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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O DEUS QUE NOS CONHECE.


O Deus que nos conhece muito bem.
Uma breve reflexão no Salmo 139.
No mundo existem milhões e milhares de deuses. Desde os supostos e imaginados até os que vivendo se assumem e se acham serem deuses. Alguns inventados, outros lançados e ainda outros sugeridos. Criar ou inventar deuses nunca foi difícil para mentes férteis. Mas como poeira e ou cinzas todos esses deuses passam e se vão cativos e aprisionados nas suas limitações. Os deuses do mundo em algum tempo se afundam, se afogam, ou se tornam em pó de recordações subjetivas. Porém há um Deus no Céu que rege e conhece tudo e todas as coisas.
  
Apesar de um dos maiores desafios para a mente humana ser o de buscar conhecer ao Senhor Deus e Sua soberana vontade, a Bíblia Sagrada nos mostra clara e declarativamente que Deus nos conhece muito bem. O Deus Vivo e Verdadeiro permanece para sempre inabalável com Sua presença e seu conhecimento.

Poderíamos literalmente passear em vários textos da Escritura Sagrada, a fim de obter ou corroborar a certeza de que o Senhor Deus nos conhece muito bem. Entretanto, neste artigo vamos nos ater a uma breve reflexão em alguns versículos apenas do Salmo 139.

Esse lindo salmo por si demonstra uma meditação sábia e fundamentada em um profundo relacionamento espiritual com Deus. O teor desse salmo revela um resultado de inspiração incomparavelmente acima de qualquer que seja a compreensão imaginativa, intelectual. Ele revela a presença e o conhecimento de Deus.

Meditar no salmo 139 é receber alento, conforto e descanso confiantes nos cuidados e na visão do Senhor Deus para conosco. Numa breve reflexão, perguntamos em que, pois, esse salmo nos faz prosseguir confiantes no Senhor nosso Deus?  

1 – Em sabermos que Deus sabe tudo a nosso respeito. O Senhor Deus nos sonda. Ele conhece as nossas atitudes. E ainda que estejamos longe dEle, Ele conhece perfeitamente os nossos pensamentos. Não se permita pensar que mesmo em meio a frondosas árvores no jardim, algum de nós poderia encontrar lugar de fuga e esconderijo a quem não pudesse nem mesmo ouvir a voz de Deus. Há uma grande diferença entre atitudes e comportamentos.  Deus conhece tanto aquelas quanto estes.

As nossas atitudes são as nossas ações interiores não vindas à concretização exteriorizada. São os nossos atos íntimos trabalhados nos processos internos dentro de nós. Os comportamentos são as nossas ações exteriores como resultados de nossas atitudes e motivações. Deus sabe lidar com todas as nossas atitudes e comportamentos.

Para as vistas humanas, somos apreciados ou avaliados em função das manifestações exteriorizadas nos nossos comportamentos. Esse salmo nos faz ver que a sondagem de Deus sobre nós penetra intemporalmente desde as nossas atitudes até os nossos comportamentos. Deus sabe tudo a nosso respeito. Deus discerne os nossos comportamentos e estes lhe são familiares. Se somos deliberadamente claros e sinceramente transparentes para com Deus, Ele nos assistir acima do que pensamos ou queremos.  

2 – Em sabermos que Deus vê tudo que está ao nosso redor. O saber de Deus nos ultrapassa, nos impressiona e nos impacta. Vai além das limitações temporais, geográficas, objetivas ou subjetivas. É completa e inteiramente inútil o querer fugir ou tentar esconder-se de Deus. Ainda que nossas vistas não consigam enxergar ou os nossos pensamentos não alcancem o que pode sobrevir sobre nós, o Senhor Deus o sabe muito bem. Tudo o que está a nos cercar e a nos acontecer, Deus está vendo.

3 – Em sabermos que Deus pode fazer tudo por nós. Ele fez as nossas estruturas individuais desde antes de sermos embriões ainda no ventre sendo formados. O Deus que fez o nosso corpo, também pode realizar coisas maravilhosas nele no poderoso mover de Sua mão para nos curar, nos libertar e nos por em liberdade verdadeira. Tudo que fazemos em nosso relacionamento para com Deus sempre fica muito aquém de satisfazer completa e inteiramente a vontade de Deus para conosco. Ainda nos resta muito o que fazer e somos devedores tanto para com Deus como aos homens.

4 – Em sabermos que Deus pode nos por à prova. Deus já nos conhece muito bem, mas o ato de nos colocar à prova envolve muito mais do que uma ação investigativa sobre o que fazemos. Deus já conhece as nossas fragilidades, nossas limitações, nossas tendências e inclinações. Deus nos julga segundo os Seus atributos, e não segundo as nossas visões de vontades ou de justiça. E quando Deus nos coloca à prova, Ele tanto nos ajuda a passar por ela como nos conduz a profundos aprendizados e aperfeiçoamentos, nos assistindo a que não venhamos a perecer com o mundo impiedoso, afastado e esquecido de Deus. É durante a prova posta sobre nós que se revelam a veracidade e a sinceridade do conjunto de nossos sentimentos em relação ao Senhor Deus.

Assim sendo, confie no Deus que lhe conhece muito bem. Por coisa alguma, não fuja, não se afaste e nem se esconda do Deus que lhe conhece muito bem. Se chegue a Deus e Ele se chegará a você.  

Jamais permita que os seus atos de justiça venham lhe ofuscar a visão e subestimar o preço e a validade da justificação, efetuados pelo derramamento do precioso sangue do Senhor Jesus realizado uma vez por todas no Seu sacrifício na cruz do Calvário em favor de todos os homens.

Que não sejam os seus atos de perfeição humana um suposto objeto que tente desmerecer e anular a  ressurreição e aparição e assunção do Senhor Jesus aos céus, com promessa de outra vez vir buscar todos aqueles que nEle crêem, confessam e seguem no Seu nome acima de todos os nomes dados entre os homens.

Deus nos conhece muito bem, e além do nosso entendimento. Não há deus como o Senhor Deus, porque outro igual ou acima dEle nunca houve e não existe. Ao Senhor Deus seja, pois, toda a glória, e honra e louvor porque Ele nos conhece muito bem e merece toda a nossa admiração, veneração, reverência, adoração e serviço.
PbGS




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

DEUS NÃO NOS PERDE DE VISTA


Deus não nos perde de vista.
Ele conhece as Suas ovelhas...
A diversidade e a variedade de pessoas são dois fatores extraordinariamente admiráveis e espantosos. Em meio aos bilhões de vidas humanas que passam por esta vida, é incontestável e inconfundível a prova de que cada uma delas possui os seus caracteres próprios e suas marcas singulares.

Entretanto, apesar da infinitude de singularidades e de particularidades, ainda que por vezes apenas alguns traços possam ser vistos como se semelhantes fossem, nenhum deles estaria alheio ao olhar de Deus. Enfim, nenhum limite ou esconderijo temporal ou espacial seria possível ou capaz de ocultar aos olhos de Deus as individualidades de bilhões de pessoas.

E dentre as muitas expressões na Bíblia Sagrada, uma delas por demais nos impressiona e nos dá a conhecer que o Senhor Deus não perde de vista um coração que lhe pertence e lhe serve. Deus não perde de vista nenhum dos Seus filhos! Deus conhece a situação do Seu povo, e disto nos dá certeza fundamental. “Eu conheço as minhas ovelhas e delas sou conhecido”. Jo 10.14

Essa certeza nos cativa, nos causa tamanha admiração e nos deixa sobremaneira maravilhados e profundamente sensibilizados e consolados. Se quer nas mais elevadas alturas dos céus ou nas mais baixas camadas da Terra, coisa alguma poderia obter ou gozar da possibilidade de fugir do olhar de Deus. Assim também mais direta e especificamente nenhum dos servos do Senhor Jesus estaria descoberto desse olhar de Deus.

Esse é o grande e imerecido privilégio nos presenteados por Deus através de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Bom Mestre e nosso Sumo Pastor amado. Ao longo da Bíblia Sagrada, os textos nos permitem enxergar que esse tipo de conhecimento não se resume no domínio sobre a identidade de cada indivíduo, mas também ultrapassa a amplitude sobre a sua individualidade total e completa.

Aqui nesse versículo, o verbo “conhecer” traduz o seu original “ginosko” no texto grego. E com isso, o Senhor Jesus está nos declarando que Ele nos reconhece, que está tomado de conhecimento sobre nós, que nos percebe e  entende completamente, que Ele mantém uma relação de conhecimento mútuo conosco. E na Sua relação conosco, Ele busca que O conheçamos, que o apreciemos com afinidade de amigos, sendo Ele reconhecido por nós como o nosso Mestre e Senhor. Jo 15.13-15. 

Notamos, então, que de forma alguma seria um tipo de conhecimento modal, numérico ou mediano, jamais seria circunstancial, parcial ou temporal e muito menos sustentado por alguma forma de amostragem, de detecção de caracteres e de existência.

