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sábado, 10 de setembro de 2011

VASTI – caráter e convicções.


VASTI – caráter e convicções.
Valores que possuem alto custo.

Na noite da primeira sexta-feira deste mês em curso estive pregando na rica abertura do 9º Aniversário da Igreja Evangélica Congregacional, no distrito de Cassarotiba, Maricá-RJ, em atendimento ao cordial e generoso convite formulado pelo nobre amigo conhecido de alguns anos e que lidera o digno e atuante ministério daquela amada igreja.

Foi uma rica e feliz oportunidade me concedida por Deus em haver reencontrado alguns outros obreiros e ladeado com eles a nobre tribuna sagrada. Foi uma linda festividade com a extraordinária e inexplicável marca da presença do Espírito do Senhor evidente no seio daquele numeroso e amável público. Deus provê pátrias e portas abertas para seus pregadores sérios e de conteúdo, comprometidos com Deus, com o povo do Seu Reino e com a Sua Palavra.

Dias depois, uma digna irmã em Cristo que esteve presente com o grupo liderado de sua igreja naquele alegre evento me localizou e dela recebi um telefonema dizendo-me não haver encontrado neste blog uma postagem cujo tema e conteúdo discorressem especificamente sobre a vida de alguma mulher da Bíblia Sagrada. Aquela conversa sugestiva e edificante me imprimiu incentivação e encorajamento, e também me fez refletir naquela carinhosa e cordata observação.

Os dias passaram e hoje, com respeitoso carinho sobre aquela observação refletida, venho nesta oportunidade estender também a todos os diletos e generosos leitores algumas lições edificantes sobre os episódios da vida da rainha persa Vasti, nos dias do rei Assuero (Xerxes), seu esposo e regente naquele trono conhecido na época desde a Índia até a Etiópia.

Daqueles episódios escriturísticos notamos que o mover do Senhor nosso Deus jamais será inteiramente concebido e nunca cabalmente compreendido por pessoa alguma. Tudo que o Senhor Deus faz, além de ter propósitos, tem suas razões, que muitas vezes são inicialmente inapercebidos e apenas parcialmente interpretados.

Da mesma forma como nos soa estranho saber que Deus abate a quem Ele quer, por mais auto-confiante e poderoso que esse alguém seja. E levanta qualquer um que Ele queira, por mais frágil, simples e indigno que pareça aos olhos e aos conceitos humanos. Também nos fala um tanto limitadamente assimilável que Deus cria e move esses feitos para a consecução e consolidação dos Seus planos e projetos.

Trabalhar, mover, transformar, usar, equipar e empregar as coisas loucas, fracas e insignificantes deste mundo são algumas das inúmeras especialidades do Senhor Deus. Deus abre os canais da história humana para imprimir e fazer serem notados o imenso brilho de Sua soberania e o grande fulgor de Seu poder na História. O Senhor Deus tanto lidera a História como desfaz e constrói histórias.

Deus transforma o mais amargo dos amargos e o mais péssimo entre os péssimos em mais doce e mais excelente. Da mesma forma Ele tira do cenário o mais doce e mais excelente para elevar e estabelecer o que não conseguiríamos definir, qualificar e classificar para substituir aqueles.

De onde há espinheiro, Deus o tira e faz nascer a sarça e crescer a murta. Há momento que Deus faz o eclipse da Lua apagar a sua luminosidade para que apareça a estrela que Ele convoca a mostrar o seu brilho e sua presença no momento em que Ele quer.

Às vezes é preciso que algumas coisas inesperadas se revelem nas oportunidades do mover de Deus e aconteçam para que saibamos lidar sabiamente, com tato e inteligência com coisas e pessoas que estão no nosso contexto e ao nosso redor. O curso das ações de Deus constrói ao mesmo tempo em que instrui.

Um dos textos da Sagrada Escritura que muito nos mostra essas verdades é o que está registrado no Livro que toma o nome de Ester. A judia Ester que veio a ser a rainha da Pérsia nos dias do rei Assuero (Xerxes). Esse livro contém, dentre muitas outras, as ricas e profundas lições que revelam até onde vai e sustenta o auto-senso de equilíbrio, de respeito, de pudor, assim como da força de caráter e a firmeza de convicções de uma pessoa.

Apesar de empolgantes e estimulantes, o mais lindo nesse livro não são os acontecimentos em si mesmos. O mais notável nesse precioso livro é, sobretudo, a revelação do poder, da soberania, da vontade e da providência de Deus sobre homens e reinos para movê-los em favor do Seu povo. Quando o Senhor quer cumprir a sua vontade e realizar o seu propósito, Ele move qualquer coisa e a faz estar inteiramente a serviço de Sua soberana vontade.

E visualizando essas lições supramencionadas, me proponho neste singelo artigo a trazer aos diletos e generosos leitores o foco sobre a rainha persa Vasti. Talvez, e seja muito possível que a maioria de nós tenha a atenção atraída em primeira mão para os livramentos concedidos a Mardoqueu, aos atos de justiça impostos sobre Hamã e os detalhes que culminaram nas vitórias concedidas pelo Senhor a Ester e ao povo judeu daquela época.

Todos esses detalhes são riquíssimos e sobremodo importantes e empolgantes, porém neste artigo preciso lhes trazer um pouco mais de perto ao terreno de Vasti, porquanto as lições da vida de Vasti podem lhe despertar a visão sobre acontecimentos até então não lhe bem compreendidos, não lhe satisfatoriamente aceitos.

Começo por lhe dizer que a rainha Vasti, enquanto no poder e no convívio do palácio persa, foi a rainha mais poderosa do Oriente Médio. Vasti exerceu autoridade e influência no reino durante os seus dias na co-regência do trono persa com o seu esposo rei, e mesmo depois de estando fora dele, ainda de certa forma durante o reinado de seu filho em poder daquele trono.

O nome de Vasti é originado do antigo persa, romanizado na escrita para Washiti, e possui o significado de “a mais doce”, “a mais excelente”. O nome estava intrinsecamente representado na formosura de sua pessoa e na beleza incomum de sua presença. A bela e linda pessoa de Vasti estava identificada, conferida e estampada no seu nome. Olhar para a beleza exterior de Vasti era enxergar a sua força de caráter e a sua firmeza de convicções residentes no seu interior. Valores interiores que lamentavelmente faltam em muita gente de nosso tempo.

Mas assim como para todos os homens, tanto o poder é transitório e possui restrições como os fatores humanos são limitados e passageiros, os de Vasti também foram. Apesar da fragilidade do seu poder, havia nela a manutenção de valores interiores que podem e devem ser cultivados por todo aquele que não se dobra a vontades desgovernadas, a ditames desmedidos e desmandos irrefletidos, com a cara de “cortesia conveniente e respeitosa à oficialidade do sombrio bom senso”.

