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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

CONTRA A ANSIEDADE.











 
CONTRA A ANSIEDADE.
Receita do Céu ou recursos da Terra?

A ansiedade é um estado de alma que tem atingido milhares de milhares de indivíduos pelo mundo afora. Suas causas são as mais variadas fontes, e suas conseqüências deságuam em diversas áreas e provocam alarmantes fatores na alma e por vezes em alguns casos extravasam-na e afloram-se no corpo.

Qualquer um de nós já experimentou senão momentos, pelo menos algum momento de ansiedade. Alguns poucos, leves e rápidos e outros muitos, profundos e longos. A ansiedade geralmente está ligada ao medo. Uma forma de desassossego, uma inquietude ansiosa ligada a expectativas.

Existem aqueles que padecem mais e há aqueles que sofrem menos. Existem aqueles que atravessam longas temporadas sob os ardis da ansiedade e seus efeitos e há aqueles que passam curtas e eventuais, sofrendo sob suas investidas. O fato é que ninguém poderia declarar que nunca teve a experiência da ansiedade.

O Filho de Deus, Jesus Cristo, vivendo como homem nesta terra e sem pecado, sentiu o peso das conseqüências do pecado que está sobre os homens. Por causa dos homens, e em favor destes, Ele não passou sem haver experimentado a ansiedade na forma de angústia, aflição, profunda tristeza momentânea na Sua alma, quando nos momentos do Getsêmane. Mt 26.37-38.

As Seleções do Reader’s Digest vezes por outras tem publicado interessantes matérias sobre a ansiedade. E no esforço de fazer o seu público leitor absorver melhor aquelas informações e orientações e alcançar o grau de satisfação esperado, aqueles editores conseguem transmiti-las empregando uma linguagem não-técnica, acessível e de fácil compreensão.

Segundo aquele ilustre editor, ansiedade é um termo da psiquiatria, que designa a sensação de angústia ou de medo inicialmente sem motivo evidente que a justifique. Os vários e melhores dicionários, empregando uma linguagem comum e acessível, também definem a ansiedade como sendo ânsia, angústia, aflição, sofreguidão, impaciência e pressa.

Existem dois tipos de ansiedade – a racional, ou real, a que está ligada aos fatos reais envolvendo expectativas, perspectivas e enfrentamento de dificuldades; e a irreal, aquela que não está em proporções com os fatos que caracterizam as situações do indivíduo. 

As conseqüências da ansiedade vão desde tensão e fadiga até os casos extremos que se afloram no corpo, como úlceras, colite, asma e doenças do coração. Não raro, esses casos se mostram em quadros clínicos mais evidentes acompanhados de sinais acentuados de excessiva transpiração e palpitações. A ansiedade é um mal que pode causar profundas e extremas perturbações emocionais.

Não é raro encontrar as muitas dicas e matérias, em publicações populares, sobre a ansiedade, seus males, receitas e terapias. Parece que todos sabem e conhecem experimentalmente um pouco de cada uma das facetas e detalhes da ansiedade.

Os ramos da nutrição afirmam haver logrado bons êxitos apresentando receitas interessantes. Os ramos da química farmacêutica e da medicina também apresentam os seus produtos que muito bem dominam e com eles lidam. Alguns estudiosos nessas áreas apontam para compostos suplementares nutricionais e substâncias com propriedades ansiolíticas declarando expectativas de resultados positivos.

Descobertas declaram que seus ensaios e mostras laboratoriais revelaram que a maçã, a banana, a nozes, a aveia, a ameixa, a castanha brasileira, o gérmen de trigo, o leite de soja e o iogurte natural são excelentes fontes que também contêm substâncias com propriedades ansiolíticas  favorecedoras à manutenção do equilíbrio do humor.

Mais recentemente uma dessas receitas nutricionais afirmou que a mistura equilibrada desses nutrientes tem conquistado a atenção e distinguido algum sucesso terapêutico sobre a ansiedade – a salada da tranqüilidade -. Afirma-se que traz benefício contra a ansiedade -. Tudo isso é interessante e não pode ser desmerecido.

Louvamos a Deus pelas competentes vidas que dedicam o seu precioso tempo em se engajarem nessas brilhantes pesquisas. Seria uma ingratidão deixar de reconhecê-las e não se lembrar de seu empenhado esforço contributivo. Creio, portanto, que esses ilustres e dignos estudiosos merecem apreço, consideração e reconhecimento.

Agradecemos realmente, sobretudo ao Senhor pela existência dos respeitáveis profissionais, assim como pela criação e emprego de todos os recursos físicos e técnicos resultantes de seus reconhecidos esforços. O nosso Deus merece ser louvado pelo seu grande presente de inteligência e capacidades concedido a cada homem. 

E quando se trata de autoridade maior sobre todo e qualquer assunto da raça humana, a Sagrada Escritura é a Infalível Palavra do Deus Criador que formou o homem. A Única e maior Autoridade que revela os segredos dos frutos e conseqüências do pecado na raça humana é a Sagrada Escritura.

E consultando-a jamais poderíamos fechar os nossos olhos e deixar passar as profundas verdades sobre a ansiedade e seus efeitos tendo como a causa principal e primária o pecado que entrou e atingiu os primeiros pais da raça humana no Éden.

Seria injusto, desleal, ficaria incompleto e estaria incoerente o omitir a maior e mais eficaz receita contra qualquer tipo de ansiedade e antídoto para os seus males – a receita do Céu – registrada no Livro do Deus Criador.

Inúmeras pessoas naturalmente são tentadas a colocarem a sua capacidade de crer e a sua virtude de esperar em todo e qualquer recurso visivelmente físico, instantaneamente palpável, temporariamente imediato, cujos efeitos configuram-se em experimentos e promessas. É possível que numerosa multidão de pessoas ignore ou desconheça o recurso verdadeiramente atingível e eficaz.

Trago uma boa notícia para todos aqueles que passam momentos de suas preciosas vidas suprimidos pelos males efeitos da ansiedade – a boa notícia é que existe uma receita superior, inigualável e eficaz contra qualquer tipo de ansiedade! -. A receita do Céu. É o recurso do Senhor Deus direto aos homens para lhes orientar contra a ansiedade quando perceberem a aproximação ameaçadora e instalação desta.  

Louvamos a Deus por todo e qualquer recurso da Terra contra os males da ansiedade. Mas é preciso e importante que não seja omitida a realidade e a veracidade da única receita eficaz do Céu contra a ansiedade, atingindo suas causas, sua natureza e suas conseqüências.

O mais importante não seria apenas conhecer causas e conseqüências, tampouco atingir ou minimizar as conseqüências. Isto é elogiável, mas insatisfatório e insuficiente. Todavia, além de ser o mais importante, é ainda o mais esperançoso e consolador atingir eficiente e eficazmente a causa principal, a fonte-raiz.

