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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

TROPEÇOS QUE ENSINAM.

OS TROPEÇOS DE ACABE.
Um poço de fraquezas, desequilíbrios e culpas
Um dos fatores que os homens encontram dificuldades em lidar com ele é o poder. Poucos são os que conhecem as suas trilhas e sabem lidar com a força do poder lhe investido e com o exercício da autoridade lhe delegada, conscientes das conseqüências e resultados de tudo que faz aos outros. No Livro de Deus estão registrados vários nomes, sobre cujos ombros repousaram o poder e a autoridade sobre o povo de Deus.

Olhando na ótica de juízo puramente humano, é possível que se diga que alguns desses nomes bem que poderiam passar em branco e não constar nas páginas sagradas. Segundo nossos julgamentos, na melhor das interpretações, esses nomes seriam dispensados sem sombra de dúvidas, posto que as suas histórias de obras receberam o triste resumo declarativo final “e fez o que era mal aos olhos do Senhor”.

Um desses nomes é Acabe. Foi um dos monarcas de Israel. Acabe recebeu o trono de Israel de seu pai Onri, e reinou vinte e dois anos sobre o seu povo Israel, em Samaria. Mas o rei Acabe não somente herdou o trono, contudo também herdou e continuou a história viciada no desastroso legado deixado pelo seu pai, a saber: “e fez o que era mal aos olhos do Senhor, pior do que todos antes dele”. Se o rei seu pai fez pior, o texto nos deixa ver que Acabe, seu sucessor no poder, fez mal mais ainda do que seu pai de quem herdou o trono. Mas, para que os fatos da vida do rei Acabe constam nas páginas sagradas do Livro de Deus?

Agora com o poder nas suas mãos e sobre os seus ombros  a autoridade investida, o rei Acabe poderia ter “dado a volta por cima”, se não apagando, pelo menos amenizando os feitos da velha história de seu pai, marcando boa pontuação, construindo uma nova história admirável e assim restaurando e promovendo o bom nome e o bom conceito de sua casa e de seu povo naqueles dias. Entretanto, o costume viciado de sua família palaciana desmedida somado aos tropeços de seus ímpetos insensatos o fizeram mergulhar sua vida aos poucos num poço de fraquezas, desequilíbrios e culpas, sem que percebesse as consequências. Quanto mais poder e autoridade uma pessoa possui, mais se torna exposta e mais força de influência exerce sobre as outras. Acabe parece não ter medido essa realidade.

Sua história ocupa quase oito páginas da Bíblia Sagrada nas versões em língua portuguesa, e nos deixa ver que por ser rei sobre um povo, Acabe desconheceu as suas responsabilidades para consigo mesmo, para com Deus e para com o seu povo, e delirou em equívocos a ponto de por em risco a sua própria vida, a de sua família, a de sua parentela e os limites de sua imunidade. Sua contumácia provocativa levou a si e o seu povo a sofrerem e padecerem debaixo de uma seca total durante um pouco mais de três anos, assim como a experimentarem derrotas e fracassos, mesmo debaixo de desmandos e falsas aparências.

Fazendo mal uso do seu poder e de sua autoridade, o rei Acabe parece ter imaginado que o seu povo e o seu reino fossem suas possessões pessoais particulares e privativas, ou um objeto de joguete político em suas mãos. Esqueceu de que reinar sobre o povo de Deus é uma oportunidade, um privilégio honrado, mas também pode ser um desastre vergonhoso, dependendo de como o governa. Acabe não mediu os seus atos, até que se viu sozinho e sem conselheiros sábios aliados. Acabe subestimou o mesmo Deus que o exaltou ao trono, e que um pouco mais de vinte anos depois o humilhou e o destituiu através de uma das piores formas que homem poderoso algum espera lhe aconteça.

Sem ser percebida, a sua cegueira espiritual alimentada pelo destemor a Deus e por um tipo insensato de coragem  obscureceu-lhe sua visão da vida, e o fez descarrilar o povo de Deus do seu bom caminho, assim como com que seus atos audaciosos viessem deixar registrados na história dos homens o que realmente leva uma família, sua parentela, e um povo à rejeição diante de Deus e à derrocada final e fatal debaixo de desprezos e desonras. Acabe foi mais além do vale de fraquezas pessoais. Ele atingiu o cume de um monte de mandos vergonhosos, de desmandos covardes, contra a saúde espiritual de sua casa e de seu povo, que era povo de Deus e não simplesmente um povo de seu “partido”. Um jogo de cobiças, covardias e soberbas formatou o seu caráter na dissimulação e no sentimento de inferioridade manhosos e velados.

