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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Espírito de infiltração: um elemento assediador ao sagrado ministério cristão.
Espírito de infiltração: um elemento assediador ao sagrado ministério cristão.
Venho nesta oportunidade trazer aos meus caros e generosos leitores algumas linhas sobre um panorama que merece ser visto com séria medida de consideração, com boa e pura consciência, com ajustado grau de acuidade e com profunda reflexão à luz da Bíblia Sagrada. Um panorama liderado pelo espírito de infiltração que pode revelar um triste futuro insípido para pessoas descomprometidas com Deus e que de alguma maneira desconhece a natureza e os propósitos de Deus para o sagrado ministério cristão. Um espírito que pretende roubar o sabor do sal de nossas vidas para calar a mensagem do evangelho de Cristo, subtraindo de nós as condições de arautos do Rei.
Realmente a cada dia é preciso ter uma capacidade de juízo e de percepção mais perspicaz e aguda intimamente ligada à Palavra de Deus para não vir a sermos vítimas deliberadas das façanhas e sutilezas do espírito de infiltração. Esse elemento estranhamente engenhoso e inteligente que ronda e assedia o sagrado ministério cristão com o fim de causar-lhe o desmerecimento e prejuízos à sua confiabilidade. Esse espírito que concorre em promover suas fábricas de “operários religiosos” mais do que as verdadeiras escolas de ministros cristãos. Esse espírito que acirra em certificar e titular o seu maior número de “clientes-afinidades” mais do que preparamos, provamos e descobrimos os poucos números de homens fiéis e idôneos aptos ao sagrado ministério cristão. Esse espírito doutor e estrategista em negociatas e banalizações ronda e espreita o sagrado ministério cristão e por vezes oportunista busca prevalecer seu empreendedorismo nas suas investidas para de forma estratégica e inteligente causar dependências, nódoas e manchas ao sagrado ministério cristão.
E atendendo à chamada a mim proposta por Aquele que com mão forte me arrancou da escuridão das trevas e me fez imerecidamente um pequeno anunciador da Sua Palavra, não me proponho neste artigo fazer protestos, nem lançar ofensas ou defesas generalizadas a pessoas e/ou a grupos específicos, porém contribuir de forma geral em causar um despertamento e em corroborar o reconhecimento de valores cujos preço e propriedade não pertencem e não dependem exclusivamente “da parte de homens, nem por homem algum”. Existem coisas sobre as quais não possuímos ingerência total e completa, muito menos daquelas inerentes ao sagrado ministério cristão.
É preciso se ter a consciência e a sensibilidade aguçadas e afinadas para estas verdade e realidade, a fim de que não permitamos que o espírito de infiltração encontre brechas na confiança da simpatia humana e nos tome de assalto num momento de ímpeto afoito baseado em pequenos e fragmentados históricos que não demonstram fundamento sólido e suficiente para que preencham os requisitos e condições seguros a alguém tomar assento nos honrados lugares do sagrado ministério cristão. Nem sempre os nossos muitos anos de vida e experiências são os suficientes fatores determinantes que nos levem a tomar decisões particulares e independentes de outras visões e pareceres daqueles com os quais o nosso Deus providencialmente os colocou ao nosso lado para nos servir de auxílio em enxergar os lampejos nesta grande obra.
Assumir o lugar absoluto do nosso Mestre Jesus para senhorear-se da obra a fim de tomar determinadas decisões exclusivamente dEle não significa exatamente seguir o teor de Seus ensinamentos nas empreitadas dessas decisões. Seguir os ensinamentos não tem o mesmo sentido de assumir o lugar. Seguimos o Mestre Jesus, e precisamos ter cuidado para que envoltos nas necessidades não nos acharmos assumindo o lugar dEle. Não fomos chamados para sermos senhores da obra, mas ministros de Cristo na Sua obra, e isto envolve tantas e quantas responsabilidades nem sempre percebidas em todos os seus sentidos e propósitos por cada um de nós. Seja por isso que o espírito de infiltração busca liderar muitos homens para se fazerem afáveis e doces ao sabor das lábias humanas na Terra tornando-os mornos e insípidos no Céu. Alguns são tentados a carismaticamente cederem aos frondosos assédios e manhosos rogos solicitantes de tal maneira que perdem o senso do dever para ganharem a turva aquiescência do que alguém cita como senso do direito sobre as coisas sagradas.
Segundo a graça e a medida que a mim são dadas pelo nosso Eterno Senhor, e na lucidez plena de minha consciência, sei que sou o menor entre os menores dos meus pares. Tenho vezes após vezes trazido aos diletos leitores algumas das características de nosso tempo somando umas após outras de forma expositiva. E nesta oportunidade trago esta que é mais uma característica tendenciosa deste tempo. O tempo mais evidente e permissivo das barganhas, das bajulações, das trocas, das vontades e dos caprichos humanos, promovidos em oculto e nos recônditos secretos pelo espírito de infiltração que caça inescrupulosamente, seduz friamente, garra ferozmente e produz dissimuladamente suas vítimas, e que também busca encontrar portas que se lhe abram a fim de gerir sobre os bens especiais do tesouro e da despensa da casa de Deus com diretivas e objetivos de profanar e banalizar a posição do sagrado ministério cristão entre os homens.
Para muitos felizmente o tempo do teste de florescimento das varas colocadas a pernoitarem no interior do santuário ficou nas remotas épocas sacerdotais araônicas que definiam e firmavam a escolha e a aprovação de Deus sobre aqueles que estavam sendo chamados e vocacionados por Deus especifica e especialmente para dar frutos no Seu serviço sacerdotal. E graças ao Deus Pai que nos enviou o Seu Espírito que melhor e muito mais excelente fala e revela à Sua amada igreja os chamados e vocacionados para a Sua obra. O problema se inicia quando os homens menosprezam a fala, a revelação e a direção do Espírito e se instala quando esses homens estribam-se na visão de necessidade localizada e em coisas estranhas ao que nos ensina o Espírito da graça de Deus que dirige a Sua obra e escolhe homens para ela.
Um tempo cujo panorama parece nos mostrar que para uma “iluminada” fatia de homens cujas mentes se ombreiam e apóiam-se nos “arrastões de prerrogativas da autoridade” parece que deliberadamente está preestabelecido que o tempo da graça é o tempo “de cada um fazer o que lhe parecer reto aos seus próprios olhos”. Tudo parece nos indicar que as prerrogativas pessoais e particulares forçosamente fazem valer a aposição das conveniências pessoais que impedem, sobrepõem e retaliam a escolha do Espírito Santo sobre quem por Ele foi separado e chamado para a seara. O tropeço nas conveniências transitórias faz muitos se chocarem contra a validade permanente da Palavra de Deus e contra a realidade palpável observada na experiência e no temor de Deus. Os rótulos tomaram o centro das atenções e a linha central e frontal da visão vem sendo atraída a desviar-se do ponto de equilíbrio e da equidade para as tendenciosas linhas politizadas e coroadas pela simpatia humana. Uma marca da sagaz e sutil presença do espírito de infiltração.
O espírito de infiltração vem buscando transformar os negócios do Pai em negociações humanas, e por vezes busca conseguir nos influenciar e nos ensinar a como nos convém tratar dos negócios da casa de nosso Pai. E se dermos lugar e abrirmos concessões e brechas, por pouco seja possível aprovar os “Elima” conselheiros de reis da terra e inimigos das boas novas do Reino de Deus; aprovar precipitadamente os “Simão” que se entremetem em nosso meio sob pretextos de conversão e nos observam de perto com uma índole mágica e com uma visão profana e obscurecida pelo desejo de aumento de honrarias populares, de respeito público e de ganhos a tomarem assentos nos honrados lugares do sagrado ministério cristão.
O brilho do sagrado ministério cristão não se deixa ser iludido pelos concertos dos “Ananias e Safira” engenhados nas penumbras dos seus “cafofos”, não carece de prestação de serviços na visão dos “Geazi” que correm distâncias às escondidas em busca de bens que acham ser justo possuí-los, nem tampouco subsiste e se apóia na dependência aos respeitos meritórios dos reis da terra. O brilho fulgurante do sagrado ministério cristão não sobrevive de estranhas concessões parceiras, nem de caprichos dos mandos e desmandos e muito menos carece de ingredientes e elementos estranhos impostos pelas facetas da inteligência e da cativação do espírito de infiltração. Ter parte no sagrado ministério cristão por chamada e vocação divinas é a marca impressa que firma uma vida convicta e frutífera capaz de render glória ao Deus Eterno.
Este também é o tempo no qual vemos o espírito de medo e ressentimento influenciando medir as pessoas mediante o emprego de parâmetros favorecidamente particulares e padrões convenientes cujos focos são concentrados sobre licitudes individuais convenientes e convergentes na simpatia humana, todavia divergentes no espírito, ainda que sejam claros os passos trôpegos em direção aos seus resultados infrutuosos. E o que respeitosamente mais importa é que não se haja desconfortos e nem choques contra a ética e a “ordem”, quando na verdade a tragédia pesponta exatamente no choque que na frente encontra-se irremediavelmente por acontecer. Lamentavelmente o espírito do medo e do ressentimento solapa e desequilibra os alicerces da experiência de alguns, amordaça a liberdade da expressão experiente de outros, assombra a visão de reino de Deus em ainda outros e causa inseguranças e instabilidades diante dos desafios das escolhas, conduzindo muitos a cederem ao manhoso assédio do espírito de infiltração.
Já se torna fácil de visualizar algumas enxurradas que buscam fazer se valer de “imunidades e prerrogativas” puramente imaginárias e mecanismos humanos, desprovidos de alguma das vontades de Deus e cujos jargões paupérrimos copiosamente imitam e se aliam aos dos poderosos do mundo e suas declarações inconseqüentes passam movidas pela emoção impulsiva da expressão oratória e perdem as suas virtudes espirituais e validades morais, assim como “caducam” num estilo mutante cujas cores de personalidade se adaptam facilmente aos ambientes e cujas características individuais desbotam o pano de fundo de suas obras conforme as circunstâncias de momentos oportunistas e transitórios que os fazem convidativa e politizadamente se adequarem às propostas do espírito de infiltração. Seria de muito bom alvitre lembrarmos que imunidades e prerrogativas possuem suas validades e são passíveis de perdas no momento em que se chocam contra princípios e perdem suas estabilidade e sustentação. Que melhor digam lamentavelmente os muitos exemplos.
Reitero que não me proponho nesta oportunidade nem mesmo por um momento lançar desmerecimentos a pessoas, a indivíduos ou a grupos, de forma alguma. Mas de alguma maneira como um pequeno obreiro cristão, em face de um panorama percebido em larga escala ainda que por diferentes focos de visão, vejo-me concitado e conclamado a contribuir em despertar os muitos leitores a nitidamente notarem o terrível espírito de infiltração buscando oportunismo sob diversas forças de imposição e de mecanismos assediadores a tomar literalmente lugar de primazia no sagrado ministério cristão. E que dizer de aprovar os “meninos espirituais” que vivem um evangelho que jamais o apóstolo Paulo pregaria e que anunciam uma mensagem desconexa com a prática da vida cristã. Parece-nos que o espírito de infiltração arvora os “meninos espirituais” no entendimento, “aprovados” nos moldes humanos mesmo com frutos reprovados segundo o padrão de Deus para o sagrado ministério cristão, meninos espirituais cujas estruturas informes ainda carentes de ser moldadas pelos rudimentos do discipulado cristão.
São nas ocasiões de decisão e escolhas nas quais as dúvidas, as incertezas e as inseguranças que bramam ao nosso derredor, assombram e desafiam nossas capacidades de exame e discernimento que nelas os bons e generosos corações poderiam abraçar a visão paulina de antecederem em enxergar mais de perto os remotos e futuros prejuízos e transtornos que os “Himeneu”, os “Filetos” e os “Demas” podem causar à obra de Deus. O espírito de infiltração ronda o sagrado ministério cristão através de elementos insidiosos e estranhos ao óleo da unção que sutilmente buscam promover nódoas e manchas cujas conseqüências atravessam uma geração inteira sob a “condicionalidade do perdão”, e cujas impressões não se apagam tão facilmente das lembranças nos arraiais e de algumas páginas seculares, perdurando em “santos cabides” entre os algozes “colecionadores de inimizades”.
Não é somente de hoje que o espírito de infiltração busca atrair e engodar por diversas formas sutis as cadeiras do sagrado ministério cristão com as impressionantes propostas movidas pelas alfarrobas do vil metal, nutridas pelo favoritismo dos reis da terra, incentivadas pelo fervoroso espírito audaz da avareza e da ganância, e ao mesmo tempo em que esse espírito licencioso impõe o prediletismo sobre as cadeiras do sagrado ministério cristão, também busca neutralizá-las e torná-las fragilizadas nas suas naturezas, funções e missão divinas pelas cativas prisões nos labirintos do cativeiro de promessas perniciosas, de dívidas ameaçadoras e comprometedoras dos bons costumes e ao senso do sagrado dever ministerial cristão.
Esse espírito inescrupuloso busca calar muito boas gentes, e trazerem-nas arrastadas e amordaçadas e cativas pelas vigorosas ofertas engenhosas de peitas e “presentes honorários e meritórios” com o fim de calar a mensagem dos arautos do Rei. Boas gentes se tornam vulneráveis por lhes faltar a habilidade consciente de vencer o espírito de ilusão que podem roubar-lhes as condições de pregarem as verdades ensinadas pelo Senhor Jesus Cristo. Tudo nos faz enxergar que o que mais esse espírito enganoso anseia é manter cativos alguns lugares nas cadeiras do sagrado ministério cristão e levar essas boas gentes cativas e neutralizadas a uma única saída social mais fácil para se manterem diante de públicos – resumindo-as e encurralando-as a apenas falarem discursos sobre a Bíblia - ainda que cambaleando aos “trancos e barrancos” já tenham perdido o seu sabor de sal da terra. Falar discursos sobre a Bíblia jamais tem o mesmo sentido de pregar a genuína mensagem bíblica.
O espírito de infiltração busca comprar aqueles que foram comprados com o sangue precioso do Cordeiro de Deus. Quem tem a convicção da preciosidade desse sangue e tem compromisso com o Céu não atende aos apelos sedutores e inteligentes do espírito de infiltração. A história cristã e os ensinamentos do Senhor Jesus, com muita clareza e propriedade, mostram que não são os reis da terra que favorecem e defendem o brilho e a simplicidade do sagrado ministério cristão, senão este mesmo com sua identidade própria e separada das correntes de pensamentos e idealizações sociais.
Temos notado a tendência de serem esquecidos ou até desprezados ou desmerecidos alguns princípios bíblicos rudimentares e básicos do ensinamento cristão para manter a identidade de uma vida cristã saudável, normal, dentro da ética cristã, no meio social. O espírito de infiltração busca roubar das pessoas as condições básicas de promover exemplos e de serem pilares em ensinar a manutenção desses princípios com suas próprias vidas, fazendo-as atropelar deliberadamente princípios sob o pretexto de uma imaginada “imunidade de prerrogativas”. Muitos são feitos vítimas, porém muitos se fazem vítimas.
O princípio da santidade em separar-se de determinadas alianças com o mundo; o princípio de amar a Deus sobre todas as coisas e servi-lO com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças; o princípio de não se associar com as obras infrutuosas das trevas; o princípio proverbial de não receber peitas; o princípio de não se juntar às multidões para praticar o mal. São alguns dos esquecidos, desprezados e desmerecidos por algumas boas gentes que os subestimam até o momento de por si mesmos perderem a firmeza funcional e as suas próprias identidades cristãs, lamentavelmente.
Fundamentado na Escritura Sagrada, devo com boa consciência, respeito e sem reservas considerar e reconhecer os muitos e verdadeiros companheiros em Cristo cujas vidas são conduzidas comprometidas com Deus e estão patenteadas com as marcas de Cristo e cujas obras estão claras e por esta causa dispensam quaisquer notas e adendos adicionais em vista de suas trajetórias lhes fazerem ser vistos real e verdadeiramente como embaixadores de Cristo entre os homens. Servos de Deus cujas vidas brilham no fulgor das inúmeras experiências produzidas na caminhada ministerial cristã. Experiências essas angariadas debaixo de lições entre acertos e desacertos, mas oportunamente aqueles aperfeiçoados e esses consertados. Servos de Deus cujas vidas não são vencidas pelo espírito de infiltração, nem são assombradas pelo espírito de medo e ressentimento.
Ao Deus Eterno que enquanto prepara, também fortalece; enquanto adestra, também aperfeiçoa; enquanto inspira, também motiva; e quando convoca também concede e envia. Ele nos guarda e nos dá maturidade e discernimento para seguros e firmes enfrentarmos o espírito de infiltração que ronda e assedia de diversas maneiras o sagrado ministério cristão, utilizando-se de variados meios para nos fazer cativos e amordaçados dentro de quatro paredes e restritos pela vergonhosa dependência silenciadora.
Não devemos, portanto, pensar e nem influenciarmos outros a pensar que são os poderosos da terra que promovem e sustentam o brilho do sagrado ministério cristão. Simpatizar não significa essencialmente ser. Por trás de toda simpatia existem ligações e interesses encobertos. Quando se trata de gerir as coisas de Deus, não há lugar para simpatizante administrá-las. Na vida de experiência prática na obra de Deus, quem apenas simpatiza com ela não possui plena e convicta definição experimental dos sofrimentos e aflições vividos nela. Ainda são os rastros do nosso Amado Mestre e Senhor que nos conduzem e os Seus ensinamentos que nos lideram e o Seu precioso nome sobre nós que nos dá poder e autoridade para fazer a Sua vontade na terra e realizar a Sua obra ligados no Céu, sem dependermos de influências sedutoras e audaciosas e nem da liderança parceira e enfeitiçadora do espírito de infiltração.
PbGS
www.glaukosantos.com
Venho nesta oportunidade trazer aos meus caros e generosos leitores algumas linhas sobre um panorama que merece ser visto com séria medida de consideração, com boa e pura consciência, com ajustado grau de acuidade e com profunda reflexão à luz da Bíblia Sagrada. Um panorama liderado pelo espírito de infiltração que pode revelar um triste futuro insípido para pessoas descomprometidas com Deus e que de alguma maneira desconhece a natureza e os propósitos de Deus para o sagrado ministério cristão. Um espírito que pretende roubar o sabor do sal de nossas vidas para calar a mensagem do evangelho de Cristo, subtraindo de nós as condições de arautos do Rei.
Realmente a cada dia é preciso ter uma capacidade de juízo e de percepção mais perspicaz e aguda intimamente ligada à Palavra de Deus para não vir a sermos vítimas deliberadas das façanhas e sutilezas do espírito de infiltração. Esse elemento estranhamente engenhoso e inteligente que ronda e assedia o sagrado ministério cristão com o fim de causar-lhe o desmerecimento e prejuízos à sua confiabilidade. Esse espírito que concorre em promover suas fábricas de “operários religiosos” mais do que as verdadeiras escolas de ministros cristãos. Esse espírito que acirra em certificar e titular o seu maior número de “clientes-afinidades” mais do que preparamos, provamos e descobrimos os poucos números de homens fiéis e idôneos aptos ao sagrado ministério cristão. Esse espírito doutor e estrategista em negociatas e banalizações ronda e espreita o sagrado ministério cristão e por vezes oportunista busca prevalecer seu empreendedorismo nas suas investidas para de forma estratégica e inteligente causar dependências, nódoas e manchas ao sagrado ministério cristão.
E atendendo à chamada a mim proposta por Aquele que com mão forte me arrancou da escuridão das trevas e me fez imerecidamente um pequeno anunciador da Sua Palavra, não me proponho neste artigo fazer protestos, nem lançar ofensas ou defesas generalizadas a pessoas e/ou a grupos específicos, porém contribuir de forma geral em causar um despertamento e em corroborar o reconhecimento de valores cujos preço e propriedade não pertencem e não dependem exclusivamente “da parte de homens, nem por homem algum”. Existem coisas sobre as quais não possuímos ingerência total e completa, muito menos daquelas inerentes ao sagrado ministério cristão.
É preciso se ter a consciência e a sensibilidade aguçadas e afinadas para estas verdade e realidade, a fim de que não permitamos que o espírito de infiltração encontre brechas na confiança da simpatia humana e nos tome de assalto num momento de ímpeto afoito baseado em pequenos e fragmentados históricos que não demonstram fundamento sólido e suficiente para que preencham os requisitos e condições seguros a alguém tomar assento nos honrados lugares do sagrado ministério cristão. Nem sempre os nossos muitos anos de vida e experiências são os suficientes fatores determinantes que nos levem a tomar decisões particulares e independentes de outras visões e pareceres daqueles com os quais o nosso Deus providencialmente os colocou ao nosso lado para nos servir de auxílio em enxergar os lampejos nesta grande obra.
Assumir o lugar absoluto do nosso Mestre Jesus para senhorear-se da obra a fim de tomar determinadas decisões exclusivamente dEle não significa exatamente seguir o teor de Seus ensinamentos nas empreitadas dessas decisões. Seguir os ensinamentos não tem o mesmo sentido de assumir o lugar. Seguimos o Mestre Jesus, e precisamos ter cuidado para que envoltos nas necessidades não nos acharmos assumindo o lugar dEle. Não fomos chamados para sermos senhores da obra, mas ministros de Cristo na Sua obra, e isto envolve tantas e quantas responsabilidades nem sempre percebidas em todos os seus sentidos e propósitos por cada um de nós. Seja por isso que o espírito de infiltração busca liderar muitos homens para se fazerem afáveis e doces ao sabor das lábias humanas na Terra tornando-os mornos e insípidos no Céu. Alguns são tentados a carismaticamente cederem aos frondosos assédios e manhosos rogos solicitantes de tal maneira que perdem o senso do dever para ganharem a turva aquiescência do que alguém cita como senso do direito sobre as coisas sagradas.
Segundo a graça e a medida que a mim são dadas pelo nosso Eterno Senhor, e na lucidez plena de minha consciência, sei que sou o menor entre os menores dos meus pares. Tenho vezes após vezes trazido aos diletos leitores algumas das características de nosso tempo somando umas após outras de forma expositiva. E nesta oportunidade trago esta que é mais uma característica tendenciosa deste tempo. O tempo mais evidente e permissivo das barganhas, das bajulações, das trocas, das vontades e dos caprichos humanos, promovidos em oculto e nos recônditos secretos pelo espírito de infiltração que caça inescrupulosamente, seduz friamente, garra ferozmente e produz dissimuladamente suas vítimas, e que também busca encontrar portas que se lhe abram a fim de gerir sobre os bens especiais do tesouro e da despensa da casa de Deus com diretivas e objetivos de profanar e banalizar a posição do sagrado ministério cristão entre os homens.
