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domingo, 10 de março de 2013

AS PEDRAS CLAMARÃO.


As pedras clamarão.
Não se cale de testemunhar...
Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. Lucas 19:40.

Esse texto das Sagradas Escrituras nos fala de uma verdade para a qual não devemos estar em tempo algum despercebidos. A Bíblia Sagrada está repleta de textos contendo elementos e figuras que apontam para verdades e acontecimentos nem sempre identificados os seus tempos e extensão enquanto estão ocorrendo. Esse é um deles, e  que nos exige dinâmica, esforços e urgência, e para o qual temos que estar atentos.

O texto faz parte de uma passagem narrativa da entrada triunfal do Senhor Jesus na cidade de Jerusalém. O versículo em especial fala sobre um momento de júbilo e louvor a Deus, em razão da multidão de discípulos do Senhor Jesus ter visto os milagres operados por Deus e estarem O reconhecendo e O aclamando. É impossível servir ao Senhor Jesus e não louvar a Deus com júbilo ao ter visto os Seus milagres e maravilhas.

O texto fala de uma classe de pessoas. Aqueles que testemunham dos milagres e que são movidos pelo amor ao Senhor a anunciarem os feitos dEle. Tudo nos mostra no texto que as pessoas que seguem ao Mestre e conhecem os Seus feitos são pessoas de sensibilidade espiritual, crentes no Senhor e na Sua Palavra. Pessoas que não são estranhas ao convívio do Senhor. Pessoas íntimas do convívio do aprisco do Senhor.  

O texto diz de uma possibilidade. Isto quer nos dizer de que é possível que alguns que testemunhem os milagres em algum tempo possam vir a calarem-se por algum motivo. Que pode fazer uma testemunha se calar? Vários são os fatores que podem levar uma pessoa a silenciar sobre fatos e acontecimentos que sabe serem verdadeiros. Esses fatores podem ser circunstanciais, impositivos, temporais, condicionais, posicionais, sociais, individuais, particulares, coletivos, públicos, etc.

O texto possui um foco profético. Os verbos do texto estão no tempo futuro. Parecem nos dizer que chegará o momento em que corações sensíveis que conhecem o Mestre e são conhecidos dEle poderão em algum tempo virem a calar-se de anunciar as obras do Senhor Deus.  

O texto expressa uma declaração condicional. Caso aqueles que andam com o Senhor, que O seguem, que são testemunhas do Senhor, se calem de anunciar os milagres do Senhor, até mesmo os frios, indiferentes, os considerados estranhos e insensíveis, de alguma forma vão anunciar em clamores pelos feitos do Senhor. O texto não fala de uma substituição, mas de um acontecimento que poderá ocorrer em resultado de alguma condição que possa vir levar as testemunhas a se calarem de anunciar os feitos do Senhor Jesus. De formas que o anúncio da mensagem não ficará preso ou contido ou restringido a pessoa alguma.

O texto nos deixa ver que não existe pessoa predileta ou grupo especial que manipule ou detenha o anúncio dos feitos do Senhor por seu bel-prazer. A mensagem do Evangelho não está cativa ou subjugada a interesses ou prazeres de pessoa alguma. Deus levanta anunciadores de onde Ele quiser e como quiser. Se alguém pensar que manipula o anúncio dos feitos do Senhor, está redondamente enganado em si mesmo. Se não aparecer disposição ou disponibilidade das testemunhas em anunciar, os rogos e súplicas por esse anúncio vão surgir.

Se pessoas conhecedoras e sensíveis se calarem, corações insensíveis, frios e indiferentes, estranhos naqueles dias e daquelas pessoas, gente empedernida sem o conhecimento de Deus, vão chegar ao momento de bradarem em alta voz, de gritarem em rogos, de implorarem em súplicas, pelos feitos do Senhor, independente de fé e de credo que professem, visto que as obras do Senhor se tornarão patentes e inconfundíveis de tal maneira que se mostrarão dignas de serem suplicadas e anunciadas, e que sempre terá alguém para testemunhar sobre os feitos do Senhor a atender rogos e súplicas para que seja falado deles.

Não subestimemos o que diz o texto em foco. São palavras faladas pelo Senhor Jesus. Não venhamos ceder à tentação de querermos pretensiosamente ser detentores ou manipuladores do anúncio da mensagem do Evangelho. É impossível manter confinado o testemunho dos milagres feitos pelo Senhor Jesus. Não venhamos calar e deixar que as pedras clamem. Façamos a nossa parte e cumpramos a nossa missão com alegria, júbilo e louvor ao Senhor.
PbGS




domingo, 19 de agosto de 2012

O EVANGELHO DE DEUS.


O Evangelho de Deus
A notícia de boas novas do Rei.

