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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

FÉ EMPRESTADA É UM DESASTRE

JOÁS SERVIU BEM, MAS ENQUANTO...
Fé emprestada tem prazo de validade.

O Senhor Deus quer que sejamos melhores a cada dia, e precisamos saber que esta verdade é uma realidade cotidiana. E por esta causa, no Livro de Deus estão registradas vidas para nos ensinar caminhos e inculcar princípios que nos orientam a buscar sermos melhores no nosso viver. A vida do rei Joás é uma que tem muito a esclarecer pontos e fatos que ocorrem no cotidiano de inúmeras pessoas que apóiam suas atitudes, ações e fé em pessoas ou coisas passageiras. Joás, filho do rei Acazias, tem uma história que elucida outras de tantas e tantas gentes ao longo dos anos.

O rei Joás teve seus primeiros anos de vida agraciados com privilégios e oportunidades ímpares e ricamente abençoados pelo Eterno Deus, desde sua infância até alguns anos de seu tempo no reino de Judá. Oriundo de uma família real e descendente de uma linhagem historicamente respeitada, o menino Joás nasceu num ambiente palaciano refinado e pomposo, entretanto alinhavado e pespontado pela impiedade, pelos desmandos, pelo destemor e pela maldade em vários sentidos.

A providência divina poupou o menino Joás de ver seu lar ser decomposto e destroçado entre família. Sua vida nos seus primeiros anos foi providencialmente poupada e preservada do extermínio familiar total e completo. O conceito de família na família do menino Joás foi literalmente rasgado pela sua avó Atalia, cujo coração abrigou a impiedade, a crueldade e a maldade, ocultas. E felizmente foi tirado do corredor do extermínio familiar e conduzido por um bondoso coração a seguir sua vida infantil tendo formação e intimidade com as coisas de Deus, na casa de Deus.

O menino Joás teve ainda o rico privilégio de ser doutrinado e mentoreado por um firme e equilibrado conselheiro de Deus, o respeitado sacerdote Joiada. O que poucos conseguem, o menino Joás teve. Foi preparado honestamente e apresentado honrosamente ao seu povo como o novo rei aos tenros sete anos de idade. Começou o caminho de uma vida promissora. Teve a sua campanha feita pelo sacerdote Joiada, que também o colocou agora como rei diante de Deus e do seu povo e promoveu a sua aliança direta com o seu povo, recebendo daí um aprovo reconhecido e aceito por unanimidade.

Os anos se passaram, e Joás como rei fez os seus primeiros anos de reinado valerem muito, mostrando coisas e feitos bons ao povo, satisfazendo o coração e a presença de Joiada. Uma coisa é demonstrarmos deliberalidade por convicões próprias, construídas sobre os lastros da legitimidade de vivência com Deus, e outra é fazermos as coisas valerem somente enquanto há a presença de alguém que respeitamos a nos acompanhar. O homem é como árvore frutífera, cada um dá os seus próprios frutos.

Enquanto o sacerdote Joiada viveu, o rei Joás foi um sucesso de gente e um espetáculo de rei. Joás foi bem e foi bom, mas até Joiada passar. Tão logo aos cento e trinta anos Joiada morreu farto de dias e tendo recebido honras reais, o rei Joás começou a descarrilar dos trilhos e virar as costas para o Senhor seu Deus e se envolver em ambiências e concordâncias de pensamentos e práticas da multidão descrente e desgovernada. Entre prioridades, a nenhuma se deve colocar Deus em comparação. Porquanto, o Senhor Deus está acima de toda e qualquer prioridade.

E os dias que se seguiram depois da morte de Joiada mostraram de fato que o Joás de então já não era bem aquele Joás que tudo de bom fez enquanto o seu conselheiro e mentor, o sacerdote Joiada, viveu. À medida que os dias de honras e respeito aferidos ao respeitado sacerdote Joiada foram ficando para trás, o rei Joás mostrava mais claramente que existia um outro Joás oculto e escondido e adormecido dentro daquele Joás que um dia foi bom e foi bem. Não agrademos a pessoas por causa de outras, mas sim por causa de nossas convicções em servirmos a Deus.

Este é o grande perigo que ronda não poucas pessoas que se apóiam em terceiros e alimentam e nutrem uma fé suposta e emprestada de terceiros. Este é um terrível mal quando se descobre que seu ponto de apoio não existe mais. Não é apenas uma questão comportamental, mas sim uma questão moral. Joás foi bem e bom, mas somente e até enquanto estava ao alcance dos olhos de seu mentor e conselheiro Joiada. Joás foi bom e fez bem somente por questões de obrigatoriedade de compromisso terreno e temporário, como um compromisso de prestação de contas para satisfazer a pessoas e destas buscar aprovação para si.

Depois da morte de seu conselheiro Joiada, tudo em Joás parece ter começado a iniciar também um processo de passagem. Joás se perdeu e envolveu-se com a multidão de incrédulos até acomodar-se com as circunstâncias e assim abandonar a Deus e levar o seu povo a se afundar em erros. E apesar de ser por várias vezes advertido, o rei Joás não deu ouvidos nem mesmo ao profeta filho de seu conselheiro, indo mais além num ato de impiedade que mais tarde veio a lhe custar a própria vida, a saber: consentiu intencionalmente e mandou expressamente matar o profeta levantado por Deus que lhe veio alertar para mudar de caminhos porque o juízo de Deus sobre si e seu reino já estava por vias iminentes a acontecer.

O mesmo desfecho final da vida do rei Joás tem sido o de não poucas pessoas que arrastam suas vidas cumprindo papéis por conveniências momentâneas, por apenas um compromisso pessoal com fatores da transitoriedade temporal, em busca de aprovações. Apesar de ter sido rei e da linhagem do memorável rei Davi, terminou os seus dias e foi sepultado na desonra erigida por si mesmo. As palavras finais do profeta que foi impiedosamente desconhecido, desmerecido e desrespeitado vieram por fim serem visitadas pelo Senhor Deus que as tomou em conta.

Em tudo da vida do rei Joás, que Deus quer que saibamos para nos fazer ser melhores, estar livres e agindo com convicções de crenças bem assentadas? Que não apoiemos nossa fé em terceiros. Que não tomemos a fé emprestada de pessoa alguma ou referencial algum. Referenciais são importantes e usados para nos ensinar moldes e nos edificar, contudo são apenas temporais, falíveis e transitórios. Que não mantenhamos nossos compromissos com Deus alimentados apenas no compromisso objetivado a satisfazer pessoas, ou nomes ou rótulos. Nossos compromissos com Deus e em servir as pessoas independem de prazos de validade por respeito ou satisfação de quem quer que seja ao nosso redor.

Nunca tome fé e convicções emprestadas de terceiros. Vida de camaleão tem prazo de validade. Nunca embase suas atitudes nos corredores de captação de aprovações humanas para satisfazer a ambiências. Valorize em primeiro plano a sua vida diante do Senhor Deus e jamais se deixe ser influenciável pelos caminhos de multidões de errantes, ainda que esses caminhos estejam em pauta nos aplausos, na moda, na média e nas mentalidades medianas. Apóie a sua fé, as suas convicções e demonstre atitudes construídas na Palavra de Deus.
EvGS




sábado, 10 de agosto de 2013

DISTRAIR OU EDIFICAR?

DISTRAIR OU EDIFICAR?
Qual destes está governando a sua obra?  
Edificação é um verbete cujo sentido parece haver saído do foco de boa parte dos filhos da casa do Pai. Edificação anda de significado menosprezado por boa parte de gente em não poucos arraiais dos filhos da casa de Deus. Essa realidade tem sido tão percebida quanto vivenciada está.  Notoriamente, boa parte dos filhos do Reino anda um tanto fria e apática do foco da edificação espiritual. 

Uma das palavras mais preciosas do Cristianismo é EDIFICAÇÃO. Edificação possui o sentido básico da ação de edificar, de construir. E na Bíblia Sagrada esse verbete e seus correlatos aparecem cerca de 370 vezes ao todo no hebraico bíblico do Antigo Testamento, e em mais de 70 vezes ao todo no original grego do Novo Testamento.