Para muitos felizmente o tempo do teste de florescimento das varas colocadas a pernoitarem no interior do santuário ficou nas remotas épocas sacerdotais araônicas que definiam e firmavam a escolha e a aprovação de Deus sobre aqueles que estavam sendo chamados e vocacionados por Deus especifica e especialmente para dar frutos no Seu serviço sacerdotal. E graças ao Deus Pai que nos enviou o Seu Espírito que melhor e muito mais excelente fala e revela à Sua amada igreja os chamados e vocacionados para a Sua obra. O problema se inicia quando os homens menosprezam a fala, a revelação e a direção do Espírito e se instala quando esses homens estribam-se na visão de necessidade localizada e em coisas estranhas ao que nos ensina o Espírito da graça de Deus que dirige a Sua obra e escolhe homens para ela.
Um tempo cujo panorama parece nos mostrar que para uma “iluminada” fatia de homens cujas mentes se ombreiam e apóiam-se nos “arrastões de prerrogativas da autoridade” parece que deliberadamente está preestabelecido que o tempo da graça é o tempo “de cada um fazer o que lhe parecer reto aos seus próprios olhos”. Tudo parece nos indicar que as prerrogativas pessoais e particulares forçosamente fazem valer a aposição das conveniências pessoais que impedem, sobrepõem e retaliam a escolha do Espírito Santo sobre quem por Ele foi separado e chamado para a seara. O tropeço nas conveniências transitórias faz muitos se chocarem contra a validade permanente da Palavra de Deus e contra a realidade palpável observada na experiência e no temor de Deus. Os rótulos tomaram o centro das atenções e a linha central e frontal da visão vem sendo atraída a desviar-se do ponto de equilíbrio e da equidade para as tendenciosas linhas politizadas e coroadas pela simpatia humana. Uma marca da sagaz e sutil presença do espírito de infiltração.
O espírito de infiltração vem buscando transformar os negócios do Pai em negociações humanas, e por vezes busca conseguir nos influenciar e nos ensinar a como nos convém tratar dos negócios da casa de nosso Pai. E se dermos lugar e abrirmos concessões e brechas, por pouco seja possível aprovar os “Elima” conselheiros de reis da terra e inimigos das boas novas do Reino de Deus; aprovar precipitadamente os “Simão” que se entremetem em nosso meio sob pretextos de conversão e nos observam de perto com uma índole mágica e com uma visão profana e obscurecida pelo desejo de aumento de honrarias populares, de respeito público e de ganhos a tomarem assentos nos honrados lugares do sagrado ministério cristão.
O brilho do sagrado ministério cristão não se deixa ser iludido pelos concertos dos “Ananias e Safira” engenhados nas penumbras dos seus “cafofos”, não carece de prestação de serviços na visão dos “Geazi” que correm distâncias às escondidas em busca de bens que acham ser justo possuí-los, nem tampouco subsiste e se apóia na dependência aos respeitos meritórios dos reis da terra. O brilho fulgurante do sagrado ministério cristão não sobrevive de estranhas concessões parceiras, nem de caprichos dos mandos e desmandos e muito menos carece de ingredientes e elementos estranhos impostos pelas facetas da inteligência e da cativação do espírito de infiltração. Ter parte no sagrado ministério cristão por chamada e vocação divinas é a marca impressa que firma uma vida convicta e frutífera capaz de render glória ao Deus Eterno.
Este também é o tempo no qual vemos o espírito de medo e ressentimento influenciando medir as pessoas mediante o emprego de parâmetros favorecidamente particulares e padrões convenientes cujos focos são concentrados sobre licitudes individuais convenientes e convergentes na simpatia humana, todavia divergentes no espírito, ainda que sejam claros os passos trôpegos em direção aos seus resultados infrutuosos. E o que respeitosamente mais importa é que não se haja desconfortos e nem choques contra a ética e a “ordem”, quando na verdade a tragédia pesponta exatamente no choque que na frente encontra-se irremediavelmente por acontecer. Lamentavelmente o espírito do medo e do ressentimento solapa e desequilibra os alicerces da experiência de alguns, amordaça a liberdade da expressão experiente de outros, assombra a visão de reino de Deus em ainda outros e causa inseguranças e instabilidades diante dos desafios das escolhas, conduzindo muitos a cederem ao manhoso assédio do espírito de infiltração.
Já se torna fácil de visualizar algumas enxurradas que buscam fazer se valer de “imunidades e prerrogativas” puramente imaginárias e mecanismos humanos, desprovidos de alguma das vontades de Deus e cujos jargões paupérrimos copiosamente imitam e se aliam aos dos poderosos do mundo e suas declarações inconseqüentes passam movidas pela emoção impulsiva da expressão oratória e perdem as suas virtudes espirituais e validades morais, assim como “caducam” num estilo mutante cujas cores de personalidade se adaptam facilmente aos ambientes e cujas características individuais desbotam o pano de fundo de suas obras conforme as circunstâncias de momentos oportunistas e transitórios que os fazem convidativa e politizadamente se adequarem às propostas do espírito de infiltração. Seria de muito bom alvitre lembrarmos que imunidades e prerrogativas possuem suas validades e são passíveis de perdas no momento em que se chocam contra princípios e perdem suas estabilidade e sustentação. Que melhor digam lamentavelmente os muitos exemplos.
Reitero que não me proponho nesta oportunidade nem mesmo por um momento lançar desmerecimentos a pessoas, a indivíduos ou a grupos, de forma alguma. Mas de alguma maneira como um pequeno obreiro cristão, em face de um panorama percebido em larga escala ainda que por diferentes focos de visão, vejo-me concitado e conclamado a contribuir em despertar os muitos leitores a nitidamente notarem o terrível espírito de infiltração buscando oportunismo sob diversas forças de imposição e de mecanismos assediadores a tomar literalmente lugar de primazia no sagrado ministério cristão. E que dizer de aprovar os “meninos espirituais” que vivem um evangelho que jamais o apóstolo Paulo pregaria e que anunciam uma mensagem desconexa com a prática da vida cristã. Parece-nos que o espírito de infiltração arvora os “meninos espirituais” no entendimento, “aprovados” nos moldes humanos mesmo com frutos reprovados segundo o padrão de Deus para o sagrado ministério cristão, meninos espirituais cujas estruturas informes ainda carentes de ser moldadas pelos rudimentos do discipulado cristão.
São nas ocasiões de decisão e escolhas nas quais as dúvidas, as incertezas e as inseguranças que bramam ao nosso derredor, assombram e desafiam nossas capacidades de exame e discernimento que nelas os bons e generosos corações poderiam abraçar a visão paulina de antecederem em enxergar mais de perto os remotos e futuros prejuízos e transtornos que os “Himeneu”, os “Filetos” e os “Demas” podem causar à obra de Deus. O espírito de infiltração ronda o sagrado ministério cristão através de elementos insidiosos e estranhos ao óleo da unção que sutilmente buscam promover nódoas e manchas cujas conseqüências atravessam uma geração inteira sob a “condicionalidade do perdão”, e cujas impressões não se apagam tão facilmente das lembranças nos arraiais e de algumas páginas seculares, perdurando em “santos cabides” entre os algozes “colecionadores de inimizades”.
Não é somente de hoje que o espírito de infiltração busca atrair e engodar por diversas formas sutis as cadeiras do sagrado ministério cristão com as impressionantes propostas movidas pelas alfarrobas do vil metal, nutridas pelo favoritismo dos reis da terra, incentivadas pelo fervoroso espírito audaz da avareza e da ganância, e ao mesmo tempo em que esse espírito licencioso impõe o prediletismo sobre as cadeiras do sagrado ministério cristão, também busca neutralizá-las e torná-las fragilizadas nas suas naturezas, funções e missão divinas pelas cativas prisões nos labirintos do cativeiro de promessas perniciosas, de dívidas ameaçadoras e comprometedoras dos bons costumes e ao senso do sagrado dever ministerial cristão.
Esse espírito inescrupuloso busca calar muito boas gentes, e trazerem-nas arrastadas e amordaçadas e cativas pelas vigorosas ofertas engenhosas de peitas e “presentes honorários e meritórios” com o fim de calar a mensagem dos arautos do Rei. Boas gentes se tornam vulneráveis por lhes faltar a habilidade consciente de vencer o espírito de ilusão que podem roubar-lhes as condições de pregarem as verdades ensinadas pelo Senhor Jesus Cristo. Tudo nos faz enxergar que o que mais esse espírito enganoso anseia é manter cativos alguns lugares nas cadeiras do sagrado ministério cristão e levar essas boas gentes cativas e neutralizadas a uma única saída social mais fácil para se manterem diante de públicos – resumindo-as e encurralando-as a apenas falarem discursos sobre a Bíblia - ainda que cambaleando aos “trancos e barrancos” já tenham perdido o seu sabor de sal da terra. Falar discursos sobre a Bíblia jamais tem o mesmo sentido de pregar a genuína mensagem bíblica.
O espírito de infiltração busca comprar aqueles que foram comprados com o sangue precioso do Cordeiro de Deus. Quem tem a convicção da preciosidade desse sangue e tem compromisso com o Céu não atende aos apelos sedutores e inteligentes do espírito de infiltração. A história cristã e os ensinamentos do Senhor Jesus, com muita clareza e propriedade, mostram que não são os reis da terra que favorecem e defendem o brilho e a simplicidade do sagrado ministério cristão, senão este mesmo com sua identidade própria e separada das correntes de pensamentos e idealizações sociais.
Temos notado a tendência de serem esquecidos ou até desprezados ou desmerecidos alguns princípios bíblicos rudimentares e básicos do ensinamento cristão para manter a identidade de uma vida cristã saudável, normal, dentro da ética cristã, no meio social. O espírito de infiltração busca roubar das pessoas as condições básicas de promover exemplos e de serem pilares em ensinar a manutenção desses princípios com suas próprias vidas, fazendo-as atropelar deliberadamente princípios sob o pretexto de uma imaginada “imunidade de prerrogativas”. Muitos são feitos vítimas, porém muitos se fazem vítimas.
O princípio da santidade em separar-se de determinadas alianças com o mundo; o princípio de amar a Deus sobre todas as coisas e servi-lO com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças; o princípio de não se associar com as obras infrutuosas das trevas; o princípio proverbial de não receber peitas; o princípio de não se juntar às multidões para praticar o mal. São alguns dos esquecidos, desprezados e desmerecidos por algumas boas gentes que os subestimam até o momento de por si mesmos perderem a firmeza funcional e as suas próprias identidades cristãs, lamentavelmente.
Fundamentado na Escritura Sagrada, devo com boa consciência, respeito e sem reservas considerar e reconhecer os muitos e verdadeiros companheiros em Cristo cujas vidas são conduzidas comprometidas com Deus e estão patenteadas com as marcas de Cristo e cujas obras estão claras e por esta causa dispensam quaisquer notas e adendos adicionais em vista de suas trajetórias lhes fazerem ser vistos real e verdadeiramente como embaixadores de Cristo entre os homens. Servos de Deus cujas vidas brilham no fulgor das inúmeras experiências produzidas na caminhada ministerial cristã. Experiências essas angariadas debaixo de lições entre acertos e desacertos, mas oportunamente aqueles aperfeiçoados e esses consertados. Servos de Deus cujas vidas não são vencidas pelo espírito de infiltração, nem são assombradas pelo espírito de medo e ressentimento.
Ao Deus Eterno que enquanto prepara, também fortalece; enquanto adestra, também aperfeiçoa; enquanto inspira, também motiva; e quando convoca também concede e envia. Ele nos guarda e nos dá maturidade e discernimento para seguros e firmes enfrentarmos o espírito de infiltração que ronda e assedia de diversas maneiras o sagrado ministério cristão, utilizando-se de variados meios para nos fazer cativos e amordaçados dentro de quatro paredes e restritos pela vergonhosa dependência silenciadora.
Não devemos, portanto, pensar e nem influenciarmos outros a pensar que são os poderosos da terra que promovem e sustentam o brilho do sagrado ministério cristão. Simpatizar não significa essencialmente ser. Por trás de toda simpatia existem ligações e interesses encobertos. Quando se trata de gerir as coisas de Deus, não há lugar para simpatizante administrá-las. Na vida de experiência prática na obra de Deus, quem apenas simpatiza com ela não possui plena e convicta definição experimental dos sofrimentos e aflições vividos nela. Ainda são os rastros do nosso Amado Mestre e Senhor que nos conduzem e os Seus ensinamentos que nos lideram e o Seu precioso nome sobre nós que nos dá poder e autoridade para fazer a Sua vontade na terra e realizar a Sua obra ligados no Céu, sem dependermos de influências sedutoras e audaciosas e nem da liderança parceira e enfeitiçadora do espírito de infiltração.
PbGS
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
PREGADORES MODERNOS: íntimos do secularismo ou amigos da loucura?
PREGADORES MODERNOS: íntimos do secularismo ou amigos da loucura?
Por alguns minutos antes de assumir o púlpito para ministração de um estudo bíblico na série de estudos que a mim foi confiada ao atender mais um bom convite, e enquanto ainda sentado na tribuna de uma admirável igreja, após ouvir o canto de lindos louvores a Deus, digo realmente efetivos louvores a Deus, o Espírito do Senhor me fez folhear algumas páginas de minha Bíblia. E naquele momento minha atenção foi atraída a dois versículos escritos pelo apóstolo dos gentios, Paulo, em 1Coríntios 1.21-22.
E o relógio me conferiu tempo suficiente para que minha memória sob o impacto da graça de Deus penetrasse na cativante história de trajetória e currículo de um grande homem de Deus, possuidor de talentos, qualidades, dons espirituais, múltiplas experiências vivenciadas e poderosas obras em Deus – o apóstolo Paulo.
E agora neste momento de descanso oportuno, sou trazido a fazer registrar com clareza o que podemos absorver em nossa alma e imprimir no nosso espírito acerca da pregação, a fim de que não sejamos íntimos do secularismo, e sim amigos da loucura segundo Deus.
Vejamos primeiro algumas coisas notórias na trajetória e no currículo do apóstolo Paulo, começando por observar o seu tempo no Judaísmo como quando ainda era chamado Saulo, um dos principais cidadãos do Sinédrio judaico, e depois de convertido a Cristo como quando veio a receber o nome de Paulo, um pregador do Evangelho. Fatos curriculares bem conhecidos e citados por muitos, todavia ainda pouquíssimo refletidos ao pé da letra e meditados na profundidade da história, por um número considerável de pregadores modernos.
Comecemos por olhar que o Judaísmo conferira à vida de Paulo base sólida de sua convicção pessoal acerca de seu credo e de sua história e de seu zelo pessoal quanto à sua religiosidade e sua tradição. Paulo, o então Saulo, não era um homem de “poucas letras”, nem sequer um indouto. Bem como não era um elemento inserido num respeitável grupo de magistrados por uma questão de privilégios financeiros ou sob forças políticas que o favorecessem a fazer parte adjacente daquele contexto. Paulo, o então Saulo, não era um homem unicultural, de apenas um idioma e de apenas uma nacionalidade. Não era um elemento influenciador com vida resumida ao poder de presença.
Da história pessoal do tribuno Saulo podemos confiantemente compreender que se tratava de uma pessoa bem centrada e versada, convicta e segura, e determinada na sua visão de propósitos e no seu domínio social e religioso. Saulo demonstrava ser uma pessoa equilibrada em emoções e sentimentos. Seus atos e escritos demonstram haver nele um claro domínio da capacidade de ajuizar coisas e fatos mediante o firme crivo da lógica e do raciocínio assim como pelo conhecimento e pela sua crença. Era uma pessoa extraordinariamente sábia em lidar com as circunstâncias e contingências humanas e sensatamente conhecedora na capacidade e habilidade de comandar e liderar a ponto de obter a confiabilidade dos maiorais do seu povo através de carta representativa delegando-lhe plenos poderes para cruzar todo o território, penetrar nos recintos de ajuntamentos, cultos e reuniões, violar a intimidade dos aconchegos domésticos, diligenciar execuções penais e prisões para as quais as sentenças fossem fundamentadas nas leis e tradições judaicas e aplicadas as penas impostas instantâneas e tempestivas. Recebera um tipo de poder e autoridade tão consistentes que não foram em momento algum interferidos e nem doutrinados pelo governo romano de então.
Imaginem os meus caros e generosos leitores que histórico curricular possuía Saulo no Judaísmo. Imaginem a formação secular e religiosa, a capacidade titular, a inteireza e integridade de Saulo, a sua habilidade de interagir em seu mundo. Imaginem os privilégios e as honras que graciosamente Deus concedeu a coroarem a vida daquele Saulo.
Agora, passemos a olhar a vida de Paulo como um pregador cristão converso e convicto como servo de Deus que foi. Que choque de mudanças espetaculares ocorrera em sua vida a partir de sua nova experiência com o Senhor no caminho de Damasco. Imaginemos quais e quantas lutas e desafios houvera passado Paulo ao iniciar a sua nova missão independente de sua vontade pregressa. Aquele que até o momento de seu encontro com Jesus no caminho de Damasco possuía todas as honras e privilégios confiados e conferidos pelas autoridades judaicas e intocadas pelo poder romano para que exatamente perseguisse e executasse, e agora tamanha personalidade se deparava com uma verdade que antes ignorantemente perseguia por desconhecê-la. Imaginem como não foram os primeiros dias de conversão daquele tribuno que estava a partir daqueles momentos deixando a sua cadeira vazia no Sinédrio judaico, deixando o seu apogeu de posições, tradições e religiosidades, vendo-se singrando em outra dimensão espiritual, enxergando-se entrar em outro mundo que sendo ligado ao seu anterior mesmo assim para ele era novo.
Imaginem os primeiros dias de conversão, os primeiros meses de adaptação à nova realidade dentro da verdade que já conhecera pelas bases fundamentais. Imaginem a transição de identidade religiosa e de perspectivas. Como olhar agora o novo Paulo que antes havia sido o velho Saulo? Imaginem os primeiros anos de desafios pessoais começando a ser integrado ao meio dos crentes sem que nada dissesse já subsistia debaixo de fortes suspeitas e com uma sentença divina sobre a sua vida “este é um vaso por mim escolhido para levar a minha Palavra e padecerá muito por causa do meu nome”, disse Jesus naqueles momentos acerca de Paulo. Ninguém mais tivera prova pessoal mais clara e contundente do seu momento de conversão que o próprio Paulo. Provas aquelas que ficaram fortemente impressas em sua alma e para sempre marcadas em seu espírito, carregando-as acesas no seu íntimo durante toda a sua trajetória.
Uma nova proposta de jornada agora se apresentava para a vida de Paulo. Uma proposta que veio enriquecer sua trajetória e seu currículo de vida. Seus conhecimentos teológicos agora receberam uma visão abrangente, seus conceitos espirituais ganharam maiores claridade e definições. Todo o seu domínio de religiosidade e tradicionalismo obtive um foco mais amplamente detalhado. Enfim agora já não era apenas um Paulo cheio de privilégios por seu histórico de prestígios e conhecimentos e autoridade religiosa. Começava a se levantar uma nova estrutura de vida naquele que estava sendo preparado para ser o “vaso escolhido para padecer” pelo nome do Senhor. Foi discipulado e integrado ao seio da igreja, foi posto no meio dos apóstolos para obter experiências e vivendo diariamente no meio dos crentes teve a suficiente experiência fundamental que deram prova de sua conversão e aquiescência ao ponto de obter posição favorável confirmada entre os crentes, culminando a confirmação testemunhal de sua chamada e vocação ao ser separado pelo Espírito Santo para a obra de pregação do Evangelho de Jesus Cristo.
Durante sua vida de pregação, Paulo recebeu o privilégio de trabalhar incansavelmente para o Senhor, viajando em missões, pregando e ensinando ao mais que pôde. Experimentou as mais dolorosas agruras da caminhada pelas perseguições sofridas, pelos embates contra os ensinamentos religiosos legalistas, pelo combate contra as heresias e suas ameaças contra a fé cristã, pelas incompreensões e rejeições, pelos muitos e múltiplos riscos e desafios que vieram lhe confrontar contra a sua vida e tentar fazer desmerecido o seu ministério cristão.
Enfim a obra do Senhor na vida de Paulo foi sendo consolidada a cada experiência que vinha sendo coroada com a vida prática cotidiana na sua jornada. A aplicação de seus conhecimentos teológicos agora já por muito havia saído da limitação das letras e adentrado na elevada dimensão do Espírito a ponto de haver obtido a inspiração e a revelação divinas para escrever com muita propriedade e profundidade o arcabouço de doutrinas que vêm atravessando por séculos a vida congregacional da igreja e a vida individual particular de cada crente em Cristo, dando-nos incontestáveis provas da manutenção e cuidado do Espírito Santo sobre todos os que crêem e vivem em Cristo Jesus.
Paulo, o apóstolo pregador, empreendeu uma jornada de pregação tão eficiente que dirigido pelo Espírito “fez-se de tudo para poder ganhar alguns”, não se envergonhou do Evangelho quando este estava sendo odiado, perseguido, rejeitado e desprezado pelos grandes e entendidos e entre estes mediocrisado. O secularismo da época insultou o Evangelho, tentou mediocrisar a pregação, investiu forte contra o Evangelho utilizando o poder político, hábitos e costumes avessos à família humana, a ciência e as filosofias humanas. O mundo dos hábitos, costumes e práticas multi-idólatras sociais e gerais das pessoas do contexto da época dos dias de Paulo se levantavam como barreiras com fim impeditivo contra a pregação do Evangelho. Enfim, o secularismo perfazia um conjunto sincrético e dominava o mundo de então através das correntes de pensamentos que se alastravam e disseminavam o secularismo influenciando as sociedades por onde este aportasse.
O apóstolo pregador, Paulo, não se deixou ser dobrado pela influência ferrenha do secularismo. Paulo manteve-se firme e convicto na "loucura" do que cria e pregava. Paulo em momento algum cedeu a mensagem do Cristo Vivo às linhas de pensamentos e modismos do secularismo. Estar filiado e amigado ao mundo secular e conformado ao seu esquema eram fortes e atraentes propostas tentadoras usadas como instrumento de proteção de vida contra o desprezo e a vergonha por parte da sociedade daquela época. O secularismo conjugado se impunha com ferramentas de chantagem para manter subjugado todo entendimento a fim de que aquele que se levantasse ou fosse levantado para pregar contra ele sofria e padecia sérias conseqüências.