A palavra evangelho traduz a original do texto grego “euangelion”, que por sua vez traduziu a hebraica “besorah”. Evangelho significa uma mensagem de boas novas, as boas notícias. Era empregada para dizer de uma mensagem de boa notícia da parte de um monarca ao seu povo, através dos seus arautos mensageiros dedicados aos serviços desse anúncio, chamados e distintamente incumbidos para tal.

A mensagem de boas novas expedida pelo monarca possuía o teor original, imutável e irrevogável contendo a divulgação da sua vontade, o objeto da mesma e os propósitos para os quais a mensagem se destinava alcançar. Nenhuma outra autoridade possuía competência para efetuar alteração, mudança ou revogação no teor original da mensagem de boas novas do monarca que a originou.

Os arautos, mensageiros encarregados de transmiti-la e divulgá-la para o povo, eram reconhecidos e credenciados pelo monarca para a tarefa do anúncio. Eram cônscios e conhecedores dos requerimentos de suas funções de arautos. Nenhum arauto era desconhecido ou anônimo ao monarca credenciador. Eram notoriamente adestrados, reconhecidamente capazes e comprovadamente habilidosos em lidar com as palavras recebidas diretamente do monarca, assim como com os seus significados, aplicações e implicações.

Apesar do teor das boas novas contido na mensagem ser original e imutável, a forma e a estrutura dispositiva da mensagem era da responsabilidade tácita e fiel do mensageiro comissionado pelo seu senhor monarca. Sua autoridade de arauto possuía limitações e salvaguarda, e o seu trabalho de mensageiro jamais lhe conferia abertura para efetuar composições extras, juntadas, anexos, adendos, emendas, locupletações, pareceres e opiniões alheias ao monarca de quem originou as boas novas.

Qualquer elemento divulgador da mensagem que não fosse o arauto era considerado apenas um retransmissor e narrador informal e popular do reino. Daí o fato de naquele tempo haverem circulado entre o povo o repasse de boatos e rumores oriundos de mensagens fracionadas, incompletas, truncadas e desafinadas do teor da mensagem original.

O lindo texto da Carta de Paulo aos Romanos, especialmente Rm 1.1-4, abre alguns lampejos que nos despertam responsabilidades, nos requerem e nos tornam capazes de compreender detalhes vitais e sumamente importantes sobre o Evangelho de Deus.
   
Primeiro, o evangelho de Deus tem uma origem, como diz o seu próprio nome no texto em pauta. Ele pertence ao Senhor Deus Eterno, Criador e Todo-poderoso. Ele é a mensagem de boas notícias da parte do Senhor Deus para os homens, suas criaturas. O evangelho de Deus expressa a sua vontade revelada aos homens e trata da manifestação de Seu bom favor e graça para com eles,  para a obediência da fé. O seu assunto-tema central e o seu teor se concentram acerca de Seu Filho Jesus Cristo.

Segundo, o evangelho de Deus havia sido prometido através dos Seus profetas. Os profetas exerceram o papel de arautos na função de mensageiros exclusivos do Senhor Deus aos homens. As Escrituras Sagradas nos deixam notar claramente que nenhum profeta que esteve na condição de arauto mensageiro de Deus teve por usurpação extrapolar as suas limitações e responsabilidades para com o anúncio de Deus ao povo. Os profetas conheciam e lidavam com os assuntos do seu tempo, do seu povo e da sua nação. Mesmo alguns por vez fugindo, ou se escondendo, ou sendo incompreendidos, ou sendo ignorados e perseguidos, ou se contrariando a si mesmos, ou sofrendo momentos de tristeza em si mesmos, não efetuaram acréscimos na mensagem das boas notícias do Seu Senhor.

Terceiro, o evangelho de Deus foi prometido nas Santas Escrituras. Elas são a fonte referência da mensagem de boas notícia de Deus aos homens. O evangelho de Deus não foi um resultado de códices, códigos, escritos duvidosos, efeitos da capacidade criativa e intelectual humana. O evangelho de Deus foi prometido pelo próprio Deus na Sagrada Escritura. Deus havia falado antigamente, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas. A nós Ele nos falou, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. Hb 1.1-2

Quarto, o evangelho de Deus trata acerca de Seu Filho. O evangelho de Deus não se destina e nem se prende a assuntos fora do propósito da mensagem de Deus – a que os homens através dele pela fé cheguem ao conhecimento de Deus através de Seu Filho Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, provido por Deus para redimir o homem da lei do pecado, para livrá-lo do poder do pecado e por fim para preservá-lo completamente da presença do pecado.