Para tanto, vejamos o que diz a Escritura Sagrada, mais especialmente o Livro dos Salmos, e diretamente o que nos revela o Salmo 37.3-7. Esses versículos do salmo lindo e consolador, escrito por Davi, nos trazem providencialmente os ingredientes da receita eficaz contra a ansiedade e seus males conseqüentes.

1 - Confiar no Senhor.
Primeiramente, preciso me ater a esta admirável orientação conselheira contida no primeiro ingrediente da receita. Aqui o verbete de ação “confia” traduz a palavra original do texto hebraico “bātah” que nos diz para “ser audaz, seguro e certeiro no ato de depositar a confiança”.

Aqui esse termo de ação quer nos dizer como deve ser o nosso confiar, e em quem devemos depositar esse tipo de confiança, expressando nela o nosso total e completo sentimento especial de certeza de proteção e de segurança. Somente o Senhor é merecedor de receber sobre Ele essa nossa confiança.

2 - Fazer o bem.
Em segundo lugar, tenho que explicar esta outra orientação indiscutível contida no segundo ingrediente da receita. Aqui a expressão “faze o bem” possui uma conotação singular. Ela traduz a original hebraica do texto “’āśāh” para o imperativo “faça” com o significado de “produza, execute, se ocupe avançando e realizando”.

E “o bem” para o objeto no termo hebraico “tôbh” como um substantivo ou adjetivo, que significa “o que é agradável, o que é frutífero, o que generoso, o que é de boa qualidade, o que possui pureza, o que expressa fineza, o que há de melhor”. 

3 - Deleitar-se no Senhor.
Somando aos ingredientes anteriores, veja o que está contido no terceiro ingrediente da receita. Esse importante ingrediente consiste na expressão “deleita-te”, ou “agrada-te”, que traduz a original variante do texto hebraico que quer dizer “responda com prazer, com delicadeza”, como também “se mostre, ou seja, agradável a”, “seja prazeroso ou agradável”.

Esse ingrediente possui um poder tremendo, visto que numa única palavra ele indica a fonte, a maneira e o destinatário da ação em si mesma e sobre si mesma ao mesmo tempo em que a ação ocorre. A pessoa é “agradável” enquanto faz porque “agrada” no que realiza em quem a faz “agradável” e para quem faz com “agrado, com prazer, com delicadeza”. Isto revela uma profundidade incrível. Por isso é um poderoso ingrediente nessa receita do Céu.  

4 - Entregar o caminho ao Senhor.
Este também é um poderoso ingrediente da receita. O termo imperativo “entrega” traduz o original hebraico no texto “gālal” que significa literalmente “role o curso de sua vida, sua conduta nele, para o Senhor”. A palavra “caminho” nesse texto quer dizer “vida”, “conduta”, “procedimento”.

Esse ingrediente da receita parece querer claramente nos dizer “se queres viver bem, remova as rédeas do teu governo sobre a tua vida e deposita-as aos cuidados do Senhor enquanto conduzes o curso da tua vida sob a dependência de Deus”.

5 - Descansar no Senhor.
Aqui está outro ingrediente extraordinário da receita eficaz contra a ansiedade. O termo por si mesmo traduz a intenção do original registrado no texto. Esse ingrediente quer nos dizer “repouse as tuas vontades, as tuas esperanças, os teus desejos, os teus anseios, os teus intentos, no Senhor”.

Descanso é um termo bastante conhecido por aqueles que aprenderam a confiar no Senhor, realizar coisas de boa qualidade no Senhor, entregar o caminho ao Senhor e se deleitar com prazer nas coisas do Senhor. Um coração dividido jamais consegue ter esse tipo de descanso. Somente sabe e traduz o valor do descanso quem conhece por experiência própria o significado e o peso do cansaço.

6 - Esperar no Senhor.  
Aqui está, por fim, o último ingrediente da receita eficaz contra a ansiedade. Que lindo é o termo “espera” no texto que traduz a palavra original hebraica “hûl”. Apesar de ter vários significado que abrange desde movimentos de danças e de contorcimentos, rodopios, até o de esperar ansiosamente algo.

Porém o ponto forte desse tipo de espera é o de nos sugerir que “se esperamos que algo aconteça, que o esperemos dirigindo a nossa expectativa unicamente no Senhor, e não confiando em pessoa ou outra coisa alguma, por mais influentes que apresentem ser”. O texto quer nos sugerir que quando esperamos algo, essa esperança seja depositada unicamente dependendo do Senhor. Uma linha única e direta de dependência.

Assim sendo, notamos que diante da ansiedade, o exemplo do nosso Mestre amado Jesus Cristo expressou resumidamente toda a composição dessa receita espetacular em duas expressões em dois momentos distintos de sua vida – a primeira, no Getsêmane, ao dizer “..., todavia seja feita a tua vontade”; e a segunda, sobre a cruz, no Calvário, ao dizer “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” -.

Uma das duras experiências na vida é entrar em ansiedade por expectação de algo que está certamente por acontecer. Uma triste experiência na vida é avançar ao estado de ansiedade por uma coisa que poderia possivelmente acontecer. Entretanto, a pior das experiências é sucumbir no estado de ansiedade, sem qualquer fundamento de apoio, por algo que não acontecerá.

Por isso, contra a ansiedade e seus males, a única receita eficaz está na Sagrada Escritura. Certamente que “no mundo tereis aflições” (Jo 16.33), todavia a orientação segura que corrobora a receita encontra-se em “humilhar-se sob a poderosa mão de Deus,... lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós”. 1Pe 5.6-7.

As muitas iniciativas e as saladas da Terra são úteis, entretanto perecíveis, temporárias. São aceitáveis, todavia a receita do Céu é a única efetivamente eficaz e permanece para sempre. Crer nela e colocá-la em prática é o grande desafio, sabendo que os seus resultados são certos, infalíveis e extremamente recompensadores.

Se os recursos da Terra são bons contra a ansiedade, a receita do Céu é superlativamente melhor. Os recursos da Terra possuem as suas contra-indicações e colaterais, a receita do Céu é poderosa e eficazmente ampla, irrestrita e apropriada. Os recursos da Terra são sazonais e periódicos e seus efeitos temporários e eventuais, a receita do Céu é duradoura, permanente e efetiva.

Confie no Senhor; faça o bem; deleite-se no Senhor; entregue o teu caminho ao Senhor; descanse no Senhor e espere unicamente no Senhor – esses são os ingredientes da receita do Céu expressa em Sl 37.3-7 -.
PbGS

terça-feira, 23 de agosto de 2011

“DEMAS ME DESAMPAROU...”

