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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
MENTIRA E SIMULAÇÃO.
Mentira e simulação...
Ferramentas maliciosas
contra os rebanhos.
A mentira por si somente é um terrível veneno. É semelhante a um
cheque sem fundos, posto que se passa hoje sabendo que não terá o que para
cobri-lo amanhã. Faz diminuir a confiança, visto que aos poucos ela estraga
multidão de verdades. De certa forma pode falsear brilhos no presente, porém
escurecerá muitas coisas no futuro. Muitas vezes para sustentá-la o indivíduo
habituado na mentira terá que inventar mais e mais outras mentiras para manter
sustentada a primeira.
E a mentira somada com a simulação torna-se um veneno mais
terrível ainda, posto que juntas fazem com que as pessoas sejam mantidas por um
tempo ludibriadas pensando numa falsa realidade. O mais venenoso na mentira
ocorre quando ela é associada a verdades. Produz daí um novo subproduto
venenoso chamado de meias-verdades. Todo inventor de mentiras extrai fiapos da
verdade para somá-los às suas mentiras fazendo-as parecerem ser verdades.
Falsear verdades é um ato abominável diante de Deus e odiado pelas pessoas de
bem.
A mentira produz nuvens de confusão. E quando tendente e
artificiosa no serviço do mau, sua confusão por vezes causa heresias e por
outras alimenta e desencaminha multidões. Em todo o tempo as heresias rondam
contra a verdade. A verdade é o antídoto contra a mentira e a heresia. As
heresias nascem, brotam e surgem do desvio da verdade, e transcorre se apoiando
nos favores prestados pela ignorância. Quanto mais ignorante, desconhecedor e
desinteressado for um indivíduo a respeito de assuntos, mais se faz e se torna
em presa e vítima fácil das heresias, da mentira e das simulações.
E duas das ferramentas sutis que vêm buscando minar a verdade do
Evangelho entre os filhos da casa do Pai são a mentira e a simulação. O ato de
mentir e suas conseqüências todos conhecem por vivência testemunhal em algum
tempo diante de alguma situação ou passagem da vida. Simulação é o ato de
fazer, agir, operar algo como se o estivesse no campo da realidade. É o ato de
fazer representação de parecer como real algo que não é. É um fingimento, um
disfarce. O único lugar onde a simulação é aceitável e aquiescente reside no
campo das experiências científicas ou laboratoriais, cujas necessidades por si
somente oferecem as justificativas cabíveis.
Forças afoitamente vêm engodando não poucas mentes incautas, e
simples ao extremo, fazendo destas clientes cativas da mentira e da simulação.
Forças que têm obtido algum sucesso se aproveitando da ignorância, de
negligências e de outros fatores contingenciais que assolam o círculo normal e
natural da vida nas épocas modernas. Nota-se que os indivíduos que se alimentam
de heresias são os que se nutrem da mentira e da simulação no somatório de seus
pensamentos particulares interessantes e tendentes a si próprios e suas
opiniões e ideais formados ou procurados apenas na suas mentalidades.
Muito boas gentes vêm se fazendo presas e vítimas fáceis das
heresias, das mentira e simulações, em função de uma vida pseudo-cristã,
desinteressada da verdade, desleixada para com a própria alma e negligente e
morosas para conhecerem os conselhos de Deus expressos na Sua Palavra. Muito
boas gentes vêm aplaudindo as heresias, a mentira e as simulações, por falta de
conhecimento de Deus, de Sua Palavra e da verdade. Muito boas gentes vêm se
tornando cativas e aprisionadas das heresias, da mentira e das simulações por
lhes faltarem entendimento, por segregarem-se em redomas de opiniões e ideais
alimentados por mentalidades pseudo-cristãs.
Quando se despreza o contato direto com a Palavra de Deus,
também com isso se cai na tendência de terceirizar a fé e se departamentalizar
a confiança. Certo pregador televisivo eloqüente afirmou uma grande verdade
exortativa ao rebanho sob sua liderança, com um toque de conselho pastoral ao
dizer aos seus expectadores: “meu irmão e minha irmã em Cristo, não viva uma
vida cristã comendo palavras na mão dos outros!” Ou seja, quis dizer
“desperte-se e levante-se a si mesmo para examinar e comparar o que se lê e se
ouve de Bíblia Sagrada”. É importantíssimo para a vida cristã o conhecer e o
meditar na Palavra de Deus.
Não devemos e jamais venhamos a dar lugar a heresias, a mentira
e as simulações, produzidas por quem quer seja. Estamos num tempo de gentes e
modismos travestidos de evangélicos, de gentes e modinhas anti-cristãs
fantasiadas de cristãs com o fim de cativar e desencaminhar a fé dos filhos da
casa de Deus. A Bíblia Sagrada denomina esses elementos de falsos cristãos.
Gentes que até a algum tempo atrás habitaram nos santuários com hinos, louvores
e adoração. Um panorama de falseamentos que apenas nos faz estar apercebidos e
apegados à volta do Senhor Jesus. Falsos escritos, falsos ensinamentos, falsos
blogueiros, falsos doutrinadores, falsos mestres, falsos ensinadores, falsos
louvadores, falsos pastores, falsos colaboradores.
Não se deve dar qualquer tipo de atenção para os produtores, os
inventores, os apoiadores, das heresias, da mentira e das simulações se
utilizando das coisas de Deus e de Sua casa. Não se deve deixar-se ser doutrinado
e ensinado por mentalidades revoltosas, frustradas, amantes do engano, da
mentira e das simulações. Não se deve deixar-se ser influenciado a reproduzir
jargões heréticos de amantes de teorias e conjecturas do secularismo inebriado
e fascinado pelas ferramentas e destrezas do diabo.
Isoladamente, rebanhos inteiros no passado sofreram história de
fortes ataques das heresias, da mentira e das simulações. Histórias que vão
desde envenenamento coletivo até a prática de ameaças e abusos constrangedores
a indivíduos isolados e coletivamente. A mentira e a simulação causam prejuízos
e desserviços danosos em extremo, tanto a indivíduos particularmente como a
grupos coletivamente.
A Palavra de Deus nos recomenda, nos exorta e faz ilustrações a
respeito das mentiras, das simulações e das heresias. Ela nos diz enfaticamente
para cuidarmos do rebanho do Senhor, assim como de que vamos prestar contas a
Ele da nossa ação ou omissão. A mentira e a simulação possuem a força de se
camuflar da realidade com fins de tirar proveito da verdade ou ocultá-la,
denegri-la ou nublá-la.
Cuidar do rebanho envolve todo o círculo de práticas que visam
alimentá-lo, fortalecê-lo, edificá-lo e consolá-lo, com o leite genuíno,
legítimo da Palavra de Deus. Cuidar do rebanho implica em fazer valer a
abstenção da mentira e da simulação para com ele e entre ele. Cuidar do rebanho
também quer dizer protegê-lo das investidas dos lobos devoradores, embusteiros,
impostores, oportunistas, amantes apaixonados e mergulhados na prática da mentira
e da simulação.
A Bíblia Sagrada nos exorta a cuidarmos de nós mesmos, a olhar
por nós mesmos, também nos dando a perceber e entender a nossa responsabilidade
individual. Isso não exime e jamais isenta a prática dos deveres ministeriais
atinentes a cada chamado e vocacionado nas lideranças dos rebanhos. Afastar e
neutralizar as ferramentas maliciosas contra os rebanhos é uma missão que cada
um filho da casa de Deus tem, tanto no ministério individual como no ministério
exercitado pelas lideranças sobre os seus rebanhos.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
ONTEM: um dia da Verdade.
ONTEM: um dia da Verdade.
Ontem foi o dia convencionado pelas gentes como “o dia da mentira”. Segundo estudiosos, uma data inventada sob pretexto de mudanças de calendário, mas que na verdade fora propagada para menosprezar o significado e a importância da semana que ocorreram os fatos da morte e ressurreição de Jesus Cristo, O Senhor. Fatos relevantes para a História humana e da mais alta consideração no Céu.
