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quinta-feira, 2 de maio de 2013

OBEDIÊNCIA: bênção para servir.


OBEDIÊNCIA: uma bênção para servir.
Não transforme obediência em obrigação fria.
Serviremos ao Senhor, o nosso Deus, e lhe obedeceremos.” Essa foi a expressão que o povo hebreu disse a Josué por ocasião do pacto da renovação de sua aliança com Deus quando em Siquém. Js 24.24.

Servir e obedecer. Serviço e obediência. Das duas palavras de ação, começo por dizer que o foco temático deste texto está concentrado na segunda expressão – obedecer.

Obedecer é uma ação que está intimamente ligada ao ouvir, ao atentar para, ao atender, ao seguir ou se submeter à vontade de outrem. Obedecer está ligada a palavras e a exemplos. Obediência inspira, influencia e promove mais o valor e a importância de obedecer. Obediência envolve raciocínio, inteligência, temor, respeito, conhecimento e lucidez.

Quando o ato de obedecer se faz cego, frio e insensível, então deixa de ser propriamente obediência e passa a trilhar o perigoso caminho do fanatismo, da loucura, da insensatez e da intolerância. Por outro lado, forças estranhas tem intentado por várias estratégias se infiltrarem no seio dos filhos do Reino para lhes fazer distanciados, distraídos e ocupados do seu foco de obediência a Deus como preconiza a Sua Palavra. Alguém quer por todo custo nos fazer que sejamos apenas obedientes a Deus subjetivamente, de forma estática e contemplativa, numa cultura que se mova apenas represada num mundo imaginário, sem ações respondentes para o enfrentamento objetivo diante das situações do meio exterior.  

Obedecer é uma atitude que se exterioriza no comportamento. Obediência possui os seus dois lados. Além de ter o seu ambiente subjetivo, ela se manifesta no mundo objetivo. Não existe obediência restrita e resumida ao mundo subjetivo. Obediência resulta em frutos palpáveis, observáveis e avaliáveis. A obediência não se contenta, não se satisfaz e não se restringe no mundo de imaginações. Quem obedece atenta ao que ouve e é impelido para o agir.

Não há como existir obediência apenas na imaginação. A obediência do homem interior se exterioriza de alguma maneira no seu exterior, na sua vontade e esforços de buscar se fazer melhor e mais correto no seu obedecer. Quer seja uma demonstração de obediência integral ou quer seja a manifestação de atos de obediência parcial. Quer seja um obedecer por certo tempo, quer seja o engajamento em uma obediência levada a sério com primazia, prioridade e reverência por toda a vida, mas de alguma forma essa obediência vem a lume.

Na nossa vontade e esforços para obedecer ao Senhor, e na busca de nos fazermos melhor e mais aperfeiçoados na obediência somos ajudados pelo Espírito Santo. O Espírito Santo está dentro de nós e também conosco. Jô 14.17. E no empreendimento de obedecer aos princípios de Deus como Seus filhos que somos por adoção, Ele nos ensina, nos instrui e nos adestra através das experiências que passamos. 

Obediência é um princípio estabelecido por Deus para todas as coisas. Apesar da obediência exigir sacrifício, ela é melhor do que sacrifícios. É possível a uma pessoa demonstrar ações de sacrifícios e dentro dela mesma tais ações apenas serem movidas por costumes habituais frios, robóticos e mecânicos. Ou até mesmo sob a visão de interesses ocultos.  

Obediência não é exigência exclusiva imposta a umas pessoas e a outras não. Obedecer não é isenta para uns e esteja obrigada para outros. É muito possível a uma pessoa conduzir seus vícios habituais como se estes fossem atos responsivos de obediência. É muito possível e até mais fácil impor e exigir obediência de outros do que propriamente de si mesmo oferecer liberal e voluntariamente exemplos de obediência individual que inspirem e promovam a consolidação da obediência mútua e coletiva.

Obedecer é uma ação bem definida. Ou se obedece ou se é desobediente. A obediência não deve ser apenas de palavras, nem tampouco somente de ações. A nobreza da obediência não está  apenas no falar ou no cumprir em fazer algo simplesmente, mas também na maneira como se enxerga e se entrega a realiza-lo. Segundo as Escrituras, torna-se passivo de desprezo um ato de obediência desprovido da demonstração de fervor genuíno e sincero com a devida propriedade visível no reconhecimento de fazê-lo.  
O vocábulo obediência e seus sinônimos ou derivados aparecem na Bíblia Sagrada mais de 150 vezes. O Senhor Jesus, o Filho de Deus, é o maior exemplo de obediência. Obediência humilde e submissa mas com poder e autoridade. Obediência quase incompreendida mas com honestidade e sobriedade. Obediência odiada mas com sabedoria e simplicidade. Obediência é o oposto da arrogância, da soberba e da altivez. Não poucas pessoas encontram sérias dificuldades para obedeceram.