As lições da vida de Vasti muito ferem aqueles que se vendem, se trocam, se auto-desvalorizam e se barganham em troca de favores, de titulações e de posições humanas transitórias e passageiras. As lições da vida de Vasti chocam diretamente contra aqueles que, a fim de se manterem no poder, na moda e na mídia, transgridem contra si mesmos, contra o auto-senso judicioso e contra as suas integridades moral e espiritual.

Chocam contra aqueles que mudam de carapaça, matizam e trocam de cores. Enfim, se submetem a fazerem qualquer coisa com o fim de serem mantidos no visual da popularidade e de um trono do poder. Aqui na Terra tudo isso é visto por um olhar conceitual e avalista, mas realmente não sabemos como é enxergado pelo olhar esquadrinhador no Céu.

Tudo começou a vir a lume quando o monarca persa promoveu um banquete no seu suntuoso palácio para os seus cordatos convivas. Havia dois ambientes separados e destinados cada um para um público confraternizar-se, como era o costume daqueles idos de então no mundo persa. Num ambiente concentravam-se os homens e no outro afastado dos olhos deles confraternizavam-se reunidas as mulheres.

Em meio a toda alegria e excitação do ambiente, movidas pela força da embriaguez do vinho, o rei Assuero no último dia da festa queria e mandou que a sua esposa, a rainha Vasti, fosse trazida do seu ambiente para desfilar mostrando a sua beleza e formosura diante da reunião seleta de ébrios congregados. Na passagem bíblica, o verbo “mostrar” traduz a palavra rā’āh no texto original hebraico, e possui um dos significados de “fazer desfrutar com os olhos”.

Aquele monarca estava acostumado a ter o que queria e terminou por receber o que não esperava. O nome Assuero era originado do antigo persa, cuja escrita romanizada é ‘ªhashwẽrôsh e significa “rei venerável”. Um venerável incorrendo no risco de se fazer desprezível.

Movido pela euforia da embriaguez e pelo seu capricho pessoal, o rei Assuero recebeu a inesperada recusa da sua esposa rainha Vasti em não ceder a se permitir a aquele seu capricho. Assuero se viu de brios tocados e humilhados. E furioso e indignado, o rei levantou-se diante dos comensais confraternos para resolver um novo problema que se instalara a partir dali afetando a família, o ambiente do lar, o ambiente da realeza e a sua representação social e política.

Para ele e seus convivas chocados, o quadro indicava nas suas óticas e pareceres um problema misto de quebra de autoridade, desrespeito conjugal, desprezo para com os convidados. Segundo os olhos humanos e costumes, o prevalecimento da recusa foi considerado como audacioso descumprimento ao mandado de um rei, ofensa, e o juízo sobre a rainha aparentemente audaz foi sugerido por um conselho como resposta à sua atitude de insolência. O que os maiorais temiam eram os futuros posicionamentos das mulheres perante aos caprichos desmandados e descabidos de seus maridos.

Para ela e suas convivas no outro ambiente, a iniciativa do rei seu marido foi um ato conflitante, desastroso e impensado. O rei fez uma exigência incomum. Ele queria expor a rainha, sua própria esposa, por um capricho pessoal inapropriadamente. Foi um ato impróprio, pois que feria as mulheres e também era incompatível à posição de uma rainha. A perda de sensos no mau emprego do exercício de poder muitas vezes expõe à execração vergonhosa e acarreta prejuízos desastrosos.

A quebra daquele ato impróprio e impensado do soberano monarca Assuero deu o início visível exteriorizado do agir de Deus. Nesse caso, a quebra começou pela atitude-resposta de Vasti ao mandado imprudente do rei. A posição de Vasti conferia exemplo e influência sobre todas as mulheres do reino, e sua atitude poderia de certa forma se tornar um guia para outras.

Para quem ocupa posição notável e influente é preciso refletir nos seus exemplos formadores de opiniões nos outros. Para que a vontade de Deus venha ser realizada, os acontecimentos vão sendo desencadeados e se mostrando, independente do conceito ou juízo que façamos sobre eles.  

Na força da embriaguez e debaixo da euforia do banquete, o rei estava pondo em risco a honra dele, invadindo a integridade moral da esposa e promovendo escárnio do seu reino, assim como possibilitando e viabilizando um desrespeito insultuoso que iria se tornar publicamente notório. Além disso, mandou servos domésticos comuns trazer escoltada a rainha. O que era impróprio e incidia com isso em rotulá-la como um objeto comum de prêmio como mostra para exposição.

O rei embriagado quis quebrar protocolos, fazendo abuso insanamente de sua autoridade para agradar a outros expondo sua própria esposa como se faz com um troféu. Terminou por ser colocado em situação difícil e desagradável por seu comportamento desequilibrado. A influência eufórica do ambiente do rei lhe sacou do tino e da capacidade de pesar e medir as conseqüências do seu ato.

A atitude da rainha Vasti em resposta ao querer imprudente do rei muito pode ensinar e muito pode revelar a ação de Deus. Vasti com sua resposta demonstrou e deixou claro que sua força de caráter e sua firmeza de convicções independiam de posição e de poder, assim como tinham um valor a ser zelado primeiro por ela e que sua atitude de submissão possuía limitações. Esse poder e exercício de percepção estão faltando em muita gente hoje.

Quer fosse para mostrar sua auto-afirmação diante das suas convidadas, quer fosse para fazer valer os seus valores morais, ela foi mais autêntica, sóbria, lúcida, leal, legítima e prudente do que o seu próprio marido rei. Exercício de poder e consciência do senso de valores são dois fatores distintos, mas quando unidos em ação conjunta revelam virtudes extraordinariamente louváveis. É preciso ser próprio para não se tornar vulgar e impróprio.

A atitude de Vasti recebeu o conceito e o parecer de desprezo e acarretou indignação. Fazendo o que lhe pareceu por correto e ético, e preservando a sua moral e de seu esposo e lar, Vasti sofreu perdas enquanto Deus estava com isso trabalhando no silêncio. Deus honrou e valorizou a individualidade da pessoa de Vasti ao mesmo tempo em que estava preparando o caminho para levantar Ester. É preciso  saber ser próprio para não terminar por se tornar em objeto de joguete. Vasti foi própria e autêntica.

Deus valorizou Vasti e recompensou o seu reino provendo sobre ela uma outra rainha tão linda e tão nobre, forte e firme quanto era Vasti. Vasti não perdeu o seu lugar no trono para outra mulher qualquer. A mais doce, a mais linda, desceu do trono para a estrela nele subir e ocupá-lo dentro da vontade e da provisão de Deus. Perde-se a posição e o trono, mas não se deixa cair o valor, a integridade e as convicções pessoais. Existem valores que jamais se deve trocar e há virtude que nunca podemos deixar de apresentá-la.