Acabe quis inverter os valores e desfazer os marcos e rastros do seu povo assumindo uma posição hostil contra Deus e violentando espiritualmente o decoro e os valores morais e espirituais do seu povo, sem perceber que o seu potencial de liderança deveria ser para a glória de Deus e não para distorcer completamente as suas lentes morais. A ligação de Acabe com Deus estava fina e desgastada. O Deus que vela pela Sua Palavra e zela pelo Seu povo colocou o profeta Elias nos passos do rei Acabe, todavia este parece não ter entendido e assimilado os cuidados embutidos no recurso enviado por Deus para resolver os seus problemas, promover restauração de sua casa e viabilizar a preservação de sua parentela e reavivar o seu povo.

Para o rei Acabe, o profeta Elias era “uma pedra no sapato”, uma ameaça perturbadora e um criador de problemas, contudo pensando e correspondendo assim, o monarca simplesmente estava declarando e reforçando o corte final e conclusivo do fio fino e desgastado que lhe ligava a Deus. O rei Acabe conduzia a sua vida debaixo de falsas aparências, e sob elas jogava com a culpa e ao mesmo tempo se auto agredia com os seus sentimentos de inferioridade e de dissimulação. Acabe não sabia conviver com a verdade sobre si mesmo, e nem com o bem-estar e sucesso alheios, e nem ainda enfrentar os desafios de maneira justa e leal, e em vista disso tornou-se cada vez mais um emocionalmente desequilibrado e fraco, assim como um indivíduo facilmente manipulado e perdido em labirintos de medos e inconseqüências.

Acabe é a figura das pessoas que ficam emburradas e amuadas diante da superioridade e do bom senso dos outros. Acabe é a figura das pessoas que jogam com as ferramentas do revanchismo covarde e com a força momentânea da retaliação insana. O cego e insensato Acabe perdeu a oportunidade privilegiada por Deus de receber os louros provenientes das tentativas de restauração dirigidas por Deus através das investidas do profeta Elias para lhe estancar uma enxurrada de erros e desacertos perigosos que mais tarde receberam a dura sentença de desprezo e desterro extensiva a toda sua casa.

Hoje em dia entendemos porque aprouve a Deus fazer que no Seu Livro esteja registrada a história de um dos nomes de homens poderosos que passaram sobre a terra e tomaram um tempo de sua vida fazendo provocações a Deus mais do que os que foram antes de si no trono e violentando e desencaminhando o povo de Deus. A vida de Acabe está registrada para nos orientar a não agirmos com coisas iguais ou semelhantes como aquele monarca ora manhoso e ora soberbo e arrogante, quando lidamos com a força do poder e com o empenho da autoridade. Para nos fazer avisados dos perigos e tropeços que podem levar toda uma vida, uma família, uma parentela, um povo, ao poço de fraquezas, desequilíbrios e culpas.

A vida do rei Acabe está registrada também para nos dar lampejos de que os cuidados de Deus sobre nós, a nosso favor, podem estar residindo em pessoas que possam nos parecer sejam perturbadoras dos nossos intentos e modos de conduzir nosso caráter e as coisas e pessoas que estão sob o nosso poder e autoridade ou afetas a nós. A todo tempo, gentes estão despencando no despenhadeiro da desordem pessoal, da desonra moral, da rejeição e da reprovação. Umas despencando, mas outras se lançando, por desprezarem avisos e recursos de Deus, que as levariam a ser livradas de perder os freios de seus limites e torná-las vítimas tragadas pelas suas próprias mazelas contumazes e desaforos inconsequentes.
EvGS



sábado, 30 de novembro de 2013

JÁ A HORA É CHEGADA...

Já a hora é chegada...
Não sejamos mais como meninos...
Uma das fases mais interessantes da vida humana é a das tenras idades da infância. A fase de criança é por demais bela, linda e interessante, tem no seu tempo próprio os seus encantos. Nela o fator instintivo é patentemente visível e de certa forma apreciável e aplaudido. Ser criança é estar em uma das melhores e mais felizes fases que abrem caminho para todas as demais experiências humanas seguintes. Uma fase dominada e governada pela força impulsiva dos instintos em direção ao prazer, mas também impressa pelas marcas da inconstância e da insipiência.