O mundo de então gostaria de ouvir coisas plurirreligiosas em geral, mas a doutrina do Caminho não poderia ser nivelada, assemelhada ou igualada àquelas. Ela certamente iria tocar em determinados assuntos que certamente iriam conflitar com as opiniões, vícios e tradições mundanos.
O Evangelho de Cristo poderia ser pregado, contanto que sincretizasse e juntasse todos os elementos do secularismo conjugados à pregação dele. O que o secularismo buscava era trazer com isto a estratégia de nivelar a pregação do Evangelho ao mundanismo filosófico e como isto fazer uma ponte que por ela transitasse seguramente o secularismo, o culturalismo religioso que é amigo íntimo das ferramentas da secularidade tradicional e que há minado a base de muitos segmentos, fazendo-os conformar-se ao sistema mundo para evitar choques e mantenha “a paz e a ordem” entre os homens.
Entretanto com isto a intenção do secularismo é impor forças implícitas e camufladas para que o homem não venha atentar em ouvir a pregação do Evangelho como este é, e que esse homem não venha ao conhecimento da graça de Deus e da salvação em Cristo pela fé ao ponto de que seja “liberto pelo poder de Jesus Cristo e transportado do império das trevas para o Reino do Filho do amor de Deus”.
O que mais se deseja realmente e se busca efetivamente são a paz e o entendimento entre os homens, entretanto é historicamente patente que esses valores seculares jamais vão ser convergidos entre si em função das diversidades e pluralidade humanas afastadas e divorciada da Palavra de Deus.
Como pregadores jamais pensemos em ceder aos múltiplos apelos e diversificados rogos amistosos do secularismo para que os pregadores do Evangelho revistam uma roupagem amiga dos conceitos mundanos às mensagens que recebemos do Senhor para serem entregues aos homens. Como pregadores também jamais pensemos em ferir a ética, o respeito, a urbanidade, as tradições humanas, às particularidades alheias, com pregações revanchistas “com sabor de mel”, nem pregações potencialmente explicativas e temerosamente aplicativas, negligenciando aos diletos públicos as suas devidas aplicações do que Deus nos diz para ser praticado nas suas vidas. Mudar os fundamentos da pregação e desviar os seus propósitos bíblicos seria nos colocar em posição fatal de prevaricadores contumazes, de hereges, falsos profetas, enganadores de homens, enfim de inimigos de Deus.
Quem quer que seja pode ter a liberdade pessoal de querer ouvir ou fugir da pregação, porém ela é o meio que aprouve e agradou a Deus para salvar os que crêem. Quem quer que seja pode ter a honestidade pessoal de julgar ou absorver a pregação, porém é ela o meio que traz o homem à fé e ao conhecimento de Deus. Qualquer que seja pode ter a espontaneidade pessoal de rejeitar ou aplicar a pregação, porém ela é o veículo provido e movido pelo Senhor para fazer o homem chegar ao conhecimento da salvação. Qualquer que seja pode ter a sensibilidade pessoal de ser movido ou intimado pela genuína pregação, porque ela é inconfundível, inalterável, inamovível. Qualquer que seja pode ter a franqueza de gostar ou odiar a pregação, mas ela não pode ser esquematizada e conformada aos gostos e aprovações particulares do homem. Por mais que o secularismo e os segmentos dos homens forcem influenciar ou mudar a prática da pregação, nenhuma pessoa tem a capacidade, a possibilidade e a probabilidade de mudar os métodos e a vontade de Deus para falar aos homens. A pregação é um projeto de Deus para alcançar os homens a fim de pelo Seu infinito amor convencê-los das coisas de Deus, do amor de Deus, da existência do pecado, da justiça e do juízo, do aperfeiçoamento dos crentes em Cristo no grande empreendimento de Deus aos homens.
Alguém pode dizer que substitua a pregação por discursos. Alguém pode também inferir que suplante a pregação por panfletos, figuras e vídeos. Alguém pode dizer que abafe a pregação com a mostra de músicas, danças e atrações cênicas. Todos esses recursos possuem o seu lugar próprio e devido para atuação, mas a convocação do Senhor Jesus e a equipagem de poder e autoridade para sair e percorrer expulsando os demônios, curando os enfermos e doentes, foram para empreender a pregação do Evangelho anunciando o Reino de Deus aonde quer que chegar a presença do povo de Deus.
Alguém pode ansiosamente desejar calar a pregação ou amordaçar os pregadores. Alguém pode decorosamente classificar e categorizar a pregação com o fim de desviar o seu foco para desmotivar os pregadores. Alguém pode culturalmente intentar encurralar a pregação como uma peça oratória que não deva ser coisa maçante e nem ocupar os pensamentos diários de quem a ouça. Alguém pode influentemente discriminar a pregação como uma prática arcaica e desnecessária para os dias atuais quando tudo se faz em novidade crescente em modernidade e avanço. Enfim, o secularismo “forçando barra” para minar a pregação até que o adversário pudesse conquistar as mentes para que não ousem a pregar e a outros não virem a crer na loucura da pregação, sendo ela provisionada por Deus para salvar os que crêem.
Entretanto, a Bíblia nos deixa claro que a pregação foi a atividade principal de Jesus. A pregação está no centro da missão do Evangelho, e Paulo demonstrou a importância da visão da pregação. A Palavra de Deus nos diz claramente que “agradou a Deus salvar os que crêem por meio da loucura da pregação”, 1Co 1.21.
A própria sabedoria de Deus é loucura para os homens. Aprouve a Deus salvar os homens que crêem na pregação. O meio que agradou a Deus para salvar os que crêem é a loucura da pregação.
Aqui se faz necessário chamar os pregadores modernos à despertarem consciência, se disporem a estudar diligentemente a Palavra de Deus para cumpri-la fielmente e ensiná-la com seriedade, presteza, originalidade e habilidade apropriada à pregação.
A pregação parece loucura para o homem. E quando a visualizamos deste ponto-de-vista escriturístico notamos e identificamos as razões pelas quais a pregação parece loucura aos homens. Uma loucura que conflitou no passado com todos os conceitos humanos que tentaram consertar o homem e são impotentes para fazê-lo. Uma loucura que permanece conflitando no presente com todas as opiniões, ciências, filosofias e metodologias humanas que tentam comportamentalizar ou reconstruir um novo homem segundo os padrões estabelecidos pelo homem.
1. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o pregador.
Uma pessoa que dedica o tempo de sua vida por atender a chamada divina em dispor o seu íntimo para ocupar-se diligentemente a estudar a Palavra de Deus, para com efetiva demonstração de obediência consciente de cumprir a Palavra de Deus e para com irresoluta e firme determinação sair percorrendo a ensiná-la. Muitas vezes indo semeando e chorando em vista das incompreensões e dos obstáculos desafiadores. Muitas vezes sendo sábio faz-se de tolo, sendo lúcido e convicto faz-se de louco, sendo forte e fortalecido no Senhor faz-se fraco, enfim faz-se de tudo para por muitos meios poder levar alguns a serem salvos ao alcançarem o conhecimento de Deus.
2. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos a pregação em si.
Uma prática que exige preparo, domínio, conhecimento prático e aplicativo. Uma atividade que expõe a pessoa do pregador aos mais diversos olhares observadores. Uma sublime missão que leva o pregador ao campo de batalha da alma e do espírito. Uma ação estratégica provida e aprovisionada por Deus para que o Espírito com o seu poder peculiar visite o interior do homem e o convença do pecado, da justiça e do juízo. Uma tarefa espiritual que por ela Deus se agrada em alcançar e salvar os que crêem, esclarecendo o homem para livrá-lo das garras do mundanismo, da força satânica residente nas falsas doutrinas e nas práticas, dos enganos e ilusões religiosas, e do inferno descrito na Palavra de Deus.
3. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o seu conteúdo.
A Palavra de Deus é o conteúdo da pregação. Ela é um conteúdo renovador do entendimento, nutridor do espírito, eficazmente penetrante até as junturas da alma e do espírito e possui a aptidão para discernir os pensamentos e as intenções do coração do homem. Ela é um conteúdo absolutamente potente para esmiuçar todas as estruturas petrificadas de conhecimentos, licitudes e conveniências humanos. Ela é um conteúdo puro que não se mistura aos ditames, regras e convenções humanos, nem mesmo daqueles que se lançam a fazer uso dela. Ela é um conteúdo como uma espada cortante de dois gumes e não permite seu teor e propósito sofrer alterações, emendas, acréscimos e mudanças. Ela é um conteúdo que não cabe ao profissionalismo das áreas humanas e recomenda fortemente que a piedade não seja causa de ganho de dinheiro.
Os vários projetos e visões de evangelização existentes possuem os seus respeitados e honrados valor, importância, utilidade e posição. No mundo moderno as empreitadas de evangelização requerem muito dos pregadores em vista das muitas demandas vindas da seara branca e carente para a ceifa. Para todos esses projetos e visões temos pregadores sérios empenhados aos quais o nosso Deus confiou grandes privilégios em servi-LO para anunciar o conteúdo da Palavra de Deus em espectro muitíssimo amplo.
4. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o seu ouvinte.
As grandes multidões de ouvintes são classificas biblicamente em dois grandes grupos: o dos que se haviam perdidos e o dos crentes salvos e justificados pela fé em Cristo. Pensar nessa dimensão escriturística é um enorme desafio para a mente natural movimentada sob os parâmetros da lógica e do raciocínio limitados às leis da possibilidade e da probabilidade e da sensatez puramente humanas. Tanto é difícil que, como exemplo, desafiou um dos principais mestres judeus sábios e ensinadores considerados e respeitados no tempo de Jesus, o rabi Nicodemos. Tanto é difícil que o apóstolo Paulo buscou empregar vários tipos de linguagens de diversas áreas da vida para explicar e aplicar as verdades espirituais aos seus contemporâneos religiosos judeus, sábios gregos e forenses romanos.
O ouvinte espiritualmente perdido não desperta do sono espiritual que lhe mantém morto em delitos e pecados e distanciado de Deus enquanto não ouvir a pregação. A pregação é que vai lhe trazer a fé ao ouvi-la, e crendo nela passa a perceber que sua vida é tomada pelo Espírito de Deus que passa a fazer morada nele e a plantar uma transformação e modificação interior promovendo mudanças sentidas e percebidas em suas entranhas e enchendo-lhe de valores e coisas espirituais tão importantes e profundos que lhe faz transbordar em gozo e em conhecimento. Trazendo-lhe a nova capacidade de discernir todas as coisas mediante a ação do Espírito.
O ouvinte salvo e justificado pela fé em Cristo, agora despertado do sono espiritual e apto para compreender as coisas espirituais, ao ouvir a pregação aumenta-lhe a fé que se torna mais crescente pelo ouvir. A pregação lhe instrui e lhe faz corrigir erros, lhe causa edificação profunda e lhe motiva a tornar-se ousado em Cristo, lhe dirige aos meios de como se tornar apto e aprovado nas coisas eclesiásticas e na vida de ministério, assim como lhe doutrina.
Ninguém poderia afirmar que um ouvinte da pregação possui em sua frente o poder de escolha em permanecer em sua vida isolada de Deus e se fazer assim consequentemente um réu do juízo vindouro ou em crer na verdade da Palavra de Deus e ser salvo e justificado pela fé em Cristo Jesus, se não fosse a pregação.
Em face de tudo acima, e por essas fortes razões, temos que ainda que a pregação pareça ser uma ação de insanidade mental, um loucura para o homem, todavia ela é a verdadeira sabedoria de Deus para salvar os homens. Não sejam os ditames e os reclames do secularismo que venham influenciar as mensagens da pregação e não sejam as imposições dele que forcem os pregadores modernos a se fazerem íntimos do secularismo e inimigos da loucura da pregação segundo Deus.
Temos visto uma multidão de tendências invadirem os vários segmentos sociais e religiosos com o fim de fazer ruirem os firmes fundamentos da fé e forçarem para que sob a égide do pecado o homem mantenha-se obstinado e preso nas práticas dele, encoberto e abrigado em corações desviados da verdade de Deus, mortos na insensibilidade em não diferenciar o que é santo e o que é profano.
Agora numa época escatológica em que a cada dia os sinais da segunda vinda do Senhor se mostram cada vez mais claros e assimiláveis, que os pregadores modernos não se movam dos conteúdos e dos propósitos da pregação bíblica. Que como os veteranos de maior experiência e proficiência, assim se tornem cada vez mais corajosos e ousados em Deus para conservarem-se íntegros na pregação. Que ainda mais do que aqueles se tornem dispostos em serem diligentes na busca, em serem fiéis no cumprimento e em serem sérios e autênticos no que pregam e ensinam. Seguindo o exemplo de trajetória e currículo de Paulo, o apóstolo pregador aos gentios, jamais devemos recuar em função de possível ameaça de vergonha ou ridicularização contra a mensagem da cruz de Cristo. Jamais devamos nos permitir a sermos movidos de nossos marcos de amigos da loucura segundo Deus para nos fazermos contrários a todos esses séculos de pregações com gloriosos resultados ao flertarmos íntimos do secularismo muitas vezes não percebido em razão de seu engenhoso movimento e estratégias subliminares.
A intimidade com o secularismo arrasta ao estado de insipidez, e “quando se torna insípido, sem sabor ou com o sabor desqualificado, para nada mais tem utilidade a não ser para ser lançado fora e ser pisado pelos homens”. Quando se perde o sabor ou apresenta o sabor desqualificado, perde-se também a originalidade e a probidade, perde-se a distinção e se torna vulgarizado e desrespeitado.
PbGS
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Por alguns minutos antes de assumir o púlpito para ministração de um estudo bíblico na série de estudos que a mim foi confiada ao atender mais um bom convite, e enquanto ainda sentado na tribuna de uma admirável igreja, após ouvir o canto de lindos louvores a Deus, digo realmente efetivos louvores a Deus, o Espírito do Senhor me fez folhear algumas páginas de minha Bíblia. E naquele momento minha atenção foi atraída a dois versículos escritos pelo apóstolo dos gentios, Paulo, em 1Coríntios 1.21-22.
E o relógio me conferiu tempo suficiente para que minha memória sob o impacto da graça de Deus penetrasse na cativante história de trajetória e currículo de um grande homem de Deus, possuidor de talentos, qualidades, dons espirituais, múltiplas experiências vivenciadas e poderosas obras em Deus – o apóstolo Paulo.
E agora neste momento de descanso oportuno, sou trazido a fazer registrar com clareza o que podemos absorver em nossa alma e imprimir no nosso espírito acerca da pregação, a fim de que não sejamos íntimos do secularismo, e sim amigos da loucura segundo Deus.
Vejamos primeiro algumas coisas notórias na trajetória e no currículo do apóstolo Paulo, começando por observar o seu tempo no Judaísmo como quando ainda era chamado Saulo, um dos principais cidadãos do Sinédrio judaico, e depois de convertido a Cristo como quando veio a receber o nome de Paulo, um pregador do Evangelho. Fatos curriculares bem conhecidos e citados por muitos, todavia ainda pouquíssimo refletidos ao pé da letra e meditados na profundidade da história, por um número considerável de pregadores modernos.
Comecemos por olhar que o Judaísmo conferira à vida de Paulo base sólida de sua convicção pessoal acerca de seu credo e de sua história e de seu zelo pessoal quanto à sua religiosidade e sua tradição. Paulo, o então Saulo, não era um homem de “poucas letras”, nem sequer um indouto. Bem como não era um elemento inserido num respeitável grupo de magistrados por uma questão de privilégios financeiros ou sob forças políticas que o favorecessem a fazer parte adjacente daquele contexto. Paulo, o então Saulo, não era um homem unicultural, de apenas um idioma e de apenas uma nacionalidade. Não era um elemento influenciador com vida resumida ao poder de presença.
Da história pessoal do tribuno Saulo podemos confiantemente compreender que se tratava de uma pessoa bem centrada e versada, convicta e segura, e determinada na sua visão de propósitos e no seu domínio social e religioso. Saulo demonstrava ser uma pessoa equilibrada em emoções e sentimentos. Seus atos e escritos demonstram haver nele um claro domínio da capacidade de ajuizar coisas e fatos mediante o firme crivo da lógica e do raciocínio assim como pelo conhecimento e pela sua crença. Era uma pessoa extraordinariamente sábia em lidar com as circunstâncias e contingências humanas e sensatamente conhecedora na capacidade e habilidade de comandar e liderar a ponto de obter a confiabilidade dos maiorais do seu povo através de carta representativa delegando-lhe plenos poderes para cruzar todo o território, penetrar nos recintos de ajuntamentos, cultos e reuniões, violar a intimidade dos aconchegos domésticos, diligenciar execuções penais e prisões para as quais as sentenças fossem fundamentadas nas leis e tradições judaicas e aplicadas as penas impostas instantâneas e tempestivas. Recebera um tipo de poder e autoridade tão consistentes que não foram em momento algum interferidos e nem doutrinados pelo governo romano de então.
Imaginem os meus caros e generosos leitores que histórico curricular possuía Saulo no Judaísmo. Imaginem a formação secular e religiosa, a capacidade titular, a inteireza e integridade de Saulo, a sua habilidade de interagir em seu mundo. Imaginem os privilégios e as honras que graciosamente Deus concedeu a coroarem a vida daquele Saulo.
Agora, passemos a olhar a vida de Paulo como um pregador cristão converso e convicto como servo de Deus que foi. Que choque de mudanças espetaculares ocorrera em sua vida a partir de sua nova experiência com o Senhor no caminho de Damasco. Imaginemos quais e quantas lutas e desafios houvera passado Paulo ao iniciar a sua nova missão independente de sua vontade pregressa. Aquele que até o momento de seu encontro com Jesus no caminho de Damasco possuía todas as honras e privilégios confiados e conferidos pelas autoridades judaicas e intocadas pelo poder romano para que exatamente perseguisse e executasse, e agora tamanha personalidade se deparava com uma verdade que antes ignorantemente perseguia por desconhecê-la. Imaginem como não foram os primeiros dias de conversão daquele tribuno que estava a partir daqueles momentos deixando a sua cadeira vazia no Sinédrio judaico, deixando o seu apogeu de posições, tradições e religiosidades, vendo-se singrando em outra dimensão espiritual, enxergando-se entrar em outro mundo que sendo ligado ao seu anterior mesmo assim para ele era novo.
Imaginem os primeiros dias de conversão, os primeiros meses de adaptação à nova realidade dentro da verdade que já conhecera pelas bases fundamentais. Imaginem a transição de identidade religiosa e de perspectivas. Como olhar agora o novo Paulo que antes havia sido o velho Saulo? Imaginem os primeiros anos de desafios pessoais começando a ser integrado ao meio dos crentes sem que nada dissesse já subsistia debaixo de fortes suspeitas e com uma sentença divina sobre a sua vida “este é um vaso por mim escolhido para levar a minha Palavra e padecerá muito por causa do meu nome”, disse Jesus naqueles momentos acerca de Paulo. Ninguém mais tivera prova pessoal mais clara e contundente do seu momento de conversão que o próprio Paulo. Provas aquelas que ficaram fortemente impressas em sua alma e para sempre marcadas em seu espírito, carregando-as acesas no seu íntimo durante toda a sua trajetória.
Uma nova proposta de jornada agora se apresentava para a vida de Paulo. Uma proposta que veio enriquecer sua trajetória e seu currículo de vida. Seus conhecimentos teológicos agora receberam uma visão abrangente, seus conceitos espirituais ganharam maiores claridade e definições. Todo o seu domínio de religiosidade e tradicionalismo obtive um foco mais amplamente detalhado. Enfim agora já não era apenas um Paulo cheio de privilégios por seu histórico de prestígios e conhecimentos e autoridade religiosa. Começava a se levantar uma nova estrutura de vida naquele que estava sendo preparado para ser o “vaso escolhido para padecer” pelo nome do Senhor. Foi discipulado e integrado ao seio da igreja, foi posto no meio dos apóstolos para obter experiências e vivendo diariamente no meio dos crentes teve a suficiente experiência fundamental que deram prova de sua conversão e aquiescência ao ponto de obter posição favorável confirmada entre os crentes, culminando a confirmação testemunhal de sua chamada e vocação ao ser separado pelo Espírito Santo para a obra de pregação do Evangelho de Jesus Cristo.
Durante sua vida de pregação, Paulo recebeu o privilégio de trabalhar incansavelmente para o Senhor, viajando em missões, pregando e ensinando ao mais que pôde. Experimentou as mais dolorosas agruras da caminhada pelas perseguições sofridas, pelos embates contra os ensinamentos religiosos legalistas, pelo combate contra as heresias e suas ameaças contra a fé cristã, pelas incompreensões e rejeições, pelos muitos e múltiplos riscos e desafios que vieram lhe confrontar contra a sua vida e tentar fazer desmerecido o seu ministério cristão.
Enfim a obra do Senhor na vida de Paulo foi sendo consolidada a cada experiência que vinha sendo coroada com a vida prática cotidiana na sua jornada. A aplicação de seus conhecimentos teológicos agora já por muito havia saído da limitação das letras e adentrado na elevada dimensão do Espírito a ponto de haver obtido a inspiração e a revelação divinas para escrever com muita propriedade e profundidade o arcabouço de doutrinas que vêm atravessando por séculos a vida congregacional da igreja e a vida individual particular de cada crente em Cristo, dando-nos incontestáveis provas da manutenção e cuidado do Espírito Santo sobre todos os que crêem e vivem em Cristo Jesus.
Paulo, o apóstolo pregador, empreendeu uma jornada de pregação tão eficiente que dirigido pelo Espírito “fez-se de tudo para poder ganhar alguns”, não se envergonhou do Evangelho quando este estava sendo odiado, perseguido, rejeitado e desprezado pelos grandes e entendidos e entre estes mediocrisado. O secularismo da época insultou o Evangelho, tentou mediocrisar a pregação, investiu forte contra o Evangelho utilizando o poder político, hábitos e costumes avessos à família humana, a ciência e as filosofias humanas. O mundo dos hábitos, costumes e práticas multi-idólatras sociais e gerais das pessoas do contexto da época dos dias de Paulo se levantavam como barreiras com fim impeditivo contra a pregação do Evangelho. Enfim, o secularismo perfazia um conjunto sincrético e dominava o mundo de então através das correntes de pensamentos que se alastravam e disseminavam o secularismo influenciando as sociedades por onde este aportasse.
O apóstolo pregador, Paulo, não se deixou ser dobrado pela influência ferrenha do secularismo. Paulo manteve-se firme e convicto na "loucura" do que cria e pregava. Paulo em momento algum cedeu a mensagem do Cristo Vivo às linhas de pensamentos e modismos do secularismo. Estar filiado e amigado ao mundo secular e conformado ao seu esquema eram fortes e atraentes propostas tentadoras usadas como instrumento de proteção de vida contra o desprezo e a vergonha por parte da sociedade daquela época. O secularismo conjugado se impunha com ferramentas de chantagem para manter subjugado todo entendimento a fim de que aquele que se levantasse ou fosse levantado para pregar contra ele sofria e padecia sérias conseqüências.
