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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

MENTIRA E SIMULAÇÃO.

Mentira e simulação...
Ferramentas maliciosas contra os rebanhos.
A mentira por si somente é um terrível veneno. É semelhante a um cheque sem fundos, posto que se passa hoje sabendo que não terá o que para cobri-lo amanhã. Faz diminuir a confiança, visto que aos poucos ela estraga multidão de verdades. De certa forma pode falsear brilhos no presente, porém escurecerá muitas coisas no futuro. Muitas vezes para sustentá-la o indivíduo habituado na mentira terá que inventar mais e mais outras mentiras para manter sustentada a primeira.

E a mentira somada com a simulação torna-se um veneno mais terrível ainda, posto que juntas fazem com que as pessoas sejam mantidas por um tempo ludibriadas pensando numa falsa realidade. O mais venenoso na mentira ocorre quando ela é associada a verdades. Produz daí um novo subproduto venenoso chamado de meias-verdades. Todo inventor de mentiras extrai fiapos da verdade para somá-los às suas mentiras fazendo-as parecerem ser verdades. Falsear verdades é um ato abominável diante de Deus e odiado pelas pessoas de bem.

A mentira produz nuvens de confusão. E quando tendente e artificiosa no serviço do mau, sua confusão por vezes causa heresias e por outras alimenta e desencaminha multidões. Em todo o tempo as heresias rondam contra a verdade. A verdade é o antídoto contra a mentira e a heresia. As heresias nascem, brotam e surgem do desvio da verdade, e transcorre se apoiando nos favores prestados pela ignorância. Quanto mais ignorante, desconhecedor e desinteressado for um indivíduo a respeito de assuntos, mais se faz e se torna em presa e vítima fácil das heresias, da mentira e das simulações.

E duas das ferramentas sutis que vêm buscando minar a verdade do Evangelho entre os filhos da casa do Pai são a mentira e a simulação. O ato de mentir e suas conseqüências todos conhecem por vivência testemunhal em algum tempo diante de alguma situação ou passagem da vida. Simulação é o ato de fazer, agir, operar algo como se o estivesse no campo da realidade. É o ato de fazer representação de parecer como real algo que não é. É um fingimento, um disfarce. O único lugar onde a simulação é aceitável e aquiescente reside no campo das experiências científicas ou laboratoriais, cujas necessidades por si somente oferecem as justificativas cabíveis.

Forças afoitamente vêm engodando não poucas mentes incautas, e simples ao extremo, fazendo destas clientes cativas da mentira e da simulação. Forças que têm obtido algum sucesso se aproveitando da ignorância, de negligências e de outros fatores contingenciais que assolam o círculo normal e natural da vida nas épocas modernas. Nota-se que os indivíduos que se alimentam de heresias são os que se nutrem da mentira e da simulação no somatório de seus pensamentos particulares interessantes e tendentes a si próprios e suas opiniões e ideais formados ou procurados apenas na suas mentalidades.

Muito boas gentes vêm se fazendo presas e vítimas fáceis das heresias, das mentira e simulações, em função de uma vida pseudo-cristã, desinteressada da verdade, desleixada para com a própria alma e negligente e morosas para conhecerem os conselhos de Deus expressos na Sua Palavra. Muito boas gentes vêm aplaudindo as heresias, a mentira e as simulações, por falta de conhecimento de Deus, de Sua Palavra e da verdade. Muito boas gentes vêm se tornando cativas e aprisionadas das heresias, da mentira e das simulações por lhes faltarem entendimento, por segregarem-se em redomas de opiniões e ideais alimentados por mentalidades pseudo-cristãs.

Quando se despreza o contato direto com a Palavra de Deus, também com isso se cai na tendência de terceirizar a fé e se departamentalizar a confiança. Certo pregador televisivo eloqüente afirmou uma grande verdade exortativa ao rebanho sob sua liderança, com um toque de conselho pastoral ao dizer aos seus expectadores: “meu irmão e minha irmã em Cristo, não viva uma vida cristã comendo palavras na mão dos outros!” Ou seja, quis dizer “desperte-se e levante-se a si mesmo para examinar e comparar o que se lê e se ouve de Bíblia Sagrada”. É importantíssimo para a vida cristã o conhecer e o meditar na Palavra de Deus.

Não devemos e jamais venhamos a dar lugar a heresias, a mentira e as simulações, produzidas por quem quer seja. Estamos num tempo de gentes e modismos travestidos de evangélicos, de gentes e modinhas anti-cristãs fantasiadas de cristãs com o fim de cativar e desencaminhar a fé dos filhos da casa de Deus. A Bíblia Sagrada denomina esses elementos de falsos cristãos. Gentes que até a algum tempo atrás habitaram nos santuários com hinos, louvores e adoração. Um panorama de falseamentos que apenas nos faz estar apercebidos e apegados à volta do Senhor Jesus. Falsos escritos, falsos ensinamentos, falsos blogueiros, falsos doutrinadores, falsos mestres, falsos ensinadores, falsos louvadores, falsos pastores, falsos colaboradores.

Não se deve dar qualquer tipo de atenção para os produtores, os inventores, os apoiadores, das heresias, da mentira e das simulações se utilizando das coisas de Deus e de Sua casa. Não se deve deixar-se ser doutrinado e ensinado por mentalidades revoltosas, frustradas, amantes do engano, da mentira e das simulações. Não se deve deixar-se ser influenciado a reproduzir jargões heréticos de amantes de teorias e conjecturas do secularismo inebriado e fascinado pelas ferramentas e destrezas do diabo.

Isoladamente, rebanhos inteiros no passado sofreram história de fortes ataques das heresias, da mentira e das simulações. Histórias que vão desde envenenamento coletivo até a prática de ameaças e abusos constrangedores a indivíduos isolados e coletivamente. A mentira e a simulação causam prejuízos e desserviços danosos em extremo, tanto a indivíduos particularmente como a grupos coletivamente.

A Palavra de Deus nos recomenda, nos exorta e faz ilustrações a respeito das mentiras, das simulações e das heresias. Ela nos diz enfaticamente para cuidarmos do rebanho do Senhor, assim como de que vamos prestar contas a Ele da nossa ação ou omissão. A mentira e a simulação possuem a força de se camuflar da realidade com fins de tirar proveito da verdade ou ocultá-la, denegri-la ou nublá-la.

Cuidar do rebanho envolve todo o círculo de práticas que visam alimentá-lo, fortalecê-lo, edificá-lo e consolá-lo, com o leite genuíno, legítimo da Palavra de Deus. Cuidar do rebanho implica em fazer valer a abstenção da mentira e da simulação para com ele e entre ele. Cuidar do rebanho também quer dizer protegê-lo das investidas dos lobos devoradores, embusteiros, impostores, oportunistas, amantes apaixonados e mergulhados na prática da mentira e da simulação.

A Bíblia Sagrada nos exorta a cuidarmos de nós mesmos, a olhar por nós mesmos, também nos dando a perceber e entender a nossa responsabilidade individual. Isso não exime e jamais isenta a prática dos deveres ministeriais atinentes a cada chamado e vocacionado nas lideranças dos rebanhos. Afastar e neutralizar as ferramentas maliciosas contra os rebanhos é uma missão que cada um filho da casa de Deus tem, tanto no ministério individual como no ministério exercitado pelas lideranças sobre os seus rebanhos.
EvGS




segunda-feira, 12 de março de 2012

BAJULAÇÃO: artifício de interesses.


BAJULAÇÃO: um artifício interesseiro.
1Ts 2.4-6 – para refletir.

O texto ora em consideração é parte de uma defesa e apelo em forma de chamada à atenção ao modelo de servo do Senhor Jesus quanto à fidelidade, à honestidade, à simplicidade e à humildade, no desempenho da obra que realiza. Esse texto foi escrito por Paulo dirigido a pessoas que “bem sabiam” quem ele e seus cooperadores eram, o que fizeram, como realizavam a obra de Deus e o que lhes acontecia nas empreitadas a serviço do Mestre.

O que promove e fortalece o crédito sobre aquele que trabalha para o Senhor são: o seu testemunho pessoal, pois que este declara que pessoa é; o conteúdo do que faz, porquanto nisto são vistos os seus frutos; e a maneira como procede realizando o seu trabalho. É preciso que as pessoas “bem saibam”, visto que quem bem sabe sobre alguém não cai nas malhas de agentes do embuste, sonhadores de aventuras, operadores da mercadejação, artistas do engano, funcionários da fraudulência, engenheiros do pretexto e amigos dos interesses.

O apóstolo Paulo teve uma vida extremamente usada por Deus. Sua espiritualidade e sua sabedoria conciliavam virtudes e valores mantidos conjugados com o seu temor a Deus. Enfim, uma vida coberta de experiências vivenciais, e que potencialmente se permitiu ao servir a Deus. Não era um tribuno impecável e nem um orador destro como Apolo, todavia possuía uma vida capaz de ser recipiente de unção, graça e ter uma pregação coberta visivelmente pelo poder do Espírito.

