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quinta-feira, 14 de março de 2013
PERIGOS DA INCONSTÂNCIA.
Perigos da inconstância.
Não sejais inconstantes...
No presente século as coisas estão sofrendo mudanças velozmente.
E cada uma delas causando fortes influências, trazendo os seus créditos com
propostas inovadoras, imprimindo encantos e oferecendo sua sedução. Estamos no
século das grandes e velozes mudanças e inovações, mas também no tempo da
terrível assolação da inconstância. A inconstância é um inimigo sutil que
diariamente investe contra as vidas. Mormente contra a manutenção das virtudes
cristãs.
A cada dia que se aproxima a segunda vinda do Senhor Jesus para
buscar a Sua igreja, mais as forças do inferno trabalham velozmente com alguns
mecanismos influenciadores da inconstância com o objetivo de atingir os
corações, desafiando-os e levando-os aos campos da neutralidade apática e do
conformismo ofensor.
Por vezes, a inconstância é encontrada como causa de
desinteresses, incertezas e arrefecimentos, e por outras estes se fazem em causas
dela. O tempo presente está exigindo mais de nós a que não sejamos inconstantes.
O tempo presente está emitindo alertas, alguns claros e outros silenciosos, e a
nós cabe sermos diligentes e perseverantes nas ações e no tempo do qual
dispomos a avançar e empreender no Reino de Deus.
Inconstância significa instabilidade, volubilidade,
variabilidade. Toda pessoa inconstante é volúvel, instável, variável. É assaz e
facilmente mudável e tendente a ser infiel. A inconstância desanima planos,
destrói projetos, mina vontades, estagna ou trava cursos e arrefece propósitos.
A inconstância é um fator que revela a imaturidade de uma
pessoa. A inconstância não se apresenta de um momento para o outro, assim como
também não abraça de assalto todas as áreas da vida de uma pessoa. Ela se
instala aos poucos num processo lento e conformativo. Ela pode se apoderar de
uma pessoa numa determinada área de sua vida. Ou também aos poucos ir se
alastrando e minando outras áreas.
A inconstância também é um fator que revela a ausência de
firmeza de propósitos para obter ou continuar alguma coisa. Muitas vezes a
inconstância só é afastada quando confrontada diante de um forte senso de
necessidade ou da presença de um risco fatal. Quase sempre os prejuízos da
inconstância somente são percebidos depois da consciência de perdas.
Além disso, a inconstância é um fator que revela a ausência ou o
vacilo de convicções. Quando não se sabe ou não se tem domínio de certezas sobre
o que se quer, deseja ou precisa, logo a inconstância aparece inicialmente em
passos curtos até que assuma a marcha em passadas largas em direção à
desistência.
A inconstância é um fator que também revela a falta de visão das
prioridades. A inconstância possui a força de mover o senso e a visão de
prioridades. Toda pessoa inconstante possui a tendência de atropelar as
prioridades essenciais para a sua vida. Todo coração inconstante possui a visão
borrada sobre o que pretende abarcar. Quer tudo e ao mesmo tempo alcança quase
nada. Anseia em desejos de abarcar tudo e termina seus dias sem real e
verdadeiramente apertar nada.
Pessoas inconstantes correm o sério risco de cair no pântano dos
descontentamentos, dissabores e insatisfações. São candidatas em potencial a
frustrações e decepções. Não aprenderam a discernir, por isso também não sabem
compensar. Terminam por privarem suas almas de obterem as alegrias das recompensas.
Que fazer, pois, contra os perigos da inconstância?
Fuja da fugacidade, porquanto ela leva a começar as coisas já
com pouca esperança nelas. Toda pessoa fugaz atira para tudo e em todas as
direções, terminando por acertar nada. Fuja do despropósito, visto que ele é
semelhante a um saco furado. Toda pessoa sem propósito investe em tudo e não
lucra em nada. O fechamento de seu balancete sempre aponta para prejuízos e déficits.
Fuja do descomprometimento, posto que ele não oferece suporte
seguro para a manutenção da fidelidade e da lealdade em todos os pontos durante
a caminhada em direção ao objetivo. Toda pessoa descomprometida vagueia apenas
pelos olhos. São incapazes de fixarem e manterem seus esforços fiéis e leais determinadamente
numa causa que lhes exija compromisso por muito tempo. Possuem pouco senso de
responsabilidade sobre si, e quase sempre apresentam visão tenra ou obscura em
relação ao futuro.
Busque exercer o bom senso e manter a visão de justos critérios
sobre tudo que deseja empreender. Exercite e mantenha a sua fé no Senhor diante dos desafios que pretende ou precisa vencê-los. Discipline os seus esforços para a consecução de suas realizações no Senhor. Assim, se pode começar a construir dentro das
possibilidades e expectativas de se chegar à conclusão de algo significativo,
consistente, satisfatório e contentador. E o milagre da parte de Deus certamente irá lhe surpreender coroando a sua força de vontade, a sua fé e a sua confiança no Senhor.
Não seja levado de um lado para outro.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
OS FILHOS E OS VENTOS.
Os filhos e os ventos.
Filhos que se perdem nos ventos...
Horrenda coisa ocorre a um filho que se perde nos ventos dessa
vida. E mais doloroso se faz para um pai que vê seu filho perdido nos redemoinhos
de cada vento que açoita a juventude. A juventude é uma das fases da vida que
deve ser bem prazerosa, proveitosa e construída.
Existem vários tipos de pai. Contudo pai existe para auxiliar e
guiar na condução da juventude do filho, e este deve ter a noção da importância
de ser conduzido na sua juventude conforme a liderança do seu pai. Para um
filho, tentar substituir essa liderança sem uma forte e justificada razão, é a
mesma coisa que renegar e apunhalar o seu pai.
Uma vida de experiências e de conselhos sábios e bem ajuizados
de um pai jamais pode ser desprezada. Na verdade, experiências e conselhos bem
ajuizados não nascem de uma hora para outra. Isso é um acervo de vivências que
leva anos sendo acrescido na frieza das tempestades de desafios e no calor das
fornalhas da aflição. Em profundo abismo cai o filho que subestima as
experiências e os conselhos bem ajuizados de seu pai.
Existe pai tolo, mas também há pai sábio. Existe pai pobre, mas
também há pai rico. Existe pai fraco, mas também há pai forte. Existe pai
ignorante, mas também há pai conhecedor. Existe pai bruto, mas também há pai
sensível. Existe pai desequilibrado, mas também há pai sóbrio. Existe pai iletrado,
mas também há pai culto. Existe pai negligente, mas também há pai responsável.
Existe pai em infortúnios, mas também há pai bem sucedido. Enfim, existem
muitas qualidades de pai.
Entretanto, apesar das limitações que cada um pai possui, em
todos eles existe um ponto de honra intocável comum a todos em relação ao filho
que gerou. Nenhum pai se conforma em ver o seu filho perdido nos ventos dessa
vida. O Livro de Provérbios dá conselhos de sabedoria e o Livro de Eclesiastes
alerta para o exercício do temor a Deus em todos os caminhos e desejos do
coração. Ambos os livros direcionam parte de tais conselhos e alertas em
especial para os jovens. Um trata os jovens como estes sendo filhos e o outro
se dirige aos jovens substantivando estes como mancebos.
As decisões de filhos autônomos é um terreno vulnerável no qual
nem sempre as falas e vozes alheias conseguem penetrá-lo. Nem sempre a voz da
experiência e a fala dos conselhos sábios e bem ajuizados do pai conseguem
impedir um filho de reputar o seu pai como morto e no outro dia se distanciar
para bem longe levando consigo a herança a que faz jus.
Nem sempre as experiências e os conselhos sábios e bem ajuizados
de um pai abençoado e afeiçoado por Deus conseguem impedir as guerras entre
filhos e desacertos na vida de algum deles. Enquanto o filho se digladia ou se exalta
nos banquetes, o pai move orações e sacrifícios sofrendo a terrível sensação de
impotência. E os questionamentos e as iniciativas se postam e se curvam diante
das falas de quem ignora os fervores do trâmite da autonomia e das decisões de
mau uso dela por parte do filho.
Nem sempre os exemplos e o legado de um pai conseguem encontrar
guarida no coração de um filho e levar este a andar nos mesmos caminhos de seu
pai. Pai e filho podem perder as rédeas, todavia certamente o filho perde
primeiro e geralmente leva o seu pai aos riscos de perdê-las depois. Quando o
pai perde as rédeas primeiro, o prejuízo quase sempre se torna mais volumoso. E
quando o filho as perde primeiro, os dissabores do pai se tornam mais
dolorosos.
Há pai que seu filho jamais deve andar em seus caminhos.
Entretanto existe filho que se perde por jamais desejar andar nos caminhos do
seu pai. Não é a choupana de palha e barro e nem o palácio de ouro e prata que
determinam as decisões de autonomia de um filho. Há o filho que se ergue e se
projeta dentro da simplicidade da palhoça, e existe o filho que é sentenciado e
abatido nas exaltações das orgias dentro do palácio. Há pai que sempre cede o
trono para o filho, e existe filho que nunca honra e nem consegue valorizar o
assento real outorgado por seu pai.
Um dos maiores segredos para que um filho seja bem sucedido
reside em três palavras básicas, a saber: deixar,
fugir e seguir. Um filho somente se encaminha a ser bem sucedido quando deixa os embaraços, quando foge dos desejos da mocidade e quando segue a fé, a justiça, o amor e a paz.
Reis e príncipes muito perderam por haverem subestimado o exercício do domínio
próprio aplicado com esse segredo.
Dois ventos que levam um filho são o engano e a mentira. Esses
dois ventos exercem um terrível fascínio sobre a mente dos jovens. Tanto um
como o outro não incidem apenas nas praças, ruas e esquinas iluminadas pelo
fulgor da luz elétrica. Ambos também campeiam nos escuros do campo, nos
alqueires da roça, nos torrões do sertão, nas chapadas da serra, nos coqueirais
da praia e nos vilarejos do areado. O engano e a mentira residem numa casa sem
número. Ambos ora se postam nas ruas e ora se expõem nas esquinas. Fogem da luz
e se escondem nas sombras. Vagueiam nas avenidas e metrópoles e também correm
nas vielas e minúsculas cidades.
O engano e a mentira são dois ventos que sapateiam nas
tendências. Pulverizam artes. Acendem desejos. Inoculam opiniões. Enfeitam
argumentos. O filho tragado por esses dois ventos, dificilmente sairá deles sem
haver derramado uma lágrima e sem ter recebido uma cicatriz. E resta para o seu
pai o lenço sempre pronto nas mãos e o ungüento sempre novo no peito.
Uma das piores experiências de um pai é sofrer a vergonha e injustiças
por ser desonrado pelos atos de seu filho. É como se este jamais houvesse
recebido a disciplina, nem ouvido a correção e jamais atendido a orientação. Enquanto
filhos desregrados e descomprometidos se alegram e sorriem, pais equilibrados e
honrados lamentam e choram. Enquanto filhos tortos e inconseqüentes abrem-se em
gargalhadas, pais corretos e tementes fecham-se em prantos.
O filho que não dá ouvidos ao seu pai se perde nos ventos. Nos
primeiros dias, o pai corre em busca do filho antes que os ventos lhe traguem
por completo, entretanto com o passar dos tempos o filho é quem se destina de
volta ao pai. Essa volta do filho somente tem eficácia quando surgem as comparações e é trazida a evocação das lembranças
boas e ruins, quando a consciência pesa sobre as perdas causadas e sofridas, quando chega o reconhecimento da necessidade de reparações devidas e quando há a
manifestação visível e palpável da intensa vontade de virar definitivamente as
costas para os ventos.
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quinta-feira, 4 de março de 2010
Pregador sem mensagem
PREGADOR E PREGAÇÃO
Parte II – Pregador sem mensagem
Em artigo anterior iniciei o tema “Pregador e Pregação”, começando por dividi-lo em duas partes, a fim de possibilitar a melhor compreensão sobre o mesmo, assim como facilitar o posicionamento dos caros leitores no assunto.
Na sua primeira parte, intitulada no tópico “Pregação e Picaretagem" -, lhes trouxe o comentário inicial concentrado especificamente sobre a vida do pregador. Por causa dele e em favor de muitos amigos e companheiros, recebi algumas notas e comentários em minha caixa de e-mails. Para alguns destes infelizmente nesta vida não temos respostas porque somente a eternidade irá fazer provar sob a força do fogo a obra de cada um em dado momento.
Agora, nesta oportunidade, pretendo trazer em continuação ao tema proposto, o seu complemento na sua segunda parte intitulada – “Pregador sem mensagem” -, na qual me atenho a comentar especialmente sobre as deficiências ou ausência de mensagem na pregação.
E respondendo a uma ilustre e bem-vinda pergunta feita por um generoso leitor amigo, amante apaixonado pela pregação e ensino genuínos da Palavra de Deus, da cidade de Vitória-ES, proponho-me a dizer preliminarmente quais razões me trouxeram a escrever sobre tão urgente, premente e oportuno tema, que por certo ser relativamente extenso, ora o comento de forma dividida em dois grandes tópicos mais detalhadamente para que sejam de ajuda útil em apagar ilusões e despertar consciências, assim como produzir uma alegria incentivadora naqueles que compreendem bem o que neles está escrito.
A primeira deve-se ao fato de que quando tantos olhares repletos de satisfações e contentamentos admiradores por vezes permitem-se em deixar ser levados a visualizar a sublime tarefa de pregar - que é uma rica ordenança biblicamente divina e um privilégio singular abertos e concedidos na Nova Aliança por graça diretamente ao homem redimido pelo sangue do Cordeiro de Deus – comparativamente fazem eles a uma atividade cênica quase teatral como se a pregação fosse uma apresentação artístico-cultural sonhada e idealizada na engenhosidade da mente e no calor dos desejos humanos que parte do campo da naturalidade, da criatividade, da intelectualidade e da capacidade acadêmica. Com vistas a isto, não é muito dizer comprovadamente que já temos por este país afora encontrado pessoas iludidamente “sonhando” predileções especiais e fantasiosas assim como preferências conjecturais e pretensiosas, imaginadas apenas no mundo da mente delirante e desprovida do verdadeiro teor da responsabilidade consciente do dever ministerial, apoiado na chamada e vocação específicas para o ministério da Palavra como pregador, assistido pelo Senhor sob as condições mais adversas inerentes enfrentadas no embate em oposição a tudo que se chama Deus ou O adora.
Concorde ao teor deste artigo está um dos competentes lampejos recentes que clarearam boa parte das gentes que amam apaixonadamente a pregação, umas tanto no ministrá-la como outras no ouvi-la, foi o de certo pregador experiente e que vem sendo muito usado por Deus na prédica, um marcante expoente que também tem sido um veículo de Deus expressivamente influenciador e incentivador para uma geração de pregadores jovens em nosso país, em uma ocasião dissera publicamente com certa propriedade e boa medida de exortação que “não são o broche, a gravata, as abotoaduras, o relógio, a roupa, os sapatos e a pasta dos pregadores que movimentam ou interessam ou realizam o trabalho de Deus em alcançar as almas sedentas, famintas e carentes da graça salvadora e em fortalecer e edificar o povo de Deus, mas sim uma vida repleta, convicta e possuidora de poder e autoridade empartidos por Deus para a tarefa de sair pelo mundo pregando e ensinando tudo o que o Senhor Jesus tem nos ensinado”.
Ainda há muita gente delirantemente iludida alimentando seus sonhos por itens desprezíveis e alegóricos, e influenciadas pela culturalização artística dos tempos modernos, visam equivocadamente como mais importante para a pregação as situações, os lugares e públicos especiais e mais atraentes para os quais deliram e anseiam “pregar”.
Vez por outras temos nos deparado com indivíduos mentalmente delirantes que dizendo-se serem “pregadores” nunca passaram nos desertos, jamais estiveram no calor ardente da fornalha da vida, nenhum currículo paupável construíram a não ser os adquiridos friamente em leituras e angariados academicamente nos bancos escolares, sem contar com os emocionalistas condutores do “ré-té-té” aparentemente pentecostais, e que no afã do insidioso espírito de competitividade em busca de dinheiro e fama fortemente se opõem a nós pregadores, pequenos ou grandes, experientes ou expoentes, um tanto já provados e marcados pelos traços diversificados da caminhada na vida cristã e na vida ministerial constante e perseverante na pregação e no ensino da Palavra.
Outrossim a segunda razão deve-se ao comprovado fato de que tem surgido uma safra de pregações ora deficientes em mensagem e ora ausentes de mensagem. Isto tem sido relativamente fácil em ser percebido pelos muitos públicos, com alguns dos quais temos contato direto e com outros notícias a distância. Alguns destes públicos hoje retornando aos princípios e recomendações quase históricos, têm concentrado esforços em buscar mais criteriosa e conscientemente em ter em suas tribunas e ouvir em seus púlpitos pregadores comprometidos de fato simultaneamente com Deus, com as Escrituras Sagradas e com os seu ministérios e a estes dedicado suas vidas com zelo e vigor, e não mais o lamentável quadro manchado de profissionais religiosos falantes e desprovidos de testemunho pessoal contagiante e influenciador, em atividades eclesiásticas em ser prestadores de serviço aos grupos gospel cujo compromisso está concentradamente dirigido a si mesmos e aos seus públicos.