“DEMAS ME DESAMPAROU...”
Quando o calor e os espinhos sufocam... 

Para conhecermos fatos da vida de uma pessoa, ou seus traços históricos, não é necessariamente preciso que estejamos perto, por  contato físico, pessoal e direto com ela. Apesar desse tipo de contato ser importante para tal, podemos conhecê-la à distância, apenas de ouvir falar, ou somente por ler algumas linhas sobre as mesmas, ou ainda simplesmente vendo suas imagens e fotos. Que melhor nos digam os currículos e os históricos, que ilustram e comprovam isso.

E lendo as páginas da Escritura Sagrada podemos comprovar essa verdade. Conteúdos escriturísticos, ainda que em forma de resumos,  muito podem nos demonstrar essa realidade e verdade. O conteúdo registrado em 2 Timóteo 4.10, em especial a abertura do versículo falando sobre Demas, um companheiro de trabalho do apóstolo Paulo, é um desses comprovantes. Nesse texto, Paulo registrou “Porque Demas me desamparou, tendo amado o presente século, e se foi para Tessalônica...”.

De tudo que temos de escritos na Bíblia Sagrada sobre Demas, esse versículo é essencialmente conclusivo para nos fazer Demas um pouco  conhecido, assim como para nos permitir ver o que aconteceu nos passos da vida de Demas. Pelo conjunto de resumos somados a esse versículo, ele se fez um pouco mais conhecido de todos os leitores do Sagrado Livro do Senhor nosso Deus.

Realmente pouco conhecemos sobre a vida de Demas. Entretanto, os resumos em poucas palavras que temos sobre ele são suficientemente significativos e reveladores para nos servirem de lições. E por eles é que podemos enxergar um pouco sobre o passado, o presente e alguns pontos futuros da vida de Demas.

O que nos faz despertar o interesse e direcionar a nossa atenção para Demas é o fato de encontrarmos pela vida afora algumas pessoas que lamentavelmente experimentaram, e outras que ainda hoje experimentam, os mesmos caminhos pelos quais andaram vacilantes os passos de Demas. Demas foi alguém fervoroso, mas lamentavelmente se esfriou. Demas foi alguém presente e atuante, mas infelizmente desertou do “front” de batalha pela fé.

Convido, assim, o caro leitor a generosamente passar uma olhada reflexiva nos passos de Demas, e com isso poder servir de um valioso instrumento de ajuda e canal promotor de restauração a vidas que porventura estejam trilhando naqueles mesmos passos de Demas, e que precisam de serem trazidas ao retorno do convívio caloroso do nosso Bom Mestre Amado Jesus Cristo.

1 - Demas foi um colaborador de Paulo.

Nenhum leitor amante da Bíblia Sagrada teria dúvida quanto a isso. Demas foi um trabalhador e ministro auxiliar de Paulo. Demas participou das campanhas evangelísticas com Paulo. Demas viu centenas e centenas de conversões e ouviu muitas mensagens do Evangelho. Demas participou da implantação e consolidação de igrejas. Demas tomou parte em algumas viagens juntamente com Paulo.

Ser colaborador é ser alguém que ajuda, auxilia e contribui com outro em alguma tarefa. Demas foi um colaborador de Paulo. Dentre as funções do colaborador estão as de amparar com providências, fortalecer com incentivos, facilitar e promover ambiente, promover contribuições, intermediar engajamentos, prever riscos e pacificar oposições. Demas foi um colaborador efetivo de Paulo no empenho das tarefas de evangelização e fortalecimento de muitos crentes de sua época em mais de um lugar.

2 - Demas acompanhou Paulo.

Ele foi mais do que um simples apoiador eventual seria. Demas acompanhou Paulo. Nas saudações registradas em algumas cartas paulinas, encontramos entre o grupo de evangelizadores o nome do cooperador Demas. Ele acompanhou e esteve presente nos momentos de alguns escritos da mão de Paulo.

Demas acompanhou alguns momentos de revelação de Paulo. Demas viu poderosos sinais, maravilhas e milagres incontestáveis acompanhados da pregação realizada por Paulo. Demas conheceu diferentes lugares e pessoas de sua época. Enfim, Demas foi um ministro assistente efetivo de Paulo e deu o seu suporte e apoio a este na obra de evangelismo e ensino.  

Que podemos imaginar sobre o feliz momento de Demas presenciando em primeira mão o profundo conteúdo da Carta aos Colossenses que Paulo estava escrevendo? Que pensamentos nos vêm na mente ao imaginar Demas presenciando Paulo escrever a linda, intercessora e sensibilizante Carta a Filemom? Ele acompanhou e testemunhou também das visões de Paulo e participou dos mesmos anseios dele.

Os anseios de conquistar terrenos com a evangelização e batalhar pela fé foram comuns entre Paulo e os seus companheiros, entre eles estava Demas. Demas foi presente e atuante ao lado de Paulo. Um companheiro como Demas o foi é um refrigério incalculável para todo aquele que realmente realiza a obra de Deus com respeito e comprometimento, sobriedade, consciência e convicção.

Demas teve experiência de bons tempos e momentos poderosos e edificantes acompanhando Paulo juntamente com outros cooperadores. O fervor evangelístico fez parte de sua alma e marcaram dias de sua vida. Demas esteve aceso, vivo e ativo no labor das empreitadas evangelizantes. Enfim, Demas foi por um bom tempo um companheiro efetivo de Paulo.

3 - Demas não perseverou na fé.

Mas na vida de uma pessoa passam muitos pensamentos, acontecem muitas experiências, ocorrem muitos e novos fatos e transcorrem multidões de fatores que desafiam-lhe a fé. E por vezes neles nem sempre o coração se deixa revelar. Há vezes que os conflitos pesam mais do que as satisfações. Existem os momentos de calorosa alegria, mas também os de frias indecisões. E são nestes últimos que a mente e o coração pouco convictos podem sofrer abalos, ser movidos e ser minados.

Neles os sentimentos e vontades são pesados na balança e refletidos com maior lucidez de consciência. O crivo de exames pode apontar para tendências e instigar comparações e ajuizamentos que interfiram na caminhada de fé de uma pessoa. Quando essa caminhada de fé vai ficando difícil, os céus e o horizonte vão se mostrando pesados, fechados, escuros e nebulosos, o mar das dificuldades vai se encapelando pela frente. Pontos questionadores podem surgir na mente como uma tempestade de pensamentos avaliativos.

Então surge a forte tentação de inicialmente dar pequenas paradas que se não vigiar, ao longo do tempo elas podem lhe arrefecer o ânimo e virem rotineiramente se tornar em longo estacionamento e densa estagnação até por fim um abatimento e desistência fatal.  