No âmbito veterotestamentário possui seu sentido literal, ainda que por vezes aponte figuradamente para coisas do futuro. E no neotestamentário sua aplicação tem o maior significado na linguagem metafórica aplicada à pessoa do cristão diretamente.

Biblicamente, edificar significa muito mais do que construir, levantar, erguer. Em relação ao ser humano, edificar significa construir o interior de uma pessoa baseado em coisas sólidas, trabalhando nela com o propósito de que se torne cada vez mais desenvolvida saudavelmente nos valores gerais.

É contribuir para o aprimoramento dos princípios e valores gerais de uma pessoa. É promover seguramente o aumento na sabedoria, no afeto, na graça, na virtude, na santidade, no ânimo e no desenvolvimento espiritual do cristão. Notemos, portanto, que edificar envolve um peso de tamanha responsabilidade sentido no presente, mas percebidos seus resultados somente no futuro.

A meta em busca da estatura dos filhos de Deus é trabalhada cotidianamente através das coisas conduzidas de tal maneira que promovam edificação. Um dos propósitos para o fortalecimento das convicções cristãs e das capacidades de exercer os ministérios cristãos e de vencer os combates da vida cristã é o da edificação.

Quando não se visa realmente edificar, ou não se sabe se o que realiza está edificando, os resultados conseqüentes serão vidas açoitadas, desequilibradas e desestabilizadas nos ventos da inconstância, da insegurança e das insatisfações. Vidas mergulhadas no mar da artificialidade. Por vezes banhando-se nas praias da superficialidade confortável e resumida dentro de seus círculos. Outras soçobradas na inconsistência, apoiando-se em fatores contingenciais volúveis, momentâneos, voláteis e movíveis. Na verdade, quando não se edifica, se destrói ou coopera para desastres e desmantelos espirituais.

Parece estar sendo levantada mais gente embalada em busca de euforias transitórias na procura de viver e aproveitar momentos e satisfações do que sendo realmente conduzida na direção da edificação. Edificar é área cujas estradas levam a quem nelas trafega para coisas consistentes, perenes, duráveis e relevantes. Edificar não são promoções que atendem e aludem a momentos. Edificar é trabalhar com esforços conscientes a fim de que vidas sejam preparadas, entendidas e/ou aperfeiçoadas nas coisas do Céu enquanto caminham na marcha aqui na Terra.

Por outro lado, deparamos com a distração. Distrair parece estar sendo uma palavra-chave hipervalorizada neste século. Forças e tendências aleatórias e alheias estão tentando distrair os servos do Senhor Jesus. Gerar e fustigar entretenimento no seio do povo de Deus tem sido uma das artimanhas do inferno, objetivando roubar-lhe ou desviá-lo do foco de sobre o que lhe está proposto ser e realizar na militância de sua missão.

E lamentamos que por ignorância, ou estranhos temores, ou discernimento deficiente, ou ainda outros fatores não confessados, tantos filhos do Reino têm deliberadamente cedido aos trâmites da distração. Não se surpreenda, mas até mesmo algumas gentes influentes e expressivas vêm sendo atraídas pelas temporadas e carrosséis da distração e tragadas pelas correntezas dela.

A distração é perita no emprego da ferramenta chamada substituição. Substituir, trocar, permutar, têm sido a sutil estratégia do inferno em ações lentas e ofensivas contra o trabalho de edificar. O inferno jamais cooperaria com algum mecanismo de progressão, de edificação, dos servos do Senhor Jesus. Historicamente, a distração jamais causou progresso e edificação nos filhos da casa do Pai. Muito pelo contrário, ela incita e seduz para a perda da identidade cristã.   

Distrair é um verbete que também está presente nas páginas sagradas do Livro de Deus. Entretanto sua ocorrência é rara e sua presença nem sempre é claramente percebida à primeira vista. E através de ações semelhantes, ou por analogia e citações metafóricas, é que identificamos a existência e presença da distração em alguns fatos bíblicos.

Distrair é uma palavra que tem sua origem no latim, e significa puxar em diferentes sentidos, rasgar, tornar desatento, fazer esquecer, chamar a atenção de alguém para outro ponto ou objeto, ficar alheio, descuidar-se, fazer descuidado, entreter, divertir, desviar a atenção.

Distrair o povo do santuário é uma fantasia inconseqüente e desastrosa, cujos resultados o mais que fazem é produzir pessoas biblicamente anorexas, espiritualmente debilitadas, céticas e descrentes a cultuarem um Deus a quem não se interessam de fato a conhece-lO, servi-lO e nEle se deleitarem a ponto de se fazerem profundas na adoração e na devoção a Deus.

A distração tem levado gentes em alguns arraiais cristãos a criarem e/ou louvarem o que não sabem dos significados e implicações do que estão compondo ou cantando. A distração tem visado, alimentado e afogueado nas ondas sonoras da harmonia de acordes apenas o calor das relações horizontais e lamentavelmente afastado corações das chamas e chamada renovadoras ao relacionamento vertical. 

A distração tem impelido corações que acessam os púlpitos à ilusória produção e entrega de mensagens rasas, superficiais, sem cheiro de autenticidade bíblica, desconexas dos sentidos reais e propósitos das perícopes dos textos sagrados, e sem perfume de esforço e sacrifício. Lamentavelmente a pregação em alguns arraiais tem sido vista apenas como ponto de interesses, de obrigatoriedade e de oportunidades de espetáculos fantasiosos divorciados do favor da mão do Eterno. Enfim uma estranha “unção” infrutífera e interesseira.

A distração tem afugentado almas de apreciarem testemunhos pessoais dos feitos de Deus em vidas. A distração tem forçado substituir a simplicidade dos testemunhos pessoais e em seu lugar apresentar contos espetaculares do império do materialismo. A terrível arte da distração tem nutrido e assentado o desinteresse e a incredulidade em corações dos santuários a respeito de testemunhos pessoais.

Testemunhos pessoais que evidenciam o agir de Deus em situações incomuns na vida de alguém edificam, entretanto sua simplicidade parece ter caído em desuso em alguns arraiais dos servos do Senhor Jesus. Em contrapartida, a hipocrisia e a superficialidade de lentes embaçadas aplaudem mais a presença do níquel de Mamom e dos títulos de cezares do que a intervenção divina poderosamente sobre as coisas e ações das ciências dos homens.

Diante de tudo isso, que se prefere para realizar? Distrair as almas ou edificar as vidas? Qual destas faz parte dos propósitos da vida cristã no Reino de Deus? Distrai-se os rebanhos ou continuam-se os esforços dedicados a de fato e em verdade edificá-los? Que mais vale, premeditar a provocação de inchaços nas almas ou trabalhar com esforço e dedicação mister a nutrir vidas espiritualmente como nos propõe o Mestre para os filhos do Reino? 

Não nos deixemos, pois, ser inchados pelas vanglórias da distração. Elas são como fogo em palha seca. Na mesma força que se levanta também na mesma intensidade velozmente cai e é abafada pelas próprias cinzas. Que nosso alvo seja sempre o de edificar, e para tanto devemos aplicar de forma espiritual e inteligente as ferramentas nos disponibilizadas pelo Senhor.
Que edificar seja o propósito que governe a obra que cada um de nós realiza no Reino de Deus.
PbGS



quinta-feira, 14 de março de 2013

PERIGOS DA INCONSTÂNCIA.


Perigos da inconstância.
Não sejais inconstantes...
No presente século as coisas estão sofrendo mudanças velozmente. E cada uma delas causando fortes influências, trazendo os seus créditos com propostas inovadoras, imprimindo encantos e oferecendo sua sedução. Estamos no século das grandes e velozes mudanças e inovações, mas também no tempo da terrível assolação da inconstância. A inconstância é um inimigo sutil que diariamente investe contra as vidas. Mormente contra a manutenção das virtudes cristãs.

A cada dia que se aproxima a segunda vinda do Senhor Jesus para buscar a Sua igreja, mais as forças do inferno trabalham velozmente com alguns mecanismos influenciadores da inconstância com o objetivo de atingir os corações, desafiando-os e levando-os aos campos da neutralidade apática e do conformismo ofensor.