A vida cristã ganha vivência e experiência nas trilhas da obediência ao Senhor Deus e da disciplina ensinada na Sua Palavra. Quando um ambiente se reveste da obediência hipócrita, apenas aparente, deixa então de ser saudável e passa a ser doentio. Pior se torna quando isso é por parte daqueles que lideram nele ou o representam, por ele respondem. Torna-se então em palco de exemplos "finos", "cultos" e "politizados" da desobediência.  

Obediência por deveres e obrigações impostos é uma pobreza mesquinha que contenta e satisfaz apenas e somente as mesas do mundo dos homens. A obediência por deveres e obrigações pode iludir as melhores e mais poderosas das vistas humanas. Esse tipo de obediência tem arrastado muitas pessoas à perda da melhor fragrância do que já foram e lhes roubado a melhor essência do que já possuíram. Afinal, desde a queda dos nossos primeiros pais no jardim do Éden em conseqüência da desobediência, o homem vem sendo diuturnamente enganado e morto pelo desejo curioso dos olhos.

Obedecer não é uma palavra obsoleta, esquecida, ou de somenos importância. Querer servir a Deus sem obediência é enganar a si mesmo com migalhas da vil parcialidade “achista”. No servir a Deus, o “achismo” e as opiniões próprias e particulares isoladas não possuem vez conjunta. Embora da obediência tenha sido um tanto ignorada a sua essência, e recebido indevido destrato e desatenção imerecida a ela. Nenhum de nós seria suficientemente capaz de mensurar ou avaliar integralmente e como merece a obediência de outrem.

Ao longo da história, para alguns líderes tem sido muito mais fácil julgar e enquadrar liderados, e exarar deferimento de “santa condenação” sobre atos insatisfatórios destes segundo a visão que aqueles possuem e nutrem, do que propriamente investir e persistir em instruções e resgates para tornar seus liderados mais sóbrios, conscientes e aperfeiçoados na caminhada de obediência. Em questão de obediência, o ponto forte e referencial são as Escrituras e o ponto apurador está exclusivamente na mão do nosso Bom e Eterno Senhor.

Definitivamente é um grande prejuízo na vida para uma pessoa que leva seus anos na vida cristã literalmente empurrando seus dias arrastados debaixo das rédeas de uma obediência parcial, movida apenas pela força dos deveres e obrigações religiosos ou eclesiásticos. Por conseqüência desse tipo de obediência, líderes e ministérios cristãos correm os sérios riscos de, mesmo não confessando com palavras, seus ambientes se fazerem afastados do Caminho, se desolarem da essência de igreja de Cristo, perderem a natureza de Reino e ganharem a égide pujante de impérios. Assumindo apenas configurações rotuladas tentando levantar totens e sustentar uma flâmula social-religiosa, agregadora e vinculativa, que segundo suas vistas acreditam ser o Evangelho da graça de Deus.
Não há como servir a Deus sem que haja vontade e esforço palpável e visível para obedecê-lo. No Reino de Deus, não há como se manter uma obediência imaginária, estática e contemplativa. Para ser sal da Terra e luz do Mundo e se manter fiel, firme e consistente nas tarefas da missão do Evangelho é preciso obedecer ao Senhor Deus como diz a Sua Palavra.

Alguém valoriza a obediência ensinada na Palavra de Deus ao passo que também enxerga essa obediência em outros que estão vivendo e exemplificando a importância da mesma. É falsa e falaciosa uma demonstração de obediência no estilo farisaico e impositivo, ditatorial, dominador. Ao passo que alguém vê os frutos e bênçãos da obediência livre e voluntária em outrem, também este é inspirado, influenciado e desejoso a também da mesma forma obedecer como aquele que o levou e o mostrou vivencialmente ao caminho da obediência livre e voluntária. Obediência aparente, obrigada, recheada de “achismos” e de opiniões sem apoio bíblico, é apenas hipocrisia. E a pior dela é a hipocrisia cultivada em corações influentes e expressivos no santuário.     

PbGS




domingo, 24 de julho de 2011

“MAKÁRIOS” (μακάριος) em Ap 1.3.


“MAKÁRIOS” (μακάριος) em Ap 1.3.
Bem-aventurados...

Bem-aventurado, na linguagem comum é uma palavra-chave empregada para qualificar uma pessoa favorecida, alegre, venturosa, contente, satisfeita, afortunada e bem sucedida. Fala do estado, ou condição pessoal, de alguém num dado momento com relação a algo no passado, ou no presente, ou no futuro. Em Ap 1.3 o seu sentido é muito mais precioso, visto que excede ao entendimento comum.