Vasti foi banida da presença real para sempre, tendo como a causa principal a de recusar-se a se apresentar como um objeto bibelô para satisfazer as vistas dos olhos cobiçosos dos amigos ébrios de seu marido. As controvérsias geradas pela atitude de Vasti fizeram que ela fosse deposta da posição e do trono. O conflito gerado a partir da atitude de Vasti deu lugar e oportunidade para Ester subir ao trono tempos depois da crise instalada na família e no palácio do rei Assuero.

Apesar da força de caráter e da firmeza de convicções de Vasti serem merecedores de nossas admirações, percebemos o agir e o mover da mão do Senhor nosso Deus mostrando o Seu poder e soberana vontade sobre os homens e reinos. Quanto vale o seu caráter e até onde vai a firmeza de suas convicções? Quem se vende, se troca e se barganha hoje, pode sofrer sérias conseqüências como desonras amanhã. O que lhe vale mais? A posição, o poder, que transitam em cursos incertos e não-garantidos, ou as integridades moral e espiritual? Que vale mais, a sua roupa transitória, ou o seu corpo permanente?

Alguém pode estar crente e convencido de que esteja fazendo o certo contra alguém ou em favor de algo, sem saber que suas visão, vontades e decisões estão sendo lideradas por Deus providencialmente para canalizar bênçãos e promover favores a alguém, a algum ambiente, a algum lar. O Senhor Deus opera tanto o querer como o efetuar.

Assim sendo, devemos lembrar que os propósitos do Senhor nosso Deus são mais altos que o nosso entendimento e por esta causa transcendem toda e qualquer decisão humana. Da mesma forma precisamos lembrar que nossa força de caráter e nossa firmeza de convicções possuem um elevado valor e para mantê-los podemos pagar um alto preço pelo seu imensurável custo.

Precisamos, outrossim, aprender que toda coisa debaixo do Céu é movível, é transitória, é mutável e passageira. Jamais se estribe na auto-confiança colocada nas coisas vistas pelos olhos. Nunca se permita ser iludido ou sofrer o engano, acreditando equivocadamente que suas vontades e decisões são soltas e isoladas em si mesmas.

Independentemente do nosso juízo, qualquer que seja ele sobre o que for, existem situações criadas por Deus, alocadas no seu tempo para dentro de nossa cronologia, e movidas dentro dos Seus propósitos, para especificamente abaterem uns enquanto levantam outros a fim de que a vontade soberana de Deus seja cumprida.

Não tentemos, não subestimemos o Senhor Deus, pois tudo está em Suas potentes mãos para fazer o que Lhe apraz e quando Ele quer. Importa não perdermos os nossos sensos sobre os nossos valores individuais segundo a Palavra de Deus. E se porventura algum infortúnio tenha tocado os valores pessoais do caro leitor, não se abata, não perca o rumo, retorne para ele, fazendo valer a sua força de caráter e a sua firmeza de convicções pessoais com vistas nos princípios ensinados na Palavra de Deus.
PbGS



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As escolhas e seus detalhes.

As escolhas e seus detalhes.

Fazer escolhas não é uma tarefa tão fácil de empreender. Todas as escolhas possuem seus detalhes, e não devemos desprezá-los. Algumas podem nos exigir pressa, atenção e resposta imediatas. Outras podem nos requerer maior apuração de exames que demandam mais tempo e dependem de outros fatores. Sempre que se nos apresentam propostas de opções e tomada de posição diante dessas, nos pomos em primeira mão realmente com algum tipo de preocupação. Por vezes temos alguma noção sobre o objeto da proposta que se nos é apresentada para a nossa escolha. Mas vezes outras há em que precisamos e dependemos de outra visão superior para realizarmos uma escolha.


Quando estamos diante de escolhas, alguns fatores e detalhes inevitavelmente nos cercam em relação a elas. Os impulsos da nossa natureza decaída e tendenciosa, as investidas e ciladas do nosso arquiadversário tentador e astuto, e as influências do mundo com seu sistema oposto e revoltoso contra Deus são fatores que não devemos permitir que governem as nossas capacidades e liderem os nossos pareceres sobre as escolhas que temos que fazer. Perceber e avaliar os detalhes das escolhas é um desafio estimulante.


A vida possui e nos apresenta escolhas a todo tempo. Temos que em algum momento dela fazer escolhas. Há quem diga que a vida é feita de escolhas, e existe quem diga haver fórmulas para fazermos escolhas. Porém a experiência nos diz que as escolhas fazem parte da vida e que esta nos impele com a força propulsora das escolhas. Temos que fazer escolhas, e se deixamos que outros as façam por nós, mesmo assim já estamos fazendo escolhas.


As escolhas estão sempre diante de nós, e com estas estamos sempre nos deparando e nos confrontando. Nem mesmo quando paramos ou nos isentamos diante de alguma escolha, isto queira significar que estamos sem escolhas, pois nessa situação qualquer coisa que fizermos, já representará por si mesma uma escolha. Parar, ou nos fazer nulos ou alheios diante de algo, já representa uma escolha, ainda que essa parada ou nulidade queira indicar de alguma forma um tipo de isenção de escolhas.


Por muitas vezes, não poucas pessoas não sabem fazer escolhas. Muitas, nem mesmo sabem como iniciar um processo de escolhas. Saber fazer escolhas é uma demonstração de algum tipo de domínio sobre algo que se escolhe. Toda escolha traz consigo o seu preço e resultados. Toda escolha carrega consigo os seus riscos e vantagens. Toda escolha possui o seu passo de fé e o seu abismo de dúvida assombroso. Nossas vidas tornam seus quadros melhores quando nos apoiamos na visão de Deus, nos apoiando com fé nos princípios e fundamentos da Palavra de Deus. Fora desses, nossas escolhas se fazem distanciadas e por vezes desconexas aos propósitos da vontade de Deus para com a vida e especialmente para com a nossa vida pessoal, individual.


Toda escolha possui seus pontos de incertezas e certezas. Um intrincado problema é saber medi-los e saber pesá-los. E o tanto mais difícil e arriscado ainda se torna quando insistimos em avaliar as escolhas segundo a nossa própria visão unilateral e alheia para com a Palavra de Deus, segundo apenas o que queremos ver. Nosso parecer é significativa e potencialmente limitado diante da imensidão dos reflexos contextuais em nossa volta e da incidência de diversos fatores que convergem no futuro ainda palpavelmente informe e incerto dentro de nossa percepção.