Por vezes, a inconstância é encontrada como causa de desinteresses, incertezas e arrefecimentos, e por outras estes se fazem em causas dela. O tempo presente está exigindo mais de nós a que não sejamos inconstantes. O tempo presente está emitindo alertas, alguns claros e outros silenciosos, e a nós cabe sermos diligentes e perseverantes nas ações e no tempo do qual dispomos a avançar e empreender no Reino de Deus.  

Inconstância significa instabilidade, volubilidade, variabilidade. Toda pessoa inconstante é volúvel, instável, variável. É assaz e facilmente mudável e tendente a ser infiel. A inconstância desanima planos, destrói projetos, mina vontades, estagna ou trava cursos e arrefece propósitos.

A inconstância é um fator que revela a imaturidade de uma pessoa. A inconstância não se apresenta de um momento para o outro, assim como também não abraça de assalto todas as áreas da vida de uma pessoa. Ela se instala aos poucos num processo lento e conformativo. Ela pode se apoderar de uma pessoa numa determinada área de sua vida. Ou também aos poucos ir se alastrando e minando outras áreas.

A inconstância também é um fator que revela a ausência de firmeza de propósitos para obter ou continuar alguma coisa. Muitas vezes a inconstância só é afastada quando confrontada diante de um forte senso de necessidade ou da presença de um risco fatal. Quase sempre os prejuízos da inconstância somente são percebidos depois da consciência de perdas.

Além disso, a inconstância é um fator que revela a ausência ou o vacilo de convicções. Quando não se sabe ou não se tem domínio de certezas sobre o que se quer, deseja ou precisa, logo a inconstância aparece inicialmente em passos curtos até que assuma a marcha em passadas largas em direção à desistência.

A inconstância é um fator que também revela a falta de visão das prioridades. A inconstância possui a força de mover o senso e a visão de prioridades. Toda pessoa inconstante possui a tendência de atropelar as prioridades essenciais para a sua vida. Todo coração inconstante possui a visão borrada sobre o que pretende abarcar. Quer tudo e ao mesmo tempo alcança quase nada. Anseia em desejos de abarcar tudo e termina seus dias sem real e verdadeiramente apertar nada.

Pessoas inconstantes correm o sério risco de cair no pântano dos descontentamentos, dissabores e insatisfações. São candidatas em potencial a frustrações e decepções. Não aprenderam a discernir, por isso também não sabem compensar. Terminam por privarem suas almas de obterem as alegrias das recompensas.

Que fazer, pois, contra os perigos da inconstância?

Fuja da fugacidade, porquanto ela leva a começar as coisas já com pouca esperança nelas. Toda pessoa fugaz atira para tudo e em todas as direções, terminando por acertar nada. Fuja do despropósito, visto que ele é semelhante a um saco furado. Toda pessoa sem propósito investe em tudo e não lucra em nada. O fechamento de seu balancete sempre aponta para prejuízos e déficits.

Fuja do descomprometimento, posto que ele não oferece suporte seguro para a manutenção da fidelidade e da lealdade em todos os pontos durante a caminhada em direção ao objetivo. Toda pessoa descomprometida vagueia apenas pelos olhos. São incapazes de fixarem e manterem seus esforços fiéis e leais determinadamente numa causa que lhes exija compromisso por muito tempo. Possuem pouco senso de responsabilidade sobre si, e quase sempre apresentam visão tenra ou obscura em relação ao futuro.

Busque exercer o bom senso e manter a visão de justos critérios sobre tudo que deseja empreender. Exercite e mantenha a sua fé no Senhor diante dos desafios que pretende ou precisa vencê-los. Discipline os seus esforços para a consecução de suas realizações no Senhor. Assim, se pode começar a construir dentro das possibilidades e expectativas de se chegar à conclusão de algo significativo, consistente, satisfatório e contentador. E o milagre da parte de Deus certamente irá lhe surpreender coroando a sua força de vontade, a sua fé e a sua confiança no Senhor.
Não seja levado de um lado para outro.
PbGS




quarta-feira, 28 de março de 2012

RELIGIOSIDADE MODERNA.


RELIGIOSIDADE MODERNA
Perto da fé, distante das Escrituras Sagradas e divorciada do Céu.
Um dos fenômenos correntes e patentes em nossos dias é o grande número de pessoas sendo despertado para a busca da espiritualidade.

E nessa incessante corrida, muitos corações estão cada vez mais se mostrando interessados em conhecer a Deus e em se voltar para a fé. Diariamente cresce o número de pessoas que buscam estar perto da fé.

A multidão crescente de problemas humanos insolúveis avoluma o fardo, engrossa a opressão e pesa o cansaço sobre os corações. Impetuosa e surpreendentemente ela se alastra, sufoca, desafia e agoniza o mundo dos homens.

Apesar de todas as promessas oriundas das correntes sociológicas e científicas, como também das exponenciais explicações e argumentações viciosas dos profetas da secularidade, o elemento humano encontra-se e permanece cada vez mais vulnerável e impotente diante dos quadros das inversões e das impossibilidades.

Em meio a esse quadro amplamente testemunhado por todas as gentes, surge o despertar para a iniciativa de buscar conhecer a espiritualidade através das muitas formas e fórmulas oferecidas e promovidas pelos produtos da espetacular capacidade de concepção imaginária e da engenhosa intelectualidade humana.

As prateleiras sugestivas do sentimentalismo místico diuturnamente empreendem estratégias sensacionalistas para atrair e cativar os corações sinceros e predispostos a conhecer de fato e em verdade a Deus. Em contrapartida, o que mais e com certa medida de sucesso conseguem é sustentar ânimos debilitados e esperanças enfraquecidas, alimentar as portas da humanização, pressupor sensações espiritualistas e sugestionar vielas e atalhos ao hedonismo.

Em meio a essa busca crescente ao encontro da espiritualidade e de conhecer a Deus, os perigos surgem e rondam os corações. Dentre eles está um dos mais enganosos e traiçoeiros da pós-modernidade – a religiosidade moderna -.

Esse atalho sem saídas, com suas sugestões quase convincentes e de idéias brilhantemente fascinantes atende muito bem às satisfações do ego e se enquadra elegantemente no consolo da sua visão racionalizante.

A religiosidade moderna tem sido não uma saída, mas um atalho a expectativas imediatistas e nebulosamente obscuras, cujas intenções e resultados não possuem saídas e nem acessos para o conhecimento do Deus Vivo e Verdadeiro como diz a Bíblia Sagrada.

A religiosidade moderna possui muitas faces, e cada uma com sua maquiagem própria e voltada para atender a densas e pretensiosas linhas das ambições e vaidades humanas. Ora ela se esconde na mercantilização da salvação, ora ela se abriga na ignorância da racionalização cética, ora ela se enamora com a predisposição da fé e ora ela se enfeita nas ofertas fantasiosas para a obtenção de conforto ostentador e de sucesso nos negócios pessoais. 

A religiosidade moderna, apesar das suas alternâncias de lampejos de fé, ela tenta encontrar um cardápio espiritual que satisfaça as suas escolhas seletas, que aguce a sua visão unilateral e que atraia o seu paladar intelectual. Ela seleciona rótulos e escolhe dias para freqüentar cultos prediletos.

Ela sai de suas portas domésticas, acionada pelos alarmes da subsistência e pelos reclames da sobrevivência. Caminha nas calçadas preocupada com os preços oscilantes da gangorra dos baixos ganhos e elevados custos.

Por vezes, dá uma paradinha diante das vitrines e momentaneamente se ilude com a moda embalada com as faces dos famosos deste mundo, aprecia as facilidades do crédito e se encanta com o incremento avançado da tecnologia. Contudo, conclui a sua caminhada  estarrecida diante das notícias e espantada com a indiscriminada carestia.

No aconchegante assento eclesiástico de suas reuniões prediletas, a religiosidade moderna, cansada da selva de cores e variedades e exausta de suas andanças rotineiras, ela busca um refúgio em apenas assistir cânticos, ouvir louvores e apreciar adorações.

Para a religiosidade moderna, o foco de sua observação concentra o olhar fixo na habilidade e destreza do exímio musicista acompanhando as vozes impostadas e afinadas do louvador ao Deus Soberano.