Existem razões e fatores que motivam uma pessoa ao estado, ou condição, de bem-aventurança. E quanto à temporalidade, o significado e os valores, existem as bem-aventuranças transitórias, limitadas e passageiras, todavia há as incalculáveis, perenes e imensuráveis. As bem-aventuranças em Ap 1.3 estão nesta segunda classificação. E são muito mais valiosas porque nos falam seguramente de fatos na terra e nos revelam apropriadamente acontecimentos no céu. 

O Livro do Apocalipse, livro das revelações, abre o seu prólogo com a primeira das sete bem-aventuranças nele citadas. Sete é o número que representa a inteireza e a perfeição. O Apocalipse vem com isso nos dizer simbolicamente da inteireza e da perfeição da bênção expressa em cada uma dessas bem-aventuranças. A expressão “bem-aventurados” traduz a palavra “makários” do texto grego original.

Esse verbete registrado no versículo em pauta é muito mais amplo, possui profundidade, querendo nos dizer da poderosa e maravilhosa bênção que está reservada para todos aqueles que lerem, ouvirem e guardarem as coisas registradas nesse livro.

O Apocalipse contém algumas expressões que são definitivamente suficientes e incontestáveis para demonstrar as suas autoridade e legitimidade como um documento autêntico e legal. As bem-aventuranças em Ap 1.3 possuem, prometem e oferecem, portanto,  respaldo indubitável e seguro.

Sem o Apocalipse estaríamos incompletos de conhecimento e de entendimento quanto ao panorama futuro da humanidade. Ainda que lamentavelmente alguns queiram vedar os seus olhos, tampar os seus ouvidos, silenciar as suas falas e bloquear seus corações e mentes quanto às verdades registradas na linguagem simbólica do Apocalipse, todavia o curso da história a cada dia mostra e revela, desvenda e publica o cumprimento das coisas que nele estão escritas.

O Apocalipse não apenas fala de juízos e pragas sobre o mundo e os incrédulos, não apenas fala de informações futuras. Mas também fala de bem-aventuranças e de coisas que visam fortalecer o nosso coração na confiança, no temor e na dedicação de uma vida cristã normal ao Senhor Jesus Cristo, o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, o Primeiro e o Derradeiro.

Ler o Livro do Apocalipse é encontrar em cada uma de suas profecias as promessas e o caráter da pessoa de Deus. Nesse livro encontramos também o encorajamento extremamente incentivador e a forte e presente inspiração para lê-lo, ouvir cada palavra da profecia dele e guardar as coisas nele escritas. São as coisas que foram vistas, as coisas que são e as que hão de ser. 

O conteúdo desse livro nos alerta e nos faz a cada dia estarmos dispostos e preparados para os acontecimentos que vão transcorrendo ao longo do curso da história da humanidade. Ao mesmo tempo em que nos mostra quadros futuros, também nos diz da iminência de acontecimentos e da inerrância da Palavra de Deus em cumprir do princípio ao fim cada palavra e cada uma das coisas registradas nela.

Diante do Livro do Apocalipse caem por terra todos e quaisquer teorias e teoremas, hipóteses e heresias, estudos e suposições, inferidos, imaginados, deduzidos, criados, engenhados, por qualquer linha do pensamento humano. Diante do Livro do Apocalipse são silenciadas todas as conjecturas e filosofias humanas futuristas. Diante do Apocalipse, os imediatistas, os eventualistas, os prognosticadores e os hipotéticos são calados.

Aos que lêem, ouvem e guardam o Apocalipse, pouco interessam os esforços inconformados e desconfortados, ainda que ilustres e bem reconhecidos, porém vãos e inúteis, com os quais o mundo e a mente secularizada e incrédula empreitem na tentativa de fazer desacreditar o conteúdo firme e inabalável do Apocalipse.

Os que lêem, ouvem e guardam o Apocalipse não se surpreendem com juízos e pragas nele registrados, porquanto está escrito que “é mister que tudo isso aconteça”, mas se importam e se empenham com as bem-aventuranças que o livro declara e promete.  

Convido, então, o caro leitor a refletir em Ap 1.3. Ele contém uma tríplice bênção com promessa de bem-aventuranças que nos inspiram, nos encorajam e nos impulsionam a nos apegarmos cada dia mais ao Senhor Jesus Cristo, o Primeiro e Derradeiro.
Quem, pois, esse versículo declara que realmente é bem-aventurado?

1. Bem-aventurado o que lê o Apocalipse.
O Apocalipse é um livro especial e, por conseguinte, requer um tipo de leitura especial. Ele também recomenda uma forma de leitura abençoadora para servir de bem-aventurança para aquele que a faz e a quem toma conhecimento do conteúdo dela e o guarda.