Toda escolha de algum modo provoca o seu tipo de medo. Muitos têm medos diante das escolhas que precisam fazer. O desconhecido provoca naturalmente o medo diante daqueles que desconhecem a pessoa do Senhor Jesus. Fazer opções fora da visão da Palavra de Deus é incorrer no medo fatal daquilo que não se conhece, é saltar às escuras e sem referenciais. É semelhante saltar de pára-quedas sem antes ter conhecido e revisado os detalhes do equipamento. O medo e a insegurança diante das escolhas desaparecem quando as fazemos convictos dentro da visão da Palavra de Deus e no nosso compromisso pessoal com Ele.


Toda escolha possui os seus dois lados. Nelas existe o lado da subjetividade e o lado da objetividade. Aquele está na parte do que imaginamos ou desconhecemos de alguma forma e este está na parte visível e atingível em nossas experiências. Pautar escolhas somente de um desses lados é estar sempre em estado de insegurança. Pautar nossas escolhas somente dentro de nossa visão e de nossos desejos pessoais não significa dizer que estamos nos apoiando na fé. Pois fé vai muito mais além do que imaginamos, pensamos ou queremos. Não existe fé verdadeira sem a presença do Senhor em sua natureza, porquanto Ele é o Autor e Consumador da nossa fé. Fé é dom de Deus e jamais produto humano. Por isso que as escolhas não devem ser pautadas somente de um lado e dentro da visão humana.


Encontramos tantas pessoas que desconhecem a verdadeira fé. Seja por esta razão que tantas delas erram tanto nas suas escolhas e outras se arrastam por muitos anos cativas e aprisionadas no calabouço das escolhas divididas e duvidosas por supostamente entenderem que suas escolhas são independentes da Palavra de Deus. Tantas pessoas tratam de uma fé imaginária, subjetiva, dirigida apenas pelas esperanças dentro de seu mundo lógico e desejável. Para estas vale mais o que se enxerga a luz de suas visões particulares e limitadas. Tudo que desafia as capacidades nas escolhas dentro do campo da fé é visto apenas como ameaça e nunca como uma entrega de fé, uma experiência de fé. A dúvida se opõe diretamente à fé e por isso tantos entram em labirintos de crenças e crendices em busca de acharem que vão nessa trilha encontrar a verdadeira fé.


Quem escolhe por fé, vai muito mais além da escolha por vista. Quem escolhe por fé, por obediência ao chamado sai a enfrentar uma jornada deixando para trás vínculos humanos. Quem escolhe por fé, por demonstração íntima levanta o cutelo deixando que a recompensa se manifeste. Quem escolhe por fé, compreende que em qualquer direção que dirigir seus passos, estes são acompanhados pelo Senhor. Quem escolhe por fé, por determinação pessoal rejeita a vida de apogeu preferindo sofrer as dificuldades e restrições naturais da simplicidade. Quem escolhe por fé, opta pelo parecer bem servir ao Senhor.


Quem escolhe por fé, obtém boa reputação espiritual. Quem escolhe por fé, pela Palavra de Deus entende que os mundos por ela foram feitos, ainda que as muitas ciências se limitem na sua lógica da causa-efeito. Quem escolhe por fé, decide oferecer o melhor sacrifício ao Deus Eterno, deixando que os outros ofereçam os seus como bem lhe aprazer. Quem escolha por fé, dirige sua vida agradando a Deus, deixando que em dado momento se encontrará face a face com Ele. Quem escolhe por fé, permite ser instruído por Deus acerca dos acontecimentos que ainda não se podem ser vistos.


Quem escolhe por fé, ainda que peregrino na terra, não esmorece na promessa de entrar e possuir o seu lugar por herança celestial. Quem escolhe por fé, abandona o mundo, deixando este com suas atrações e desejos. Quem escolhe por fé, sustenta a sua confiança na salvação pelo sangue carmesim. Quem escolhe por fé, ver as muralhas ruírem diante do brado de clamor. Quem escolhe por fé, sabe estar contente no pouco e satisfeito na abastança. Quem escolhe por fé, entende que sua vida não tida por mais preciosa, o viver é lucro e o morrer é ganho.


Muitas pessoas têm vivido uma gama de opções, de escolhas, e a elas se apresentam um leque de variáveis e situações nunca imaginadas em suas vidas. As dúvidas, as incertezas, o desconhecido e o medo lhes desencorajam, lhes travam de construírem, lhes paralisam na trajetória de progresso e de certa forma lhes encurtam as suas visões ou distorcem o foco destas. Isto se dá em função de seu sentimento de auto-suficiência e de sua desconexão com a Palavra de Deus. A Bíblia diz que “enganoso é o coração do homem”. E em outro lugar também diz que “se o coração nos engana, maior é Deus” que não nos deixa enganados. Se persistirmos no engano, isso é por conta de nossa própria escolha.


Vejamos alguns elementos das escolhas que podem assinalar os seus processos e refletir nos seus resultados.


1. As escolhas possuem qualidades - existe a má escolha, mas também há a boa escolha. Essas qualidades generalizam todas as escolhas. As qualidades de uma escolha surgem na sua floração e são comprovadas na sua frutificação. Os frutos da boa escolha se dão quando a fazemos apoiados na visão da Palavra de Deus.


2. As escolhas podem causar impactos significativos - existe a pequena escolha, mas também há a grande escolha. Esses impactos nem sempre são vistos no início, todavia não conseguem se manter escondidos por muito tempo. Os impactos de uma escolha são fatais, inevitáveis, perceptíveis e comprováveis. Os impactos significativos da grande escolha são percebidos quando a fazemos fundamentados na visão da Palavra de Deus.


3. As escolhas podem indicar o estado de sensatez – existe a escolha inconsciente e inconseqüente, mas também há a escolha lúcida e sensata. Esse estado é percebido desde os primeiros passos da escolha e atravessam por todo o tempo até a sua consecução. Somente temos uma escolha lúcida e sensata quando a empreitamos apoiados na visão da Palavra de Deus.


4. As escolhas podem indicar a gravidade de comprometimento – existe a escolha arriscada e louca, mas também existe a escolha segura e sábia. Essa gravidade pode ser visualizada no começo do processo analítico e vai assumindo o seu volume na medida em que os fatos vão ocorrendo. Quando se trata de fazermos escolhas apoiados na visão da Palavra de Deus, os riscos e a loucura aparentes são humanos e os sucessos e vitórias são divinos.


5. As escolhas podem indicar o grau de satisfação – existe a escolha triste, mas também há a feliz escolha. A feliz escolha nem sempre se mostra enquanto estamos singrando o início da jornada decidida, porém logo as coisas vão convergindo e se revelando que a escolha feita vai nos destinando ao grau de satisfação feliz. Quando fazemos escolhas apoiados na visão da Palavra de Deus, podemos confiar que trilhando nesse ato de verdadeira fé estamos sendo conduzidos ao destino feliz. Nossa visão de satisfação e felicidade é muito pequena e limitada da visão que Deus tem sobre esses valores. Nem sempre temos a visão imediata e completa do alcance e propósitos reais e verdadeiros desses valores.