Olhando o lindo texto encorajador de Jo 14.10 citado acima, escrito pelo apóstolo João reportando as palavras do Senhor Jesus, sem qualquer tendência e percebendo-o dentro de todo o seu contexto escriturístico, podemos perceber que Deus não nos perde de vista.

Ainda que nos pastos administrados pelos rótulos humanos não haja alimento, entretanto no Seu aprisco o Senhor nos apascenta. Ainda que a multiplicação da iniqüidade campeie, assombre, assole e arrefeça corações, todavia o nosso Sumo Pastor nos abriga e nos protege no Seu redil. O nosso Sumo Pastor Jesus Cristo nos conhece! Ele nos fortalece e nos sustenta. Ele é a destra da nossa Salvação. Ele está conosco todos os dias até a consumação dos séculos. Deus não nos perde de vista!
Somos ovelhas do Seu pasto. Não fomos nós que O escolhemos, O Senhor nos escolheu primeiro. Em meio ao imenso deserto das frustrações, das decepções e das desolações no mundo, nenhum dos Seus filhos está alheio ou fora do conhecimento do Senhor. É preciso estar nutrido no pasto do Sumo Pastor. É preciso estar apascentado no Seu aprisco. É preciso estar abrigado no Seu redil. 

Não se desole em resposta ressentida ou revoltosa a desmandos e abusos escandalosos surgidos daqueles que gostam do lodo, navegam no limo e mergulham na lama. Não permita jamais privar a sua alma de ser nutrida, cuidada e abrigada sob os cuidados do Sumo Pastor Jesus Cristo.
DEUS NÃO NOS PERDE DE VISTA!
PbGS




terça-feira, 3 de abril de 2012

"PORÉM": todos têm, mas veja o seu.


“PORÉM”:
Todos têm um, mas cada um veja o seu.  
“Porém” é uma palavra que imprime superior atenção a tudo que lhe está anteposto e posposto. Conduz o foco mais para sobre o que lhe sucede do que propriamente ao que lhe antecede. “Porém” é também uma palavra que possui a força de apagar tudo que lhe é dito antes e salientar o que lhe vem depois.

“Porém” é uma palavra que consubstancia maior valor e confere ênfase em uma coisa do que sobre outra. Nem todas as pessoas conseguem captar o real significado de um “porém”, assim como também nem todas conseguem aplicá-lo com exatidão e com a devida e adequada propriedade.

Há pessoas que escondem-se por trás de um “porém”, a fim de fugir dos seus “porque”.  Algumas vivem sufocadas no poço de suas interrogações. Outras, sucumbidas no fosso de seus “talvez”. Algumas se submetem a assassinar seus próprios sonhos e matar planos, por inconfessadamente temerem os ressentimentos e imposições dos “porém” alheios sobre os seus próprios “porém”.

“Porém” é uma palavra adversativa, e quase sempre que a ouvimos num relance intuitivo, inicialmente temos a tendência de interpretar que ela buscaria apenas infundir a idéia de contrariedade, de oposição. De tirar o valor de sobre algo para colocá-lo em outro.

“Porém” é uma palavra que não possui antônimos, apesar de ter sinônimos e viabilizar a possibilidade de sua substituição por expressões de suas similaridades. Busque conhecer os bons “porém”, contudo jamais ignore os “porém” que podem lhe atrapalhar, lhe travar, ou lhe fazer presa dos caprichos e manipulações de outrem.

“Porém” é uma palavra que pode imprimir valores negativos, mas também pode muito bem enaltecer valores positivos. Há pessoas que possuem o seu foco perito e tendencioso a apenas enxergar o “porém” negativo, e existem pessoas que logram sucesso em se deter no “porém” positivo sem se deixarem ser levadas aos entraves do negativo.

“Porém” é uma palavra que pode iludir, ofuscar, as relações de causa e efeito, ou produzir distorções de visão sobre algo. Ela tanto pode esconder realidades como pode declarar objeções. Cuidado quando seguir os “porém” que lhe ensinam, visto que eles podem estar desafinados da realidade cristã ou ser preconcebidos de “porém” estratificados, supostos ou imaginários.

“Porém” é uma palavra que possui o poder de levar uma pessoa a fazer avaliação de seus procedimentos, de seus propósitos, de suas prioridades e do emprego e aplicação de seus critérios. Um “porém” corretamente e bem avaliado pode levar ao aperfeiçoamento promissor, e um “porém” mal intencionado pode causar prejuízo e remorso.

Todas as pessoas possuem cada uma o seu “porém”. Mas nem todas as pessoas podem ou sabem ser equilibradas diante de um “porém” alheio. Há pessoas que tentam quebrar, ou denegrir, ou depreciar, os “porém” alheios, e existem pessoas que jamais aprenderam a lidar, ou dirigir, ou disciplinar os seus próprios “porém”.

Na verdade, nenhum de nós conseguiria viver sem um “porém”. Contudo certamente ficaríamos exaustos e desencorajados se vivêssemos uma vida arrastada e aprisionada pelas correntes de muitos “porém”. Há “porém” alegres e alavancadores, e existem “porém” tristes e desalentadores.

Na Bíblia Sagrada estão exaustivamente registrados muitos “porém”. Cada um deles é apresentado numa situação, e em cada uma destas encontramos um propósito. Os “porém” registrados no Livro de Deus servem para nos declarar que temos sempre, e pelo menos, um “porém” em nossa vida, e precisamos além de identificá-lo aprendermos com ele, ou através deles, se muitos houver.

O corajoso general sírio Naamã era um homem prezado e respeitado pelos seus superiores. A Bíblia diz que por ele o Senhor deu vitórias às forças do exército de sua nação. Naamã, garboso e bem fardado, em cujos ombros repousavam suas platinas e lauréis que lhe distinguiam diante das tropas e honravam o poder de mando dos seus superiores hierárquicos e era fator de orgulho para o seu povo. Apesar de tudo isso, aquele Naamã tinha o seu “porém”. 2Re 5.1-19 (ARC)

Apesar de toda a investidura de sua autoridade e da elegância de sua farda e de sua honra e reconhecimentos recebidos, Naamã tinha o seu “porém”. Há “porém” que atormentam e existem “porém” que incomodam, que ferem, que dão sinal de limitações e de impossibilidades.

O respeitado general sírio Naamã possuía e gozava de muitos valores reais, objetivos e subjetivos, mas tinha o seu “porém” que um dia chamou a atenção no interior de  sua residência. Chegou o dia de Naamã ter o seu “porém” trazido às vistas observadoras e às vias de reparos e cessação. A lepra que tomava o seu adestrado corpo fazia parte do seu “porém”.

Aquele “porém” do general não poderia ser extirpado segundo a sua concepção. Era grande demais para ser curado pelos impotentes deuses ou limitados favores no território do paganismo da antiga Síria. Foi um “porém” que precisou deixar as suas ocupações rotineiras, depender das recomendações de uma carta-passaporte e atravessar fronteiras. Foi um “porém” quase não tratado em razão de seu preconceito posicional e de sua arrogância e falta de humildade. Foi um “porém” cuja avaliação não cobria qualquer preço material. Foi um “porém” que lhe exigiu reverência e fé. Foi um “porém” que por pouco quase deixou de reconhecer um profeta e desmerecer a palavra definitiva e certeira que saiu da boca deste.

Nem todos gostam de ouvir dos seus “porém”, todavia às vezes, ouvir sobre os nossos “porém” e atender ao que precisamos fazer com eles pode nos levar a novos caminhos promissores. Há pessoas que se perderam em atalhos vãos e inúteis porque passaram todo o tempo resistindo, ou reagindo, ou se conformando, aos seus “porém”. Há pessoas que tiveram a oportunidade de terem alguns dos seus “porém” resolvidos ou extirpados, mas se fizeram gigantescamente grandes até que a perderam. Jamais deixe de ouvir e examinar os seus “porém”.

O profeta canônico Habacuque viveu um período de sérias dificuldades no meio do seu povo. A frieza espiritual aliada à depravação moral e conjunta com a mornidão irreverente e impiedosa por parte do seu povo estavam causando sérias perturbações. Um panorama de total e completa desconsideração e ausência de arrependimento entre o seu povo. O prenúncio de um juízo estava apontando e levando o seu povo aos sítios da ruína e da escassez. Hc 3.17-19

Para o profeta-filósofo Habacuque, em meio ao panorama vivenciado, ainda que houvesse falta, ausência, escassez, o “porém” de sua fé expressa lhe levaria ao terreno da alegria no Senhor, o Deus da Salvação. Viesse o que viesse sobre o que estava ao seu redor, o seu “porém” não lhe permitia ser levado ao desequilíbrio ou contaminado pela visão descomprometida dos outros.

Em meio às lutas e as suas guerras, nem todos possuem a firmeza de manter o “porém” expresso da fé confiante no Deus da Salvação. Há pessoas que mentalmente sabem que Deus é fiel e verdadeiro, todavia não possuem no seu íntimo a firmeza de convicção suficiente para não abrir mão do seu “porém” de fé expressa quando se deixam ser levadas pelas vistas dos olhos naturais. A alegria rejubilante fazia parte do “porém” de Habacuque.