O mundo de então gostaria de ouvir coisas plurirreligiosas em geral, mas a doutrina do Caminho não poderia ser nivelada, assemelhada ou igualada àquelas. Ela certamente iria tocar em determinados assuntos que certamente iriam conflitar com as opiniões, vícios e tradições mundanos.
O Evangelho de Cristo poderia ser pregado, contanto que sincretizasse e juntasse todos os elementos do secularismo conjugados à pregação dele. O que o secularismo buscava era trazer com isto a estratégia de nivelar a pregação do Evangelho ao mundanismo filosófico e como isto fazer uma ponte que por ela transitasse seguramente o secularismo, o culturalismo religioso que é amigo íntimo das ferramentas da secularidade tradicional e que há minado a base de muitos segmentos, fazendo-os conformar-se ao sistema mundo para evitar choques e mantenha “a paz e a ordem” entre os homens.
Entretanto com isto a intenção do secularismo é impor forças implícitas e camufladas para que o homem não venha atentar em ouvir a pregação do Evangelho como este é, e que esse homem não venha ao conhecimento da graça de Deus e da salvação em Cristo pela fé ao ponto de que seja “liberto pelo poder de Jesus Cristo e transportado do império das trevas para o Reino do Filho do amor de Deus”.
O que mais se deseja realmente e se busca efetivamente são a paz e o entendimento entre os homens, entretanto é historicamente patente que esses valores seculares jamais vão ser convergidos entre si em função das diversidades e pluralidade humanas afastadas e divorciada da Palavra de Deus.
Como pregadores jamais pensemos em ceder aos múltiplos apelos e diversificados rogos amistosos do secularismo para que os pregadores do Evangelho revistam uma roupagem amiga dos conceitos mundanos às mensagens que recebemos do Senhor para serem entregues aos homens. Como pregadores também jamais pensemos em ferir a ética, o respeito, a urbanidade, as tradições humanas, às particularidades alheias, com pregações revanchistas “com sabor de mel”, nem pregações potencialmente explicativas e temerosamente aplicativas, negligenciando aos diletos públicos as suas devidas aplicações do que Deus nos diz para ser praticado nas suas vidas. Mudar os fundamentos da pregação e desviar os seus propósitos bíblicos seria nos colocar em posição fatal de prevaricadores contumazes, de hereges, falsos profetas, enganadores de homens, enfim de inimigos de Deus.
Quem quer que seja pode ter a liberdade pessoal de querer ouvir ou fugir da pregação, porém ela é o meio que aprouve e agradou a Deus para salvar os que crêem. Quem quer que seja pode ter a honestidade pessoal de julgar ou absorver a pregação, porém é ela o meio que traz o homem à fé e ao conhecimento de Deus. Qualquer que seja pode ter a espontaneidade pessoal de rejeitar ou aplicar a pregação, porém ela é o veículo provido e movido pelo Senhor para fazer o homem chegar ao conhecimento da salvação. Qualquer que seja pode ter a sensibilidade pessoal de ser movido ou intimado pela genuína pregação, porque ela é inconfundível, inalterável, inamovível. Qualquer que seja pode ter a franqueza de gostar ou odiar a pregação, mas ela não pode ser esquematizada e conformada aos gostos e aprovações particulares do homem. Por mais que o secularismo e os segmentos dos homens forcem influenciar ou mudar a prática da pregação, nenhuma pessoa tem a capacidade, a possibilidade e a probabilidade de mudar os métodos e a vontade de Deus para falar aos homens. A pregação é um projeto de Deus para alcançar os homens a fim de pelo Seu infinito amor convencê-los das coisas de Deus, do amor de Deus, da existência do pecado, da justiça e do juízo, do aperfeiçoamento dos crentes em Cristo no grande empreendimento de Deus aos homens.
Alguém pode dizer que substitua a pregação por discursos. Alguém pode também inferir que suplante a pregação por panfletos, figuras e vídeos. Alguém pode dizer que abafe a pregação com a mostra de músicas, danças e atrações cênicas. Todos esses recursos possuem o seu lugar próprio e devido para atuação, mas a convocação do Senhor Jesus e a equipagem de poder e autoridade para sair e percorrer expulsando os demônios, curando os enfermos e doentes, foram para empreender a pregação do Evangelho anunciando o Reino de Deus aonde quer que chegar a presença do povo de Deus.
Alguém pode ansiosamente desejar calar a pregação ou amordaçar os pregadores. Alguém pode decorosamente classificar e categorizar a pregação com o fim de desviar o seu foco para desmotivar os pregadores. Alguém pode culturalmente intentar encurralar a pregação como uma peça oratória que não deva ser coisa maçante e nem ocupar os pensamentos diários de quem a ouça. Alguém pode influentemente discriminar a pregação como uma prática arcaica e desnecessária para os dias atuais quando tudo se faz em novidade crescente em modernidade e avanço. Enfim, o secularismo “forçando barra” para minar a pregação até que o adversário pudesse conquistar as mentes para que não ousem a pregar e a outros não virem a crer na loucura da pregação, sendo ela provisionada por Deus para salvar os que crêem.
Entretanto, a Bíblia nos deixa claro que a pregação foi a atividade principal de Jesus. A pregação está no centro da missão do Evangelho, e Paulo demonstrou a importância da visão da pregação. A Palavra de Deus nos diz claramente que “agradou a Deus salvar os que crêem por meio da loucura da pregação”, 1Co 1.21.
A própria sabedoria de Deus é loucura para os homens. Aprouve a Deus salvar os homens que crêem na pregação. O meio que agradou a Deus para salvar os que crêem é a loucura da pregação.
Aqui se faz necessário chamar os pregadores modernos à despertarem consciência, se disporem a estudar diligentemente a Palavra de Deus para cumpri-la fielmente e ensiná-la com seriedade, presteza, originalidade e habilidade apropriada à pregação.
A pregação parece loucura para o homem. E quando a visualizamos deste ponto-de-vista escriturístico notamos e identificamos as razões pelas quais a pregação parece loucura aos homens. Uma loucura que conflitou no passado com todos os conceitos humanos que tentaram consertar o homem e são impotentes para fazê-lo. Uma loucura que permanece conflitando no presente com todas as opiniões, ciências, filosofias e metodologias humanas que tentam comportamentalizar ou reconstruir um novo homem segundo os padrões estabelecidos pelo homem.
1. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o pregador.
Uma pessoa que dedica o tempo de sua vida por atender a chamada divina em dispor o seu íntimo para ocupar-se diligentemente a estudar a Palavra de Deus, para com efetiva demonstração de obediência consciente de cumprir a Palavra de Deus e para com irresoluta e firme determinação sair percorrendo a ensiná-la. Muitas vezes indo semeando e chorando em vista das incompreensões e dos obstáculos desafiadores. Muitas vezes sendo sábio faz-se de tolo, sendo lúcido e convicto faz-se de louco, sendo forte e fortalecido no Senhor faz-se fraco, enfim faz-se de tudo para por muitos meios poder levar alguns a serem salvos ao alcançarem o conhecimento de Deus.
2. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos a pregação em si.
Uma prática que exige preparo, domínio, conhecimento prático e aplicativo. Uma atividade que expõe a pessoa do pregador aos mais diversos olhares observadores. Uma sublime missão que leva o pregador ao campo de batalha da alma e do espírito. Uma ação estratégica provida e aprovisionada por Deus para que o Espírito com o seu poder peculiar visite o interior do homem e o convença do pecado, da justiça e do juízo. Uma tarefa espiritual que por ela Deus se agrada em alcançar e salvar os que crêem, esclarecendo o homem para livrá-lo das garras do mundanismo, da força satânica residente nas falsas doutrinas e nas práticas, dos enganos e ilusões religiosas, e do inferno descrito na Palavra de Deus.
3. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o seu conteúdo.
A Palavra de Deus é o conteúdo da pregação. Ela é um conteúdo renovador do entendimento, nutridor do espírito, eficazmente penetrante até as junturas da alma e do espírito e possui a aptidão para discernir os pensamentos e as intenções do coração do homem. Ela é um conteúdo absolutamente potente para esmiuçar todas as estruturas petrificadas de conhecimentos, licitudes e conveniências humanos. Ela é um conteúdo puro que não se mistura aos ditames, regras e convenções humanos, nem mesmo daqueles que se lançam a fazer uso dela. Ela é um conteúdo como uma espada cortante de dois gumes e não permite seu teor e propósito sofrer alterações, emendas, acréscimos e mudanças. Ela é um conteúdo que não cabe ao profissionalismo das áreas humanas e recomenda fortemente que a piedade não seja causa de ganho de dinheiro.
Os vários projetos e visões de evangelização existentes possuem os seus respeitados e honrados valor, importância, utilidade e posição. No mundo moderno as empreitadas de evangelização requerem muito dos pregadores em vista das muitas demandas vindas da seara branca e carente para a ceifa. Para todos esses projetos e visões temos pregadores sérios empenhados aos quais o nosso Deus confiou grandes privilégios em servi-LO para anunciar o conteúdo da Palavra de Deus em espectro muitíssimo amplo.
4. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o seu ouvinte.
As grandes multidões de ouvintes são classificas biblicamente em dois grandes grupos: o dos que se haviam perdidos e o dos crentes salvos e justificados pela fé em Cristo. Pensar nessa dimensão escriturística é um enorme desafio para a mente natural movimentada sob os parâmetros da lógica e do raciocínio limitados às leis da possibilidade e da probabilidade e da sensatez puramente humanas. Tanto é difícil que, como exemplo, desafiou um dos principais mestres judeus sábios e ensinadores considerados e respeitados no tempo de Jesus, o rabi Nicodemos. Tanto é difícil que o apóstolo Paulo buscou empregar vários tipos de linguagens de diversas áreas da vida para explicar e aplicar as verdades espirituais aos seus contemporâneos religiosos judeus, sábios gregos e forenses romanos.
O ouvinte espiritualmente perdido não desperta do sono espiritual que lhe mantém morto em delitos e pecados e distanciado de Deus enquanto não ouvir a pregação. A pregação é que vai lhe trazer a fé ao ouvi-la, e crendo nela passa a perceber que sua vida é tomada pelo Espírito de Deus que passa a fazer morada nele e a plantar uma transformação e modificação interior promovendo mudanças sentidas e percebidas em suas entranhas e enchendo-lhe de valores e coisas espirituais tão importantes e profundos que lhe faz transbordar em gozo e em conhecimento. Trazendo-lhe a nova capacidade de discernir todas as coisas mediante a ação do Espírito.
O ouvinte salvo e justificado pela fé em Cristo, agora despertado do sono espiritual e apto para compreender as coisas espirituais, ao ouvir a pregação aumenta-lhe a fé que se torna mais crescente pelo ouvir. A pregação lhe instrui e lhe faz corrigir erros, lhe causa edificação profunda e lhe motiva a tornar-se ousado em Cristo, lhe dirige aos meios de como se tornar apto e aprovado nas coisas eclesiásticas e na vida de ministério, assim como lhe doutrina.
Ninguém poderia afirmar que um ouvinte da pregação possui em sua frente o poder de escolha em permanecer em sua vida isolada de Deus e se fazer assim consequentemente um réu do juízo vindouro ou em crer na verdade da Palavra de Deus e ser salvo e justificado pela fé em Cristo Jesus, se não fosse a pregação.
Em face de tudo acima, e por essas fortes razões, temos que ainda que a pregação pareça ser uma ação de insanidade mental, um loucura para o homem, todavia ela é a verdadeira sabedoria de Deus para salvar os homens. Não sejam os ditames e os reclames do secularismo que venham influenciar as mensagens da pregação e não sejam as imposições dele que forcem os pregadores modernos a se fazerem íntimos do secularismo e inimigos da loucura da pregação segundo Deus.
Temos visto uma multidão de tendências invadirem os vários segmentos sociais e religiosos com o fim de fazer ruirem os firmes fundamentos da fé e forçarem para que sob a égide do pecado o homem mantenha-se obstinado e preso nas práticas dele, encoberto e abrigado em corações desviados da verdade de Deus, mortos na insensibilidade em não diferenciar o que é santo e o que é profano.
Agora numa época escatológica em que a cada dia os sinais da segunda vinda do Senhor se mostram cada vez mais claros e assimiláveis, que os pregadores modernos não se movam dos conteúdos e dos propósitos da pregação bíblica. Que como os veteranos de maior experiência e proficiência, assim se tornem cada vez mais corajosos e ousados em Deus para conservarem-se íntegros na pregação. Que ainda mais do que aqueles se tornem dispostos em serem diligentes na busca, em serem fiéis no cumprimento e em serem sérios e autênticos no que pregam e ensinam. Seguindo o exemplo de trajetória e currículo de Paulo, o apóstolo pregador aos gentios, jamais devemos recuar em função de possível ameaça de vergonha ou ridicularização contra a mensagem da cruz de Cristo. Jamais devamos nos permitir a sermos movidos de nossos marcos de amigos da loucura segundo Deus para nos fazermos contrários a todos esses séculos de pregações com gloriosos resultados ao flertarmos íntimos do secularismo muitas vezes não percebido em razão de seu engenhoso movimento e estratégias subliminares.
A intimidade com o secularismo arrasta ao estado de insipidez, e “quando se torna insípido, sem sabor ou com o sabor desqualificado, para nada mais tem utilidade a não ser para ser lançado fora e ser pisado pelos homens”. Quando se perde o sabor ou apresenta o sabor desqualificado, perde-se também a originalidade e a probidade, perde-se a distinção e se torna vulgarizado e desrespeitado.
PbGS
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quinta-feira, 4 de março de 2010
Pregador sem mensagem
PREGADOR E PREGAÇÃO
Parte II – Pregador sem mensagem
Em artigo anterior iniciei o tema “Pregador e Pregação”, começando por dividi-lo em duas partes, a fim de possibilitar a melhor compreensão sobre o mesmo, assim como facilitar o posicionamento dos caros leitores no assunto.
Na sua primeira parte, intitulada no tópico “Pregação e Picaretagem" -, lhes trouxe o comentário inicial concentrado especificamente sobre a vida do pregador. Por causa dele e em favor de muitos amigos e companheiros, recebi algumas notas e comentários em minha caixa de e-mails. Para alguns destes infelizmente nesta vida não temos respostas porque somente a eternidade irá fazer provar sob a força do fogo a obra de cada um em dado momento.
Agora, nesta oportunidade, pretendo trazer em continuação ao tema proposto, o seu complemento na sua segunda parte intitulada – “Pregador sem mensagem” -, na qual me atenho a comentar especialmente sobre as deficiências ou ausência de mensagem na pregação.
E respondendo a uma ilustre e bem-vinda pergunta feita por um generoso leitor amigo, amante apaixonado pela pregação e ensino genuínos da Palavra de Deus, da cidade de Vitória-ES, proponho-me a dizer preliminarmente quais razões me trouxeram a escrever sobre tão urgente, premente e oportuno tema, que por certo ser relativamente extenso, ora o comento de forma dividida em dois grandes tópicos mais detalhadamente para que sejam de ajuda útil em apagar ilusões e despertar consciências, assim como produzir uma alegria incentivadora naqueles que compreendem bem o que neles está escrito.
A primeira deve-se ao fato de que quando tantos olhares repletos de satisfações e contentamentos admiradores por vezes permitem-se em deixar ser levados a visualizar a sublime tarefa de pregar - que é uma rica ordenança biblicamente divina e um privilégio singular abertos e concedidos na Nova Aliança por graça diretamente ao homem redimido pelo sangue do Cordeiro de Deus – comparativamente fazem eles a uma atividade cênica quase teatral como se a pregação fosse uma apresentação artístico-cultural sonhada e idealizada na engenhosidade da mente e no calor dos desejos humanos que parte do campo da naturalidade, da criatividade, da intelectualidade e da capacidade acadêmica. Com vistas a isto, não é muito dizer comprovadamente que já temos por este país afora encontrado pessoas iludidamente “sonhando” predileções especiais e fantasiosas assim como preferências conjecturais e pretensiosas, imaginadas apenas no mundo da mente delirante e desprovida do verdadeiro teor da responsabilidade consciente do dever ministerial, apoiado na chamada e vocação específicas para o ministério da Palavra como pregador, assistido pelo Senhor sob as condições mais adversas inerentes enfrentadas no embate em oposição a tudo que se chama Deus ou O adora.
Concorde ao teor deste artigo está um dos competentes lampejos recentes que clarearam boa parte das gentes que amam apaixonadamente a pregação, umas tanto no ministrá-la como outras no ouvi-la, foi o de certo pregador experiente e que vem sendo muito usado por Deus na prédica, um marcante expoente que também tem sido um veículo de Deus expressivamente influenciador e incentivador para uma geração de pregadores jovens em nosso país, em uma ocasião dissera publicamente com certa propriedade e boa medida de exortação que “não são o broche, a gravata, as abotoaduras, o relógio, a roupa, os sapatos e a pasta dos pregadores que movimentam ou interessam ou realizam o trabalho de Deus em alcançar as almas sedentas, famintas e carentes da graça salvadora e em fortalecer e edificar o povo de Deus, mas sim uma vida repleta, convicta e possuidora de poder e autoridade empartidos por Deus para a tarefa de sair pelo mundo pregando e ensinando tudo o que o Senhor Jesus tem nos ensinado”.
Ainda há muita gente delirantemente iludida alimentando seus sonhos por itens desprezíveis e alegóricos, e influenciadas pela culturalização artística dos tempos modernos, visam equivocadamente como mais importante para a pregação as situações, os lugares e públicos especiais e mais atraentes para os quais deliram e anseiam “pregar”.
Vez por outras temos nos deparado com indivíduos mentalmente delirantes que dizendo-se serem “pregadores” nunca passaram nos desertos, jamais estiveram no calor ardente da fornalha da vida, nenhum currículo paupável construíram a não ser os adquiridos friamente em leituras e angariados academicamente nos bancos escolares, sem contar com os emocionalistas condutores do “ré-té-té” aparentemente pentecostais, e que no afã do insidioso espírito de competitividade em busca de dinheiro e fama fortemente se opõem a nós pregadores, pequenos ou grandes, experientes ou expoentes, um tanto já provados e marcados pelos traços diversificados da caminhada na vida cristã e na vida ministerial constante e perseverante na pregação e no ensino da Palavra.
Outrossim a segunda razão deve-se ao comprovado fato de que tem surgido uma safra de pregações ora deficientes em mensagem e ora ausentes de mensagem. Isto tem sido relativamente fácil em ser percebido pelos muitos públicos, com alguns dos quais temos contato direto e com outros notícias a distância. Alguns destes públicos hoje retornando aos princípios e recomendações quase históricos, têm concentrado esforços em buscar mais criteriosa e conscientemente em ter em suas tribunas e ouvir em seus púlpitos pregadores comprometidos de fato simultaneamente com Deus, com as Escrituras Sagradas e com os seu ministérios e a estes dedicado suas vidas com zelo e vigor, e não mais o lamentável quadro manchado de profissionais religiosos falantes e desprovidos de testemunho pessoal contagiante e influenciador, em atividades eclesiásticas em ser prestadores de serviço aos grupos gospel cujo compromisso está concentradamente dirigido a si mesmos e aos seus públicos.
E entrando no campo deste artigo a propósito em forma de comentário, posso assertivamente lhes assegurar que pode parecer estranho, mas se tem ouvido muitas pregações deficientes em mensagem e outras tantas sem mensagem por este mundo afora. O quanto pior e grave para o púlpito e para o público ainda mais se torna quando se ouve por um tempo prolongado muitas falas e gesticulações conjuntas a ricas leituras bíblicas e elogiáveis citações argumentativas porém ausentes de mensagem bíblica. Como pode haver isto? Perguntaria o meu caro e generoso leitor. Existirem pregações deficientes em mensagem e ausentes de mensagem bíblica!
Por incrível que pareça, atualmente ainda existem mais rebanhos sendo alimentados por emocionalismos verbalizados em forma de pregações do que por pregação cristã com mensagem bíblica propriamente dita. Há rebanhos emotivamente vivos e coreograficamente movimentados, sendo nutridos com pregações “bombas energéticas verbais” compostas por um elenco de ingredientes casados do idealismo, do otimismo e da auto-afirmação para desenvolverem uma estrutura e performance temporárias e relativistas embasadas na mistura bombástica do humanismo e do racionalismo. Rebanhos sendo forçados a “comerem” um tipo de “alimentação” completamente desbalanceada que ao passar do tempo apresentam os sérios sintomas sequelares neles de que vinham apenas lhes sendo ministrado alimentos que produzem inchações volumosas na alma e debilidades e dormências no espírito. As conseqüências disto vão desde a apostasia até as heresias e atitudes e comportamentos puramente nominais, artificiais e céticos em relação a todas as coisas que se refiram ao Senhor, à Sua bendita Palavra e à Sua amada Igreja.
Um grande pregador do passado foi muito feliz em sua inspirada frase que muito nos fala ainda hoje ao dizer que “se uma pregação tem boa mensagem, precisa ser longa; se não a possui nem a transmite, precisa ser breve” -. E Willian Matthews, outro orador expoente do passado, já dissera que “o orador que não pode pôr fogo em seu discurso, deve pôr seus discursos no fogo”.
Acredito piamente que todos nós pregadores empreendemos uma vida devocional e de oração para que possamos nos manter sensíveis ao Espírito de Deus e Dele receber Suas mensagens, haja vista que “sem Ele nada podemos fazer”. Mas existem alguns aspectos na pregação que Deus entregou ao elemento humano para que este co-responsavelmente coloque-se a trabalhar cooperativamente com Ele, e para tanto é preciso que este elemento humano atente para alguns pontos a fim de que seu trabalho de anunciar as Boas Novas de Deus obtenha êxito, seja eficiente e eficaz e produza realmente frutos que glorifiquem a Deus.
Na pregação, vejamos alguns pontos que serão comentados no presente artigo e que mostram a indicação de deficiência de mensagem e ausência de mensagem bíblica na pregação.