Definitivamente ontem NÃO foi o dia da mentira. Ainda que para alguns tenha lamentavelmente sido mais um dia literalmente de mentiras. Ontem foi natural e espiritualmente um dia da Verdade. Mais um dia no qual a Verdade prevaleceu, venceu, curou, libertou, quebrou cadeias e despedaçou jugos.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando mergulhados na ilusão funesta da dependência química e dos vícios, hoje estão resgatados e verdadeiramente libertos pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando nas agruras doloridas e nos efeitos dolorosos da ação devastadora do câncer, hoje estão tocados e constatado em diagnósticos competentes verdadeiramente curados, e isto pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando presos nos enganos das vielas e atalhos da superstição e do misticismo, hoje estão verdadeiramente achados e seguramente convictos pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando nas lúgubres rotinas dos cárceres e das aventuras da criminalidade, hoje estão verdadeiramente libertos pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todas as famílias e lares que, outrora estando afundados nos tristes efeitos da desvalorização e da dizimação de seus integrantes, hoje estão conscientemente restaurados e verdadeiramente libertos pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando escravizados pelas máscaras maquiadas da hipocrisia e sob a força do esconderijo da feiúra, hoje estão notoriamente reconstruídos e verdadeiramente libertos pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando sofridos pelo intenso silêncio nos ouvidos e pela profunda escuridão das vistas, hoje estão maravilhosamente ouvindo e vendo os brilhos e a beleza do mundo que lhes rodeiam por terem crido no Maravilhoso nome do Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando coxos e aleijados, hoje estão seguramente andando restaurados e curados pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando desesperados em fortes angústias e complexados em inferioridades, hoje estão notavelmente com íntimos livres e libertos pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando vazios na alma e perambulantes nos passos incertos, hoje estão cheios do Espírito e andando debaixo da graça do Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando tragicamente vitimados pelas imprudências do trânsito, hoje estão restaurados e libertos de seqüelas pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todos aqueles que, outrora estando destroçados e soçobrados pelos prazeres viciosos e desenfreados da urgia, hoje estão verdadeiramente libertos pelo Filho de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todo aquele que crê no Senhor Jesus fervorosamente com o íntimo e O confessa como Senhor e Salvador publicamente com a boca.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todo aquele que busca viver pela verdade ensinada na Palavra de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todo aquele que, ouvindo a voz do Filho de Deus no íntimo, não resistiu ao Espírito de Deus.
Definitivamente ontem não foi o dia da mentira para todo aquele que verdadeiramente está curado pelo Filho de Deus.
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segunda-feira, 12 de março de 2012
BAJULAÇÃO: artifício de interesses.
BAJULAÇÃO: um artifício interesseiro.
1Ts 2.4-6 – para refletir.
O texto ora em consideração é parte de uma defesa e apelo em forma de chamada à atenção ao modelo de servo do Senhor Jesus quanto à fidelidade, à honestidade, à simplicidade e à humildade, no desempenho da obra que realiza. Esse texto foi escrito por Paulo dirigido a pessoas que “bem sabiam” quem ele e seus cooperadores eram, o que fizeram, como realizavam a obra de Deus e o que lhes acontecia nas empreitadas a serviço do Mestre.
O que promove e fortalece o crédito sobre aquele que trabalha para o Senhor são: o seu testemunho pessoal, pois que este declara que pessoa é; o conteúdo do que faz, porquanto nisto são vistos os seus frutos; e a maneira como procede realizando o seu trabalho. É preciso que as pessoas “bem saibam”, visto que quem bem sabe sobre alguém não cai nas malhas de agentes do embuste, sonhadores de aventuras, operadores da mercadejação, artistas do engano, funcionários da fraudulência, engenheiros do pretexto e amigos dos interesses.
O apóstolo Paulo teve uma vida extremamente usada por Deus. Sua espiritualidade e sua sabedoria conciliavam virtudes e valores mantidos conjugados com o seu temor a Deus. Enfim, uma vida coberta de experiências vivenciais, e que potencialmente se permitiu ao servir a Deus. Não era um tribuno impecável e nem um orador destro como Apolo, todavia possuía uma vida capaz de ser recipiente de unção, graça e ter uma pregação coberta visivelmente pelo poder do Espírito.
Em tudo que deixou escrito, coisa alguma indica que sua vida esteve de alguma forma ou maneira ligada à bajulação, ou à ação de facultar ou receber favores da sua prática por outros cristãos. Em tudo que deixou escrito, coisa alguma indica que haja se beneficiado da bajulação ou por ela.
Paulo foi o tipo de líder cristão que jamais se submete às facilidades e promoções agenciadas pela bajulação. Os labirintos da bajulação jamais tiveram em suas paredes uma placa de oferta de benefícios a Paulo, ou uma porta de favorecimento de manobras cedida a ele. Não sei o que Paulo diria de alguns ministérios ditos “evangélicos” de nosso tempo, assim como não sabemos como ele seria acolhido neles.
Ministros, obreiros e trabalhadores da obra semelhantes a Paulo na mesma mentalidade e propósitos certamente seriam politizada e classicamente convidados a se retirarem e se transferirem por motivos de surgimento de “entraves” e “discordâncias”, tanto em relação à manutenção, à gerência e ao emprego dos recursos como aos procedimentos e práticas.
Apesar de ser levantado pelo Senhor depois de todos os demais apóstolos, Paulo pôde dizer que sua escolha e chamada não dependeram de nenhum homem ou por favorecimento de homem algum. Não é demais dizer que temos encontrado turbilhões de escolhidos e chamados pelas generosas e aquiescentes indicações dos sindicatos da bajulação. O pequeno problema é que esses não florescem e tampouco frutificam, e com o passar do tempo no calor das empreitadas e nos períodos da sequidão desgovernam-se da linha e desequilibram-se do prumo, perdem-se das medidas da régua e encolhem-se dos ângulos do esquadro.
O apóstolo Paulo foi um amante da sinceridade, da franqueza e da verdade. Seus escritos nos revelam a sua capacidade de se portar e de lidar com segurança e convicções pessoais diante da franqueza e da sinceridade alheias, assim como a sua valorização para com a verdade e a honestidade.
O nobre Doutor Willis Peter de Boer, na sua consistente obra “The Imitation of Paul: An Exegetical Study”, deixa claro que a vida de Paulo possuía e deixava transparente virtudes firmes e valores convictos cuja prática vale muito ser imitada em todos os tempos por todos aqueles que seguem o Senhor Jesus Cristo em quaisquer ambiente e circunstância.
O nobre estudioso Doutor também na mesma obra nos deixa ver que a vida de Paulo teve impressas as marcas da coragem, da ousadia, do poder nas palavras e no espírito, da capacidade de reconhecer e apoiar os seus companheiros e os rebanhos aos quais se dirigiu e serviu.
Também notamos na grande obra “Paul and Friendship”, diligentemente escrita pelo estudioso, Doutor Fitzgerald, que o apóstolo Paulo soube lidar com todos os tipos de personalidade e de caráter que com ele interagiram. Aqui nos deixa ver que Paulo jamais perdeu ou matizou o seu foco comportamental para atender aos reclames da bajulação.
Os melhores dicionários definem a palavra “bajulação”. Neles, bajulação significa lisonja, adulação, servilismo, excesso de admiração, elogios interesseiros com o fim de tirar proveito pessoal de alguém sobre algo. Elogios exagerados, excesso de elogios com a finalidade de obtenção de privilégios, de favores, de benefícios.
A palavra que denomina a ação de bajular vem de uma das antigas línguas, o latim. Trata-se de “bajúlo”, que significa “levar alguém, ou algo, no colo ou nas costas”. O “bajúlo” faz isso interessado em lograr algum benefício. Geralmente os amantes da bajulação alimentam escondidos no seu coração outros feios pecados co-irmãos e impulsores da bajulação. Alguém disse que o ponto vulnerável do bajulador reside nas suas incapacidades de alcançar seus objetivos e satisfações de forma honesta, legítima, correta e honrosamente.
Independente de posição, cargo, condição, status, a bajulação tem sido usada por grandes e pequenos. Apesar de alguém inferir que a bajulação possa estar presente com maior incidência em gente pequena, ela também está no meio de gente grande. Gente pequena a usa para conseguir o que anseia e gente grande a emprega como uma ferramenta de controle, de liderança, de manipulação e de captação.
A palavra “bajulação” do texto em apreço traduz a sua original do texto grego neotestamentário “kolakeias”, “kolakia”. Ela se refere a falas enganosas com o interesse de tirar lucro, proveito, das pessoas empregando a eloquência, a facilidade de expressão comunicativa. É a aplicação de fala enganosa para ganhar o íntimo das pessoas e explorá-las. O latim a traduziu para “adulationem”.
A bajulação é inimiga da franqueza (Gr. “parrēsia”, “parrēsian”), é inapta à concórdia (Gr. “homonoia”) e perniciosa contra esta. Jamais aprendeu os passos da verdadeira gentileza (Gr. “epieikeias”, “epieikēs”).