Uma fase na qual o instinto natural é o fator psicológico que impulsiona o prazer, o princípio do prazer, imanente na natureza humana. Querer apenas o que oferece prazer, e oferece diversão e entretenimento. Fugir de sacrifícios e abraçar o prazer é tudo que a mente infantil quer e deseja. Para esse governo total do prazer não há noção de freios e limites, muito menos de conseqüências. Nessa fase se percebe melhor o que está mais perto e se despreza tudo que está mais distante.

Entretanto, ao passar dos anos e com eles se atingindo as fases e idades seguintes, esse governo dirigido pelo prazer deve perder o seu trono. Aqueles ímpetos da infância devem naturalmente perder a liberdade da força do querer instintivo, e sendo disciplinados e abalizados pela chegada de uma nova força – a da consciência -. Agora nessas novas fases o indivíduo já deve não mais se deixar ser governado pelo instinto do prazer. É preciso se predispor a pelo menos saber lidar com a realidade dos sacrifícios e desafios e enfrenta-la.

E já não mais como criança, se deve perceber as regras e as razões, as implicações e as conseqüências, as semelhanças e as diferenças de tudo que queremos e falamos assim como as de tudo que nos rodeia. Os filhos da casa do Pai precisam abrir os olhos para o panorama geral e aplicar a consciência espiritual adulta, amadurecida. E não se deixarem ser levados por fantasias alvissareiras e alaridos, movidos pelo emocionalismo infantil e infrutífero.

Com o homem espiritual não é diferente. O homem espiritual também passa por fases. Assim como as da vida natural, a espiritual também tem as suas, apesar de possuírem as suas diferenças em âmbitos. Na fase da infância espiritual, muitas coisas ocorrem e vão apontando para um desabrochar de crescimento e aquisição de mais conhecimento no Reino de Deus. É a fase de sentar-se aos pés de bons mestres servos de Deus e deles aprender, enquanto se pode e os momentos e desafios de nosso tempo permitirem.

E como adultos espirituais, já não podem mais se deixar ser governados pelas forças de ímpetos e afoitamentos. Já se deve ter em mente o peso, o teor e alguma visão dos resultados de suas responsabilidades, tanto nos atos presentes como na visualização prévia de suas conseqüências futuras para si próprio e para a obra de Deus.

Muitos desafios árduos, difíceis e trabalhosos, em várias áreas da vida, estão aflorando, surgindo e se levantando em nosso tempo. E a mentalidade infantil deixa transparecer a forte insuficiência e o despreparo em equipar e aperfeiçoar os rebanhos diante dos confrontos espirituais, filosóficos e morais destes tempos. Conjuntos e arranjos de preceitos moralistas idealistas seculares, afinados e recheados com as adequações humanistas de nosso tempo, estão fantasiados forçando as portas dos filhos da casa do Pai. Velhas heresias cobertas com novas fantasias.

E diante de uma avalanche friamente hostil e oposta para com a Palavra de Deus, todos nós servos de Deus já não mais podemos dar lugar para coisas infantis e rasas, perdidas, desatinadas e desequilibradas dos lastros da maturidade, do bom senso e do decoro requeridos pela tribuna e pelo púlpito sagrados. Coisas focadas apenas na busca de satisfação e prazer pessoais e nas contingências de seus próprios anseios e desejos.   

Há que se faça boa e consciente distinção das influências e tendências que nos rodeiam. O triunfalismo e a supersticiosidade religiosa estão mesclando falas em lugar da genuína pregação bíblica. O aumento alarmante da confusão entre o espiritual e o material, entre o terreno e o celestial, entre aquilo que é eterno e o que é temporal e momentâneo estão assumindo o conteúdo do que alguém suposta e equivocadamente chama de pregação, e outros de louvor.

Coisas tentando forçar e distorcer o texto sagrado a dizer o que não diz. Uma declaração sutil de autoritarismo pessoal particular, e não de autoridade dos princípios bíblicos. Não é coisa de aplicação, e nem de métrica ou rítmica silábicas, encaixes, arranjos ou composição. É coisa própria de criança mesmo... E de crianças falantes e cantantes um tanto crescidas!