Em tudo que deixou escrito, coisa alguma indica que sua vida esteve de alguma forma ou maneira ligada à bajulação, ou à ação de facultar ou receber favores da sua prática por outros cristãos. Em tudo que deixou escrito, coisa alguma indica que haja se beneficiado da bajulação ou por ela.

Paulo foi o tipo de líder cristão que jamais se submete às facilidades e promoções agenciadas pela bajulação. Os labirintos da bajulação jamais tiveram em suas paredes uma placa de oferta de benefícios a Paulo, ou uma porta de favorecimento de manobras cedida a ele. Não sei o que Paulo diria de alguns ministérios ditos “evangélicos” de nosso tempo, assim como não sabemos como ele seria acolhido neles.

Ministros, obreiros e trabalhadores da obra semelhantes a Paulo na mesma mentalidade e propósitos certamente seriam politizada e classicamente convidados a se retirarem e se transferirem por motivos de surgimento de “entraves” e “discordâncias”, tanto em relação à manutenção, à gerência e ao emprego dos recursos como aos procedimentos e práticas.

Apesar de ser levantado pelo Senhor depois de todos os demais apóstolos, Paulo pôde dizer que sua escolha e chamada não dependeram de nenhum homem ou por favorecimento de homem algum. Não é demais dizer que temos encontrado turbilhões de escolhidos e chamados pelas generosas e aquiescentes indicações dos sindicatos da bajulação. O pequeno problema é que esses não florescem e tampouco frutificam, e com o passar do tempo no calor das empreitadas e nos períodos da sequidão desgovernam-se da linha e desequilibram-se do prumo, perdem-se das medidas da régua e encolhem-se dos ângulos do esquadro.

O apóstolo Paulo foi um amante da sinceridade, da franqueza e da verdade. Seus escritos nos revelam a sua capacidade de se portar e de lidar com segurança e convicções pessoais diante da franqueza e da sinceridade alheias, assim como a sua valorização para com a verdade e a honestidade. 

O nobre Doutor Willis Peter de Boer, na sua consistente obra “The Imitation of Paul: An Exegetical Study”, deixa claro que a vida de Paulo possuía e deixava transparente virtudes firmes e valores convictos cuja prática vale muito ser imitada em todos os tempos por todos aqueles que seguem o Senhor Jesus Cristo em quaisquer ambiente e circunstância. 

O nobre estudioso Doutor também na mesma obra nos deixa ver que a vida de Paulo teve impressas as marcas da coragem, da ousadia, do poder nas palavras e no espírito, da capacidade de reconhecer e apoiar os seus companheiros e os rebanhos aos quais se dirigiu e serviu. 

Também notamos na grande obra “Paul and Friendship”, diligentemente escrita pelo estudioso, Doutor Fitzgerald, que o apóstolo Paulo soube lidar com todos os tipos de personalidade e de caráter que com ele interagiram. Aqui nos deixa ver que Paulo jamais perdeu ou matizou o seu foco comportamental para atender aos reclames da bajulação. 

Os melhores dicionários definem a palavra “bajulação”. Neles, bajulação significa lisonja, adulação, servilismo, excesso de admiração, elogios interesseiros com o fim de tirar proveito pessoal de alguém sobre algo. Elogios exagerados, excesso de elogios com a finalidade de obtenção de privilégios, de favores, de benefícios.

A palavra que denomina a ação de bajular vem de uma das antigas línguas, o latim. Trata-se de “bajúlo”, que significa “levar alguém, ou algo, no colo ou nas costas”. O “bajúlo” faz isso interessado em lograr algum benefício. Geralmente os amantes da bajulação alimentam escondidos no seu coração outros feios pecados co-irmãos e impulsores da bajulação. Alguém disse que o ponto vulnerável do bajulador reside nas suas incapacidades de alcançar seus objetivos e satisfações de forma honesta, legítima, correta e honrosamente.
Independente de posição, cargo, condição, status, a bajulação tem sido usada por grandes e pequenos. Apesar de alguém inferir que a bajulação possa estar presente com maior incidência em gente pequena, ela também está no meio de gente grande. Gente pequena a usa para conseguir o que anseia e gente grande a emprega como uma ferramenta de controle, de liderança, de manipulação e de captação.

A palavra “bajulação” do texto em apreço traduz a sua original do texto grego neotestamentário “kolakeias”, “kolakia”. Ela se refere a falas enganosas com o interesse de tirar lucro, proveito, das pessoas empregando a eloquência, a facilidade de expressão comunicativa. É a aplicação de fala enganosa para ganhar o íntimo das pessoas e explorá-las. O latim a traduziu para  “adulationem”. 
  
A bajulação é inimiga da franqueza (Gr. “parrēsia”, “parrēsian”), é inapta à concórdia (Gr. “homonoia”) e perniciosa contra esta. Jamais aprendeu os passos da verdadeira gentileza (Gr. “epieikeias”, “epieikēs”). 

A presença da bajulação também se configura quando da extrapolação dos limites aceitáveis, normais e equilibrados da admiração e do elogio. Essa extrapolação mostra os indícios de manobra artificiosa da bajulação. A bajulação serve como um veículo que se calca no interesse, mas também oferece apoio à vaidade e à mentira. 


A bajulação é uma arma perigosa que tanto pode disparar contra quem a empunha quanto contra a quem é apontada. A bajulação exagera os méritos de outrem com os fins interesseiros. Ela auxilia em enfraquecer muralhas, minar impérios, derribar tronos, mas também forja e eleva títulos, coroas e anéis. Ela instiga cárceres e covas, mas também favorece leões e nas suas bocas é encerrada.

O espírito da bajulação perambulou e passeou pela Terra, e vendo a vulnerabilidade e a tendência do coração de alguns homens para a vaidade. Encucou em algumas mentes e fez sentirem-se como se fossem “assistentes” para se prestarem a algumas “assistências”. Da mesma forma, encontrou o venerando título de “conselheiros” para conscientizar e incentivar outras, cujos conselhos ocultam as "cartas" dentro das mangas e o “amolador de língua” no bolso.

Além disso, denominou umas como “assessores” para servirem de "assessoramentos" contra a vida alheia. E por fim, com o objetivo de evitar vexames, execração e vergonha, e como indulgência emblemou classicamente outros coraçõescom os títulos amenos de “secretários”, “ajudantes” e “auxiliares”, com os fins respectivos de secretariar despachando e arquivando feias confidências, ajudar  montando esquemas e arquitetando circuitos e auxiliar consolidando caminhos de manobras e direcionando saídas, respectivamente.

Existe a bajulação que olha para benefícios instantâneos, e há a bajulação que ocultamente visa lograr benesses remotas. A bajulação jamais teve os brios da paciência, entretanto é doutora na sagacidade, na espreita e no oportunismo. Os amantes da bajulação sempre concentram o seu foco para si mesmos. Diz-se de que são sempre descartados e não-confiáveis, visto que seus olhos somente avistam interesses, seu olfato somente alcança cheiro de vantagens e sua boca somente fala lisonjas sepulcrais.  

Os episódios da história deixam claro que a visão da bajulação enxerga os outros como degraus, trampolins, que facilitam, viabilizam e promovem a consecução de seus intentos pessoais. Certamente que todo amante da bajulação sempre foi não-confiável, posto que o embuste de seu caráter espelha o preço de suas ações. Os amantes da bajulação jamais despretensiosamente tiram alguém do poço, posto que do fosso da insatisfação nunca saíram e na fossa da falsidade sempre nutrem o seu paladar.

O monarca francês Henrique IV disse “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte tonéis de vinagre”. Ou seja, quanto à bajulação, um pouco dela favorece colher muito mais favores do que seriam colhidos com a multidão de franquezas e sinceridade. Muitas vezes o útil amargo da franqueza promissora é desprezado pela enganosa doçura da bajulação arruinadora.

Existem os amantes passivos da bajulação. Estes não a  cometem, entretanto amam ser alvos favorecidos dela. Há os amantes ativos da bajulação. Estes a cometem e exercem os seus mecanismos naturalmente como se exercessem uma profissão ou uma prestação de serviços. Quase sempre são despercebidos de que apenas passam por ferramentas e meios descartáveis usados para que outros com os seus “favores” atinjam fins. 

Um coração amante da bajulação jamais consegue escondê-la por muito tempo. Ela nasce silenciosa e acompanhada de sorrisos leves e cócegas, mas morre aos lamentos de dores e calafrios. Ela nasce com atitudes e aflora-se no comportamento, visto que em algum momento se expressa por palavras ou externada por ações. Todo amante da bajulação é desonesto com Deus, consigo mesmo e com os outros. 

Mil vezes melhor é estar no meio da batalha ladeado por apenas um amigo franco, sincero, honesto, leal, verdadeiro e direto, do que assistido no meio de um exército de bajuladores. Difícil coisa é construir amizade com alguém franco, sincero, honesto, leal, verdadeiro e direto, mas também depois que a enlaça, se necessário for passa-se a noite no cárcere com ele como se na farra pernoitasse. Já disse Martin Luterking "para se ganhar inimigos, basta apenas externar o que se pensa". 