A religiosidade moderna demonstra atenção às proposições da prédica, concorda com as lições contidas no arcabouço inspirado das  explicações, e delas ouve segredos e descobre passos para conhecer a Deus. Aprecia as poderosas argumentações e se identifica nas ilustrações. Alegra-se no clímax da ministração, mas encontra sérias dificuldades para assimilar o significado da real e verdadeira conversão frutífera ao Evangelho da graça de Deus.

Como um consumista imediatista, tudo que a religiosidade moderna quer é ouvir boas palavras e rápidos discursos, encontrar respostas mágicas e imediatas para amenizar as longas aflições diárias e prontamente abafar os “incêndios” de sua vida. Ela não conhece provações porque reprova a escola do Deus que prova os corações.

Mesmo batizada com o nome de religiosidade, ela desconhece os textos bíblicos, ignora as doutrinas cristãs e sua importância e essência sustentadoras da genuína fé não fingida. Em contrapartida, ela encontra facilidade para responder confortavelmente a preleções corsárias sob o bombardeio de persuasões alegóricas e manipuladoras.

A religiosidade moderna sente-se valorizada quando nos desafios a “investimentos” do seu suado níquel na eventualidade das temporadas e promoções de “promessas” com a compra de objetos milagreiros, de utensílios e apetrechos da superstição. Ela não conhece desafios divinos, posto que somente se encantou com apostas “santas”.    

A religiosidade moderna se contenta com ocasiões, visto que sua fé é semelhante ao consumo ocasional. Encontra facilidade ambiencial em se manifestar nas horas de abundâncias e alegrias, mas em se ressentir e se revoltar nos dias de escassez e ferrenhas lutas comuns da vida terrena.

A religiosidade moderna parece não demonstrar escrúpulos quanto aos conteúdos que ouve e nem ao emissor deles. Ela prefere ouvir distorções do Evangelho e aplaudir líderes despreparados e neófitos lhe falarem discursos rasos e superficiais, gritos fantasiosos e jargões ocos e artificiais. Afinal, a religiosidade moderna ama as fortes e “tremendas vibrações”, porém não tem intimidade com a unção do Espírito.

A religiosidade moderna se faz definitivamente amante de mensagens desconexas com os conteúdos e propósitos da Bíblia Sagrada. Ela não se interessa pela prontidão do espírito. Mas, para ela, o sabor das mensagens consiste em inferências a votos de barganhas com Deus e ao massageamento da fraca carne.

Dizendo-se senhora e consciente dos fatos históricos, a religiosidade moderna adora as mensagens de pseudo-promessas que mais tarde vão lhe conduzir a histórias de desilusões conseqüentes da frustração, da decepção. Fontes de ojerizas e repúdios por não haver atingido conquistas sem esforços, sem empenhos e sem lutas. Ela não conhece o que é regar porque nunca se interessou em aprender como semear.

A religiosidade moderna é desprovida de discernimento espiritual. Ela evita a realidade dos cravos, da coroa de espinhos e da cruz, porém não distingue a verdade do jubiloso comprometimento com a glória da renúncia e do sacrifício. Ela busca um Jesus fantástico, mágico, mirabolante e que seja um senhor serviçal que atenda a todos os desejos e ordens declarativas. Um Jesus que se molde à “torcida do a favor”.  

A religiosidade moderna não se sente bem com padrões tradicionais e detesta compromissos advindos dos requerimentos da fé. Ela se coloca como revolucionária e doutora em críticas. Ela vê autoridade segundo o seu crivo, mas a confunde com imposição quando olha segundo os mandamentos da fé.

A religiosidade moderna entra no santuário com o sentimento obrigatório de “marcar o ponto de presença” e após ter consumido e degustado os sabores dos cânticos de seu cardápio, ela não pode ser contrariada com uma mensagem que lhe chame e lhe traga ao terreno das responsabilidades individuais para com o Senhor Deus e nem para com a Sua Palavra.

A religiosidade moderna ama a mega mania e a ostentação. Ela possui o espírito de Saul e nutre a alma de edomita. Também vazia e divorciada do Céu, ela despreza o genuíno Evangelho do Senhor Jesus, e se encanta com o marketing pessoal do estrelato. Ela é fascinada e atraída por mídia, números, dígitos estatísticos e freqüências mantenedoras.

Para ela, todo artifício e negociata são válidos para encher o templo. Ela não está interessada em pregar Bíblia e nem em treinar vidas para a Salvação, mas falar sobre a Bíblia para formar e colorir um grande “time” rotulado de igreja.

A religiosidade moderna sofre de séria miopia. Ela denomina os pequenos rebanhos como  “portinhas” e “café-pequeno”, sem conhecer e compreender as capacidades e limitações dos seus líderes. Afinal, ela gosta de se manter na frente de grandes rebanhos ou escondida e diluída no meio deles.  

Ela se entrincheira no separatismo e na privacidade pretensiosa e interesseira. Para ela, seria melhor que a igreja fosse apenas uma prestadora de serviços religiosos, ou como um “fast-food” (casa de comidas rápidas), onde pudesse ser servida a consumir o que desejasse, exigir o que quisesse, exarar avaliações e sair sendo sempre uma freqüentadora ocasional.

A religiosidade moderna leva líderes despreparados a extremos e a desgovernos. Uns, tais quais o velho modelo farisaico, diante dela se auto-afirmam impondo regras “zelosas”, aplicando restrições “éticas” e se protegendo na omissão “santa”. Outros, tais quais o modelo libertino, limitam-se nos objetivos do seu próprio ventre deixando que os espaços e os valores sagrados sejam tomados pelo espírito da profanação e invadidos pela liberdade irresponsável.

Ela também investe formas de ameaça a líderes despreparados a se ocultarem nas paredes da tolerância perniciosa, a somente apresentarem fachadas lisonjeiras e a se acuarem nos muros da agradabilidade.

A religiosidade moderna influencia alguns líderes a tomarem caminhos descontextualizados. Por um lado, uns se acham honestíssimos e espantosamente tradicionalistas. Por outro, outros são excessivamente anti-convencionais, exageradamente contextualizados e entusiasticamente afoitos e secularizados.

A religiosidade moderna é um fator de sérios riscos à manutenção da vida de fé, assim como de sérios prejuízos à capacidade de absorver os conceitos e as práticas do modelo cristão tradicional de membresia.

Jamais venhamos a ser inquilinos das portas fascinantes da religiosidade moderna. Nunca venhamos a ser senhorios de mega galpões promotores da religiosidade moderna. Jamais venhamos nos contentar em apenas estar perto da fé, todavia viver por ela. Nunca venhamos a nos distanciar das Escrituras Sagradas. Nunca venhamos forçar justificativas contextuais para nos divorciar do Céu. 
PbGS



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LIBERTAÇÃO E FOGO.


LIBERTAÇÃO E FOGO.
Duas febres em voga.

Chegando agora a pouco de mais um compromisso, e neste momento de trégua de descanso, vim em minha caixa de entrada de e-mail e encontrei alguns interessantes. Preciso respondê-los por aqui. Por esta causa, em atendimento aos e-mails recebidos, venho nesta oportunidade trazer ao foco o assunto das febres que temos tomado conhecimento através dos contatos de alguns lugares brasilianos.

As épocas sempre têm sido marcadas por movimentos. Suas influências algumas vezes são importadas por alguns corações eu diria pouco ou menos sensíveis à nobreza e ao mover do Espírito de Deus. Existem muitos movimentos e as diversidade e particularidade entre eles não passam sem ser percebidas.

Em cada um desses movimentos há marcas, mas também deles decorrem resultados. E esses nem sempre espelham a legitimidade, nem a autenticidade, nem a grandeza da obra do Senhor Deus e nem a propriedade e natureza da igreja do Senhor Jesus. Desses, quase não podemos ver os seus selos, posto que consistem em linhas obscuras.

Verdade é que algumas dessas marcas causam estranheza e por vezes rejeições, em face de por coisa alguma estarem ligadas à ação do Espírito do Senhor. Outras permanecem como memoriais, e isto testifica como fruto para as gerações. Vários movimentos vêm, surgem, aparecem. Entretanto, outros muitos vão, apagam e desaparecem. 