Quinto, o Senhor Jesus, Salvador Ungido, é o assunto-tema da mensagem do evangelho de Deus. O Salvador Ungido nasceu da descendência do rei Davi, segundo a linhagem humana. Rm 1.3. Portanto, como o homem Maravilhoso Conselheiro e Príncipe da Paz, Ele nasceu da linhagem real, querida, amada, respeitada e reverenciada, de Davi. O Salvador Ungido foi da descendência do patriarca Abraão e, portanto, como homem, pertence à linhagem da promessa. Mt 1.1

Finalmente, o Senhor Jesus, Salvador Ungido, foi declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressureição dos mortos. Rm 1.4; Lc 3.22; Lc 24.5-8. Portanto, como Deus Forte e Pai da Eternidade, Ele foi testemunhado como varão poderoso em palavras e obras e em poder no Espírito. Deus ressuscitou Jesus Cristo e nos ressuscitará dos mortos pelo Seu poder. At 17.31; 1Co 6.14.

À luz de tudo isso, precisamos compreender que a mensagem das boas novas de salvação pertence e procede do Senhor Deus. Que ela foi prometida por Ele e anunciada através dos Seus profetas nas Santas Escrituras. Que o assunto-tema dela é o Senhor Jesus, Filho de Deus. Que ela é completa e íntegra em si mesma e não está aberta a qualquer alteração, mudança ou revogação. Que a mensagem das boas notícias de salvação foi provida por Deus através de Jesus Cristo pelo qual recebemos o favor de Deus imerecido por nós para a obediência da fé.

Cabe, portanto, a todo aquele que anuncia o evangelho de Deus conhecer as suas tarefas de arauto mensageiro de Deus, estar cônscio de suas limitações e responsabilidades para com o teor original da mensagem das boas notícias de Deus aos homens, ser dedicado ao comissionamento recebido e fiel aos propósitos do anúncio do evangelho de Deus.

Não troquemos o teor das boas notícias de Deus, e nem trunquemos a Sua mensagem, a fim de agradar arranjos desarranjados, desafinados, descabidos, descasados e desconexos para com as Santas Escrituras e para com os propósitos do evangelho de Deus. Sejamos criativos, e ainda que mais imaginativos, dependamos das revelações do Espírito inspirador e ministrante da Escritura Sagrada. Não falemos o que o Rei não disse. Não sejamos mensageiros de péssimos arranjos e de más notícias. Não entreguemos uma mensagem que não veio da parte do Rei comissionador de arautos.

Não troquemos a mensagem das boas notícias da Salvação por receitas de auto-ajudas e nem tampouco por orientações e rudimentos da psicologia. Não abramos fábricas de mensagens particulares, cujos direitos autorais não pertencem ao nosso Mestre por Excelência. Não ponhamos conceitos particulares onde não existe e nem coloquemos nossas próprias definições em que não as cabe. Deixemos as Escrituras Sagradas se revelarem. Permitamos que o Rei nos diga a Sua mensagem a ser entregue. Dependamos mais do Espírito ministrador nos ensinar.  

Sejamos apenas servos dispostos a servir, chamados para um comissionamento e separados para uma dedicação impar, distinta e singular para o evangelho de Deus.
PbGS

terça-feira, 24 de julho de 2012

A MENSAGEM DA CRUZ


A mensagem da cruz
Poder e sabedoria de Deus.
Que é a mensagem da cruz? Esta é uma pergunta que tem desafiado, intrigado e incomodado a muitos corações. Mas também tem sido uma questão fortemente respondida por milhões deles cujas experiências e certezas causam admiração e transcendem as linhas do entendimento humano. Que é a mensagem da cruz para os perdidos, segundo a Bíblia Sagrada? E que é a mensagem da cruz para os salvos em Cristo?  

O lindo texto bíblico de 1Co 1.18-25 nos desperta a perceber que a Bíblia Sagrada classifica espiritualmente o gênero humano com duas expressões, quanto ao seu destino final: “os que se perdem” e “os que são salvos”. Para algumas mentes, elas são equivocadamente detestáveis, repudiáveis, presunçosas e inassimiláveis. Para a Palavra de Deus, elas são substancialmente aplicáveis, corroboradamente concebíveis e espiritualmente indiscutíveis. A mensagem da cruz não foge dos dois lados da vida espiritual - perdição ou salvação -.

Ainda que o ardor altruísta da relativização deseje ostentar conceitos e diluir concepções, o lado prático da vida humana não deixa sombra de dúvidas sobre os acertos e os desacertos comuns dos homens e definidamente observados e identificados por eles mesmos. Entre ações e reações, causas e efeitos, a sua fonte-mor naturalmente está denunciando as diferenças e oferecendo provas de uma perdição e de uma salvação.

O texto bíblico acima começa enfatizando a idéia de certeza no assunto e prossegue dizendo: “a palavra da cruz é loucura para os que se perdem,...”. Com relação à mensagem da cruz, os que se perdem simplesmente se perdem por haverem concebido-a e rejeitado-a como se ela fosse loucura. A estreita relação identificadora entre perdição e loucura deixa clara a implicação. O foco está concentrado na má concepção e na rejeição quanto a mensagem da cruz por não tê-la percebido como uma demonstração de sabedoria e poder de Deus para a salvação de todos os homens, segundo a Palavra de Deus.