Apesar de haver sido colaborador empenhado e acompanhante efetivo de Paulo e de ter auxiliado-o na realização de muitas coisas afetas à igreja, assim como de haver testemunhado sinais e maravilhas e centenas de conversões, Demas esfriou na fé. Não por pecado cometido, visto que não é isso que a Bíblia Sagrada registra, ou sugere.

Demas chegou ao resultado do momento reflexivo no qual pesou prós e contras, e o esfriamento chegou em vista das opções e escolhas que se lhes apresentaram no velho dilema “viver ou morrer” e “ganhar ou perder”. A descontinuidade, o relaxamento, o medo, assim como as paixões e anseios pelas coisas da vida de confortos e facilidades podem a todo instante se tornar uma prisão que encarcera vidas inexperientes e pouco discernidoras nesse velho dilema.  

4 - Demas amou o mundo.

Agora o Demas duvidoso de então já não era mais aquele Demas seguro e convicto do passado. Ele não era um mundano. Em lugar algum dos escritos neotestamentários encontramos qualquer indício que Demas passou a ser mundano. Paulo, tampouco expressou julgamentos condenatórios sobre Demas. Notamos na explicação de Paulo sobre o desamparo sofrido o externar de uma tristeza e um lamento sensibilizados pelo abandono e partida daquele ministro colaborador que fora um de seus companheiros de empreitadas.

Paulo estando prisioneiro, viu a partida de uma pessoa que muito suou a camisa consigo, padeceu coisas e momentos junto consigo. Demas foi alguém com o qual Paulo partilhou anseios e dificuldades, e agora o viu partir e abandoná-lo, deixando-o para trás desamparado e na prisão.

Que aconteceu, afinal, com Demas? Ele simplesmente se esfriou e desertou das fileiras da frente de batalha pela fé. Aconteceu com Demas o que pode acontecer com muitas pessoas logo depois de serem confrontadas pelas realidades da caminhada cristã. Demas experimentou os bons momentos, mas foram os péssimos que lhe ameaçaram os olhos, distorceram os seus entendimentos, abafaram o seu bom ânimo e minaram a sua fé e capacidade de confiar no seu Senhor e Mestre.

Demas tinha estrutura para sofrer apenas até certo ponto pelo Evangelho. Demas viu o quadro real do curso da mensagem cristã sob oposições generalizadas em todos os lugares pelos quais passou, pesou os resultados, fez comparações e notou com mais lucidez que o nível de popularidade e aceitação de um cristão era baixo em relação ao do mundo. Ele caiu em si e percebeu mais claramente o panorama de rejeição e impopularidade vindo da parte do mundo. Na visão de Demas o melhor seria “ir saindo e retirando o seu time do campo”. Uma vez frio na fé, tomou a sua decisão “vou embora enquanto é cedo e posso viver mais e melhor”.

O texto em pauta mostra a causa do esfriamento de Demas na fé, na expressão “...tendo amado, ou amando, o mundo...”. Essa expressão tem o mesmo peso de “...tendo caído no amor ao mundo...”, como também de “...se apaixonando, ou afeiçoando-se, pelo mundo...”. E o texto original grego registra o termo “agapesas” para essa queda, amor, paixão, afeiçoamento, pelo mundo.

Entendemos que Demas caiu num profundo sentimento de amor apaixonado e dedicado (“ágape”) pelo favorecimento das coisas do mundo. Esse amor que residia em seu coração e era dedicado ao seu Senhor foi por Demas transferido para ser agora colocado sobre o mundo do seu presente transitório.

Demas chegou o momento de decisão crucial que pode chegar para qualquer um que segue a Cristo – “por a mão no arado e seguir em frente, ou olhar para trás” -. Ele viu o seu companheiro Paulo ser aprisionado e com a possibilidade de ser martirizado. Ele viu o panorama de baixa aceitação, perseguições, restrições, apertos extremos, descasos, preconceitos, ojerizas, contra os cristãos e ele era um deles. Na vida cristã, painéis de hipocrisia e empanados de “faz-de-contas” são inconsistentes, incoerentes e indigentes.

Por outro lado, viu as facilidades mundanas, segurança e conforto de casa, uma vida fora do perigo e de ameaças. Demas aportou no velho dilema “viver ou morrer”, “ganhar ou perder”, e ajuizou e optou em voltar atrás e desertar da fé em favor de não perder sua vida. O custo ficou elevadamente caro, e agora ele percebeu isso melhor.

O que ocorreu com Demas é que em face dos apertos mais fortes, ele decidiu viver popularmente como o mundo, do que estar sob a possibilidade de sofrer um martírio por causa de sua fé e convicções no nome de Jesus. O coração de Demas não estava disposto a sofrer apertos mais profundos, nem preparado a padecer sob o fogo cruzado entre valores, ou até a perder a sua vida nele.

A fé de Demas não chegava a tanto e suas convicções ainda eram rasas para lhe oferecer estrutura ao enfrentamento. Demas foi o tipo de coração que recebeu a semente e esta germinou, nasceu e cresceu até certo ponto, mas não tinha profundidade para suportar a planta e seus frutos. Veio o calor do Sol, os espinhos, e a sufocaram. Demas foi do tipo “conte comigo enquanto estiver bem e as coisas estiverem favoráveis”. 

Isso pode acontecer com muita gente que de maneira equivocada vive só visualizando os dias ensolarados e com adágios otimistas no seu vocabulário, transitando pela vida com ilusões fantasiosas e se auto-afirmando com pensamentos positivistas, mesclados com versículos da Palavra de Deus na mente e nos lábios, sem de fato realmente conhecerem os trilhos da fé cristã.

Assim como Demas, pode estar existindo gente que somente quer, apenas espera e pensa no “sabor do mel” e esquece que as provações e apertos dos cristãos têm por vezes gosto amargo no presente em vista do nome do Mestre Amado que carregam consigo. Têm os sinais,  milagres e maravilhas, mas também existem por outro lado as descrenças e oposições do príncipe deste mundo tenebroso que se opõe a tudo e a todos que carregam em suas vidas o precioso e sacrossanto nome de seu Mestre Jesus Cristo.

Algumas pessoas reivindicam e pensam apenas nas vitórias conquistadas na cruz, mas infelizmente esquecem que antes delas sempre vêm os azorragues, existem as bofetadas, há lançamentos de injúrias e sempre estão presentes alguns espinhos que por vezes causam doloridos quase insuportáveis para nos lembrar que cidadãos do Céu peregrinam na Terra longe de sua eterna pátria.  