Além desses elementos, notemos agora os inimigos das escolhas. As escolhas possuem seus inimigos. Mesmo que não queiramos ou nos esquivemos de ver esses inimigos, eles existem e se fazem mais presentes quando estamos diante de uma tomada de decisões sobre escolhas que precisamos fazer.


1. A lealdade divida é um terrível e silencioso inimigo das escolhas. Como se torna difícil a vida de alguém que tenta levar uma vida se equilibrando entre dois patamares conflitantes com a sua escolha quando esta lhe requer dedicação total e inteireza de lealdade. A lealdade dividida se opõe silenciosamente a escolhas fazendo se revelar as nossas impossibilidade e incapacidade de servirmos a mais de uma causa cumprindo as mesmas exigências e dedicação que ambas requerem. As escolhas feitas apoiadas na visão da Palavra de Deus reprovam a divisão de lealdade.


2. O ânimo dobre é um inimigo desmotivador das escolhas. A tomada de decisão sobre escolhas também envolve o ânimo. Não se pode arvorar uma mesma bandeira para dois elementos opostos entre si quando temos que selecionar um deles. As lágrimas podem surgir na tristeza, como também na alegria. Entretanto as duas são distintas e distinguidas pelo choro, pelo sorriso e pelo ânimo. O ânimo dobre é um inimigo de nossas escolhas, haja vista que ele pode nos fazer estar como as ondas do mar na praia – entre idas e vindas mantêm a areia molhada, mas não avançam além dela. Fazer escolhas com o ânimo dobre é um péssimo sinal para quem precisa de um destino firme e recompensador. As escolhas feitas apoiadas na visão da Palavra de Deus reprovam o ânimo duplo.


3. O titubear em opiniões é um inimigo das escolhas. Uma das coisas que precisamos aprender ao fazer escolhas é fazê-las com nossas opiniões formadas seguramente sobre os referenciais da Palavra de Deus. Podem nos cercar várias e diversas opiniões, porém apenas devem prevalecer em nós aquelas apoiadas na Palavra de Deus para nós diretamente. No dia em que ao fazermos escolhas, estivermos confiantes em opiniões misturadas com o que nos diz a Palavra de Deus, certamente nossas escolhas estarão sendo feitas embasadas sobre alicerces titubeantes que falsamente nos levarão a titubear em opiniões. As escolhas feitas apoiadas na visão da Palavra de Deus reprovam o titubeio em opiniões.


4. O desviar-se para a direita ou para a esquerda é um inimigo das escolhas. Esse ato de desvio é terminantemente rejeitado pelo Senhor. Quem vive diante de escolhas para as quais deve tomar o rumo da retidão, não deveria se dar ao prazer de vezes por outras tombar para a direita ou tendenciar para a esquerda. “Desviar-se para a direita ou para a esquerda” é uma linguagem bíblica que nos diz de se sair do caminho reto proposto, como também de se estar no caminho, porém vez por outras se amiga, se flerta com algo estranho que parece ser correto e ainda também como com o mesmo sentimento e dedicação se alia, se absorve com o que é mau. Indica uma tentativa de apesar de querer seguir o caminho da retidão, poder também ao mesmo tempo se adulterar ou se prostituir com outros conceitos e práticas estranhos à Palavra de Deus.


5. A ausência de firmeza no coração é um inimigo secreto das escolhas. Quantas pessoas perdem valores, se extraviam em filosofias e derrocam diante de bênçãos que são destinadas para elas, por permitirem que em seus corações faltem a firmeza. Uma correspondência possui seu remetente e seu destinatário, mas esses indicadores por si não definem a segurança de que a mesma alcance o seu destino. Se pretendemos fixar nossos olhos e confiar no nosso destino segundo a Palavra de Deus, temos que fazer nossas escolhas apoiados na visão da Palavra de Deus com o nosso coração firme. Pisar em falso nos ensinamentos da Palavra de Deus diante das escolhas é dubiedade e incredulidade diante de Deus e incertezas no futuro.


6. O seguir a multidão é um inimigo sedutor e influenciador contra as escolhas. Não devemos ir após as multidões, é o que nos recomenda a Palavra de Deus. As multidões anulam a identidade e a vontade individuais das pessoas. As multidões não têm identidade e vontade próprias. A multidão carrega consigo a tendência de seguir simplesmente a sua maioria, o que for ditado ou imposto por esta deve ser acatado custe o que custar, ainda que esse preço nada tenha relacionado com as necessidades individuais de cada um entre ela. Se deixar ser influenciado pelas multidões é anular-se a si mesmo diante das escolhas que individualmente se precisa fazer.


Vejamos também algumas das características identificadoras da má escolha.


1. Uma má escolha é caracterizada por aborrecer o conhecimento, especialmente o conhecimento de Deus.


2. Uma má escolha é caracterizada por desprezar o temor do Senhor.


3. Uma má escolha é caracterizada por optar por coisas que desagradam a Deus.


4. Uma má escolha é caracterizada por preferir os caminhos das abominações.


5. Uma má escolha é caracterizada por ser movida pelos impulsos inconseqüentes.


Por outro lado, notemos agora algumas das características da boa escolha. Que características possui a boa escolha? A boa escolha se caracteriza através de alguns indicadores.


1. Ela se caracteriza quando decidimos servir ao Senhor. Podemos haver experimentado tantas servidões no passado, entretanto quando chegamos no momento de ter o nosso parecer, seja este o bom parecer de servir ao Senhor. Todas as nossas escolhas dependem conseqüentemente da escolha de servirmos a Deus. Servir a Deus é a decisão principal que aponta para o nosso destino. Josué, líder sucessor de Moisés, teve todo o seu sucesso e sucessivas vitórias porque ele e sua casa decidiram servir ao Senhor. É necessário decidirmos servir ao Senhor sem coxearmos em dois pensamentos. As pessoas que decidem servir a deuses estranhos e pagãos, ficarão debaixo de pesados fardos e ardorosos jugos da violência contra as suas próprias almas.


2. Ela se caracteriza quando aplicamos um coração compreensivo para julgar pelo discernimento prudente. Podemos ter um bom grau de escolaridade, um bom nível cultural e uma boa gama de conhecimentos, entretanto para se fazer a boa escolha devemos depender da sabedoria de Deus. Salomão, filho e sucessor do rei Davi, teve o seu sucesso de liderança porque aplicou os seus julgamentos baseado na sabedoria lhe dada por Deus para julgar e discernir de forma prudente ao fazer escolhas. As pessoas que decidem fazer escolhas independentes de Deus e sem discernimento prudente diante do que se mostram as demandas, ficarão atoladas na profanação e perdidas da bênção celestial.