A presença da bajulação também se configura quando da extrapolação dos limites aceitáveis, normais e equilibrados da admiração e do elogio. Essa extrapolação mostra os indícios de manobra artificiosa da bajulação. A bajulação serve como um veículo que se calca no interesse, mas também oferece apoio à vaidade e à mentira.
A bajulação é uma arma perigosa que tanto pode disparar contra quem a empunha quanto contra a quem é apontada. A bajulação exagera os méritos de outrem com os fins interesseiros. Ela auxilia em enfraquecer muralhas, minar impérios, derribar tronos, mas também forja e eleva títulos, coroas e anéis. Ela instiga cárceres e covas, mas também favorece leões e nas suas bocas é encerrada.
A bajulação é uma arma perigosa que tanto pode disparar contra quem a empunha quanto contra a quem é apontada. A bajulação exagera os méritos de outrem com os fins interesseiros. Ela auxilia em enfraquecer muralhas, minar impérios, derribar tronos, mas também forja e eleva títulos, coroas e anéis. Ela instiga cárceres e covas, mas também favorece leões e nas suas bocas é encerrada.
O espírito da bajulação perambulou e passeou pela Terra, e vendo a vulnerabilidade e a tendência do coração de alguns homens para a vaidade. Encucou em algumas mentes e fez sentirem-se como se fossem “assistentes” para se prestarem a algumas “assistências”. Da mesma forma, encontrou o venerando título de “conselheiros” para conscientizar e incentivar outras, cujos conselhos ocultam as "cartas" dentro das mangas e o “amolador de língua” no bolso.
Além disso, denominou umas como “assessores” para servirem de "assessoramentos" contra a vida alheia. E por fim, com o objetivo de evitar vexames, execração e vergonha, e como indulgência emblemou classicamente outros coraçõescom os títulos amenos de “secretários”, “ajudantes” e “auxiliares”, com os fins respectivos de secretariar despachando e arquivando feias confidências, ajudar montando esquemas e arquitetando circuitos e auxiliar consolidando caminhos de manobras e direcionando saídas, respectivamente.
Existe a bajulação que olha para benefícios instantâneos, e há a bajulação que ocultamente visa lograr benesses remotas. A bajulação jamais teve os brios da paciência, entretanto é doutora na sagacidade, na espreita e no oportunismo. Os amantes da bajulação sempre concentram o seu foco para si mesmos. Diz-se de que são sempre descartados e não-confiáveis, visto que seus olhos somente avistam interesses, seu olfato somente alcança cheiro de vantagens e sua boca somente fala lisonjas sepulcrais.
Os episódios da história deixam claro que a visão da bajulação enxerga os outros como degraus, trampolins, que facilitam, viabilizam e promovem a consecução de seus intentos pessoais. Certamente que todo amante da bajulação sempre foi não-confiável, posto que o embuste de seu caráter espelha o preço de suas ações. Os amantes da bajulação jamais despretensiosamente tiram alguém do poço, posto que do fosso da insatisfação nunca saíram e na fossa da falsidade sempre nutrem o seu paladar.
O monarca francês Henrique IV disse “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte tonéis de vinagre”. Ou seja, quanto à bajulação, um pouco dela favorece colher muito mais favores do que seriam colhidos com a multidão de franquezas e sinceridade. Muitas vezes o útil amargo da franqueza promissora é desprezado pela enganosa doçura da bajulação arruinadora.
Existem os amantes passivos da bajulação. Estes não a cometem, entretanto amam ser alvos favorecidos dela. Há os amantes ativos da bajulação. Estes a cometem e exercem os seus mecanismos naturalmente como se exercessem uma profissão ou uma prestação de serviços. Quase sempre são despercebidos de que apenas passam por ferramentas e meios descartáveis usados para que outros com os seus “favores” atinjam fins.
Um coração amante da bajulação jamais consegue escondê-la por muito tempo. Ela nasce silenciosa e acompanhada de sorrisos leves e cócegas, mas morre aos lamentos de dores e calafrios. Ela nasce com atitudes e aflora-se no comportamento, visto que em algum momento se expressa por palavras ou externada por ações. Todo amante da bajulação é desonesto com Deus, consigo mesmo e com os outros.
Mil vezes melhor é estar no meio da batalha ladeado por apenas um amigo franco, sincero, honesto, leal, verdadeiro e direto, do que assistido no meio de um exército de bajuladores. Difícil coisa é construir amizade com alguém franco, sincero, honesto, leal, verdadeiro e direto, mas também depois que a enlaça, se necessário for passa-se a noite no cárcere com ele como se na farra pernoitasse. Já disse Martin Luterking "para se ganhar inimigos, basta apenas externar o que se pensa".
Geralmente os amantes da bajulação desconhecem o significado e os limites da capacidade e da habilidade de ser agradável. Ser agradável é uma virtude que começa em nosso relacionamento individual com Deus e depois se estende aos nossos relacionamentos com os homens. As raquetes que rebatem contra os desagradáveis certamente já foram um dia por estes rebatidas ao lhes ser oferecida a agradabilidade.
Com o fim de alcançar o pretenso objeto de sua realização pessoal, o amante da bajulação submete o seu íntimo a contrariar-se a si mesmo, compromete os pilares sustentadores de sua natureza, desconsidera as rédeas de sua própria consciência e ludibria os pontos vitais de seu próprio caráter. Geralmente o bajulador vive às custas de quem lhes cede atenção às suas palavras e ações.
Os amantes da bajulação são conciliados com a idolatria em alguma de suas muitas faces. Ainda que não queiram demonstrar, são permissionários concordantes da falsidade e peritos do fingimento e das simulações. É muito mais provável e bem possível que alguém passe a ter afinidades com a bajulação e se tornar amante dela, do que o seu amante se transformar em defensor da franqueza, da honestidade e da sinceridade.
Os amantes da bajulação estão fadados a um trágico fim – quando caem em si, terminam por trilhar as vias do ceticismo e não mais acreditarem nem mesmo em suas próprias experiências. Para eles o mundo todo lhes aparece como uma grande selva de embustes, e os que lhe rodeiam passam a ser vistos como pessoas não-confiáveis. As pessoas diferenciadas, aos seus olhares são vistas indignas de serem alvos de sua confiança. Enfim, os amantes da bajulação desconfiam até de alguma virtude que possui e da qualidade das roupas e acessórios que vestem.
Na Sagrada Escritura encontramos os desastres do rei Acabe. Nele é vista uma figura de caráter defeituoso. O rei Acabe se escondeu por trás da esposa Jezabel para se fazer agradável ao seu reino. Amava e se satisfazia em receber bajulações, todavia detestava ser confrontado com a franqueza e a sinceridade e sentia-se ameaçado pelas verdades alheias. Para Acabe, o melhor era ouvir centenas de palavras lisonjeiras por bajuladores triunfalistas do que receber uma pequena frase verdadeira dita por um mensageiro franco.
Que vidas não sejam arruinadas pelo espírito da bajulação.
Que esse sujo artifício artimanhoso não cative sócios, nem a mine o brilho do sagrado ministério e tampouco assuma lugar no sagrado púlpito cristão. Que o espírito da bajulação não encontre lugar no seio dos rebanhos do Senhor, para que as ovelhas sejam preservadas da ilusão das lisonjas enganosas e povo do Senhor não venha ser corrompido pela força da bajulação.
Queira o Senhor Deus e assim tanto faça para que corações se divorciem definitivamente do espírito da bajulação e com este quebre alianças. Que planos, projetos, empreendimentos, tratamentos e relacionamentos sejam cobertos pela franqueza, pela honestidade, pela transparência e pela sinceridade. Que não haja um lugar se quer cedido ao desastroso espírito da bajulação entre nós.
Que o nosso Bondoso e Misericordioso Deus nos guarde livres do servilismo, da subserviência, da adulação e fora do alcance da bajulação. Que nenhum dos mecanismos e ferramentas da bajulação alcance sucesso contra os filhos do Reino, e nem obtenha êxito e ganhos com palavras lisonjeiras.
PbGS
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
O ANDAR DOS MEXERIQUEIROS.
O ANDAR DOS MEXERIQUEIROS.
“Rākhîl” - Não andemos como eles...
Antes de chegar diretamente ao que a Sagrada Escritura traz sobre o mexeriqueiro, nestas preliminares são importantes algumas breves pinceladas sobre a informação, a comunicação e a interatividade, assim como as vias da desastrosa prática do mexerico.