Demas foi selecionado naturalmente, assim como todos os cidadãos do Céu são na Terra. Quando o aperto chega, então revela-se ou o frouxo de pequena fé, ou o valente e valoroso. Demas foi do tipo de pessoa que viu gente morrendo “antes do tempo”, segundo a sua visão momentânea do presente. E viu também família e multidões de amigos vivendo e que não poderiam ser deixados para trás. Demas foi do tipo que não terminaria de atravessar a campina de Zoar por ter olhado para trás.

Os apertos extremos possuem uma dolorida função que prova a fé, a capacidade de acreditar e confiar, a fidelidade, a lealdade e muitos valores materiais e imateriais, de uma pessoa. Tudo parece nos mostrar que por trás de uma onda de facilidades e do visual de conformismos, existe um clamor suplicante levantado por aqueles que estão sob a forte presença da provação polindo o metal para que este brilhe mais e no seu tempo próprio.

5 - Demas desamparou Paulo.

Demas me desamparou”, disse o apóstolo Paulo sofrendo privações em prisão. Demas viu que para ele poderia ser o mesmo fim de Paulo e de outros. Decapitação, enforcamento, esquartejamento, crucificação, apedrejamento, poderiam ser o prêmio terreno que sua vida poderia receber se continuasse como os demais continuaram perseverantes.

Demas viu o seu mestre e companheiro Paulo enfrentar prisões, sendo levado de lugar em lugar de julgamentos e passando de mão em mão, e agora estava confinado em uma prisão e sob veredicto de poder ser essa a última “libação de sacrifício” oferecida pela sua vida. A última prisão destinada ao final de sua existência e encerramento de seu ministério.

6 - Demas foi para Tessalônica.

Demas deixou para trás todas as alegrias e experiências espirituais, poderosas, vividas no Evangelho. Demas estava desertando para uma vida de conforto ao mesmo tempo em que estava se despedindo da vida de sacrifícios e privações na evangelização. O seu livre-arbítrio de decisões lhe levaram a escolhas visualmente mais promissoras e tranqüilas. Demas se despediu da vida de sofrimentos comuns a todos os que piamente vivem e por esta causa padecem perseguições.

Demas era do tipo que constrói a casa sobre areias, e sem antes ter feito cálculos e projetos, sem antes ter examinado bases. Depois de ter desamparado o companheiro e o abandonado na prisão, não lhe restava mais nada naquela cidade, senão lembranças do passado vigoroso que se foi e perspectivas de novos sonhos de um futuro aparentemente calmo que iria ter.

Se ali ficasse poderia sofrer riscos de ser delatado como amigo e cúmplice dos outros ministros cristãos que estavam “revolucionando” cidades por onde passavam com a mensagem acompanhada de sinais, poder e maravilhas do Evangelho. Demas não queria ser feito presa motivada por ações de apreensão e busca, causadas por mandados dos maiorais da cidade fundamentados em acusações de alvoroço, sedição e quebra de costumes e filosofias das cidades.

E agora, Demas? Vai ficar ou vai correr? A sugestão dos pensamentos lhe tocou a trombeta orientadora em rumar para a sua possível cidade nas regiões de Tessalônica. Para que ficar num lugar que nada mais lhe dizia respeito? Um lugar que perdeu o sentido e o encanto para ele. Tudo nos deixa ver que a partir daquela decisão o colorido da vida de Demas somente possuía brilho se tudo fosse fácil e doce, “easy” e “sweet”, leve e macio, “light” e “soft”.

E em Tessalônica a vida poderia ser levada assim nesses moldes. Então, por que não ir para lá? E o pequeno problema era o de viver distante e divorciado do amor do Pai, dos conselhos do Mestre e das operações de sinais, milagres e maravilhas pelo Evangelho de Cristo. Aquela cidade oferecia tudo de bom em valores e facilidades terrenas para quem nela vivia ou apenas visitava. 

Demas não saiu da batalha para a reserva, nem muito menos para a reforma. Ele desertou das fileiras dos exércitos da fé. Para Demas, na grande e desenvolvida Tessalônica a vida cristã poderia ser vivida na mornidão e apenas nominalmente, rotuladamente e sem ofertas de surpresas dos perigos e ameaças por causa de questões filosóficas. Numa cidade grande e no meio da multidão mesclada e matizada de sabedorias humanas e superstições não era fácil ser visto, ao mesmo tempo que era muito melhor e facilitado viver e contar com as benesses e favores dela.

Demas queria vida tranqüila e rodeada de facilidades. Tessalônica lhe foi a melhor pedida e a excelente escolha. Nada podemos dizer que ele fora para aquela grande cidade portuária e comercial para viver mergulhado no pecado, mas também coisa alguma podemos afirmar que Demas continuou a ser o mesmo cristão caloroso que era antes.

Demas deu um salto, mas não para o futuro com o Senhor do Evangelho pregado por Paulo. Na verdade, Demas sofreu um tombo numa queda para o passado distanciado e afastado do Senhor Jesus Cristo de quem foi um dos ministros e para Ele trabalhou a fim de anunciar a Sua Palavra de Salvação.

Assim sendo, como aquele Demas, podem estar existindo muitos “Demas” que ouviram a mensagem poderosa do Evangelho, testemunharam sinais e maravilhas do poder do Senhor Deus no momento das pregações, do ensino e das orações e consagrações, pregaram e ensinaram, todavia um dia desafortunadamente as coisas apertaram mais e lhes espremeram ao extremo, os cardos e espinhos lhes sufocaram e espetaram.

Até que perceberam o panorama real com a visão maior, mais clara e mais distante. Como Esaú, para uns o prato do guisado de lentilhas é equivocadamente o tudo e o suficiente para lhes atender e satisfazer o momento e não lhes importa o depois. Para outros, trocar o galardão do Céu pelas facilidades e apogeus do mundo presente é tudo que querem para lhes promoverem valores terrenos.

Assim como aquele Demas, muitos “Demas” nos nossos dias estiveram engajados no calor das campanhas evangelísticas, se empenharam dando sangue, suor e lágrimas objetivando alcançar almas para o Reino de Deus. Quando tudo lhes era festa, quando o mar estava tranqüilo, quando os ventos estavam leves como brisas, quando os bolsos, as panelas, o tanque de combustível, a geladeira, o freezer, estavam cheios e abastados. Tudo ia bem e no “sabor de mel”, mas como tudo na vida terrena, eram momentos.

Assim como aquele Demas, podem estar existindo muitos “Demas” nos nossos dias cujas fé, confiança e convicções estejam moldadas e amalgamadas nas conveniências e facilidades ambienciais e apoiadas em contextos favoráveis. É muito possível a probabilidade de que esses “Demas”, assim como aquele Demas, sejam colhidos pelas provações e caiam em frieza na fé e lamentavelmente sejam absorvidos pelas tentações das muitas “tessalônicas” que nos nossos dias existem.