O primeiro e mais comum destes pontos é a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária. Muitas mensagens seriam de fato mensagens bíblicas se contivessem substância doutrinária sólida. Uma multidão de pregadores por negligenciar o conteúdo disciplinador dos conselhos de Deus, leva públicos a sofrerem de deficiência doutrinária, ao mesmo tempo que arrasta ouvintes para a rejeição cética e supersticiosa própria de pessoas que abraçam tudo que apenas lhe seja conveniente e agradável aos seus pontos-de-vista particulares e que em nada lhes ensinem sobre o arcabouço inteiro da vontade e dos conselhos de Deus. As pessoas necessitam ser essencialmente lideradas e poderosamente guiadas na sabedoria e no conhecimento progressivo de Deus, isto é conseguido mediante à pregação que contenha substancial doutrinário que esteja exegeticamente apoiada e textualmente orientada, a fim de que o ouvinte cresça e se enriqueça no conhecimento da graça de Deus.
Quando o ouvinte não é levado à pregação que possua em si conteúdo doutrinário, ele adquire conceitos parciais e fragmentados da verdade bíblica.
O segundo e mais notado destes pontos é a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial. Não são as palavras dos pregadores que garantem a aprovação de Deus no que particularmente falam, mas o que confere poder espiritual e marca do Espírito na pregação é a sólida substância bíblica com sua autoridade própria na mensagem que eles transmitem. Sem um substancial conteúdo bíblico pode se ter uma pregação, mas se torna impossível o ter nela mensagem bíblica. Pode se ter toques de atraentes requintes oratórios e de ilustres e brilhantes retoques e arranjos retóricos, porém nada se ter de efetivo e poderoso conteúdo substancial bíblico.
As centenas de milhares de conteúdos extra-bíblicos diversos com os quais nos deparamos diariamente podem nos levar a exercícios e a reflexões extremamente úteis e apreciáveis, todavia eles por si nada podem em causar efeitos e impactos significativos na vida espiritual das pessoas individualmente que nos ouvem, e seja muito possível e aceitável que falem aos seus princípios morais e éticos-sociais. Disto temos boa e considerável consciência literária sobre eles, todavia também somos suficientemente maduros, experientes e habilitados em afirmar que são desprovidos do pleno poder e autoridade espiritual das Escrituras Sagradas que transformam o homem e o transporta da triste condição de cegueira espiritual do império das trevas para a clara realidade do reino do Filho de Deus.
Assim sendo, qualquer coisa, seja qual importância particular que a nós represente, acrescentada ou eliminada dos escritos de Deus não possui pregação verdadeira e por conseguinte não contém mensagem potencialmente bíblica.
Além desses dois pontos, um outro amplamente contribuinte tanto para a deficiência como para a ausência de mensagem é a debilidade expressa na aplicação prática. Um grande número de pregadores realmente são munidos de conteúdo bíblico e outros são bons conhecedores de conteúdo doutrinário. Porém melhor lhes seria acrescentar a isto o desenvolvimento da capacidade e habilidade em lidar com a aplicação prática nas suas mensagens. A pregação bíblica dotada de riquezas em aplicação para a vida prática une dois importantes elos – um é o passado e o outro é o presente; um é o literário e escriturístico e o outro é o ouvinte vivendo na atualidade corrente. A Palavra de Deus possui milhares e milhares de conteúdos que embasam milhões de aplicações práticas intemporais para a vida diária das pessoas em qualquer tempo e em qualquer lugar.
E um dos fatores que tem deixado muitas pregações sem mensagens concentra-se neste ponto – a deficiência ou ausência de aplicação prática na pregação -. As verdades bíblicas são superficialmente exploradas e exegeticamente negligenciadas por uma multidão de pregadores. Suas pregações falam muitas e diversas linhas de argumentação – algumas sem “liga” por serem ou estarem desconexas e outras por suas “baterias de morteiros e canhões” abrirem fogo potente porém dirigido a muitas coisas genéricas e ao mesmo tempo em nenhum alvo definidamente específico visado nas suas linhas de visada do “tiro”. Estes pregadores possuem a capacidade extraordinária em tentar equilibrar suas pregações dirigindo seu olhar curto que apenas é dirigido até sua “massa de mira”, porém faltando-lhes o trabalho da habilidade na aplicação prática, disparam seus fortes “disparos” em objetivos multidiversificados sem em nenhum deles atingir com o impacto que se espera e se propõe na pregação.
A aplicação prática é o elemento didático da pregação bíblica. A pregação bíblica deve ser mais formativa do que informativa, haja vista que a Palavra de Deus é a regra de fé e prática. De quase nada se tem proveito em tomar conhecimento dos conteúdos bíblicos com a finalidade informativa. De pouco ou quase nada vale o ouvir multidões de frases que desprovidas de elemento didático e nenhum princípio intemporal, eterno, seja trazido ao mundo da vida prática de cada uma das pessoas que nos ouvem. A aplicação prática é a ponte que liga a vida dos ouvintes hodiernos à vida dos personagens, escritores e fatos bíblicos, como citou um dos mais considerados expoentes da pregação expositiva, J.R.W. Stott, que “a aplicação liga dois mundos: o antigo ao moderno”. A aplicação prática envolve o ouvinte na mensagem levando-o à tomada de posicionamento pessoal seguro e definido conforme os moldes da Palavra de Deus diante de situações de sua vida, promovendo sérios confrontos em relação às suas escolhas e decisões de áreas de sua vida pessoal, fazendo com isto poder declarar que sua vida está sendo de fato guiada pelo Senhor.
Em suma, na aplicação prática da pregação é Deus falando ao homem através de uma mensagem absolutamente bíblica, efetivamente doutrinária e potencialmente ensinadora, animadora, fortalecedora e edificante para todas as áreas de nossa vida. O sistema mundo gostaria imensamente que a pregação bíblica dirigida a ele se resumisse a um lindo desempenho cultural-religioso de elocução comunicativa como arte demonstrativa de capacidade e habilidade oratórias em forma de discurso religioso de natureza puramente informativa que atraia a atenção, satisfaça ânimos e colha aplausos.
Daí já podemos com melhor discernimento compreender a forte razão de evitarmos uma pregação do estilo “decoreba” que apenas informe e em pouco ou nada forme na vida do ouvinte. De certo que na pregação cristã os temas bíblicos sempre se repetem e se renovam porque a Palavra de Deus tem a propriedade de dinamismo, de renovação e de produção de vida. E no processo didático da pregação, a repetição é um elemento componente de extrema importância que promove o acesso constante à apreensão e retenção dos conteúdos das mensagens ministradas na prédica. A repetição somente torna-se enfadonha e tediosa quando o pregador pouco se aplica ao trabalho dinâmico da busca e renovação dos conteúdos bíblicos para a aplicação prática das mensagens que se prega. O Senhor instrui a Sua igreja a usar em suas práticas de ensinamento através de ações o método didático da repetição, e isto podemos encontrar desde o Antigo até ao Novo Testamentos nas expressões “todas as vezes que fazeres” e em outras com os mesmos sentidos.
Os conteúdos escriturísticos são os mesmos, entretanto quando são trazidos na pregação a transitar pela “ponte” que liga o mundo antigo ao atual estamos com isto contextualizando os ensinamentos informativos e formativos, a fim de estes na aplicação prática produzam edificação, fortalecimento, renovação, na vida do ouvinte que está predisposto a ir mais além do que apenas se alegrar em ouvir.
Eu louvo a Deus pela vida de excelentes expositores bíblicos contemporâneos que Ele graciosamente levantou neste país. Certamente que se utilizando das antigas bibliografias de outros expositores bíblicos estrangeiros do passado, e somadas a elas os conteúdos aprendidos de seus mestres e as suas experiências pessoais no ministério da Palavra – constituindo estas últimas em fator relevante para todo aquele que abnegada, sincera e confiantemente nele trabalha seriamente para o Senhor e serve aos públicos -, eles vêm sendo usados como eficientes e poderosos instrumentos nas mãos de Deus para transmitir lições e conhecimentos práticos consideravelmente influentes na obra de muitos pregadores de língua portuguesa que hoje temos conosco neste país na rica demonstração de como aplicar os conteúdos bíblicos na vida diária experimental de nossos ouvintes.
Isto me traz à memória uma ocasião marcante no fim da década de 90, na qual Deus me concedera a oportunidade inesquecível de ser recebido e acolhido juntamente com o querido e amado amigo obreiro pentecostal jamaicano Leslie Smith em visita a uma curta festividade de três dias no distrito de Gosport, município administrativo regional de Portsmouth, no sudoeste da Inglaterra, quando no culto vespertino de domingo naquela então pequena e ao mesmo tempo amavelmente grande igreja – a Jacob’s Well Pentecostal Church -, liderada pelo pastor local assistido por uma pastora, ouvimos uma das pregações cuja entrega estava tão atrelada e fixada na aplicação prática à vida dos ouvintes que o tema do esboço escrito ao ser distribuído após o culto na entrada principal daquele pequeno templo se tornou a saudação entre todos nós que ali estávamos participando, dada a importância que o elemento didático da pregação exerce sobre a vida de quem a ouve.
Não poucas vezes temos ouvido pregações cuja mensagem se torna indefinível e não-identificável, quando se ouve pregadores falarem sobre tantos assuntos que vão se enveredando por labirintos de argumentações sem destino a um propósito, sem indução a uma lição específica, sem direção a uma máxima que seja facilmente acessada em momentos pessoais de reflexão fora do templo e sem uma proposta redentora que atinja e desperte o coração do ouvinte para as realidades espirituais que nos envolvem a todo instante e em todos os lugares.
Em vista de tudo isto, se faz necessário que todos urgentemente empreendam no esforço individual de pautar nossa obra de pregadores e ensinadores cristãos com vistas a que nas nossas pregações não haja a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária para que nossos públicos acessem e compreendam as riquezas de Deus e assim possam amá-lO e servi-lO cada vez melhor, bem como não exista a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial para que nossos públicos palmilhem seguramente guiados pelo que nas Escrituras Sagradas escrito está e também nos aprimoremos cada vez mais para que as mensagens se tornem ricas e poderosas em aplicação prática para que a vida do ouvinte no mundo moderno seja ligada aos princípios que nortearam as vidas e os fatos do mundo antigo cujas lições Deus quer que tomemos conhecimento e apliquemos ao nosso viver diário para nos fazer fortes e sóbrios diante das circunstâncias que a vida nos envolve. Lembrando-nos de que a pregação da Palavra de Deus é uma sublime tarefa dada a nós, e por esta causa não podemos de maneira alguma negligenciá-la nos tornando pregadores sem mensagem.
PbGS
Parte II – Pregador sem mensagem
Em artigo anterior iniciei o tema “Pregador e Pregação”, começando por dividi-lo em duas partes, a fim de possibilitar a melhor compreensão sobre o mesmo, assim como facilitar o posicionamento dos caros leitores no assunto.
Na sua primeira parte, intitulada no tópico “Pregação e Picaretagem" -, lhes trouxe o comentário inicial concentrado especificamente sobre a vida do pregador. Por causa dele e em favor de muitos amigos e companheiros, recebi algumas notas e comentários em minha caixa de e-mails. Para alguns destes infelizmente nesta vida não temos respostas porque somente a eternidade irá fazer provar sob a força do fogo a obra de cada um em dado momento.
Agora, nesta oportunidade, pretendo trazer em continuação ao tema proposto, o seu complemento na sua segunda parte intitulada – “Pregador sem mensagem” -, na qual me atenho a comentar especialmente sobre as deficiências ou ausência de mensagem na pregação.
E respondendo a uma ilustre e bem-vinda pergunta feita por um generoso leitor amigo, amante apaixonado pela pregação e ensino genuínos da Palavra de Deus, da cidade de Vitória-ES, proponho-me a dizer preliminarmente quais razões me trouxeram a escrever sobre tão urgente, premente e oportuno tema, que por certo ser relativamente extenso, ora o comento de forma dividida em dois grandes tópicos mais detalhadamente para que sejam de ajuda útil em apagar ilusões e despertar consciências, assim como produzir uma alegria incentivadora naqueles que compreendem bem o que neles está escrito.
A primeira deve-se ao fato de que quando tantos olhares repletos de satisfações e contentamentos admiradores por vezes permitem-se em deixar ser levados a visualizar a sublime tarefa de pregar - que é uma rica ordenança biblicamente divina e um privilégio singular abertos e concedidos na Nova Aliança por graça diretamente ao homem redimido pelo sangue do Cordeiro de Deus – comparativamente fazem eles a uma atividade cênica quase teatral como se a pregação fosse uma apresentação artístico-cultural sonhada e idealizada na engenhosidade da mente e no calor dos desejos humanos que parte do campo da naturalidade, da criatividade, da intelectualidade e da capacidade acadêmica. Com vistas a isto, não é muito dizer comprovadamente que já temos por este país afora encontrado pessoas iludidamente “sonhando” predileções especiais e fantasiosas assim como preferências conjecturais e pretensiosas, imaginadas apenas no mundo da mente delirante e desprovida do verdadeiro teor da responsabilidade consciente do dever ministerial, apoiado na chamada e vocação específicas para o ministério da Palavra como pregador, assistido pelo Senhor sob as condições mais adversas inerentes enfrentadas no embate em oposição a tudo que se chama Deus ou O adora.
Concorde ao teor deste artigo está um dos competentes lampejos recentes que clarearam boa parte das gentes que amam apaixonadamente a pregação, umas tanto no ministrá-la como outras no ouvi-la, foi o de certo pregador experiente e que vem sendo muito usado por Deus na prédica, um marcante expoente que também tem sido um veículo de Deus expressivamente influenciador e incentivador para uma geração de pregadores jovens em nosso país, em uma ocasião dissera publicamente com certa propriedade e boa medida de exortação que “não são o broche, a gravata, as abotoaduras, o relógio, a roupa, os sapatos e a pasta dos pregadores que movimentam ou interessam ou realizam o trabalho de Deus em alcançar as almas sedentas, famintas e carentes da graça salvadora e em fortalecer e edificar o povo de Deus, mas sim uma vida repleta, convicta e possuidora de poder e autoridade empartidos por Deus para a tarefa de sair pelo mundo pregando e ensinando tudo o que o Senhor Jesus tem nos ensinado”.
Ainda há muita gente delirantemente iludida alimentando seus sonhos por itens desprezíveis e alegóricos, e influenciadas pela culturalização artística dos tempos modernos, visam equivocadamente como mais importante para a pregação as situações, os lugares e públicos especiais e mais atraentes para os quais deliram e anseiam “pregar”.
Vez por outras temos nos deparado com indivíduos mentalmente delirantes que dizendo-se serem “pregadores” nunca passaram nos desertos, jamais estiveram no calor ardente da fornalha da vida, nenhum currículo paupável construíram a não ser os adquiridos friamente em leituras e angariados academicamente nos bancos escolares, sem contar com os emocionalistas condutores do “ré-té-té” aparentemente pentecostais, e que no afã do insidioso espírito de competitividade em busca de dinheiro e fama fortemente se opõem a nós pregadores, pequenos ou grandes, experientes ou expoentes, um tanto já provados e marcados pelos traços diversificados da caminhada na vida cristã e na vida ministerial constante e perseverante na pregação e no ensino da Palavra.
Outrossim a segunda razão deve-se ao comprovado fato de que tem surgido uma safra de pregações ora deficientes em mensagem e ora ausentes de mensagem. Isto tem sido relativamente fácil em ser percebido pelos muitos públicos, com alguns dos quais temos contato direto e com outros notícias a distância. Alguns destes públicos hoje retornando aos princípios e recomendações quase históricos, têm concentrado esforços em buscar mais criteriosa e conscientemente em ter em suas tribunas e ouvir em seus púlpitos pregadores comprometidos de fato simultaneamente com Deus, com as Escrituras Sagradas e com os seu ministérios e a estes dedicado suas vidas com zelo e vigor, e não mais o lamentável quadro manchado de profissionais religiosos falantes e desprovidos de testemunho pessoal contagiante e influenciador, em atividades eclesiásticas em ser prestadores de serviço aos grupos gospel cujo compromisso está concentradamente dirigido a si mesmos e aos seus públicos.
E entrando no campo deste artigo a propósito em forma de comentário, posso assertivamente lhes assegurar que pode parecer estranho, mas se tem ouvido muitas pregações deficientes em mensagem e outras tantas sem mensagem por este mundo afora. O quanto pior e grave para o púlpito e para o público ainda mais se torna quando se ouve por um tempo prolongado muitas falas e gesticulações conjuntas a ricas leituras bíblicas e elogiáveis citações argumentativas porém ausentes de mensagem bíblica. Como pode haver isto? Perguntaria o meu caro e generoso leitor. Existirem pregações deficientes em mensagem e ausentes de mensagem bíblica!
Por incrível que pareça, atualmente ainda existem mais rebanhos sendo alimentados por emocionalismos verbalizados em forma de pregações do que por pregação cristã com mensagem bíblica propriamente dita. Há rebanhos emotivamente vivos e coreograficamente movimentados, sendo nutridos com pregações “bombas energéticas verbais” compostas por um elenco de ingredientes casados do idealismo, do otimismo e da auto-afirmação para desenvolverem uma estrutura e performance temporárias e relativistas embasadas na mistura bombástica do humanismo e do racionalismo. Rebanhos sendo forçados a “comerem” um tipo de “alimentação” completamente desbalanceada que ao passar do tempo apresentam os sérios sintomas sequelares neles de que vinham apenas lhes sendo ministrado alimentos que produzem inchações volumosas na alma e debilidades e dormências no espírito. As conseqüências disto vão desde a apostasia até as heresias e atitudes e comportamentos puramente nominais, artificiais e céticos em relação a todas as coisas que se refiram ao Senhor, à Sua bendita Palavra e à Sua amada Igreja.
Um grande pregador do passado foi muito feliz em sua inspirada frase que muito nos fala ainda hoje ao dizer que “se uma pregação tem boa mensagem, precisa ser longa; se não a possui nem a transmite, precisa ser breve” -. E Willian Matthews, outro orador expoente do passado, já dissera que “o orador que não pode pôr fogo em seu discurso, deve pôr seus discursos no fogo”.
Acredito piamente que todos nós pregadores empreendemos uma vida devocional e de oração para que possamos nos manter sensíveis ao Espírito de Deus e Dele receber Suas mensagens, haja vista que “sem Ele nada podemos fazer”. Mas existem alguns aspectos na pregação que Deus entregou ao elemento humano para que este co-responsavelmente coloque-se a trabalhar cooperativamente com Ele, e para tanto é preciso que este elemento humano atente para alguns pontos a fim de que seu trabalho de anunciar as Boas Novas de Deus obtenha êxito, seja eficiente e eficaz e produza realmente frutos que glorifiquem a Deus.
Na pregação, vejamos alguns pontos que serão comentados no presente artigo e que mostram a indicação de deficiência de mensagem e ausência de mensagem bíblica na pregação.
O primeiro e mais comum destes pontos é a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária. Muitas mensagens seriam de fato mensagens bíblicas se contivessem substância doutrinária sólida. Uma multidão de pregadores por negligenciar o conteúdo disciplinador dos conselhos de Deus, leva públicos a sofrerem de deficiência doutrinária, ao mesmo tempo que arrasta ouvintes para a rejeição cética e supersticiosa própria de pessoas que abraçam tudo que apenas lhe seja conveniente e agradável aos seus pontos-de-vista particulares e que em nada lhes ensinem sobre o arcabouço inteiro da vontade e dos conselhos de Deus. As pessoas necessitam ser essencialmente lideradas e poderosamente guiadas na sabedoria e no conhecimento progressivo de Deus, isto é conseguido mediante à pregação que contenha substancial doutrinário que esteja exegeticamente apoiada e textualmente orientada, a fim de que o ouvinte cresça e se enriqueça no conhecimento da graça de Deus.
Quando o ouvinte não é levado à pregação que possua em si conteúdo doutrinário, ele adquire conceitos parciais e fragmentados da verdade bíblica.
O segundo e mais notado destes pontos é a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial. Não são as palavras dos pregadores que garantem a aprovação de Deus no que particularmente falam, mas o que confere poder espiritual e marca do Espírito na pregação é a sólida substância bíblica com sua autoridade própria na mensagem que eles transmitem. Sem um substancial conteúdo bíblico pode se ter uma pregação, mas se torna impossível o ter nela mensagem bíblica. Pode se ter toques de atraentes requintes oratórios e de ilustres e brilhantes retoques e arranjos retóricos, porém nada se ter de efetivo e poderoso conteúdo substancial bíblico.
As centenas de milhares de conteúdos extra-bíblicos diversos com os quais nos deparamos diariamente podem nos levar a exercícios e a reflexões extremamente úteis e apreciáveis, todavia eles por si nada podem em causar efeitos e impactos significativos na vida espiritual das pessoas individualmente que nos ouvem, e seja muito possível e aceitável que falem aos seus princípios morais e éticos-sociais. Disto temos boa e considerável consciência literária sobre eles, todavia também somos suficientemente maduros, experientes e habilitados em afirmar que são desprovidos do pleno poder e autoridade espiritual das Escrituras Sagradas que transformam o homem e o transporta da triste condição de cegueira espiritual do império das trevas para a clara realidade do reino do Filho de Deus.
Assim sendo, qualquer coisa, seja qual importância particular que a nós represente, acrescentada ou eliminada dos escritos de Deus não possui pregação verdadeira e por conseguinte não contém mensagem potencialmente bíblica.
Além desses dois pontos, um outro amplamente contribuinte tanto para a deficiência como para a ausência de mensagem é a debilidade expressa na aplicação prática. Um grande número de pregadores realmente são munidos de conteúdo bíblico e outros são bons conhecedores de conteúdo doutrinário. Porém melhor lhes seria acrescentar a isto o desenvolvimento da capacidade e habilidade em lidar com a aplicação prática nas suas mensagens. A pregação bíblica dotada de riquezas em aplicação para a vida prática une dois importantes elos – um é o passado e o outro é o presente; um é o literário e escriturístico e o outro é o ouvinte vivendo na atualidade corrente. A Palavra de Deus possui milhares e milhares de conteúdos que embasam milhões de aplicações práticas intemporais para a vida diária das pessoas em qualquer tempo e em qualquer lugar.
E um dos fatores que tem deixado muitas pregações sem mensagens concentra-se neste ponto – a deficiência ou ausência de aplicação prática na pregação -. As verdades bíblicas são superficialmente exploradas e exegeticamente negligenciadas por uma multidão de pregadores. Suas pregações falam muitas e diversas linhas de argumentação – algumas sem “liga” por serem ou estarem desconexas e outras por suas “baterias de morteiros e canhões” abrirem fogo potente porém dirigido a muitas coisas genéricas e ao mesmo tempo em nenhum alvo definidamente específico visado nas suas linhas de visada do “tiro”. Estes pregadores possuem a capacidade extraordinária em tentar equilibrar suas pregações dirigindo seu olhar curto que apenas é dirigido até sua “massa de mira”, porém faltando-lhes o trabalho da habilidade na aplicação prática, disparam seus fortes “disparos” em objetivos multidiversificados sem em nenhum deles atingir com o impacto que se espera e se propõe na pregação.