A informação tem o seu caminho. Possui o seu trâmite. Tem os seus canais de veiculação. Transita em freqüências. Carrega seus propósitos. Possui os seus conteúdos, caráter e natureza. Ela tem definição, origem e destinatário. A informação exige clareza, requisita critérios para ser consolidada como tal e faça jus à conceituação que toma sobre si e merece.
Mas além da informação existe o informe. Tecnicamente, o informe é um resumo de informação. A informação é um objeto de comunicação formalmente completo, visto que seu conteúdo possui começo, meio e fim. O informe, pelo contrário, é constituído de um fragmento incompleto da informação, pois que trata-se de um parecer ou observação disforme, vago, um tanto vazio de consistência, sumarizado e indefinido.
A informação propriamente dita reúne vários informes para que possa se tornar definida e formalmente completa. Quanto ao âmbito da comunicação, existe a comunicação formal, mas também há a informal. A informação e o informe fazem a comunicação nos dois âmbitos.
A comunicação é uma atividade interativa presente na existência humana desde os tempos remotos, visto que ela aparece no Éden. Os primeiros capítulos da história humana sobre a Terra são marcados pela presença da comunicação interativa.
A relação interativa encontra o seu veio de entendimento na comunicação. Deus é comunicador e fez o homem dotado também da capacidade de se comunicar. Deus é comunicativo e interativo e fez o homem também para interagir e comunicar. O homem precisa ter sensos e consciência sobre tudo que comunica, ou lhe é comunicado, assim o que e o como emprega a sua ação de comunicar.
Na busca de estabelecer comunicação, o homem emprega vários meios a fim de que possa externar o seu conteúdo desejado a outros tomarem conhecimento. Os grupos humanos também buscam interagir através da comunicação.
Nos grupos humanos estão presentes os formais e os informais. Tendo estes últimos o subgrupo dos livres. E quanto à temporalidade, à vinculação e às atividades, nesse subgrupo são encontrados os eventuais.
Os grupos formais observam melhor e com maior afinco os conteúdos e critérios de sua comunicação. Por outro lado, os informais são menos criteriosos, menos preceituosamente observadores e menos cuidadosos na sua comunicação interativa. Quase sempre e na maioria das vezes os informais se mostram pouquíssimo responsáveis, não-responsáveis, ou irresponsáveis, com todo e qualquer teor que comunica.
Os grupos formais tendem a substanciar sua comunicação entre si, a fim de oferecer uns aos outros confiabilidade, segurança, completude, definição, responsabilidade, exatidão e fidedignidade dos seus conteúdos. Os grupos informais nem sempre agem da mesma forma, nem sempre observam padrões, nem sempre percebem critérios nos conteúdos de sua comunicação com as mesmas atenção e propriedade cultivadas entre os formais.
Nos grupos informais, o subgrupo dos livres e eventuais faz a troca de comunicação e a interatividade quase sempre embasadas em contextos momentâneos e incompletos. Nestes a vinculação e o comprometimento não oferecem base sustentadora para os seus conteúdos comunicados.
Quase sempre e marginando a totalidade, as informações trocadas entre esses grupos informais são na verdade fragmentos de informações, informes. Tomar os conteúdos informativos originados das pautas de comunicação de grupos informais é na verdade colher informes, ao invés de informações.
Os grupos informais, eventuais ou livres, por serem desprovidos de vinculação e comprometimento, são desprovidos de credibilidade e de autoridade para oferecerem informações. Podem até oferecer fragmentos de informações que consistem em uma observação angular de indícios de um fato. Não o fato na sua inteireza e definição em si mesmo.
Existe um tipo de comunicação extra-oficial, oficiosa, ao qual chamamos de mexerico. Popularmente conhecido como fuxico, boato, bisbilhotice ou fofoca. O mexerico é na verdade uma atividade de comunicação desprovida de responsabilidade, sem limpidez, vazia de legitimidade e mendiga de autoridade na origem e no seu conteúdo.
Nem sempre a “fumaça” desprendida do mexerico corresponde ao fogo proveniente do assunto-objeto queimado nele. Portanto, nem sempre a “fumaça” do mexerico espelha a natureza das “brazas” ou corresponde à realidade do objeto “queimado” nele.
O mexerico é a mercadoria própria, especial e específica levada na bagagem de todo mequetrefe mexeriqueiro. O mexerico contém apenas informe mexido de “novidadices”. O mexerico está muito distante de conter alguma informação propriamente dita. O mexerico é um mal que forma e assume cascalhos fétidos e lúgubres na língua do mexeriqueiro, posto que da boca dele exala o hálito mortal no hábito de promover o óbito.
O mexerico se nutre da mescla de surrealismo, imaginações e argumentos falaciosos, e encontra apoio no mau uso do tempo e no desprezo ao respeito e à sobriedade. Para o mexeriqueiro, o mexerico é um passatempo, uma tarefa lúdica, um “jogo de entendimentos”, ou até mesmo uma ocupação terapêutica para não sucumbirem na solidão depressiva do isolamento.
O mexerico é uma fonte de enredos e um veículo de intrigas que não oferece veracidade completa no seu conteúdo e não possui remetente e destinatário definidos. A classe dos mexeriqueiros se conhece entre si, nunca se respeita e jamais se ama entre si. Entretanto, também nada constrói para si e todo fruto que produz é infame, infeliz e pernicioso.
A planta do mexerico já nasce deficiente e por natureza é parasita. Seu ninho predileto é a boca, sua residência fixa é o coração, seu veículo exclusivo é a língua e sua via preferida são os ouvidos. O mexerico é irreverente, iníquo, desprezível e não-temente.
O fruto do mexerico para coisa alguma serve, visto que desde o seu caroço já está impregnado do germe da decomposição gangrenosa e todo aquele que dele se nutrir terá os seus dias fadados na insatisfação, na infelicidade, no desassossego, na incompletude e na desilusão.
O fim dos dias do mexeriqueiro é triste e tenebroso. O mexeriqueiro de tanto olhar e mercadejar os assuntos das vidas alheias termina os seus dias sem haver se ocupado em investir em bens promissores para a sua própria alma. Enquanto os outros vencem, lucram e triunfam no seu dia, o mexeriqueiro se ocupa em perdas e conclui o seu no déficit dos desastres e na mediocridade de seus próprios infortúnios e ruínas.
O mexerico é uma ação cujo trâmite de comunicação navega sobre as correntes de águas rotas da obscuridade e das incertezas; escorrega nas enxurradas da indefinição e deságua nos valões da irresponsabilidade nociva e do mau-caratismo ofensor. Produzir informes que nutrem mexericos é uma atividade odiosa e odiada, mas é a horrenda especialidade do mexeriqueiro.
O mexeriqueiro é um indivíduo sórdido e infeliz, visto que nem ele mesmo possui a capacidade de acreditar nos informes que produz ou repassa. A curiosidade consome a alma do mexeriqueiro, e até mesmo os seus sonhos se transformam em cismas, superstições e espantos que iludem o seu coração, enganam a sua razão, minam a sua confiança e descalçam as suas decisões.
O mexeriqueiro recebe toda e qualquer qualificação que lhe seja conferida, menos a declaração comprovada de que usa e desfruta da prática do mexerico. Quer ver um mexeriqueiro se tornar violento ou até um revoltado criminoso, o defina e classifique-o conforme a sua prática.
O mexerico desgasta ou ameaça relacionamentos, desfaz amizades, desestabiliza ânimos, coloca em dúvidas uma personalidade, arrasa as intenções de um projeto, mina um lar ou uma família, estraga um negócio promissor, arruína os passos iniciais de um empreendimento. Enfim, o mexerico causa desgraças e arruaças, visto que é um terreno fértil e favorecedor ao triste e terrível trabalho do arqui-adversário opressor, acusador, difamador e destruidor.
Prestar ouvidos ao mexeriqueiro é tornar-se refém e vítima de dores, de desânimos e de desistências. E tecer os seus informes é se fazer co-participe deliberado com ele e aliado facilitador aos seus intentos serem atingidos. A ação do mexeriqueiro está presente e encontra lugar em todos os meios e em vários níveis. A principal marca que estampa a vida do mexeriqueiro é a infelicidade, a insatisfação e a insaciabilidade.
O mexerico é um elemento “entrão” e “metido”. Invade portas, mas também aceita convites. Entra em finos restaurantes e toma assentos às suas luxuosas mesas, mas também sua mobilidade o faz descer as ruas e despreocupadamente entrar num simples barzinho e assentar-se ao longo do balcão.