Visto que qualquer um de nós possa experimentar momentos desafortunados como Demas, sempre que possível ajude, busque, recolha e acolha de volta todo e qualquer “Demas” que encontrar no seu caminho. Porquanto cada um deles possui o seu valor e seja possível que em algum tempo cooperaram muito com suor, sangue e lágrimas no esforço colaborador das calorosas e difíceis tarefas de salvação e de edificação de muitas almas para o Reino de Deus.  
PbGS

quarta-feira, 6 de julho de 2011

CIDADES OU CAVERNAS?


CIDADES OU CAVERNAS?
Para qual seria preciso ir?

Este artigo não visa o propósito de se ater na exposição exaustiva de pormenores históricos e detalhes geográficos, porém nas preciosas lições que os textos bíblicos no assunto oferecem. Cidades e cavernas de refúgio trazem muito mais do que se poderia ligeiramente conhecer. Os olhares em relances jamais possibilitariam acessar e extrair a profunda essência de ensinamentos que podemos depreender das cidades e cavernas de refúgio.

Alegro-me muito mais ao chegar à conclusão deste artigo, pois nela compreenderemos melhor as razões pelas quais a soberana providência divina nos ofertou o único, perfeito, completo e imutável refúgio. De que valeria uma pessoa corresse para cidades a fim de nelas esconder-se e aninhar os seus pecados em confinamentos no refúgio do tempo, ou se dirigisse para cavernas sob a suposição de nelas encontrar abrigo em se refugiar das constantes lutas e tribulações, se o Refúgio é o Cristo Filho do Deus Vivo e Verdadeiro?

Começo por dizer que a vida de cada pessoa tem os seus passos de história marcados por experiências diversificadas. A realidade individual de cada um desses passos nem sempre é abertamente conhecida de todos. Existem as tristezas desalentadoras, mas também há as alegrias vigorantes. Existem os momentos da batalha, mas há os do recolhimento.

Em cada passo as experiências mais novas são agregadas às antigas  e ambas progressivamente podem ser somadas, ou se ampliarem, ou ainda se subtraírem, dependendo da capacidade individual de cada um em perceber, selecionar e decidir sobre quais delas deseja ou precisa. Nem todas devem ser aproveitadas, mas de todas precisamos extrair lições úteis que podem nos fazer sábios e maduros. Maturidade não significa sabedoria, mas sabedoria conduz à maturidade. Maturidade é construída por experiências, mas sabedoria é forjada no calor da vivência.

Qualquer pessoa já experimentou o momento de escolher entre o que deseja e o que precisa. Desejos estão ligados à opção de vontades e de querer voluntários e deliberados, entretanto necessidades estão direta e intrinsecamente ligadas à manutenção e equilíbrio da vida. Desejos são opcionais e facultáveis e necessidades são indispensáveis, imperativas e inevitáveis.

Em cada vida existem os momentos opcionais, desejáveis, mas também há os inevitáveis, necessários. São os momentos do monte e os dos pastos verdejantes, mas também os do vale e os do deserto. Existem os tempos das águas tranqüilas, todavia também há aqueles nos quais elas rugem e bramem. Existem os momentos de estar participando ativamente nas batalhas em campo aberto, mas não devemos esquecer que também há aqueles nos quais andamos no vale, e há os de recolhimento para se refazer, se preparar e se aprontar no refúgio para novas batalhas e futuras empreitadas.

Normalmente os momentos do campo são públicos e conhecidos e geralmente os do refúgio são íntimos e guardados. Quando no monte, facilmente se pode ser notado. Quando no vale, o número dos que se solidarizam é menor. E quando no deserto e na caverna, esse número sempre é mais ainda o menor de todos. Um conjunto de experiências que constroem o histórico individual da vida de cada um.

Nos momentos do monte, do pasto verdejante e das águas tranqüilas, todos parecem saber onde facilmente desejam estar. Porém nos momentos do vale, do deserto e das águas revoltas e bramidoras, nem todos sabem aonde necessariamente precisam ir. Há os momentos dos reconhecimentos e de glórias, mas também existem os das injustiças e de tribulações, e é preciso saber lidar com eles, visto que ambos somam sabedoria, entalham respostas e nos oferecem caminhos.

E uma das tônicas mais intensas acima de qualquer desses momentos reside na verdade intemporal de que o Senhor Deus é o Deus que não compactua com o pecado e abomina a injustiça, e isto são verdades terminante e definitivamente bíblicas. O Senhor Deus é o Deus das misericórdias e da longanimidade para com todos, mas não é um deus de complacências e tampouco de abominação e iniqüidades para com qualquer um deles.

O Senhor Deus tem a Sua maneira especial e soberana de trabalhar e separar as coisas dos homens, visto que o propósito do Senhor é preservar e resgatar vidas perdidas sob quaisquer condições e estado nos quais se encontrem. É preciso sabermos e mantermos vivo e aceso em nosso íntimo que Deus não é um deus de conluios, de abominações e de mandamentos variáveis e sombrios.

Deus sempre separou as coisas e colocou-as nos seus devidos lugares. Deus dá o frio, e também provê o cobertor. Os homens possuem imperfeições e cometem erros, mas também têm virtudes e sabem o momento de acertar e o que fazer para isto. Se conformar à imperfeições e viver entregue aos erros é apagar virtudes, declarar irracionalidade e aplaudir, supervalorizar e eleger imperfeições e erros.

Nos dias de Moisés e de Josué foram designadas cidades de refúgio. As primeiras delas foram designadas por Moisés, e mais tarde as outras o foram por Josué e pelos chefes das tribos israelitas. 

Para refúgio, existiam as cidades de refúgio que serviam como uma possibilidade de asilo, mas também haviam as cavernas que poderiam ser usadas como refúgio. A grande diferença na procura de ambas estava no foco motivador e nos propósitos de sua busca.

As cidades de refúgio eram destinadas para exílio e penitência de homicidas involuntários, réus confessos fugitivos pelo medo de serem vingados com a morte. Elas não foram propostas para encobrir aqueles que já sabiam conscientemente que eram culpados. Nelas o grave errante que contaminara a terra acidentalmente poderia encontrar a possibilidade de refúgio em caráter de reclusão depois de ser examinado e julgado.

Já as cavernas eram utilizadas para abrigo e defesa. Desde os tempos remotos as cavernas foram usadas para habitação, para refúgio e por vezes algumas delas para servirem de túmulo. Entrar na caverna para refúgio era um grande sinal pertinente a valentes. E correr para as cidades de refúgio era uma clara confissão e assunção de graves erros para os quais não se buscava expiação e erradicação, mas sim um aplacamento de consciência diante do terror do medo de ser colhido pela morte vingativa.