Não obstante, é válido notar que os que vão, passam e são diluídos entre si mesmos, e no transcorrer do tempo se dispersam. Resfriam-se, perdem suas ênfases, sua temperatura, e são dissipados, deixando em seu lugar apenas cinzas, restolhos e rescaldos. E quando muito deixam as lembranças de locais e pessoas nas fotos e filmagens daquelas ocasiões.

Dessas marcas, uma delas consiste no fenômeno das febres. Cada tempo e época revelam o surgimento de febres. E febres são passageiras e geralmente infrutíferas, catalépticas e inertizantes. As febres dos movimentos são transitórias e para muito pouco e até quase nada servem, a não ser apenas para promover ignição e levantar a temperatura de ânimos modais curiosos.

Lamento dizer, mas é verdade, que o Espírito de Deus não comunga com febres. Febre e pentecoste jamais se combinam e nunca se coadunam. Ele faz cessar as febres. E na ação do Espírito do Senhor há despertamento pelo avivamento real e verdadeiro, e nunca movimentos febris. Febres se apagam, são extintas, diluídas. Quantas febres já vimos passar e quantas estão se indo...

A ação do mover do Espírito de Deus é incessante, visto que a Sua obra não pára e nem estagna. É viva, pois que ela é dinâmica e frutífera. É acesa, porque nela há o fogo real de Deus. É permanente, porquanto provém do Espírito Eterno e conecta o mortal com o imortal.

As febres sazonais são substituídas e suplantadas pelas correntes de outras que lhes sucedem no tempo. Por trás das febres escondem-se estranhos interesses, conveniências e intenções nem sempre percebidos pelas massas, e nem sempre ajuizados por todos os corações. Da mesma forma como uma febre exalta alaridos e desejos, também é resfriada e dissipada ao pulsar a ignição de outras.     

Não tem sido muito distante ser largamente notada a febre do euforismo das emoções humanas passageiras buscarem se entrelaçar às manifestações espirituais permanentes, frutíferas, verdadeiras e próprias da flamejante e ardente realidade e realeza do pentecostalismo legítimo e autêntico. Febres são como modas – chegam com interessantes cores, marcam ambientes e ocasiões e passam com o apagar das luzes e o fechar das portas -. Pentecostalismo, todavia, permanece, visto que este em coisa alguma possui relação com aquelas, e tampouco lhes causaria.   

Parece estarmos vivendo uma febre caroneira – a “febre dos ministérios” pessoais, individuais, particulares -. Essa também está passando com os seus “cachicóis”, anéis e abotoaduras “especiais” e “milagreiros” despencando; suas “pastas pratas” escorregando e seus “sapatinhos pintados” sendo revelados e desgastando a sola do piso. Pena que está acabando a festa de apresentações artísticas e já não há mais lugar para fantasias e fantasmagorismo nas boas tribunas e muito menos nos ordeiros púlpitos.

Não faz muito tempo e acendeu-se outra – a “febre da batalha espiritual” -. Seminários,  palestras e publicações concentraram o foco na guerra espiritual. Boa parte de bons corações movíveis armou-se até o quanto pôde, mas essa febre passou, “e a luta continua”. Outrossim, houve a “febre da busca pela cura interior”. Muitos bons corações iludidos também mergulharam na regressão psicológica ao passo de até intentarem “perdoar Deus”. Que coisa, não? Porém essa febre também passou, e deixou alguns sérios prejuízos em não pouca gente.

O povo de Deus está, enfim, sendo despertado e aprendendo cada vez mais a se comprometer com a verdade e a de fato conhecer quem tem o seu currículo de vida comprometido com ela. O povo de Deus parece, enfim, estar começando a identificar as febres e a lidar com estados febris. Deus seja notavelmente louvado por isso!

 E duas das febres que têm invadido alguns dos arraiais evangélicos são as chamadas “libertação” e “fogo”. Duas febres que ladeadas encontraram também carona nos assentos viajantes do alarido das emoções humanas movidas pelas sensações de triunfalismo misturadas ao vapor do otimismo e temperadas com a visão positivista do avivalismo circunstancial e manipulador de massas. Essas febres jamais se irmanam às verdades pentecostais e muito menos delas emanam.

As ênfases na “febre da libertação” e na “febre do fogo” têm buscado invadir algumas casas e portas de adoração. Lamentavelmente não é exagero citar que algumas reuniões nominadas de “culto de libertação” originalmente surgidas nos anos 80 agora foram transformadas em exposições e lançamentos de “cantorias de fogo” e em palcos de “mensagens de fogo” sem a Mensagem restauradora do fogo divino e de “falatórios com jargões de fogo” sem a Palavra vivificadora e sustentadora.

Não é indelicado afirmar que algumas reuniões denominadas de culto podem ter perdido os rumos da verdadeira adoração, se desequilibradas dos pilares biblicamente teológicos e despencadas no despenhadeiro do misticismo, da superstição e da irreverência. “Queimam” e pedem tanto “fogo” que são concluídas em uma fornalha de exaustão e rouquidão vocais.

Deixam de ser serviço de adoração porque não servem a ela, e se distanciam da verdadeira adoração ao Senhor, porque misticismo não contém verdade e nem procede do Espírito. Logo, nem é no Espírito e nem consiste em a verdade dEle. 

Um “fogo” estranho à Escritura Sagrada tenta infiltrar no seio dos filhos do Reino outra febre cuja marca e natureza estão duplamente divorciadas da realidade bíblica. Duplamente porque primeiro estão distanciadas dos princípios bíblicos e teológicos, e segundo porque estão distantes das verdades pentecostais. Notando assim a presença de uma identidade estranha à Palavra de Deus e distorcida e desviada do pentecostalismo.

De tanto haver a forte aclamação contundente sobre esse tal “fogo”, o quadro parece nos mostrar a antiga pintura de um panorama remoto cujos tracejos parecem apontar para o paganismo ancestral, cuja reverência recaia sobre o fogo e em torno dele os pagãos prestavam um serviço rotineiro de culto como adoradores chamados de “filhos do fogo”.

Os tempos passaram, e as sobras daquelas cinzas do paganismo ancestral parecem ter ressurgidas com feição de adulto e com íntimo de menino. Digo de adulto porque intenta demonstrar seriedade, e de menino porque parte de uma mistura de emoções e vontades, desgovernadas da razão. Ressurgidas pela ignição da ignorância somada ao emocionalismo misticista, fomentado pelas influências sincretistas.

A “febre da libertação” e a “febre do fogo” em algumas “prateleiras” têm se exteriorizado à mostra nos gritos espetaculosos e jargões clamantes de “o fogo” invadindo reuniões a gostos particulares. Um serviço que desfaz todo o trabalho dirigido de pregação e de ensino bíblico consistente de unção e de poder, conferido, delegado e empartido conforme a verdade pela Escritura Sagrada.

São os excessos, as infantilidades, as artificialidades e quando não as ignorâncias, na tentativa de rotular particularidades. Alardeia-se uma libertação somada ao estranho fogo cujo destino aponta também para estranhos resultados. São eles: a curiosa vontade de ver o que não sente e de sentir o que não procede da verdade. Uma “libertação” que detesta o ensino e um “fogo” que se esquiva da ordem, se afasta do amor e malicia a misericórdia.  

Diante dessas estranhas febres, é preciso relembrar da tomada de posição e responsabilidade em investimento nos esforços dirigidos ao ensino informativo e ao discipulado formativo como práticas efetivas e sistemáticas nos rebanhos. Retirando-se ou suprimindo-se o ensino bíblico, logo aparecem a ignorância, a errância, o desatino e a falta de nitidez e de coerência nas ações.

Lamentavelmente em alguns arraiais as estranhas febres fizeram estar esquecida, resfriada, deficiente ou ausente a prática do “didake” (ensino dos apóstolos). Visto que a corrida frenética de alguns corações movidos pelas febres tende a abandonar o lado formativo dos ensinamentos bíblicos teológicos, desvalorizar o ensino informativo e se concentrar na busca de viver sensações e emoções instantâneas provenientes do campo da curiosidade, ou de bagagens que lhes rendam movimentos febris.