Destarte a isso, a grande distância entre o fazer e o falar, ou o cantar, está destronando o respeito e a honra de vidas nos santuários. Bons e inteligentes olhos no seio dos rebanhos estão focados batendo o crivo e ora denunciando coisas estranhas e ora clamando por coerência, transparência, seriedade e honestidade no lugar santo. Não nos enganemos com os desejos particulares das multidões.

Diante desses indicadores, olhemos para a recomendação do texto a nos dizer “não sejamos mais como meninos”. Joga-se com palavras e falas e brinca-se de pregação ou de louvor. Troca-se o verdadeiro mover da chama do Espírito pelos fiascos de fagulhas de diversão, distração, psicologicamente emocional. Que sinais ou maravilhas há de se esperar num discurso ou canto apenas apreciavelmente lógico, todavia espetaculosamente infantil, se não há a presença de autoridade bíblica neles?
Não sejamos mais como meninos.
PbGS




sábado, 14 de setembro de 2013

USANDO O NOME DE DEUS

USANDO O NOME DE DEUS
Não o tomemos em vão...
Naturalmente existem os que crêem e os que não, na existência de Deus. Há os que não conhecem o Seu nome, mas também existem os que o ignoram. Infelizmente o grande perigo concentra-se sobre aqueles que desconhecem, porquanto o desconhecer não significa apenas não conhecer ou ignorar. Mas sim conhecer e apesar de conhecer desconsiderar.

O buscar crer em Deus de alguma forma ou de maneira que adeque à sua visão pessoal particular não é definitivamente o que recomenda as Escrituras Sagradas. Na verdade, nada em Deus muda ou deixaria de existir por qualquer influência a bel-prazer do homem. Nada do que o homem mantenha ou externe causaria qualquer influência sobre o nome e a pessoa de Deus ou sobre uma vida que com Ele possui experiências pessoais vivas, reais e inconfundíveis.

Fato é que já sabemos que os nomes de Deus escrituristicamente são conhecidos e manifestos em circunstâncias e situações das mais diversas, conforme era o caso e a causa do clamor ou da demonstração de gratidão a Ele. E na Nova Aliança, Deus nos permitiu não somente a pronunciar, mas também a usar o Seu nome diante de algumas situações e para algum fim estabelecido e preconizado no Seu Livro.

Entretanto, fato também é o de que estamos no tempo em que tomar o nome de Deus para todo e qualquer propósito desde os mais honrosos até os mais infames e vis está sendo uma moda e ao mesmo tempo uma demonstração de pobreza de sensos. Intenções desconexas. Algumas são desrespeitos vergonhosos e profanação aberta e propriamente dita. O nome de Deus nunca precisou e jamais carece de defesa.

Não são os sórdidos e infames objetivos que movem pretextos para fazer mal uso, excessos e abusos  do nome de Deus que provocariam ou promoveriam coisa alguma ou descaso algum contra Deus ou alteração no Seu agir e na Sua Palavra. Na verdade, os tempos passam e tudo ocorre naturalmente cumprindo a vontade soberana de Deus e o Seu nome permanece imutável para sempre.

O homem debaixo de suas fome e sede de auto promover-se e se projetar, parece não medir as terríveis conseqüências do ato de usar o nome de Deus a fim de atender aos seus interesses, de lograr sucesso, de captar fama e poder. Inconsequentemente, homens vêm usando o nome de Deus para conquistar e cativar multidões para si próprios sob os mais aparentes fins justificáveis. Alguns até se aproveitando da comodidade, da ignorância e da confiabilidade alheias, aplicam a sua hermenêutica distorcida aos textos sagrados para aludirem justificativas ao seu próprio favor.

Para manter públicos e aplausos cativos; para fazer brilhar os seus brios; para ostentar suporte a auto-afirmação perante meios e ambientes; para arrebanhar gentes e obter satisfação do ego e riquezas terrenas; para expor os produtos de suas criatividade e imaginações; para apresentar seus dons e talentos; para provocar homicídios em todas as formas; para promover ameaça, intimidação, dissensão, separatismo, corporativismo e partidarismo; para angariar e conseguir posição e lugar nos assentos dos cargos públicos eletivos. Enfim, homens estão usando o nome de Deus para atenderem aos seus desejos, sonhos, intentos, empreendimentos e satisfações pessoais que buscam estabilidade de aceitação para o próprio ego.