Cidades de refúgio eram para homicidas amedrontados e aterrorizados sob expectativas de morte cometida e da morte futura que lhes traria a liberdade, e cavernas de refúgio eram para valentes corajosos perseguidos sob ótica de mudanças e levantes. As cidades de refúgio eram estrategicamente próximas e distribuídas relativamente fáceis de serem acessadas, mas as cavernas de refúgio eram distantes e notoriamente difíceis de serem achadas.

As cidades de refúgio ofereciam proteção, mas jamais perdão; cediam abrigo, mas eram impotentes para disciplinarem e falarem de mudança de vida; garantiam a possibilidade de proteção contra os excessos e ameaças provenientes de inimizades aspiradoras de vingança, mas eram insuficientes para declararem expiação; justificavam e isentavam o grave erro do asilado, mas não proviam justificação para a pessoa do agente dele.

O medroso errante apavorado focando-se no seu grave erro cometido contra a vida, e sucumbido pelo medo e pelo remorso, corria facilmente para se asilar com sua bagagem aterrorizada em cidades de refúgios para nelas ser exilado com o objetivo de ter o seu erro escondido no tempo. As cidades de refúgio nada mais eram do que asilos de certa forma penitentes para reclusão e nada mais do que isso. Cidades de refúgio eram para medrosos, aterrorizados e apavorados pela ação da justiça vingativa.

O valente corajoso, todavia sentindo e enxergando o panorama do seu contexto com a visão de estratégia e de futuro, e movido pela coragem e pela valentia, se dirigia estrategicamente em busca de suprir suas necessidades, se fortalecer, se esconder temporariamente em cavernas usadas para refúgio. O temor de quem se dirigia para cavernas de refúgio era muito diferente dos medos e tremor aterrorizantes de quem corria para cidades de refúgio. Cavernas de refúgio eram para corajosos, valentes e estrategistas, ainda que por vezes eventualmente perseguidos.

Medrosos pesarosos, errantes confessos, por terem contaminado a terra, corriam para as cidades de refúgio, pois eram os únicos lugares que lhes restavam para aplacarem seus erros no tempo. E corajosos valentes, convictos e estratégicos, por estarem sob perseguição, se dirigiam para as cavernas, porquanto eram os lugares que lhes conferiam segurança para reflexão, aprendizagem, fortalecimento, adestramento, para mudanças futuras.

Cidades e cavernas para refúgio. Tanto possuiam geografias diferentes quanto revelavam motivações e propósitos diferentes. Os que corriam para as cidades de refúgio o faziam motivados pelo medo e pelo remorso conscientes dos erros e conseqüências do juízo e vingança que lhes pesavam. E os que se dirigiam às cavernas de refúgio o faziam não por erros cometidos, mas por necessidades de se refazerem, de se prepararem, se aprontarem, mudarem e se fortalecerem. 

Enquanto o medo era a força motriz do remorso que apontava para o asilo nas cidades de refúgio, a coragem era o poder impelidor da valentia que dirigia para o esconderijo temporário nas cavernas de refúgio. Cidades de refúgio impunham condições e confinamentos, e cavernas de refúgio exigiam percepções e ofereciam momentos e ambiente para aprendizagem e juízos livres.

Cidades de refúgio eram sinônimos de asilo e de penitência indeterminados para quem estava consciente de seus erros e desejava encobri-los no tempo, e cavernas de refúgio significava esconderijo eventual e abrigo passageiro para quem necessitava se refazer, se fortalecer e se preparar. 

Correr para cidades de refúgio era sinônimo de medo, remorso, privação e limitação confinante, e se dirigir às cavernas significava coragem, estratégia e adestramento. Quem corria para as cidades de refúgio não eram pessoas movidas por intenção de mudanças, de arrependimento e de conversão dos erros cometidos, mas eram os movidos pelo tormento do medo de vingança, pelo desejo de se “safarem” do mal que cometeram e pelo remorso sob sujeição de confinamento restritivo, perdas e limitações.

Correr para cidades de refúgio significava confissão declaratória de erros graves, uma forma de assumir e reconhecer publicamente o grave mal cometido, passivo de ser trazido a exame, julgamento e veredicto. Correr para cidades de refúgio não era uma demonstração do senso lúcido e consciente de necessidade de mudança, de arrependimento e de conversão tocada em resultado de conseqüências do grave mal cometido. E buscar e se dirigir para cavernas de refúgio queria dizer iniciativa de valentia e coragem de preparação e prontificação.

Correr para cidades de refúgio significava tentar esconder os erros no tempo e conviver normalmente com eles, mesmo vivendo inquieto e dissonante com o que poderia advir deles. O espectro do medo de vingança rondava e campeava os arredores das cidades de refúgio, e os refugiados nelas possuíam a certeza disso, tanto que tremiam e temiam sair delas e serem encontrados pelo vingador. Fora dos muros delas ninguém acatava e acolhia com bons olhos os graves erros dos refugiados que estavam dentro.

Se dirigir para cavernas de refúgio queria dizer se colocar em reflexão, meditação e a mercê de mudanças. Cidades de refúgio olhavam e se prendiam no passado alimentando-se dele, no grave mal cometido lá atrás. E cavernas de refúgio enxergavam e consideravam o futuro reabilitando para os embates dele, o que iria acontecer dali para avante. 

As cidades de refúgio impunham sobrevida confinada e recluída na aspiração e expectativa em torno de mortes, enquanto as cavernas de refúgio ofereciam oportunidades e meios de fortalecimento, preparação e vigor em torno de vida. Cidades de refúgio confinavam e privavam, e cavernas de refúgio adestravam e prontificavam. As cidades de refúgio externavam notícias com cheiro de morte, e as cavernas de refúgio refletiam novas com perfume de vida.

Nas cidades de refúgio, os refugiados podiam viver e continuar suas práticas alheios e livres de sofrerem censuras externas, porém confinados e privados debaixo da chancela do medo da morte. No entanto, nas cavernas de refúgio, os refugiados deveriam viver com propósitos de mudanças e eram livres de embargos e imposições dos sinetes de esconjuramentos. Correr para cidades de refúgio era uma opção ofertada, e se dirigir às cavernas de refúgio era uma obrigação sentida.

Aquelas cidades de refúgio foram cessadas e o seu tempo e suas épocas passaram. E algumas cavernas de refúgio ainda preservam um pouco de características. Mas tanto cidades como cavernas se apagaram no tempo e no espaço geográfico. Delas restaram apenas ruínas geográficas, mas por outro lado delas também brotaram lições espirituais e figuras e símbolos que representativamente permanecem vivos.