O texto em pauta também ainda diz, em contraposição à perdição e sua loucura, que: “mas para nós, que estamos salvos, a mensagem da cruz é poder de Deus”. Aqui o texto afirma que para os que estão salvos, a palavra da cruz é poder de Deus. Essa sentença deixa explícito que existe uma experiência viva e pessoal dos salvos em Cristo com relação ao poder de Deus visto e manifesto na mensagem da cruz.  

A mensagem da cruz é poder de Deus em si mesma, porquanto que sua origem e efeitos vêm de Deus. A mensagem da cruz não é uma concepção particular sobre o poder de Deus. Ela é poder de Deus declarado, pois que em toda a sua natureza e extensão, ela age certeira e indubitavelmente pelo Espírito de Deus e para os propósitos de Deus. Crer, receber e confessar a mensagem da cruz é um conjunto de atitudes para salvação e uma porta aberta para a manifestação do poder de Deus que vai ainda mais além do transformar vidas. Cristo é a palavra "logos" da cruz.

Aparece também uma estreita ligação entre salvação e poder de Deus na sentença acima. A salvação e o poder de Deus vistos concentradamente na mensagem da cruz. A salvação provida, conduzida, operada e consumada, através do poder imanente de Deus. Assim como os atos de Deus vistos no Antigo Testamento, por si somente a mensagem da cruz é a corroboração de tudo que foi anunciado a respeito da salvação e poder de Deus, pelos pais, profetas e salvos como testemunhas do Senhor Jesus ao longo dos tempos.

Com efeito, diante da palavra da cruz, tanto a sabedoria dos sábios é destruída, como a inteligência dos instruídos é aniquilada, quando elas buscam confrontar, explicar, comparar, contradizer, ajuizar, a mensagem da cruz. E sobre a sabedoria do mundo, a Bíblia Sagrada diz que “Deus a tornou louca” em relação à palavra da cruz.
O mundo não conheceu a Deus e jamais O conhecerá pela sua própria sabedoria. Dentro e debaixo dos rastros de limitações, o mundo tenta explicar um Deus que ele não conheceu, um Deus que ele não percebeu, um Deus grande e poderoso demais e além do que a sua mentalidade e seus sentidos podem por si mesmos raciocinar e explicar de acordo com as Escrituras Sagradas. A mensagem da cruz é uma loucura antagônica à loucura da sabedoria do mundo.

A mensagem da cruz possui um tema simples com um argumento irrefutável. Os judeus antigos, conhecidos por serem considerados os doutores e detentores das Sagradas Escrituras, viam a palavra da cruz como um escândalo, uma maldição, uma vergonha, uma humilhação. O mundo gentio, composto pelos povos não-judeus, conhecido por ser afeiçoado e dominador das sabedorias, via a palavra da cruz como uma loucura, uma desconexão, um desajuizamento, um raciocínio inaceitável e incabível.

A mensagem da cruz tem atravessado os séculos com o mesmo teor imutável, com a mesma proposição imperiosa, com a mesma demonstração de salvação e sempre no poder de Deus. Os muitos e diversos inquiridores deste mundo não possuem domínio suficiente e capaz de ajuizar e responder na mesma coerência escriturística à mensagem da cruz. A mensagem da cruz é confundida pela mente perdida, todavia ilumina o caminho da alma salva em Cristo.

A mensagem da cruz tem atravessado os séculos tocando, alcançando e salvando almas através da loucura da pregação daqueles que estão em Cristo. A loucura da pregação tem um tema – Cristo, o crucificado -; tem um argumento – O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado -; tem uma instrução – Aquele que crê em Cristo não perecerá, mas tem a vida eterna -; tem um convite aberto – Vinde a Cristo todos os que estão cansados e oprimidos e Ele os aliviará -; tem uma indicação – Quem vê a Cristo, vê o Pai -; tem uma esperança – Eis que em breve Cristo virá -; tem uma certeza – Cristo virá e levará os Seus para estar com Ele mesmo -; tem uma observação – Quem é justo continue na prática da justiça, e quem é santo continue a santificar-se -.

Não subestimemos, pois, a mensagem da cruz. Não nos movamos das convicções recebidas dos nossos primeiros pais na fé. Não nos deixemos ser iludidos por mentalidades que tentam matizar os fundamentos da mensagem da cruz. Não nos afeiçoemos a princípios sugestivos que buscam e tentam desmerecer a realidade e a verdade da mensagem da cruz. Não nos permitamos perder de vista os propósitos da mensagem da cruz.