Na sofreguidão dos calorosos assentos das vãs e lotadas o mexerico encontra assunto, tema e pauta, e é renovado ou concluído logo no abrir e fechar de portas. O mexerico é um mequetrefe que invade repertórios, e na arte da batuta comanda, distorce ou desvia boas conversas, transformando-as em “papinhos de condução”.
O mexerico nada entende de nutrição ou gastronomia, mas possui a flexibilidade de acompanhar a leitura de um menu e induzir nas escolhas e influenciar nas opções de sabores. O mexerico não tem opção de sabores e nem enxerga tipos e caráter de conversas. Ele sobrevive em desatinos e dispensa formalidades, posto que tanto faz estar diante de finas taças e porcelanas de luxo como à frente de copos e pratos rústicos da simplicidade do botequim.
Às vezes o mexerico invade os ambientes das artes, atravessa as roletas dos cinemas e encontra um lugarzinho no seu escurinho. Por vezes também veste-se de grifes e classe e penetra nos assentos de teatros, encontra conforto nas cadeiras de auditórios, todavia também sem qualquer vergonha ele troca de vestes e caminha pelas ruas e se assenta nos arredores das vielas e esquinas.
O mexerico não entende de moda e nem de beleza, porém não sabemos como ele penetra nos cochichos sobre estilos e consegue influenciar nos palpites e nas marcas do “trade” dos cosméticos. Ele também perambula nos conveses, faz paradinhas nos hangares, dar “pitacos” nas cabines, surge entre um cochilo e outro na madrugada.
O mexerico às vezes se investe de ira e de rancor quando se encontra num cantinho ou outro nas poltronas de espera nas delegacias ou até fica no cochicho num recôndito de um cárcere. De esportes é ignorante, mas nos bancos de torcidas, o mexerico se monta de emoções visto que aproveitando entre um momento e outro delas ele presta a sua “mãozinha” para opinar de alguém.
Para o mexerico, tanto faz os grandes salões ou as pequenas barbearias. Até nos banheiros e sanitários públicos o mexerico encontra lugar e até fala e trafega nas linhas telefônicas quando no interior deles. O mexeriqueiro tem uma habilidade insaciável incomum – tagarelar ao telefone enquanto faz as suas necessidades fisiológicas! -. E mesmo sem ser propriamente conhecedor da informática, ele entra nas lan-houses, e aproveitando-se do anonimato, trafega livremente na rede de computadores. Aqui e ali visita as redes sociais e assume as janelas dos bate-papos, visto que o seu intento é "matracar" sobre as vidas alheias...
O mexerico é vestido de muitos disfarces e independe de certificados e diplomas. O mexerico não escolhe credo e nem profissão. Ele adentra as imponentes portas das catedrais, ajoelha-se e depois das preces entre um ato e outro, por baixo do véu ele dá a sua presença. Às vezes ele dar um tempinho nas portarias ou sobe aos mais altos andares dos extraordinários edifícios, como também atravessa corredores e viaja de elevadores nos condomínios. Muitas vezes o mexerico sai dos elevadores e consegue sem solicitar licença, entrar no seio de apartamentos e até mesmo se tornar acompanhante no momento das refeições.
Mesmo sem entender de tecnologia, de química e de vendas, nos pátios das fábricas, nas ferramentarias das indústrias, nos campos laboratoriais e nos balcões de comércio, o mexerico sem ser chamado surge até entre as peças e prateleiras, do meio das carcaças e blocos, de entre as provetas, balanças e bicos de precisão e dos riscados nos talões de notas. Ele nada entende propriamente de medicina e de paciência, mas sempre também quer encontrar lugar nas salas de esperas, nas copas, nos halls, nas alas e até em enfermarias.
O mexerico tem algumas vezes passe-livre nas escadas, escadarias e ecorredores forenses e nos intervalos entre tomada de decisões e sentenças na espera. Às vezes ele sai direto dos estacionamentos e entra nas lanchonetes e acompanha o lanchinho, ao cafezinho e até palpita enquanto se saboreia o capuccino. O mexerico move lucros financeiros para engordar e sustentar uns enquanto emagrece e esvazia os bolsos de outros.
Não obstante o mexerico é desrespeitoso e profano. Ele consegue lamentavelmente se intrometer entre os santos e subir os ilustres degraus de tribunas sagradas e nelas encontrar acesso e acolhida e instalação nos seus nobres assentos. O mexerico presencia congressos, move indiretamente opiniões em mesas de concílios, se entremete nos assentos de simpósios, arrediamente se mete entre os bancos de conclaves e até compartilha momentos entre o âmbito dos que presidem reuniões ou daqueles na frente da direção de cultos.
E mesmo nada sabendo sobre música, o mexerico toma assento para cantar junto com os santos nos grupos musicais, encontra tempo para influenciar regências e desagregar os louvadores motivados. O mexerico de face sorridente e olhares perscrutadores, se infiltra nos grupos de visitas.
É quase inexplicável como o mexerico consegue passar as portas e entrar em clínicas e gabinetes pastorais e ficar por um tempinho reservado entre um assunto e outro. E com gosto de “até mais”, o mexerico ainda aproveita os últimos minutinhos em pátios, átrios e alpendres sagrados para marcar futuros encontros com vistas a completar os seus informes e somar novos detalhes.
O mexerico faz um trabalho desafiante. Ele toma mentes desocupadas, incita-as a verbalizá-lo, aponta números telefônicos nas agendas, toma carona nas inspirações, atravessa fios e cabos telefônicos e vai direto ao ouvido do receptor e no coração inconverso deste ele encontra estalagem quentinha e aconchegante para passar a noite e depois seguir viagem adiante.
O mexerico não tem escrúpulos quanto a meios de ser transportado e nem obedece a regras e horários. Tanto faz um ponto-parada de ônibus como uma poltrona de ticket especial. Um saguão confortável de aeroporto, um panteão ou um pátio de um quartel, uma ala de estação ferroviária ou um banco de rodoviária, podem abrir um cantinho para o mexerico pousar e ser acolhido.
Para o mexerico não há horário de pico, ou de rush, ou de lentidão e engarrafamento. Temperatura e clima não lhe causam interferência. Às vezes esses assuntos para ele até se tornam em prelúdios, se encaixam em introduções, abrem preliminares, ou fecham exórdios.
Quanto a velocidades, deslocamentos e prioridades, o mexerico independe. A rapidez metroviária e a lentidão consumidora nos taxímetros, coisa alguma dessas lhe importam. Até os assentos de motos podem por alguns minutos ceder um tempinho para o mexerico enquanto o motoqueiro presta o seu serviço de fazer corridas.
Realmente o mexerico é terrível. E o mexeriqueiro jamais se responsabiliza e assume as rédeas primárias ou as conseqüências de sua mercadoria da “mexericagem”. Quando sob confronto o mexeriqueiro tem uma frase-defesa padrão – “ouvi dizer” -. E assim na tentativa de se isentar, mergulha-se no deslocamento para a omissão ou neutralidade no assunto. Dificilmente será ouvido o mexeriqueiro declarar “eu disse” nos seus informes. O íntimo do mexeriqueiro é covarde e gélido consigo mesmo.
A Sagrada Escritura em vários lugares nos fala sobre a funesta e ardilosa atividade do mexerico. Deus nos instrui e nos orienta a estarmos distantes e alheios à ação de mexeriqueiro. O mexeriqueiro está debaixo da reprovação e rejeição do Senhor Deus, visto que ele é um cooperador do arqui-adversário das almas, é um colaborador da desgraça e um empreendedor da calúnia e da difamação.
A Bíblia Sagrada define com a real propriedade o mexeriqueiro, visto que os termos para ele nos revelam significados interessantes. Nos textos sagrados estão suficientemente registrados termos para que não sejamos desconhecedores dessa feia e detestável atividade, assim como para que “não ande como mexeriqueiros no meio do teu povo...”. Lv 19.16.
Um desses termos escriturísticos principais para a palavra “mexeriqueiro” é o hebraico “rākhîl”, citado no texto original de Lv 19.16. É o mais contundente e direto no sentido fundamental para o mexeriqueiro. Por essa prática ser perigosa e acarretar os tantos males, prejuízos e desastres, o mandamento bíblico sobre a proibição dela é acompanhado do alerta na conclusão do versículo - “Eu Sou o Senhor” -.