Geralmente os amantes da bajulação desconhecem o significado e os limites da capacidade e da habilidade de ser agradável. Ser agradável é uma virtude que começa em nosso relacionamento individual com Deus e depois se estende aos nossos relacionamentos com os homens. As raquetes que rebatem contra os desagradáveis certamente já foram um dia por estes rebatidas ao lhes ser oferecida a agradabilidade. 
Com o fim de alcançar o pretenso objeto de sua realização pessoal, o amante da bajulação submete o seu íntimo a contrariar-se a si mesmo, compromete os pilares sustentadores de sua natureza, desconsidera as rédeas de sua própria consciência e ludibria os pontos vitais de seu próprio caráter. Geralmente o bajulador vive às custas de quem lhes cede atenção às suas palavras e ações. 

Os amantes da bajulação são conciliados com a idolatria em alguma de suas muitas faces. Ainda que não queiram demonstrar, são permissionários concordantes da falsidade e peritos do fingimento e das simulações. É muito mais provável e bem possível que alguém passe a ter afinidades com a bajulação e se tornar amante dela, do que o seu amante se transformar em defensor da franqueza, da honestidade e da sinceridade. 

Os amantes da bajulação estão fadados a um trágico fim – quando caem em si, terminam por trilhar as vias do ceticismo e não mais acreditarem nem mesmo em suas próprias experiências. Para eles o mundo todo lhes aparece como uma grande selva de embustes, e os que lhe rodeiam passam a ser vistos como pessoas não-confiáveis. As pessoas diferenciadas, aos seus olhares são vistas indignas de serem alvos de sua confiança. Enfim, os amantes da bajulação desconfiam até de alguma virtude que possui e da qualidade das roupas e acessórios que vestem. 

Na Sagrada Escritura encontramos os desastres do rei Acabe. Nele é vista uma figura de caráter defeituoso. O rei Acabe se escondeu por trás da esposa Jezabel para se fazer agradável ao seu reino. Amava e se satisfazia em receber bajulações, todavia detestava ser confrontado com a franqueza e a sinceridade e sentia-se ameaçado pelas verdades alheias. Para Acabe, o melhor era ouvir centenas de palavras lisonjeiras por bajuladores triunfalistas do que receber uma pequena frase verdadeira dita por um mensageiro franco.  
Que vidas não sejam arruinadas pelo espírito da bajulação. 

Que esse sujo artifício artimanhoso não cative sócios, nem a mine o brilho do sagrado ministério e tampouco assuma lugar no sagrado púlpito cristão. Que o espírito da bajulação não encontre lugar no seio dos rebanhos do Senhor, para que as ovelhas sejam preservadas da ilusão das lisonjas enganosas e povo do Senhor não venha ser corrompido pela força da bajulação. 

Queira o Senhor Deus e assim tanto faça para que corações se divorciem definitivamente do espírito da bajulação e com este quebre alianças. Que planos, projetos, empreendimentos, tratamentos e relacionamentos sejam cobertos pela franqueza, pela honestidade, pela transparência e pela sinceridade. Que não haja um lugar se quer cedido ao desastroso espírito da bajulação entre nós. 

Que o nosso Bondoso e Misericordioso Deus nos guarde livres do servilismo, da subserviência, da adulação e fora do alcance da bajulação. Que nenhum dos mecanismos e ferramentas da bajulação alcance sucesso contra os filhos do Reino, e nem obtenha êxito e ganhos com palavras lisonjeiras.
PbGS


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

APARÊNCIA E TRANSPARÊNCIA.

APARÊNCIA  E  TRANSPARÊNCIA.
Até os mais  jovens estão atentos!

Em razão de uma mensagem e-mail com a figura ilustrativa acima, recebida de uma pessoa cristã jovem, venho nesta oportunidade determinado com a missão de tecer algumas linhas a respeito de duas das políticas de relacionamentos.

Ao longo dos anos, como lhe são próprios, a nobreza, a dignidade, a honradez e a limpidez perfazem a natureza e os propósitos do sagrado púlpito cristão evangélico. Inseparavelmente, a excelência da prédica e a prática da transparência sempre foram a boa marca e a essência de todo coração que realmente ama e determinadamente serve ao Senhor Jesus Cristo.

Refletir no teor daquele e-mail, a respeito de relacionamentos por aparência e relacionamentos com transparência entre os filhos da casa de Deus, não seria tão relevante se suas observações não apontassem para um foco especialmente direcionado a pessoas expressivas e que exercem algum grau de influência.

Não se trata de uma espera de perfeição de perfis e nem de inerrância de performances. Seria tolice e utopia esperar caminhos perfeitos e inerrantes dentre os homens. Cobrar posturas sempre foi uma manifestação de alertas que nos fazem atentos a tudo que esteja relacionado. Muito menos aquela mensagem seria fruto motivado por um desabafo resultante de frustração pessoal ou localizada, entretanto apenas um apelo a ajustamentos comportamentais e a coerências de atitudes nas relações praticadas por gente que possui o dever sagrado em estar comprometida com o serviço, com o trato e com o exemplo.   

Louvamos e agradecemos a Deus pelas camadas mais jovens que Deus está levantando entre nós. Definitivamente o povo de Deus nunca precisou de revolucionários bipolarizados e tampouco de agitadores mutantes. Na verdade, o foco sobre atos e fatos está sendo mais diretamente lampejado pela geração “plugada e antenada”. Na verdade, na igreja reside o Espírito, que rejeita tudo que não faça parte do espírito dela.

O destinatário, apesar de ser jovem, é uma pessoa cristã “antenada” com as pessoas, com os contextos situacionais e com os panoramas. A aplicação de suas palavras demonstra haver sido agraciada com um fino senso de percepção inteligente e um tanto equilibrado na fidelidade de suas análises e na sua visão de cuidado para com outros. Sempre há boas gentes que buscam que a luz continue a alumiar e que o sal não se torne insípido. Assim foi com o mover do espírito da Reforma. Não há como esconder e nem se esquivar.

Creio que seu sincero coração movido de temor somado  ao senso de zelo e à busca de transparência nas atitudes e nos relacionamentos, como forma contributiva para um ambiente de real comunhão cristã, empreende um apelo geral e ao mesmo tempo um alerta direto e altissonante a todos nós, os que exercem alguma influência no ambiente congregacional.  
O mais preocupante no e-mail não é simplesmente o significado da imagem acima, todavia alguns pontos sobre os quais as gerações jovens estão buscando minimizar e corrigir, em termos de aparência e transparência. Com os caminhos da percepção e do conhecimento, os comportamentos estão cada vez mais sendo notados e discernidos à distância, e de alguma forma cobrados até pelos mais jovens, através de meios que vão além dos contatos pessoais. 

Os tempos e a velocidade de informações, somados aos canais de influência social, são outros. A liberdade de expressão está cada vez mais oferecendo vias tanto para ajustes como para citação de desajustamentos, ainda que fortuitos e momentâneos. Cabe a responsabilidade de orientar e encaminhar aos caminhos da transparência de relacionamentos. Isso resgata valores e encoraja vidas.

A mensagem deixa claro que até os mais jovens estão enxergando atentamente o curso das ações e movimentos daqueles que, por consideráveis experiências e responsabilidades, lhes devem liderar com exemplos compatíveis com a nobre e digna essência contida nos ensinamentos cristãos.

Com apenas quatro parágrafos, e sem palavras soltas, mas diretas, aquela pessoa deixa claro que assim como ela, muitas outras estão de olhos atentos nos detalhes circunstanciais e nos fatos e acontecimentos, mas também a grande vontade de acertos onde porventura existem desacertos circunstanciais.

Para aquela pessoa jovem, o clássico distanciamento e a perceptível indiferença e a frieza de tratamentos parecem servir de mecanismos de proteção e de entrincheiramento, de intocabilidade nos relacionamentos entre líderes e liderados. 

Quase possa não ser por todos percebido, mas com as aparências implicitamente emerge um elemento facilitador de descasos entre pessoas, o qual sorrateira e progressivamente vai imprimindo a triste idéia de que a verdade é dispensável na comunhão cristã, e que pode-se conviver muito bem e tratar as “tolerâncias” e os assuntos cristãos empregando alternâncias da hipocrisia, artes da simulação e painéis do “faz-de-contas”. É preciso ser tão direto, próprio e amável quanto transparente deva ser.

Aquela mensagem e-mail é suficiente para declarar que fervorosos discursos indiretos e reclames verbais, atirados às soltas sobre a prática de determinados assuntos, assim como as momentâneas evocações apenas verbais de perdão, não corrigem péssimos hábitos contumazes e muito menos promovem ou inspiram para as devidas reparações.

Discursos, reclames e evocações não substituem a excelente prática da limpidez do respeito mútuo, da reciprocidade transparente que, além de inspirarem a reparações, oferecem o ambiente fácil, favorável e acessível dos “setenta vezes sete” perdões. Os arranjos das aparências jamais substituem a propriedade eficaz da transparência.