O dedicado chefe de cobradores de impostos, Zaqueu, era bem sucedido nas suas áreas de atuação. E naquele tempo, a cobrança de imposto em favor do poder dominante conferia posição e status ao funcionário do império. Zaqueu não era apenas um cobrador andante, um ambulante de cobranças de porta em porta. Apesar de não ser bem visto pelos populares, Zaqueu era um chefe de cobradores, e isto nos diz que ele por ser maioral gozava de certo respeito na ponta de entrada da administração das finanças do império romano. Lc 19.1-10

O chefe alfandegário Zaqueu tinha no seu íntimo uma curiosidade ímpar ainda não satisfeita. E foi exatamente por ela que o seu “porém” veio a ser conhecido por todos os leitores amantes do Novo Testamento. Zaqueu parecia ter consideravelmente tudo, mas o que lhe faltava para completar o seu tudo ainda estava por vir. Após breves passos de uma rápida corrida para conhecer o Mestre Nazareno que passava de entrada em Jericó, o seu “porém” veio a lume. A sua estatura pequena fazia parte do seu “porém”. O “porém” do Zaqueu levou-lhe a satisfazer a sua curiosidade, o dirigiu a que fosse eliminada a sua ignorância sobre o homem chamado Jesus e o fez ouvir a declaração da verdade sobre si – Zaqueu também é um filho de Abraão -.    

Ministros de algumas das antigas igrejas da Ásia, citadas nos três primeiros capítulos do Livro de Apocalipse, tinham cada um “porém”. Eram “porém” diferentes, mas todos de igual modo se fizeram alvos do mesmo foco observador.

O ministro principal da igreja em Éfeso possuía um currículo exemplar de obras e trabalhos perseverantes aliado à sua capacidade de suportar provações. Mas tinha um “porém” que fez com que o Senhor declarasse ter algo contra ele, apesar de toda obra e trabalho que fazia. Nenhuma obra ou trabalho que empreendamos, assim como toda a nossa capacidade suportar aflições e provações poderiam substituir a força de manutenção do nosso primeiro amor ao Senhor Jesus. Um bom e oportuno convite a lembranças pode despertar arrependimentos e retomadas de rumos. Ap 2.1-5

O ministro oficial da igreja em Pérgamo possuía um histórico de firmeza e afirmação de fé somado ao seu zelo conservador. Mas carregava consigo alguns “porém” que fizeram com que o Senhor tivesse algumas coisas contra ele. Apesar de se mostrar lampejos de fidelidade e estar domiciliado nas cercanias do trono de Satanás, aquele ministro permitia que debaixo de suas rédeas fossem sustentadas as ministrações de heresias, falsos ensinamentos, promotores de confusão espiritual e indecência moral, com o fim de lograr interesses materiais. Ap 2.13-16

Aquele ministro não foi capaz de conter a infiltração e coibir o alastramento das doutrinas gnosticistas libertinas, e possibilitou indiretamente o oferecimento e consumo de oferendas idólatras, assim como se fez permissionário da prática da prostituição na igreja sob sua liderança e cuidados. Há pessoas cujos “porém” cedentes podem atrapalhar e causar sérios danos à vida de outras que com elas se coadunam. É preciso ter muito cuidado contra os “porém” ambienciais com feições carismáticas.

O ministro responsável pela igreja de Tiatira possuía um currículo expressivo de caridade, fé, obras crescentes, trabalhos perseverantes. Mas apesar de tudo isso, aquele ministro possuía o seu “porém”. E foi aquele “porém” que fez com que o Senhor declarasse ter algo contra ele. Aquele ministro era um agente de tolerâncias a que a igreja sob seus cuidados fosse ensinada e seduzida para a prostituição e para a adoração a deuses estranhos dentro de seus próprios termos. Ap 2.19-23

Aquele ministro chegou a apoiar a extorsão materialista com fachada de espiritualismo que tinha o pretexto de atender aos desejos pessoais dos favorecidos tolerados. O mundo materialista e as tentações dele eram imponentes e exerciam influência naquela região. É preciso conservar e guardar o que temos para que não sejamos vitimados pelas malhas das falsas tolerâncias e das permissividades.

Assim, pode ser visto que existe pelo menos um “porém”, mas cada um veja o seu. Há pessoas que possuem mais de um e existem pessoas que tendo muitos “porém” somente concentram o seu olhar e se atrapalham e se travam em um porém de alguém. Jamais podemos deixar que certos “porém” sejam infiltrados no meio dos rebanhos do Senhor. Os “porém” são possíveis existir, mas nunca devemos fechar os olhos e fazer vistas grossas a “porém” permissivos e destruidores, por mais classicista ou carismaticamente politizados que se apresentem.

Nenhum “porém” seja desprezado e não revisto. Todos os “porém” se façam objetos de apreciação, visto que nenhum deles ficará sem a sua devida e merecida recompensa. Busquemos, pois, nos ancorar a “porém” que não seja objeto de contrariedade para com o Senhor. Que nenhum dos nossos “porém” venha ser causa de tropeço a outrem. Que nenhum dos nossos “porém” se torne em falseio e pretensões oportunistas. Procuremos tratar dos “porém” antes que chegue o dia de ouvir o esperado grito da meia-noite.

Que o Senhor nosso Deus, ao olhar o “porém” de cada um, não tenha coisa alguma contra os nossos “porém”.
VOCÊ JÁ VIU O SEU “PORÉM” HOJE?
Aproveite para revê-lo e apresentá-lo ao Mestre Jesus!
PbGS


NOTA:
Este artigo contém algumas partes da mensagem gravada, que preguei na última quinzena do mês passado na abertura do 10º Aniversário do Conjunto de Homens da IEAD, Imigrante-ES. O tema daquela linda festividade foi “Tu, porém, foge destas coisas.” 1Tm 6.11.     



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

QUEM UM DIA VIRIA A DIZER?

QUEM UM DIA VIRIA A DIZER?
Ap 2.4-5 – “Se não te arrependeres...”

Dezesseis pontos incisivos para neles fazer a igreja evangélica refletir. Apenas uma voz entre as muitas outras...

1- Quem um dia viria a dizer que hoje estás desmerecendo os teus profetas, louvadores e tangedores dos teus altares? E por tua causa, em seus lugares tens elegido faladores, palradores e tagarelas, cantadores, exibicionistas e encantadores para “alegrarem” os teus cultos a ti mesma e promoverem as tuas logomarcas. Por esta causa, estás deveras sendo saqueada e empobrecida, posto que a originalidade das tuas riquezas está sendo saqueada por interesses escusos e teus talentos sendo minados e levados pelos impérios do mundo para satisfazer os focos dos holofotes e abrilhantar o vídeo das câmeras.

2- Quem um dia viria a dizer que hoje em alguns dos teus altares os sacrifícios estão recebendo o requintado e fino toque das cinzas e aplausos carnavalescos, assim como os embalos de boates. E os serviços de adoração oferecendo o aroma do incenso santo misturado com o fogo estranho para cativarem e fazerem apenas prosélitos, e não discípulos do Mestre? Um dia os sacrifícios e serviços que andaram juntos e pertinentes à Palavra de Deus e ao temor, fortalecendo e alegrando os muitos bons e sinceros corações dos filhos do Reino, estão agora sendo colocados na mesa do divórcio e sendo levados ao casamento com as alegorias dos espetáculos do mundo.

3- Quem um dia viria a dizer que hoje estás te aliando aos poderes e poderosos do mundo e neles tens depositado toda a tua confiança e se curvado aos seus modos, editos e ditames? Por tua causa, os valores fundamentais e basilares da fé e da legítima comunhão estão sendo postos de lado, depreciados, desmerecidos e desacreditados. Um dia já fostes mais firme e convicta diante das feras nas arenas e diante dos algozes nas masmorras. Um dia já fostes mais zelosa e mantenedora dos teus princípios e da tua verdadeira identidade. Diante dos teus olhos, já vistes as portas dos cárceres serem abertas e carcereiro se converter à mensagem que a te está confiada.  

4- Quem um dia viria a dizer que hoje teus idosos e jovens estão discursando como os destros oradores dos reis da Terra e como os eloqüentes anunciadores dos palácios imperiais? Lamentavelmente, hoje num isolado número de novas falas habilidosas nos teus púlpitos apresentam palavras desnudas da unção tocante, despidas do poder demonstrado e de rasas aplicações pouco ou nada convincentes. Quem um dia viria a dizer que estás sonolenta e sendo adormecida em enganos e fantasias por estares perdendo a visão do “kerigma” inseparável do “martírion”?