Que em todo tempo a mensagem da cruz permaneça acesa, viva, clara e nítida em nossa mente, em nosso coração e em nosso proceder. Que em todo tempo a mensagem da cruz seja a prioridade, seja primordial e tenha a primazia em tudo que façamos. A mensagem da cruz “é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho”.

Que nenhum de nós se sinta constrangido diante das forças opinativas dos sábios deste mundo quanto à loucura da nossa pregação na mensagem da cruz. Que os perdidos sejam achados pela mensagem da cruz, e que os salvos em Cristo sejam edificados e fortalecidos pela mensagem da cruz. E que tudo em nós espelhe a mensagem da cruz, para a glória e o louvor do Senhor nosso Deus.
PbGS



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

MARCAS DO QUADRO INEVITÁVEL.

MARCAS DO QUADRO INEVITÁVEL.
2 Timóteo 3.1-9: Prepare-se para o desafio delas...

  • Introdução.
Nos últimos dias vai ser muito difícil ser servo de Cristo. Prepare-se para as dificuldades por viver agradando ao Senhor e conduzindo a sua vida com sabedoria e também tato ao servir aos homens, vivendo como servo de Cristo nos últimos dias, porque sobrevirão tempos terríveis, surgirão tempos de provação para aqueles que querem viver piamente em Cristo Jesus. Será um quadro inevitável com suas marcas nos últimos dias.

E com estas expressões acima, começo este artigo junto aos meus caros e generosos leitores, lhes trazendo a uma reflexão segura em 2Timóteo 3.1-9. Um texto que salta aos nossos olhos todas as vezes que o lemos e nele meditamos, porquanto traça detalhadamente as marcas do quadro inevitável nos últimos dias. E com vistas nele muito precisamos nos aplicar em viver com profunda convicção e consciência do que somos diante das marcas desse quadro inevitável do panorama das gentes.

  • O texto detalha com explicações.
No texto em foco, Paulo abriu o assunto declarando uma proposição e complementou-a com detalhadas explicações sobre essa extrema dificuldade para os servos de Cristo nos últimos dias. O modo e o estilo de vida das pessoas nos últimos dias trarão sérias implicações que tornarão extremamente difíceis as condições no modo de vivermos como servos de Cristo. Fugir ou fechar os nossos olhos para essas verdades seria de nossa parte um ato insólito e por conseqüência um tanto descuidado e negligente. 

O apóstolo Paulo abre esta perícope bíblica com uma forte recomendação em forma de um alerta que apela ao entendimento, à razão e à consciência de Timóteo. Tudo nela deixa claro que existe um apelo orientador de Paulo para despertar em seu jovem aluno imitador Timóteo e extensivamente em nós um estado de percepção aguda a fim de que nos preparemos a cada dia já antevendo o panorama que se instala entre os homens. “Sabe” aqui funciona como um lembrete.

E Paulo após isto começa explicando os “porque” de sua recomendação apelativa. E aqui preciso enumerá-los para trazê-los com mais detalhes pormenorizados com o fim de torná-los mais perceptíveis aos diletos leitores sobre o que nos últimos dias vai fazer com que seja muito difícil ser servo de Cristo. Esses “porque” explicativos listam as marcas claras a serem vistas, identificadas e observadas em pessoas no quadro inevitável dos últimos dias.

1 – Marca do egocentrismo e da ganância.
As pessoas só amarão a si mesmas e ao dinheiro. E as que ostentam essa terrível marca são incapazes de se controlarem por si mesmas. Elas vão até às últimas conseqüências engodadas e atraídas pelo vil metal até caírem nas armadilhas preparadas por si mesmas. Elas passarão a amar idolatradamente a si mesmas, ao dinheiro e os prazeres, e estarão sempre em busca disso para a satisfação de seus desejos egoístas. 

1.1 – pedras de tropeço e péssimo testemunho.
Os interesses pessoais esmagando os interesses dos outros será uma das causas que grandemente afligirão a vida comum dos homens, contribuindo potencialmente para o agravamento dos problemas, sendo um deles as fortes e terríveis conseqüências da apostasia e muitos se farão pivôs da descrença entre os homens. Essas pessoas são pedras de tropeço à fé dos outros, não gozam de nenhum respeito livre e espontâneo de outras, serão enxovalhadas e cairão no descrédito, posto que o texto afirma que elas não vão adiante com isso.

Nenhuma pessoa sincera e coerente com a verdade lhes teria afinidade ou sentiria incentivada a imitá-las ou aprová-las, pois se tornam impeditivas em razão dos seus péssimos testemunhos falarem alto demais. Falam e não fazem, e fazem o que jamais poderia edificar se falassem do que fazem. Muitos desses gananciosos pensam que as suas falas de hoje serão esquecidas logo antes de chegar o amanhã.