3. Ela se caracteriza quando optamos pelo caminho da fidelidade, decidir pelos juízos do Senhor. Parece que esta característica se sobrepõe à anterior, mas na verdade esta tem as suas diferenças inerentes. Optar pelo caminho da fidelidade e decidir pelos juízos do Senhor são escolhas que têm um alto preço em meio a situações e condições adversas. O salmista inspirado pelo Senhor, entre os tantos versículos que escreveu no Salmo 119, escreveu no versículo 30 essa característica da boa escolha. As pessoas que decidem insistir e persistir em andar pelo caminho da infidelidade se aliando e copiando decisões lideradas por prazeres iníquos e juízos divorciados da Palavra de Deus, ficarão sucumbidas na miserabilidade do remorso e vitimadas na vergonha da avareza e do engano.


4. Ela se caracteriza quando preferimos a boa parte em estar adorando, orando e ouvindo os ensinamentos do Senhor. Essa é a parte duradoura que jamais será tirada de nós. É mediante essa preferência que não permitimos ficar assoberbados pelos problemas e coisas desta vida e em algum momento ver a glória de Deus. Maria, irmã de Marta e de Lázaro, em meio aos afazeres domésticos escolheu tirar um período momentâneo para aproveitar a companhia da visita do Senhor Jesus em sua casa para ouvi-lo, afinal nem sempre se podia ter a companhia pessoal e particular do Mestre sem que houvessem multidões o acompanhando. É necessário que priorizemos os tesouros do céu e nos desapeguemos das riquezas da terra. Quando decidimos ficar do lado do Senhor, reconhecemos que somente Ele tem as palavras de vida eterna. As pessoas que decidem colocar-se por trás das muralhas de ocupações e de apegos aos bens e benefícios terrenos e põem em segundo plano o apego pela presença do Senhor, ficarão vazias, presas e cativas em barreiras da soberba e da fadiga da vida.


5. Ela se caracteriza quando rejeitamos usufruir honrarias e prazeres humanos e transitórios ao preferirmos passar por situações adversas sendo povo de Deus. Não é fácil fazer essa escolha tendo-a como uma boa escolha, mas é esta uma característica dela. Diante de ameaças de perdas de benesses e benefícios humanos, de riscos de menosprezos, de riscos de rejeições, de riscos em passar a ser alvo de ódios, é uma preferência difícil de ser assimilada por quem ama o mundo de ostentações. Mas Moisés, servo e feito líder do povo hebreu pelo Senhor, fez essa boa escolha. As pessoas que decidem confiar em reis da terra como se estes fossem os defensores do povo de Deus e divindades mantenedoras de honrarias e prazeres humanos transitórios, ficarão confundidas e cairão em laços de maldição mediante o que diz a Palavra de Deus.


6. Ela se caracteriza quando decidimos preferir a proposta da vida, do bem e da bênção do Senhor para nós particularmente e para a nossa descendência. Deus mostrou ao seu povo os caminhos que poderiam seguir, todavia Ele aconselhou seguir a Sua proposta. A boa escolha se dá quando decidimos observar os mandamentos do Senhor e buscá-LO de todo o nosso coração. As pessoas que decidem confiar e optar por propostas camufladas, enganosas e traiçoeiras de reis da terra, e não darem ouvidos à Palavra de Deus, ficarão no caminho da morte, do mau e da maldição, e ainda as trarão sobre as suas próprias descendências, como diz a Palavra de Deus.


7. Ela se caracteriza quando a decidimos equilibrados e não sob a influência de impulsos particulares, momentâneos, desenfreados e impensados. Esses impulsos podem conduzir o influenciado para tristes lamentos futuros. Uma vez que são feitas escolhas sob a força desses impulsos, espera-se deles a maior probabilidade e a maior incidência de possibilidades de erros fatais. Foram esses impulsos que arruinaram a vida de Esaú levando-o a consumar o ato de profanação e, perdendo o seu senso sobre a sua posição e sobre os valores eternos. O resultado desses impulsos na vida de Esaú foi banhado de lágrimas com um arrependimento tardio depois de ter visto mais claramente o tipo de escolha que fizera. As pessoas que decidem suas escolhas baseados em impulsos dessa natureza, ficarão soçobradas em remorsos e lamentos fatais.


Lembremos, por fim, de que a precisão de nossas escolhas dependem de quatro elementos. Toda escolha por mais simplória que possa nos parecer, depende desses elementos. Notemo-los.


1. A preferência. Nossa preferência indica o que gostamos mais diante das propostas que se apresentam diante de nós. A preferência envolve predileção, primazia e prioridade no que vemos ser melhor a ser escolhido. Que nossas preferências sejam segundo a visão da Palavra de Deus.


2. O parecer. Nosso parecer indica que opinamos baseados em alguma idéia fundamentada. O parecer envolve um juízo sem manquejo e sobre variáveis reais em tudo que está explícito e implícito na escolha e nas suas resultantes. Que nosso parecer seja segundo a visão da Palavra de Deus.


3. O querer. Nosso querer indica a ação de desejarmos ou pretendermos ter. O querer está presente nas escolhas e envolve o desfecho da volitividade sobre o objeto da escolha. O querer não pode ser um fator determinante único e isolado nas escolhas. Que nosso querer seja segundo a visão da Palavra de Deus.


4. A decisão. Nossa decisão indica a conclusão a que chegamos para a resolução da escolha. A decisão é um importante elemento no desfecho conclusivo da escolha. Decidir é uma ação muito delicada e às vezes um tanto complexa, porém é o elemento determinante na escolha. Somente escolhemos depois que decidimos. Que nossa decisão seja segundo a visão da Palavra de Deus.


Concluindo, podemos, portanto, notar que fazer realmente escolhas não é tarefa tão fácil de se realizar, como algumas pessoas pensam. Haja vista que escolhas exigem fé, parecer, coragem, decisão, tempo. As escolhas de alguma forma exercem algum tipo de influência, diretamente sobre quem as decide e indiretamente sobre os outros que lhe rodeiam. Quando somos só, nossas preferências, opções, decisões sobre nossas escolhas são mais simples e incidem seus resultados sobre nós mesmos, entretanto quando temos outros ao nosso lado e antevemos que elas vão também influenciar e incidir sobre as suas vidas, tudo se faz mais complexo e nos pede maior acuidade e mais prudência de nossa parte.