5- Quem um dia viria a dizer que hoje estás te enchendo do ouro e te estribando da prata? Em contrapartida, tens esquecido as fortes e impressas lições da púrpura, tens desconsiderado o carmesim e pouco se interessado pela essência da lavagem pela água e do poder pelo mover do autêntico e legítimo fogo. Por causa da tua confiança extrema no ouro e na prata, já desvias o teu coração da direção oferecida pelo teu Senhor e te destinas na intenção dos teus próprios e caprichados planos. As pimentas, os pepinos e os melões do Egito querem atrair os teus olhos e te manter cativa no cativeiro para que não saias a oferecer o teu culto livre ao Senhor teu Deus.

6- Quem um dia viria a dizer que hoje pela tua impaciência e inobservância, estás optando por deixares de ser guiada pelo Espírito nas tuas decisões? Visto que não tens aprendido com os tropeços e desacertos das sortes sobre alguns, tens insistido em confiar unilateralmente, e deixar ser dirigida, pela força limitada da tua inteligência, do teu braço de carne, da tua influência e da tua engenhosidade. Por esta causa, tuas fórmulas e incrementos fazem com que deixes de realizar o que deverias e te arrefeceres no que poderias.

7- Quem um dia viria a dizer que hoje em alguns termos de ti o amor que está sendo praticado está por muitos sendo visto e assemelhado ao amor de prostituição? Neles fala-se o que se faz apenas para atrair atenções e conseguir o que se quer. Nem mesmo os mercantes e mercadores estão dispostos a te afiançarem. E por causa de alguns em teu seio as portas dos mercados estão te rejeitando crédito nos seus balcões.

8- Quem um dia viria a dizer que hoje por causa dos desmandos, abusos e descasos de alguns ministros teus, os impérios do mundo estão querendo tragar e sobrepor as tuas virtudes? E pondo enfeites nos teus talentos, querem te levar a palcos e picadeiros para te transformar em circo de espetáculos religiosos, te resumirem a espaços culturais e te confinarem em museus históricos. Querem fazer do teu histórico apenas peças teatrais, riquezas literárias e relíquias de memórias, para que te esfries e cesses o teu anúncio contra o pecado e o teu esforço para restauração e edificação de vidas.

9- Quem um dia viria a dizer que hoje teus discursos estão  ganhado artifícios rebuscados? Vejas se tu percebes que estão alguns entre os teus querendo mudar a essência e o propósito da mensagem cristã da Salvação que deverias ser mestra no seu anúncio e poderosa na sua demonstração. Busques abrir teus olhos ainda enquanto caminhas acordada e com azeite nas tuas lâmpadas, porquanto é chegada a alta hora da escuridão e o cansaço com ela vem sobre todos.

10- Quem um dia viria a dizer que hoje ministros do teu seio se perdendo da vocação, estão sendo atraídos pelas aparentes vantagens seculares e mergulhando nas águas da hipocrisia, se tornam destros na arte do engano e habilidosos na indústria de promessas? Por esta causa, alguns se aplicam na visão de seus próprios interesses e caprichos. E para conquistá-los e atingi-los, com isso se fazem manipuladores de massas e influenciadores de idéias usando seus conservos como meios para com duplo sentido chegarem aos seus fins pessoais e particulares.

11- Quem um dia viria a dizer que hoje, por causa dos desmandos, abusos e descasos praticados no meio de ti, poucos querem te ouvir nas praças, nas esquinas e nas ruas? Por tua causa, já te sentes intimidada a mostrar a tua face às feras e aos cézares deste tempo. Para atraíres as multidões, já não precisas do Espírito na pregação em demonstração de poder e na manifestação de sinais e maravilhas do Seu mover. Para ires aos públicos já te deténs a depender única e inteiramente de mecanismos e arranjos artísticos complementares. Em lugar de poder salvador e regenerador, instalastes o apogeu e cedestes poltronas ao luxo.

12- Quem um dia viria a dizer que hoje estás correndo léguas, quilômetros, milhas e jardas para angariar primeiros, grandes, príncipes, poderosos, ricos e letrados, e não te comoves e nem te moves por milímetros, centímetros,  metros e braças para aninhar debaixo de tuas asas últimos, pequenos, fracos, pobres e símplices? Por tua causa, os olhares de muitos estão aos poucos sendo tirados de sobre a manjedoura e colocados em admiração sobre os magos e seus presentes. A vil cédula e o vil metal estão te levando aos tribunais da Terra, te enchendo e nublando os olhos, inchando o teu coração e calando a tua boca.

13- Quem um dia viria a dizer que hoje tuas portas imponentes e sofisticadas estão sendo salpicadas pelo sangue inocente e pelas lágrimas dos desesperados de fora e dos decepcionados de dentro? Teus painéis estão acompanhando a evolução dos séculos e ganhando luz, cores, artes e fantasias, entretanto teus assentos estão sendo minados pelas contingências e futilidades passageiras. Por esta causa, a moldura dos conchavos e conluios que alguns em ti abrigam está enfraquecendo, desgastando e arruinando a estrutura dos teus concílios, levando teus ministros a avarezas, a precocemente aos leitos e à inutilidade física.

14- Quem um dia viria a dizer que hoje a humildade legítima de alguns dos teus ministros iria sofrer maus tratos até se tornar desertora? Que teu escudo de ouro um dia por ti mesmo viria a ser rejeitado e descrido por ti e assim substituído por ninharias de bronze e artifícios de latão? Que tua nobreza iria um dia ser posta à venda e a trocas, por tua causa. Que o sal de muitos dos teus encontra-se em fortes riscos de tornar-se insípido e a tua luz de se fazer em penumbras?

15- Quem um dia viria a dizer que hoje estás preferindo afagar os filhos do Reino dentro de tuas paredes, condicionando-os apenas aos nobres e extraordinários cultos alegres e fortalecedores, ao invés de também levá-los e exercitá-los a perceberem de perto o calor das praças, a presenciarem nos olhos as angústias das esquinas e a sentirem os desalentos, as dores e as perversidades das ruas? 

16- Ah... Mas, enfim, em meio a tantos desmandos, descasos e abusos, também quem um dia deixaria de vir publicamente dizer em alta voz e em bom som a mensagem pregada pelos antigos que diz “arrependa-te e voltes ao teu primeiro amor”? Que lembres de onde caístes, que faças reparos, que converta-te e retomes o caminho de antes do qual tens te afastado. Que os teus ouvidos estejam prontos e possam ouvir, para que sejas de fato e com verdade um Reino de vencedores com legítima identidade de vencedores, e não um mega império de supostos e pretensos ídolos cobertos de pseudos-sucessos, jargões altruístas e auto-afirmações triunfalistas.

Se não te cuidares, a embriaguez de tua cegueira e o luxo do teu apogeu misturados à tua presunção te conduzirão à sensação de segurança até que te chegues à soleira das portas do iminente cativeiro e o grande rapto dos santos que estão na Terra e fiéis que estão em Cristo te surpreendam. Se não te cuidares, muitos que estão no teu meio ficarão desolados para trás no meio dos cães dentro do panorama das agonias, descasos e aflições profetizados sobre o mundo.
REFLITAMOS E TOMEMOS POSIÇÃO!
PbGS



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mt 25.1-13: O GRITO DA MEIA-NOITE.


O GRITO DA MEIA-NOITE.
Um despertamento que trará revelações.

Sei que este artigo é um tanto longo, pode tomar um pouco do precioso tempo do nobre e generoso leitor. Entretanto, convido-lhe a refletir nestas pérolas do incalculável valor do tesouro de Deus, ainda quando estamos antes do grito da meia-noite e podemos edificar mais vidas. Certamente será de grande e gratificante recompensa.

A expressão “meia-noite” no aspecto bíblico escatológico tem significados, nuanças e detalhes singulares para os quais precisamos atentar. Ela nos fala de acontecimentos e momentos, e sugere para a nossa vida um despertamento pessoal, individual, sobre o que cada um de nós mesmos somos, o que fazemos, como devemos estar e o que nos espera nos contextos que nos circundam e nos que estão por vir.  

Olhar para essa “meia-noite” significa atentar para algumas notas que urgem à nossa maior e mais apurada reflexão, visto que “a noite vem; quando não mais podemos trabalhar”. O tosquenejar, cochilar, e o adormecer serão parte de uma vista normal e panorâmica notada cada vez mais estivermos perto dela. Não nos surpreendamos e nem nos embriaguemos, posto que “somos do dia e não da noite”.

Olhando especialmente para as palavras e expressões do Senhor Jesus Cristo na parábola conhecida como “a parábola das dez virgens”, registrada em Mateus 25.1-13, algumas notas nos fazem realmente refletir um pouco mais com afinco e atenção nos seus pormenores que nos deixam conhecer melhor acerca dessa “meia-noite”.

Começo, então, trazendo a lume alguns desses pormenores, cujas lições possuem o principal propósito de nos orientar que sejamos prudentes e vigilantes enquanto esperamos o grito da meia-noite iminente e com ele o esperado convite para sairmos ao encontro do Noivo.

Em primeira mão, o Senhor Jesus Cristo, nessa parábola,  nos apela a que estejamos preparados, a nos mantermos em estado de vigilância constante enquanto esperamos o momento iminente de Sua segunda vinda. Ele aponta para um momento ímpar do futuro ilustrando uma semelhança entre os momentos fatuais dessa Sua vinda e os contextos do presente relacionados a ela.

