particulares dos falsos mestres e doutores. Elas não vão amontoar indoutos para satisfazê-las no ouvir lhes provocando cócegas como seriam os doutores nas suas capacidades e habilidades especializadas em fazê-las. Elas vão sempre levantar um elenco programado de doutores para fazerem chegar aos seus ouvidos apenas adulações, hipocrisias, coisas que não lhes digam e nem toquem seus corações para a verdade, coisas que não lhes tragam conflitos e inquietações diante de seus desejos desenfreados e desmedidos.


Uma grande parte das pessoas se tornará insatisfeita com a verdade e terá excitada a sua curiosidade de ouvir a tal ponto que seu apetite se direcionará a ouvir mentiras, fábulas, enganos, heresias. Elas serão movidas por um apetite excitado de ouvir que se tornarão impacientes, ansiosas, para ouvir aquilo que é sensacional, interessante e fantástico, menos a verdade da Palavra. Elas se farão num caminho particular seu próprio e distanciado da verdade a tal ponto que vão por ele desaguar de volta às fábulas.


Um conjunto de fatores contribuirão para que as pessoas “se desviem da verdade voltando às fábulas”. Um deles é o não suportar a sã doutrina; o seguinte é o comichão (comichando) nos ouvidos seguido como originado por uma contrariedade nelas mesmas e ao mesmo tempo além de sintoma, se faz causa para amontoarem doutores para si mesmas; e o terceiro é que esses doutores devem se enquadrarem nos desejos delas e também possuírem os mesmos desejos que elas, senão eles não participarão do elenco de doutores programado por elas e estariam excluídos de seus amontoados.


Que preguemos a Palavra na verdade e com verdade. Não precisamos estar ou ficar melindrados se não fazemos parte dos amontoados de doutores que pregam e ensinam coisas fantásticas, interessantes e mirabolantes nas suas “mensagens”. Não tenhamos qualquer ressentimento ou carência de participar do elenco programado de doutores que levam os públicos ao desvio da verdade fazendo-os voltarem às fábulas, influenciando-os a retornarem ao antigo estado de mentiras, enganos e ilusões do qual foram resgatados pela mensagem da cruz. Jamais devemos nutrir ressentimentos ou matizar ou mesclar a nossa pregação da verdade da Palavra de Deus para com isso vir a agradar desejos particulares de quem quer que seja. Jamais devemos retirar ou acrescentar qualquer coisa ao Livro Sagrado para nos fazermos aceitáveis e convenientes a multidões que encaminham-se em seus passos brilhantes para o Hades.


Ainda que algumas pessoas tenham comichão nos ouvidos hoje, continuemos pregando a Palavra da Verdade, e quem sabe um dia desses debaixo do mover do Espírito em nossas pregações e ensino elas venham abrir os ouvidos e permitir que eles sejam limpos pela lavagem da Palavra? E retornem ao encontro da verdade e passem a amar a verdade, e descubram que fábulas em nada valem, de nada possuem de verdadeiro e concreto, a não ser revelar a inspiração adversária que as montou para prender e iludir os homens no mundo das ficções e do surrealismo muitas vezes disseminado nas demonstrações eloqüentes de discursos cativantes de quem vive movido pelos desejos e opiniões particulares. O mundo que revela o tamanho da ignorância espiritual que permeia a sede de buscar conhecimentos dos homens mergulhados em densas trevas e obscuridades espirituais.
PbGS