E entrando no campo deste artigo a propósito em forma de comentário, posso assertivamente lhes assegurar que pode parecer estranho, mas se tem ouvido muitas pregações deficientes em mensagem e outras tantas sem mensagem por este mundo afora. O quanto pior e grave para o púlpito e para o público ainda mais se torna quando se ouve por um tempo prolongado muitas falas e gesticulações conjuntas a ricas leituras bíblicas e elogiáveis citações argumentativas porém ausentes de mensagem bíblica. Como pode haver isto? Perguntaria o meu caro e generoso leitor. Existirem pregações deficientes em mensagem e ausentes de mensagem bíblica!
Por incrível que pareça, atualmente ainda existem mais rebanhos sendo alimentados por emocionalismos verbalizados em forma de pregações do que por pregação cristã com mensagem bíblica propriamente dita. Há rebanhos emotivamente vivos e coreograficamente movimentados, sendo nutridos com pregações “bombas energéticas verbais” compostas por um elenco de ingredientes casados do idealismo, do otimismo e da auto-afirmação para desenvolverem uma estrutura e performance temporárias e relativistas embasadas na mistura bombástica do humanismo e do racionalismo. Rebanhos sendo forçados a “comerem” um tipo de “alimentação” completamente desbalanceada que ao passar do tempo apresentam os sérios sintomas sequelares neles de que vinham apenas lhes sendo ministrado alimentos que produzem inchações volumosas na alma e debilidades e dormências no espírito. As conseqüências disto vão desde a apostasia até as heresias e atitudes e comportamentos puramente nominais, artificiais e céticos em relação a todas as coisas que se refiram ao Senhor, à Sua bendita Palavra e à Sua amada Igreja.
Um grande pregador do passado foi muito feliz em sua inspirada frase que muito nos fala ainda hoje ao dizer que “se uma pregação tem boa mensagem, precisa ser longa; se não a possui nem a transmite, precisa ser breve” -. E Willian Matthews, outro orador expoente do passado, já dissera que “o orador que não pode pôr fogo em seu discurso, deve pôr seus discursos no fogo”.
Acredito piamente que todos nós pregadores empreendemos uma vida devocional e de oração para que possamos nos manter sensíveis ao Espírito de Deus e Dele receber Suas mensagens, haja vista que “sem Ele nada podemos fazer”. Mas existem alguns aspectos na pregação que Deus entregou ao elemento humano para que este co-responsavelmente coloque-se a trabalhar cooperativamente com Ele, e para tanto é preciso que este elemento humano atente para alguns pontos a fim de que seu trabalho de anunciar as Boas Novas de Deus obtenha êxito, seja eficiente e eficaz e produza realmente frutos que glorifiquem a Deus.
Na pregação, vejamos alguns pontos que serão comentados no presente artigo e que mostram a indicação de deficiência de mensagem e ausência de mensagem bíblica na pregação.
O primeiro e mais comum destes pontos é a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária. Muitas mensagens seriam de fato mensagens bíblicas se contivessem substância doutrinária sólida. Uma multidão de pregadores por negligenciar o conteúdo disciplinador dos conselhos de Deus, leva públicos a sofrerem de deficiência doutrinária, ao mesmo tempo que arrasta ouvintes para a rejeição cética e supersticiosa própria de pessoas que abraçam tudo que apenas lhe seja conveniente e agradável aos seus pontos-de-vista particulares e que em nada lhes ensinem sobre o arcabouço inteiro da vontade e dos conselhos de Deus. As pessoas necessitam ser essencialmente lideradas e poderosamente guiadas na sabedoria e no conhecimento progressivo de Deus, isto é conseguido mediante à pregação que contenha substancial doutrinário que esteja exegeticamente apoiada e textualmente orientada, a fim de que o ouvinte cresça e se enriqueça no conhecimento da graça de Deus.
Quando o ouvinte não é levado à pregação que possua em si conteúdo doutrinário, ele adquire conceitos parciais e fragmentados da verdade bíblica.
O segundo e mais notado destes pontos é a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial. Não são as palavras dos pregadores que garantem a aprovação de Deus no que particularmente falam, mas o que confere poder espiritual e marca do Espírito na pregação é a sólida substância bíblica com sua autoridade própria na mensagem que eles transmitem. Sem um substancial conteúdo bíblico pode se ter uma pregação, mas se torna impossível o ter nela mensagem bíblica. Pode se ter toques de atraentes requintes oratórios e de ilustres e brilhantes retoques e arranjos retóricos, porém nada se ter de efetivo e poderoso conteúdo substancial bíblico.
As centenas de milhares de conteúdos extra-bíblicos diversos com os quais nos deparamos diariamente podem nos levar a exercícios e a reflexões extremamente úteis e apreciáveis, todavia eles por si nada podem em causar efeitos e impactos significativos na vida espiritual das pessoas individualmente que nos ouvem, e seja muito possível e aceitável que falem aos seus princípios morais e éticos-sociais. Disto temos boa e considerável consciência literária sobre eles, todavia também somos suficientemente maduros, experientes e habilitados em afirmar que são desprovidos do pleno poder e autoridade espiritual das Escrituras Sagradas que transformam o homem e o transporta da triste condição de cegueira espiritual do império das trevas para a clara realidade do reino do Filho de Deus.
Assim sendo, qualquer coisa, seja qual importância particular que a nós represente, acrescentada ou eliminada dos escritos de Deus não possui pregação verdadeira e por conseguinte não contém mensagem potencialmente bíblica.
Além desses dois pontos, um outro amplamente contribuinte tanto para a deficiência como para a ausência de mensagem é a debilidade expressa na aplicação prática. Um grande número de pregadores realmente são munidos de conteúdo bíblico e outros são bons conhecedores de conteúdo doutrinário. Porém melhor lhes seria acrescentar a isto o desenvolvimento da capacidade e habilidade em lidar com a aplicação prática nas suas mensagens. A pregação bíblica dotada de riquezas em aplicação para a vida prática une dois importantes elos – um é o passado e o outro é o presente; um é o literário e escriturístico e o outro é o ouvinte vivendo na atualidade corrente. A Palavra de Deus possui milhares e milhares de conteúdos que embasam milhões de aplicações práticas intemporais para a vida diária das pessoas em qualquer tempo e em qualquer lugar.
E um dos fatores que tem deixado muitas pregações sem mensagens concentra-se neste ponto – a deficiência ou ausência de aplicação prática na pregação -. As verdades bíblicas são superficialmente exploradas e exegeticamente negligenciadas por uma multidão de pregadores. Suas pregações falam muitas e diversas linhas de argumentação – algumas sem “liga” por serem ou estarem desconexas e outras por suas “baterias de morteiros e canhões” abrirem fogo potente porém dirigido a muitas coisas genéricas e ao mesmo tempo em nenhum alvo definidamente específico visado nas suas linhas de visada do “tiro”. Estes pregadores possuem a capacidade extraordinária em tentar equilibrar suas pregações dirigindo seu olhar curto que apenas é dirigido até sua “massa de mira”, porém faltando-lhes o trabalho da habilidade na aplicação prática, disparam seus fortes “disparos” em objetivos multidiversificados sem em nenhum deles atingir com o impacto que se espera e se propõe na pregação.
A aplicação prática é o elemento didático da pregação bíblica. A pregação bíblica deve ser mais formativa do que informativa, haja vista que a Palavra de Deus é a regra de fé e prática. De quase nada se tem proveito em tomar conhecimento dos conteúdos bíblicos com a finalidade informativa. De pouco ou quase nada vale o ouvir multidões de frases que desprovidas de elemento didático e nenhum princípio intemporal, eterno, seja trazido ao mundo da vida prática de cada uma das pessoas que nos ouvem. A aplicação prática é a ponte que liga a vida dos ouvintes hodiernos à vida dos personagens, escritores e fatos bíblicos, como citou um dos mais considerados expoentes da pregação expositiva, J.R.W. Stott, que “a aplicação liga dois mundos: o antigo ao moderno”. A aplicação prática envolve o ouvinte na mensagem levando-o à tomada de posicionamento pessoal seguro e definido conforme os moldes da Palavra de Deus diante de situações de sua vida, promovendo sérios confrontos em relação às suas escolhas e decisões de áreas de sua vida pessoal, fazendo com isto poder declarar que sua vida está sendo de fato guiada pelo Senhor.
Em suma, na aplicação prática da pregação é Deus falando ao homem através de uma mensagem absolutamente bíblica, efetivamente doutrinária e potencialmente ensinadora, animadora, fortalecedora e edificante para todas as áreas de nossa vida. O sistema mundo gostaria imensamente que a pregação bíblica dirigida a ele se resumisse a um lindo desempenho cultural-religioso de elocução comunicativa como arte demonstrativa de capacidade e habilidade oratórias em forma de discurso religioso de natureza puramente informativa que atraia a atenção, satisfaça ânimos e colha aplausos.
Daí já podemos com melhor discernimento compreender a forte razão de evitarmos uma pregação do estilo “decoreba” que apenas informe e em pouco ou nada forme na vida do ouvinte. De certo que na pregação cristã os temas bíblicos sempre se repetem e se renovam porque a Palavra de Deus tem a propriedade de dinamismo, de renovação e de produção de vida. E no processo didático da pregação, a repetição é um elemento componente de extrema importância que promove o acesso constante à apreensão e retenção dos conteúdos das mensagens ministradas na prédica. A repetição somente torna-se enfadonha e tediosa quando o pregador pouco se aplica ao trabalho dinâmico da busca e renovação dos conteúdos bíblicos para a aplicação prática das mensagens que se prega. O Senhor instrui a Sua igreja a usar em suas práticas de ensinamento através de ações o método didático da repetição, e isto podemos encontrar desde o Antigo até ao Novo Testamentos nas expressões “todas as vezes que fazeres” e em outras com os mesmos sentidos.
Os conteúdos escriturísticos são os mesmos, entretanto quando são trazidos na pregação a transitar pela “ponte” que liga o mundo antigo ao atual estamos com isto contextualizando os ensinamentos informativos e formativos, a fim de estes na aplicação prática produzam edificação, fortalecimento, renovação, na vida do ouvinte que está predisposto a ir mais além do que apenas se alegrar em ouvir.
Eu louvo a Deus pela vida de excelentes expositores bíblicos contemporâneos que Ele graciosamente levantou neste país. Certamente que se utilizando das antigas bibliografias de outros expositores bíblicos estrangeiros do passado, e somadas a elas os conteúdos aprendidos de seus mestres e as suas experiências pessoais no ministério da Palavra – constituindo estas últimas em fator relevante para todo aquele que abnegada, sincera e confiantemente nele trabalha seriamente para o Senhor e serve aos públicos -, eles vêm sendo usados como eficientes e poderosos instrumentos nas mãos de Deus para transmitir lições e conhecimentos práticos consideravelmente influentes na obra de muitos pregadores de língua portuguesa que hoje temos conosco neste país na rica demonstração de como aplicar os conteúdos bíblicos na vida diária experimental de nossos ouvintes.
Isto me traz à memória uma ocasião marcante no fim da década de 90, na qual Deus me concedera a oportunidade inesquecível de ser recebido e acolhido juntamente com o querido e amado amigo obreiro pentecostal jamaicano Leslie Smith em visita a uma curta festividade de três dias no distrito de Gosport, município administrativo regional de Portsmouth, no sudoeste da Inglaterra, quando no culto vespertino de domingo naquela então pequena e ao mesmo tempo amavelmente grande igreja – a Jacob’s Well Pentecostal Church -, liderada pelo pastor local assistido por uma pastora, ouvimos uma das pregações cuja entrega estava tão atrelada e fixada na aplicação prática à vida dos ouvintes que o tema do esboço escrito ao ser distribuído após o culto na entrada principal daquele pequeno templo se tornou a saudação entre todos nós que ali estávamos participando, dada a importância que o elemento didático da pregação exerce sobre a vida de quem a ouve.
Não poucas vezes temos ouvido pregações cuja mensagem se torna indefinível e não-identificável, quando se ouve pregadores falarem sobre tantos assuntos que vão se enveredando por labirintos de argumentações sem destino a um propósito, sem indução a uma lição específica, sem direção a uma máxima que seja facilmente acessada em momentos pessoais de reflexão fora do templo e sem uma proposta redentora que atinja e desperte o coração do ouvinte para as realidades espirituais que nos envolvem a todo instante e em todos os lugares.
Em vista de tudo isto, se faz necessário que todos urgentemente empreendam no esforço individual de pautar nossa obra de pregadores e ensinadores cristãos com vistas a que nas nossas pregações não haja a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária para que nossos públicos acessem e compreendam as riquezas de Deus e assim possam amá-lO e servi-lO cada vez melhor, bem como não exista a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial para que nossos públicos palmilhem seguramente guiados pelo que nas Escrituras Sagradas escrito está e também nos aprimoremos cada vez mais para que as mensagens se tornem ricas e poderosas em aplicação prática para que a vida do ouvinte no mundo moderno seja ligada aos princípios que nortearam as vidas e os fatos do mundo antigo cujas lições Deus quer que tomemos conhecimento e apliquemos ao nosso viver diário para nos fazer fortes e sóbrios diante das circunstâncias que a vida nos envolve. Lembrando-nos de que a pregação da Palavra de Deus é uma sublime tarefa dada a nós, e por esta causa não podemos de maneira alguma negligenciá-la nos tornando pregadores sem mensagem.
PbGS
Parte II – Pregador sem mensagem
Em artigo anterior iniciei o tema “Pregador e Pregação”, começando por dividi-lo em duas partes, a fim de possibilitar a melhor compreensão sobre o mesmo, assim como facilitar o posicionamento dos caros leitores no assunto.
Na sua primeira parte, intitulada no tópico “Pregação e Picaretagem" -, lhes trouxe o comentário inicial concentrado especificamente sobre a vida do pregador. Por causa dele e em favor de muitos amigos e companheiros, recebi algumas notas e comentários em minha caixa de e-mails. Para alguns destes infelizmente nesta vida não temos respostas porque somente a eternidade irá fazer provar sob a força do fogo a obra de cada um em dado momento.
Agora, nesta oportunidade, pretendo trazer em continuação ao tema proposto, o seu complemento na sua segunda parte intitulada – “Pregador sem mensagem” -, na qual me atenho a comentar especialmente sobre as deficiências ou ausência de mensagem na pregação.
E respondendo a uma ilustre e bem-vinda pergunta feita por um generoso leitor amigo, amante apaixonado pela pregação e ensino genuínos da Palavra de Deus, da cidade de Vitória-ES, proponho-me a dizer preliminarmente quais razões me trouxeram a escrever sobre tão urgente, premente e oportuno tema, que por certo ser relativamente extenso, ora o comento de forma dividida em dois grandes tópicos mais detalhadamente para que sejam de ajuda útil em apagar ilusões e despertar consciências, assim como produzir uma alegria incentivadora naqueles que compreendem bem o que neles está escrito.
A primeira deve-se ao fato de que quando tantos olhares repletos de satisfações e contentamentos admiradores por vezes permitem-se em deixar ser levados a visualizar a sublime tarefa de pregar - que é uma rica ordenança biblicamente divina e um privilégio singular abertos e concedidos na Nova Aliança por graça diretamente ao homem redimido pelo sangue do Cordeiro de Deus – comparativamente fazem eles a uma atividade cênica quase teatral como se a pregação fosse uma apresentação artístico-cultural sonhada e idealizada na engenhosidade da mente e no calor dos desejos humanos que parte do campo da naturalidade, da criatividade, da intelectualidade e da capacidade acadêmica. Com vistas a isto, não é muito dizer comprovadamente que já temos por este país afora encontrado pessoas iludidamente “sonhando” predileções especiais e fantasiosas assim como preferências conjecturais e pretensiosas, imaginadas apenas no mundo da mente delirante e desprovida do verdadeiro teor da responsabilidade consciente do dever ministerial, apoiado na chamada e vocação específicas para o ministério da Palavra como pregador, assistido pelo Senhor sob as condições mais adversas inerentes enfrentadas no embate em oposição a tudo que se chama Deus ou O adora.
Concorde ao teor deste artigo está um dos competentes lampejos recentes que clarearam boa parte das gentes que amam apaixonadamente a pregação, umas tanto no ministrá-la como outras no ouvi-la, foi o de certo pregador experiente e que vem sendo muito usado por Deus na prédica, um marcante expoente que também tem sido um veículo de Deus expressivamente influenciador e incentivador para uma geração de pregadores jovens em nosso país, em uma ocasião dissera publicamente com certa propriedade e boa medida de exortação que “não são o broche, a gravata, as abotoaduras, o relógio, a roupa, os sapatos e a pasta dos pregadores que movimentam ou interessam ou realizam o trabalho de Deus em alcançar as almas sedentas, famintas e carentes da graça salvadora e em fortalecer e edificar o povo de Deus, mas sim uma vida repleta, convicta e possuidora de poder e autoridade empartidos por Deus para a tarefa de sair pelo mundo pregando e ensinando tudo o que o Senhor Jesus tem nos ensinado”.