O Senhor Jesus lança uma ilustração contendo uma semelhança, uma visão de um dos aspectos do reino dos céus. Essa semelhança não significa igualdade, mas a relação e características de fatos parecidos, similares em aspectos com o fim de nos fazer compreender as lições principais contidas na exposição do Seu ensinamento. 

Nessa parábola, o Senhor Jesus Cristo emprega o recurso lingüístico da alegoria para que possamos compreender as coisas espirituais correlacionando-as com as coisas terrenas. Para nos fazer entender a relação entre o reino dos céus que se revelará inteiramente no seu tempo e as atitudes e qualidades daqueles que estão esperando por Ele na Sua segunda vinda.

O Senhor Jesus utiliza um fato humano conhecido no presente, em nosso tempo, a saber, um cortejo de casamento formado por um serviço composto de moças virgens para o encontro com o noivo, conforme o costume dos tempos bíblicos daqueles dias na Palestina no tempo de Jesus.

A parábola começa nos fazendo enxergar a realidade da existência do reino dos céus, e que haverá o seu momento de se revelar a seu tempo com total claridade, assim como os elementos conhecidos na nossa experiência cotidiana que envolvem a nossa vida de atitudes e comportamentos em relação a chegada dele enquanto o esperamos e todo o contexto pertinente.

O reino dos céus não é uma invenção, nem uma ficção. Não é uma região geográfica ou política localizada no espaço físico. Ele é espiritual, uma realidade na existência, percebido e visto apenas por aqueles que “nascem de novo”, que “nascem da água e do Espírito”. Para vê-lo e entrar nele primeiro se tem que antes nascer de novo, nascer da água e do Espírito.

Com a citação ilustrativa dessa semelhança na parábola, o Senhor Jesus Cristo começa nos falando também de contingente, utensílios, adereços, características, qualidades, atitudes e comportamentos. Ele nos fala de coisas visivelmente notadas no presente e também de coisas que serão somente dado contas e exteriorizadas no futuro, mais precisamente ante o grito da meia-noite iminente.

Ele nos fala empregando simbologia com coisas cotidianas essencialmente terrenas e naturais, mas com isso também nos fala de coisas espirituais da mesma forma essenciais ao nosso viver cristão. Coisas essas que além de essenciais, são imprescindíveis e insubstituíveis.

Em questão de contingente, o texto nos fala de uma quantidade total de dez. Dez representa a Lei, o número de governo e o de um ciclo completo. Dez também representa tudo que o homem pode dar a Deus, toda a capacidade de trabalho do homem em toda a sua plenitude. Dez representa ainda a perfeição da ordem divina.

Mas esse contingente foi fracionado em duas proporções iguais – cinco e cinco -. Cinco representa a graça de Deus, o favor imerecido que Deus oferece aos homens. Cinco também representa ministérios espirituais e também redenção. Cinco representa, além disso, a revelação de Deus, a santificação e os sentidos que possuímos para perceber as oportunidades e as coisas do mundo físico que Deus nos concede.

Notemos ainda que esse contingente do cortejo era composto por virgens. Virgem representa os servos do Senhor que não se mancharam com a idolatria e coisas atinentes a ela. Aqui reside o teor do grande alerta endereçado ao seu público alvo. Essa parábola não se destina ao mundo secular, estranho e afastado de Deus.

Em referência a utensílios, o texto nos fala de lâmpadas, ou lamparinas, vasilhas e azeite. Lâmpada representa a Palavra de Deus, luz, verdade, gozo, instrução, ensino, sabedoria, pureza, alegria e glória. Vasilha, vaso, frasco, representa suprimento, caráter e experiências individuais e intransferíveis que cada pessoa possui.

Azeite representa o Espírito Santo, a unção que capacita ao serviço, fortaleza que confere resistência, ousadia e coragem. Azeite também representa alimento, remédio aliviador. Em relação a adereços e características, isso nos fala através das virgens componentes de um cortejo de casamento naturalmente ataviadas a rigor a propósito de um encontro especial.

Em vista de qualidades, o texto ainda nos faz perceber que a diferença notada nas duas proporções de virgens não estava no exterior visível. Tudo nelas parecia igual e normal aparentemente. O fator principal que causava a distinção entre ambas as proporções, e que as dividiam e identificavam-nas eram as suas qualidades. Essas qualidades somente se revelaram no momento do grito de anúncio da chegada do noivo.

Os dois grupos tinham proporções e características exteriores iguais, todavia com atitudes diferentes e comportamentos diferenciadores. Os dois grupos eram compostos por virgens. Os dois grupos estavam juntos compondo o mesmo serviço no cortejo. Os dois grupos estavam envolvidos, empenhados, comprometidos e dirigidos para um único acontecimento.

Os dois grupos estavam aparente e visivelmente iguais. As diferenças surgiram mais tarde, e vieram se tornar públicas quando da ocasião do grito da meia-noite iminente. Os dois grupos objetivavam esperar o noivo, serem recebidos por ele no mesmo lugar de espera, seguirem com ele para o local da bodas e depois entrarem com ele para ela, a festividade de casamento.

Os dois grupos possuíam lâmpadas iguais e próprias para o serviço especial que estavam prestando. As virgens foram ataviadas com roupas próprias e dotadas com lamparinas indistintamente. Mas a demora da espera foi trabalhando situações para que fossem reveladas as qualidades de cada uma. Não era o suficiente um zelo momentâneo e aparente para satisfazer uma curta duração.  

Cinco eram néscias (morós) e as outras cinco eram prudentes (phronimos). Os termos são antônimos, e nos deixam ver que residia no interior de cada um desses dois grupos uma completa distinção até então não total e inteiramente exteriorizada.

O foco principal da lição nos traz a atermos a visão nessas qualidades antônimas que mais tarde seriam refletidas das suas atitudes (idéias, pensamentos, visão, interiores) e refletiriam nos seus comportamentos (fatores visivelmente exteriorizados e qualificados) ao serem despertadas pelo grito da meia-noite iminente.

As cinco néscias (morós), apesar de terem os mesmos paramentos e aparatos das outras, eram tolas, desprovidas de bom senso, loucas, embrutecidas e estúpidas. Elas deixaram de ajuizar o que eram, como estavam se comportando, qual era a sua função, qual era a finalidade de estarem no cortejo, o que deveriam fazer e o que terem consigo para os momentos, o que precisariam para se manterem nos seus lugares até o desfecho final de seus esforços.

A falta de bom senso, a insensibilidade e o embrutecimento levaram as néscias a se fazerem estúpidas, imprudentes e imprevidentes. Elas não discerniram o privilégio de estarem tomando parte naquela procissão de casamento. Estar apenas presentes no cortejo não era o propósito final destinado a elas. Estar apenas presentes no cortejo para elas parecia ser o bastante. Nota-se que a insensatez levou-as a subestimar os privilégios; o tempo e a vontade do noivo; e a monta e o desenrolar do evento.

As néscias começaram sendo notadas na frente e foram focadas assim até o momento do grito da meia-noite, até antes da ocasião do grito todas estavam visivelmente iguais e tudo aparentemente normal. Paramentos e aparatos não substituem valores de caráter e experiências íntimas com o Espírito de Deus. Existem valores que somente são adquiridos com o tempo e em meio a experiências pessoais, individuais. E isto não se consegue comprando de um dia para o outro. Isto se adquire através de esforços com  sabedoria, inteligência, sensatez, prudência, previdência e discernimento.

Até o momento do grito da meia-noite o foco principal estava primeiro dirigido e concentrado nas virgens néscias, apesar de estarem desprovidas de vasilhas com azeite reserva para suprir eventualidades pessoais, individuais, durante as imprevisibilidades que poderiam surgir no curso do período da espera.

As cinco prudentes (phronimos), compunham o segundo grupo do cortejo. Demonstraram espírito reflexivo, inteligência e foram conscientes de si mesmas. Elas ajuizaram com sensatez, discernimento e experiência sobre o que poderia lhes acontecer durante o cortejo na espera do noivo. Elas consideraram privilégio, o tempo e a vontade do noivo e a importância do evento e demonstraram senso previdente desde antes de começar o cortejo na espera do noivo.

Das coisas que caracterizaram esse segundo grupo de virgens são a prudência, o senso sábio, discernidor, reflexivo e judicioso. Elas julgaram as coisas com o pensamento sensato e previdente. Para elas o mais importante de todos os seus esforços era chegar até o noivo e acompanhá-lo até o ambiente da festividade de bodas de casamento na casa de seu pai.

Para as prudentes não era importante apenas estarem com vestes e de lamparinas nas mãos tomando parte num evento especial e diferente de qualquer outro tipo de acontecimento. Para elas o mais importante era atingir o objetivo final de seus esforços como recompensa de todos os seus esforço e empenho. Para elas o tosquenejar, cochilar e o adormecer não lhe foram elementos surpresas e nem lhe tomaram de assalto os seus valores interiores.     