Nossas escolhas sempre apontam para o futuro e não há como plagiar o passado e o futuro. O primeiro já passamos pelos acontecimentos e o segundo o havemos de passar. Toda escolha precisa ser vista com realidade e com verdade no que ela pode nos levar para situações e condições melhores do que as atuais dentro do plano de Deus que hoje vemos e do que podemos compreender na visão da Palavra de Deus. Dentre as muitas escolhas que se nos apresentam, sempre vai existir aquela que fundamentado na visão da Palavra de Deus que hoje possuímos, se nos representa com mais certeza, com o menor prejuízo, com o melhor resultado


Podemos cometer erros quando decidimos alguma escolha. Seja possível que os erros que hoje cometemos tenham sido resultantes de más escolhas que por algum aspecto influenciador as fizemos no passado. Esses erros se dão em vista de que no momento que fizemos aquelas escolhas, estávamos pensando no melhor para nós, e mais grave se tornou se aqueles pensamentos estavam desconexos da visão da Palavra de Deus, mesmo estando pensando no melhor. O nosso melhor dentro de nossa visão particular nem sempre e quase sempre não é o melhor segundo a visão de Deus para nós. O nosso melhor é tendencioso, e o melhor de Deus é imparcial, reto, justo, esquadrinhado e aprumado para a medida de estrutura de nossas vidas. Por essa causa, devemos fazer as nossas escolhas dentro da visão da Palavra de Deus porque ela é inerrante e infalível.


Que em todas as nossas escolhas, sejamos mais perspicazes e estimulados a percebermos os seus detalhes, seus fatores e seus elementos a fim de que a preferência, o parecer, o querer e a decisão sejam no mais que possível instruídos e guiados de acordo com a visão da Palavra de Deus para as nossas vidas e as de nossas descendências.
PbGS
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.

COMICHÃO NOS OUVIDOS – um mal que afasta muitos da verdade.



Ouvir é uma atitude interessante. A Bíblia está repleta deste verbo ouvir, ora afirmando, ora recomendando e aconselhando, ora convidando e ora declarando. As Escrituras afirmam claramente numa linguagem antropomórfica que Deus ouviu, que o Senhor ouve. As Sagradas Letras também falam do homem em relação ao seu ouvir. Ouvir é uma dádiva e um privilégio concedidos por Deus. “Bem-aventurados são os que ouvem as Palavras deste Livro”; “Quem tem ouvidos, ouça...”, diz a Bíblia.


Ao ouvir alguém, podemos conhecer algumas coisas que se passam no seu interior, podemos identificar o seu estado de espírito. Isto não é uma mágica e nem uma ação mística. Isto é uma sensibilidade básica no ser humano.


Tenho o grande privilégio de, por uma providência divina, possuir em meu pequeno e singelo quadro de amizades pessoais uma grande amiga fonoaudióloga, especializada e conhecedora de várias áreas e ramos do trabalho e tratamento da voz e acompanhamento da audição e que por anos trabalha com a voz e a audição humana. Certa vez ela me confidenciou algumas coisas importantes sobre a voz e o ouvir. Ela me disse que apenas em ouvir alguém consegue identificar o seu estado físico e emocional no momento em que seu paciente lhe dirige a voz na consulta.


Se aquela ilustre, respeitável e honrada amiga profissional de saúde, dentro de suas limitações consegue tal sensibilidade, imagine, se conseguir, o que pode o nosso Deus fazer por nós em nos ouvir! Temos a necessidade de ouvir e ser ouvidos. Empregamos o ouvir para também buscar conhecimentos, e pelo ouvir a fé vem a nós, sendo este ouvir o ouvir a Palavra de Deus. O que na verdade precisamos é saber empregar e em que empregar o nosso ouvir, não permitindo que coisas estranhas venham nos seduzir e provocar coceiras na nossa audição.


Estamos vivendo um período de grande obscuridade espiritual no mundo e que tende a tornar-se cada vez mais intensa. Um tempo de grandes iniciativas e famosos empreendimentos do conhecimento humano, mas também um tempo de grande ignorância espiritual. Um tempo em que a busca de conhecimento irmana-se com as inovações. Um tempo no qual os homens se aguçam e se entregam a esmiuçar detalhes de tudo que se lhes apresente no seu panorama, mas infelizmente um tempo em que poucos ouvem e se atêm a ouvirem a verdade. É o tempo da amontoação dos doutores, dos mestres, dos desejos ardentes e desenfreados mais do que em todos os tempos passados da história humana, apesar de tantas agruras por ela registradas.


Realmente, precisamos neste tempo de agora aplaudir alguns feitos extraordinários empreendidos pela criatura com a inteligência e propriedades lhe concedidas pelo Criador, creditando a Este toda a glória e louvor através de nosso reconhecimento e profunda admiração a que Ele é merecedor em cuidar e sustentar a vida de suas criaturas.


Neste tempo temos ouvido da sede de conhecimento mais do que nos dias passados, mas também temos testemunhado da corrida de ignorância espiritual que sombreia os homens. As fontes cada vez mais se diversificam, mas também se divergem. Algumas se diluem e tornam-se massificadas no meio de tantas informações, outras mantêm suas originalidade e linha de firmeza e conduta, a fim de se manterem fidedignas para com o que sustentam.


Todavia estamos inegavelmente vivendo um tempo em que ressurge o antigo com feições novas. Estamos literalmente no tempo em que muitos preferem desviar os seus ouvidos da verdade e voltarem a mergulhar nas fábulas e enganos motivados pela tamanha e crescente ignorância espiritual. As novas roupagens estão vestindo e cobrindo requintadamente as antigas mentiras e ilusões das fábulas e dos enganos, tentando anestesiar o homem para que este permaneça “dormindo”. É a epopéia das ficções tornando-as cada vez mais misturadas e parecidas com a realidade e com a verdade. Um brilhante recheado produzido com o misto de meias-verdades e mentiras. Algumas vezes vão um pouco além a misturar forçosamente nos seus ingredientes de mentiras fantásticas algumas “pitadas” de verdade.


E quando nos voltamos para as Escrituras Sagradas, encontramos o apóstolo Paulo empregando para este tempo uma expressão interessante que caracteriza singularmente em linguagem figurada um tipo de busca de conhecimento motivado no interior de pessoas pela ignorância espiritual fomentada pela curiosidade de conhecer desenfreadamente pelo que ouvem de doutores que amontoam para si. Um tipo de curiosidade de conhecer semelhante ao dos nossos primeiros pais no Éden. Uma expressão que denomina a causa dessa busca de conhecimento.


Acredito que muito nos vale nela refletir e certamente lograr edificação e êxito nesta ocasião, e nela me deter por alguns minutos junto aos meus caros e generosos leitores em conhecer seguramente um pouco mais do que precisamos.