Ainda há muita gente delirantemente iludida alimentando seus sonhos por itens desprezíveis e alegóricos, e influenciadas pela culturalização artística dos tempos modernos, visam equivocadamente como mais importante para a pregação as situações, os lugares e públicos especiais e mais atraentes para os quais deliram e anseiam “pregar”.
Vez por outras temos nos deparado com indivíduos mentalmente delirantes que dizendo-se serem “pregadores” nunca passaram nos desertos, jamais estiveram no calor ardente da fornalha da vida, nenhum currículo paupável construíram a não ser os adquiridos friamente em leituras e angariados academicamente nos bancos escolares, sem contar com os emocionalistas condutores do “ré-té-té” aparentemente pentecostais, e que no afã do insidioso espírito de competitividade em busca de dinheiro e fama fortemente se opõem a nós pregadores, pequenos ou grandes, experientes ou expoentes, um tanto já provados e marcados pelos traços diversificados da caminhada na vida cristã e na vida ministerial constante e perseverante na pregação e no ensino da Palavra.
Outrossim a segunda razão deve-se ao comprovado fato de que tem surgido uma safra de pregações ora deficientes em mensagem e ora ausentes de mensagem. Isto tem sido relativamente fácil em ser percebido pelos muitos públicos, com alguns dos quais temos contato direto e com outros notícias a distância. Alguns destes públicos hoje retornando aos princípios e recomendações quase históricos, têm concentrado esforços em buscar mais criteriosa e conscientemente em ter em suas tribunas e ouvir em seus púlpitos pregadores comprometidos de fato simultaneamente com Deus, com as Escrituras Sagradas e com os seu ministérios e a estes dedicado suas vidas com zelo e vigor, e não mais o lamentável quadro manchado de profissionais religiosos falantes e desprovidos de testemunho pessoal contagiante e influenciador, em atividades eclesiásticas em ser prestadores de serviço aos grupos gospel cujo compromisso está concentradamente dirigido a si mesmos e aos seus públicos.
E entrando no campo deste artigo a propósito em forma de comentário, posso assertivamente lhes assegurar que pode parecer estranho, mas se tem ouvido muitas pregações deficientes em mensagem e outras tantas sem mensagem por este mundo afora. O quanto pior e grave para o púlpito e para o público ainda mais se torna quando se ouve por um tempo prolongado muitas falas e gesticulações conjuntas a ricas leituras bíblicas e elogiáveis citações argumentativas porém ausentes de mensagem bíblica. Como pode haver isto? Perguntaria o meu caro e generoso leitor. Existirem pregações deficientes em mensagem e ausentes de mensagem bíblica!
Por incrível que pareça, atualmente ainda existem mais rebanhos sendo alimentados por emocionalismos verbalizados em forma de pregações do que por pregação cristã com mensagem bíblica propriamente dita. Há rebanhos emotivamente vivos e coreograficamente movimentados, sendo nutridos com pregações “bombas energéticas verbais” compostas por um elenco de ingredientes casados do idealismo, do otimismo e da auto-afirmação para desenvolverem uma estrutura e performance temporárias e relativistas embasadas na mistura bombástica do humanismo e do racionalismo. Rebanhos sendo forçados a “comerem” um tipo de “alimentação” completamente desbalanceada que ao passar do tempo apresentam os sérios sintomas sequelares neles de que vinham apenas lhes sendo ministrado alimentos que produzem inchações volumosas na alma e debilidades e dormências no espírito. As conseqüências disto vão desde a apostasia até as heresias e atitudes e comportamentos puramente nominais, artificiais e céticos em relação a todas as coisas que se refiram ao Senhor, à Sua bendita Palavra e à Sua amada Igreja.
Um grande pregador do passado foi muito feliz em sua inspirada frase que muito nos fala ainda hoje ao dizer que “se uma pregação tem boa mensagem, precisa ser longa; se não a possui nem a transmite, precisa ser breve” -. E Willian Matthews, outro orador expoente do passado, já dissera que “o orador que não pode pôr fogo em seu discurso, deve pôr seus discursos no fogo”.
Acredito piamente que todos nós pregadores empreendemos uma vida devocional e de oração para que possamos nos manter sensíveis ao Espírito de Deus e Dele receber Suas mensagens, haja vista que “sem Ele nada podemos fazer”. Mas existem alguns aspectos na pregação que Deus entregou ao elemento humano para que este co-responsavelmente coloque-se a trabalhar cooperativamente com Ele, e para tanto é preciso que este elemento humano atente para alguns pontos a fim de que seu trabalho de anunciar as Boas Novas de Deus obtenha êxito, seja eficiente e eficaz e produza realmente frutos que glorifiquem a Deus.
Na pregação, vejamos alguns pontos que serão comentados no presente artigo e que mostram a indicação de deficiência de mensagem e ausência de mensagem bíblica na pregação.
O primeiro e mais comum destes pontos é a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária. Muitas mensagens seriam de fato mensagens bíblicas se contivessem substância doutrinária sólida. Uma multidão de pregadores por negligenciar o conteúdo disciplinador dos conselhos de Deus, leva públicos a sofrerem de deficiência doutrinária, ao mesmo tempo que arrasta ouvintes para a rejeição cética e supersticiosa própria de pessoas que abraçam tudo que apenas lhe seja conveniente e agradável aos seus pontos-de-vista particulares e que em nada lhes ensinem sobre o arcabouço inteiro da vontade e dos conselhos de Deus. As pessoas necessitam ser essencialmente lideradas e poderosamente guiadas na sabedoria e no conhecimento progressivo de Deus, isto é conseguido mediante à pregação que contenha substancial doutrinário que esteja exegeticamente apoiada e textualmente orientada, a fim de que o ouvinte cresça e se enriqueça no conhecimento da graça de Deus.
Quando o ouvinte não é levado à pregação que possua em si conteúdo doutrinário, ele adquire conceitos parciais e fragmentados da verdade bíblica.
O segundo e mais notado destes pontos é a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial. Não são as palavras dos pregadores que garantem a aprovação de Deus no que particularmente falam, mas o que confere poder espiritual e marca do Espírito na pregação é a sólida substância bíblica com sua autoridade própria na mensagem que eles transmitem. Sem um substancial conteúdo bíblico pode se ter uma pregação, mas se torna impossível o ter nela mensagem bíblica. Pode se ter toques de atraentes requintes oratórios e de ilustres e brilhantes retoques e arranjos retóricos, porém nada se ter de efetivo e poderoso conteúdo substancial bíblico.
As centenas de milhares de conteúdos extra-bíblicos diversos com os quais nos deparamos diariamente podem nos levar a exercícios e a reflexões extremamente úteis e apreciáveis, todavia eles por si nada podem em causar efeitos e impactos significativos na vida espiritual das pessoas individualmente que nos ouvem, e seja muito possível e aceitável que falem aos seus princípios morais e éticos-sociais. Disto temos boa e considerável consciência literária sobre eles, todavia também somos suficientemente maduros, experientes e habilitados em afirmar que são desprovidos do pleno poder e autoridade espiritual das Escrituras Sagradas que transformam o homem e o transporta da triste condição de cegueira espiritual do império das trevas para a clara realidade do reino do Filho de Deus.
Assim sendo, qualquer coisa, seja qual importância particular que a nós represente, acrescentada ou eliminada dos escritos de Deus não possui pregação verdadeira e por conseguinte não contém mensagem potencialmente bíblica.
Além desses dois pontos, um outro amplamente contribuinte tanto para a deficiência como para a ausência de mensagem é a debilidade expressa na aplicação prática. Um grande número de pregadores realmente são munidos de conteúdo bíblico e outros são bons conhecedores de conteúdo doutrinário. Porém melhor lhes seria acrescentar a isto o desenvolvimento da capacidade e habilidade em lidar com a aplicação prática nas suas mensagens. A pregação bíblica dotada de riquezas em aplicação para a vida prática une dois importantes elos – um é o passado e o outro é o presente; um é o literário e escriturístico e o outro é o ouvinte vivendo na atualidade corrente. A Palavra de Deus possui milhares e milhares de conteúdos que embasam milhões de aplicações práticas intemporais para a vida diária das pessoas em qualquer tempo e em qualquer lugar.
E um dos fatores que tem deixado muitas pregações sem mensagens concentra-se neste ponto – a deficiência ou ausência de aplicação prática na pregação -. As verdades bíblicas são superficialmente exploradas e exegeticamente negligenciadas por uma multidão de pregadores. Suas pregações falam muitas e diversas linhas de argumentação – algumas sem “liga” por serem ou estarem desconexas e outras por suas “baterias de morteiros e canhões” abrirem fogo potente porém dirigido a muitas coisas genéricas e ao mesmo tempo em nenhum alvo definidamente específico visado nas suas linhas de visada do “tiro”. Estes pregadores possuem a capacidade extraordinária em tentar equilibrar suas pregações dirigindo seu olhar curto que apenas é dirigido até sua “massa de mira”, porém faltando-lhes o trabalho da habilidade na aplicação prática, disparam seus fortes “disparos” em objetivos multidiversificados sem em nenhum deles atingir com o impacto que se espera e se propõe na pregação.
A aplicação prática é o elemento didático da pregação bíblica. A pregação bíblica deve ser mais formativa do que informativa, haja vista que a Palavra de Deus é a regra de fé e prática. De quase nada se tem proveito em tomar conhecimento dos conteúdos bíblicos com a finalidade informativa. De pouco ou quase nada vale o ouvir multidões de frases que desprovidas de elemento didático e nenhum princípio intemporal, eterno, seja trazido ao mundo da vida prática de cada uma das pessoas que nos ouvem. A aplicação prática é a ponte que liga a vida dos ouvintes hodiernos à vida dos personagens, escritores e fatos bíblicos, como citou um dos mais considerados expoentes da pregação expositiva, J.R.W. Stott, que “a aplicação liga dois mundos: o antigo ao moderno”. A aplicação prática envolve o ouvinte na mensagem levando-o à tomada de posicionamento pessoal seguro e definido conforme os moldes da Palavra de Deus diante de situações de sua vida, promovendo sérios confrontos em relação às suas escolhas e decisões de áreas de sua vida pessoal, fazendo com isto poder declarar que sua vida está sendo de fato guiada pelo Senhor.
Em suma, na aplicação prática da pregação é Deus falando ao homem através de uma mensagem absolutamente bíblica, efetivamente doutrinária e potencialmente ensinadora, animadora, fortalecedora e edificante para todas as áreas de nossa vida. O sistema mundo gostaria imensamente que a pregação bíblica dirigida a ele se resumisse a um lindo desempenho cultural-religioso de elocução comunicativa como arte demonstrativa de capacidade e habilidade oratórias em forma de discurso religioso de natureza puramente informativa que atraia a atenção, satisfaça ânimos e colha aplausos.
Daí já podemos com melhor discernimento compreender a forte razão de evitarmos uma pregação do estilo “decoreba” que apenas informe e em pouco ou nada forme na vida do ouvinte. De certo que na pregação cristã os temas bíblicos sempre se repetem e se renovam porque a Palavra de Deus tem a propriedade de dinamismo, de renovação e de produção de vida. E no processo didático da pregação, a repetição é um elemento componente de extrema importância que promove o acesso constante à apreensão e retenção dos conteúdos das mensagens ministradas na prédica. A repetição somente torna-se enfadonha e tediosa quando o pregador pouco se aplica ao trabalho dinâmico da busca e renovação dos conteúdos bíblicos para a aplicação prática das mensagens que se prega. O Senhor instrui a Sua igreja a usar em suas práticas de ensinamento através de ações o método didático da repetição, e isto podemos encontrar desde o Antigo até ao Novo Testamentos nas expressões “todas as vezes que fazeres” e em outras com os mesmos sentidos.
Os conteúdos escriturísticos são os mesmos, entretanto quando são trazidos na pregação a transitar pela “ponte” que liga o mundo antigo ao atual estamos com isto contextualizando os ensinamentos informativos e formativos, a fim de estes na aplicação prática produzam edificação, fortalecimento, renovação, na vida do ouvinte que está predisposto a ir mais além do que apenas se alegrar em ouvir.
Eu louvo a Deus pela vida de excelentes expositores bíblicos contemporâneos que Ele graciosamente levantou neste país. Certamente que se utilizando das antigas bibliografias de outros expositores bíblicos estrangeiros do passado, e somadas a elas os conteúdos aprendidos de seus mestres e as suas experiências pessoais no ministério da Palavra – constituindo estas últimas em fator relevante para todo aquele que abnegada, sincera e confiantemente nele trabalha seriamente para o Senhor e serve aos públicos -, eles vêm sendo usados como eficientes e poderosos instrumentos nas mãos de Deus para transmitir lições e conhecimentos práticos consideravelmente influentes na obra de muitos pregadores de língua portuguesa que hoje temos conosco neste país na rica demonstração de como aplicar os conteúdos bíblicos na vida diária experimental de nossos ouvintes.
Isto me traz à memória uma ocasião marcante no fim da década de 90, na qual Deus me concedera a oportunidade inesquecível de ser recebido e acolhido juntamente com o querido e amado amigo obreiro pentecostal jamaicano Leslie Smith em visita a uma curta festividade de três dias no distrito de Gosport, município administrativo regional de Portsmouth, no sudoeste da Inglaterra, quando no culto vespertino de domingo naquela então pequena e ao mesmo tempo amavelmente grande igreja – a Jacob’s Well Pentecostal Church -, liderada pelo pastor local assistido por uma pastora, ouvimos uma das pregações cuja entrega estava tão atrelada e fixada na aplicação prática à vida dos ouvintes que o tema do esboço escrito ao ser distribuído após o culto na entrada principal daquele pequeno templo se tornou a saudação entre todos nós que ali estávamos participando, dada a importância que o elemento didático da pregação exerce sobre a vida de quem a ouve.
Não poucas vezes temos ouvido pregações cuja mensagem se torna indefinível e não-identificável, quando se ouve pregadores falarem sobre tantos assuntos que vão se enveredando por labirintos de argumentações sem destino a um propósito, sem indução a uma lição específica, sem direção a uma máxima que seja facilmente acessada em momentos pessoais de reflexão fora do templo e sem uma proposta redentora que atinja e desperte o coração do ouvinte para as realidades espirituais que nos envolvem a todo instante e em todos os lugares.
Em vista de tudo isto, se faz necessário que todos urgentemente empreendam no esforço individual de pautar nossa obra de pregadores e ensinadores cristãos com vistas a que nas nossas pregações não haja a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária para que nossos públicos acessem e compreendam as riquezas de Deus e assim possam amá-lO e servi-lO cada vez melhor, bem como não exista a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial para que nossos públicos palmilhem seguramente guiados pelo que nas Escrituras Sagradas escrito está e também nos aprimoremos cada vez mais para que as mensagens se tornem ricas e poderosas em aplicação prática para que a vida do ouvinte no mundo moderno seja ligada aos princípios que nortearam as vidas e os fatos do mundo antigo cujas lições Deus quer que tomemos conhecimento e apliquemos ao nosso viver diário para nos fazer fortes e sóbrios diante das circunstâncias que a vida nos envolve. Lembrando-nos de que a pregação da Palavra de Deus é uma sublime tarefa dada a nós, e por esta causa não podemos de maneira alguma negligenciá-la nos tornando pregadores sem mensagem.
PbGS
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas.
PREGADOR E PREGAÇÃO:
Parte I - Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas.
No mês passado recebi um telefonema de um bom companheiro evangelista, um desbravador incansável, cujas atividades têm tido a relevante eficácia em auxiliar o seu campo de trabalho devido ao fato de seu ministério estar sistemática, direta e persistentemente concentrado na pregação. E reunindo os diversos fatos aos seus enfoques elementares, reservo estes minutos em tomar esta oportunidade para falar de um dos assuntos que para alguns têm sido um tanto evitados e encobertos e para outros são fortemente oportunos e adequadamente cabidos.
E também em atenção ao que muitos companheiros, entre jovens e experientes, têm citado e exaustivamente comentado através de variados meios de comunicação interativa, e venerando e respeitando a todos os escritos de meus antigos mestres e dentre eles os mais experientes veteranos que ainda neste tempo militam reconhecidamente como pregadores, me faz mister sob os sensos de responsabilidade ética e de profundo amor pelo ministério da pregação vir tomado por certa e considerável medida de ousadia e de coragem para a partir deste artigo lhes tecer algumas linhas específica e essencialmente sobre o tema “Pregador e Pregação”, iniciando este com o sub-tópico “Pregação e Picaretagem” – um título aparentemente estranho e desconfortante, mas absolutamente cabido e adequado ao momento.
Proponho-me com este artigo iniciar um breve comentário seqüenciado em duas partes, pautado à guisa de importantes e comprovadas experiências e vivências não particulares, não individuais e muito menos de teóricas resultantes de reflexos de leituras compartimentalizadas, pretensiosas ou tendenciosas.