Esse foco que começa encabeçando as virgens néscias antes das prudentes tem o propósito de nos fazer notar o teor próprio das verdades, todavia no final da parábola as néscias são notadas em último e “mais tarde”. Aquelas que começaram sendo citadas em primeiro passaram a ser vistas no depois. Todas as palavras e expressões do Senhor Jesus são muito mais do que podemos entender completa e inteiramente.

Apesar das néscias estarem sendo focadas no primeiro plano, bem vestidas e munidas de suas lâmpadas, a expressão conjuntiva adversativa aparece, então, revelando o ponto principal de contraste entre ambos os grupos de virgens. Tudo parecia normal e igual até o meio da noite, entretanto foi o momento do grito da meia-noite que revelou os contrastes, os antônimos, as diferenças, as qualidades.

Nota-se que momentos antes dessa “meia-noite”, ambos os grupos como num todo em espera foram tomados pelo sono, e tosquenejaram, cochilaram e adormeceram. Agora a esta altura da espera, o momento de cansaço em meio a escuridão da noite os cobriu. Em pleno meio da noite já não apresentavam condições para se ausentarem do local ou se envolverem em coisas alheias ou em busca de prontificação para o evento. 

Essa “meia-noite” foi precedida de alguns fatores pertinentes ao tempo de espera e demora da chegada do noivo. Sono, cochilo e adormecimento nos falam de esfriamento, de inércia. Ambos os grupos foram se tornando frios e inertes durante a espera do noivo. Ambos os grupos experimentaram o peso do esfriamento e da inércia em função da demora nessa espera.

Em meio a obscuridade da meia-noite, ouviu-se um grito (kraugé), um clamor de chamada em alta voz, anunciando a chegada do noivo e nele também o convite a saírem de onde estavam para encontrarem com ele. Quem deu o grito não aparece e nem está em foco no contexto, por isso não possuiu significativa citação do agente. O mais importante e significativo aqui são o grito da meia-noite iminente e o convite de encontro com o noivo, posto que em conseqüência dele vieram as revelações.

Essa “meia-noite” bíblica escatológica não se trata do horário cronológico. Ela se refere a um momento de total e completa rendição à obscuridade sobre a humanidade. Se refere a um momento de adormecimento, de escuridão, de insensibilidade, de densas trevas espirituais sobre a humanidade que incidirá com certa influência sobre todos aqueles que servem ao Senhor Jesus Cristo.   

Foi o grito que nesse momento despertou a todos. Foi o grito que levou ambos os grupos a se despertarem, levantarem, tomarem posição, se arregimentarem e prepararem as suas lâmpadas. Foi o grito que levou as néscias a tomarem consciência que não estavam prontas ainda como deveriam estar, assim como estavam debaixo de um fator surpresa irreversível.

Foi em função do grito da meia-noite iminente que as atitudes e comportamentos de ambos os grupos de virgens vieram às considerações. As qualidades de cada um grupo foram reveladas a todos no meio da noite e perante o grito. Foi em função desse grito que apareceram as deficiências e o peso da negligência das néscias por lhes haver faltado os valores interiores notados nas prudentes.

Agora, após o grito, veio se saber quem era quem e o que diferenciava ambos os grupos. As prudentes, apesar de haverem cochilado e adormecido durante a espera, elas traziam consigo vasilhas, ou vasos, ou frascos, com azeite suprimento de reserva e no momento do noivo elas estavam além de despertadas, apercebidas.

Somente com o grito da meia-noite foi que vieram a lume quem dentre os grupos se mantinha em falsa prontidão, estava estribado em presunção, possuía uma falsa religião, nutria uma falsa esperança, possuía um falso senso, alimentava uma falsa prioridade e se mantinha por trás da insensatez e do auto-engano.

Até então o grito, os grupos estavam juntos, cochilando e adormecidos juntos, mantidos coesos e aparentemente tudo parecia haver soluções e contornos a situações que surgissem, afinal todas eram componentes do serviço que estavam a mercê do mesmo cortejo de casamento e havia apenas um noivo a ser esperado e atendido.

Mas agora também um novo detalhe extremamente significativo surge. O noivo chegou quando as néscias estavam ausentes do lugar de encontro. O tempo e a oportunidade que tiveram antes de saírem para compor o cortejo haviam ficado para trás. Elas haviam saído para comprar azeite fora de tempo e de local. O tempo de adquirir o azeite passou e o momento agora era impróprio e tardio para obtê-lo.

Da mesma forma, notemos outro detalhe. As que entraram com o noivo foram as prudentes, as que estavam apercebidas. Agora fica mais claramente reveladas as suas qualidades, o seu estado de percepção atenta, previdente, sábia e inteligente.

Aqui tomamos conhecimento de que as néscias foram excluídas definitivamente das bodas. Elas fizeram parte da procissão de casamento, mas o texto nos deixa notar que o peso em suas atitudes era apenas o de participar ativamente do cortejo, estar envolvidas nele segundo a sua visão pessoal, individual, isolada e alheia ao que poderia acontecer durante a espera. Elas tiveram a oportunidade de voltar e ainda bater a porta, porém agora era tarde e elas receberam do noivo a dura frase "não vos conheço".

Uma mistura de satisfação e conformidades com aparências, de loucura, de excesso e erro de confiança nos outros, de imprudência e imprevidência, levaram as néscias ao momento fatal da ruptura e separação de ambos os grupos de virgens que estiveram juntos, participaram das mesmas coisas, dos mesmos privilégios e dos mesmos momentos, mas agora chegou o momento de separação.

Quem começou no primeiro plano do foco ficou para o mais tarde e o depois. Era o que lhes bastava o participar do cortejo, o estar enfronhado e visto na presença dos demais e envolvido no meio do cortejo, afinal poderia haver um ar de misericórdia de última hora por parte do noivo.

E quem sabe se o noivo ao olhar para o contingente de virgens e vê-lo pelo número e não pelas qualidades, fosse imbuído de um pressuposto momento de compaixão e esqueceria ou desprezaria o seu cetro de equidade e de justiça?
PbGS



quinta-feira, 22 de abril de 2010

PREGADORES: é tempo de ser e estarmos cheios.

PREGADORES: é tempo de ser e estarmos cheios.

Há alguns dias me foi concedido, segundo a graça do Senhor, uma vez mais o privilégio de ministrar o estudo pela manhã e a pregação à tarde na abertura de uma conferência missionária na qual esteve presente um cordial público fervoroso e seleto composto entre local e convidados que a cada dia o nosso Deus lhe abre a visão para alcançar mais e mais as necessidades da seara e lhe vem conscientizando que “os campos estão brancos para a ceifa”.


Para mim foi realmente um imenso privilégio e uma honra singular haver conhecido o dileto público presente na querida e amada Igreja Assembléia de Deus em Brasilândia, São Gonçalo-RJ, bem como expresso minha profunda gratidão à sua digna liderança sob a presidência do Pastor Nilton dos Santos em recomendadamente por outros líderes e rebanhos ter me formulado o bom convite a cooperar ativamente no grande empreendimento missionário que revela a expectativa do bom e feliz momento para aquela honrada igreja que me autorizou a citá-la publicamente neste espaço.


E pertinente a assuntos correlatos que alguns e-mails e alguns poucos telefonemas de irmãos em Cristo têm chegado a mim, venho aproveitar este momento para remindo o tempo lhes deixar publicamente uma singela e curta mensagem que possa servir também a tantos outros que dela venha tomar conhecimento. Digo singela em razão de sua simplicidade própria que vem do Evangelho e digo curta em vista do espaço que lhe é cabida ao momento, em vista de tantas coisas que prendem nossa atenção por tempo consideravelmente muito maior que estes minutos em lê-la e nela refletir.


Direcionando nosso olhar para as palavras do Senhor Jesus Cristo ao nos dizer que “a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”, e com nossa visão posta nisto, visualizemos os campos brancos para a ceifa, com sua extensão, natureza, características e carências desafiadoras. É inegável que neles haja trabalhadores em meio às suas diversificadas multidões. Seria um descaso o deixar de lembrar que neles existam trabalhadores em sacrifícios diuturnos, os quais compõem ainda um número menor em vista da extensão e necessidades reais da seara. Mas também é inegável o descaso que alguns poucos trabalhadores estão fazendo deles, pela maneira com a qual estão enxergando e subestimando a prontidão dos campos e com a qual estão se mantendo friamente vazios e superficiais diante destes.


A seara está madura, os ceifeiros são poucos, e em resposta aos meus demais caros e generosos leitores irmanados junto àquele dileto e fervoroso público presente naquela conferência missionária, preciso aproveitar estes espaço e momento para tomar algumas linhas deveras úteis ao contexto e nunca demais à lembrança para lhes falar sobre nossos deveres e maneiras de trabalhar na evangelização dos perdidos e na edificação da igreja do Senhor.