1.2 – assemelhadas a cães gulosos.
Isto leva a passar nossas vistas no que escreveu o profeta Isaías acerca dos gananciosos, chamando-os de “cães gulosos” Is 56.11. O cão guloso se coloca apenas focado em sua ração e não a divide com ninguém. E se alguma coisa lhe  representar como ameaça a tocar em sua ração, ele reage com violência. Essas pessoas agem por instinto selvagem como os animais. A “natureza pecaminosa” lhes levam a ser movidos pela ganância que os tornam também avarentos. O profeta Jeremias afirma que a ganância somente traz “injustiça”. Jr 22.13-17

Invadir templos, forçar tomada de igrejas, denegrir a imagem de outros pares, disseminar boatos e inverdades sobre atos supostos e imaginados e outras “maestrias maleficiosas” para tirar algum proveito disso, são para essas gananciosas atividades mais promissoras em ajudá-las atrair crédito para si e aumentarem os seus vergonhosos “lucros”, do que pregar o evangelho da salvação aos homens.

1.3 – orgulhosas, fanfarronas, arrogantes e insultantes.
A tônica maior na vida dessas pessoas será o viver em função delas mesmas exclusivamente para satisfação de suas próprias necessidades materiais, sentimentais, psicológicas e conferir suporte às suas luxúrias. As pessoas que ostentam essa terrível marca apresentam o quadro geral de orgulhosas, fanfarronas, arrogantes e insultantes. Para elas tudo se resume unicamente em que devam ser supridas a qualquer custo, mesmo que isso cause desrespeitos, seja incorreto e inescrupuloso ou venha ser causa de sofrimento alheio e contribua para os escândalos. Para elas todo mundo deve atender aos seus caprichos sem nenhum questionamento.

1.4 – zombadoras de Deus.
O amor a si mesmas prioriza unicamente ao seu próprio bem-estar. As pessoas que ostentam essa horrível marca são zombadoras de Deus. Para elas o que lhes faz conseguir as coisas unicamente é o vil metal e sua esperança está depositada nele. Usam e abusam do nome de Deus e das coisas sagradas sem olharem para o seu fim envilecido em conseqüência de suas prevaricações. Elas querem publicar e fazerem conhecidas as suas “proezas”, mas a tamanha reprovação e vergonha conseqüentes que padeceriam as fazem dizer silenciosamente “primeiro eu e tem que ter pra mim, os outros são outros e não me pesam nada nem me importam a não ser que eu possa usá-los para dar suporte aos meus benefícios próprios”.

Essa zombaria em tempos passados chegou também entre outras a de vender terrenos e lotes no céu, porém hoje revestiu-se de outros artifícios como o de vender unção; o de vender “santa ceia” e despachá-la via sedex; de comprar e vender perdão; e que dizer do debitar na conta telefônica cada pedido de oração fonado; e o tempo das consagrações massivas a “missionários” que jamais saíram ao campo para percebê-lo, a evangelistas que ignoram o evangelismo e a “ministros” neófitos que mal saíram das fraldas, se tornaram doutores em nutrir os bolsos, as meias, as cuecas e os sapatos cheios do níquel e das cédulas. 

1.5 – desobedientes, ingratas, más e caluniosas.
O que também é visto nelas são outros adendos escondidos a quem não lhes conhece no seu convívio. Estão mais para filhos de belial do que para conhecedores de Deus. E nesse mesmo trecho diz em complemento que elas são desobedientes aos pais, sendo ingratas e completamente más, assim como caluniosas implacáveis. Desobedecer aos pais e ser ingrato para com eles são fazem parte da moda rebelde pós-modernista. Famílias e relacionamentos a fio estão perdendo muito em resultado dessa moda funesta. 

Assim é o que fazem o egocentrismo e a ganância nessas pessoas cujo amor se dirige idolatradamente a si mesmas e ao dinheiro. Elas sob dissimulada criatividade inventam e engenham todas as estratégias possíveis lhes fora para dominar e obter em proveito próprio e em benefício próprio e pelo profundo amor único ao dinheiro. Elas descartam friamente quem não tenha condição para lhes servirem ou apoiarem os seus intentos. Pena que elas ganham tanto na terra ao mesmo tempo que perdem e se tornam esvazias no céu.  

2 – Marca da dureza de coração e da insubmissão.
As pessoas serão duras de coração e nunca se submeterão aos outros. E essas pessoas que ostentam essa terrível marca são sempre insensíveis ao Senhor e a tudo que diga respeito a Ele. Para elas tanto faz estar tratando das coisas de Deus como das coisas da imundície e da sujeira. Pouco lhes importam os seus mandos e desmandos. Suas posições devem falar mais alto e prevalecerem os seus gostos pessoais.