Já se esteve muito pior, mas ainda tem sido notada a gritante negligência para com o interesse ao ensino bíblico sistemático no seio de rebanhos. A corrida para as letras tem sido concentrada e intensificada mais com a visão dirigida às vantagens oferecidas pelo secularismo e ao retorno proporcionado pela momentaneidade do que para a espiritualidade e à eternidade. Enfim, a ênfase do século fortifica e tonifica as idéias e as tendências em direção à sobrevivência natural.

A discrepância se faz notória nas heresias propagadas nessas febres, assim como na prática mecânica e automática insuflada nelas. A deficiência e a ausência do trabalho do ensino sistemático das Escrituras Sagradas têm concorrido para muitos prejuízos de condutas.

Os rebanhos para terem e manterem permanentemente sua prática de adoração bíblica legítima e autêntica aliada à sua identidade cristã precisam insistir na prática do ensino e na valorização do mesmo desde o discipulado, a fim de que façam ser conhecido cada vez mais o autêntico e legítimo sentido, significado, das verdades espirituais conforme a Bíblia Sagrada, e jamais de acordo com “guias experimentais de busca para emoções espirituais”.

Para alguns arraiais evangélicos ainda está fazendo não pouca falta uma jornada própria, adequada, exeqüível e dedicada de ensino sistemático da Escritura Sagrada aplicado ao seu contexto imediato e aos contextos com os quais interagem. Essas necessidade e urgência ao seu regresso aos caminhos da prática no ensino bíblico sistemático e efetivo arrefecem e desfazem as febres que surgem para inquietarem e desestabilizarem a saúde espiritual e a vida cristã normal nos rebanhos.

Lamentavelmente a confusão e o embaraço têm desestabilizado mentes e corações; têm assolado, coberto e abraçado alguns rebanhos, levando-os aos distantes pontos dos extremismos. Enquanto isso as febres lhes assolam e arrebatam, lhes enganosamente energizam. A conseqüência para esses rebanhos fica em não identificarem a pregação da mensagem bíblica e não saborearem o néctar vivificador do ensinamento bíblico durante e depois de sua ministração.

Terminando por perderem-se do foco da libertação e da presença real do fogo do Espírito e da realeza do mover de Deus. Pregações e pregadores sem conteúdo são respectivamente falações e faladores sem substância e sem essência. Ensino e ensinadores sem dedicação são respectivamente matérias e guias sem direção e sem propósitos. Indiretamente são facilitadores, e diretamente são promotores de febres. E febres podem levar à morte.

Acreditamos piamente e segundo a Escritura Sagrada que a noite está passando e com elas as febres vão totalmente se exaurir. Está às portas a chegada de um tempo no qual cada um terá que se apegar à verdade e ao amor, do contrário serão sucumbidos pelo engano e esfriados pela iniqüidade e pelo desamor.

Está chegando um tempo, e não está longe, em que as febres perderão a sua popularidade e seus aplausos e serão cessadas, dando lugar à intensa busca pela verdade bíblica e pelo amor ao Senhor. Está chegando o tempo de decisões estão se fazendo mais espirituais,  sábias, coerentes e definitivas. As febres e seus embalos e ondas vão encontrar pousada e moradia apenas nos seios do engano iludido e nos corações inconstantes, curiosos e movediços.

Para quem anela servir a Deus conforme a Sua Palavra e ser fortalecido, poderoso e edificado por ela terá que se desvencilhar das febres. Terá que se dirigir e se apegar ao Senhor e servi-lO com sobriedade, com conhecimento, com sabedoria, com toda inteligência espiritual, com temor e discernimento, e sem tendenciar às fortes influências das tantas febres que vêm assolando e emergindo mentes e corações, que vêm mobilizando, engodando e fustigando vontades.

Libertação somente em Cristo e fogo somente o do Espírito!
Para que febres, se não precisamos delas?
Para que febres, se por natureza espiritual somos anti-febris?
Para que febres, se elas somente produzem convulsões, inertizam e roubam o dinamismo e a estabilidade da nossa vida espiritual?
PbGS



terça-feira, 23 de agosto de 2011

“DEMAS ME DESAMPAROU...”

“DEMAS ME DESAMPAROU...”
Quando o calor e os espinhos sufocam... 

Para conhecermos fatos da vida de uma pessoa, ou seus traços históricos, não é necessariamente preciso que estejamos perto, por  contato físico, pessoal e direto com ela. Apesar desse tipo de contato ser importante para tal, podemos conhecê-la à distância, apenas de ouvir falar, ou somente por ler algumas linhas sobre as mesmas, ou ainda simplesmente vendo suas imagens e fotos. Que melhor nos digam os currículos e os históricos, que ilustram e comprovam isso.

E lendo as páginas da Escritura Sagrada podemos comprovar essa verdade. Conteúdos escriturísticos, ainda que em forma de resumos,  muito podem nos demonstrar essa realidade e verdade. O conteúdo registrado em 2 Timóteo 4.10, em especial a abertura do versículo falando sobre Demas, um companheiro de trabalho do apóstolo Paulo, é um desses comprovantes. Nesse texto, Paulo registrou “Porque Demas me desamparou, tendo amado o presente século, e se foi para Tessalônica...”.

De tudo que temos de escritos na Bíblia Sagrada sobre Demas, esse versículo é essencialmente conclusivo para nos fazer Demas um pouco  conhecido, assim como para nos permitir ver o que aconteceu nos passos da vida de Demas. Pelo conjunto de resumos somados a esse versículo, ele se fez um pouco mais conhecido de todos os leitores do Sagrado Livro do Senhor nosso Deus.

Realmente pouco conhecemos sobre a vida de Demas. Entretanto, os resumos em poucas palavras que temos sobre ele são suficientemente significativos e reveladores para nos servirem de lições. E por eles é que podemos enxergar um pouco sobre o passado, o presente e alguns pontos futuros da vida de Demas.

O que nos faz despertar o interesse e direcionar a nossa atenção para Demas é o fato de encontrarmos pela vida afora algumas pessoas que lamentavelmente experimentaram, e outras que ainda hoje experimentam, os mesmos caminhos pelos quais andaram vacilantes os passos de Demas. Demas foi alguém fervoroso, mas lamentavelmente se esfriou. Demas foi alguém presente e atuante, mas infelizmente desertou do “front” de batalha pela fé.

Convido, assim, o caro leitor a generosamente passar uma olhada reflexiva nos passos de Demas, e com isso poder servir de um valioso instrumento de ajuda e canal promotor de restauração a vidas que porventura estejam trilhando naqueles mesmos passos de Demas, e que precisam de serem trazidas ao retorno do convívio caloroso do nosso Bom Mestre Amado Jesus Cristo.

1 - Demas foi um colaborador de Paulo.

Nenhum leitor amante da Bíblia Sagrada teria dúvida quanto a isso. Demas foi um trabalhador e ministro auxiliar de Paulo. Demas participou das campanhas evangelísticas com Paulo. Demas viu centenas e centenas de conversões e ouviu muitas mensagens do Evangelho. Demas participou da implantação e consolidação de igrejas. Demas tomou parte em algumas viagens juntamente com Paulo.

Ser colaborador é ser alguém que ajuda, auxilia e contribui com outro em alguma tarefa. Demas foi um colaborador de Paulo. Dentre as funções do colaborador estão as de amparar com providências, fortalecer com incentivos, facilitar e promover ambiente, promover contribuições, intermediar engajamentos, prever riscos e pacificar oposições. Demas foi um colaborador efetivo de Paulo no empenho das tarefas de evangelização e fortalecimento de muitos crentes de sua época em mais de um lugar.

2 - Demas acompanhou Paulo.

Ele foi mais do que um simples apoiador eventual seria. Demas acompanhou Paulo. Nas saudações registradas em algumas cartas paulinas, encontramos entre o grupo de evangelizadores o nome do cooperador Demas. Ele acompanhou e esteve presente nos momentos de alguns escritos da mão de Paulo.

Demas acompanhou alguns momentos de revelação de Paulo. Demas viu poderosos sinais, maravilhas e milagres incontestáveis acompanhados da pregação realizada por Paulo. Demas conheceu diferentes lugares e pessoas de sua época. Enfim, Demas foi um ministro assistente efetivo de Paulo e deu o seu suporte e apoio a este na obra de evangelismo e ensino.  