Nesta primeira, pretendo lhes falar somente sobre a pessoa do pregador e na segunda, exclusivamente sobre a mensagem da pregação. Na verdade, um tema contendo dois bons, substanciosos e exeqüíveis sub-tópicos.
Inicio, pois, por lembrar dos conselhos úteis de alguns renomados e expressivos pregadores do passado, cujas atividades marcaram gerações de novos e sucessivos pregadores, haja vista que o êxito nunca tem seu início no futuro – este apenas revela e desponta a colheita e o clímax daquilo que fora semeado desde antes no passado.
Apesar de terem sido escritos e publicados em épocas um tanto antes da nossa, são tão urgentes e permanecem tão atuais para estes dias e mais especifica e especialmente para ocasiões como esta na qual movido pelo zelo cuidadoso e incentivador tenho a liberdade de me dirigir a outros meus pares companheiros pregadores.
Eis alguns desses conselhos colhidos e citados publicamente por respeitados e honrados pregadores e ensinadores, expressivos servos de Deus, amantes apaixonados pela homilética e pela retórica que este país já conhecera:
O primeiro – “Prega primeiro para ti mesmo e depois pregarás com autoridade aos outros”;
O segundo – “Procura somente o bem das almas e a glória de Deus”; e
O terceiro – “Tua vida fala tão alto que não se pode ouvir os sons das tuas palavras”.
Com estas pequenas pérolas iniciais, como prometi acima, me ponho neste artigo a responder a questionamentos comentando alguns pontos sobre o ministério da pregação – mais especificamente no que tange à vida pessoal do pregador – haja vista a enxurrada de desmerecimentos que vez por outra são forjados para tentar ameaçar e lançar arrojos contra os pregadores sérios, homens de Deus a quem de fato Ele levantou para servi-lo responsavelmente nesta grande obra.
Na verdade, não sou tão de hoje, e acredito piamente que estes meus mais de vinte e cinco anos de jornada de pregação em púlpitos, e ao ar-livre a noite exercitando a prédica com o fervor e atendendo ao chamado e a vocação cooperando juntamente a homens obreiros simples e desbravadores destemidos e quase anônimos como eu, em praças da cidade do Rio de Janeiro na década de 80 e início dos anos 90 (Praça XV-Centro, Largo da Carioca-Centro, Praça Cinelândia-Castelo, Praça Tiradentes-Centro, Praça Largo do Machado-Laranjeiras, Praça São Salvador-Laranjeiras, Largo-calçada entorno da Central do Brasil-Centro, Praça Rio Grande do Norte-Engenho de Dentro, Largo Camarista Meier-Meier, Praça Mauá-Centro, Largo da Água Santa-Piedade), e somando também minha pequenina contribuição ativa nas atividades auxiliares das campanhas e cruzadas evangelísticas naqueles anos na cidade do Rio de Janeiro, me fazem convicta e confortavelmente traçar algumas linhas incentivadoras e ao mesmo tempo esclarecedoras sobre o assunto-tema.
Tenho a justa e clara visão que de forma alguma nossos caros colegas pregadores mais experientes e veteranos em algum momento na leitura deste artigo e no próximo desta sequência de comentários deixariam de lembrar os caminhos pelos quais trilharam, bem como as lições de vida que os têm feito cada vez mais sábios e mais seguros diante de semelhanças com as que encontrarão citadas nestes artigos. Não tenho a pretensão de aferroar os itinerantes (ao contrário, eu os honro e reconheço-os pelos seus sacrifícios pessoais inerentes à obra que Deus lhes confiou), nem de desmotivar os novos e os leigos, pois cada um deles possui suas próprias patentes desde os seus primeiros passos na trajetória de pregação.
Claro e honesto fica, que todos sentimos contentes quando alguém nos encoraja, nos incentiva, nos orienta e nos transmite algo que nos impulsiona a seguir cada vez mais adiante, mas bastante maduros e responsáveis somos para reconhecer nossas próprias fragilidades e limitações e entregar os méritos para Aquele que nos chamou, vocacionou, preparou e levantou nesta e para esta tão grande e importante obra – a pregação da Palavra de Deus.
A vida é extrema e absolutamente dinâmica, e seja por esta causa que a cada tempo retornamos à necessidade de efetuar reciclagem e revisão de tudo quanto havemos aprendido e experimentado ao longo dos anos, a fim de que diante das constantes e novas necessidades do presente nos renovemos e sejamos mais eficientes e eficazes no que Deus nos confiou a realizar na Terra. Algumas coisas realmente devem ser deixadas para trás, sou plena e conscientemente concorde a isto, entretanto outras precisamente devem ser conservadas, mantidas e veneradas, sob pena de perdermos os nossos marcos-norte e singrarmos em rumos absolutamente divergentes daqueles a nós propostos e claramente indicados pelo Senhor Deus. Por negligenciar esta linha de ação, multidões entram em processo contínuo de descaracterização até perderem seus pontos cardeais e suas identidades, passando a conceberem aceitações contrariamente ao que deveriam sobriamente reprovar e rejeitar.
Uma das ações degenerativas provocadas pela prática do pecado é o enfraquecimento de bases espirituais e comportamentais e a conseqüente perda de sensibilidade e o menosprezo ao significado e importância da pregação e do ensinamento genuínos e imparciais da Palavra de Deus. Para algumas pessoas que se titulam como “pregadores”, o sério perigo ronda os seus passos e espiam suas práticas em cada lugar que pisem as plantas de seus pés na pregação ou fora dela. O ato de copiar as práticas de alguém, seja este quem for e seja famoso ou não e evidente ou pouco expressivo, cujas ações conflitem com os princípios bíblicos e estas não condigam com aquelas próprias e naturais do ministério da pregação, pode a qualquer momento serem colocadas no páreo e na igualdade com a picaretagem – uma palavra um tanto dura e desconfortante -. Para tanto, o tempo se encarrega de paulatinamente seguir promovendo as claras revelações além das dos atos pregressos, também das dos ocorrentes, próprios do picareta e suas picaretagens. Digo picaretas e suas picaretagens porque em nada têm em comum com a natureza e essência de pregadores e de pregações, ainda que se utilizem de algumas tribunas e púlpitos para sustentarem seus espíritos de aventuras e de ganâncias das mais diversas e enrustidas.
Ao passo que os fatos revelam e comprovam a necessidade de repetidas vezes voltar didaticamente ao passado para a partir do que fora nele semeado e colhido, valer precipuamente salientar as razões como fatores que trouxeram êxito e eficácia na prédica. Na verdade os tempos de fato mudam e com eles as pessoas e a visão de mundo ganham amplitude também, haja vista que a vida é uma sucessão de causas e conseqüências – dentre outros, este é um princípio dos quais nenhum de nós poderia se isentar.
Enquanto uma multidão de pregadores e ensinadores foca e contenta-se apenas com o momento do púlpito como o fim único de seu trabalho, as multidões apresentam seus clamores de fome e sede de profundas e reais mudanças e de vida espiritual pela Palavra de Deus. E suas carências e debilidades espirituais se arrastam e comprometem as suas estruturas de fé por também não serem potencialmente tratadas pelo conteúdo das mensagens e por vezes pela negligência ou inexperiências da pessoa do pregador. Seja por isto que para uma multidão de “pregadores” seja mais prático e fácil manipular as emoções momentâneas de públicos para eles como única e principal linha mecanicista e automática de trabalho oratório para obter os aplausos e aprovações momentâneas, porquanto desta forma lhes sejam mais promissor o manterem-se conformados e divorciados de uma vida sacrificial e exaustiva como o é a própria do ministério da Palavra como pregador ou ensinador cristão.
A experiência e a vivência dão as mãos a produzirem valores extremamente apreciáveis, bem como habilidades e capacidades valiosíssimas na vida de um pregador ou ensinador cristão que servem de marcas para gerações inteiras. Nada mais eficazes do que o tempo e a prática palmilhados diuturnamente por uma vida de entrega e dedicação realmente efetivas para ofertarem as devidas e esperadas preparação e prontidão de um pregador e fazê-lo pronto e adestrado para o lindo, sublime e honrado trabalho no ministério da Palavra. Enquanto encontramos gerações de pregadores que no passado foram, e no presente uma boa e expressiva parte consegue paciente e perseverantemente sê-lo, preparadas e levantadas no calor íntimo da “sarça ardente” e por conseguinte suas vidas e mensagens expressarem os claros e patentes compromisso e inteireza com o Céu, por outro lado deparamos com a trágica tentação do automatismo e do mecanicismo seduzindo e abraçando uma multidão de “pregadores” que falsa e equivocadamente pensam que tudo se resume no púlpito no qual muitos o fazem lamentavelmente interino e descartável. Na verdade quando falo de tempo e de prática, desejo implicitamente lembrar que estes dois fatores por si somente não são os únicos a trazerem os pregadores ao fim almejado na prédica. Há de se terem aliados a estes as ferramentas necessárias e as oportunidades confiadas, a constância e predisposição para embasar primeiramente uma vida cristã sólida, constante, frutífera e edificadora em conteúdo e em vivência, como também de forma alguma poderia esquecer o que meus bons mestres no passado me foram generosos e persistentes em muitas vezes repetirem os conselhos práticos mesclados aos fundamentos e ao esforço perseverante de didaticamente fazerem seus alunos visualizarem cada vez mais progressivamente do que antes até que lograssem o êxito e atingissem os objetivos propostos ao efetivo aprendizado e ao seu aperfeiçoamento resultante. As gerações de nossos patriarcas estão passando e nelas ao mesmo tempo que nos cativam, nos alertam e também nos ensinam e nos oferecem rastros e trilhas maduras, firmes e inesquecíveis, capazes de nos fazerem caminhar mais próximos e agarrados ao Senhor que nos adestra para a peleja, nos aperfeiçoa para a guerra e nos leva a realizar uma semeadura equilibrada e eficaz.
A pregação não é uma arte simplória de elocução, como uma multidão de “pregadores” forçosamente tentam fazê-la. A eficácia e o poder da pregação não consistem em arranjos e técnicas, nem em apresentações de talentos na oratória ou na expressão oral devida à uma capacidade de elocução desinibida, às vezes inata e às vezes metodicamente aprendida e condicionada. O terreno onde se inicia a eficácia da pregação poderosa é a própria vida do pregador.
Uma pessoa artística pode ser altamente conhecida pelos seus muitos descomprometimentos na sua vida moral particular e no entanto ao assumir os palcos artísticos serem arrasadoramente aplaudidas pela sua arte de desempenho de um papel completamente antagônico aos seus princípios e estilo de vida moralmente inescrupulosos e descomprometidos. Sua prática de vida diária pode não coadunar em coisa alguma diretamente com o que representa em público.
Porém quando se trata de pregador e pregação, terrenos como esses acima jamais devem ser palmilhados por quaisquer que sejam as ofertas, intenções e vantagens aparentes ou não, pois tal maneira de viver e lidar com as coisas sacrossantas fatalmente impedem e detratam o impacto de um ministério de pregação eficaz.
Tive a honra, a oportunidade singular e realmente posso afirmar ter sido um privilégio de nos meus primeiros passos na vida de preparo, ter ouvido de um ilustre mestre a leitura de uma frase que naquela ocasião escrevera no quadro de giz – “A vida de um pregador é a vida de sua pregação” -. Esta proposição é sem dúvida particularmente verdadeira na vida diária de qualquer um que acessa as tribunas e púlpitos como pregador e não “pregador”.
Cada vez mais que o pregador avança o espaço em sua frente, em conseqüência vai indubitavelmente sendo mais conhecido pelas gentes individualmente e pelos ouvintes publicamente. Isto ao passar do tempo pode diminuir ou aumentar a sua influência conforme a qualidade de suas práticas na sua vida diária conhecida. Por isso, alguns “pregadores” são apenas “pregadores” andando soltos como nômades pelas igrejas afora para assim evitarem e “embarreirarem” todo aquele que lhes pretenda conhecer sua vida no que for útil, cabido e necessário como homem público. Esses “pregadores” devem ter o conhecimento de que quando acessamos os lugares expressivos e abertos aos públicos como tribunas e púlpitos para nos dirigirmos rotineiramente a influência da pregação, nos tornamos com esta prática pessoas públicas e, portanto, fatalmente seremos em algum momento e lugar conhecidos mais pormenorizadamente. Se alguém não quer ter pormenores particulares conhecidos, logo, não deve se colocar a acessar a vida pública. Até porque a vida cristã é feita e demonstrada pela prática do exemplo – aqui entra a responsabilidade pessoal requerida pela Palavra de Deus, o falar e a prática da fala -.
Há aqui uma estreita conexão entre o tipo de pessoa que prega ou ensina, com o seu procedimento, e a pregação que este anuncia com o seu comprometimento. Os dois ingredientes da pregação estão na sua natureza – poder do Espírito Santo e plena convicção no coração aliada a uma vida de preparo. Jamais haverá pregador eficaz e pregação eficiente e poderosa se faltar um desses elementos fundamentais na prédica, pois a ausência de um deles compromete todo o trabalho de pregação e revela a negligência ou a inaptidão para compreender a sua importância e mostra o descaso, o menosprezo e a farsa impostora como as péssimas marcas de vida.
Não preciso frisar detalhadamente que esses ingredientes estão direta e intimamente relacionados com a fé mantida numa boa consciência sem a qual a pregação se manteria como uma mera arte de elocução artística tomando espaço e tempo nas tribunas e púlpitos. Nenhum santuário e alma alguma carecem de arte de elocução como marca da operação do Espírito de Deus na pregação. Enquanto em uns predomina exclusivamente a “febre ardente” pela homilética e nesta fincam-se a se fazerem doutos afiados e afinados de tal forma que congelam seus estilos de vida pessoal em linhas únicas mecanizadas de procedimentos querendo fazer com que sua pregação seja apenas apreciada e aplaudida em virtude de seus arranjos e arrojos e improvisos técnicos, não se importando com a sua parte homem como elemento integrante da prédica. Estes querem forçosamente desligar sua pregação de sua vida pessoal, e isto vai sendo revelado aos públicos com tal claridade que chega a um ponto de decisão e de confrontamento, levando-o a um momento crítico e a uma séria tomada de posição na sua vida espiritual, moral, ministerial, familiar e eclesiástica. Esses percebem que sua vida e pregação estão sempre vazias em alguma coisa e em alguma área e que se continuarem no mesmo ritmo vão naufragar nas águas do inconformismo frustrante como tantos outros soçobram. Na pregação é preciso muito mais do que conhecimentos e domínios de técnicas – é necessário todo o conjunto de vida do pregador e de sua pregação.
Em outros enraízam a ansiedade acirrada pela busca faminta de promoção de fama, de dinheiro e propagação de “prestação de serviço às igrejas e aos ministérios” de tal maneira que se extraviam e perdem o principal foco e propósito do ministério da pregação, tornando-se apenas “nomes artísticos da prédica gospel” desprovidos de originalidade e sobretudo de autoridade próprias do pregador do Evangelho da graça de Deus. Estes no princípio fazem de um tudo para não despertarem-se do sonho iludido de supostos pregadores, todavia quando pelas conjunturas da caminhada são despertados dele contra as suas próprias vontades e caprichos pessoais, percebem assustadoramente de olhos abertos o abismo resultante criado por eles mesmos entre suas realidades pessoais e a realidade do Reino de Deus. Lamentavelmente nestes meus consideráveis anos já vi o triste estado final de homens que infelizmente se enveredaram por este caminho até serem vistos e tornados em peças robóticas e folclóricas esquecidas e ultrapassadas em razão de suas próprias semeaduras.
O pregador cristão deve tratar e cuidar bem primeiramente da sua qualidade de vida cotidiana para, então, em segundo lugar fazê-lo da mesma forma com a sua pregação. O motivo principal do pregador não se direciona a ele mesmo, nem à sua pregação em si, mas às questões urgentes da salvação dos perdidos e da edificação dos salvos, e isto não é feito com palavras apenas, mas sim com a constante visão de Reino de Deus sob a aprovação de Deus sobre o seu trabalho e sua maneira de vida pessoal conjuntamente. O temor a Deus nos conduz a motivos puros e aprovados diante do Senhor e dos homens, e que O glorificam. E é exatamente este em que temos que nos resguardar ante às imensidade e diversidade da seara.
Uma das marcas mais fantasticamente impressionadora de um picareta fanfarrão é a facilidade que este possui em emitir suas muitas palavras com a capacidade de transformar a suja e feia roupagem de suas mentiras escondidas em uma limpa e bonita capa de verdades aberta – uma mágica mescla ilusória -. Um renomado e experiente pregador e mestre do passado, do qual tive a oportunidade de ouvi-lo citar certa vez, disse a frase “não se pode ser um fanfarrão e um pregador, pois a transformação de um fanfarrão para um pregador é uma dolorosa e extremamente difícil metamorfose”.