Os maiores desafios nestas áreas não começam no conjunto de coisas operacionais que entendemos sejam estratégias e metodologias. As quais são absolutamente úteis e de grande valia, entretanto não são as primárias nem as essenciais. Também não residem unilateralmente nas multidões existentes nos campos brancos para a ceifa. Certos estamos dos desafios, mas entre esses maiores desafios está o desafio pessoal de que cada um de nós como seus trabalhadores devemos enfrentar para atingirmos efetivamente os propósitos gerais e específicos da pregação e do ensino para com a evangelização e a edificação.


De pouca coisa adianta e resulta o trabalho de alguém que se propõe a essas áreas se pouco tenha a dedicação e ao esforço em ser e estar cheio. Pouquíssimo proveitoso e eficaz é o trabalho de qualquer um que o realiza estando vazio, quiçá nestes tempos hodiernos. Encontramos pessoas nominalmente cheios de tantas coisas absolutamente inúteis e dispensáveis e dando extrema ênfase a essas ficam lamentavelmente vazios das inteiramente necessárias a si mesmos e ao trabalho. Não devemos nos deixar confundir entre “ser” e “estar”. “Ser” expressa a natureza e “estar” o estado de alguém ou de alguma coisa. “Cheio”, uma expressão neotestamentária que nos é tão necessária como jamais antes haja sido. Em meio a todo o enfrentamento e oposições que diariamente se levantam contra tudo que se opõe a Deus ou O adora diante das multidões, é preciso realmente mais do que algumas pessoas externam de seus pensamentos particulares e idealizadores, ainda que por mais espetaculares que sejam, ou acreditam que deva ser ou estar aceito para o trabalho da seara. Buscamos do Senhor e nos atemos a pregar e ensinar aos públicos, e esperamos avidamente com nossos corações ardentes no Espírito Santo e zelosos na aplicação da Palavra de Deus que guardem as coisas que o Senhor Jesus também nos tem mandado sejam guardadas, mas não podemos esquecer que depois que realizamos nossa sublime tarefa e venhamos a nos dirigir a outros públicos, possa acontecer de que alguém estranho por outro lado lhes apareça cheio de coisas estranhas, misturadas e espúrias a “semear o joio no meio do nosso trigo” que este antes com desvelo semeamos, ou “intrometam-se em nosso meio” para plantarem as parasitas dos seus belos legalismos e ilustres formalismos aparentemente ancestrais em tradicionalismos desprezíveis e alheios à vida e a visão da querida e amada igreja do Senhor Jesus Cristo. Alguns desses joios e parasitas vêm forçando que a igreja do Senhor os receba, acate e os aceite e absorva-os naturalmente como se a igreja fosse uma continuidade de segundo plano seqüencial de suas tradições legalistas e formalistas tão secundárias pouco úteis que se fizeram desprezadas pelo próprio Senhor Jesus e mantidas completa e inteiramente excluídas do alicerce do “edifício de Deus”.


Surge uma outra classe que muito ama a fama por astuciosa e indutivamente entenderem que é ela que lhes liga ao dinheiro, que seja ela a porta que possa lhes escoar facilmente o dinheiro, e não indo muito longe revelam para as lideranças qual é o valor metal e monetário de cada um. São os amantes do dinheiro e amantes de si mesmos. Esta classe busca na verdade é ser “cheia de dinheiro do santuário”. Há algum tempo atrás este pequeno pregador foi convidado em uma boa conversa telefônica por um honrado e ilustre líder a pregar no encerramento de uma festividade solene de inauguração do templo da bela e amável igreja que preside no interior do estado do Rio de Janeiro, em substituição a um pregador contactado por sua liderança que lhe havia “cobrado” um valor e prerrogativas exclusivistas excessivamente inacreditáveis, além de haver “exigido” o tratamento comodoro executivo completamente distorcido das instruções do Senhor Jesus e das boas maneiras e hábito salutar praticados entre nós companheiros cristãos pregadores no trabalho cooperativo do Mestre junto aos apascentadores.


Em todos os tempos sempre nos foi necessário não somente estarmos cheios das coisas de Deus mas também sermos cheios delas. Os dias dos primeiros apóstolos já lhes exigiam serem e estarem cheios. Somente vencemos aos embates se formos e estivermos cheios de alguns fatores bíblicos, objeto em estudo que veremos nesta mensagem em forma de artigo que ora sou trazido a lhes entregar.


Uma das coisas que o Senhor nos adverte em Sua Palavra é que ninguém esteja vazio. E em vista disso, nenhum de nós esteja diante dEle vazio interior e exteriormente. Nossas mãos jamais devem ser apresentadas vazias, nossa mente não deve ficar vazia, não devemos ficar com o nosso coração vazio e não devemos ficar com o nosso espírito vazio.


Temos que buscar ser e estar cheios das coisas de Deus – elas são dEle, vêm dEle e vão para Ele. Quando ficamos vazios algumas situações se nos acercam. Os temores nos enchem de assombros, a incredulidade nos assola e compromete nossa visão e fé, as tristezas se nos assalta da alegria e das certezas, as fraquezas se nos tomam, nos arrastam e nos insuflam a quedas seqüenciais e repentinas.


Ser e estar cheios não é uma questão facultativa nem uma prerrogativa, tampouco não é uma atitude temporária e transitória a propósito de algum momento – é um dever vivencial e experimental prático, principalmente de nós pequenos pregadores -, e quanto mais claro isto se torna em nossos dias, mais nos exigido é sermos e estarmos cheios. Se quisermos viver e cumprir cabal e satisfatoriamente nossos ministérios nas chamada e vocação de pregadores diante do Senhor precisamos ser e estar realmente cheios para estarmos diante do Seu povo. Devemos na verdade permanecer continua e constantemente cheios para o serviço do Senhor.


Alguns fatores contribuem extremamente a nos impelir a mais do que apenas trabalhar na seara enquanto é dia. Devemos ser e estar cheios para nela viver e trabalhar. Ser e estar cheios é uma linda expressão que nos lembra tantos marcos antigos que viveram suas vidas sendo e estando cheios, que nos faz deveras alegres e agradecidos por alguns tantos que hoje se preservam a assim estar e objetivam a continuarem assim sendo. Que expressão de natureza e cunho recomendatórios espetacular – “ser cheios e estar cheios” – isto significa na verdade, permanecer cheios!


Vejamos preliminarmente algumas pequenas mas importantes expressões bíblicas encontradas nos textos originais neotestamentários gregos que nos oferecem de forma segura boas e grandiosas elucidações e esclarecimentos fiéis para o “ser cheio” e o “estar cheio”.


GEMÕ, MESTOS, PIMPLEMI, EMPIPLAÕ. Todavia além destas, três empregadas pelo apóstolo Paulo, apóstolo dos gentios, são sobremaneira especiais para nós compreendermos melhor – PLERES e suas variantes PLEROÕ e PLERÕMA, que significam fundamentalmente “tornar cheio ao máximo”, “tornar plenamente suprido”, “liberalmente munido, completo, aperfeiçoado e abundante”, “encher-se ou ser enchido, transbordante” (passiva).


Não se resume a um mero comportamento e performance exteriores por si mesmos, mas uma reação exterior decorrente de uma ação-causa interior. Ser e estar cheio diz de alguém controlado e dominado de forma habitual e contínua.


No mundo as multidões podem ser e estar cheias de emoções; encherem-se ou serem enchidas, pesadamente carregadas de iniqüidades e pecados; serem e estarem cheias, abundantes, plenas de pensamentos e sentimentos de enganos e malignidades.


No Reino de Deus devemos ser e estar plenamente supridos, munidos, enchidos das coisas espirituais do Senhor. Destas as outras coisas decorrem consequentemente para as nossas reações que são exteriorizadas. Não se pode uma árvore produzir tipos diferentes de frutos, nem de uma fonte brotarem tipos diferentes de água, disse o Senhor Jesus.

Visto que agora sabemos o que realmente significa nos moldes bíblicos o ser e estar cheios, devemos conhecer do que essencialmente precisamos ser e continuamente necessitamos estar cheios.


Primeiramente, devemos ser e estar cheios de alegria em Deus. Apesar das muitas aflições e contratempos que podem nos acontecer. Muitas contrariedades e coisas inesperadas podem nos acontecer quando os temporais elevam suas águas e as suas enxurradas “batem forte contra a nossa casa”. Muitas coisas aleatórias e alheias às nossas vontades e expectativas podem nos acontecer no dia da provação. Quantas vezes o nosso senso de devedor para com os públicos é ameaçado por conta dos embates do calor da vida que se levantam em nosso caminho. Além dos próprios embates da vida e combates da fé, quantas vezes a nossa jornada de compromissos é ameaçada pelos levantes de uma classe dos que por si mesmos sentem-se inferiorizados e ressentidos contra nós sem que saibamos os reais motivos que a mantém arrastadas assim.