Ler é uma atividade extremamente benéfica, uma tarefa notoriamente recompensadora. O ato de ler é uma ação ativa, um esforço psicomotor numa forma de trabalho que exige a aplicação de alguns requisitos. Os preguiçosos e desinteressados em ler geralmente são os que menos examinam, os que mais superficialmente conhecem e os que mais facilmente são embaraçados e vencidos.

Ler é um desafio para alguns ou pode ser um prazer e satisfação para outros. O hábito de leitura tem sido ampliado através do emprego de alguns meios e facilidades proporcionados pelos recursos da tecnologia. Os conteúdos que lemos hoje poderão ser testemunhas contrárias ou favoráveis a nós amanhã. E o empreendimento tecnológico de certa forma vai ser usado no futuro como um dos fatores testemunhas contra a nossa negligência, ou em favor do nosso empenho, no que hoje lemos, ouvimos, guardamos e realizamos.

A leitura já não se prende mais ao papel, visto que alcançou as telas digitais. As gerações mais despertadas estão lendo mais, e cada vez mais saindo também da realidade do papel e tinta para alcançarem a dos telões, telas e telinhas digitais. Toda essa realidade está nos mostrando os caminhos das facilidades e de empregos para o acesso à leitura da Palavra de Deus que se tornarão em futuras prova e contra-prova testemunhais.
Entidades dão conta de que o número de leitores tem sido crescente, graças aos multi-incentivos direcionados ao seu acesso por todas as classes, graus de escolaridade, níveis e círculos sociais. Dados estatísticos apontam que o brasileiro está definitivamente incorporando o hábito da leitura, o que se deve à universalização da educação, os requerimentos da atualidade e aos avanços dos segmentos interativos de nossos dias.

Entretanto, com relação ao Apocalipse, a forma de leitura citada no versículo em pauta não se prende ao meio empregado, todavia à explicação e a amplitude que conclui o versículo. Não é apenas uma questão habitual ou ritualista de ler, mas a forma e a razão de ler o Apocalipse com vistas ao panorama que está por vir, ou sendo percebido, no desenrolar dos acontecimentos.

O versículo abre o seu teor dizendo “Bem-aventurados o que lê...”. A palavra “lê” traduz a original “anaginoskon” do texto grego, do verbo “ảnaginósko”, que diz daquele que faz a leitura em voz alta. Aqui não se trata de leitura introspectiva ou de leitura de estudos particulares, ou leitura silenciosa. Mas de uma forma de leitura que alcança os ouvidos de quem a realiza e nos dar a entender que é uma leitura que alcança outros a ouvirem-na.

Uma leitura também empregada em forma de anúncio instrutivo aos ouvidos próprios ou de outrem. Essa forma de leitura “ảnaginósko” foi a mesma empregada pelo eunuco etíope, oficial administrador dos tesouros da rainha de Candace, na sua carruagem trafegando no caminho para Gaza, quando fora abordado pelo diácono evangelista Filipe que, dirigido pelo Espírito do Senhor, no local ouviu a leitura que estava sendo feita no livro do profeta Isaias por aquele etíope. At 8.26-31.

Ainda que hoje você não compreenda inteira e completamente a simbologia do Apocalipse, leia-o para os seus ouvidos próprios ouvirem e aos de outrem também no momento próprio e oportuno, visto que isso servirá de inteira e perfeita bem-aventurança.

2. Bem-aventurados os que ouvem as palavras do Apocalipse.
O precioso versículo em atenção destina a bem-aventurança também aos que ouvem a leitura das palavras da profecia desse livro. Ouvir é uma atividade passiva, mas também exige do ouvinte uma boa medida de esforço direcional concatenado com os seus processos mentais e com a sua capacidade de assimilação do mundo externo.

Ouvir também pode ser uma tarefa seletiva, examinadora, dirigida e concentrada com o fim de conhecer, ou ir um pouco além em busca de depreender contextos ou informações. Ouvir é uma necessidade, e por si é uma dádiva, uma bênção. O empenho em favor da audição se elevou e ganhou consideráveis estímulos com o advento de excelentes recursos e reforços tecnológicos.

Apesar de serem encontradas numerosas massas de ouvintes, ainda é notada a deficiência na atitude de ouvir em partes delas. Muitos fatores influenciam no desafio de ouvir. Nem todos esses fatores são confessáveis com palavras. Muitos podem ser os fatores “ruídos” que interferem contra a atitude e a capacidade de ouvir.

Dentre esses “ruídos” estão o desinteresse, a descrença, a seletividade, os conflitos de informações, os preconceitos, a auto-confiança em opiniões, a subestimação da fonte, as influências tendenciosas, as incoerências comportamentais, as instabilidades e a imaturidade, o pecado acolhido e aninhado nos desejos e vontades, as forças diabólicas, podem interferir, travar, desarmar, a atitude eficiente de ouvir. 