Em atenção ao grito expresso naquele e-mail, deixo aqui o alerta aos que conduzem jovens. É preciso dar-se ao despertamento de que foi-se o tempo do “dizer hoje e ser esquecido amanhã”. Os tempos modernos são outros.

Acordemos para o século do conhecimento, das ferramentas sociais, da interatividade veloz, das exigências sobre a transparência, das cobranças a perfis ajustados e a atitudes coerentes, das provas de legitimidade, das buscas de respostas satisfatórias e de tratamentos conforme os ensinamentos do Mestre. E por que não atentar para a liberdade de expressão garantida, respeitosa e responsável nos fóruns, em debates e em outras vidas?  

Chegou o Século XXI! E nele os crentes em Cristo permanecem sendo ovelhas, mas não são irracionais e buscam o entendimento! Os filhos da casa de Deus continuam sendo ovelhas, porém mais do que antes acessam e conhecem as definições e conceitos e sabem o que exigir e sobre quem cobrar comportamentos e procedimentos!

Não podemos velar e zelar movidos apenas pela aparência e conscientemente fogir e desprezar a transparência. Isso reflete e afeta na prática de relacionamentos interativos e na condução de ambientes.

Estimulo, encorajo e incentivo a permanecer em Cristo, confiando e fortificando-se na graça do Eterno. Como também fazendo esforços e empregando meios para superar as dificuldades e transpor obstáculos, buscando servir mais e melhor ao Mestre querido e amado de nossas almas e mantendo a comunhão cristã. 

Que as saudações sejam tão leais, legitimamente cristãs e afastadas das falsas aparências quanto apreciada é a transparência para o Céu. Que o amor NÃO folgue com a injustiça e a fé seja NÃO fingida. Que haja coragem nas lideranças para lidar com assuntos e indivíduos afetos tanto quanto seja cultivada a bênção da sinceridade e mantida a força da coerência e prezado o poder da transparência.
PbGS




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Maquiagem em alta, mas causa males.

MAQUIAGEM EM ALTA, MAS CAUSA MALES.
Para leitura reflexiva, entendimento sábio e comparação prudente...

A maquiagem é uma prática antiga. Desde os povos antigos até os nossos dias, a presença da maquiagem é notória. Os mais rudes e antigos ancestrais já a conheciam, praticavam e desenvolviam. Os propósitos dela são os mesmos e têm atravessado os tempos, mas nem em todos os campos deve ser aceita e aplicada. Os princípios dela são espetaculares, mas também os seus erros impróprios são extravagantemente percebidos, despertadores e imperdoados.

A maquiagem teve o seu fim original para atender a mitos e fábulas, impor impressões e obedecer a superstições. E com o passar do tempo evoluiu para satisfazer a busca da beleza e da estética, e alcançou os palácios e fez presença nos palcos.

A arquitetura, as artes e a engenharia absorveram também alguns dos princípios fundamentais da maquiagem, colocando-a nos seus campos de aplicações com matérias apropriadas e conferindo-lhe diferentes nomes para especificarem o ramo a que está ligada. Enfim, para uns maquiagem é uma questão de beleza e estética, para outros de arte, acabamento e sofisticação, e ainda a outros uma questão de produzir impressões.

Por vezes a maquiagem se apresenta modesta e é levemente percebida, e por vezes é berrante, inconseqüente, imprópria e imprudente. Outras vezes há em que a maquiagem cerca-se de cautelas, porém nem sempre consegue esconder nem disfarçar as imperfeições maquiadas. Em algumas áreas de aplicação, a maquiagem recebe notoriedade e reconhecimentos elogiosos, mas em outras se torna causa de menosprezo, rejeição e náuseas.

Existe lugar próprio e aceitável para a maquiagem, entretanto há lugar onde jamais deveria ser recebida e muito menos forçar a sua aplicação. Onde deve se efetuar reparos através de cirurgia, jamais se deveria aplicar maquiagem, visto que aquela enquanto restaura, repara falhas. E esta apenas tenta ansiosamente encobri-las e disfarçar as suas imperfeições, terminando por fim não atendendo aos desejos esperados e se fazendo tema de péssimos comentários.

A maquiagem leva em conta fatores influenciadores para a sua escolha. As idéias, os ambientes e os propósitos regem o seu dispositivo de apresentação. As tonalidades conferem indicações para aumentar ou causar destaques, como também para diminuir ou causar dissimulações, cujas intenções principais e finais são causar impactos e receber atenção. Incrível como isso tem atravessado épocas norteando pensamentos, e sido equivocada e descabidamente trabalhado em alguns meios humanos.

Tenta-se afoitamente sanear problemas suavizando-os com corretivos inconsistentes e inseguros, sem levar em conta que mais tarde os prejuízos vão ser revelados abertamente nas suas trincas quebradiças. Alguns se esquecem de que ainda existe e prevalece o precioso bálsamo hidratante da verdade e da prudência antes de aplicar corretivos. Tenta-se politizadamente disfarçar imperfeições cobrindo-as com bases voláteis e sem liga, sem levar em conta que muitas coisas sempre estão por virem a ser sobrepostas a elas. Alguns se esquecem que ainda existe e predomina os fundamentos da sinceridade e da honestidade.

Tenta-se artificiosamente buscar uniformidade e acabamento para disfarçar conchavos gritantes realçando os seus crassos vincos com o pó desprovido de tonalidade e sem fixador. Alguns homens esquecem que este é o infame curso da hipocrisia que apenas acentua a feiúra dos vincos, e no calor das aflições o encarte da pseudo-formosura vai ser borrado, as velhas rugas e linhas virão às claras e a ausência de beleza natural vai ser confrontada com a luz.   

Para os peritos em maquiagem, algumas ferramentas lhe são bem íntimas. Para obter a luminosidade que com ela sonham, usam as sombras para não ser percebido o olhar natural e verdadeiro da personalidade maquiada.

Para acender a linha dos seus olhares interesseiros e oportunistas quando querem jogar a favor da satisfação de seus caprichos, lançam mão de seus delineadores ilusionistas e empobrecidos e com o seu lápis desgastado pelos ditames da instabilidade e da incoerência maquiadas, tentam corrigir as linhas de seus disfarces ínfimos e medíocres.

E para demonstrar os infelizes momentos de comiseração e pressuposta vítimação, plagiam as suas aparências com o “brush” da tristeza e com o “rímel” do descontentamento.  
  
Que lamentável que a maquiagem veio a ser introduzida e aplicada onde jamais deveria haver sido aceita a sua presença. E debaixo dos temores veio ao pódio a maquiagem em detrimento da transparência. Em alguns meios humanos a maquiagem recebeu reconhecimentos públicos e qualificações por ter imposto a mordaça e os lampejos das ameaças.

Mas em outros elevados, respeitosos e reconhecidos a chegada e aproximação da maquiagem causou estranheza, náuseas, rejeição, visto que neles não deveria haver lugar para a maquiagem. Ela forçou a porta e conseguiu por vezes sentar-se em boa posição em muitos lugares empregando suas maestria, titulações, cortesias e politização, com o fim de mostrar aos homens humilhando-os pelo tabelamento de preços que ela declarara cada um deles ter. Lamentável que a maquiagem veio tomar assento em muitos meios humanos onde jamais deveria ser aquiescida, aprovada e aplaudida.

Os segmentos profissionais de beleza, estética, artes, arquitetura e engenharia tiveram nomes próprios, cabíveis e competentes para nominar a maquiagem. E com isto, tudo se fez arte, admiração, beleza e satisfação.

Porém por alguns outros meios terem a excelência de princípios, de suas credibilidade, honradez e honestidade afetadas pela maquiagem nos seus costumes, práticas e procedimentos, surgiu a infeliz e lamentável incógnita sobre com qual nome esse elemento estranho poderia ser recebido no seu convívio sem produzir mal-estar, rejeição, náuseas e perdas na aquiescência e receptividade públicas.

Não foi achado pelo menos um nome brilhante, gentil, representativamente elogiável, posto que onde reside valores e virtudes não existe lugar para sombreamento, obscurantismo, falseamento e muito menos maquiagem. E visto que a imposição logrou sucesso, o silêncio foi traduzido como aceitação, e a maquiagem foi enfim recebida, aplaudida e acomodada assim mesmo.

A maquiagem não conseguiu disfarçar a imagem, nem cobrir prevaricações, e conseqüentemente ao contrário ela promoveu cada vez mais feiúras, acusações, ojerizas e manchas.

A maquiagem provocou volumosas discordâncias, dissensões, acepções, e denegriu a boa imagem de alguns meios humanos elevadamente respeitados e acreditados. Foram desprezadas a consciência ética, social e histórica, de equidade, de legitimidade e autenticidade éticas, de respeito, ordeiramente educada e polida.

Infelizmente a mesa do diálogo corregedor passou a ser literalmente um “ringue” de lutas posicionais, e desta forçosa forma foi cedido oficialmente lugar para a maquiagem imperar. 