Em nossa caminhada quantos dessa classe ressentida têm cruzado os nossos passos se mantendo ridicularizados nos seus próprios recalques em virtude de suas conversas íntimas e comentários desinformados e recheados de invejas e revanchismos com seus co-participes contra nós haverem obtido os descréditos, o insucesso e o menosprezo. Enfim são muitos os opostos que podem sobrevir a nós, mas não por força e esforço próprios precisamos nos mostrar alegres, mas sim acima de tudo por sermos e estarmos cheios da alegria no Senhor. É ela que nos impulsiona, é ela que é a nossa força, é ela que de fato primariamente nos faz prosseguir nas vitórias e mais vitórias. Devemos, pois, servir ao Senhor nosso Deus com alegria. Isto conseguimos quanto mais nos disciplinamos em olhar acima de tudo o Senhor e Seus eternos propósitos para nossas vidas e damos ouvidos à Sua terna voz nos dizendo, através da escrita do apóstolo dos gentios, “alegrai-vos no Senhor, outra vez digo alegrai-vos”.


Também devemos ser e estar cheios de boas obras. A fé sem obras é morta, na Bíblia escrito está. As boas obras convergem para a glória de Deus. Quer façamos qualquer coisa, a façamos para a glória de Deus. Na verdade as obras nos dão a conhecer em parte a pessoa que as pratica. Não nos basta estar plenos de alegria e repletos de palavras, é preciso permanecermos praticando boas obras. Boas obras não se resumem a uma tempestade de atos e ações de caridades, mas de tudo que pudermos fazer e estiver até ao alcance de nossos limites possamos realizar.


Ouvimos de algumas gentes que quando nos púlpitos, assumem verdadeiras peças artísticas e quase teatrais nas quais demonstram-se ricos da capacidade e habilidade da oratória e de atraentes palavras, porém mendigos pobres de boas obras. Gentes amantes de si mesmas que vivem supridas nos seus desejos e luxos pessoais e carentes de realização de boas obras, algumas vezes aproveitando as “caronas” do período eleitoral para maquear seu “frontdoor” de participação e inserção aos rogos públicos. Gentes que buscam esconder-se atrás de dezenas e centenas de desculpas, cheias de teorias e repletas de palavras fantasiosas próprias de artistas transeuntes e nômades com endereços duvidosos e domicílios fantasmas. Todavia apesar de tudo isto, ainda ouvimos o soar das palavras apocalípticas nos dizendo “conheço as tuas obras”.

Além disso, devemos ser e estar cheios de poder de Deus. Cheios de poder para enfrentar as hostes espirituais que se nos confrontam; cheios de poder para resistir as intempéries no dia das adversidades. Uma das recomendações paulinas é que devemos fortalecermo-nos no Senhor e na força do Seu poder. Não nos bastam e nos completam resumidamente a alegria, as boas obras, a multidão de palavras por mais cabidas, oportunas e extraordinárias que sejam, mas sim é preciso ser e estar cheios de poder de Deus.


Uma das coisas que o presente século gostaria de implantar nas mentes da humanidade na tentativa de fazê-la descrer da eficácia do poder de Deus é levá-la a pôr o crédito total nos poderes humanos tidos como fantásticos e esplendorosos nas suas mais extensivas áreas. Algumas pessoas equivocadamente pensam que o cabedal de conhecimentos, capacidades e titulações constituem-se em um conjunto que determina a soberania total do poder de alguém. Podem classificar o potencial e a posição naturais de uma pessoa, entretanto não lhe conferem soberania alguma. Somente Deus confere poder aos homens, e fora dEle tudo se torna apenas força. Existem desafios aos milhares e ameaças tantas que os poderes humanos diante deles fiam-se limitadamente e confessam convictamente que são impotentes para enfrentá-los.


Estamos atravessando o tempo em que a humanidade notadamente está passando a entender que o mundo jaz no maligno em face de tantos males e descontroles ameaçadores que lhes sobrevêm. Alguns destes causados por seu próprio poder, pelo poder de seus próprios impulsos e desejos, pelo poder de suas próprias maquinações e engenhosidades. Há momento que todos notam que grandes e pequenos diante da grande demanda dos desafios tentam encontrar algum tipo de poder no misticismo, na “superstição inteligente” que possam lhes abrigar. Em contrapartida submergem no ilusionismo e nas crendices que verdadeiramente os afastam do poder de Deus.


Sendo e estando cheios de poder de Deus, todas as coisas que se apresentam diante de nós são vistas sempre dobráveis diante do Deus que nos concede o Seu poder. E de olhos fixos nas Escrituras Sagradas, ouvimos a voz do Senhor nos dizendo através da pena na mão do apóstolo Paulo em toda sua experiência de vida de luta diante dos poderes que “todas as coisas contribuem (cooperam) juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito”.


Devemos ser e estar cheios da plenitude de Deus. Este é mais um fator do qual precisamos nos conscientizar. Que bela expressão sobremaneira significativa é esta – “cheios da plenitude de Deus” -. Ela denota confirmativamente “ser e estar cheio dobradamente”, pois as palavras “cheio” e “plenitude” se duplicam absolutamente! Ela quer nos dizer “sejam e estejam habitual e continuamente cheios de tudo que Deus é cheio em Si mesmo, é rico, é pleno”! E uma das atitudes que nos faz ser e estar cheios da plenitude de Deus é pensar e buscar “as coisas que são de cima” onde Cristo está assentado. Outra atitude que nos leva a estar cheio da plenitude de Deus é transformarmo-nos pela renovação do nosso entendimento para que experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Somente podemos ser e estar cheios dessa plenitude quando nos permitimos que todas as nossas faculdades gerais sejam renovadas para conhecermos experimentalmente à vontade de Deus e nos adequarmos a ela. Enquanto alguém se deixa seguir e se adequar ao esquema, a forma, os moldes de ver e agir do mundo nada pode em ser e estar cheio da plenitude de Deus. Assim como não podemos esquecer que precisamos ser e estar “cheios do conhecimento da vontade de Deus em toda a sabedoria e inteligência espiritual”. A sabedoria é o conhecimento aplicado e a inteligência espiritual é a que move, domina e coordena a nossa sabedoria em Cristo. A plenitude de Deus nos inspira a perceber que “estamos sentados nos lugares celestiais em Cristo”.


Por fim, devemos ser e estar cheios do Espírito. Tantas teorias já ouvimos sobre este fator. Quantas coisas temos lido e ouvido sobre o ser e estar cheios do Espírito. E o apóstolo dos gentios, com uma simplicidade e singularidade de palavras nos enriquece de esclarecimentos quanto ao ser e estar cheios do Espírito. A expressão paulina nos faz compreender muito deste fator quando nos recomenda “enchei-vos do Espírito”. O apóstolo Pedro em uma de suas cartas universais afirma que “repousa sobre nós o Espírito”. Cheios do Espírito implica em andar em Espírito, implica em permitir ser guiado pelo Espírito, implica em ser esclarecido pelo Espírito.


Sendo e estando cheios do Espírito, conseguimos olhar o mundo e seus movimentos e necessidades espirituais pela visão do Espírito e discernir os detalhes e ações que estão por trás desses movimentos e o que podemos fazer em prol dessas necessidades. Há a grande necessidade de sermos e estarmos cheios do Espírito na vida em que vivemos na atualidade. Um tempo em que muitas coisas demoníacas movidas por objetivos satânicos se entrincheiram, se camuflam e se escondem na obscuridades de muitas intenções e atividades humanas, um tempo no qual uma multidão de homens por nada terem do Espírito de Deus operam conjuntamente com o demonismo e o satanismo sem saberem na verdade com quem estão aliados e construindo a própria derrota fatal contra si mesmos.


Assim sendo, que podemos dizer de ser e estarmos cheios? Que mais queremos, desejamos e nos esforçamos, senão o ser e estarmos cheios? Devemos ser e estar cheios da alegria do Senhor, cheios de boas obras, cheios de poder de Deus, cheios da plenitude de Deus e cheios do Espírito de Deus. E somente assim podemos trabalhar “enquanto é dia, porque a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”. Enquanto é dia, precisamos trabalhar cheios para que possamos com isto glorificar a Deus, realizar a obra do Senhor ousada e corajosamente, discernir as ações e os levantes que surgem na seara, bem como estar com graça para fazer a vontade do Pai e estar inspirados a realizar a obra que Ele nos confiou a concluir.


Que podemos fazer, então, para não ficar vazios e ser e estarmos cheios? Alguns importantes passos devemos dar para isto. Temos que começar trilhando os passos de buscar ao Senhor e permitir que Ele nos encha. Precisamos seguir os passos de crer no Senhor. Carecemos de continuar os passos do ouvir a voz do Senhor. Necessitamos permanecer nos passos da dependência do Senhor.


Considerando-me consciente e convictamente de que sendo eu o menor dos pequenos pregadores diante dos meus queridos e amados companheiros pregadores, tomo a presente liberdade para nesta oportunidade conclamar-lhes a serem e estarem cheios.


Que ninguém, pois, “se apresente vazio diante do Senhor”, e que trabalhemos cheios “enquanto é dia, porque a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”.
PbGS