A auto-disciplina e a autêntica seriedade para com o ministério da pregação não são valores instantâneos em esforços automáticos adquiridos de um dia para a noite – isto leva anos produzindo frutos de maturidade. Estes valores são demorados a ganharem firmeza e têm sido negligenciados por uma multidão de pregadores, principalmente os que surgem afoitos e acesos no raiar da alva e por lhes faltarem a vivência e a experiência basilares, logo recolhem apagados e reclusos no escurecer da noite. O ímpeto precipitado e a infantilidade improdutiva os impulsionam afoitamente atraídos pelo desejo puramente humano de estarem discursando na frente de uma multidão de pessoas como sendo isto o seu fim único de satisfação do ego, levando-lhes a falarem coisas impensadas, mal-concebidas e irresponsáveis sobre si sem ter a justa e clara visão auto-crítica sobre si mesmos e sobre o que realmente são e precisam para sê-lo como pregadores de fato.
E desprezando os requisitos exigidos para uma efetiva caminhada de pregação, cerram seus olhos e tampam seus ouvidos aos conselhos e exemplos extremamente úteis dos pregadores experientes e dos veteranos muito mais experientes, e lançam-se prematuramente no campo de peleja sem perceberem com mais consciência e discernimento que estão na verdade no meio de uma batalha espiritual real e verdadeira e que nesta eles são alvos claros e bem definidos do adversário, e que por esta razão devem cada vez, como todos os pregadores eficazes, adestrarem-se e permitirem ser discipulados e disciplinados e adestrados para a ferrenha e continuada guerra.
Como eu dissera antes em um dos meus artigos publicado no apreciado e respeitado jornal evangélico de maior circulação – O Mensageiro da Paz, da nossa querida e amada Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), edição de outubro do ano passado intitulado “Pregadores ou meros faladores da Palavra” – que nenhum pregador está pronto e devidamente preparado para o ministério da pregação com menos de quinze anos no adestramento e dedicação constantes. É preciso ter mais do que apenas tempo, idade e estudos -. E como disse mais recentemente um dentre os que foram meus honrados e venerandos mestres, pregador e ensinador experiente e veterano do qual tive o privilégio de apreender e reter boas e importantes lições reflexivas na antiga AD de São Cristovão-RJ, o querido e amado Pastor Geziel Gomes, um grande exemplo incentivador e encorajador para aquela geração de jovens alunos dos princípios dos anos 80 na qual Deus foi absolutamente gracioso para comigo em me permitir ser dela participante – disse ele “Deus precisa de pelo menos vinte anos para nos tornar adestrados para a batalha. É preciso paciência e perseverança de nossa parte para que Deus nos faça adestrados para a batalha”. (lembro-me fervorosamente desta ilustre citação feita no 25º Aniversário dos GMUH, Camboriú-SC).
São anos de perseverante dedicação, renúncias pessoais e livre entrega às experiências de vida, à chamada e vocação, sacrificando muitas vezes outros momentos e ocupações para com a família, parentes e amigos. É relativamente fácil para uma pessoa imprudente e desordenada abandonar a vida de comunhão de suas igrejas sob as muitas desculpas pessoais particulares e sair pelas igrejas dizendo-se ser um pregador.
Um outro bom e honrado mestre ensinador, um abnegado e sincero servo de Deus, professor de seminário teológico na antiga AD de São Cristovão-RJ, hoje promovido à glória, o saudoso Pastor Milton Barros, na sua simplicidade e simpatia frisava enfaticamente aos mais jovens que “não precisamos sair pelo mundo afora dizendo e levantando propagandas que somos pregadores, porque pregador que é pregador leva a marca de ganhar almas e evangelizar dentro do seu coração pacientemente e aproveitando as oportunidades que tiver”.
É possível que o neo-converso e os ainda “meninos” afirmem de forma contraproducente que não se precisa de tantos anos, mas a realidade histórica dos fatos sempre revelou que quando estes bem não deixam surgir o primeiro “espinho” dolorido e incômodo decorrente da caminhada e das aflições da vida cristã, saem pelas igrejas movidos pelo afã de propagarem ser “pregadores”. Em parte esses neófitos encontram o falso abrigo em meios também neófitos, meios caídos da graça e fragilizados, meios levados pela desordem e instabilidade pelos ventos estranhos e meios pouco ou quase nada comprometidos com a seriedade e solidez do ensinamento bíblico e dos cuidados eclesiásticos trabalhosos diretos para com aqueles que pertencem efetivamente aos seus círculos. Deve-se pregar a Palavra de Deus a tempo e fora de tempo, e importa que ela seja pregada por quaisquer pessoas e meios, entretanto jamais devemos fechar nossos olhos para o resultado final de quem e do meio pelos quais a Palavra é pregada.
Falar destas coisas a imaturos e neófitos imprudentes e precipitados, afoitos e inconseqüentes seria uma possível e lastimável perda de tempo e naturalmente nenhum fruto apreciável poderia esperar deles, mas bem que poderiam aproveitá-las agradecidamente para com a glória de Deus. Todavia transmiti-las a sábios e perseverantes, aprendizes e cuidadosos me conforta inestimavelmente por visualizar os frutos que possam advir, haja vista que devemos “ensinar ao sábio e este se fará mais sábio ainda”. E é neste espírito que este provérbio escriturístico se faz uma divisa de todo pregador ou ensinador cristão.
Tenho ouvido de vários ouvintes e em vários lugares que sujeitos estão subindo às tribunas e acessando os púlpitos, e sendo a eles permitido apresentarem-se como pregadores cristãos, quando na verdade os públicos param para ouvi-los, vêem diante de si pessoas absolutamente carentes de preparação e testemunho pessoal que nosso tempo requer e exige, pessoas desconhecedoras do próprio texto sagrado com o qual lida para que norteie a suas prédicas, completamente alheias e à beira da ignorância dos princípios bíblicos e dos rudimentos eclesiásticos, demonstrando profundas deficiências no exercício do ministério da pregação, produzindo péssimas marcas nesta e para as futuras gerações. “Pregadores” pautados “no embrulha e manda”, preparando “enlatados instantâneos mal-temperados” para entregarem aos rebanhos do Senhor em resultado de uma vida imprudente e improdutiva. “Pregadores” que estão levantando-se a cada dia com sermões frutos de interpretações fantasiosas e alegóricas particulares e sem mensagem de Deus e limitados apenas à passagem bíblica lida, deixando o público a entender que se sair do que está tentando “apresentar” é derrocada certa e fatal no abismo da ignorância e do descaso. Muitas vezes temos na verdade visto os públicos serem levados forçosamente a engolirem “extratos de palhas secas esquematicamente bem divididas e com cobertura atraente de princípios bíblicos fatiadamente enxertados” e quando muito postos em “pratos enfeitados pela relativa facilidade artística de expressão oral e de “presença de palco”.
Dou graças ao Eterno Deus pelos mestres pregadores experientes e veteranos que entregaram e dispuseram os anos de suas preciosas vidas com visão de Reino de Deus para honestamente ensinarem a outros a darem continuação aos seus trabalhos. Por um lado sentimos imensamente a falta do companheirismo e da conversa salutar e edificante de alguns já recolhidos a estarem juntos com o Senhor, e por outro sinto-me alegre e profundamente grato a Deus pelos outros que na força do Senhor estão ousada e corajosamente militando em nosso tempo sob o poder e a graça inspiradores do Espírito Santo, e destes não podemos de forma alguma esquecê-los nem muito menos menosprezá-los sob pena de desprezando isto vir a termos gerações futuras de apenas faladores artistas e folclóricos, e não de pregadores. Gerações perdidas sem marco e sem rumo orientadores navegando nos mares revoltos que cada vez mais já se despontam em suas altas vagas espumantes e tenebrosas do relativismo, do culturalismo, da superficialidade e da artificialidade coroadas pela hipocrisia da aparência que a cada dia buscam tragar aqueles que por viverem divorciados do companheirismo com Deus firmam-se em “muletas e bengalas” do conformismo frio aquecido apenas eventualmente pelo calor do emocionalismo festeiro que alegra as circunstancialidades.
Daqueles honrados e eficientes marcos antigos porém tão novos quanto são nossos renovos, poderia nominalmente citar os muitos nomes, alguns com os quais tive o privilégio impar e gracioso de Deus em tê-los de perto ora em salas de aula, ora auxiliando os seus trabalhos em campanhas e cruzadas evangelísticas na cidade do Rio de Janeiro, porquanto fazem jus à elevada estima em distingui-los mencionadamente por suas histórias de dedicação à pregação e ao ensino cristãos em nossa pátria, entretanto vejo em melhor via o permitir que os caros leitores e companheiros os tragam às suas lembranças com mais elogiosa liberdade e pronto exercício de boa memória.
Uma das coisas mais importantes a considerar é o servir ao Senhor em nosso tempo, haja vista que o nosso Deus prepara e levanta homens para O servirem em seus tempos. E neste tempo em que estamos servindo ao Senhor militando na pregação e no ensino da Palavra de Deus, surge uma urgência premente de reciclagem e revisão de conceitos na pregação e no ensino cristão aos novos pregadores que são levantados por Deus para efetiva e ativamente trabalharem na Sua seara.
Nesta primeira parte que ora inicio uma sequência de artigos, não estou de forma alguma me referindo às abordagens da pregação – se seja contemporânea ou extemporânea, se seja com anotações ou sem notas, se seja acompanhada pelos recursos da ilustração visual ou pelas diversas metodologias enriquecedoras da exposição oral. Vejo que um dos fatores que mais necessitam uma multidão de pregadores atualmente não se trata de abordagens nem de metodologias. A urgência premente de nosso tempo não está concentrada na pregação nos seus tipos e métodos – está focalizada primeiramente na pessoa do pregador, no homem e não nos métodos, porquanto as conjunturas deste nosso tempo parecem estar levando, arrastando e influenciando uma multidão de pregadores a se tornarem extrema e patentemente mecânica e automática. Para muitos a jornada de compromissos agendados assume um volume quase não gerenciado a ponto de tornar muitos, e não poucos, pregadores assistencialmente mecânicos e propositadamente automáticos, levando-os à superficialidade em sua vida e pessoa de pregador e para com a sua obra e trabalho de pregação.
Portanto, não basta que uma pessoa que se ache chamada e vocacionada para a pregação queira na sua visão unilateral apenas aplicar os princípios do discurso público na pregação religiosa e “achar” que toda a atividade de pregação encontra seu sucesso nessa ação. É patente que a pregação envolve comunicação, mas também é claro que é comprometida com a verdade, tendo esta em sua natureza, característica e essência no seu cerne. É esta verdade que através da comunicação e da vida do pregador vai ao encontro das necessidades de todos aqueles que a ouvirem. Não é a “estrela artística” que entra em cena, e sim, porém, o homem de Deus pregador da sublime graça de Deus.
Vale por este momento me posicionar apologeticamente, não e jamais como protesto porque reconheço estar muito ocupado realizando uma grande obra inigualavelmente significativa e não poderia deixá-la de lado para descer e ocupar-me em lançar protesto – acredito piamente que não fui chamado e vocacionado para isto – deixemos, pois, protestos para quem se detém a essa arte de criar e levantar protestos. Todavia o aconselhamento bíblico nos recomenda e impele a lembrar que devemos ensinar o sábio e este se tornará mais sábio ainda, e não um alvo de vergonha e desprezo, tornando-se “insípido e pronto para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Num posicionamento ético, é preciso que nós pregadores zelemos pelo ministério da pregação e influenciemos a outros a se fazerem respeitados se desejam e esperam ser percebidos e recebidos verdadeiramente na condição de pregadores, e não na de desconhecidos “pacotes embrulhados sob encomenda via telefone ou internet” com um plágio frio em fase de congelamento copiado – um picareta prontamente ensaiado e preparado para apresentar picaretagem.
Nesta primeira parte, ative-me em comentar especialmente sobre a pessoa e vida do pregador. Agora, feito isto, quando alguém surgir dizendo-se ser um “pregador”, para evitar sofrer engano, lembre-se generosamente deste artigo, inicialmente nesta primeira parte, e busque identificá-lo se trata-se de pregação ou picaretagem.
Na segunda parte deste comentário, estarei lhes tratando especial e especificamente sobre a mensagem da pregação. Até lá e permitindo Deus aqui estamos rogando a Sua imensa graça, o Seu terno amor e a doce comunhão do Seu Espírito para realizarmos esta tão grande obra confiada a nós neste tempo.
PbGS
Parte I - Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas.
No mês passado recebi um telefonema de um bom companheiro evangelista, um desbravador incansável, cujas atividades têm tido a relevante eficácia em auxiliar o seu campo de trabalho devido ao fato de seu ministério estar sistemática, direta e persistentemente concentrado na pregação. E reunindo os diversos fatos aos seus enfoques elementares, reservo estes minutos em tomar esta oportunidade para falar de um dos assuntos que para alguns têm sido um tanto evitados e encobertos e para outros são fortemente oportunos e adequadamente cabidos.
E também em atenção ao que muitos companheiros, entre jovens e experientes, têm citado e exaustivamente comentado através de variados meios de comunicação interativa, e venerando e respeitando a todos os escritos de meus antigos mestres e dentre eles os mais experientes veteranos que ainda neste tempo militam reconhecidamente como pregadores, me faz mister sob os sensos de responsabilidade ética e de profundo amor pelo ministério da pregação vir tomado por certa e considerável medida de ousadia e de coragem para a partir deste artigo lhes tecer algumas linhas específica e essencialmente sobre o tema “Pregador e Pregação”, iniciando este com o sub-tópico “Pregação e Picaretagem” – um título aparentemente estranho e desconfortante, mas absolutamente cabido e adequado ao momento.
Proponho-me com este artigo iniciar um breve comentário seqüenciado em duas partes, pautado à guisa de importantes e comprovadas experiências e vivências não particulares, não individuais e muito menos de teóricas resultantes de reflexos de leituras compartimentalizadas, pretensiosas ou tendenciosas.
Nesta primeira, pretendo lhes falar somente sobre a pessoa do pregador e na segunda, exclusivamente sobre a mensagem da pregação. Na verdade, um tema contendo dois bons, substanciosos e exeqüíveis sub-tópicos.
Inicio, pois, por lembrar dos conselhos úteis de alguns renomados e expressivos pregadores do passado, cujas atividades marcaram gerações de novos e sucessivos pregadores, haja vista que o êxito nunca tem seu início no futuro – este apenas revela e desponta a colheita e o clímax daquilo que fora semeado desde antes no passado.
Apesar de terem sido escritos e publicados em épocas um tanto antes da nossa, são tão urgentes e permanecem tão atuais para estes dias e mais especifica e especialmente para ocasiões como esta na qual movido pelo zelo cuidadoso e incentivador tenho a liberdade de me dirigir a outros meus pares companheiros pregadores.
Eis alguns desses conselhos colhidos e citados publicamente por respeitados e honrados pregadores e ensinadores, expressivos servos de Deus, amantes apaixonados pela homilética e pela retórica que este país já conhecera:
O primeiro – “Prega primeiro para ti mesmo e depois pregarás com autoridade aos outros”;
O segundo – “Procura somente o bem das almas e a glória de Deus”; e
O terceiro – “Tua vida fala tão alto que não se pode ouvir os sons das tuas palavras”.
Com estas pequenas pérolas iniciais, como prometi acima, me ponho neste artigo a responder a questionamentos comentando alguns pontos sobre o ministério da pregação – mais especificamente no que tange à vida pessoal do pregador – haja vista a enxurrada de desmerecimentos que vez por outra são forjados para tentar ameaçar e lançar arrojos contra os pregadores sérios, homens de Deus a quem de fato Ele levantou para servi-lo responsavelmente nesta grande obra.
Na verdade, não sou tão de hoje, e acredito piamente que estes meus mais de vinte e cinco anos de jornada de pregação em púlpitos, e ao ar-livre a noite exercitando a prédica com o fervor e atendendo ao chamado e a vocação cooperando juntamente a homens obreiros simples e desbravadores destemidos e quase anônimos como eu, em praças da cidade do Rio de Janeiro na década de 80 e início dos anos 90 (Praça XV-Centro, Largo da Carioca-Centro, Praça Cinelândia-Castelo, Praça Tiradentes-Centro, Praça Largo do Machado-Laranjeiras, Praça São Salvador-Laranjeiras, Largo-calçada entorno da Central do Brasil-Centro, Praça Rio Grande do Norte-Engenho de Dentro, Largo Camarista Meier-Meier, Praça Mauá-Centro, Largo da Água Santa-Piedade), e somando também minha pequenina contribuição ativa nas atividades auxiliares das campanhas e cruzadas evangelísticas naqueles anos na cidade do Rio de Janeiro, me fazem convicta e confortavelmente traçar algumas linhas incentivadoras e ao mesmo tempo esclarecedoras sobre o assunto-tema.