Mas o versículo em estudo vai mais além da conhecida e rotineira atitude comum de ouvir. O Senhor Jesus recomenda repetidamente “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. A ação de ouvir é extremamente importante. O Filho de Deus pelos seus ensinamentos nos incentiva enfaticamente essa extraordinária importância nos fazendo estar motivados a ouvir.

Ser incentivados a ouvir não é a mesma coisa que estar motivados a ouvir. E existe uma breve, sensível e considerável diferença entre ouvir e escutar.

Muitos têm ouvidos, mas nem todos os possuem para saberem ouvir. Muitos possuem ouvidos, porém nem todos podem ouvir. Existem coisas que a todo tempo podemos ouvi-las, todavia há coisas que possuem o seu tempo próprio e oportuno para chegarem aos nossos ouvidos. Nem tudo que ouvimos hoje poderia ter sido por nós suportado ontem.

Saber ouvir é uma demonstração de sabedoria, é uma expressão de tato, uma aplicação de inteligência e também um exercício espiritual, e pode estar intrinsecamente ligada a ministérios e vocações.

Quem sabe ouvir, possui o domínio sobre a via da examinação. Quem sabe ouvir, sabe separar as coisas e têm o domínio de considerá-las nos seus devidos lugares. Quem sabe ouvir, sabe lidar com verdades, sinceridades, e examiná-las, absorvê-las. Mas também sabe não ser conivente com a mentira, a ilusão, e bem discerne o espírito do engano.

Existem coisas que outrora não podíamos ouvir, e há coisas que hoje podemos, temos estrutura, preparo e capacidade para ouvi-las. Coisas há que no passado nos desafiavam ao ouvi-las, contudo existem as que no presente as enfrentamos como propriamente nos equipa, nos prepara e nos adestra o nosso Mestre Jesus Cristo. 

O versículo registra “Bem-aventurados...os que ouvem as palavras da profecia deste livro”. A expressão “os que ouvem” traduz a palavra grega “ảkoúontes” do texto original, do verbo “ảkoúo” que significa ouvir com atenção, atender, prestar atenção, aprender pelo ouvir.

Cada vez que ouvimos assim o Apocalipse, mais ligamos nossa atenção a ele, mais tememos ao Senhor e atendemos às suas palavras, mais prestamos atenção às coisas que nele estão escritas e mais aprendemos observando-o e percebendo o panorama contextual das épocas. Ouvir o Apocalipse é aprender do Senhor Jesus e nos permitir sermos bem-aventurados. 

3. Bem-aventurados os que guardam as coisas escritas no Apocalipse.
Guardar as coisas que nele estão escritas nos traz a bênção prometida de bem-aventurança. Aqui fecha-se o trio “ler”, “ouvir” e guardar”, escrito no versículo em pauta. Guardar é uma atitude passiva que incide em nossas atitudes reflexivas. Ler é excelente, ouvir é recompensador, entretanto guardar é desafiante e ao mesmo tempo fortalecedor.

A expressão “os que guardam” traduz a palavra “teroũntes” do texto grego original, do verbo “teréo” que significa guardar, manter, conservar, observar, manter algo sob vigilância. Como é rico e empolgante para nós o emprego especial dessa palavra extraordinariamente significativa no texto. Notemos o conjunto de ações orientadoras que esse precioso texto nos ensina em relação ao livro e às nossas atitudes em relação aos acontecimentos que circundam os nossos contextos.

A Bíblia Sagrada é extremamente extraordinária em todo o seu rico e precioso conteúdo. Ela nos enriquece com os seus ensinamentos firmes e eternos, nos fala dos dias passados, nos descortina os dias futuros, nos prepara e orienta as nossas ações diante do que nos rodeia e do que se aproxima sobre a humanidade. Ela nos cativa, nos inspira e nos ensina a amar e temer ao Senhor Deus sobre todas as coisas, com toda a nossa alma, de todo o nosso coração, com toda a nossa força e de todo o nosso entendimento.

Assim, louvamos ao Senhor nosso Deus que nos deu o Apocalipse, porquanto o conteúdo do livro não se resume na finalidade de apenas transmitir informações, quadros de acontecimentos e dados, sobre o panorama futuro. O livro cumpre o seu propósito fundamental quando as coisas nele escritas são guardadas por nós, e nos norteia auxiliando-nos no presente com vistas para o futuro.

A bênção dessa bem-aventurança, dessa felicidade, não está destinada especial ou especificamente para quem entender o livro, visto que se assim fosse, nem mesmo os crentes mais dedicados, mais eruditos e mais instruídos a receberiam. O livro do Apocalipse é um livro de natureza profética. Nele percebemos que Deus proclama aos homens sobre quem Ele é, assim como o que Ele faz na história humana.