Homens têm usado do poder e da força de suas criatividades para em nome de Deus engenharem as mais baixas e covardes prevaricações. Prevaricar é saber e conhecer comprovadamente que algo é um erro grave e que seu cometimento é ofensor, reprovável e inaceitável, mas praticá-lo ou ajudar a promovê-lo ignorando as conseqüências.  Certamente um dia no futuro isso será trazido à tomada de contas e levados em consideração os estragos e desastres que produziram no presente.

É uma medonha inconseqüência zombeteira o iludir e influenciar pessoas se escudando e usando o nome de Deus para atingir fins pessoais e atender anseios e desejos egoístas. Quantas atrocidades, hostilidades e zombarias algumas mentalidades fazem usando o nome de Deus. Quantas negociatas e manobras fazem usando o nome de Deus. Quantos seletivismo, separatismo, partidarismo, revanchismo, fazem usando o nome de Deus.

Mantenhamos cuidados ao usar o nome de Deus. Continuemos sendo tementes e realmente inteligentes ao usar o nome de Deus. Somos apenas vasos em Suas poderosas mãos para fazermos a Sua vontade e realizarmos a Sua obra. Nossa missão não é influenciar ou iludir pessoas para conseguir fins quaisquer que sejam. Muito menos usando o nome de Deus. Nossa missão não é promover ou projetar os nossos nomes para atingir objetivos ou alcançar satisfações de nossos desejos pessoais, tampouco o seria usando o nome de Deus.

Louvamos a Deus pela multidão de servos de Deus sérios, honrados, bem compromissados com o Senhor Deus, com a Sua Palavra e com as vidas. Servos esses que têm usado o nome de Deus adequadamente e dentro dos propósitos de Deus, aproveitando as oportunidades e meios que Deus tem lhes favorecido para fazer cada vez mais o nome do Senhor nosso Deus ser conhecido, temido e adorado. Homens de Deus que têm usado coerentemente o nome de Deus, com temor a Deus e demonstração de respeito para com o próximo.
PbGS




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

OS FILHOS E OS VENTOS.


Os filhos e os ventos.
Filhos que se perdem nos ventos...
Horrenda coisa ocorre a um filho que se perde nos ventos dessa vida. E mais doloroso se faz para um pai que vê seu filho perdido nos redemoinhos de cada vento que açoita a juventude. A juventude é uma das fases da vida que deve ser bem prazerosa, proveitosa e construída.

Existem vários tipos de pai. Contudo pai existe para auxiliar e guiar na condução da juventude do filho, e este deve ter a noção da importância de ser conduzido na sua juventude conforme a liderança do seu pai. Para um filho, tentar substituir essa liderança sem uma forte e justificada razão, é a mesma coisa que renegar e apunhalar o seu pai.

Uma vida de experiências e de conselhos sábios e bem ajuizados de um pai jamais pode ser desprezada. Na verdade, experiências e conselhos bem ajuizados não nascem de uma hora para outra. Isso é um acervo de vivências que leva anos sendo acrescido na frieza das tempestades de desafios e no calor das fornalhas da aflição. Em profundo abismo cai o filho que subestima as experiências e os conselhos bem ajuizados de seu pai.
Existe pai tolo, mas também há pai sábio. Existe pai pobre, mas também há pai rico. Existe pai fraco, mas também há pai forte. Existe pai ignorante, mas também há pai conhecedor. Existe pai bruto, mas também há pai sensível. Existe pai desequilibrado, mas também há pai sóbrio. Existe pai iletrado, mas também há pai culto. Existe pai negligente, mas também há pai responsável. Existe pai em infortúnios, mas também há pai bem sucedido. Enfim, existem muitas qualidades de pai.

Entretanto, apesar das limitações que cada um pai possui, em todos eles existe um ponto de honra intocável comum a todos em relação ao filho que gerou. Nenhum pai se conforma em ver o seu filho perdido nos ventos dessa vida. O Livro de Provérbios dá conselhos de sabedoria e o Livro de Eclesiastes alerta para o exercício do temor a Deus em todos os caminhos e desejos do coração. Ambos os livros direcionam parte de tais conselhos e alertas em especial para os jovens. Um trata os jovens como estes sendo filhos e o outro se dirige aos jovens substantivando estes como mancebos.