Elas nutrem um sentimento de absolutismo, e não se vêm submissas a nenhuma superioridade que não caibam nos seus planos e nas suas vontades. Elas “não se acostumam, não suportam e não se adaptam” a respeitarem outras, ou a estar sob a liderança superior de outras constituídas. Elas não se vêem ligadas verticalmente abaixo de outras; desconhecem os seus devidos lugares e posições, assim como não consideram os outros. 

2.1 – mentirosas e desordeiras.
O que também é notado nessas pessoas é a forte presença da mentira e da desordem. Elas adoram ser mentirosas e desordeiras. Para elas o mentir e promover desordens são a sua arma preferida para ataque e para a sua defesa. E elas fazem isso sem qualquer autocensura ou remorso, afinal seu coração sobrevive congeladamente empedernido. A verdade e a ordem não fazem parte de suas vidas e não podem constar nas suas pautas. Amar e cometer a mentira e contribuir, concorrer e cooperar para evitar ou impedir o estabelecimento da ordem ou da obediência a ela fazem a sua plataforma operacional.

A desordem é o seu campo de operações, e quanto mais houver a força e presença da desordem, melhor lhes será para esconderem-se nela e praticar livre e despreocupadamente as suas obras e conseguirem os seus intentos sem serem censuradas ou corrigidas e preservarem os seus “ganhos miúdos”. Para elas a verdadeira ordem está somente e apenas em seu mundo mental, e os outros são quem devem debruçar-se e inclinarem-se para elas.

2.2 – não se incomodam com a imoralidade.
Outro indicativo que o texto nos mostra delas é a sua facilidade de serem coniventes com a imoralidade, e esta em coisa alguma lhe causarem incômodos. É a omissão em prol da chamada “boa política de vizinhança” ainda que saiba que a imoralidade causará sérios e conseqüentes depravações e prejuízos no seu próprio convívio mais tarde. O mundo pratica sem qualquer problema esse tal hábito de “fazer vistas grossas” para que todos vivam prejudicialmente em paz e relativa e parcialmente em união.

O Senhor Jesus não fez “vistas grossas” e nem reagiu com desrespeito ou brutalidade, mas também não se permitiu calar-se ao ver os corações serem minados pela falsa ambiência. O foco da cultura pos-modernista vem buscando imprimir o relativismo, a subjetividade e o pluralismo e com estes arrastar o homem a ser conivente com a imoralidade. E nos primórdios da igreja primitiva, o casal Ananias e Safira intentaram dar lugar para esse espírito enganar aos apóstolos e nenhum sucesso lograram diante de Deus. Por falta desse tipo de incomodo o espírito de infiltração tem arruinado a vida de muito boas gentes, minado ambientes, causado prejuízos na comunhão difíceis de serem reparados.

3 – Marca da rudeza, da crueldade e do escarnecimento.
As pessoas serão rudes e cruéis, e escarnecerão daqueles que procuram ser bons. As que ostentam essa terrível marca são violentas, agem por imposição tirânica, e não por imposição legal do dever e da ordem. Na verdade o seu íntimo odeia a bem. São odiosas do bem e a crueldade é tão normal, banal e comum que tanto faz elas praticá-la como fazer um benefício. Elas se escondem por trás do jargão da impaciência ou das preocupações de lutas cotidianas, mas na verdade o sintoma indica e comprova a rudeza, a brutalidade desrespeitosa e a crueldade.

Elas fazem de tudo para formularem, construírem e fortalecerem as bases do escarnecimento contra aqueles que buscam ser bons e fazer o bem segundo a visão bíblica. Para elas ser bom e praticar esse bem é coisa de “fundamentalistas” e “cafonices e “quadradices”, e o intento delas é que precisemos mudar e para tal todos têm que sentir obrigados a seguir a “onda” de inverter os valores. Existem muito boas gentes que já se foram de “enxurradas d’aguas sujas” abaixo por darem lugar em atender os apelos do escarnecimento para com os que procuram ser bons, e muitos desses escarnecedores vivem  lameando-se desfigurados nas sarjetas do pecado escondido.

4 – Marca da traição aos amigos.
As pessoas serão traidoras dos seus amigos. As que ostentam essa infame marca são filhas de belial e não conhecem o Senhor. Elas são atrevidas e obstinadas. A facilidade com que possuem e mantêm a visão de traidoras lhes atesta o seu tamanho atrevimento e obstinação. Visto que desconhecem os valores e a importância de seus próprios amigos, e tanto faz tê-los como não. Elas se predispõem a trair os seus amigos sem enxergarem qualquer conseqüência e desrespeito, desonestidade e desumanidade.

4.1 – inchadas de orgulho e prepotentes.
O que pode ser claramente observado nelas é a prepotência por primeiro serem inchadas de orgulho. Para elas o pisar por cima dos outros é uma coisa que lhes confere prazer e satisfação, e o que importa a qualquer custo é que sejam vistas por todos como alguém que fosse o que na verdade nunca foram e ainda não são. Essas pessoas não conhecem seus limites e ignoram as limitações dos outros e subestimam as capacidades alheias.