Sabemos que o Apocalipse intriga, intimida, contraria e coloca em desconforto muitas gentes pelo mundo afora. Com o passar dos anos as coisas ocultas que estão por vir vão sendo descortinadas. E os que sujam-se, se sujam cada vez mais. Os injustos continuam atolando-se na injustiça mais ainda. Quem escolhe e decide pelo mundanismo afoga-se nele cada vez mais. Os que estão limpos, limpam-se ainda mais. Os justos buscam se firmarem na prática da justiça cada vez mais. O que é santo se esforça em separar-se na busca da santificação progressiva ainda mais.   

O ápice e o corolário da conclusão de Ap 1.3 nos oferece a contundente e direta explicação que nos dá a razão e o propósito pelos quais temos que ler esse precioso livro, que ouvir as palavras da profecia dele e guardar as coisas que nele estão escritas – “Porque o tempo está próximo -.

Esse tempo não se refere precisamente a um período histórico estimado pela visão humana. Esse tempo se refere ao momento próprio quando nele hão de acontecer os fatos anunciados e sinalizados. Ele se refere a uma ocasião justa e apropriada que abrange também duração cronológica. É um tempo sinalizador cujos acontecimentos vão transcorrendo com freqüência, intensidade e duração semelhantes a dores de parto.

Quando lemos esse livro, conhecemos melhor o Senhor Deus e descansamos nEle, visto que nEle podemos depositar a nossa total e inteira confiança. É um privilégio abençoado desfrutar os oráculos de Deus. Essa foi uma das principais vantagens que os judeus tinham sobre os gentios. Ler, ouvir e guardar a Palavra de Deus com vistas para os tempos e seus contextos.

O Espírito e a Noiva proclamam “Vem!” E todo aquele que ouvir responda “Vem!” E todo aquele que sentir sede venha, e todos quanto desejarem venham e recebam de graça a água da vida!” Ap 22.17.

Aleluia! Ele vem, Ele vem, Ele vem...! Tudo nos mostra que Cristo já volta. Breve Jesus voltará...!
Leia o Apocalipse hoje como está nele recomendado, ouça-o prestando atenção nas palavras da profecia nele escrita e guarde-as conservando e sendo vigilante no que está escrito e diante dos contextos de nossas épocas.
PbGS



quarta-feira, 28 de abril de 2010

COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.

COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.



Ouvir é uma atitude interessante. A Bíblia está repleta deste verbo ouvir, ora afirmando, ora recomendando e aconselhando, ora convidando e ora declarando. As Escrituras afirmam claramente numa linguagem antropomórfica que Deus ouviu, que o Senhor ouve. As Sagradas Letras também falam do homem em relação ao seu ouvir. Ouvir é uma dádiva e um privilégio concedidos por Deus. “Bem-aventurados são os que ouvem as Palavras deste Livro”; “Quem tem ouvidos, ouça...”, diz a Bíblia.


Ao ouvir alguém, podemos conhecer algumas coisas que se passam no seu interior, podemos identificar o seu estado de espírito. Isto não é uma mágica e nem uma ação mística. Isto é uma sensibilidade básica no ser humano.


Tenho o grande privilégio de, por uma providência divina, possuir em meu pequeno e singelo quadro de amizades pessoais uma grande amiga fonoaudióloga, especializada e conhecedora de várias áreas e ramos do trabalho e tratamento da voz e acompanhamento da audição e que por anos trabalha com a voz e a audição humana. Certa vez ela me confidenciou algumas coisas importantes sobre a voz e o ouvir. Ela me disse que apenas em ouvir alguém consegue identificar o seu estado físico e emocional no momento em que seu paciente lhe dirige a voz na consulta.


Se aquela ilustre, respeitável e honrada amiga profissional de saúde, dentro de suas limitações consegue tal sensibilidade, imagine, se conseguir, o que pode o nosso Deus fazer por nós em nos ouvir! Temos a necessidade de ouvir e ser ouvidos. Empregamos o ouvir para também buscar conhecimentos, e pelo ouvir a fé vem a nós, sendo este ouvir o ouvir a Palavra de Deus. O que na verdade precisamos é saber empregar e em que empregar o nosso ouvir, não permitindo que coisas estranhas venham nos seduzir e provocar coceiras na nossa audição.