As decisões de filhos autônomos é um terreno vulnerável no qual nem sempre as falas e vozes alheias conseguem penetrá-lo. Nem sempre a voz da experiência e a fala dos conselhos sábios e bem ajuizados do pai conseguem impedir um filho de reputar o seu pai como morto e no outro dia se distanciar para bem longe levando consigo a herança a que faz jus.
Nem sempre as experiências e os conselhos sábios e bem ajuizados de um pai abençoado e afeiçoado por Deus conseguem impedir as guerras entre filhos e desacertos na vida de algum deles. Enquanto o filho se digladia ou se exalta nos banquetes, o pai move orações e sacrifícios sofrendo a terrível sensação de impotência. E os questionamentos e as iniciativas se postam e se curvam diante das falas de quem ignora os fervores do trâmite da autonomia e das decisões de mau uso dela por parte do filho.

Nem sempre os exemplos e o legado de um pai conseguem encontrar guarida no coração de um filho e levar este a andar nos mesmos caminhos de seu pai. Pai e filho podem perder as rédeas, todavia certamente o filho perde primeiro e geralmente leva o seu pai aos riscos de perdê-las depois. Quando o pai perde as rédeas primeiro, o prejuízo quase sempre se torna mais volumoso. E quando o filho as perde primeiro, os dissabores do pai se tornam mais dolorosos.

Há pai que seu filho jamais deve andar em seus caminhos. Entretanto existe filho que se perde por jamais desejar andar nos caminhos do seu pai. Não é a choupana de palha e barro e nem o palácio de ouro e prata que determinam as decisões de autonomia de um filho. Há o filho que se ergue e se projeta dentro da simplicidade da palhoça, e existe o filho que é sentenciado e abatido nas exaltações das orgias dentro do palácio. Há pai que sempre cede o trono para o filho, e existe filho que nunca honra e nem consegue valorizar o assento real outorgado por seu pai.

Um dos maiores segredos para que um filho seja bem sucedido reside em três palavras básicas, a saber: deixar, fugir e seguir. Um filho somente se encaminha a ser bem sucedido quando deixa os embaraços, quando foge dos desejos da mocidade e quando segue a fé, a justiça, o amor e a paz. Reis e príncipes muito perderam por haverem subestimado o exercício do domínio próprio aplicado com esse segredo.   

Dois ventos que levam um filho são o engano e a mentira. Esses dois ventos exercem um terrível fascínio sobre a mente dos jovens. Tanto um como o outro não incidem apenas nas praças, ruas e esquinas iluminadas pelo fulgor da luz elétrica. Ambos também campeiam nos escuros do campo, nos alqueires da roça, nos torrões do sertão, nas chapadas da serra, nos coqueirais da praia e nos vilarejos do areado. O engano e a mentira residem numa casa sem número. Ambos ora se postam nas ruas e ora se expõem nas esquinas. Fogem da luz e se escondem nas sombras. Vagueiam nas avenidas e metrópoles e também correm nas vielas e minúsculas cidades.  

O engano e a mentira são dois ventos que sapateiam nas tendências. Pulverizam artes. Acendem desejos. Inoculam opiniões. Enfeitam argumentos. O filho tragado por esses dois ventos, dificilmente sairá deles sem haver derramado uma lágrima e sem ter recebido uma cicatriz. E resta para o seu pai o lenço sempre pronto nas mãos e o ungüento sempre novo no peito.
Uma das piores experiências de um pai é sofrer a vergonha e injustiças por ser desonrado pelos atos de seu filho. É como se este jamais houvesse recebido a disciplina, nem ouvido a correção e jamais atendido a orientação. Enquanto filhos desregrados e descomprometidos se alegram e sorriem, pais equilibrados e honrados lamentam e choram. Enquanto filhos tortos e inconseqüentes abrem-se em gargalhadas, pais corretos e tementes fecham-se em prantos.

O filho que não dá ouvidos ao seu pai se perde nos ventos. Nos primeiros dias, o pai corre em busca do filho antes que os ventos lhe traguem por completo, entretanto com o passar dos tempos o filho é quem se destina de volta ao pai. Essa volta do filho somente tem eficácia quando surgem as comparações e é trazida a evocação das lembranças boas e ruins, quando a consciência pesa sobre as perdas causadas e sofridas, quando chega o reconhecimento da necessidade de reparações devidas e quando há a manifestação visível e palpável da intensa vontade de virar definitivamente as costas para os ventos.   
PbGS