Como sempre fiz quando na prédica ou no ensino, o repito agora pedindo por mais este momento ao Eterno Senhor a permissão para fazer citar de forma escrita um trecho do Livro Sagrado, registrado inspiradamente pelo apóstolo dos gentios, Paulo, na sua segunda carta ao jovem pastor Timóteo.


Assim está escrito: “...virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas”.


A expressão a que me refiro e que encontra-se no trecho da passagem bíblica acima é “comichão nos ouvidos”. Uma expressão quase pouco ouvida nas reuniões de ensino doutrinário, uma expressão pouco verbalizada por fazer parte de um texto que em si produz incômodo e desconforto em corações que, por não suportarem a sã doutrina, desviarão os ouvidos, em razão desta atingir contra aos seus desejos desenfreados e inescrupulosos, fazendo-as incomodadas, chocadas em si mesmas e em constante conflito interior por notar que estão em rumo divergente com a sã doutrina.


Para esta expressão “comichão nos ouvidos”, Paulo emprega no seu original escrito o termo grego “KNETHÓMENOI”, variante de “KNETHÕ”. O apóstolo o utiliza para expressar a verdade com uma linguagem figurada. Uma propriedade e característica marcantes dos grandes homens de Deus é ensinar as verdades eternas das Escrituras aplicando-as com figuras de linguagem para que esta atinja os maiores e mais altos valores espirituais através da simples compreensão sobre elementos físicos e naturais.


Que Paulo quer dizer com este termo? “KNETHÕ” significa “um desejo impaciente e ansioso”, “uma vontade irresistível como a que é provocada por uma coceira”, “sentir uma grande excitação como semelhante a provocada por cócegas”, “um grande desejo ardente de ouvir adulações e coisas agradáveis”. Um termo empregado figuradamente para dizer de um “um tipo de coceira na audição”. E o apóstolo Paulo o utiliza para expressar em linguagem figurada um tipo de coceira na audição causada contrariadamente por não suportar ouvir os ensinamentos da verdade da Palavra de Deus.


O termo toma o lugar no texto inicialmente de conseqüência, de sintoma, mas também assume o lugar de causa, de origem, em relação ao restante do conteúdo do texto em pauta. Paulo está nos dizendo através do que escreveu para o jovem pastor Timóteo desde o contexto anterior parafraseadamente “pregue a Palavra... porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, não se contentarão com ela, estarão excitados para conhecerem e ouvirem coisas que lhes agradem e os iludam, lhes enganem dizendo adulações, coisas convenientes que massageiem o ego; porém, tendo impaciência, ansiedade, vontade irresistível de ouvir buscarão ardentemente, excitadamente ouvir coisas que lhes atraem por curiosidades interessantes a si mesmos, buscarão ouvir especialmente para si um elenco de doutores, de mestres, de acordo com o programa de seus próprios desejos, interesses; e desviarão os ouvidos da verdade da Palavra, voltando às historinhas misticistas, mistificadas, místicas, as fábulas, do passado”.


Estamos no tempo no qual as pessoas se manterão na vontade de ouvir, acatar e conceber para si apenas o que satisfaz os seus desejos pessoais particulares, suas paixões ardentes e irresistidas. As pessoas terão curiosidades irresistíveis nelas mesmas e impacientes para buscar informações mirabolantes e interessantes, fomentadas e ampliadas pelas mensagens estranhas e heréticas, produzidas pelas interpretações particulares dos falsos mestres e doutores. Elas não vão amontoar indoutos para satisfazê-las no ouvir lhes provocando cócegas como seriam os doutores nas suas capacidades e habilidades especializadas em fazê-las. Elas vão sempre levantar um elenco programado de doutores para fazerem chegar aos seus ouvidos apenas adulações, hipocrisias, coisas que não lhes digam e nem toquem seus corações para a verdade, coisas que não lhes tragam conflitos e inquietações diante de seus desejos desenfreados e desmedidos.


Uma grande parte das pessoas se tornará insatisfeita com a verdade e terá excitada a sua curiosidade de ouvir a tal ponto que seu apetite se direcionará a ouvir mentiras, fábulas, enganos, heresias. Elas serão movidas por um apetite excitado de ouvir que se tornarão impacientes, ansiosas, para ouvir aquilo que é sensacional, interessante e fantástico, menos a verdade da Palavra. Elas se farão num caminho particular seu próprio e distanciado da verdade a tal ponto que vão por ele desaguar de volta às fábulas.


Um conjunto de fatores contribuirão para que as pessoas “se desviem da verdade voltando às fábulas”. Um deles é o não suportar a sã doutrina; o seguinte é o comichão (comichando) nos ouvidos seguido como originado por uma contrariedade nelas mesmas e ao mesmo tempo além de sintoma, se faz causa para amontoarem doutores para si mesmas; e o terceiro é que esses doutores devem se enquadrarem nos desejos delas e também possuírem os mesmos desejos que elas, senão eles não participarão do elenco de doutores programado por elas e estariam excluídos de seus amontoados.


Que preguemos a Palavra na verdade e com verdade. Não precisamos estar ou ficar melindrados se não fazemos parte dos amontoados de doutores que pregam e ensinam coisas fantásticas, interessantes e mirabolantes nas suas “mensagens”. Não tenhamos qualquer ressentimento ou carência de participar do elenco programado de doutores que levam os públicos ao desvio da verdade fazendo-os voltarem às fábulas, influenciando-os a retornarem ao antigo estado de mentiras, enganos e ilusões do qual foram resgatados pela mensagem da cruz. Jamais devemos nutrir ressentimentos ou matizar ou mesclar a nossa pregação da verdade da Palavra de Deus para com isso vir a agradar desejos particulares de quem quer que seja. Jamais devemos retirar ou acrescentar qualquer coisa ao Livro Sagrado para nos fazermos aceitáveis e convenientes a multidões que encaminham-se em seus passos brilhantes para o Hades.


Ainda que algumas pessoas tenham comichão nos ouvidos hoje, continuemos pregando a Palavra da Verdade, e quem sabe um dia desses debaixo do mover do Espírito em nossas pregações e ensino elas venham abrir os ouvidos e permitir que eles sejam limpos pela lavagem da Palavra? E retornem ao encontro da verdade e passem a amar a verdade, e descubram que fábulas em nada valem, de nada possuem de verdadeiro e concreto, a não ser revelar a inspiração adversária que as montou para prender e iludir os homens no mundo das ficções e do surrealismo muitas vezes disseminado nas demonstrações eloqüentes de discursos cativantes de quem vive movido pelos desejos e opiniões particulares. O mundo que revela o tamanho da ignorância espiritual que permeia a sede de buscar conhecimentos dos homens mergulhados em densas trevas e obscuridades espirituais.
PbGS