Estamos vivendo um período de grande obscuridade espiritual no mundo e que tende a tornar-se cada vez mais intensa. Um tempo de grandes iniciativas e famosos empreendimentos do conhecimento humano, mas também um tempo de grande ignorância espiritual. Um tempo em que a busca de conhecimento irmana-se com as inovações. Um tempo no qual os homens se aguçam e se entregam a esmiuçar detalhes de tudo que se lhes apresente no seu panorama, mas infelizmente um tempo em que poucos ouvem e se atêm a ouvirem a verdade. É o tempo da amontoação dos doutores, dos mestres, dos desejos ardentes e desenfreados mais do que em todos os tempos passados da história humana, apesar de tantas agruras por ela registradas.


Realmente, precisamos neste tempo de agora aplaudir alguns feitos extraordinários empreendidos pela criatura com a inteligência e propriedades lhe concedidas pelo Criador, creditando a Este toda a glória e louvor através de nosso reconhecimento e profunda admiração a que Ele é merecedor em cuidar e sustentar a vida de suas criaturas.


Neste tempo temos ouvido da sede de conhecimento mais do que nos dias passados, mas também temos testemunhado da corrida de ignorância espiritual que sombreia os homens. As fontes cada vez mais se diversificam, mas também se divergem. Algumas se diluem e tornam-se massificadas no meio de tantas informações, outras mantêm suas originalidade e linha de firmeza e conduta, a fim de se manterem fidedignas para com o que sustentam.


Todavia estamos inegavelmente vivendo um tempo em que ressurge o antigo com feições novas. Estamos literalmente no tempo em que muitos preferem desviar os seus ouvidos da verdade e voltarem a mergulhar nas fábulas e enganos motivados pela tamanha e crescente ignorância espiritual. As novas roupagens estão vestindo e cobrindo requintadamente as antigas mentiras e ilusões das fábulas e dos enganos, tentando anestesiar o homem para que este permaneça “dormindo”. É a epopéia das ficções tornando-as cada vez mais misturadas e parecidas com a realidade e com a verdade. Um brilhante recheado produzido com o misto de meias-verdades e mentiras. Algumas vezes vão um pouco além a misturar forçosamente nos seus ingredientes de mentiras fantásticas algumas “pitadas” de verdade.


E quando nos voltamos para as Escrituras Sagradas, encontramos o apóstolo Paulo empregando para este tempo uma expressão interessante que caracteriza singularmente em linguagem figurada um tipo de busca de conhecimento motivado no interior de pessoas pela ignorância espiritual fomentada pela curiosidade de conhecer desenfreadamente pelo que ouvem de doutores que amontoam para si. Um tipo de curiosidade de conhecer semelhante ao dos nossos primeiros pais no Éden. Uma expressão que denomina a causa dessa busca de conhecimento.


Acredito que muito nos vale nela refletir e certamente lograr edificação e êxito nesta ocasião, e nela me deter por alguns minutos junto aos meus caros e generosos leitores em conhecer seguramente um pouco mais do que precisamos.


Como sempre fiz quando na prédica ou no ensino, o repito agora pedindo por mais este momento ao Eterno Senhor a permissão para fazer citar de forma escrita um trecho do Livro Sagrado, registrado inspiradamente pelo apóstolo dos gentios, Paulo, na sua segunda carta ao jovem pastor Timóteo.


Assim está escrito: “...virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.


A expressão a que me refiro e que encontra-se no trecho da passagem bíblica acima é “comichão nos ouvidos”. Uma expressão quase pouco ouvida nas reuniões de ensino doutrinário, uma expressão pouco verbalizada por fazer parte de um texto que em si produz incômodo e desconforto em corações que, por não suportarem a sã doutrina, desviarão os ouvidos, em razão desta atingir contra aos seus desejos desenfreados e inescrupulosos, fazendo-as incomodadas, chocadas em si mesmas e em constante conflito interior por notar que estão em rumo divergente com a sã doutrina.


Para esta expressão “comichão nos ouvidos”, Paulo emprega no seu original escrito o termo grego “KNETHÓMENOI”, variante de “KNETHÕ”. O apóstolo o utiliza para expressar a verdade com uma linguagem figurada. Uma propriedade e característica marcantes dos grandes homens de Deus é ensinar as verdades eternas das Escrituras aplicando-as com figuras de linguagem para que esta atinja os maiores e mais altos valores espirituais através da simples compreensão sobre elementos físicos e naturais.


Que Paulo quer dizer com este termo? “KNETHÕ” significa “um desejo impaciente e ansioso”, “uma vontade irresistível como a que é provocada por uma coceira”, “sentir uma grande excitação como semelhante a provocada por cócegas”, “um grande desejo ardente de ouvir adulações e coisas agradáveis”. Um termo empregado figuradamente para dizer de um “um tipo de coceira na audição”. E o apóstolo Paulo o utiliza para expressar em linguagem figurada um tipo de coceira na audição causada contrariadamente por não suportar ouvir os ensinamentos da verdade da Palavra de Deus.