Para “mexeriqueiro”, os textos hebraicos antigos trazem esse termo “rākhîl”. E com esta palavra o termo fala de alguém que é um mercadejador, um vendedor ambulante, um comerciante viajante, um mercador que leva consigo na sua bagagem mercadorias de pouco e baixo valor.
Este termo também é empregado para falar sobre pessoas que promovem e comerciam escândalos, inverdades, meias-verdades, utilizando os segredos alheios como sua mercadoria de atividade. Quer dizer também de um espalhador de fofocas, de murmurações, um tagarela que dissemina ou semeia boatos sobre assuntos particulares de alguém.
O termo também diz de alguém que assume a posição de um informante que se ocupa em caçar e revelar segredos para que estes sejam irradiados. Se refere também a um abelhudo que assume a tarefa de levar-e-trazer de lugar em lugar as “novidades” sobre as vidas alheias.
O mexeriqueiro é alguém que alimenta a calúnia, colabora para promover dissensões, divisões. É um veículo que se presta ao trabalho de transportar e anunciar murmurações, maldições, mentiras. É um promotor, inventor e feitor de maledicências, inverdades e meias-verdades. Seu trabalho se ocupa em manchar, roubar, matar, destruir, apagar, o nome, a boa fama, as boas qualificações, o sucesso, o triunfo, as boas intenções de alguém. Enfim, a tudo da vida de qualquer pessoa que seu coração audacioso objetive.
Quando se cede lugar às mercadorias do mexeriqueiro, também se conluia direta ou indiretamente com ele no feitio do mal visado por ele. E a Palavra de Deus nos alerta para esse perigo, nos deixando ver categoricamente no mesmo versículo de Lv 19.16 que o mexeriqueiro não passa impune, visto que quem o está esquadrinhando é o Senhor.
Na conclusão do mandamento, ao dizer “Eu sou o Senhor”, Deus quer nos dizer que Ele como Senhor do Seu povo está vendo com toda verdade, propriedade, natureza e qualidade acima que todos os homens as ações de cada um, e quanto as práticas do mexeriqueiro será desfechada sobre a sua vida a recompensa fatal, em vista dos males, prejuízos e desastres causados pelos seus mexericos.
Não andemos como eles...
PbGS
quarta-feira, 28 de abril de 2010
COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.
COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.
Ouvir é uma atitude interessante. A Bíblia está repleta deste verbo ouvir, ora afirmando, ora recomendando e aconselhando, ora convidando e ora declarando. As Escrituras afirmam claramente numa linguagem antropomórfica que Deus ouviu, que o Senhor ouve. As Sagradas Letras também falam do homem em relação ao seu ouvir. Ouvir é uma dádiva e um privilégio concedidos por Deus. “Bem-aventurados são os que ouvem as Palavras deste Livro”; “Quem tem ouvidos, ouça...”, diz a Bíblia.
Ao ouvir alguém, podemos conhecer algumas coisas que se passam no seu interior, podemos identificar o seu estado de espírito. Isto não é uma mágica e nem uma ação mística. Isto é uma sensibilidade básica no ser humano.
Tenho o grande privilégio de, por uma providência divina, possuir em meu pequeno e singelo quadro de amizades pessoais uma grande amiga fonoaudióloga, especializada e conhecedora de várias áreas e ramos do trabalho e tratamento da voz e acompanhamento da audição e que por anos trabalha com a voz e a audição humana. Certa vez ela me confidenciou algumas coisas importantes sobre a voz e o ouvir. Ela me disse que apenas em ouvir alguém consegue identificar o seu estado físico e emocional no momento em que seu paciente lhe dirige a voz na consulta.
Se aquela ilustre, respeitável e honrada amiga profissional de saúde, dentro de suas limitações consegue tal sensibilidade, imagine, se conseguir, o que pode o nosso Deus fazer por nós em nos ouvir! Temos a necessidade de ouvir e ser ouvidos. Empregamos o ouvir para também buscar conhecimentos, e pelo ouvir a fé vem a nós, sendo este ouvir o ouvir a Palavra de Deus. O que na verdade precisamos é saber empregar e em que empregar o nosso ouvir, não permitindo que coisas estranhas venham nos seduzir e provocar coceiras na nossa audição.
Estamos vivendo um período de grande obscuridade espiritual no mundo e que tende a tornar-se cada vez mais intensa. Um tempo de grandes iniciativas e famosos empreendimentos do conhecimento humano, mas também um tempo de grande ignorância espiritual. Um tempo em que a busca de conhecimento irmana-se com as inovações. Um tempo no qual os homens se aguçam e se entregam a esmiuçar detalhes de tudo que se lhes apresente no seu panorama, mas infelizmente um tempo em que poucos ouvem e se atêm a ouvirem a verdade. É o tempo da amontoação dos doutores, dos mestres, dos desejos ardentes e desenfreados mais do que em todos os tempos passados da história humana, apesar de tantas agruras por ela registradas.
Realmente, precisamos neste tempo de agora aplaudir alguns feitos extraordinários empreendidos pela criatura com a inteligência e propriedades lhe concedidas pelo Criador, creditando a Este toda a glória e louvor através de nosso reconhecimento e profunda admiração a que Ele é merecedor em cuidar e sustentar a vida de suas criaturas.
Neste tempo temos ouvido da sede de conhecimento mais do que nos dias passados, mas também temos testemunhado da corrida de ignorância espiritual que sombreia os homens. As fontes cada vez mais se diversificam, mas também se divergem. Algumas se diluem e tornam-se massificadas no meio de tantas informações, outras mantêm suas originalidade e linha de firmeza e conduta, a fim de se manterem fidedignas para com o que sustentam.
Todavia estamos inegavelmente vivendo um tempo em que ressurge o antigo com feições novas. Estamos literalmente no tempo em que muitos preferem desviar os seus ouvidos da verdade e voltarem a mergulhar nas fábulas e enganos motivados pela tamanha e crescente ignorância espiritual. As novas roupagens estão vestindo e cobrindo requintadamente as antigas mentiras e ilusões das fábulas e dos enganos, tentando anestesiar o homem para que este permaneça “dormindo”. É a epopéia das ficções tornando-as cada vez mais misturadas e parecidas com a realidade e com a verdade. Um brilhante recheado produzido com o misto de meias-verdades e mentiras. Algumas vezes vão um pouco além a misturar forçosamente nos seus ingredientes de mentiras fantásticas algumas “pitadas” de verdade.
E quando nos voltamos para as Escrituras Sagradas, encontramos o apóstolo Paulo empregando para este tempo uma expressão interessante que caracteriza singularmente em linguagem figurada um tipo de busca de conhecimento motivado no interior de pessoas pela ignorância espiritual fomentada pela curiosidade de conhecer desenfreadamente pelo que ouvem de doutores que amontoam para si. Um tipo de curiosidade de conhecer semelhante ao dos nossos primeiros pais no Éden. Uma expressão que denomina a causa dessa busca de conhecimento.
Acredito que muito nos vale nela refletir e certamente lograr edificação e êxito nesta ocasião, e nela me deter por alguns minutos junto aos meus caros e generosos leitores em conhecer seguramente um pouco mais do que precisamos.
Como sempre fiz quando na prédica ou no ensino, o repito agora pedindo por mais este momento ao Eterno Senhor a permissão para fazer citar de forma escrita um trecho do Livro Sagrado, registrado inspiradamente pelo apóstolo dos gentios, Paulo, na sua segunda carta ao jovem pastor Timóteo.
Assim está escrito: “...virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.
A expressão a que me refiro e que encontra-se no trecho da passagem bíblica acima é “comichão nos ouvidos”. Uma expressão quase pouco ouvida nas reuniões de ensino doutrinário, uma expressão pouco verbalizada por fazer parte de um texto que em si produz incômodo e desconforto em corações que, por não suportarem a sã doutrina, desviarão os ouvidos, em razão desta atingir contra aos seus desejos desenfreados e inescrupulosos, fazendo-as incomodadas, chocadas em si mesmas e em constante conflito interior por notar que estão em rumo divergente com a sã doutrina.
Para esta expressão “comichão nos ouvidos”, Paulo emprega no seu original escrito o termo grego “KNETHÓMENOI”, variante de “KNETHÕ”. O apóstolo o utiliza para expressar a verdade com uma linguagem figurada. Uma propriedade e característica marcantes dos grandes homens de Deus é ensinar as verdades eternas das Escrituras aplicando-as com figuras de linguagem para que esta atinja os maiores e mais altos valores espirituais através da simples compreensão sobre elementos físicos e naturais.