A aplicação prática é o elemento didático da pregação bíblica. A pregação bíblica deve ser mais formativa do que informativa, haja vista que a Palavra de Deus é a regra de fé e prática. De quase nada se tem proveito em tomar conhecimento dos conteúdos bíblicos com a finalidade informativa. De pouco ou quase nada vale o ouvir multidões de frases que desprovidas de elemento didático e nenhum princípio intemporal, eterno, seja trazido ao mundo da vida prática de cada uma das pessoas que nos ouvem. A aplicação prática é a ponte que liga a vida dos ouvintes hodiernos à vida dos personagens, escritores e fatos bíblicos, como citou um dos mais considerados expoentes da pregação expositiva, J.R.W. Stott, que “a aplicação liga dois mundos: o antigo ao moderno”. A aplicação prática envolve o ouvinte na mensagem levando-o à tomada de posicionamento pessoal seguro e definido conforme os moldes da Palavra de Deus diante de situações de sua vida, promovendo sérios confrontos em relação às suas escolhas e decisões de áreas de sua vida pessoal, fazendo com isto poder declarar que sua vida está sendo de fato guiada pelo Senhor.
Em suma, na aplicação prática da pregação é Deus falando ao homem através de uma mensagem absolutamente bíblica, efetivamente doutrinária e potencialmente ensinadora, animadora, fortalecedora e edificante para todas as áreas de nossa vida. O sistema mundo gostaria imensamente que a pregação bíblica dirigida a ele se resumisse a um lindo desempenho cultural-religioso de elocução comunicativa como arte demonstrativa de capacidade e habilidade oratórias em forma de discurso religioso de natureza puramente informativa que atraia a atenção, satisfaça ânimos e colha aplausos.
Daí já podemos com melhor discernimento compreender a forte razão de evitarmos uma pregação do estilo “decoreba” que apenas informe e em pouco ou nada forme na vida do ouvinte. De certo que na pregação cristã os temas bíblicos sempre se repetem e se renovam porque a Palavra de Deus tem a propriedade de dinamismo, de renovação e de produção de vida. E no processo didático da pregação, a repetição é um elemento componente de extrema importância que promove o acesso constante à apreensão e retenção dos conteúdos das mensagens ministradas na prédica. A repetição somente torna-se enfadonha e tediosa quando o pregador pouco se aplica ao trabalho dinâmico da busca e renovação dos conteúdos bíblicos para a aplicação prática das mensagens que se prega. O Senhor instrui a Sua igreja a usar em suas práticas de ensinamento através de ações o método didático da repetição, e isto podemos encontrar desde o Antigo até ao Novo Testamentos nas expressões “todas as vezes que fazeres” e em outras com os mesmos sentidos.
Os conteúdos escriturísticos são os mesmos, entretanto quando são trazidos na pregação a transitar pela “ponte” que liga o mundo antigo ao atual estamos com isto contextualizando os ensinamentos informativos e formativos, a fim de estes na aplicação prática produzam edificação, fortalecimento, renovação, na vida do ouvinte que está predisposto a ir mais além do que apenas se alegrar em ouvir.
Eu louvo a Deus pela vida de excelentes expositores bíblicos contemporâneos que Ele graciosamente levantou neste país. Certamente que se utilizando das antigas bibliografias de outros expositores bíblicos estrangeiros do passado, e somadas a elas os conteúdos aprendidos de seus mestres e as suas experiências pessoais no ministério da Palavra – constituindo estas últimas em fator relevante para todo aquele que abnegada, sincera e confiantemente nele trabalha seriamente para o Senhor e serve aos públicos -, eles vêm sendo usados como eficientes e poderosos instrumentos nas mãos de Deus para transmitir lições e conhecimentos práticos consideravelmente influentes na obra de muitos pregadores de língua portuguesa que hoje temos conosco neste país na rica demonstração de como aplicar os conteúdos bíblicos na vida diária experimental de nossos ouvintes.
Isto me traz à memória uma ocasião marcante no fim da década de 90, na qual Deus me concedera a oportunidade inesquecível de ser recebido e acolhido juntamente com o querido e amado amigo obreiro pentecostal jamaicano Leslie Smith em visita a uma curta festividade de três dias no distrito de Gosport, município administrativo regional de Portsmouth, no sudoeste da Inglaterra, quando no culto vespertino de domingo naquela então pequena e ao mesmo tempo amavelmente grande igreja – a Jacob’s Well Pentecostal Church -, liderada pelo pastor local assistido por uma pastora, ouvimos uma das pregações cuja entrega estava tão atrelada e fixada na aplicação prática à vida dos ouvintes que o tema do esboço escrito ao ser distribuído após o culto na entrada principal daquele pequeno templo se tornou a saudação entre todos nós que ali estávamos participando, dada a importância que o elemento didático da pregação exerce sobre a vida de quem a ouve.
Não poucas vezes temos ouvido pregações cuja mensagem se torna indefinível e não-identificável, quando se ouve pregadores falarem sobre tantos assuntos que vão se enveredando por labirintos de argumentações sem destino a um propósito, sem indução a uma lição específica, sem direção a uma máxima que seja facilmente acessada em momentos pessoais de reflexão fora do templo e sem uma proposta redentora que atinja e desperte o coração do ouvinte para as realidades espirituais que nos envolvem a todo instante e em todos os lugares.
Em vista de tudo isto, se faz necessário que todos urgentemente empreendam no esforço individual de pautar nossa obra de pregadores e ensinadores cristãos com vistas a que nas nossas pregações não haja a falta de uma sólida substância ou consistência doutrinária para que nossos públicos acessem e compreendam as riquezas de Deus e assim possam amá-lO e servi-lO cada vez melhor, bem como não exista a falta de um considerável conteúdo bíblico substancial para que nossos públicos palmilhem seguramente guiados pelo que nas Escrituras Sagradas escrito está e também nos aprimoremos cada vez mais para que as mensagens se tornem ricas e poderosas em aplicação prática para que a vida do ouvinte no mundo moderno seja ligada aos princípios que nortearam as vidas e os fatos do mundo antigo cujas lições Deus quer que tomemos conhecimento e apliquemos ao nosso viver diário para nos fazer fortes e sóbrios diante das circunstâncias que a vida nos envolve. Lembrando-nos de que a pregação da Palavra de Deus é uma sublime tarefa dada a nós, e por esta causa não podemos de maneira alguma negligenciá-la nos tornando pregadores sem mensagem.
PbGS
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas.
PREGADOR E PREGAÇÃO:
Parte I - Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas.
No mês passado recebi um telefonema de um bom companheiro evangelista, um desbravador incansável, cujas atividades têm tido a relevante eficácia em auxiliar o seu campo de trabalho devido ao fato de seu ministério estar sistemática, direta e persistentemente concentrado na pregação. E reunindo os diversos fatos aos seus enfoques elementares, reservo estes minutos em tomar esta oportunidade para falar de um dos assuntos que para alguns têm sido um tanto evitados e encobertos e para outros são fortemente oportunos e adequadamente cabidos.
E também em atenção ao que muitos companheiros, entre jovens e experientes, têm citado e exaustivamente comentado através de variados meios de comunicação interativa, e venerando e respeitando a todos os escritos de meus antigos mestres e dentre eles os mais experientes veteranos que ainda neste tempo militam reconhecidamente como pregadores, me faz mister sob os sensos de responsabilidade ética e de profundo amor pelo ministério da pregação vir tomado por certa e considerável medida de ousadia e de coragem para a partir deste artigo lhes tecer algumas linhas específica e essencialmente sobre o tema “Pregador e Pregação”, iniciando este com o sub-tópico “Pregação e Picaretagem” – um título aparentemente estranho e desconfortante, mas absolutamente cabido e adequado ao momento.
Proponho-me com este artigo iniciar um breve comentário seqüenciado em duas partes, pautado à guisa de importantes e comprovadas experiências e vivências não particulares, não individuais e muito menos de teóricas resultantes de reflexos de leituras compartimentalizadas, pretensiosas ou tendenciosas.
Nesta primeira, pretendo lhes falar somente sobre a pessoa do pregador e na segunda, exclusivamente sobre a mensagem da pregação. Na verdade, um tema contendo dois bons, substanciosos e exeqüíveis sub-tópicos.
Inicio, pois, por lembrar dos conselhos úteis de alguns renomados e expressivos pregadores do passado, cujas atividades marcaram gerações de novos e sucessivos pregadores, haja vista que o êxito nunca tem seu início no futuro – este apenas revela e desponta a colheita e o clímax daquilo que fora semeado desde antes no passado.
Apesar de terem sido escritos e publicados em épocas um tanto antes da nossa, são tão urgentes e permanecem tão atuais para estes dias e mais especifica e especialmente para ocasiões como esta na qual movido pelo zelo cuidadoso e incentivador tenho a liberdade de me dirigir a outros meus pares companheiros pregadores.
Eis alguns desses conselhos colhidos e citados publicamente por respeitados e honrados pregadores e ensinadores, expressivos servos de Deus, amantes apaixonados pela homilética e pela retórica que este país já conhecera:
O primeiro – “Prega primeiro para ti mesmo e depois pregarás com autoridade aos outros”;
O segundo – “Procura somente o bem das almas e a glória de Deus”; e
O terceiro – “Tua vida fala tão alto que não se pode ouvir os sons das tuas palavras”.
Com estas pequenas pérolas iniciais, como prometi acima, me ponho neste artigo a responder a questionamentos comentando alguns pontos sobre o ministério da pregação – mais especificamente no que tange à vida pessoal do pregador – haja vista a enxurrada de desmerecimentos que vez por outra são forjados para tentar ameaçar e lançar arrojos contra os pregadores sérios, homens de Deus a quem de fato Ele levantou para servi-lo responsavelmente nesta grande obra.
Na verdade, não sou tão de hoje, e acredito piamente que estes meus mais de vinte e cinco anos de jornada de pregação em púlpitos, e ao ar-livre a noite exercitando a prédica com o fervor e atendendo ao chamado e a vocação cooperando juntamente a homens obreiros simples e desbravadores destemidos e quase anônimos como eu, em praças da cidade do Rio de Janeiro na década de 80 e início dos anos 90 (Praça XV-Centro, Largo da Carioca-Centro, Praça Cinelândia-Castelo, Praça Tiradentes-Centro, Praça Largo do Machado-Laranjeiras, Praça São Salvador-Laranjeiras, Largo-calçada entorno da Central do Brasil-Centro, Praça Rio Grande do Norte-Engenho de Dentro, Largo Camarista Meier-Meier, Praça Mauá-Centro, Largo da Água Santa-Piedade), e somando também minha pequenina contribuição ativa nas atividades auxiliares das campanhas e cruzadas evangelísticas naqueles anos na cidade do Rio de Janeiro, me fazem convicta e confortavelmente traçar algumas linhas incentivadoras e ao mesmo tempo esclarecedoras sobre o assunto-tema.
Tenho a justa e clara visão que de forma alguma nossos caros colegas pregadores mais experientes e veteranos em algum momento na leitura deste artigo e no próximo desta sequência de comentários deixariam de lembrar os caminhos pelos quais trilharam, bem como as lições de vida que os têm feito cada vez mais sábios e mais seguros diante de semelhanças com as que encontrarão citadas nestes artigos. Não tenho a pretensão de aferroar os itinerantes (ao contrário, eu os honro e reconheço-os pelos seus sacrifícios pessoais inerentes à obra que Deus lhes confiou), nem de desmotivar os novos e os leigos, pois cada um deles possui suas próprias patentes desde os seus primeiros passos na trajetória de pregação.
Claro e honesto fica, que todos sentimos contentes quando alguém nos encoraja, nos incentiva, nos orienta e nos transmite algo que nos impulsiona a seguir cada vez mais adiante, mas bastante maduros e responsáveis somos para reconhecer nossas próprias fragilidades e limitações e entregar os méritos para Aquele que nos chamou, vocacionou, preparou e levantou nesta e para esta tão grande e importante obra – a pregação da Palavra de Deus.
A vida é extrema e absolutamente dinâmica, e seja por esta causa que a cada tempo retornamos à necessidade de efetuar reciclagem e revisão de tudo quanto havemos aprendido e experimentado ao longo dos anos, a fim de que diante das constantes e novas necessidades do presente nos renovemos e sejamos mais eficientes e eficazes no que Deus nos confiou a realizar na Terra. Algumas coisas realmente devem ser deixadas para trás, sou plena e conscientemente concorde a isto, entretanto outras precisamente devem ser conservadas, mantidas e veneradas, sob pena de perdermos os nossos marcos-norte e singrarmos em rumos absolutamente divergentes daqueles a nós propostos e claramente indicados pelo Senhor Deus. Por negligenciar esta linha de ação, multidões entram em processo contínuo de descaracterização até perderem seus pontos cardeais e suas identidades, passando a conceberem aceitações contrariamente ao que deveriam sobriamente reprovar e rejeitar.
Uma das ações degenerativas provocadas pela prática do pecado é o enfraquecimento de bases espirituais e comportamentais e a conseqüente perda de sensibilidade e o menosprezo ao significado e importância da pregação e do ensinamento genuínos e imparciais da Palavra de Deus. Para algumas pessoas que se titulam como “pregadores”, o sério perigo ronda os seus passos e espiam suas práticas em cada lugar que pisem as plantas de seus pés na pregação ou fora dela. O ato de copiar as práticas de alguém, seja este quem for e seja famoso ou não e evidente ou pouco expressivo, cujas ações conflitem com os princípios bíblicos e estas não condigam com aquelas próprias e naturais do ministério da pregação, pode a qualquer momento serem colocadas no páreo e na igualdade com a picaretagem – uma palavra um tanto dura e desconfortante -. Para tanto, o tempo se encarrega de paulatinamente seguir promovendo as claras revelações além das dos atos pregressos, também das dos ocorrentes, próprios do picareta e suas picaretagens. Digo picaretas e suas picaretagens porque em nada têm em comum com a natureza e essência de pregadores e de pregações, ainda que se utilizem de algumas tribunas e púlpitos para sustentarem seus espíritos de aventuras e de ganâncias das mais diversas e enrustidas.
Ao passo que os fatos revelam e comprovam a necessidade de repetidas vezes voltar didaticamente ao passado para a partir do que fora nele semeado e colhido, valer precipuamente salientar as razões como fatores que trouxeram êxito e eficácia na prédica. Na verdade os tempos de fato mudam e com eles as pessoas e a visão de mundo ganham amplitude também, haja vista que a vida é uma sucessão de causas e conseqüências – dentre outros, este é um princípio dos quais nenhum de nós poderia se isentar.
Enquanto uma multidão de pregadores e ensinadores foca e contenta-se apenas com o momento do púlpito como o fim único de seu trabalho, as multidões apresentam seus clamores de fome e sede de profundas e reais mudanças e de vida espiritual pela Palavra de Deus. E suas carências e debilidades espirituais se arrastam e comprometem as suas estruturas de fé por também não serem potencialmente tratadas pelo conteúdo das mensagens e por vezes pela negligência ou inexperiências da pessoa do pregador. Seja por isto que para uma multidão de “pregadores” seja mais prático e fácil manipular as emoções momentâneas de públicos para eles como única e principal linha mecanicista e automática de trabalho oratório para obter os aplausos e aprovações momentâneas, porquanto desta forma lhes sejam mais promissor o manterem-se conformados e divorciados de uma vida sacrificial e exaustiva como o é a própria do ministério da Palavra como pregador ou ensinador cristão.
A experiência e a vivência dão as mãos a produzirem valores extremamente apreciáveis, bem como habilidades e capacidades valiosíssimas na vida de um pregador ou ensinador cristão que servem de marcas para gerações inteiras. Nada mais eficazes do que o tempo e a prática palmilhados diuturnamente por uma vida de entrega e dedicação realmente efetivas para ofertarem as devidas e esperadas preparação e prontidão de um pregador e fazê-lo pronto e adestrado para o lindo, sublime e honrado trabalho no ministério da Palavra. Enquanto encontramos gerações de pregadores que no passado foram, e no presente uma boa e expressiva parte consegue paciente e perseverantemente sê-lo, preparadas e levantadas no calor íntimo da “sarça ardente” e por conseguinte suas vidas e mensagens expressarem os claros e patentes compromisso e inteireza com o Céu, por outro lado deparamos com a trágica tentação do automatismo e do mecanicismo seduzindo e abraçando uma multidão de “pregadores” que falsa e equivocadamente pensam que tudo se resume no púlpito no qual muitos o fazem lamentavelmente interino e descartável. Na verdade quando falo de tempo e de prática, desejo implicitamente lembrar que estes dois fatores por si somente não são os únicos a trazerem os pregadores ao fim almejado na prédica. Há de se terem aliados a estes as ferramentas necessárias e as oportunidades confiadas, a constância e predisposição para embasar primeiramente uma vida cristã sólida, constante, frutífera e edificadora em conteúdo e em vivência, como também de forma alguma poderia esquecer o que meus bons mestres no passado me foram generosos e persistentes em muitas vezes repetirem os conselhos práticos mesclados aos fundamentos e ao esforço perseverante de didaticamente fazerem seus alunos visualizarem cada vez mais progressivamente do que antes até que lograssem o êxito e atingissem os objetivos propostos ao efetivo aprendizado e ao seu aperfeiçoamento resultante. As gerações de nossos patriarcas estão passando e nelas ao mesmo tempo que nos cativam, nos alertam e também nos ensinam e nos oferecem rastros e trilhas maduras, firmes e inesquecíveis, capazes de nos fazerem caminhar mais próximos e agarrados ao Senhor que nos adestra para a peleja, nos aperfeiçoa para a guerra e nos leva a realizar uma semeadura equilibrada e eficaz.
A pregação não é uma arte simplória de elocução, como uma multidão de “pregadores” forçosamente tentam fazê-la. A eficácia e o poder da pregação não consistem em arranjos e técnicas, nem em apresentações de talentos na oratória ou na expressão oral devida à uma capacidade de elocução desinibida, às vezes inata e às vezes metodicamente aprendida e condicionada. O terreno onde se inicia a eficácia da pregação poderosa é a própria vida do pregador.
Uma pessoa artística pode ser altamente conhecida pelos seus muitos descomprometimentos na sua vida moral particular e no entanto ao assumir os palcos artísticos serem arrasadoramente aplaudidas pela sua arte de desempenho de um papel completamente antagônico aos seus princípios e estilo de vida moralmente inescrupulosos e descomprometidos. Sua prática de vida diária pode não coadunar em coisa alguma diretamente com o que representa em público.
Porém quando se trata de pregador e pregação, terrenos como esses acima jamais devem ser palmilhados por quaisquer que sejam as ofertas, intenções e vantagens aparentes ou não, pois tal maneira de viver e lidar com as coisas sacrossantas fatalmente impedem e detratam o impacto de um ministério de pregação eficaz.
Tive a honra, a oportunidade singular e realmente posso afirmar ter sido um privilégio de nos meus primeiros passos na vida de preparo, ter ouvido de um ilustre mestre a leitura de uma frase que naquela ocasião escrevera no quadro de giz – “A vida de um pregador é a vida de sua pregação” -. Esta proposição é sem dúvida particularmente verdadeira na vida diária de qualquer um que acessa as tribunas e púlpitos como pregador e não “pregador”.
Cada vez mais que o pregador avança o espaço em sua frente, em conseqüência vai indubitavelmente sendo mais conhecido pelas gentes individualmente e pelos ouvintes publicamente. Isto ao passar do tempo pode diminuir ou aumentar a sua influência conforme a qualidade de suas práticas na sua vida diária conhecida. Por isso, alguns “pregadores” são apenas “pregadores” andando soltos como nômades pelas igrejas afora para assim evitarem e “embarreirarem” todo aquele que lhes pretenda conhecer sua vida no que for útil, cabido e necessário como homem público. Esses “pregadores” devem ter o conhecimento de que quando acessamos os lugares expressivos e abertos aos públicos como tribunas e púlpitos para nos dirigirmos rotineiramente a influência da pregação, nos tornamos com esta prática pessoas públicas e, portanto, fatalmente seremos em algum momento e lugar conhecidos mais pormenorizadamente. Se alguém não quer ter pormenores particulares conhecidos, logo, não deve se colocar a acessar a vida pública. Até porque a vida cristã é feita e demonstrada pela prática do exemplo – aqui entra a responsabilidade pessoal requerida pela Palavra de Deus, o falar e a prática da fala -.
Há aqui uma estreita conexão entre o tipo de pessoa que prega ou ensina, com o seu procedimento, e a pregação que este anuncia com o seu comprometimento. Os dois ingredientes da pregação estão na sua natureza – poder do Espírito Santo e plena convicção no coração aliada a uma vida de preparo. Jamais haverá pregador eficaz e pregação eficiente e poderosa se faltar um desses elementos fundamentais na prédica, pois a ausência de um deles compromete todo o trabalho de pregação e revela a negligência ou a inaptidão para compreender a sua importância e mostra o descaso, o menosprezo e a farsa impostora como as péssimas marcas de vida.
Não preciso frisar detalhadamente que esses ingredientes estão direta e intimamente relacionados com a fé mantida numa boa consciência sem a qual a pregação se manteria como uma mera arte de elocução artística tomando espaço e tempo nas tribunas e púlpitos. Nenhum santuário e alma alguma carecem de arte de elocução como marca da operação do Espírito de Deus na pregação. Enquanto em uns predomina exclusivamente a “febre ardente” pela homilética e nesta fincam-se a se fazerem doutos afiados e afinados de tal forma que congelam seus estilos de vida pessoal em linhas únicas mecanizadas de procedimentos querendo fazer com que sua pregação seja apenas apreciada e aplaudida em virtude de seus arranjos e arrojos e improvisos técnicos, não se importando com a sua parte homem como elemento integrante da prédica. Estes querem forçosamente desligar sua pregação de sua vida pessoal, e isto vai sendo revelado aos públicos com tal claridade que chega a um ponto de decisão e de confrontamento, levando-o a um momento crítico e a uma séria tomada de posição na sua vida espiritual, moral, ministerial, familiar e eclesiástica. Esses percebem que sua vida e pregação estão sempre vazias em alguma coisa e em alguma área e que se continuarem no mesmo ritmo vão naufragar nas águas do inconformismo frustrante como tantos outros soçobram. Na pregação é preciso muito mais do que conhecimentos e domínios de técnicas – é necessário todo o conjunto de vida do pregador e de sua pregação.