O termo toma o lugar no texto inicialmente de conseqüência, de sintoma, mas também assume o lugar de causa, de origem, em relação ao restante do conteúdo do texto em pauta. Paulo está nos dizendo através do que escreveu para o jovem pastor Timóteo desde o contexto anterior parafraseadamente “pregue a Palavra... porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, não se contentarão com ela, estarão excitados para conhecerem e ouvirem coisas que lhes agradem e os iludam, lhes enganem dizendo adulações, coisas convenientes que massageiem o ego; porém, tendo impaciência, ansiedade, vontade irresistível de ouvir buscarão ardentemente, excitadamente ouvir coisas que lhes atraem por curiosidades interessantes a si mesmos, buscarão ouvir especialmente para si um elenco de doutores, de mestres, de acordo com o programa de seus próprios desejos, interesses; e desviarão os ouvidos da verdade da Palavra, voltando às historinhas misticistas, mistificadas, místicas, as fábulas, do passado”.


Estamos no tempo no qual as pessoas se manterão na vontade de ouvir, acatar e conceber para si apenas o que satisfaz os seus desejos pessoais particulares, suas paixões ardentes e irresistidas. As pessoas terão curiosidades irresistíveis nelas mesmas e impacientes para buscar informações mirabolantes e interessantes, fomentadas e ampliadas pelas mensagens estranhas e heréticas, produzidas pelas interpretações particulares dos falsos mestres e doutores. Elas não vão amontoar indoutos para satisfazê-las no ouvir lhes provocando cócegas como seriam os doutores nas suas capacidades e habilidades especializadas em fazê-las. Elas vão sempre levantar um elenco programado de doutores para fazerem chegar aos seus ouvidos apenas adulações, hipocrisias, coisas que não lhes digam e nem toquem seus corações para a verdade, coisas que não lhes tragam conflitos e inquietações diante de seus desejos desenfreados e desmedidos.


Uma grande parte das pessoas se tornará insatisfeita com a verdade e terá excitada a sua curiosidade de ouvir a tal ponto que seu apetite se direcionará a ouvir mentiras, fábulas, enganos, heresias. Elas serão movidas por um apetite excitado de ouvir que se tornarão impacientes, ansiosas, para ouvir aquilo que é sensacional, interessante e fantástico, menos a verdade da Palavra. Elas se farão num caminho particular seu próprio e distanciado da verdade a tal ponto que vão por ele desaguar de volta às fábulas.


Um conjunto de fatores contribuirão para que as pessoas “se desviem da verdade voltando às fábulas”. Um deles é o não suportar a sã doutrina; o seguinte é o comichão (comichando) nos ouvidos seguido como originado por uma contrariedade nelas mesmas e ao mesmo tempo além de sintoma, se faz causa para amontoarem doutores para si mesmas; e o terceiro é que esses doutores devem se enquadrarem nos desejos delas e também possuírem os mesmos desejos que elas, senão eles não participarão do elenco de doutores programado por elas e estariam excluídos de seus amontoados.


Que preguemos a Palavra na verdade e com verdade. Não precisamos estar ou ficar melindrados se não fazemos parte dos amontoados de doutores que pregam e ensinam coisas fantásticas, interessantes e mirabolantes nas suas “mensagens”. Não tenhamos qualquer ressentimento ou carência de participar do elenco programado de doutores que levam os públicos ao desvio da verdade fazendo-os voltarem às fábulas, influenciando-os a retornarem ao antigo estado de mentiras, enganos e ilusões do qual foram resgatados pela mensagem da cruz. Jamais devemos nutrir ressentimentos ou matizar ou mesclar a nossa pregação da verdade da Palavra de Deus para com isso vir a agradar desejos particulares de quem quer que seja. Jamais devemos retirar ou acrescentar qualquer coisa ao Livro Sagrado para nos fazermos aceitáveis e convenientes a multidões que encaminham-se em seus passos brilhantes para o Hades.


Ainda que algumas pessoas tenham comichão nos ouvidos hoje, continuemos pregando a Palavra da Verdade, e quem sabe um dia desses debaixo do mover do Espírito em nossas pregações e ensino elas venham abrir os ouvidos e permitir que eles sejam limpos pela lavagem da Palavra? E retornem ao encontro da verdade e passem a amar a verdade, e descubram que fábulas em nada valem, de nada possuem de verdadeiro e concreto, a não ser revelar a inspiração adversária que as montou para prender e iludir os homens no mundo das ficções e do surrealismo muitas vezes disseminado nas demonstrações eloqüentes de discursos cativantes de quem vive movido pelos desejos e opiniões particulares. O mundo que revela o tamanho da ignorância espiritual que permeia a sede de buscar conhecimentos dos homens mergulhados em densas trevas e obscuridades espirituais.
PbGS