Tenho a justa e clara visão que de forma alguma nossos caros colegas pregadores mais experientes e veteranos em algum momento na leitura deste artigo e no próximo desta sequência de comentários deixariam de lembrar os caminhos pelos quais trilharam, bem como as lições de vida que os têm feito cada vez mais sábios e mais seguros diante de semelhanças com as que encontrarão citadas nestes artigos. Não tenho a pretensão de aferroar os itinerantes (ao contrário, eu os honro e reconheço-os pelos seus sacrifícios pessoais inerentes à obra que Deus lhes confiou), nem de desmotivar os novos e os leigos, pois cada um deles possui suas próprias patentes desde os seus primeiros passos na trajetória de pregação.
Claro e honesto fica, que todos sentimos contentes quando alguém nos encoraja, nos incentiva, nos orienta e nos transmite algo que nos impulsiona a seguir cada vez mais adiante, mas bastante maduros e responsáveis somos para reconhecer nossas próprias fragilidades e limitações e entregar os méritos para Aquele que nos chamou, vocacionou, preparou e levantou nesta e para esta tão grande e importante obra – a pregação da Palavra de Deus.
A vida é extrema e absolutamente dinâmica, e seja por esta causa que a cada tempo retornamos à necessidade de efetuar reciclagem e revisão de tudo quanto havemos aprendido e experimentado ao longo dos anos, a fim de que diante das constantes e novas necessidades do presente nos renovemos e sejamos mais eficientes e eficazes no que Deus nos confiou a realizar na Terra. Algumas coisas realmente devem ser deixadas para trás, sou plena e conscientemente concorde a isto, entretanto outras precisamente devem ser conservadas, mantidas e veneradas, sob pena de perdermos os nossos marcos-norte e singrarmos em rumos absolutamente divergentes daqueles a nós propostos e claramente indicados pelo Senhor Deus. Por negligenciar esta linha de ação, multidões entram em processo contínuo de descaracterização até perderem seus pontos cardeais e suas identidades, passando a conceberem aceitações contrariamente ao que deveriam sobriamente reprovar e rejeitar.
Uma das ações degenerativas provocadas pela prática do pecado é o enfraquecimento de bases espirituais e comportamentais e a conseqüente perda de sensibilidade e o menosprezo ao significado e importância da pregação e do ensinamento genuínos e imparciais da Palavra de Deus. Para algumas pessoas que se titulam como “pregadores”, o sério perigo ronda os seus passos e espiam suas práticas em cada lugar que pisem as plantas de seus pés na pregação ou fora dela. O ato de copiar as práticas de alguém, seja este quem for e seja famoso ou não e evidente ou pouco expressivo, cujas ações conflitem com os princípios bíblicos e estas não condigam com aquelas próprias e naturais do ministério da pregação, pode a qualquer momento serem colocadas no páreo e na igualdade com a picaretagem – uma palavra um tanto dura e desconfortante -. Para tanto, o tempo se encarrega de paulatinamente seguir promovendo as claras revelações além das dos atos pregressos, também das dos ocorrentes, próprios do picareta e suas picaretagens. Digo picaretas e suas picaretagens porque em nada têm em comum com a natureza e essência de pregadores e de pregações, ainda que se utilizem de algumas tribunas e púlpitos para sustentarem seus espíritos de aventuras e de ganâncias das mais diversas e enrustidas.
Ao passo que os fatos revelam e comprovam a necessidade de repetidas vezes voltar didaticamente ao passado para a partir do que fora nele semeado e colhido, valer precipuamente salientar as razões como fatores que trouxeram êxito e eficácia na prédica. Na verdade os tempos de fato mudam e com eles as pessoas e a visão de mundo ganham amplitude também, haja vista que a vida é uma sucessão de causas e conseqüências – dentre outros, este é um princípio dos quais nenhum de nós poderia se isentar.
Enquanto uma multidão de pregadores e ensinadores foca e contenta-se apenas com o momento do púlpito como o fim único de seu trabalho, as multidões apresentam seus clamores de fome e sede de profundas e reais mudanças e de vida espiritual pela Palavra de Deus. E suas carências e debilidades espirituais se arrastam e comprometem as suas estruturas de fé por também não serem potencialmente tratadas pelo conteúdo das mensagens e por vezes pela negligência ou inexperiências da pessoa do pregador. Seja por isto que para uma multidão de “pregadores” seja mais prático e fácil manipular as emoções momentâneas de públicos para eles como única e principal linha mecanicista e automática de trabalho oratório para obter os aplausos e aprovações momentâneas, porquanto desta forma lhes sejam mais promissor o manterem-se conformados e divorciados de uma vida sacrificial e exaustiva como o é a própria do ministério da Palavra como pregador ou ensinador cristão.
A experiência e a vivência dão as mãos a produzirem valores extremamente apreciáveis, bem como habilidades e capacidades valiosíssimas na vida de um pregador ou ensinador cristão que servem de marcas para gerações inteiras. Nada mais eficazes do que o tempo e a prática palmilhados diuturnamente por uma vida de entrega e dedicação realmente efetivas para ofertarem as devidas e esperadas preparação e prontidão de um pregador e fazê-lo pronto e adestrado para o lindo, sublime e honrado trabalho no ministério da Palavra. Enquanto encontramos gerações de pregadores que no passado foram, e no presente uma boa e expressiva parte consegue paciente e perseverantemente sê-lo, preparadas e levantadas no calor íntimo da “sarça ardente” e por conseguinte suas vidas e mensagens expressarem os claros e patentes compromisso e inteireza com o Céu, por outro lado deparamos com a trágica tentação do automatismo e do mecanicismo seduzindo e abraçando uma multidão de “pregadores” que falsa e equivocadamente pensam que tudo se resume no púlpito no qual muitos o fazem lamentavelmente interino e descartável. Na verdade quando falo de tempo e de prática, desejo implicitamente lembrar que estes dois fatores por si somente não são os únicos a trazerem os pregadores ao fim almejado na prédica. Há de se terem aliados a estes as ferramentas necessárias e as oportunidades confiadas, a constância e predisposição para embasar primeiramente uma vida cristã sólida, constante, frutífera e edificadora em conteúdo e em vivência, como também de forma alguma poderia esquecer o que meus bons mestres no passado me foram generosos e persistentes em muitas vezes repetirem os conselhos práticos mesclados aos fundamentos e ao esforço perseverante de didaticamente fazerem seus alunos visualizarem cada vez mais progressivamente do que antes até que lograssem o êxito e atingissem os objetivos propostos ao efetivo aprendizado e ao seu aperfeiçoamento resultante. As gerações de nossos patriarcas estão passando e nelas ao mesmo tempo que nos cativam, nos alertam e também nos ensinam e nos oferecem rastros e trilhas maduras, firmes e inesquecíveis, capazes de nos fazerem caminhar mais próximos e agarrados ao Senhor que nos adestra para a peleja, nos aperfeiçoa para a guerra e nos leva a realizar uma semeadura equilibrada e eficaz.
A pregação não é uma arte simplória de elocução, como uma multidão de “pregadores” forçosamente tentam fazê-la. A eficácia e o poder da pregação não consistem em arranjos e técnicas, nem em apresentações de talentos na oratória ou na expressão oral devida à uma capacidade de elocução desinibida, às vezes inata e às vezes metodicamente aprendida e condicionada. O terreno onde se inicia a eficácia da pregação poderosa é a própria vida do pregador.
Uma pessoa artística pode ser altamente conhecida pelos seus muitos descomprometimentos na sua vida moral particular e no entanto ao assumir os palcos artísticos serem arrasadoramente aplaudidas pela sua arte de desempenho de um papel completamente antagônico aos seus princípios e estilo de vida moralmente inescrupulosos e descomprometidos. Sua prática de vida diária pode não coadunar em coisa alguma diretamente com o que representa em público.
Porém quando se trata de pregador e pregação, terrenos como esses acima jamais devem ser palmilhados por quaisquer que sejam as ofertas, intenções e vantagens aparentes ou não, pois tal maneira de viver e lidar com as coisas sacrossantas fatalmente impedem e detratam o impacto de um ministério de pregação eficaz.
Tive a honra, a oportunidade singular e realmente posso afirmar ter sido um privilégio de nos meus primeiros passos na vida de preparo, ter ouvido de um ilustre mestre a leitura de uma frase que naquela ocasião escrevera no quadro de giz – “A vida de um pregador é a vida de sua pregação” -. Esta proposição é sem dúvida particularmente verdadeira na vida diária de qualquer um que acessa as tribunas e púlpitos como pregador e não “pregador”.
Cada vez mais que o pregador avança o espaço em sua frente, em conseqüência vai indubitavelmente sendo mais conhecido pelas gentes individualmente e pelos ouvintes publicamente. Isto ao passar do tempo pode diminuir ou aumentar a sua influência conforme a qualidade de suas práticas na sua vida diária conhecida. Por isso, alguns “pregadores” são apenas “pregadores” andando soltos como nômades pelas igrejas afora para assim evitarem e “embarreirarem” todo aquele que lhes pretenda conhecer sua vida no que for útil, cabido e necessário como homem público. Esses “pregadores” devem ter o conhecimento de que quando acessamos os lugares expressivos e abertos aos públicos como tribunas e púlpitos para nos dirigirmos rotineiramente a influência da pregação, nos tornamos com esta prática pessoas públicas e, portanto, fatalmente seremos em algum momento e lugar conhecidos mais pormenorizadamente. Se alguém não quer ter pormenores particulares conhecidos, logo, não deve se colocar a acessar a vida pública. Até porque a vida cristã é feita e demonstrada pela prática do exemplo – aqui entra a responsabilidade pessoal requerida pela Palavra de Deus, o falar e a prática da fala -.
Há aqui uma estreita conexão entre o tipo de pessoa que prega ou ensina, com o seu procedimento, e a pregação que este anuncia com o seu comprometimento. Os dois ingredientes da pregação estão na sua natureza – poder do Espírito Santo e plena convicção no coração aliada a uma vida de preparo. Jamais haverá pregador eficaz e pregação eficiente e poderosa se faltar um desses elementos fundamentais na prédica, pois a ausência de um deles compromete todo o trabalho de pregação e revela a negligência ou a inaptidão para compreender a sua importância e mostra o descaso, o menosprezo e a farsa impostora como as péssimas marcas de vida.
Não preciso frisar detalhadamente que esses ingredientes estão direta e intimamente relacionados com a fé mantida numa boa consciência sem a qual a pregação se manteria como uma mera arte de elocução artística tomando espaço e tempo nas tribunas e púlpitos. Nenhum santuário e alma alguma carecem de arte de elocução como marca da operação do Espírito de Deus na pregação. Enquanto em uns predomina exclusivamente a “febre ardente” pela homilética e nesta fincam-se a se fazerem doutos afiados e afinados de tal forma que congelam seus estilos de vida pessoal em linhas únicas mecanizadas de procedimentos querendo fazer com que sua pregação seja apenas apreciada e aplaudida em virtude de seus arranjos e arrojos e improvisos técnicos, não se importando com a sua parte homem como elemento integrante da prédica. Estes querem forçosamente desligar sua pregação de sua vida pessoal, e isto vai sendo revelado aos públicos com tal claridade que chega a um ponto de decisão e de confrontamento, levando-o a um momento crítico e a uma séria tomada de posição na sua vida espiritual, moral, ministerial, familiar e eclesiástica. Esses percebem que sua vida e pregação estão sempre vazias em alguma coisa e em alguma área e que se continuarem no mesmo ritmo vão naufragar nas águas do inconformismo frustrante como tantos outros soçobram. Na pregação é preciso muito mais do que conhecimentos e domínios de técnicas – é necessário todo o conjunto de vida do pregador e de sua pregação.
Em outros enraízam a ansiedade acirrada pela busca faminta de promoção de fama, de dinheiro e propagação de “prestação de serviço às igrejas e aos ministérios” de tal maneira que se extraviam e perdem o principal foco e propósito do ministério da pregação, tornando-se apenas “nomes artísticos da prédica gospel” desprovidos de originalidade e sobretudo de autoridade próprias do pregador do Evangelho da graça de Deus. Estes no princípio fazem de um tudo para não despertarem-se do sonho iludido de supostos pregadores, todavia quando pelas conjunturas da caminhada são despertados dele contra as suas próprias vontades e caprichos pessoais, percebem assustadoramente de olhos abertos o abismo resultante criado por eles mesmos entre suas realidades pessoais e a realidade do Reino de Deus. Lamentavelmente nestes meus consideráveis anos já vi o triste estado final de homens que infelizmente se enveredaram por este caminho até serem vistos e tornados em peças robóticas e folclóricas esquecidas e ultrapassadas em razão de suas próprias semeaduras.
O pregador cristão deve tratar e cuidar bem primeiramente da sua qualidade de vida cotidiana para, então, em segundo lugar fazê-lo da mesma forma com a sua pregação. O motivo principal do pregador não se direciona a ele mesmo, nem à sua pregação em si, mas às questões urgentes da salvação dos perdidos e da edificação dos salvos, e isto não é feito com palavras apenas, mas sim com a constante visão de Reino de Deus sob a aprovação de Deus sobre o seu trabalho e sua maneira de vida pessoal conjuntamente. O temor a Deus nos conduz a motivos puros e aprovados diante do Senhor e dos homens, e que O glorificam. E é exatamente este em que temos que nos resguardar ante às imensidade e diversidade da seara.
Uma das marcas mais fantasticamente impressionadora de um picareta fanfarrão é a facilidade que este possui em emitir suas muitas palavras com a capacidade de transformar a suja e feia roupagem de suas mentiras escondidas em uma limpa e bonita capa de verdades aberta – uma mágica mescla ilusória -. Um renomado e experiente pregador e mestre do passado, do qual tive a oportunidade de ouvi-lo citar certa vez, disse a frase “não se pode ser um fanfarrão e um pregador, pois a transformação de um fanfarrão para um pregador é uma dolorosa e extremamente difícil metamorfose”.
A auto-disciplina e a autêntica seriedade para com o ministério da pregação não são valores instantâneos em esforços automáticos adquiridos de um dia para a noite – isto leva anos produzindo frutos de maturidade. Estes valores são demorados a ganharem firmeza e têm sido negligenciados por uma multidão de pregadores, principalmente os que surgem afoitos e acesos no raiar da alva e por lhes faltarem a vivência e a experiência basilares, logo recolhem apagados e reclusos no escurecer da noite. O ímpeto precipitado e a infantilidade improdutiva os impulsionam afoitamente atraídos pelo desejo puramente humano de estarem discursando na frente de uma multidão de pessoas como sendo isto o seu fim único de satisfação do ego, levando-lhes a falarem coisas impensadas, mal-concebidas e irresponsáveis sobre si sem ter a justa e clara visão auto-crítica sobre si mesmos e sobre o que realmente são e precisam para sê-lo como pregadores de fato.
E desprezando os requisitos exigidos para uma efetiva caminhada de pregação, cerram seus olhos e tampam seus ouvidos aos conselhos e exemplos extremamente úteis dos pregadores experientes e dos veteranos muito mais experientes, e lançam-se prematuramente no campo de peleja sem perceberem com mais consciência e discernimento que estão na verdade no meio de uma batalha espiritual real e verdadeira e que nesta eles são alvos claros e bem definidos do adversário, e que por esta razão devem cada vez, como todos os pregadores eficazes, adestrarem-se e permitirem ser discipulados e disciplinados e adestrados para a ferrenha e continuada guerra.
Como eu dissera antes em um dos meus artigos publicado no apreciado e respeitado jornal evangélico de maior circulação – O Mensageiro da Paz, da nossa querida e amada Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), edição de outubro do ano passado intitulado “Pregadores ou meros faladores da Palavra” – que nenhum pregador está pronto e devidamente preparado para o ministério da pregação com menos de quinze anos no adestramento e dedicação constantes. É preciso ter mais do que apenas tempo, idade e estudos -. E como disse mais recentemente um dentre os que foram meus honrados e venerandos mestres, pregador e ensinador experiente e veterano do qual tive o privilégio de apreender e reter boas e importantes lições reflexivas na antiga AD de São Cristovão-RJ, o querido e amado Pastor Geziel Gomes, um grande exemplo incentivador e encorajador para aquela geração de jovens alunos dos princípios dos anos 80 na qual Deus foi absolutamente gracioso para comigo em me permitir ser dela participante – disse ele “Deus precisa de pelo menos vinte anos para nos tornar adestrados para a batalha. É preciso paciência e perseverança de nossa parte para que Deus nos faça adestrados para a batalha”. (lembro-me fervorosamente desta ilustre citação feita no 25º Aniversário dos GMUH, Camboriú-SC).
São anos de perseverante dedicação, renúncias pessoais e livre entrega às experiências de vida, à chamada e vocação, sacrificando muitas vezes outros momentos e ocupações para com a família, parentes e amigos. É relativamente fácil para uma pessoa imprudente e desordenada abandonar a vida de comunhão de suas igrejas sob as muitas desculpas pessoais particulares e sair pelas igrejas dizendo-se ser um pregador.
Um outro bom e honrado mestre ensinador, um abnegado e sincero servo de Deus, professor de seminário teológico na antiga AD de São Cristovão-RJ, hoje promovido à glória, o saudoso Pastor Milton Barros, na sua simplicidade e simpatia frisava enfaticamente aos mais jovens que “não precisamos sair pelo mundo afora dizendo e levantando propagandas que somos pregadores, porque pregador que é pregador leva a marca de ganhar almas e evangelizar dentro do seu coração pacientemente e aproveitando as oportunidades que tiver”.