Que Paulo quer dizer com este termo? “KNETHÕ” significa “um desejo impaciente e ansioso”, “uma vontade irresistível como a que é provocada por uma coceira”, “sentir uma grande excitação como semelhante a provocada por cócegas”, “um grande desejo ardente de ouvir adulações e coisas agradáveis”. Um termo empregado figuradamente para dizer de um “um tipo de coceira na audição”. E o apóstolo Paulo o utiliza para expressar em linguagem figurada um tipo de coceira na audição causada contrariadamente por não suportar ouvir os ensinamentos da verdade da Palavra de Deus.
O termo toma o lugar no texto inicialmente de conseqüência, de sintoma, mas também assume o lugar de causa, de origem, em relação ao restante do conteúdo do texto em pauta. Paulo está nos dizendo através do que escreveu para o jovem pastor Timóteo desde o contexto anterior parafraseadamente “pregue a Palavra... porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, não se contentarão com ela, estarão excitados para conhecerem e ouvirem coisas que lhes agradem e os iludam, lhes enganem dizendo adulações, coisas convenientes que massageiem o ego; porém, tendo impaciência, ansiedade, vontade irresistível de ouvir buscarão ardentemente, excitadamente ouvir coisas que lhes atraem por curiosidades interessantes a si mesmos, buscarão ouvir especialmente para si um elenco de doutores, de mestres, de acordo com o programa de seus próprios desejos, interesses; e desviarão os ouvidos da verdade da Palavra, voltando às historinhas misticistas, mistificadas, místicas, as fábulas, do passado”.
Estamos no tempo no qual as pessoas se manterão na vontade de ouvir, acatar e conceber para si apenas o que satisfaz os seus desejos pessoais particulares, suas paixões ardentes e irresistidas. As pessoas terão curiosidades irresistíveis nelas mesmas e impacientes para buscar informações mirabolantes e interessantes, fomentadas e ampliadas pelas mensagens estranhas e heréticas, produzidas pelas interpretações particulares dos falsos mestres e doutores. Elas não vão amontoar indoutos para satisfazê-las no ouvir lhes provocando cócegas como seriam os doutores nas suas capacidades e habilidades especializadas em fazê-las. Elas vão sempre levantar um elenco programado de doutores para fazerem chegar aos seus ouvidos apenas adulações, hipocrisias, coisas que não lhes digam e nem toquem seus corações para a verdade, coisas que não lhes tragam conflitos e inquietações diante de seus desejos desenfreados e desmedidos.
Uma grande parte das pessoas se tornará insatisfeita com a verdade e terá excitada a sua curiosidade de ouvir a tal ponto que seu apetite se direcionará a ouvir mentiras, fábulas, enganos, heresias. Elas serão movidas por um apetite excitado de ouvir que se tornarão impacientes, ansiosas, para ouvir aquilo que é sensacional, interessante e fantástico, menos a verdade da Palavra. Elas se farão num caminho particular seu próprio e distanciado da verdade a tal ponto que vão por ele desaguar de volta às fábulas.
Um conjunto de fatores contribuirão para que as pessoas “se desviem da verdade voltando às fábulas”. Um deles é o não suportar a sã doutrina; o seguinte é o comichão (comichando) nos ouvidos seguido como originado por uma contrariedade nelas mesmas e ao mesmo tempo além de sintoma, se faz causa para amontoarem doutores para si mesmas; e o terceiro é que esses doutores devem se enquadrarem nos desejos delas e também possuírem os mesmos desejos que elas, senão eles não participarão do elenco de doutores programado por elas e estariam excluídos de seus amontoados.
Que preguemos a Palavra na verdade e com verdade. Não precisamos estar ou ficar melindrados se não fazemos parte dos amontoados de doutores que pregam e ensinam coisas fantásticas, interessantes e mirabolantes nas suas “mensagens”. Não tenhamos qualquer ressentimento ou carência de participar do elenco programado de doutores que levam os públicos ao desvio da verdade fazendo-os voltarem às fábulas, influenciando-os a retornarem ao antigo estado de mentiras, enganos e ilusões do qual foram resgatados pela mensagem da cruz. Jamais devemos nutrir ressentimentos ou matizar ou mesclar a nossa pregação da verdade da Palavra de Deus para com isso vir a agradar desejos particulares de quem quer que seja. Jamais devemos retirar ou acrescentar qualquer coisa ao Livro Sagrado para nos fazermos aceitáveis e convenientes a multidões que encaminham-se em seus passos brilhantes para o Hades.
Ainda que algumas pessoas tenham comichão nos ouvidos hoje, continuemos pregando a Palavra da Verdade, e quem sabe um dia desses debaixo do mover do Espírito em nossas pregações e ensino elas venham abrir os ouvidos e permitir que eles sejam limpos pela lavagem da Palavra? E retornem ao encontro da verdade e passem a amar a verdade, e descubram que fábulas em nada valem, de nada possuem de verdadeiro e concreto, a não ser revelar a inspiração adversária que as montou para prender e iludir os homens no mundo das ficções e do surrealismo muitas vezes disseminado nas demonstrações eloqüentes de discursos cativantes de quem vive movido pelos desejos e opiniões particulares. O mundo que revela o tamanho da ignorância espiritual que permeia a sede de buscar conhecimentos dos homens mergulhados em densas trevas e obscuridades espirituais.
PbGS
Ouvir é uma atitude interessante. A Bíblia está repleta deste verbo ouvir, ora afirmando, ora recomendando e aconselhando, ora convidando e ora declarando. As Escrituras afirmam claramente numa linguagem antropomórfica que Deus ouviu, que o Senhor ouve. As Sagradas Letras também falam do homem em relação ao seu ouvir. Ouvir é uma dádiva e um privilégio concedidos por Deus. “Bem-aventurados são os que ouvem as Palavras deste Livro”; “Quem tem ouvidos, ouça...”, diz a Bíblia.
Ao ouvir alguém, podemos conhecer algumas coisas que se passam no seu interior, podemos identificar o seu estado de espírito. Isto não é uma mágica e nem uma ação mística. Isto é uma sensibilidade básica no ser humano.
Tenho o grande privilégio de, por uma providência divina, possuir em meu pequeno e singelo quadro de amizades pessoais uma grande amiga fonoaudióloga, especializada e conhecedora de várias áreas e ramos do trabalho e tratamento da voz e acompanhamento da audição e que por anos trabalha com a voz e a audição humana. Certa vez ela me confidenciou algumas coisas importantes sobre a voz e o ouvir. Ela me disse que apenas em ouvir alguém consegue identificar o seu estado físico e emocional no momento em que seu paciente lhe dirige a voz na consulta.
Se aquela ilustre, respeitável e honrada amiga profissional de saúde, dentro de suas limitações consegue tal sensibilidade, imagine, se conseguir, o que pode o nosso Deus fazer por nós em nos ouvir! Temos a necessidade de ouvir e ser ouvidos. Empregamos o ouvir para também buscar conhecimentos, e pelo ouvir a fé vem a nós, sendo este ouvir o ouvir a Palavra de Deus. O que na verdade precisamos é saber empregar e em que empregar o nosso ouvir, não permitindo que coisas estranhas venham nos seduzir e provocar coceiras na nossa audição.
Estamos vivendo um período de grande obscuridade espiritual no mundo e que tende a tornar-se cada vez mais intensa. Um tempo de grandes iniciativas e famosos empreendimentos do conhecimento humano, mas também um tempo de grande ignorância espiritual. Um tempo em que a busca de conhecimento irmana-se com as inovações. Um tempo no qual os homens se aguçam e se entregam a esmiuçar detalhes de tudo que se lhes apresente no seu panorama, mas infelizmente um tempo em que poucos ouvem e se atêm a ouvirem a verdade. É o tempo da amontoação dos doutores, dos mestres, dos desejos ardentes e desenfreados mais do que em todos os tempos passados da história humana, apesar de tantas agruras por ela registradas.
Realmente, precisamos neste tempo de agora aplaudir alguns feitos extraordinários empreendidos pela criatura com a inteligência e propriedades lhe concedidas pelo Criador, creditando a Este toda a glória e louvor através de nosso reconhecimento e profunda admiração a que Ele é merecedor em cuidar e sustentar a vida de suas criaturas.