Por fim, a maquiagem de rosto erguido disfarçando fatos com alusões pitorescas, mostrou a sua falsa e disfarçada beleza e formosura e tomou indevidamente um assento, ganhou conivência, obteve respeito e aprovação, até que seu voto se tornou importante e lamentavelmente imprescindível para contribuir com os contra-sensos e com a inversão dos valores.

E com isso, muitos prejuízos conseqüentes foram surgindo e afetando a boa fé e a credibilidade humana. Assim a maquiagem possui o poder de produzir sombras e mostrar cores tonalizadas que na verdade causam dúvidas e sombreamentos ao mostrar os seus disfarces.

Os objetivos e efeitos da maquiagem deram certo em alguns meios, contudo jamais o dariam em outros onde nestes reinam e se preservam valores e virtudes, e principalmente onde mora a sinceridade, a verdade e a honestidade. Nestes a  maquiagem não encontrou um nome plausível e elogiável, tampouco honroso e decoroso para ser nominada, mas em contrapartida tem encontrado algum poder de regência e de consideração para favorecerem interesses e preservar supostos direitos.

Felizes são os poucos meios onde ela não consegue agir apoiada nas muletas “credencializadas” e não é recebida a assumir assentos para depois dirigir ditames.

De numerosas formas a maquiagem tem encontrado o suporte engenhoso e inteligente.  Ela tem forçado entrada em planos e projetos, em estatísticas, em estatutos e regimentos. Com certa esperteza tem iluminado atitudes e práticas, colorido  procedimentos e atividades, enfim em muitas áreas a maquiagem tem posto os seus olhos e em outras tem colocado as suas mãos. E ao contrário do que se “acha” que a realidade por traz da maquiagem não vai ser percebida, mais as gentes se tornam observadoras, reflexivas, examinadoras e analíticas.

Para maquiar a verdade e a realidade, alguns lançam mão da maquiagem com o fim de propagarem o contrário do que todos conhecem. O esforço para desviar o foco da verdade e da realidade vai além da vergonha e do senso de humanidade, e em respeito recíproco não se fala e muito menos de exemplos, visto que existem as ferramentas da maquiagem para promoverem impactos e o coroarem com pseudo-sucesso.

Os operadores da maquiagem cooperam para que aumente cada vez mais o número de maquiadores, e assim passe a existir um nivelamento direcional único de visão, e não haja mais quem detecte os traços, linhas, rugas, vincos e manchas das imperfeições e passe a aquiescer que tudo está como devidamente deve ser e estar e, portanto, maquiagem não existe. A maquiagem busca um quorum que não exija correção e cirurgia para tratarem com propriedade as imperfeições gritantemente contraditórias.

A maquiagem não impede reações. Muitas vezes ela não se importa com rejeições a alguns de seus ingredientes e componentes, haja vista que os seus alvos são múltiplos em caráter, gostos, personalidades e naturezas. E toda a responsabilidade e competência é concentrada sobre os seus operadores cujas capacidades e habilidades perseguem em acompanhar a moda e pelo menos estar acima da linha de aceitação mediana.     

Quando não se sabe remover a maquiagem devidamente para que nenhum de seus resquícios permaneça, lamentavelmente o mal cheiro e as náuseas dos restolhos e mazelas são primeiramente percebidos de perto e depois passam a ser notados até mesmo nas esquinas, comentados nas praças, nos  tema das conversas em filas de esperas, tomam lugar nos bate-papos, chegam às páginas de revistas e jornais, são falados nas redes sociais, e infelizmente colorem as falas nos botequins, nos bares, nos consultórios e nas elegantes praças de alimentação, atingem as urnas, influenciam opiniões.

Enfim, esta é uma das épocas na qual a maquiagem está em alta, apesar de fazer males e causar prejuízos extremos em algumas áreas humanas. Ignorando este fator, numeroso grupo de homens tenta forçar maquiagem onde está patentemente clara e lúcida a rejeição e os terríveis prejuízos conseqüentes dela.

Ainda existem áreas competentes nas quais jamais se pode fazer uso da aplicação da maquiagem. Ainda há homens que firmemente não se dobram aos cativantes efeitos da maquiagem.

Ainda existem pessoas que de boa e sã consciência rejeitam os ingredientes e os componentes da maquiagem. Ainda há lugares que mantendo a sua missão legítima discernem os disfarces e evitam os resultados da maquiagem.

Todavia, que nenhum de nós pregadores do Evangelho se veja fascinado pelo poder influenciador da maquiagem. Porquanto as nossas vistas para o alvo final não devem estar dirigidas aos fins do sucesso humano, ainda que independente de imposições de caprichos alheios, ele aconteça como resultado de trabalho digno, competente e respeitável.

Seria bem mais propício e aplaudido seguir o modelo original, deixando que a maquiagem permaneça apenas nas áreas da beleza, da estética, das artes, e demais exeqüíveis afins.   
PbGS



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas.

PREGADOR E PREGAÇÃO:

Parte I - Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas. 
No mês passado recebi um telefonema de um bom companheiro evangelista, um desbravador incansável, cujas atividades têm tido a relevante eficácia em auxiliar o seu campo de trabalho devido ao fato de seu ministério estar sistemática, direta e persistentemente concentrado na pregação. E reunindo os diversos fatos aos seus enfoques elementares, reservo estes minutos em tomar esta oportunidade para falar de um dos assuntos que para alguns têm sido um tanto evitados e encobertos e para outros são fortemente oportunos e adequadamente cabidos.


E também em atenção ao que muitos companheiros, entre jovens e experientes, têm citado e exaustivamente comentado através de variados meios de comunicação interativa, e venerando e respeitando a todos os escritos de meus antigos mestres e dentre eles os mais experientes veteranos que ainda neste tempo militam reconhecidamente como pregadores, me faz mister sob os sensos de responsabilidade ética e de profundo amor pelo ministério da pregação vir tomado por certa e considerável medida de ousadia e de coragem para a partir deste artigo lhes tecer algumas linhas específica e essencialmente sobre o tema “Pregador e Pregação”, iniciando este com o sub-tópico “Pregação e Picaretagem” – um título aparentemente estranho e desconfortante, mas absolutamente cabido e adequado ao momento.


Proponho-me com este artigo iniciar um breve comentário seqüenciado em duas partes, pautado à guisa de importantes e comprovadas experiências e vivências não particulares, não individuais e muito menos de teóricas resultantes de reflexos de leituras compartimentalizadas, pretensiosas ou tendenciosas.


Nesta primeira, pretendo lhes falar somente sobre a pessoa do pregador e na segunda, exclusivamente sobre a mensagem da pregação. Na verdade, um tema contendo dois bons, substanciosos e exeqüíveis sub-tópicos.


Inicio, pois, por lembrar dos conselhos úteis de alguns renomados e expressivos pregadores do passado, cujas atividades marcaram gerações de novos e sucessivos pregadores, haja vista que o êxito nunca tem seu início no futuro – este apenas revela e desponta a colheita e o clímax daquilo que fora semeado desde antes no passado.


Apesar de terem sido escritos e publicados em épocas um tanto antes da nossa, são tão urgentes e permanecem tão atuais para estes dias e mais especifica e especialmente para ocasiões como esta na qual movido pelo zelo cuidadoso e incentivador tenho a liberdade de me dirigir a outros meus pares companheiros pregadores.


Eis alguns desses conselhos colhidos e citados publicamente por respeitados e honrados pregadores e ensinadores, expressivos servos de Deus, amantes apaixonados pela homilética e pela retórica que este país já conhecera:


O primeiro – “Prega primeiro para ti mesmo e depois pregarás com autoridade aos outros”;


O segundo – “Procura somente o bem das almas e a glória de Deus”; e


O terceiro – “Tua vida fala tão alto que não se pode ouvir os sons das tuas palavras”.


Com estas pequenas pérolas iniciais, como prometi acima, me ponho neste artigo a responder a questionamentos comentando alguns pontos sobre o ministério da pregação – mais especificamente no que tange à vida pessoal do pregador – haja vista a enxurrada de desmerecimentos que vez por outra são forjados para tentar ameaçar e lançar arrojos contra os pregadores sérios, homens de Deus a quem de fato Ele levantou para servi-lo responsavelmente nesta grande obra.


Na verdade, não sou tão de hoje, e acredito piamente que estes meus mais de vinte e cinco anos de jornada de pregação em púlpitos, e ao ar-livre a noite exercitando a prédica com o fervor e atendendo ao chamado e a vocação cooperando juntamente a homens obreiros simples e desbravadores destemidos e quase anônimos como eu, em praças da cidade do Rio de Janeiro na década de 80 e início dos anos 90 (Praça XV-Centro, Largo da Carioca-Centro, Praça Cinelândia-Castelo, Praça Tiradentes-Centro, Praça Largo do Machado-Laranjeiras, Praça São Salvador-Laranjeiras, Largo-calçada entorno da Central do Brasil-Centro, Praça Rio Grande do Norte-Engenho de Dentro, Largo Camarista Meier-Meier, Praça Mauá-Centro, Largo da Água Santa-Piedade), e somando também minha pequenina contribuição ativa nas atividades auxiliares das campanhas e cruzadas evangelísticas naqueles anos na cidade do Rio de Janeiro, me fazem convicta e confortavelmente traçar algumas linhas incentivadoras e ao mesmo tempo esclarecedoras sobre o assunto-tema.