Que podemos imaginar sobre o feliz momento de Demas presenciando em primeira mão o profundo conteúdo da Carta aos Colossenses que Paulo estava escrevendo? Que pensamentos nos vêm na mente ao imaginar Demas presenciando Paulo escrever a linda, intercessora e sensibilizante Carta a Filemom? Ele acompanhou e testemunhou também das visões de Paulo e participou dos mesmos anseios dele.

Os anseios de conquistar terrenos com a evangelização e batalhar pela fé foram comuns entre Paulo e os seus companheiros, entre eles estava Demas. Demas foi presente e atuante ao lado de Paulo. Um companheiro como Demas o foi é um refrigério incalculável para todo aquele que realmente realiza a obra de Deus com respeito e comprometimento, sobriedade, consciência e convicção.

Demas teve experiência de bons tempos e momentos poderosos e edificantes acompanhando Paulo juntamente com outros cooperadores. O fervor evangelístico fez parte de sua alma e marcaram dias de sua vida. Demas esteve aceso, vivo e ativo no labor das empreitadas evangelizantes. Enfim, Demas foi por um bom tempo um companheiro efetivo de Paulo.

3 - Demas não perseverou na fé.

Mas na vida de uma pessoa passam muitos pensamentos, acontecem muitas experiências, ocorrem muitos e novos fatos e transcorrem multidões de fatores que desafiam-lhe a fé. E por vezes neles nem sempre o coração se deixa revelar. Há vezes que os conflitos pesam mais do que as satisfações. Existem os momentos de calorosa alegria, mas também os de frias indecisões. E são nestes últimos que a mente e o coração pouco convictos podem sofrer abalos, ser movidos e ser minados.

Neles os sentimentos e vontades são pesados na balança e refletidos com maior lucidez de consciência. O crivo de exames pode apontar para tendências e instigar comparações e ajuizamentos que interfiram na caminhada de fé de uma pessoa. Quando essa caminhada de fé vai ficando difícil, os céus e o horizonte vão se mostrando pesados, fechados, escuros e nebulosos, o mar das dificuldades vai se encapelando pela frente. Pontos questionadores podem surgir na mente como uma tempestade de pensamentos avaliativos.

Então surge a forte tentação de inicialmente dar pequenas paradas que se não vigiar, ao longo do tempo elas podem lhe arrefecer o ânimo e virem rotineiramente se tornar em longo estacionamento e densa estagnação até por fim um abatimento e desistência fatal.  

Apesar de haver sido colaborador empenhado e acompanhante efetivo de Paulo e de ter auxiliado-o na realização de muitas coisas afetas à igreja, assim como de haver testemunhado sinais e maravilhas e centenas de conversões, Demas esfriou na fé. Não por pecado cometido, visto que não é isso que a Bíblia Sagrada registra, ou sugere.

Demas chegou ao resultado do momento reflexivo no qual pesou prós e contras, e o esfriamento chegou em vista das opções e escolhas que se lhes apresentaram no velho dilema “viver ou morrer” e “ganhar ou perder”. A descontinuidade, o relaxamento, o medo, assim como as paixões e anseios pelas coisas da vida de confortos e facilidades podem a todo instante se tornar uma prisão que encarcera vidas inexperientes e pouco discernidoras nesse velho dilema.  

4 - Demas amou o mundo.

Agora o Demas duvidoso de então já não era mais aquele Demas seguro e convicto do passado. Ele não era um mundano. Em lugar algum dos escritos neotestamentários encontramos qualquer indício que Demas passou a ser mundano. Paulo, tampouco expressou julgamentos condenatórios sobre Demas. Notamos na explicação de Paulo sobre o desamparo sofrido o externar de uma tristeza e um lamento sensibilizados pelo abandono e partida daquele ministro colaborador que fora um de seus companheiros de empreitadas.

Paulo estando prisioneiro, viu a partida de uma pessoa que muito suou a camisa consigo, padeceu coisas e momentos junto consigo. Demas foi alguém com o qual Paulo partilhou anseios e dificuldades, e agora o viu partir e abandoná-lo, deixando-o para trás desamparado e na prisão.

Que aconteceu, afinal, com Demas? Ele simplesmente se esfriou e desertou das fileiras da frente de batalha pela fé. Aconteceu com Demas o que pode acontecer com muitas pessoas logo depois de serem confrontadas pelas realidades da caminhada cristã. Demas experimentou os bons momentos, mas foram os péssimos que lhe ameaçaram os olhos, distorceram os seus entendimentos, abafaram o seu bom ânimo e minaram a sua fé e capacidade de confiar no seu Senhor e Mestre.

Demas tinha estrutura para sofrer apenas até certo ponto pelo Evangelho. Demas viu o quadro real do curso da mensagem cristã sob oposições generalizadas em todos os lugares pelos quais passou, pesou os resultados, fez comparações e notou com mais lucidez que o nível de popularidade e aceitação de um cristão era baixo em relação ao do mundo. Ele caiu em si e percebeu mais claramente o panorama de rejeição e impopularidade vindo da parte do mundo. Na visão de Demas o melhor seria “ir saindo e retirando o seu time do campo”. Uma vez frio na fé, tomou a sua decisão “vou embora enquanto é cedo e posso viver mais e melhor”.

O texto em pauta mostra a causa do esfriamento de Demas na fé, na expressão “...tendo amado, ou amando, o mundo...”. Essa expressão tem o mesmo peso de “...tendo caído no amor ao mundo...”, como também de “...se apaixonando, ou afeiçoando-se, pelo mundo...”. E o texto original grego registra o termo “agapesas” para essa queda, amor, paixão, afeiçoamento, pelo mundo.

Entendemos que Demas caiu num profundo sentimento de amor apaixonado e dedicado (“ágape”) pelo favorecimento das coisas do mundo. Esse amor que residia em seu coração e era dedicado ao seu Senhor foi por Demas transferido para ser agora colocado sobre o mundo do seu presente transitório.

Demas chegou o momento de decisão crucial que pode chegar para qualquer um que segue a Cristo – “por a mão no arado e seguir em frente, ou olhar para trás” -. Ele viu o seu companheiro Paulo ser aprisionado e com a possibilidade de ser martirizado. Ele viu o panorama de baixa aceitação, perseguições, restrições, apertos extremos, descasos, preconceitos, ojerizas, contra os cristãos e ele era um deles. Na vida cristã, painéis de hipocrisia e empanados de “faz-de-contas” são inconsistentes, incoerentes e indigentes.

Por outro lado, viu as facilidades mundanas, segurança e conforto de casa, uma vida fora do perigo e de ameaças. Demas aportou no velho dilema “viver ou morrer”, “ganhar ou perder”, e ajuizou e optou em voltar atrás e desertar da fé em favor de não perder sua vida. O custo ficou elevadamente caro, e agora ele percebeu isso melhor.

O que ocorreu com Demas é que em face dos apertos mais fortes, ele decidiu viver popularmente como o mundo, do que estar sob a possibilidade de sofrer um martírio por causa de sua fé e convicções no nome de Jesus. O coração de Demas não estava disposto a sofrer apertos mais profundos, nem preparado a padecer sob o fogo cruzado entre valores, ou até a perder a sua vida nele.

A fé de Demas não chegava a tanto e suas convicções ainda eram rasas para lhe oferecer estrutura ao enfrentamento. Demas foi o tipo de coração que recebeu a semente e esta germinou, nasceu e cresceu até certo ponto, mas não tinha profundidade para suportar a planta e seus frutos. Veio o calor do Sol, os espinhos, e a sufocaram. Demas foi do tipo “conte comigo enquanto estiver bem e as coisas estiverem favoráveis”. 

Isso pode acontecer com muita gente que de maneira equivocada vive só visualizando os dias ensolarados e com adágios otimistas no seu vocabulário, transitando pela vida com ilusões fantasiosas e se auto-afirmando com pensamentos positivistas, mesclados com versículos da Palavra de Deus na mente e nos lábios, sem de fato realmente conhecerem os trilhos da fé cristã.