Neste tempo temos ouvido da sede de conhecimento mais do que nos dias passados, mas também temos testemunhado da corrida de ignorância espiritual que sombreia os homens. As fontes cada vez mais se diversificam, mas também se divergem. Algumas se diluem e tornam-se massificadas no meio de tantas informações, outras mantêm suas originalidade e linha de firmeza e conduta, a fim de se manterem fidedignas para com o que sustentam.
Todavia estamos inegavelmente vivendo um tempo em que ressurge o antigo com feições novas. Estamos literalmente no tempo em que muitos preferem desviar os seus ouvidos da verdade e voltarem a mergulhar nas fábulas e enganos motivados pela tamanha e crescente ignorância espiritual. As novas roupagens estão vestindo e cobrindo requintadamente as antigas mentiras e ilusões das fábulas e dos enganos, tentando anestesiar o homem para que este permaneça “dormindo”. É a epopéia das ficções tornando-as cada vez mais misturadas e parecidas com a realidade e com a verdade. Um brilhante recheado produzido com o misto de meias-verdades e mentiras. Algumas vezes vão um pouco além a misturar forçosamente nos seus ingredientes de mentiras fantásticas algumas “pitadas” de verdade.
E quando nos voltamos para as Escrituras Sagradas, encontramos o apóstolo Paulo empregando para este tempo uma expressão interessante que caracteriza singularmente em linguagem figurada um tipo de busca de conhecimento motivado no interior de pessoas pela ignorância espiritual fomentada pela curiosidade de conhecer desenfreadamente pelo que ouvem de doutores que amontoam para si. Um tipo de curiosidade de conhecer semelhante ao dos nossos primeiros pais no Éden. Uma expressão que denomina a causa dessa busca de conhecimento.
Acredito que muito nos vale nela refletir e certamente lograr edificação e êxito nesta ocasião, e nela me deter por alguns minutos junto aos meus caros e generosos leitores em conhecer seguramente um pouco mais do que precisamos.
Como sempre fiz quando na prédica ou no ensino, o repito agora pedindo por mais este momento ao Eterno Senhor a permissão para fazer citar de forma escrita um trecho do Livro Sagrado, registrado inspiradamente pelo apóstolo dos gentios, Paulo, na sua segunda carta ao jovem pastor Timóteo.
Assim está escrito: “...virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.
A expressão a que me refiro e que encontra-se no trecho da passagem bíblica acima é “comichão nos ouvidos”. Uma expressão quase pouco ouvida nas reuniões de ensino doutrinário, uma expressão pouco verbalizada por fazer parte de um texto que em si produz incômodo e desconforto em corações que, por não suportarem a sã doutrina, desviarão os ouvidos, em razão desta atingir contra aos seus desejos desenfreados e inescrupulosos, fazendo-as incomodadas, chocadas em si mesmas e em constante conflito interior por notar que estão em rumo divergente com a sã doutrina.
Para esta expressão “comichão nos ouvidos”, Paulo emprega no seu original escrito o termo grego “KNETHÓMENOI”, variante de “KNETHÕ”. O apóstolo o utiliza para expressar a verdade com uma linguagem figurada. Uma propriedade e característica marcantes dos grandes homens de Deus é ensinar as verdades eternas das Escrituras aplicando-as com figuras de linguagem para que esta atinja os maiores e mais altos valores espirituais através da simples compreensão sobre elementos físicos e naturais.
Que Paulo quer dizer com este termo? “KNETHÕ” significa “um desejo impaciente e ansioso”, “uma vontade irresistível como a que é provocada por uma coceira”, “sentir uma grande excitação como semelhante a provocada por cócegas”, “um grande desejo ardente de ouvir adulações e coisas agradáveis”. Um termo empregado figuradamente para dizer de um “um tipo de coceira na audição”. E o apóstolo Paulo o utiliza para expressar em linguagem figurada um tipo de coceira na audição causada contrariadamente por não suportar ouvir os ensinamentos da verdade da Palavra de Deus.
O termo toma o lugar no texto inicialmente de conseqüência, de sintoma, mas também assume o lugar de causa, de origem, em relação ao restante do conteúdo do texto em pauta. Paulo está nos dizendo através do que escreveu para o jovem pastor Timóteo desde o contexto anterior parafraseadamente “pregue a Palavra... porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, não se contentarão com ela, estarão excitados para conhecerem e ouvirem coisas que lhes agradem e os iludam, lhes enganem dizendo adulações, coisas convenientes que massageiem o ego; porém, tendo impaciência, ansiedade, vontade irresistível de ouvir buscarão ardentemente, excitadamente ouvir coisas que lhes atraem por curiosidades interessantes a si mesmos, buscarão ouvir especialmente para si um elenco de doutores, de mestres, de acordo com o programa de seus próprios desejos, interesses; e desviarão os ouvidos da verdade da Palavra, voltando às historinhas misticistas, mistificadas, místicas, as fábulas, do passado”.
Estamos no tempo no qual as pessoas se manterão na vontade de ouvir, acatar e conceber para si apenas o que satisfaz os seus desejos pessoais particulares, suas paixões ardentes e irresistidas. As pessoas terão curiosidades irresistíveis nelas mesmas e impacientes para buscar informações mirabolantes e interessantes, fomentadas e ampliadas pelas mensagens estranhas e heréticas, produzidas pelas interpretações particulares dos falsos mestres e doutores. Elas não vão amontoar indoutos para satisfazê-las no ouvir lhes provocando cócegas como seriam os doutores nas suas capacidades e habilidades especializadas em fazê-las. Elas vão sempre levantar um elenco programado de doutores para fazerem chegar aos seus ouvidos apenas adulações, hipocrisias, coisas que não lhes digam e nem toquem seus corações para a verdade, coisas que não lhes tragam conflitos e inquietações diante de seus desejos desenfreados e desmedidos.
Uma grande parte das pessoas se tornará insatisfeita com a verdade e terá excitada a sua curiosidade de ouvir a tal ponto que seu apetite se direcionará a ouvir mentiras, fábulas, enganos, heresias. Elas serão movidas por um apetite excitado de ouvir que se tornarão impacientes, ansiosas, para ouvir aquilo que é sensacional, interessante e fantástico, menos a verdade da Palavra. Elas se farão num caminho particular seu próprio e distanciado da verdade a tal ponto que vão por ele desaguar de volta às fábulas.
Um conjunto de fatores contribuirão para que as pessoas “se desviem da verdade voltando às fábulas”. Um deles é o não suportar a sã doutrina; o seguinte é o comichão (comichando) nos ouvidos seguido como originado por uma contrariedade nelas mesmas e ao mesmo tempo além de sintoma, se faz causa para amontoarem doutores para si mesmas; e o terceiro é que esses doutores devem se enquadrarem nos desejos delas e também possuírem os mesmos desejos que elas, senão eles não participarão do elenco de doutores programado por elas e estariam excluídos de seus amontoados.
Que preguemos a Palavra na verdade e com verdade. Não precisamos estar ou ficar melindrados se não fazemos parte dos amontoados de doutores que pregam e ensinam coisas fantásticas, interessantes e mirabolantes nas suas “mensagens”. Não tenhamos qualquer ressentimento ou carência de participar do elenco programado de doutores que levam os públicos ao desvio da verdade fazendo-os voltarem às fábulas, influenciando-os a retornarem ao antigo estado de mentiras, enganos e ilusões do qual foram resgatados pela mensagem da cruz. Jamais devemos nutrir ressentimentos ou matizar ou mesclar a nossa pregação da verdade da Palavra de Deus para com isso vir a agradar desejos particulares de quem quer que seja. Jamais devemos retirar ou acrescentar qualquer coisa ao Livro Sagrado para nos fazermos aceitáveis e convenientes a multidões que encaminham-se em seus passos brilhantes para o Hades.
Ainda que algumas pessoas tenham comichão nos ouvidos hoje, continuemos pregando a Palavra da Verdade, e quem sabe um dia desses debaixo do mover do Espírito em nossas pregações e ensino elas venham abrir os ouvidos e permitir que eles sejam limpos pela lavagem da Palavra? E retornem ao encontro da verdade e passem a amar a verdade, e descubram que fábulas em nada valem, de nada possuem de verdadeiro e concreto, a não ser revelar a inspiração adversária que as montou para prender e iludir os homens no mundo das ficções e do surrealismo muitas vezes disseminado nas demonstrações eloqüentes de discursos cativantes de quem vive movido pelos desejos e opiniões particulares. O mundo que revela o tamanho da ignorância espiritual que permeia a sede de buscar conhecimentos dos homens mergulhados em densas trevas e obscuridades espirituais.
PbGS
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