Tenho a justa e clara visão que de forma alguma nossos caros colegas pregadores mais experientes e veteranos em algum momento na leitura deste artigo e no próximo desta sequência de comentários deixariam de lembrar os caminhos pelos quais trilharam, bem como as lições de vida que os têm feito cada vez mais sábios e mais seguros diante de semelhanças com as que encontrarão citadas nestes artigos. Não tenho a pretensão de aferroar os itinerantes (ao contrário, eu os honro e reconheço-os pelos seus sacrifícios pessoais inerentes à obra que Deus lhes confiou), nem de desmotivar os novos e os leigos, pois cada um deles possui suas próprias patentes desde os seus primeiros passos na trajetória de pregação.


Claro e honesto fica, que todos sentimos contentes quando alguém nos encoraja, nos incentiva, nos orienta e nos transmite algo que nos impulsiona a seguir cada vez mais adiante, mas bastante maduros e responsáveis somos para reconhecer nossas próprias fragilidades e limitações e entregar os méritos para Aquele que nos chamou, vocacionou, preparou e levantou nesta e para esta tão grande e importante obra – a pregação da Palavra de Deus.


A vida é extrema e absolutamente dinâmica, e seja por esta causa que a cada tempo retornamos à necessidade de efetuar reciclagem e revisão de tudo quanto havemos aprendido e experimentado ao longo dos anos, a fim de que diante das constantes e novas necessidades do presente nos renovemos e sejamos mais eficientes e eficazes no que Deus nos confiou a realizar na Terra. Algumas coisas realmente devem ser deixadas para trás, sou plena e conscientemente concorde a isto, entretanto outras precisamente devem ser conservadas, mantidas e veneradas, sob pena de perdermos os nossos marcos-norte e singrarmos em rumos absolutamente divergentes daqueles a nós propostos e claramente indicados pelo Senhor Deus. Por negligenciar esta linha de ação, multidões entram em processo contínuo de descaracterização até perderem seus pontos cardeais e suas identidades, passando a conceberem aceitações contrariamente ao que deveriam sobriamente reprovar e rejeitar.


Uma das ações degenerativas provocadas pela prática do pecado é o enfraquecimento de bases espirituais e comportamentais e a conseqüente perda de sensibilidade e o menosprezo ao significado e importância da pregação e do ensinamento genuínos e imparciais da Palavra de Deus. Para algumas pessoas que se titulam como “pregadores”, o sério perigo ronda os seus passos e espiam suas práticas em cada lugar que pisem as plantas de seus pés na pregação ou fora dela. O ato de copiar as práticas de alguém, seja este quem for e seja famoso ou não e evidente ou pouco expressivo, cujas ações conflitem com os princípios bíblicos e estas não condigam com aquelas próprias e naturais do ministério da pregação, pode a qualquer momento serem colocadas no páreo e na igualdade com a picaretagem – uma palavra um tanto dura e desconfortante -. Para tanto, o tempo se encarrega de paulatinamente seguir promovendo as claras revelações além das dos atos pregressos, também das dos ocorrentes, próprios do picareta e suas picaretagens. Digo picaretas e suas picaretagens porque em nada têm em comum com a natureza e essência de pregadores e de pregações, ainda que se utilizem de algumas tribunas e púlpitos para sustentarem seus espíritos de aventuras e de ganâncias das mais diversas e enrustidas.


Ao passo que os fatos revelam e comprovam a necessidade de repetidas vezes voltar didaticamente ao passado para a partir do que fora nele semeado e colhido, valer precipuamente salientar as razões como fatores que trouxeram êxito e eficácia na prédica. Na verdade os tempos de fato mudam e com eles as pessoas e a visão de mundo ganham amplitude também, haja vista que a vida é uma sucessão de causas e conseqüências – dentre outros, este é um princípio dos quais nenhum de nós poderia se isentar.


Enquanto uma multidão de pregadores e ensinadores foca e contenta-se apenas com o momento do púlpito como o fim único de seu trabalho, as multidões apresentam seus clamores de fome e sede de profundas e reais mudanças e de vida espiritual pela Palavra de Deus. E suas carências e debilidades espirituais se arrastam e comprometem as suas estruturas de fé por também não serem potencialmente tratadas pelo conteúdo das mensagens e por vezes pela negligência ou inexperiências da pessoa do pregador. Seja por isto que para uma multidão de “pregadores” seja mais prático e fácil manipular as emoções momentâneas de públicos para eles como única e principal linha mecanicista e automática de trabalho oratório para obter os aplausos e aprovações momentâneas, porquanto desta forma lhes sejam mais promissor o manterem-se conformados e divorciados de uma vida sacrificial e exaustiva como o é a própria do ministério da Palavra como pregador ou ensinador cristão.


A experiência e a vivência dão as mãos a produzirem valores extremamente apreciáveis, bem como habilidades e capacidades valiosíssimas na vida de um pregador ou ensinador cristão que servem de marcas para gerações inteiras. Nada mais eficazes do que o tempo e a prática palmilhados diuturnamente por uma vida de entrega e dedicação realmente efetivas para ofertarem as devidas e esperadas preparação e prontidão de um pregador e fazê-lo pronto e adestrado para o lindo, sublime e honrado trabalho no ministério da Palavra. Enquanto encontramos gerações de pregadores que no passado foram, e no presente uma boa e expressiva parte consegue paciente e perseverantemente sê-lo, preparadas e levantadas no calor íntimo da “sarça ardente” e por conseguinte suas vidas e mensagens expressarem os claros e patentes compromisso e inteireza com o Céu, por outro lado deparamos com a trágica tentação do automatismo e do mecanicismo seduzindo e abraçando uma multidão de “pregadores” que falsa e equivocadamente pensam que tudo se resume no púlpito no qual muitos o fazem lamentavelmente interino e descartável. Na verdade quando falo de tempo e de prática, desejo implicitamente lembrar que estes dois fatores por si somente não são os únicos a trazerem os pregadores ao fim almejado na prédica. Há de se terem aliados a estes as ferramentas necessárias e as oportunidades confiadas, a constância e predisposição para embasar primeiramente uma vida cristã sólida, constante, frutífera e edificadora em conteúdo e em vivência, como também de forma alguma poderia esquecer o que meus bons mestres no passado me foram generosos e persistentes em muitas vezes repetirem os conselhos práticos mesclados aos fundamentos e ao esforço perseverante de didaticamente fazerem seus alunos visualizarem cada vez mais progressivamente do que antes até que lograssem o êxito e atingissem os objetivos propostos ao efetivo aprendizado e ao seu aperfeiçoamento resultante. As gerações de nossos patriarcas estão passando e nelas ao mesmo tempo que nos cativam, nos alertam e também nos ensinam e nos oferecem rastros e trilhas maduras, firmes e inesquecíveis, capazes de nos fazerem caminhar mais próximos e agarrados ao Senhor que nos adestra para a peleja, nos aperfeiçoa para a guerra e nos leva a realizar uma semeadura equilibrada e eficaz.


A pregação não é uma arte simplória de elocução, como uma multidão de “pregadores” forçosamente tentam fazê-la. A eficácia e o poder da pregação não consistem em arranjos e técnicas, nem em apresentações de talentos na oratória ou na expressão oral devida à uma capacidade de elocução desinibida, às vezes inata e às vezes metodicamente aprendida e condicionada. O terreno onde se inicia a eficácia da pregação poderosa é a própria vida do pregador.


Uma pessoa artística pode ser altamente conhecida pelos seus muitos descomprometimentos na sua vida moral particular e no entanto ao assumir os palcos artísticos serem arrasadoramente aplaudidas pela sua arte de desempenho de um papel completamente antagônico aos seus princípios e estilo de vida moralmente inescrupulosos e descomprometidos. Sua prática de vida diária pode não coadunar em coisa alguma diretamente com o que representa em público.


Porém quando se trata de pregador e pregação, terrenos como esses acima jamais devem ser palmilhados por quaisquer que sejam as ofertas, intenções e vantagens aparentes ou não, pois tal maneira de viver e lidar com as coisas sacrossantas fatalmente impedem e detratam o impacto de um ministério de pregação eficaz.


Tive a honra, a oportunidade singular e realmente posso afirmar ter sido um privilégio de nos meus primeiros passos na vida de preparo, ter ouvido de um ilustre mestre a leitura de uma frase que naquela ocasião escrevera no quadro de giz – “A vida de um pregador é a vida de sua pregação” -. Esta proposição é sem dúvida particularmente verdadeira na vida diária de qualquer um que acessa as tribunas e púlpitos como pregador e não “pregador”.