Em outros enraízam a ansiedade acirrada pela busca faminta de promoção de fama, de dinheiro e propagação de “prestação de serviço às igrejas e aos ministérios” de tal maneira que se extraviam e perdem o principal foco e propósito do ministério da pregação, tornando-se apenas “nomes artísticos da prédica gospel” desprovidos de originalidade e sobretudo de autoridade próprias do pregador do Evangelho da graça de Deus. Estes no princípio fazem de um tudo para não despertarem-se do sonho iludido de supostos pregadores, todavia quando pelas conjunturas da caminhada são despertados dele contra as suas próprias vontades e caprichos pessoais, percebem assustadoramente de olhos abertos o abismo resultante criado por eles mesmos entre suas realidades pessoais e a realidade do Reino de Deus. Lamentavelmente nestes meus consideráveis anos já vi o triste estado final de homens que infelizmente se enveredaram por este caminho até serem vistos e tornados em peças robóticas e folclóricas esquecidas e ultrapassadas em razão de suas próprias semeaduras.
O pregador cristão deve tratar e cuidar bem primeiramente da sua qualidade de vida cotidiana para, então, em segundo lugar fazê-lo da mesma forma com a sua pregação. O motivo principal do pregador não se direciona a ele mesmo, nem à sua pregação em si, mas às questões urgentes da salvação dos perdidos e da edificação dos salvos, e isto não é feito com palavras apenas, mas sim com a constante visão de Reino de Deus sob a aprovação de Deus sobre o seu trabalho e sua maneira de vida pessoal conjuntamente. O temor a Deus nos conduz a motivos puros e aprovados diante do Senhor e dos homens, e que O glorificam. E é exatamente este em que temos que nos resguardar ante às imensidade e diversidade da seara.
Uma das marcas mais fantasticamente impressionadora de um picareta fanfarrão é a facilidade que este possui em emitir suas muitas palavras com a capacidade de transformar a suja e feia roupagem de suas mentiras escondidas em uma limpa e bonita capa de verdades aberta – uma mágica mescla ilusória -. Um renomado e experiente pregador e mestre do passado, do qual tive a oportunidade de ouvi-lo citar certa vez, disse a frase “não se pode ser um fanfarrão e um pregador, pois a transformação de um fanfarrão para um pregador é uma dolorosa e extremamente difícil metamorfose”.
A auto-disciplina e a autêntica seriedade para com o ministério da pregação não são valores instantâneos em esforços automáticos adquiridos de um dia para a noite – isto leva anos produzindo frutos de maturidade. Estes valores são demorados a ganharem firmeza e têm sido negligenciados por uma multidão de pregadores, principalmente os que surgem afoitos e acesos no raiar da alva e por lhes faltarem a vivência e a experiência basilares, logo recolhem apagados e reclusos no escurecer da noite. O ímpeto precipitado e a infantilidade improdutiva os impulsionam afoitamente atraídos pelo desejo puramente humano de estarem discursando na frente de uma multidão de pessoas como sendo isto o seu fim único de satisfação do ego, levando-lhes a falarem coisas impensadas, mal-concebidas e irresponsáveis sobre si sem ter a justa e clara visão auto-crítica sobre si mesmos e sobre o que realmente são e precisam para sê-lo como pregadores de fato.
E desprezando os requisitos exigidos para uma efetiva caminhada de pregação, cerram seus olhos e tampam seus ouvidos aos conselhos e exemplos extremamente úteis dos pregadores experientes e dos veteranos muito mais experientes, e lançam-se prematuramente no campo de peleja sem perceberem com mais consciência e discernimento que estão na verdade no meio de uma batalha espiritual real e verdadeira e que nesta eles são alvos claros e bem definidos do adversário, e que por esta razão devem cada vez, como todos os pregadores eficazes, adestrarem-se e permitirem ser discipulados e disciplinados e adestrados para a ferrenha e continuada guerra.
Como eu dissera antes em um dos meus artigos publicado no apreciado e respeitado jornal evangélico de maior circulação – O Mensageiro da Paz, da nossa querida e amada Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), edição de outubro do ano passado intitulado “Pregadores ou meros faladores da Palavra” – que nenhum pregador está pronto e devidamente preparado para o ministério da pregação com menos de quinze anos no adestramento e dedicação constantes. É preciso ter mais do que apenas tempo, idade e estudos -. E como disse mais recentemente um dentre os que foram meus honrados e venerandos mestres, pregador e ensinador experiente e veterano do qual tive o privilégio de apreender e reter boas e importantes lições reflexivas na antiga AD de São Cristovão-RJ, o querido e amado Pastor Geziel Gomes, um grande exemplo incentivador e encorajador para aquela geração de jovens alunos dos princípios dos anos 80 na qual Deus foi absolutamente gracioso para comigo em me permitir ser dela participante – disse ele “Deus precisa de pelo menos vinte anos para nos tornar adestrados para a batalha. É preciso paciência e perseverança de nossa parte para que Deus nos faça adestrados para a batalha”. (lembro-me fervorosamente desta ilustre citação feita no 25º Aniversário dos GMUH, Camboriú-SC).
São anos de perseverante dedicação, renúncias pessoais e livre entrega às experiências de vida, à chamada e vocação, sacrificando muitas vezes outros momentos e ocupações para com a família, parentes e amigos. É relativamente fácil para uma pessoa imprudente e desordenada abandonar a vida de comunhão de suas igrejas sob as muitas desculpas pessoais particulares e sair pelas igrejas dizendo-se ser um pregador.
Um outro bom e honrado mestre ensinador, um abnegado e sincero servo de Deus, professor de seminário teológico na antiga AD de São Cristovão-RJ, hoje promovido à glória, o saudoso Pastor Milton Barros, na sua simplicidade e simpatia frisava enfaticamente aos mais jovens que “não precisamos sair pelo mundo afora dizendo e levantando propagandas que somos pregadores, porque pregador que é pregador leva a marca de ganhar almas e evangelizar dentro do seu coração pacientemente e aproveitando as oportunidades que tiver”.
É possível que o neo-converso e os ainda “meninos” afirmem de forma contraproducente que não se precisa de tantos anos, mas a realidade histórica dos fatos sempre revelou que quando estes bem não deixam surgir o primeiro “espinho” dolorido e incômodo decorrente da caminhada e das aflições da vida cristã, saem pelas igrejas movidos pelo afã de propagarem ser “pregadores”. Em parte esses neófitos encontram o falso abrigo em meios também neófitos, meios caídos da graça e fragilizados, meios levados pela desordem e instabilidade pelos ventos estranhos e meios pouco ou quase nada comprometidos com a seriedade e solidez do ensinamento bíblico e dos cuidados eclesiásticos trabalhosos diretos para com aqueles que pertencem efetivamente aos seus círculos. Deve-se pregar a Palavra de Deus a tempo e fora de tempo, e importa que ela seja pregada por quaisquer pessoas e meios, entretanto jamais devemos fechar nossos olhos para o resultado final de quem e do meio pelos quais a Palavra é pregada.
Falar destas coisas a imaturos e neófitos imprudentes e precipitados, afoitos e inconseqüentes seria uma possível e lastimável perda de tempo e naturalmente nenhum fruto apreciável poderia esperar deles, mas bem que poderiam aproveitá-las agradecidamente para com a glória de Deus. Todavia transmiti-las a sábios e perseverantes, aprendizes e cuidadosos me conforta inestimavelmente por visualizar os frutos que possam advir, haja vista que devemos “ensinar ao sábio e este se fará mais sábio ainda”. E é neste espírito que este provérbio escriturístico se faz uma divisa de todo pregador ou ensinador cristão.
Tenho ouvido de vários ouvintes e em vários lugares que sujeitos estão subindo às tribunas e acessando os púlpitos, e sendo a eles permitido apresentarem-se como pregadores cristãos, quando na verdade os públicos param para ouvi-los, vêem diante de si pessoas absolutamente carentes de preparação e testemunho pessoal que nosso tempo requer e exige, pessoas desconhecedoras do próprio texto sagrado com o qual lida para que norteie a suas prédicas, completamente alheias e à beira da ignorância dos princípios bíblicos e dos rudimentos eclesiásticos, demonstrando profundas deficiências no exercício do ministério da pregação, produzindo péssimas marcas nesta e para as futuras gerações. “Pregadores” pautados “no embrulha e manda”, preparando “enlatados instantâneos mal-temperados” para entregarem aos rebanhos do Senhor em resultado de uma vida imprudente e improdutiva. “Pregadores” que estão levantando-se a cada dia com sermões frutos de interpretações fantasiosas e alegóricas particulares e sem mensagem de Deus e limitados apenas à passagem bíblica lida, deixando o público a entender que se sair do que está tentando “apresentar” é derrocada certa e fatal no abismo da ignorância e do descaso. Muitas vezes temos na verdade visto os públicos serem levados forçosamente a engolirem “extratos de palhas secas esquematicamente bem divididas e com cobertura atraente de princípios bíblicos fatiadamente enxertados” e quando muito postos em “pratos enfeitados pela relativa facilidade artística de expressão oral e de “presença de palco”.
Dou graças ao Eterno Deus pelos mestres pregadores experientes e veteranos que entregaram e dispuseram os anos de suas preciosas vidas com visão de Reino de Deus para honestamente ensinarem a outros a darem continuação aos seus trabalhos. Por um lado sentimos imensamente a falta do companheirismo e da conversa salutar e edificante de alguns já recolhidos a estarem juntos com o Senhor, e por outro sinto-me alegre e profundamente grato a Deus pelos outros que na força do Senhor estão ousada e corajosamente militando em nosso tempo sob o poder e a graça inspiradores do Espírito Santo, e destes não podemos de forma alguma esquecê-los nem muito menos menosprezá-los sob pena de desprezando isto vir a termos gerações futuras de apenas faladores artistas e folclóricos, e não de pregadores. Gerações perdidas sem marco e sem rumo orientadores navegando nos mares revoltos que cada vez mais já se despontam em suas altas vagas espumantes e tenebrosas do relativismo, do culturalismo, da superficialidade e da artificialidade coroadas pela hipocrisia da aparência que a cada dia buscam tragar aqueles que por viverem divorciados do companheirismo com Deus firmam-se em “muletas e bengalas” do conformismo frio aquecido apenas eventualmente pelo calor do emocionalismo festeiro que alegra as circunstancialidades.
Daqueles honrados e eficientes marcos antigos porém tão novos quanto são nossos renovos, poderia nominalmente citar os muitos nomes, alguns com os quais tive o privilégio impar e gracioso de Deus em tê-los de perto ora em salas de aula, ora auxiliando os seus trabalhos em campanhas e cruzadas evangelísticas na cidade do Rio de Janeiro, porquanto fazem jus à elevada estima em distingui-los mencionadamente por suas histórias de dedicação à pregação e ao ensino cristãos em nossa pátria, entretanto vejo em melhor via o permitir que os caros leitores e companheiros os tragam às suas lembranças com mais elogiosa liberdade e pronto exercício de boa memória.
Uma das coisas mais importantes a considerar é o servir ao Senhor em nosso tempo, haja vista que o nosso Deus prepara e levanta homens para O servirem em seus tempos. E neste tempo em que estamos servindo ao Senhor militando na pregação e no ensino da Palavra de Deus, surge uma urgência premente de reciclagem e revisão de conceitos na pregação e no ensino cristão aos novos pregadores que são levantados por Deus para efetiva e ativamente trabalharem na Sua seara.
Nesta primeira parte que ora inicio uma sequência de artigos, não estou de forma alguma me referindo às abordagens da pregação – se seja contemporânea ou extemporânea, se seja com anotações ou sem notas, se seja acompanhada pelos recursos da ilustração visual ou pelas diversas metodologias enriquecedoras da exposição oral. Vejo que um dos fatores que mais necessitam uma multidão de pregadores atualmente não se trata de abordagens nem de metodologias. A urgência premente de nosso tempo não está concentrada na pregação nos seus tipos e métodos – está focalizada primeiramente na pessoa do pregador, no homem e não nos métodos, porquanto as conjunturas deste nosso tempo parecem estar levando, arrastando e influenciando uma multidão de pregadores a se tornarem extrema e patentemente mecânica e automática. Para muitos a jornada de compromissos agendados assume um volume quase não gerenciado a ponto de tornar muitos, e não poucos, pregadores assistencialmente mecânicos e propositadamente automáticos, levando-os à superficialidade em sua vida e pessoa de pregador e para com a sua obra e trabalho de pregação.
Portanto, não basta que uma pessoa que se ache chamada e vocacionada para a pregação queira na sua visão unilateral apenas aplicar os princípios do discurso público na pregação religiosa e “achar” que toda a atividade de pregação encontra seu sucesso nessa ação. É patente que a pregação envolve comunicação, mas também é claro que é comprometida com a verdade, tendo esta em sua natureza, característica e essência no seu cerne. É esta verdade que através da comunicação e da vida do pregador vai ao encontro das necessidades de todos aqueles que a ouvirem. Não é a “estrela artística” que entra em cena, e sim, porém, o homem de Deus pregador da sublime graça de Deus.
Vale por este momento me posicionar apologeticamente, não e jamais como protesto porque reconheço estar muito ocupado realizando uma grande obra inigualavelmente significativa e não poderia deixá-la de lado para descer e ocupar-me em lançar protesto – acredito piamente que não fui chamado e vocacionado para isto – deixemos, pois, protestos para quem se detém a essa arte de criar e levantar protestos. Todavia o aconselhamento bíblico nos recomenda e impele a lembrar que devemos ensinar o sábio e este se tornará mais sábio ainda, e não um alvo de vergonha e desprezo, tornando-se “insípido e pronto para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Num posicionamento ético, é preciso que nós pregadores zelemos pelo ministério da pregação e influenciemos a outros a se fazerem respeitados se desejam e esperam ser percebidos e recebidos verdadeiramente na condição de pregadores, e não na de desconhecidos “pacotes embrulhados sob encomenda via telefone ou internet” com um plágio frio em fase de congelamento copiado – um picareta prontamente ensaiado e preparado para apresentar picaretagem.
Nesta primeira parte, ative-me em comentar especialmente sobre a pessoa e vida do pregador. Agora, feito isto, quando alguém surgir dizendo-se ser um “pregador”, para evitar sofrer engano, lembre-se generosamente deste artigo, inicialmente nesta primeira parte, e busque identificá-lo se trata-se de pregação ou picaretagem.
Na segunda parte deste comentário, estarei lhes tratando especial e especificamente sobre a mensagem da pregação. Até lá e permitindo Deus aqui estamos rogando a Sua imensa graça, o Seu terno amor e a doce comunhão do Seu Espírito para realizarmos esta tão grande obra confiada a nós neste tempo.
PbGS
Parte I - Pregação e Picaretagem – palavras completamente antagônicas.
No mês passado recebi um telefonema de um bom companheiro evangelista, um desbravador incansável, cujas atividades têm tido a relevante eficácia em auxiliar o seu campo de trabalho devido ao fato de seu ministério estar sistemática, direta e persistentemente concentrado na pregação. E reunindo os diversos fatos aos seus enfoques elementares, reservo estes minutos em tomar esta oportunidade para falar de um dos assuntos que para alguns têm sido um tanto evitados e encobertos e para outros são fortemente oportunos e adequadamente cabidos.
E também em atenção ao que muitos companheiros, entre jovens e experientes, têm citado e exaustivamente comentado através de variados meios de comunicação interativa, e venerando e respeitando a todos os escritos de meus antigos mestres e dentre eles os mais experientes veteranos que ainda neste tempo militam reconhecidamente como pregadores, me faz mister sob os sensos de responsabilidade ética e de profundo amor pelo ministério da pregação vir tomado por certa e considerável medida de ousadia e de coragem para a partir deste artigo lhes tecer algumas linhas específica e essencialmente sobre o tema “Pregador e Pregação”, iniciando este com o sub-tópico “Pregação e Picaretagem” – um título aparentemente estranho e desconfortante, mas absolutamente cabido e adequado ao momento.
Proponho-me com este artigo iniciar um breve comentário seqüenciado em duas partes, pautado à guisa de importantes e comprovadas experiências e vivências não particulares, não individuais e muito menos de teóricas resultantes de reflexos de leituras compartimentalizadas, pretensiosas ou tendenciosas.
Nesta primeira, pretendo lhes falar somente sobre a pessoa do pregador e na segunda, exclusivamente sobre a mensagem da pregação. Na verdade, um tema contendo dois bons, substanciosos e exeqüíveis sub-tópicos.
Inicio, pois, por lembrar dos conselhos úteis de alguns renomados e expressivos pregadores do passado, cujas atividades marcaram gerações de novos e sucessivos pregadores, haja vista que o êxito nunca tem seu início no futuro – este apenas revela e desponta a colheita e o clímax daquilo que fora semeado desde antes no passado.
Apesar de terem sido escritos e publicados em épocas um tanto antes da nossa, são tão urgentes e permanecem tão atuais para estes dias e mais especifica e especialmente para ocasiões como esta na qual movido pelo zelo cuidadoso e incentivador tenho a liberdade de me dirigir a outros meus pares companheiros pregadores.
Eis alguns desses conselhos colhidos e citados publicamente por respeitados e honrados pregadores e ensinadores, expressivos servos de Deus, amantes apaixonados pela homilética e pela retórica que este país já conhecera:
O primeiro – “Prega primeiro para ti mesmo e depois pregarás com autoridade aos outros”;
O segundo – “Procura somente o bem das almas e a glória de Deus”; e
O terceiro – “Tua vida fala tão alto que não se pode ouvir os sons das tuas palavras”.
Com estas pequenas pérolas iniciais, como prometi acima, me ponho neste artigo a responder a questionamentos comentando alguns pontos sobre o ministério da pregação – mais especificamente no que tange à vida pessoal do pregador – haja vista a enxurrada de desmerecimentos que vez por outra são forjados para tentar ameaçar e lançar arrojos contra os pregadores sérios, homens de Deus a quem de fato Ele levantou para servi-lo responsavelmente nesta grande obra.
Na verdade, não sou tão de hoje, e acredito piamente que estes meus mais de vinte e cinco anos de jornada de pregação em púlpitos, e ao ar-livre a noite exercitando a prédica com o fervor e atendendo ao chamado e a vocação cooperando juntamente a homens obreiros simples e desbravadores destemidos e quase anônimos como eu, em praças da cidade do Rio de Janeiro na década de 80 e início dos anos 90 (Praça XV-Centro, Largo da Carioca-Centro, Praça Cinelândia-Castelo, Praça Tiradentes-Centro, Praça Largo do Machado-Laranjeiras, Praça São Salvador-Laranjeiras, Largo-calçada entorno da Central do Brasil-Centro, Praça Rio Grande do Norte-Engenho de Dentro, Largo Camarista Meier-Meier, Praça Mauá-Centro, Largo da Água Santa-Piedade), e somando também minha pequenina contribuição ativa nas atividades auxiliares das campanhas e cruzadas evangelísticas naqueles anos na cidade do Rio de Janeiro, me fazem convicta e confortavelmente traçar algumas linhas incentivadoras e ao mesmo tempo esclarecedoras sobre o assunto-tema.
Tenho a justa e clara visão que de forma alguma nossos caros colegas pregadores mais experientes e veteranos em algum momento na leitura deste artigo e no próximo desta sequência de comentários deixariam de lembrar os caminhos pelos quais trilharam, bem como as lições de vida que os têm feito cada vez mais sábios e mais seguros diante de semelhanças com as que encontrarão citadas nestes artigos. Não tenho a pretensão de aferroar os itinerantes (ao contrário, eu os honro e reconheço-os pelos seus sacrifícios pessoais inerentes à obra que Deus lhes confiou), nem de desmotivar os novos e os leigos, pois cada um deles possui suas próprias patentes desde os seus primeiros passos na trajetória de pregação.
Claro e honesto fica, que todos sentimos contentes quando alguém nos encoraja, nos incentiva, nos orienta e nos transmite algo que nos impulsiona a seguir cada vez mais adiante, mas bastante maduros e responsáveis somos para reconhecer nossas próprias fragilidades e limitações e entregar os méritos para Aquele que nos chamou, vocacionou, preparou e levantou nesta e para esta tão grande e importante obra – a pregação da Palavra de Deus.
A vida é extrema e absolutamente dinâmica, e seja por esta causa que a cada tempo retornamos à necessidade de efetuar reciclagem e revisão de tudo quanto havemos aprendido e experimentado ao longo dos anos, a fim de que diante das constantes e novas necessidades do presente nos renovemos e sejamos mais eficientes e eficazes no que Deus nos confiou a realizar na Terra. Algumas coisas realmente devem ser deixadas para trás, sou plena e conscientemente concorde a isto, entretanto outras precisamente devem ser conservadas, mantidas e veneradas, sob pena de perdermos os nossos marcos-norte e singrarmos em rumos absolutamente divergentes daqueles a nós propostos e claramente indicados pelo Senhor Deus. Por negligenciar esta linha de ação, multidões entram em processo contínuo de descaracterização até perderem seus pontos cardeais e suas identidades, passando a conceberem aceitações contrariamente ao que deveriam sobriamente reprovar e rejeitar.
Uma das ações degenerativas provocadas pela prática do pecado é o enfraquecimento de bases espirituais e comportamentais e a conseqüente perda de sensibilidade e o menosprezo ao significado e importância da pregação e do ensinamento genuínos e imparciais da Palavra de Deus. Para algumas pessoas que se titulam como “pregadores”, o sério perigo ronda os seus passos e espiam suas práticas em cada lugar que pisem as plantas de seus pés na pregação ou fora dela. O ato de copiar as práticas de alguém, seja este quem for e seja famoso ou não e evidente ou pouco expressivo, cujas ações conflitem com os princípios bíblicos e estas não condigam com aquelas próprias e naturais do ministério da pregação, pode a qualquer momento serem colocadas no páreo e na igualdade com a picaretagem – uma palavra um tanto dura e desconfortante -. Para tanto, o tempo se encarrega de paulatinamente seguir promovendo as claras revelações além das dos atos pregressos, também das dos ocorrentes, próprios do picareta e suas picaretagens. Digo picaretas e suas picaretagens porque em nada têm em comum com a natureza e essência de pregadores e de pregações, ainda que se utilizem de algumas tribunas e púlpitos para sustentarem seus espíritos de aventuras e de ganâncias das mais diversas e enrustidas.
Ao passo que os fatos revelam e comprovam a necessidade de repetidas vezes voltar didaticamente ao passado para a partir do que fora nele semeado e colhido, valer precipuamente salientar as razões como fatores que trouxeram êxito e eficácia na prédica. Na verdade os tempos de fato mudam e com eles as pessoas e a visão de mundo ganham amplitude também, haja vista que a vida é uma sucessão de causas e conseqüências – dentre outros, este é um princípio dos quais nenhum de nós poderia se isentar.