É possível que o neo-converso e os ainda “meninos” afirmem de forma contraproducente que não se precisa de tantos anos, mas a realidade histórica dos fatos sempre revelou que quando estes bem não deixam surgir o primeiro “espinho” dolorido e incômodo decorrente da caminhada e das aflições da vida cristã, saem pelas igrejas movidos pelo afã de propagarem ser “pregadores”. Em parte esses neófitos encontram o falso abrigo em meios também neófitos, meios caídos da graça e fragilizados, meios levados pela desordem e instabilidade pelos ventos estranhos e meios pouco ou quase nada comprometidos com a seriedade e solidez do ensinamento bíblico e dos cuidados eclesiásticos trabalhosos diretos para com aqueles que pertencem efetivamente aos seus círculos. Deve-se pregar a Palavra de Deus a tempo e fora de tempo, e importa que ela seja pregada por quaisquer pessoas e meios, entretanto jamais devemos fechar nossos olhos para o resultado final de quem e do meio pelos quais a Palavra é pregada.
Falar destas coisas a imaturos e neófitos imprudentes e precipitados, afoitos e inconseqüentes seria uma possível e lastimável perda de tempo e naturalmente nenhum fruto apreciável poderia esperar deles, mas bem que poderiam aproveitá-las agradecidamente para com a glória de Deus. Todavia transmiti-las a sábios e perseverantes, aprendizes e cuidadosos me conforta inestimavelmente por visualizar os frutos que possam advir, haja vista que devemos “ensinar ao sábio e este se fará mais sábio ainda”. E é neste espírito que este provérbio escriturístico se faz uma divisa de todo pregador ou ensinador cristão.
Tenho ouvido de vários ouvintes e em vários lugares que sujeitos estão subindo às tribunas e acessando os púlpitos, e sendo a eles permitido apresentarem-se como pregadores cristãos, quando na verdade os públicos param para ouvi-los, vêem diante de si pessoas absolutamente carentes de preparação e testemunho pessoal que nosso tempo requer e exige, pessoas desconhecedoras do próprio texto sagrado com o qual lida para que norteie a suas prédicas, completamente alheias e à beira da ignorância dos princípios bíblicos e dos rudimentos eclesiásticos, demonstrando profundas deficiências no exercício do ministério da pregação, produzindo péssimas marcas nesta e para as futuras gerações. “Pregadores” pautados “no embrulha e manda”, preparando “enlatados instantâneos mal-temperados” para entregarem aos rebanhos do Senhor em resultado de uma vida imprudente e improdutiva. “Pregadores” que estão levantando-se a cada dia com sermões frutos de interpretações fantasiosas e alegóricas particulares e sem mensagem de Deus e limitados apenas à passagem bíblica lida, deixando o público a entender que se sair do que está tentando “apresentar” é derrocada certa e fatal no abismo da ignorância e do descaso. Muitas vezes temos na verdade visto os públicos serem levados forçosamente a engolirem “extratos de palhas secas esquematicamente bem divididas e com cobertura atraente de princípios bíblicos fatiadamente enxertados” e quando muito postos em “pratos enfeitados pela relativa facilidade artística de expressão oral e de “presença de palco”.
Dou graças ao Eterno Deus pelos mestres pregadores experientes e veteranos que entregaram e dispuseram os anos de suas preciosas vidas com visão de Reino de Deus para honestamente ensinarem a outros a darem continuação aos seus trabalhos. Por um lado sentimos imensamente a falta do companheirismo e da conversa salutar e edificante de alguns já recolhidos a estarem juntos com o Senhor, e por outro sinto-me alegre e profundamente grato a Deus pelos outros que na força do Senhor estão ousada e corajosamente militando em nosso tempo sob o poder e a graça inspiradores do Espírito Santo, e destes não podemos de forma alguma esquecê-los nem muito menos menosprezá-los sob pena de desprezando isto vir a termos gerações futuras de apenas faladores artistas e folclóricos, e não de pregadores. Gerações perdidas sem marco e sem rumo orientadores navegando nos mares revoltos que cada vez mais já se despontam em suas altas vagas espumantes e tenebrosas do relativismo, do culturalismo, da superficialidade e da artificialidade coroadas pela hipocrisia da aparência que a cada dia buscam tragar aqueles que por viverem divorciados do companheirismo com Deus firmam-se em “muletas e bengalas” do conformismo frio aquecido apenas eventualmente pelo calor do emocionalismo festeiro que alegra as circunstancialidades.
Daqueles honrados e eficientes marcos antigos porém tão novos quanto são nossos renovos, poderia nominalmente citar os muitos nomes, alguns com os quais tive o privilégio impar e gracioso de Deus em tê-los de perto ora em salas de aula, ora auxiliando os seus trabalhos em campanhas e cruzadas evangelísticas na cidade do Rio de Janeiro, porquanto fazem jus à elevada estima em distingui-los mencionadamente por suas histórias de dedicação à pregação e ao ensino cristãos em nossa pátria, entretanto vejo em melhor via o permitir que os caros leitores e companheiros os tragam às suas lembranças com mais elogiosa liberdade e pronto exercício de boa memória.
Uma das coisas mais importantes a considerar é o servir ao Senhor em nosso tempo, haja vista que o nosso Deus prepara e levanta homens para O servirem em seus tempos. E neste tempo em que estamos servindo ao Senhor militando na pregação e no ensino da Palavra de Deus, surge uma urgência premente de reciclagem e revisão de conceitos na pregação e no ensino cristão aos novos pregadores que são levantados por Deus para efetiva e ativamente trabalharem na Sua seara.
Nesta primeira parte que ora inicio uma sequência de artigos, não estou de forma alguma me referindo às abordagens da pregação – se seja contemporânea ou extemporânea, se seja com anotações ou sem notas, se seja acompanhada pelos recursos da ilustração visual ou pelas diversas metodologias enriquecedoras da exposição oral. Vejo que um dos fatores que mais necessitam uma multidão de pregadores atualmente não se trata de abordagens nem de metodologias. A urgência premente de nosso tempo não está concentrada na pregação nos seus tipos e métodos – está focalizada primeiramente na pessoa do pregador, no homem e não nos métodos, porquanto as conjunturas deste nosso tempo parecem estar levando, arrastando e influenciando uma multidão de pregadores a se tornarem extrema e patentemente mecânica e automática. Para muitos a jornada de compromissos agendados assume um volume quase não gerenciado a ponto de tornar muitos, e não poucos, pregadores assistencialmente mecânicos e propositadamente automáticos, levando-os à superficialidade em sua vida e pessoa de pregador e para com a sua obra e trabalho de pregação.
Portanto, não basta que uma pessoa que se ache chamada e vocacionada para a pregação queira na sua visão unilateral apenas aplicar os princípios do discurso público na pregação religiosa e “achar” que toda a atividade de pregação encontra seu sucesso nessa ação. É patente que a pregação envolve comunicação, mas também é claro que é comprometida com a verdade, tendo esta em sua natureza, característica e essência no seu cerne. É esta verdade que através da comunicação e da vida do pregador vai ao encontro das necessidades de todos aqueles que a ouvirem. Não é a “estrela artística” que entra em cena, e sim, porém, o homem de Deus pregador da sublime graça de Deus.
Vale por este momento me posicionar apologeticamente, não e jamais como protesto porque reconheço estar muito ocupado realizando uma grande obra inigualavelmente significativa e não poderia deixá-la de lado para descer e ocupar-me em lançar protesto – acredito piamente que não fui chamado e vocacionado para isto – deixemos, pois, protestos para quem se detém a essa arte de criar e levantar protestos. Todavia o aconselhamento bíblico nos recomenda e impele a lembrar que devemos ensinar o sábio e este se tornará mais sábio ainda, e não um alvo de vergonha e desprezo, tornando-se “insípido e pronto para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Num posicionamento ético, é preciso que nós pregadores zelemos pelo ministério da pregação e influenciemos a outros a se fazerem respeitados se desejam e esperam ser percebidos e recebidos verdadeiramente na condição de pregadores, e não na de desconhecidos “pacotes embrulhados sob encomenda via telefone ou internet” com um plágio frio em fase de congelamento copiado – um picareta prontamente ensaiado e preparado para apresentar picaretagem.
Nesta primeira parte, ative-me em comentar especialmente sobre a pessoa e vida do pregador. Agora, feito isto, quando alguém surgir dizendo-se ser um “pregador”, para evitar sofrer engano, lembre-se generosamente deste artigo, inicialmente nesta primeira parte, e busque identificá-lo se trata-se de pregação ou picaretagem.
Na segunda parte deste comentário, estarei lhes tratando especial e especificamente sobre a mensagem da pregação. Até lá e permitindo Deus aqui estamos rogando a Sua imensa graça, o Seu terno amor e a doce comunhão do Seu Espírito para realizarmos esta tão grande obra confiada a nós neste tempo.
PbGS
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terça-feira, 30 de junho de 2009
PREGADORES E ENSINADORES CONFUSOS?
Existem Pregadores e Ensinadores cristãos confusos entre nós?Calma! Vou lhes explicar este tema! Leia o artigo “desarmado no ânimo”, tome algum tempo para recordar-se de coisas que você já ouviu das tribunas de nossas igrejas e dessas aquelas que quase nada lhes serviram de edificação!
Não trata-se de uma séria confusão, nem uma confusão tão séria, por assim expressar, mas sim de uma atitude negligente que pode trazer alguns prejuízos aos ouvintes e alunos de EBD e os de estudos bíblicos regulares em nossas reuniões. Alguns desses tais “pregadores” e “ensinadores” confusos conseguem esconder sua silenciosa e quase imperceptível confusão por trás de gritos e gesticulações desprovidos da verdadeira unção e orvalho descidos do Céu, e outros não se dão contas dos prejuízos que possam causar aos novos convertidos e ainda neófitos na fé cristã, e principalmente aos mais jovens que iniciam sua chamada e vocação na pregação e/ou no ensino cristãos. Esses confusos ainda não conseguem discernir o valor do conteúdo e do propósito, bem como o lugar e a aplicação que estes ocupam nas suas prédicas e na pregação e ensino cristãos.
Pregadores e ensinadores cristãos ainda confusos no século do conhecimento e do desenvolvimento, no qual temos fácil acesso às inúmeras ferramentas disponibilizadas a exaustivas pesquisas e estudos. Talvez seja a pouca habilidade com elas, ou a esquiva e recusa aos sacrifícios de passar horas, dias e até semanas “cavando” o Poço. Talvez tenham que envolver-se em tantas coisas desta vida que não conseguem passar tempo adestrando-se no ouvir a voz do Divino Pregador por Excelência sobre todos os excelentes desta Terra. Talvez queiram encontrar a Mensagem do Eterno num teclar automático, ou num piscar de olhos sobre um texto bíblico. Contanto que tenham alguma coisa para falar nas tribunas de nossas igrejas, pouco se importando com a suprema vontade do Senhor dos pregadores e ensinadores cristãos nem das necessidades reais e espirituais do clamoroso povo que lhes ouvem.
De qual tipo de confusão estou me referindo? Estou falando da confusão que fazem entre meio e fim. Confundem meio com fim. Ficam sobremaneira preocupados e presos ao conteúdo (meio) que esquecem que o verdadeiro propósito (fim) desse conteúdo é radicalmente produzir edificação e operar principalmente mudança de vida naqueles que nos ouvem. Alguns desses tais pregadores e ensinadores cristãos parecem alimentar tal confusão e apegar-se inconscientemente a ela porque não lhes dá trabalho, ou suas mensagens tem que “arrebentar” as emoções, ao invés de “pulsar” na alma.
Não basta querer que o povo nos ouça, nem basta querer sermos convidados a entregar uma mensagem que vá impactar os nossos ouvintes mexendo com suas capacidades lógicas e sentimentais. Os seminários e institutos bíblicos vêm preparando ordeiramente pregadores e ensinadores cristãos para a seara, disto não temos dúvida, entretanto alguns destes infelizmente estribam-se nesse fato e lhes auto outorgam a mentalidade de que foram produzidos exclusivamente nos bancos dessas boas escolas por isso sabem demais. Entretanto ao olharmos de perto encontramos entre o povo que lhes ouvem montanhas e labirintos de problemas relacionados com as trágicas conseqüências de crises de identidade, de ausência de convicções ministeriais e de acolhimento a cães aproveitadores que exploram o povo de Deus exibindo seus talentos oratórios e difundindo práticas misteriosas, misticistas e mirabolantes, ditas como as nunca reveladas antes ao homem. Outros, como artistas mundanos, cobram somas e rios de dinheiro para “se apresentarem” nas nossas igrejas por um espaço de duas horas depois de astuciosas exigências! E outros vivem se oferecendo a pregar e ensinar em nossas tribunas como se eles fossem os únicos pregadores e ensinadores do meio cristão! É lamentável hoje olharmos o futuro desses tais homens que se titulam, ou são titulados, como pregadores e ensinadores cristãos. Como o Céu enxerga tais homens? Estão eles confusos ou são eles confusos entre os confusos?
Quase chegamos a lançar inferências, mas optamos mais para as claras deduções de que a verdade da Palavra de Deus parece estar mesclada ao engano nas bocas em tais situações, bem como parece não estar a prédica e o ensino cristão levando as pessoas a lugar algum nem a firmeza alguma. Parece que estamos vivendo a época em que para alguns pregadores e ensinadores cristãos o essencial e o diferencial são falar a uma platéia cativa o que esta “adora” ouvir, ainda que o amanhã não lhes importe pouco ou quase nada.
Decididamente enfatizo que não são os minutos que ocupamos ministrando a prédica ou o ensino que atestam uma posição de fama, consideração e respeito duradouros, como se tudo em torno do pregador ou ensinador cristão se resumisse ao tempo da ministração e depois desta nada mais lhe vale dela a não ser a expectativa do outro próximo convite à oportunidade de “apresentar-se” num outro evento diante de um público – “o que lhes importa é ter um público cativo a lhes ouvir”.
Igrejas e mais igrejas com pessoas numa maioria sem quase raiz de fé alguma clamando por verdadeiros pregadores e mestres cristãos. Outras sendo alimentadas por cantos e encantos gesticulativos e clamorosamente expressivos supervalorizando e aplaudindo os talentos humanos. Nelas a pregação e o ensino cristão já foram substituídos por cantos, teatros e jograis com todo o tempo que o desejo humano aprovar e guiar. Para a pregação e para o ensino cristãos sobram-lhes apenas “alguns minutinhos para não cansar o povo”. E quando nelas há prédica esta deve ser ao sabor da casa e do povo a fim de não “curar-lhes as feridas” escondidas e camufladas ao alcance dos olhos dos congregados. Algumas dessas igrejas e líderes ocupam-se freneticamente a tomar o tempo equivalente a uma pregação ou ensino para nele efetuar sensibilizantes pedidos de donativos e ofertas.
Pregadores e ensinadores cristãos que concordam e deixam ser moldados a estes apelos “balaquianos” devem rever suas chamada e vocação e assim afinarem a mentalidade ao compromisso com o Céu e com a nobre e sublime missão de pregar e/ou ensinar à Igreja do Senhor Jesus. A mentalidade é uma opinião ou postura preponderante. Nossa missão principal de pregar e ensinar não é fazer com que nossos ouvintes e alunos gostem ou passem a gostar de nos ouvir, como se isto fosse o resultado-fim esperado. Nossa missão divina é produzir, como resultado de nossa tarefa, cristãos cada vez mais conscientes de sua identidade de servos de Deus em Cristo Jesus, cristãos maduros na sua jornada e cristãos habilitados no exercício de sua fé em meio à torrente inversão de valores gerais no mundo pós-moderno que nos rodeia.
Nosso principal objetivo na pregação e no ensino cristãos não é atingir às satisfações de nossas intenções pessoais, mas nosso propósito-fim é agradar Aquele que nos alistou para a guerra manejando bem a Palavra da Verdade. “Manejando” (do gr. “ORTHOTOMEIN” que diz de “cortar retamente conforme o padrão correto”) é uma expressão paulina aplicável a todos aqueles que fazem uso da Palavra de Deus para pregar ou ministrar os ensinamentos do Senhor Jesus.
Nossa missão de pregar e/ou ensinar está muito longe de nela querermos nos tornar “faneros” (do gr. “PHANERÕO”, PHAINO, PHANERÕSIS) que aponta para aquele que quer “tornar-se publicamente conhecido, manifesto a todos”, nem sermos “estrelas” ou criarmos platéias cativas a nós. Mas sim cooperar na vinha do Mestre Jesus em aperfeiçoar os seus santos para a obra do ministério, ou seja, alguém habilitado em Cristo cooperou em nosso aperfeiçoamento e nós transitivamente fazemos o mesmo aos nossos sucessores e eles assim sucessivamente.