Cada vez mais que o pregador avança o espaço em sua frente, em conseqüência vai indubitavelmente sendo mais conhecido pelas gentes individualmente e pelos ouvintes publicamente. Isto ao passar do tempo pode diminuir ou aumentar a sua influência conforme a qualidade de suas práticas na sua vida diária conhecida. Por isso, alguns “pregadores” são apenas “pregadores” andando soltos como nômades pelas igrejas afora para assim evitarem e “embarreirarem” todo aquele que lhes pretenda conhecer sua vida no que for útil, cabido e necessário como homem público. Esses “pregadores” devem ter o conhecimento de que quando acessamos os lugares expressivos e abertos aos públicos como tribunas e púlpitos para nos dirigirmos rotineiramente a influência da pregação, nos tornamos com esta prática pessoas públicas e, portanto, fatalmente seremos em algum momento e lugar conhecidos mais pormenorizadamente. Se alguém não quer ter pormenores particulares conhecidos, logo, não deve se colocar a acessar a vida pública. Até porque a vida cristã é feita e demonstrada pela prática do exemplo – aqui entra a responsabilidade pessoal requerida pela Palavra de Deus, o falar e a prática da fala -.


Há aqui uma estreita conexão entre o tipo de pessoa que prega ou ensina, com o seu procedimento, e a pregação que este anuncia com o seu comprometimento. Os dois ingredientes da pregação estão na sua natureza – poder do Espírito Santo e plena convicção no coração aliada a uma vida de preparo. Jamais haverá pregador eficaz e pregação eficiente e poderosa se faltar um desses elementos fundamentais na prédica, pois a ausência de um deles compromete todo o trabalho de pregação e revela a negligência ou a inaptidão para compreender a sua importância e mostra o descaso, o menosprezo e a farsa impostora como as péssimas marcas de vida.


Não preciso frisar detalhadamente que esses ingredientes estão direta e intimamente relacionados com a fé mantida numa boa consciência sem a qual a pregação se manteria como uma mera arte de elocução artística tomando espaço e tempo nas tribunas e púlpitos. Nenhum santuário e alma alguma carecem de arte de elocução como marca da operação do Espírito de Deus na pregação. Enquanto em uns predomina exclusivamente a “febre ardente” pela homilética e nesta fincam-se a se fazerem doutos afiados e afinados de tal forma que congelam seus estilos de vida pessoal em linhas únicas mecanizadas de procedimentos querendo fazer com que sua pregação seja apenas apreciada e aplaudida em virtude de seus arranjos e arrojos e improvisos técnicos, não se importando com a sua parte homem como elemento integrante da prédica. Estes querem forçosamente desligar sua pregação de sua vida pessoal, e isto vai sendo revelado aos públicos com tal claridade que chega a um ponto de decisão e de confrontamento, levando-o a um momento crítico e a uma séria tomada de posição na sua vida espiritual, moral, ministerial, familiar e eclesiástica. Esses percebem que sua vida e pregação estão sempre vazias em alguma coisa e em alguma área e que se continuarem no mesmo ritmo vão naufragar nas águas do inconformismo frustrante como tantos outros soçobram. Na pregação é preciso muito mais do que conhecimentos e domínios de técnicas – é necessário todo o conjunto de vida do pregador e de sua pregação.


Em outros enraízam a ansiedade acirrada pela busca faminta de promoção de fama, de dinheiro e propagação de “prestação de serviço às igrejas e aos ministérios” de tal maneira que se extraviam e perdem o principal foco e propósito do ministério da pregação, tornando-se apenas “nomes artísticos da prédica gospel” desprovidos de originalidade e sobretudo de autoridade próprias do pregador do Evangelho da graça de Deus. Estes no princípio fazem de um tudo para não despertarem-se do sonho iludido de supostos pregadores, todavia quando pelas conjunturas da caminhada são despertados dele contra as suas próprias vontades e caprichos pessoais, percebem assustadoramente de olhos abertos o abismo resultante criado por eles mesmos entre suas realidades pessoais e a realidade do Reino de Deus. Lamentavelmente nestes meus consideráveis anos já vi o triste estado final de homens que infelizmente se enveredaram por este caminho até serem vistos e tornados em peças robóticas e folclóricas esquecidas e ultrapassadas em razão de suas próprias semeaduras.


O pregador cristão deve tratar e cuidar bem primeiramente da sua qualidade de vida cotidiana para, então, em segundo lugar fazê-lo da mesma forma com a sua pregação. O motivo principal do pregador não se direciona a ele mesmo, nem à sua pregação em si, mas às questões urgentes da salvação dos perdidos e da edificação dos salvos, e isto não é feito com palavras apenas, mas sim com a constante visão de Reino de Deus sob a aprovação de Deus sobre o seu trabalho e sua maneira de vida pessoal conjuntamente. O temor a Deus nos conduz a motivos puros e aprovados diante do Senhor e dos homens, e que O glorificam. E é exatamente este em que temos que nos resguardar ante às imensidade e diversidade da seara.


Uma das marcas mais fantasticamente impressionadora de um picareta fanfarrão é a facilidade que este possui em emitir suas muitas palavras com a capacidade de transformar a suja e feia roupagem de suas mentiras escondidas em uma limpa e bonita capa de verdades aberta – uma mágica mescla ilusória -. Um renomado e experiente pregador e mestre do passado, do qual tive a oportunidade de ouvi-lo citar certa vez, disse a frase “não se pode ser um fanfarrão e um pregador, pois a transformação de um fanfarrão para um pregador é uma dolorosa e extremamente difícil metamorfose”.


A auto-disciplina e a autêntica seriedade para com o ministério da pregação não são valores instantâneos em esforços automáticos adquiridos de um dia para a noite – isto leva anos produzindo frutos de maturidade. Estes valores são demorados a ganharem firmeza e têm sido negligenciados por uma multidão de pregadores, principalmente os que surgem afoitos e acesos no raiar da alva e por lhes faltarem a vivência e a experiência basilares, logo recolhem apagados e reclusos no escurecer da noite. O ímpeto precipitado e a infantilidade improdutiva os impulsionam afoitamente atraídos pelo desejo puramente humano de estarem discursando na frente de uma multidão de pessoas como sendo isto o seu fim único de satisfação do ego, levando-lhes a falarem coisas impensadas, mal-concebidas e irresponsáveis sobre si sem ter a justa e clara visão auto-crítica sobre si mesmos e sobre o que realmente são e precisam para sê-lo como pregadores de fato.


E desprezando os requisitos exigidos para uma efetiva caminhada de pregação, cerram seus olhos e tampam seus ouvidos aos conselhos e exemplos extremamente úteis dos pregadores experientes e dos veteranos muito mais experientes, e lançam-se prematuramente no campo de peleja sem perceberem com mais consciência e discernimento que estão na verdade no meio de uma batalha espiritual real e verdadeira e que nesta eles são alvos claros e bem definidos do adversário, e que por esta razão devem cada vez, como todos os pregadores eficazes, adestrarem-se e permitirem ser discipulados e disciplinados e adestrados para a ferrenha e continuada guerra.


Como eu dissera antes em um dos meus artigos publicado no apreciado e respeitado jornal evangélico de maior circulação – O Mensageiro da Paz, da nossa querida e amada Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), edição de outubro do ano passado intitulado “Pregadores ou meros faladores da Palavra” – que nenhum pregador está pronto e devidamente preparado para o ministério da pregação com menos de quinze anos no adestramento e dedicação constantes. É preciso ter mais do que apenas tempo, idade e estudos -. E como disse mais recentemente um dentre os que foram meus honrados e venerandos mestres, pregador e ensinador experiente e veterano do qual tive o privilégio de apreender e reter boas e importantes lições reflexivas na antiga AD de São Cristovão-RJ, o querido e amado Pastor Geziel Gomes, um grande exemplo incentivador e encorajador para aquela geração de jovens alunos dos princípios dos anos 80 na qual Deus foi absolutamente gracioso para comigo em me permitir ser dela participante – disse ele “Deus precisa de pelo menos vinte anos para nos tornar adestrados para a batalha. É preciso paciência e perseverança de nossa parte para que Deus nos faça adestrados para a batalha”. (lembro-me fervorosamente desta ilustre citação feita no 25º Aniversário dos GMUH, Camboriú-SC).


São anos de perseverante dedicação, renúncias pessoais e livre entrega às experiências de vida, à chamada e vocação, sacrificando muitas vezes outros momentos e ocupações para com a família, parentes e amigos. É relativamente fácil para uma pessoa imprudente e desordenada abandonar a vida de comunhão de suas igrejas sob as muitas desculpas pessoais particulares e sair pelas igrejas dizendo-se ser um pregador.


Um outro bom e honrado mestre ensinador, um abnegado e sincero servo de Deus, professor de seminário teológico na antiga AD de São Cristovão-RJ, hoje promovido à glória, o saudoso Pastor Milton Barros, na sua simplicidade e simpatia frisava enfaticamente aos mais jovens que “não precisamos sair pelo mundo afora dizendo e levantando propagandas que somos pregadores, porque pregador que é pregador leva a marca de ganhar almas e evangelizar dentro do seu coração pacientemente e aproveitando as oportunidades que tiver”.