Não há mais necessidade de correr para cidades de refúgio fisicamente limitadas e legalmente confinantes ou se dirigir para cavernas de refúgio fisicamente inóspitas. Sabemos que as cidades de refúgio por certos aspectos e de certa forma eram um tipo de Cristo. Elas apontavam para a pessoa de Cristo apenas por alguns ângulos, visto que eram limitadas, temporais e imperfeitas para possuírem totalidade e completude na simbologia em relação a Cristo.

Aquelas eram apenas asilos confinantes e proteção limitada para o grave e medroso errante, e Jesus Cristo é o eterno Castelo Forte e Salvador em todos os aspectos para o perdido pecador. Aquelas impositivamente privavam, recluiam e cerceavam com restrições, e Jesus Cristo verdadeiramente liberta e cabalmente justifica. Aquelas aspiravam expectativas de morte, e Jesus Cristo concede vida eterna e abundante. Aquelas ofereciam facilidades temporais e concessões naturais, e Jesus Cristo provê dádivas eternas e bênçãos espirituais.

Para aqueles que permitem a firme e doce voz do Espírito de Deus convencê-los e guiá-los, verdadeiramente sensibilizados por ela encontram a Sua direção para o refúgio do Senhor Deus aonde devem dirigir suas vidas em cada fase que se encontrem. O Livro dos Salmos é categórico em declarar que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”. Sl 46.1-2.

Existem os desejos voluntários ou acidentais para os erros, porém há a necessidade de evitar cometê-los. A Bíblia Sagrada diz que o pecado jaz à porta, porém cumpre-nos dominá-lo e em outra parte diz “aquele que quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”, disse o Senhor Jesus, o Verdadeiro Refúgio.

Se refugiar em Cristo é se resignar a si mesmo para gozar das bênçãos, favores e dádivas do Refúgio Eterno. A sensação de estar refugiado jamais é a mesma de possuir a certeza de estar guardado e assistido no refúgio. Em Cristo é desnecessário idealizar um refúgio conforme a concepção e imposição de pensamentos e correntes humanas.

Uma pessoa pode desejar viver toda a sua existência mergulhada em graves erros, mesmo sabendo naturalmente que não há a necessidade e a obrigatoriedade para cometê-los. Em contrapartida ela também precisa saber que diferentemente daquelas cidades de refúgio do passado, o Senhor Jesus Cristo, o Verdadeiro Refúgio, recebe o grave errante como ele vem, mas permanecer em Cristo é sinal de arrependimento, de conversão e de mudança de vida. Não há como estar em Cristo, o Refúgio, se não existe a expectativa de mudança de vida.

Em Cristo não se carece de mecanismos de compensação através de obras altruístas e de justificações visando atenuar ansiedades causadas pelo conflito entre desejos pessoais e santificação orientada na Palavra de Deus. Quem está em Cristo não precisa de mecanismos de deslocamento e de projeção transferindo para os outros o peso de juízo que cabe sobre si mesmo visando reduzir tensões causadas pela censura.

Em Cristo não se necessita de mecanismos de sublimação transformando ou desviando instintos inatos para adoção ou concepção de idealismos e suposições que buscam aquiescências contraditórias à Palavra de Deus. Quem está em Cristo não precisa de mecanismos de fantasias imaginando planos discordantes e descasados da realidade e verdade da Palavra de Deus.  

Uma pessoa pode sentir o peso e a força tendenciosa do desejo aos erros, pode acidentalmente imaginar-se em algum deles, entretanto fugir deles e não se entregar a eles por ter a lúcida consciência de sua necessidade de não incorrer ou incidir neles é a melhor iniciativa e mais declarativa intenção de buscar o refúgio em Cristo e receber o Seu socorro em tempo oportuno. Precisamos ser imparcialmente radicais em evitar e fugir de todo embaraço que nos rodeia.

A tendência que arrasta a alma e o corpo aos erros é a mesma que é confrontada diuturnamente pela verdade orientadora e discernidora da Palavra de Deus. As cidades de refúgio não contribuíam para modelagem de caráter do refugiado e não possuíam disciplina formativa para tal, porém as cavernas de refúgio levavam o refugiado para reflexões e experiências pessoais com vistas em mudanças e levantes sem pesares, sem incômodos e sem inquietações.

Uma pessoa pode experimentar fases e épocas de lutas e sofrimentos por oposições e perseguições, e se dirigir ao refúgio de Cristo para nele orar sem cessar, meditar e refletir na Palavra de Deus. Essa é a mais acertada decisão para buscar se refazer, para aprender, conceber e absorver a vontade de Deus, para buscar fortalecimento e para se adestrar visando futuras batalhas. Quer açoitados por erros, quer fugindo das perseguições, precisamos correr e nos dirigir ao Senhor Jesus, o nosso Refúgio Verdadeiro, completo, perfeito, permanente e eterno.

Hoje, portanto, de que valeria desejar nos refugiar em cidades ou precisar ir para cavernas, se Cristo é o Verdadeiro Refúgio? Tudo que desejamos e precisamos é estar em Cristo e permanecer nEle, visto que “quem está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo”! 2Co 5.17; Rm 8.9. Ele é o nosso Refúgio e nEle alcançamos socorro em tempo oportuno.

Se pecarmos, precisamos levar os nossos pecados a Cristo. Se formos perseguidos, precisamos fazer os nossos perseguidores serem conhecidos de Cristo. Se formos tentados, precisamos estar de pé e firmes para não cedermos e cairmos da graça. Sob toda e qualquer condição inquietante, o que mais uma pessoa precisa é se refugiar em Cristo e aceitar incondicionalmente a vontade dEle para o refugiado. Ainda que o refúgio de Cristo soe como uma opção, notemo-lo como a oferta divina concedida por graça para a qual precisamos atentar a fim de não ficarmos de fora no grande e terrível dia de Sua vinda.

Qualquer pessoa pode e precisa vir a Cristo, e depois que vem a Ele, pode e precisa negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz diariamente e segui-LO. Isto é mudança de vida abrigada no Refúgio. Permanecer em Cristo é infinitamente mais do que idealizações, sensações e divagações existentes apenas em pensamentos e delírios teóricos e movidos por vontades anelantes.

Permanecer em Cristo é estar real e verdadeiramente refugiado nEle. Somente somos amigos de Cristo se permanecermos verdadeiramente na Palavra dEle. Quem permanece em Cristo, não está asilado nEle, mas refugiado nEle. Quem está verdadeiramente refugiado em Cristo, não desejaria correr para cidades e nem precisaria se dirigir para cavernas. 

Uma boa e grande nova: nem cidades e nem cavernas para refúgio, pois o verdadeiro refúgio é Cristo!
PbGS