Assim como Demas, pode estar existindo gente que somente quer, apenas espera e pensa no “sabor do mel” e esquece que as provações e apertos dos cristãos têm por vezes gosto amargo no presente em vista do nome do Mestre Amado que carregam consigo. Têm os sinais,  milagres e maravilhas, mas também existem por outro lado as descrenças e oposições do príncipe deste mundo tenebroso que se opõe a tudo e a todos que carregam em suas vidas o precioso e sacrossanto nome de seu Mestre Jesus Cristo.

Algumas pessoas reivindicam e pensam apenas nas vitórias conquistadas na cruz, mas infelizmente esquecem que antes delas sempre vêm os azorragues, existem as bofetadas, há lançamentos de injúrias e sempre estão presentes alguns espinhos que por vezes causam doloridos quase insuportáveis para nos lembrar que cidadãos do Céu peregrinam na Terra longe de sua eterna pátria.  

Demas foi selecionado naturalmente, assim como todos os cidadãos do Céu são na Terra. Quando o aperto chega, então revela-se ou o frouxo de pequena fé, ou o valente e valoroso. Demas foi do tipo de pessoa que viu gente morrendo “antes do tempo”, segundo a sua visão momentânea do presente. E viu também família e multidões de amigos vivendo e que não poderiam ser deixados para trás. Demas foi do tipo que não terminaria de atravessar a campina de Zoar por ter olhado para trás.

Os apertos extremos possuem uma dolorida função que prova a fé, a capacidade de acreditar e confiar, a fidelidade, a lealdade e muitos valores materiais e imateriais, de uma pessoa. Tudo parece nos mostrar que por trás de uma onda de facilidades e do visual de conformismos, existe um clamor suplicante levantado por aqueles que estão sob a forte presença da provação polindo o metal para que este brilhe mais e no seu tempo próprio.

5 - Demas desamparou Paulo.

Demas me desamparou”, disse o apóstolo Paulo sofrendo privações em prisão. Demas viu que para ele poderia ser o mesmo fim de Paulo e de outros. Decapitação, enforcamento, esquartejamento, crucificação, apedrejamento, poderiam ser o prêmio terreno que sua vida poderia receber se continuasse como os demais continuaram perseverantes.

Demas viu o seu mestre e companheiro Paulo enfrentar prisões, sendo levado de lugar em lugar de julgamentos e passando de mão em mão, e agora estava confinado em uma prisão e sob veredicto de poder ser essa a última “libação de sacrifício” oferecida pela sua vida. A última prisão destinada ao final de sua existência e encerramento de seu ministério.

6 - Demas foi para Tessalônica.

Demas deixou para trás todas as alegrias e experiências espirituais, poderosas, vividas no Evangelho. Demas estava desertando para uma vida de conforto ao mesmo tempo em que estava se despedindo da vida de sacrifícios e privações na evangelização. O seu livre-arbítrio de decisões lhe levaram a escolhas visualmente mais promissoras e tranqüilas. Demas se despediu da vida de sofrimentos comuns a todos os que piamente vivem e por esta causa padecem perseguições.

Demas era do tipo que constrói a casa sobre areias, e sem antes ter feito cálculos e projetos, sem antes ter examinado bases. Depois de ter desamparado o companheiro e o abandonado na prisão, não lhe restava mais nada naquela cidade, senão lembranças do passado vigoroso que se foi e perspectivas de novos sonhos de um futuro aparentemente calmo que iria ter.

Se ali ficasse poderia sofrer riscos de ser delatado como amigo e cúmplice dos outros ministros cristãos que estavam “revolucionando” cidades por onde passavam com a mensagem acompanhada de sinais, poder e maravilhas do Evangelho. Demas não queria ser feito presa motivada por ações de apreensão e busca, causadas por mandados dos maiorais da cidade fundamentados em acusações de alvoroço, sedição e quebra de costumes e filosofias das cidades.

E agora, Demas? Vai ficar ou vai correr? A sugestão dos pensamentos lhe tocou a trombeta orientadora em rumar para a sua possível cidade nas regiões de Tessalônica. Para que ficar num lugar que nada mais lhe dizia respeito? Um lugar que perdeu o sentido e o encanto para ele. Tudo nos deixa ver que a partir daquela decisão o colorido da vida de Demas somente possuía brilho se tudo fosse fácil e doce, “easy” e “sweet”, leve e macio, “light” e “soft”.

E em Tessalônica a vida poderia ser levada assim nesses moldes. Então, por que não ir para lá? E o pequeno problema era o de viver distante e divorciado do amor do Pai, dos conselhos do Mestre e das operações de sinais, milagres e maravilhas pelo Evangelho de Cristo. Aquela cidade oferecia tudo de bom em valores e facilidades terrenas para quem nela vivia ou apenas visitava. 

Demas não saiu da batalha para a reserva, nem muito menos para a reforma. Ele desertou das fileiras dos exércitos da fé. Para Demas, na grande e desenvolvida Tessalônica a vida cristã poderia ser vivida na mornidão e apenas nominalmente, rotuladamente e sem ofertas de surpresas dos perigos e ameaças por causa de questões filosóficas. Numa cidade grande e no meio da multidão mesclada e matizada de sabedorias humanas e superstições não era fácil ser visto, ao mesmo tempo que era muito melhor e facilitado viver e contar com as benesses e favores dela.

Demas queria vida tranqüila e rodeada de facilidades. Tessalônica lhe foi a melhor pedida e a excelente escolha. Nada podemos dizer que ele fora para aquela grande cidade portuária e comercial para viver mergulhado no pecado, mas também coisa alguma podemos afirmar que Demas continuou a ser o mesmo cristão caloroso que era antes.

Demas deu um salto, mas não para o futuro com o Senhor do Evangelho pregado por Paulo. Na verdade, Demas sofreu um tombo numa queda para o passado distanciado e afastado do Senhor Jesus Cristo de quem foi um dos ministros e para Ele trabalhou a fim de anunciar a Sua Palavra de Salvação.

Assim sendo, como aquele Demas, podem estar existindo muitos “Demas” que ouviram a mensagem poderosa do Evangelho, testemunharam sinais e maravilhas do poder do Senhor Deus no momento das pregações, do ensino e das orações e consagrações, pregaram e ensinaram, todavia um dia desafortunadamente as coisas apertaram mais e lhes espremeram ao extremo, os cardos e espinhos lhes sufocaram e espetaram.

Até que perceberam o panorama real com a visão maior, mais clara e mais distante. Como Esaú, para uns o prato do guisado de lentilhas é equivocadamente o tudo e o suficiente para lhes atender e satisfazer o momento e não lhes importa o depois. Para outros, trocar o galardão do Céu pelas facilidades e apogeus do mundo presente é tudo que querem para lhes promoverem valores terrenos.

Assim como aquele Demas, muitos “Demas” nos nossos dias estiveram engajados no calor das campanhas evangelísticas, se empenharam dando sangue, suor e lágrimas objetivando alcançar almas para o Reino de Deus. Quando tudo lhes era festa, quando o mar estava tranqüilo, quando os ventos estavam leves como brisas, quando os bolsos, as panelas, o tanque de combustível, a geladeira, o freezer, estavam cheios e abastados. Tudo ia bem e no “sabor de mel”, mas como tudo na vida terrena, eram momentos.

Assim como aquele Demas, podem estar existindo muitos “Demas” nos nossos dias cujas fé, confiança e convicções estejam moldadas e amalgamadas nas conveniências e facilidades ambienciais e apoiadas em contextos favoráveis. É muito possível a probabilidade de que esses “Demas”, assim como aquele Demas, sejam colhidos pelas provações e caiam em frieza na fé e lamentavelmente sejam absorvidos pelas tentações das muitas “tessalônicas” que nos nossos dias existem.

Visto que qualquer um de nós possa experimentar momentos desafortunados como Demas, sempre que possível ajude, busque, recolha e acolha de volta todo e qualquer “Demas” que encontrar no seu caminho. Porquanto cada um deles possui o seu valor e seja possível que em algum tempo cooperaram muito com suor, sangue e lágrimas no esforço colaborador das calorosas e difíceis tarefas de salvação e de edificação de muitas almas para o Reino de Deus.  
PbGS