É possível que o neo-converso e os ainda “meninos” afirmem de forma contraproducente que não se precisa de tantos anos, mas a realidade histórica dos fatos sempre revelou que quando estes bem não deixam surgir o primeiro “espinho” dolorido e incômodo decorrente da caminhada e das aflições da vida cristã, saem pelas igrejas movidos pelo afã de propagarem ser “pregadores”. Em parte esses neófitos encontram o falso abrigo em meios também neófitos, meios caídos da graça e fragilizados, meios levados pela desordem e instabilidade pelos ventos estranhos e meios pouco ou quase nada comprometidos com a seriedade e solidez do ensinamento bíblico e dos cuidados eclesiásticos trabalhosos diretos para com aqueles que pertencem efetivamente aos seus círculos. Deve-se pregar a Palavra de Deus a tempo e fora de tempo, e importa que ela seja pregada por quaisquer pessoas e meios, entretanto jamais devemos fechar nossos olhos para o resultado final de quem e do meio pelos quais a Palavra é pregada. 


Falar destas coisas a imaturos e neófitos imprudentes e precipitados, afoitos e inconseqüentes seria uma possível e lastimável perda de tempo e naturalmente nenhum fruto apreciável poderia esperar deles, mas bem que poderiam aproveitá-las agradecidamente para com a glória de Deus. Todavia transmiti-las a sábios e perseverantes, aprendizes e cuidadosos me conforta inestimavelmente por visualizar os frutos que possam advir, haja vista que devemos “ensinar ao sábio e este se fará mais sábio ainda”. E é neste espírito que este provérbio escriturístico se faz uma divisa de todo pregador ou ensinador cristão.


Tenho ouvido de vários ouvintes e em vários lugares que sujeitos estão subindo às tribunas e acessando os púlpitos, e sendo a eles permitido apresentarem-se como pregadores cristãos, quando na verdade os públicos param para ouvi-los, vêem diante de si pessoas absolutamente carentes de preparação e testemunho pessoal que nosso tempo requer e exige, pessoas desconhecedoras do próprio texto sagrado com o qual lida para que norteie a suas prédicas, completamente alheias e à beira da ignorância dos princípios bíblicos e dos rudimentos eclesiásticos, demonstrando profundas deficiências no exercício do ministério da pregação, produzindo péssimas marcas nesta e para as futuras gerações. “Pregadores” pautados “no embrulha e manda”, preparando “enlatados instantâneos mal-temperados” para entregarem aos rebanhos do Senhor em resultado de uma vida imprudente e improdutiva. “Pregadores” que estão levantando-se a cada dia com sermões frutos de interpretações fantasiosas e alegóricas particulares e sem mensagem de Deus e limitados apenas à passagem bíblica lida, deixando o público a entender que se sair do que está tentando “apresentar” é derrocada certa e fatal no abismo da ignorância e do descaso. Muitas vezes temos na verdade visto os públicos serem levados forçosamente a engolirem “extratos de palhas secas esquematicamente bem divididas e com cobertura atraente de princípios bíblicos fatiadamente enxertados” e quando muito postos em “pratos enfeitados pela relativa facilidade artística de expressão oral e de “presença de palco”.


Dou graças ao Eterno Deus pelos mestres pregadores experientes e veteranos que entregaram e dispuseram os anos de suas preciosas vidas com visão de Reino de Deus para honestamente ensinarem a outros a darem continuação aos seus trabalhos. Por um lado sentimos imensamente a falta do companheirismo e da conversa salutar e edificante de alguns já recolhidos a estarem juntos com o Senhor, e por outro sinto-me alegre e profundamente grato a Deus pelos outros que na força do Senhor estão ousada e corajosamente militando em nosso tempo sob o poder e a graça inspiradores do Espírito Santo, e destes não podemos de forma alguma esquecê-los nem muito menos menosprezá-los sob pena de desprezando isto vir a termos gerações futuras de apenas faladores artistas e folclóricos, e não de pregadores. Gerações perdidas sem marco e sem rumo orientadores navegando nos mares revoltos que cada vez mais já se despontam em suas altas vagas espumantes e tenebrosas do relativismo, do culturalismo, da superficialidade e da artificialidade coroadas pela hipocrisia da aparência que a cada dia buscam tragar aqueles que por viverem divorciados do companheirismo com Deus firmam-se em “muletas e bengalas” do conformismo frio aquecido apenas eventualmente pelo calor do emocionalismo festeiro que alegra as circunstancialidades.


Daqueles honrados e eficientes marcos antigos porém tão novos quanto são nossos renovos, poderia nominalmente citar os muitos nomes, alguns com os quais tive o privilégio impar e gracioso de Deus em tê-los de perto ora em salas de aula, ora auxiliando os seus trabalhos em campanhas e cruzadas evangelísticas na cidade do Rio de Janeiro, porquanto fazem jus à elevada estima em distingui-los mencionadamente por suas histórias de dedicação à pregação e ao ensino cristãos em nossa pátria, entretanto vejo em melhor via o permitir que os caros leitores e companheiros os tragam às suas lembranças com mais elogiosa liberdade e pronto exercício de boa memória.


Uma das coisas mais importantes a considerar é o servir ao Senhor em nosso tempo, haja vista que o nosso Deus prepara e levanta homens para O servirem em seus tempos. E neste tempo em que estamos servindo ao Senhor militando na pregação e no ensino da Palavra de Deus, surge uma urgência premente de reciclagem e revisão de conceitos na pregação e no ensino cristão aos novos pregadores que são levantados por Deus para efetiva e ativamente trabalharem na Sua seara.


Nesta primeira parte que ora inicio uma sequência de artigos, não estou de forma alguma me referindo às abordagens da pregação – se seja contemporânea ou extemporânea, se seja com anotações ou sem notas, se seja acompanhada pelos recursos da ilustração visual ou pelas diversas metodologias enriquecedoras da exposição oral. Vejo que um dos fatores que mais necessitam uma multidão de pregadores atualmente não se trata de abordagens nem de metodologias. A urgência premente de nosso tempo não está concentrada na pregação nos seus tipos e métodos – está focalizada primeiramente na pessoa do pregador, no homem e não nos métodos, porquanto as conjunturas deste nosso tempo parecem estar levando, arrastando e influenciando uma multidão de pregadores a se tornarem extrema e patentemente mecânica e automática. Para muitos a jornada de compromissos agendados assume um volume quase não gerenciado a ponto de tornar muitos, e não poucos, pregadores assistencialmente mecânicos e propositadamente automáticos, levando-os à superficialidade em sua vida e pessoa de pregador e para com a sua obra e trabalho de pregação.


Portanto, não basta que uma pessoa que se ache chamada e vocacionada para a pregação queira na sua visão unilateral apenas aplicar os princípios do discurso público na pregação religiosa e “achar” que toda a atividade de pregação encontra seu sucesso nessa ação. É patente que a pregação envolve comunicação, mas também é claro que é comprometida com a verdade, tendo esta em sua natureza, característica e essência no seu cerne. É esta verdade que através da comunicação e da vida do pregador vai ao encontro das necessidades de todos aqueles que a ouvirem. Não é a “estrela artística” que entra em cena, e sim, porém, o homem de Deus pregador da sublime graça de Deus.


Vale por este momento me posicionar apologeticamente, não e jamais como protesto porque reconheço estar muito ocupado realizando uma grande obra inigualavelmente significativa e não poderia deixá-la de lado para descer e ocupar-me em lançar protesto – acredito piamente que não fui chamado e vocacionado para isto – deixemos, pois, protestos para quem se detém a essa arte de criar e levantar protestos. Todavia o aconselhamento bíblico nos recomenda e impele a lembrar que devemos ensinar o sábio e este se tornará mais sábio ainda, e não um alvo de vergonha e desprezo, tornando-se “insípido e pronto para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Num posicionamento ético, é preciso que nós pregadores zelemos pelo ministério da pregação e influenciemos a outros a se fazerem respeitados se desejam e esperam ser percebidos e recebidos verdadeiramente na condição de pregadores, e não na de desconhecidos “pacotes embrulhados sob encomenda via telefone ou internet” com um plágio frio em fase de congelamento copiado – um picareta prontamente ensaiado e preparado para apresentar picaretagem.


Nesta primeira parte, ative-me em comentar especialmente sobre a pessoa e vida do pregador. Agora, feito isto, quando alguém surgir dizendo-se ser um “pregador”, para evitar sofrer engano, lembre-se generosamente deste artigo, inicialmente nesta primeira parte, e busque identificá-lo se trata-se de pregação ou picaretagem.
Na segunda parte deste comentário, estarei lhes tratando especial e especificamente sobre a mensagem da pregação. Até lá e permitindo Deus aqui estamos rogando a Sua imensa graça, o Seu terno amor e a doce comunhão do Seu Espírito para realizarmos esta tão grande obra confiada a nós neste tempo.
PbGS