Enquanto uma multidão de pregadores e ensinadores foca e contenta-se apenas com o momento do púlpito como o fim único de seu trabalho, as multidões apresentam seus clamores de fome e sede de profundas e reais mudanças e de vida espiritual pela Palavra de Deus. E suas carências e debilidades espirituais se arrastam e comprometem as suas estruturas de fé por também não serem potencialmente tratadas pelo conteúdo das mensagens e por vezes pela negligência ou inexperiências da pessoa do pregador. Seja por isto que para uma multidão de “pregadores” seja mais prático e fácil manipular as emoções momentâneas de públicos para eles como única e principal linha mecanicista e automática de trabalho oratório para obter os aplausos e aprovações momentâneas, porquanto desta forma lhes sejam mais promissor o manterem-se conformados e divorciados de uma vida sacrificial e exaustiva como o é a própria do ministério da Palavra como pregador ou ensinador cristão.
A experiência e a vivência dão as mãos a produzirem valores extremamente apreciáveis, bem como habilidades e capacidades valiosíssimas na vida de um pregador ou ensinador cristão que servem de marcas para gerações inteiras. Nada mais eficazes do que o tempo e a prática palmilhados diuturnamente por uma vida de entrega e dedicação realmente efetivas para ofertarem as devidas e esperadas preparação e prontidão de um pregador e fazê-lo pronto e adestrado para o lindo, sublime e honrado trabalho no ministério da Palavra. Enquanto encontramos gerações de pregadores que no passado foram, e no presente uma boa e expressiva parte consegue paciente e perseverantemente sê-lo, preparadas e levantadas no calor íntimo da “sarça ardente” e por conseguinte suas vidas e mensagens expressarem os claros e patentes compromisso e inteireza com o Céu, por outro lado deparamos com a trágica tentação do automatismo e do mecanicismo seduzindo e abraçando uma multidão de “pregadores” que falsa e equivocadamente pensam que tudo se resume no púlpito no qual muitos o fazem lamentavelmente interino e descartável. Na verdade quando falo de tempo e de prática, desejo implicitamente lembrar que estes dois fatores por si somente não são os únicos a trazerem os pregadores ao fim almejado na prédica. Há de se terem aliados a estes as ferramentas necessárias e as oportunidades confiadas, a constância e predisposição para embasar primeiramente uma vida cristã sólida, constante, frutífera e edificadora em conteúdo e em vivência, como também de forma alguma poderia esquecer o que meus bons mestres no passado me foram generosos e persistentes em muitas vezes repetirem os conselhos práticos mesclados aos fundamentos e ao esforço perseverante de didaticamente fazerem seus alunos visualizarem cada vez mais progressivamente do que antes até que lograssem o êxito e atingissem os objetivos propostos ao efetivo aprendizado e ao seu aperfeiçoamento resultante. As gerações de nossos patriarcas estão passando e nelas ao mesmo tempo que nos cativam, nos alertam e também nos ensinam e nos oferecem rastros e trilhas maduras, firmes e inesquecíveis, capazes de nos fazerem caminhar mais próximos e agarrados ao Senhor que nos adestra para a peleja, nos aperfeiçoa para a guerra e nos leva a realizar uma semeadura equilibrada e eficaz.
A pregação não é uma arte simplória de elocução, como uma multidão de “pregadores” forçosamente tentam fazê-la. A eficácia e o poder da pregação não consistem em arranjos e técnicas, nem em apresentações de talentos na oratória ou na expressão oral devida à uma capacidade de elocução desinibida, às vezes inata e às vezes metodicamente aprendida e condicionada. O terreno onde se inicia a eficácia da pregação poderosa é a própria vida do pregador.
Uma pessoa artística pode ser altamente conhecida pelos seus muitos descomprometimentos na sua vida moral particular e no entanto ao assumir os palcos artísticos serem arrasadoramente aplaudidas pela sua arte de desempenho de um papel completamente antagônico aos seus princípios e estilo de vida moralmente inescrupulosos e descomprometidos. Sua prática de vida diária pode não coadunar em coisa alguma diretamente com o que representa em público.
Porém quando se trata de pregador e pregação, terrenos como esses acima jamais devem ser palmilhados por quaisquer que sejam as ofertas, intenções e vantagens aparentes ou não, pois tal maneira de viver e lidar com as coisas sacrossantas fatalmente impedem e detratam o impacto de um ministério de pregação eficaz.
Tive a honra, a oportunidade singular e realmente posso afirmar ter sido um privilégio de nos meus primeiros passos na vida de preparo, ter ouvido de um ilustre mestre a leitura de uma frase que naquela ocasião escrevera no quadro de giz – “A vida de um pregador é a vida de sua pregação” -. Esta proposição é sem dúvida particularmente verdadeira na vida diária de qualquer um que acessa as tribunas e púlpitos como pregador e não “pregador”.
Cada vez mais que o pregador avança o espaço em sua frente, em conseqüência vai indubitavelmente sendo mais conhecido pelas gentes individualmente e pelos ouvintes publicamente. Isto ao passar do tempo pode diminuir ou aumentar a sua influência conforme a qualidade de suas práticas na sua vida diária conhecida. Por isso, alguns “pregadores” são apenas “pregadores” andando soltos como nômades pelas igrejas afora para assim evitarem e “embarreirarem” todo aquele que lhes pretenda conhecer sua vida no que for útil, cabido e necessário como homem público. Esses “pregadores” devem ter o conhecimento de que quando acessamos os lugares expressivos e abertos aos públicos como tribunas e púlpitos para nos dirigirmos rotineiramente a influência da pregação, nos tornamos com esta prática pessoas públicas e, portanto, fatalmente seremos em algum momento e lugar conhecidos mais pormenorizadamente. Se alguém não quer ter pormenores particulares conhecidos, logo, não deve se colocar a acessar a vida pública. Até porque a vida cristã é feita e demonstrada pela prática do exemplo – aqui entra a responsabilidade pessoal requerida pela Palavra de Deus, o falar e a prática da fala -.
Há aqui uma estreita conexão entre o tipo de pessoa que prega ou ensina, com o seu procedimento, e a pregação que este anuncia com o seu comprometimento. Os dois ingredientes da pregação estão na sua natureza – poder do Espírito Santo e plena convicção no coração aliada a uma vida de preparo. Jamais haverá pregador eficaz e pregação eficiente e poderosa se faltar um desses elementos fundamentais na prédica, pois a ausência de um deles compromete todo o trabalho de pregação e revela a negligência ou a inaptidão para compreender a sua importância e mostra o descaso, o menosprezo e a farsa impostora como as péssimas marcas de vida.
Não preciso frisar detalhadamente que esses ingredientes estão direta e intimamente relacionados com a fé mantida numa boa consciência sem a qual a pregação se manteria como uma mera arte de elocução artística tomando espaço e tempo nas tribunas e púlpitos. Nenhum santuário e alma alguma carecem de arte de elocução como marca da operação do Espírito de Deus na pregação. Enquanto em uns predomina exclusivamente a “febre ardente” pela homilética e nesta fincam-se a se fazerem doutos afiados e afinados de tal forma que congelam seus estilos de vida pessoal em linhas únicas mecanizadas de procedimentos querendo fazer com que sua pregação seja apenas apreciada e aplaudida em virtude de seus arranjos e arrojos e improvisos técnicos, não se importando com a sua parte homem como elemento integrante da prédica. Estes querem forçosamente desligar sua pregação de sua vida pessoal, e isto vai sendo revelado aos públicos com tal claridade que chega a um ponto de decisão e de confrontamento, levando-o a um momento crítico e a uma séria tomada de posição na sua vida espiritual, moral, ministerial, familiar e eclesiástica. Esses percebem que sua vida e pregação estão sempre vazias em alguma coisa e em alguma área e que se continuarem no mesmo ritmo vão naufragar nas águas do inconformismo frustrante como tantos outros soçobram. Na pregação é preciso muito mais do que conhecimentos e domínios de técnicas – é necessário todo o conjunto de vida do pregador e de sua pregação.
Em outros enraízam a ansiedade acirrada pela busca faminta de promoção de fama, de dinheiro e propagação de “prestação de serviço às igrejas e aos ministérios” de tal maneira que se extraviam e perdem o principal foco e propósito do ministério da pregação, tornando-se apenas “nomes artísticos da prédica gospel” desprovidos de originalidade e sobretudo de autoridade próprias do pregador do Evangelho da graça de Deus. Estes no princípio fazem de um tudo para não despertarem-se do sonho iludido de supostos pregadores, todavia quando pelas conjunturas da caminhada são despertados dele contra as suas próprias vontades e caprichos pessoais, percebem assustadoramente de olhos abertos o abismo resultante criado por eles mesmos entre suas realidades pessoais e a realidade do Reino de Deus. Lamentavelmente nestes meus consideráveis anos já vi o triste estado final de homens que infelizmente se enveredaram por este caminho até serem vistos e tornados em peças robóticas e folclóricas esquecidas e ultrapassadas em razão de suas próprias semeaduras.
O pregador cristão deve tratar e cuidar bem primeiramente da sua qualidade de vida cotidiana para, então, em segundo lugar fazê-lo da mesma forma com a sua pregação. O motivo principal do pregador não se direciona a ele mesmo, nem à sua pregação em si, mas às questões urgentes da salvação dos perdidos e da edificação dos salvos, e isto não é feito com palavras apenas, mas sim com a constante visão de Reino de Deus sob a aprovação de Deus sobre o seu trabalho e sua maneira de vida pessoal conjuntamente. O temor a Deus nos conduz a motivos puros e aprovados diante do Senhor e dos homens, e que O glorificam. E é exatamente este em que temos que nos resguardar ante às imensidade e diversidade da seara.
Uma das marcas mais fantasticamente impressionadora de um picareta fanfarrão é a facilidade que este possui em emitir suas muitas palavras com a capacidade de transformar a suja e feia roupagem de suas mentiras escondidas em uma limpa e bonita capa de verdades aberta – uma mágica mescla ilusória -. Um renomado e experiente pregador e mestre do passado, do qual tive a oportunidade de ouvi-lo citar certa vez, disse a frase “não se pode ser um fanfarrão e um pregador, pois a transformação de um fanfarrão para um pregador é uma dolorosa e extremamente difícil metamorfose”.
A auto-disciplina e a autêntica seriedade para com o ministério da pregação não são valores instantâneos em esforços automáticos adquiridos de um dia para a noite – isto leva anos produzindo frutos de maturidade. Estes valores são demorados a ganharem firmeza e têm sido negligenciados por uma multidão de pregadores, principalmente os que surgem afoitos e acesos no raiar da alva e por lhes faltarem a vivência e a experiência basilares, logo recolhem apagados e reclusos no escurecer da noite. O ímpeto precipitado e a infantilidade improdutiva os impulsionam afoitamente atraídos pelo desejo puramente humano de estarem discursando na frente de uma multidão de pessoas como sendo isto o seu fim único de satisfação do ego, levando-lhes a falarem coisas impensadas, mal-concebidas e irresponsáveis sobre si sem ter a justa e clara visão auto-crítica sobre si mesmos e sobre o que realmente são e precisam para sê-lo como pregadores de fato.
E desprezando os requisitos exigidos para uma efetiva caminhada de pregação, cerram seus olhos e tampam seus ouvidos aos conselhos e exemplos extremamente úteis dos pregadores experientes e dos veteranos muito mais experientes, e lançam-se prematuramente no campo de peleja sem perceberem com mais consciência e discernimento que estão na verdade no meio de uma batalha espiritual real e verdadeira e que nesta eles são alvos claros e bem definidos do adversário, e que por esta razão devem cada vez, como todos os pregadores eficazes, adestrarem-se e permitirem ser discipulados e disciplinados e adestrados para a ferrenha e continuada guerra.
Como eu dissera antes em um dos meus artigos publicado no apreciado e respeitado jornal evangélico de maior circulação – O Mensageiro da Paz, da nossa querida e amada Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), edição de outubro do ano passado intitulado “Pregadores ou meros faladores da Palavra” – que nenhum pregador está pronto e devidamente preparado para o ministério da pregação com menos de quinze anos no adestramento e dedicação constantes. É preciso ter mais do que apenas tempo, idade e estudos -. E como disse mais recentemente um dentre os que foram meus honrados e venerandos mestres, pregador e ensinador experiente e veterano do qual tive o privilégio de apreender e reter boas e importantes lições reflexivas na antiga AD de São Cristovão-RJ, o querido e amado Pastor Geziel Gomes, um grande exemplo incentivador e encorajador para aquela geração de jovens alunos dos princípios dos anos 80 na qual Deus foi absolutamente gracioso para comigo em me permitir ser dela participante – disse ele “Deus precisa de pelo menos vinte anos para nos tornar adestrados para a batalha. É preciso paciência e perseverança de nossa parte para que Deus nos faça adestrados para a batalha”. (lembro-me fervorosamente desta ilustre citação feita no 25º Aniversário dos GMUH, Camboriú-SC).
São anos de perseverante dedicação, renúncias pessoais e livre entrega às experiências de vida, à chamada e vocação, sacrificando muitas vezes outros momentos e ocupações para com a família, parentes e amigos. É relativamente fácil para uma pessoa imprudente e desordenada abandonar a vida de comunhão de suas igrejas sob as muitas desculpas pessoais particulares e sair pelas igrejas dizendo-se ser um pregador.
Um outro bom e honrado mestre ensinador, um abnegado e sincero servo de Deus, professor de seminário teológico na antiga AD de São Cristovão-RJ, hoje promovido à glória, o saudoso Pastor Milton Barros, na sua simplicidade e simpatia frisava enfaticamente aos mais jovens que “não precisamos sair pelo mundo afora dizendo e levantando propagandas que somos pregadores, porque pregador que é pregador leva a marca de ganhar almas e evangelizar dentro do seu coração pacientemente e aproveitando as oportunidades que tiver”.
É possível que o neo-converso e os ainda “meninos” afirmem de forma contraproducente que não se precisa de tantos anos, mas a realidade histórica dos fatos sempre revelou que quando estes bem não deixam surgir o primeiro “espinho” dolorido e incômodo decorrente da caminhada e das aflições da vida cristã, saem pelas igrejas movidos pelo afã de propagarem ser “pregadores”. Em parte esses neófitos encontram o falso abrigo em meios também neófitos, meios caídos da graça e fragilizados, meios levados pela desordem e instabilidade pelos ventos estranhos e meios pouco ou quase nada comprometidos com a seriedade e solidez do ensinamento bíblico e dos cuidados eclesiásticos trabalhosos diretos para com aqueles que pertencem efetivamente aos seus círculos. Deve-se pregar a Palavra de Deus a tempo e fora de tempo, e importa que ela seja pregada por quaisquer pessoas e meios, entretanto jamais devemos fechar nossos olhos para o resultado final de quem e do meio pelos quais a Palavra é pregada.
Falar destas coisas a imaturos e neófitos imprudentes e precipitados, afoitos e inconseqüentes seria uma possível e lastimável perda de tempo e naturalmente nenhum fruto apreciável poderia esperar deles, mas bem que poderiam aproveitá-las agradecidamente para com a glória de Deus. Todavia transmiti-las a sábios e perseverantes, aprendizes e cuidadosos me conforta inestimavelmente por visualizar os frutos que possam advir, haja vista que devemos “ensinar ao sábio e este se fará mais sábio ainda”. E é neste espírito que este provérbio escriturístico se faz uma divisa de todo pregador ou ensinador cristão.
Tenho ouvido de vários ouvintes e em vários lugares que sujeitos estão subindo às tribunas e acessando os púlpitos, e sendo a eles permitido apresentarem-se como pregadores cristãos, quando na verdade os públicos param para ouvi-los, vêem diante de si pessoas absolutamente carentes de preparação e testemunho pessoal que nosso tempo requer e exige, pessoas desconhecedoras do próprio texto sagrado com o qual lida para que norteie a suas prédicas, completamente alheias e à beira da ignorância dos princípios bíblicos e dos rudimentos eclesiásticos, demonstrando profundas deficiências no exercício do ministério da pregação, produzindo péssimas marcas nesta e para as futuras gerações. “Pregadores” pautados “no embrulha e manda”, preparando “enlatados instantâneos mal-temperados” para entregarem aos rebanhos do Senhor em resultado de uma vida imprudente e improdutiva. “Pregadores” que estão levantando-se a cada dia com sermões frutos de interpretações fantasiosas e alegóricas particulares e sem mensagem de Deus e limitados apenas à passagem bíblica lida, deixando o público a entender que se sair do que está tentando “apresentar” é derrocada certa e fatal no abismo da ignorância e do descaso. Muitas vezes temos na verdade visto os públicos serem levados forçosamente a engolirem “extratos de palhas secas esquematicamente bem divididas e com cobertura atraente de princípios bíblicos fatiadamente enxertados” e quando muito postos em “pratos enfeitados pela relativa facilidade artística de expressão oral e de “presença de palco”.
Dou graças ao Eterno Deus pelos mestres pregadores experientes e veteranos que entregaram e dispuseram os anos de suas preciosas vidas com visão de Reino de Deus para honestamente ensinarem a outros a darem continuação aos seus trabalhos. Por um lado sentimos imensamente a falta do companheirismo e da conversa salutar e edificante de alguns já recolhidos a estarem juntos com o Senhor, e por outro sinto-me alegre e profundamente grato a Deus pelos outros que na força do Senhor estão ousada e corajosamente militando em nosso tempo sob o poder e a graça inspiradores do Espírito Santo, e destes não podemos de forma alguma esquecê-los nem muito menos menosprezá-los sob pena de desprezando isto vir a termos gerações futuras de apenas faladores artistas e folclóricos, e não de pregadores. Gerações perdidas sem marco e sem rumo orientadores navegando nos mares revoltos que cada vez mais já se despontam em suas altas vagas espumantes e tenebrosas do relativismo, do culturalismo, da superficialidade e da artificialidade coroadas pela hipocrisia da aparência que a cada dia buscam tragar aqueles que por viverem divorciados do companheirismo com Deus firmam-se em “muletas e bengalas” do conformismo frio aquecido apenas eventualmente pelo calor do emocionalismo festeiro que alegra as circunstancialidades.
Daqueles honrados e eficientes marcos antigos porém tão novos quanto são nossos renovos, poderia nominalmente citar os muitos nomes, alguns com os quais tive o privilégio impar e gracioso de Deus em tê-los de perto ora em salas de aula, ora auxiliando os seus trabalhos em campanhas e cruzadas evangelísticas na cidade do Rio de Janeiro, porquanto fazem jus à elevada estima em distingui-los mencionadamente por suas histórias de dedicação à pregação e ao ensino cristãos em nossa pátria, entretanto vejo em melhor via o permitir que os caros leitores e companheiros os tragam às suas lembranças com mais elogiosa liberdade e pronto exercício de boa memória.
Uma das coisas mais importantes a considerar é o servir ao Senhor em nosso tempo, haja vista que o nosso Deus prepara e levanta homens para O servirem em seus tempos. E neste tempo em que estamos servindo ao Senhor militando na pregação e no ensino da Palavra de Deus, surge uma urgência premente de reciclagem e revisão de conceitos na pregação e no ensino cristão aos novos pregadores que são levantados por Deus para efetiva e ativamente trabalharem na Sua seara.
Nesta primeira parte que ora inicio uma sequência de artigos, não estou de forma alguma me referindo às abordagens da pregação – se seja contemporânea ou extemporânea, se seja com anotações ou sem notas, se seja acompanhada pelos recursos da ilustração visual ou pelas diversas metodologias enriquecedoras da exposição oral. Vejo que um dos fatores que mais necessitam uma multidão de pregadores atualmente não se trata de abordagens nem de metodologias. A urgência premente de nosso tempo não está concentrada na pregação nos seus tipos e métodos – está focalizada primeiramente na pessoa do pregador, no homem e não nos métodos, porquanto as conjunturas deste nosso tempo parecem estar levando, arrastando e influenciando uma multidão de pregadores a se tornarem extrema e patentemente mecânica e automática. Para muitos a jornada de compromissos agendados assume um volume quase não gerenciado a ponto de tornar muitos, e não poucos, pregadores assistencialmente mecânicos e propositadamente automáticos, levando-os à superficialidade em sua vida e pessoa de pregador e para com a sua obra e trabalho de pregação.
Portanto, não basta que uma pessoa que se ache chamada e vocacionada para a pregação queira na sua visão unilateral apenas aplicar os princípios do discurso público na pregação religiosa e “achar” que toda a atividade de pregação encontra seu sucesso nessa ação. É patente que a pregação envolve comunicação, mas também é claro que é comprometida com a verdade, tendo esta em sua natureza, característica e essência no seu cerne. É esta verdade que através da comunicação e da vida do pregador vai ao encontro das necessidades de todos aqueles que a ouvirem. Não é a “estrela artística” que entra em cena, e sim, porém, o homem de Deus pregador da sublime graça de Deus.
Vale por este momento me posicionar apologeticamente, não e jamais como protesto porque reconheço estar muito ocupado realizando uma grande obra inigualavelmente significativa e não poderia deixá-la de lado para descer e ocupar-me em lançar protesto – acredito piamente que não fui chamado e vocacionado para isto – deixemos, pois, protestos para quem se detém a essa arte de criar e levantar protestos. Todavia o aconselhamento bíblico nos recomenda e impele a lembrar que devemos ensinar o sábio e este se tornará mais sábio ainda, e não um alvo de vergonha e desprezo, tornando-se “insípido e pronto para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Num posicionamento ético, é preciso que nós pregadores zelemos pelo ministério da pregação e influenciemos a outros a se fazerem respeitados se desejam e esperam ser percebidos e recebidos verdadeiramente na condição de pregadores, e não na de desconhecidos “pacotes embrulhados sob encomenda via telefone ou internet” com um plágio frio em fase de congelamento copiado – um picareta prontamente ensaiado e preparado para apresentar picaretagem.
Nesta primeira parte, ative-me em comentar especialmente sobre a pessoa e vida do pregador. Agora, feito isto, quando alguém surgir dizendo-se ser um “pregador”, para evitar sofrer engano, lembre-se generosamente deste artigo, inicialmente nesta primeira parte, e busque identificá-lo se trata-se de pregação ou picaretagem.
Na segunda parte deste comentário, estarei lhes tratando especial e especificamente sobre a mensagem da pregação. Até lá e permitindo Deus aqui estamos rogando a Sua imensa graça, o Seu terno amor e a doce comunhão do Seu Espírito para realizarmos esta tão grande obra confiada a nós neste tempo.
PbGS
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