Esse aperfeiçoamento nos fala de “edificação, crescimento, construção, restauração” (do gr. “OIKODOMEO”, “OIKODOME”), expresso por Paulo, apóstolo do Senhor Jesus. Nisto vemos que não pregamos e /ou ensinamos pelo fato de querermos ou “acharmos bonito pregar e ensinar”, e sim o fazemos em função do que recebemos de Deus e o fim a que isso se destina aos homens. Recebemos de nosso Deus a tarefa de pregar e/ou ensinar a Bíblia e aplicá-la à vida dos nossos ouvintes de forma que eles mudem em seu intelecto, em seu sentimento e em sua vontade e se tornem perfeitos e habilitados para a boa obra. Não e nunca somos nós os “artistas”! Somos apenas homens que um dia o Senhor nosso Deus olhou para nós e teve a infinita compaixão de nós e nos salvou, e no passar dos anos fomos restaurados e construídos sobre o fundamento posto por Ele, e depois de muitas provas e preparações marcadas pelo tempo Ele nos aprovou e fez que Sua amada igreja nos enxergasse com aquele chamado e vocação para a pregação e ensino e com isso Deus nos levantou na Sua intimidade e nos confiou publicamente um lugar pondo-nos no Seu ministério ao qual não temos o direito de jamais usurpá-lo por qualquer coisa que seja ou venha a nós!
Esse termo “perfeito” vem do gr. “APTIOS” que aponta para uma pessoa completa, capaz, adequada, hábil para preencher um requisito; e a expressão “habilitado” diz daquele que é “completa e plenamente equipado, suprido” (gr. “EZERTISMENOS”, EZARTIZO).
Para fugirmos da confusão com meio e fim, devemos começar levando em contas três itens no nosso trabalho de pregar e/ou ensinar: o primeiro – tratar a Bíblia - a Fonte da inspirada revelação de Deus para os homens; o segundo – da nossa Tarefa – a Metodologia de como aplicar a Bíblia à vida dos homens e, por fim, o terceiro – do nosso Alvo – o Resultado de nosso trabalho em construir crentes maduros e habilitados.
Com vistas a esse começo nos pautamos em que Deus nos deu a Bíblia com o objetivo de atingir dois grandes e elementares propósitos: mudança de nosso caráter (mudar o que somos) e mudança de nossa conduta (mudar o que fazemos)! Se a pregação e o ensino cristãos negligenciarem estes propósitos de nada valeu o tempo irreversível tomado com as falas e as técnicas homiléticas e retóricas.
Portanto, se tomarmos tempo excessivo em nos preocupar com apenas o conteúdo, confundido o meio com fim, provável e possivelmente nossas pregações e ensinos não serão nada além de um passa-tempo que nada produzirá nas vidas de nossos ouvintes e alunos, a não ser uma sensação de querer saber o que ouviram e não saberem o que a mensagem lhes queria ensinar. Este é um indício da confusão - a ausência de alvo (fim) ou o desprezo com o devido cuidado a ele.
É necessário na pregação e no ensino cristãos objetivar além do conteúdo (meio) o propósito (fim). Isto conseguimos quando nos voltamos para a aplicabilidade do que nos foi confiado por Deus para entregar aos homens em qualquer ocasião ou circunstância. Na busca e elaboração e entrega da pregação e do ensino seguimos os conhecidos passos: observamos o texto identificando os detalhes e significados nele contidos; depois interpretamos exegeticamente o que Deus quer nos dizer; chegamos assim à idéia central do texto e não parando aí, seguimos para a aplicação ao homem de hoje, do nosso tempo, a verdade central em forma de proposição sem a qual uma mensagem jamais deveria ser entregue sob pena de estarmos disseminando inverdades e argumentos enganosos e enganadores.
Depois desses conhecidos passos e daí em diante precisamos nos atirar confiantemente nas mãos de nosso Deus e sermos cumpridores de nossa vocação como alguém que esteja trabalhando esmeradamente para pagar uma dívida muito grande para com o seu Senhor.
Vislumbremos assim e dessa forma devemos agir, a fim de evitarmos a lamentável confusão escondida secretamente nos recônditos de ministrações afoitas e cambaleantes sem alvo definido e sem o resultado devido. Evitemos mensagens estranhas à voz de Deus para não propagarmos enganos e com eles contribuir para a construção de crentes artificiais e superficiais – isto pode ser tido como o cooperar com o inimigo das almas que esperam encontrar em nossa fala a voz de nosso Deus.
Viva atento e cuidadoso, e não permita que você seja inserido no contexto dos pregadores e ensinadores confusos. Ocupe-se equilibradamente no conteúdo (meio) e visualize constantemente o propósito (fim)!
Que nosso Bondoso Pregador Amado e Maravilhoso Ensinador continue nos concedendo ricas mensagens e as ricas oportunidades para entregá-las ao seu rebanho aonde Ele nos enviar!PbGS
Não trata-se de uma séria confusão, nem uma confusão tão séria, por assim expressar, mas sim de uma atitude negligente que pode trazer alguns prejuízos aos ouvintes e alunos de EBD e os de estudos bíblicos regulares em nossas reuniões. Alguns desses tais “pregadores” e “ensinadores” confusos conseguem esconder sua silenciosa e quase imperceptível confusão por trás de gritos e gesticulações desprovidos da verdadeira unção e orvalho descidos do Céu, e outros não se dão contas dos prejuízos que possam causar aos novos convertidos e ainda neófitos na fé cristã, e principalmente aos mais jovens que iniciam sua chamada e vocação na pregação e/ou no ensino cristãos. Esses confusos ainda não conseguem discernir o valor do conteúdo e do propósito, bem como o lugar e a aplicação que estes ocupam nas suas prédicas e na pregação e ensino cristãos.
Pregadores e ensinadores cristãos ainda confusos no século do conhecimento e do desenvolvimento, no qual temos fácil acesso às inúmeras ferramentas disponibilizadas a exaustivas pesquisas e estudos. Talvez seja a pouca habilidade com elas, ou a esquiva e recusa aos sacrifícios de passar horas, dias e até semanas “cavando” o Poço. Talvez tenham que envolver-se em tantas coisas desta vida que não conseguem passar tempo adestrando-se no ouvir a voz do Divino Pregador por Excelência sobre todos os excelentes desta Terra. Talvez queiram encontrar a Mensagem do Eterno num teclar automático, ou num piscar de olhos sobre um texto bíblico. Contanto que tenham alguma coisa para falar nas tribunas de nossas igrejas, pouco se importando com a suprema vontade do Senhor dos pregadores e ensinadores cristãos nem das necessidades reais e espirituais do clamoroso povo que lhes ouvem.
De qual tipo de confusão estou me referindo? Estou falando da confusão que fazem entre meio e fim. Confundem meio com fim. Ficam sobremaneira preocupados e presos ao conteúdo (meio) que esquecem que o verdadeiro propósito (fim) desse conteúdo é radicalmente produzir edificação e operar principalmente mudança de vida naqueles que nos ouvem. Alguns desses tais pregadores e ensinadores cristãos parecem alimentar tal confusão e apegar-se inconscientemente a ela porque não lhes dá trabalho, ou suas mensagens tem que “arrebentar” as emoções, ao invés de “pulsar” na alma.
Não basta querer que o povo nos ouça, nem basta querer sermos convidados a entregar uma mensagem que vá impactar os nossos ouvintes mexendo com suas capacidades lógicas e sentimentais. Os seminários e institutos bíblicos vêm preparando ordeiramente pregadores e ensinadores cristãos para a seara, disto não temos dúvida, entretanto alguns destes infelizmente estribam-se nesse fato e lhes auto outorgam a mentalidade de que foram produzidos exclusivamente nos bancos dessas boas escolas por isso sabem demais. Entretanto ao olharmos de perto encontramos entre o povo que lhes ouvem montanhas e labirintos de problemas relacionados com as trágicas conseqüências de crises de identidade, de ausência de convicções ministeriais e de acolhimento a cães aproveitadores que exploram o povo de Deus exibindo seus talentos oratórios e difundindo práticas misteriosas, misticistas e mirabolantes, ditas como as nunca reveladas antes ao homem. Outros, como artistas mundanos, cobram somas e rios de dinheiro para “se apresentarem” nas nossas igrejas por um espaço de duas horas depois de astuciosas exigências! E outros vivem se oferecendo a pregar e ensinar em nossas tribunas como se eles fossem os únicos pregadores e ensinadores do meio cristão! É lamentável hoje olharmos o futuro desses tais homens que se titulam, ou são titulados, como pregadores e ensinadores cristãos. Como o Céu enxerga tais homens? Estão eles confusos ou são eles confusos entre os confusos?
Quase chegamos a lançar inferências, mas optamos mais para as claras deduções de que a verdade da Palavra de Deus parece estar mesclada ao engano nas bocas em tais situações, bem como parece não estar a prédica e o ensino cristão levando as pessoas a lugar algum nem a firmeza alguma. Parece que estamos vivendo a época em que para alguns pregadores e ensinadores cristãos o essencial e o diferencial são falar a uma platéia cativa o que esta “adora” ouvir, ainda que o amanhã não lhes importe pouco ou quase nada.
Decididamente enfatizo que não são os minutos que ocupamos ministrando a prédica ou o ensino que atestam uma posição de fama, consideração e respeito duradouros, como se tudo em torno do pregador ou ensinador cristão se resumisse ao tempo da ministração e depois desta nada mais lhe vale dela a não ser a expectativa do outro próximo convite à oportunidade de “apresentar-se” num outro evento diante de um público – “o que lhes importa é ter um público cativo a lhes ouvir”.
Igrejas e mais igrejas com pessoas numa maioria sem quase raiz de fé alguma clamando por verdadeiros pregadores e mestres cristãos. Outras sendo alimentadas por cantos e encantos gesticulativos e clamorosamente expressivos supervalorizando e aplaudindo os talentos humanos. Nelas a pregação e o ensino cristão já foram substituídos por cantos, teatros e jograis com todo o tempo que o desejo humano aprovar e guiar. Para a pregação e para o ensino cristãos sobram-lhes apenas “alguns minutinhos para não cansar o povo”. E quando nelas há prédica esta deve ser ao sabor da casa e do povo a fim de não “curar-lhes as feridas” escondidas e camufladas ao alcance dos olhos dos congregados. Algumas dessas igrejas e líderes ocupam-se freneticamente a tomar o tempo equivalente a uma pregação ou ensino para nele efetuar sensibilizantes pedidos de donativos e ofertas.
Pregadores e ensinadores cristãos que concordam e deixam ser moldados a estes apelos “balaquianos” devem rever suas chamada e vocação e assim afinarem a mentalidade ao compromisso com o Céu e com a nobre e sublime missão de pregar e/ou ensinar à Igreja do Senhor Jesus. A mentalidade é uma opinião ou postura preponderante. Nossa missão principal de pregar e ensinar não é fazer com que nossos ouvintes e alunos gostem ou passem a gostar de nos ouvir, como se isto fosse o resultado-fim esperado. Nossa missão divina é produzir, como resultado de nossa tarefa, cristãos cada vez mais conscientes de sua identidade de servos de Deus em Cristo Jesus, cristãos maduros na sua jornada e cristãos habilitados no exercício de sua fé em meio à torrente inversão de valores gerais no mundo pós-moderno que nos rodeia.
Nosso principal objetivo na pregação e no ensino cristãos não é atingir às satisfações de nossas intenções pessoais, mas nosso propósito-fim é agradar Aquele que nos alistou para a guerra manejando bem a Palavra da Verdade. “Manejando” (do gr. “ORTHOTOMEIN” que diz de “cortar retamente conforme o padrão correto”) é uma expressão paulina aplicável a todos aqueles que fazem uso da Palavra de Deus para pregar ou ministrar os ensinamentos do Senhor Jesus.
Nossa missão de pregar e/ou ensinar está muito longe de nela querermos nos tornar “faneros” (do gr. “PHANERÕO”, PHAINO, PHANERÕSIS) que aponta para aquele que quer “tornar-se publicamente conhecido, manifesto a todos”, nem sermos “estrelas” ou criarmos platéias cativas a nós. Mas sim cooperar na vinha do Mestre Jesus em aperfeiçoar os seus santos para a obra do ministério, ou seja, alguém habilitado em Cristo cooperou em nosso aperfeiçoamento e nós transitivamente fazemos o mesmo aos nossos sucessores e eles assim sucessivamente.
Esse aperfeiçoamento nos fala de “edificação, crescimento, construção, restauração” (do gr. “OIKODOMEO”, “OIKODOME”), expresso por Paulo, apóstolo do Senhor Jesus. Nisto vemos que não pregamos e /ou ensinamos pelo fato de querermos ou “acharmos bonito pregar e ensinar”, e sim o fazemos em função do que recebemos de Deus e o fim a que isso se destina aos homens. Recebemos de nosso Deus a tarefa de pregar e/ou ensinar a Bíblia e aplicá-la à vida dos nossos ouvintes de forma que eles mudem em seu intelecto, em seu sentimento e em sua vontade e se tornem perfeitos e habilitados para a boa obra. Não e nunca somos nós os “artistas”! Somos apenas homens que um dia o Senhor nosso Deus olhou para nós e teve a infinita compaixão de nós e nos salvou, e no passar dos anos fomos restaurados e construídos sobre o fundamento posto por Ele, e depois de muitas provas e preparações marcadas pelo tempo Ele nos aprovou e fez que Sua amada igreja nos enxergasse com aquele chamado e vocação para a pregação e ensino e com isso Deus nos levantou na Sua intimidade e nos confiou publicamente um lugar pondo-nos no Seu ministério ao qual não temos o direito de jamais usurpá-lo por qualquer coisa que seja ou venha a nós!
Esse termo “perfeito” vem do gr. “APTIOS” que aponta para uma pessoa completa, capaz, adequada, hábil para preencher um requisito; e a expressão “habilitado” diz daquele que é “completa e plenamente equipado, suprido” (gr. “EZERTISMENOS”, EZARTIZO).
Para fugirmos da confusão com meio e fim, devemos começar levando em contas três itens no nosso trabalho de pregar e/ou ensinar: o primeiro – tratar a Bíblia - a Fonte da inspirada revelação de Deus para os homens; o segundo – da nossa Tarefa – a Metodologia de como aplicar a Bíblia à vida dos homens e, por fim, o terceiro – do nosso Alvo – o Resultado de nosso trabalho em construir crentes maduros e habilitados.
Com vistas a esse começo nos pautamos em que Deus nos deu a Bíblia com o objetivo de atingir dois grandes e elementares propósitos: mudança de nosso caráter (mudar o que somos) e mudança de nossa conduta (mudar o que fazemos)! Se a pregação e o ensino cristãos negligenciarem estes propósitos de nada valeu o tempo irreversível tomado com as falas e as técnicas homiléticas e retóricas.
Portanto, se tomarmos tempo excessivo em nos preocupar com apenas o conteúdo, confundido o meio com fim, provável e possivelmente nossas pregações e ensinos não serão nada além de um passa-tempo que nada produzirá nas vidas de nossos ouvintes e alunos, a não ser uma sensação de querer saber o que ouviram e não saberem o que a mensagem lhes queria ensinar. Este é um indício da confusão - a ausência de alvo (fim) ou o desprezo com o devido cuidado a ele.
É necessário na pregação e no ensino cristãos objetivar além do conteúdo (meio) o propósito (fim). Isto conseguimos quando nos voltamos para a aplicabilidade do que nos foi confiado por Deus para entregar aos homens em qualquer ocasião ou circunstância. Na busca e elaboração e entrega da pregação e do ensino seguimos os conhecidos passos: observamos o texto identificando os detalhes e significados nele contidos; depois interpretamos exegeticamente o que Deus quer nos dizer; chegamos assim à idéia central do texto e não parando aí, seguimos para a aplicação ao homem de hoje, do nosso tempo, a verdade central em forma de proposição sem a qual uma mensagem jamais deveria ser entregue sob pena de estarmos disseminando inverdades e argumentos enganosos e enganadores.
Depois desses conhecidos passos e daí em diante precisamos nos atirar confiantemente nas mãos de nosso Deus e sermos cumpridores de nossa vocação como alguém que esteja trabalhando esmeradamente para pagar uma dívida muito grande para com o seu Senhor.
Vislumbremos assim e dessa forma devemos agir, a fim de evitarmos a lamentável confusão escondida secretamente nos recônditos de ministrações afoitas e cambaleantes sem alvo definido e sem o resultado devido. Evitemos mensagens estranhas à voz de Deus para não propagarmos enganos e com eles contribuir para a construção de crentes artificiais e superficiais – isto pode ser tido como o cooperar com o inimigo das almas que esperam encontrar em nossa fala a voz de nosso Deus.
Viva atento e cuidadoso, e não permita que você seja inserido no contexto dos pregadores e ensinadores confusos. Ocupe-se equilibradamente no conteúdo (meio) e visualize constantemente o propósito (fim)!
Que nosso Bondoso Pregador Amado e Maravilhoso Ensinador continue nos concedendo ricas mensagens e as ricas oportunidades para entregá-las ao seu rebanho aonde Ele nos enviar!PbGS
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