4.2 – amantes do prazer.
Uma vez que vivem estupefatas pelo orgulho e na prepotência, elas perdem o senso do que verdadeiramente é prazer e do que significa amar a Deus. Elas preferem ser amantes do prazer e dos deleites do que amarem a Deus. Desde hoje já se percebe claramente essa troca e a escalada crescente desse número de amantes do prazer, posto que tantos prefiram substituir ou trocar as coisas de Deus por frivolidades e por coisas volúveis. Para essas pessoas as coisas sagradas detêm pouca importância, nada significam e pouco valor representam para elas. Um prato de lentilhas na sua visão é muito mais precioso e valioso, ainda que depois de saboreá-lo venham as dolorosas conseqüências e nestas se derramem em prantos amargamente.  

5 – Marca da aparência de piedade.
As pessoas terão aparência de piedade, porém não acreditarão realmente em nada do que ouvem. As que ostentam essa mascarada marca de aparências exteriores de religiosidade, nem mesmo elas dão crédito a si e tampouco à piedade. As ações delas contrariam as suas máscaras de religiosas, porquanto no seu embuste e na sua falsidade suas ações contradizem e negam os efeitos poderosos da verdadeira piedade que elas apenas exteriorizam, mas não a possuem. Na verdade, elas vivem um engano, um embuste, uma hipocrisia farisaica como se assim as coisas tivessem que ser para viver melhor e demonstrar um perfil e um desempenho piedoso real que não possuem.

Neste texto, Paulo estava se referindo àqueles que dizem ser crentes, e, aparentam santidade, piedade religiosa. Porém, suas práticas demonstram que viverem pecando é um prazer, gostam de viver do egoísmo e da imoralidade, e não de viverem pelo Senhor. Tais pessoas toleram e encobrem a imoralidade nas suas igrejas e por exercerem algum tipo de influência no rebanho, ensinam que é possível praticar os pecados citados nos versículos 2-4 e, ao mesmo tempo, serem crentes e participarem livremente das ordenanças da igreja.

Seja por isso que o mundo pagão apedreja alguns “ministros evangélicos” e suas “agremiações religiosas” denominadas de “igrejas” por acolherem e encobrirem o pecado vomitado pelo mundo em troca de “benefícios e benesses”. Muitos desses fogem do momento oportuno de tratá-lo devidamente como a Palavra de Deus ensina, aconselha e ordena. Mas também que se pode elogiar de alguém que “entrou na porta da igreja ontem e hoje já “foi consagrado ao ilustre cargo de  ministro sem pasta representante de um evangelho sem cruz”.

6 – Marca da ignorância, tolice e pecados.
As pessoas serão ignorantes quanto à fé em Cristo e néscias carregadas de pecados. As que ostentam essa marca vivem na ignorância no que diz respeito à fé cristã. A sua tolice lhes arrasta à imprudência e faz com que sejam alvos e vítimas de falsos ensinos e de falsos mestres. Apesar de algumas viverem religiosamente nos templos, não demonstram firmeza de propósito no evangelho de Cristo. Elas são levadas por todo tipo de desejos, e o que lhes configure em satisfação de desejos vier à cabeça, elas se lançam tolamente nisso sem medir coisa alguma.

6.1 – corruptas de entendimento e réprobas.
Elas estão continuamente seguindo novos mestres, porém nunca entendem a verdade, não alcançam o conhecimento da verdade. Elas querem sempre estar aprendendo, mas nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. Elas possuem uma mente suja, depravada e se rebelaram contra a fé. São corruptas de entendimento, seu entendimento está corrompido e é malvado. Na verdade, elas estão condenadas por serem réprobas quanto à fé.  

Uma atitude de inconformação inquietante dentro de si insufla essas pessoas a estarem continuamente em busca de novos mestres, e uma das coisas que identifica o falso mestre é a sua oposição às verdades básicas da Palavra de Deus, ou sua indiferença para com elas.

  • Conclusão.
Se o panorama da história contextual de nossos dias já revelam sérias constatações do que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo no texto em apreço, imaginemos como se tornarão mais claramente percebidas essas marcas nos últimos dias quando todas características desse escrito paulino estarão mais  publicamente inflamadas e manifestas a todos.

O texto causa-nos arrepios, mas também incentiva-nos a ser um bom soldado de Cristo e, além disso, produz motivação suficiente para permanecermos prontos aos desafios conseqüentes desse quadro inevitável. Não será apenas um desafio para os apascentadores, os pregadores e os ensinadores, mas também o será para todos os servos de Cristo que optarem por viver firmemente dignos da vocação cristã para a qual foram chamados para servirem a Deus.

Esse texto da Escritura Sagrada revela descrevendo com tamanha claridade as marcas do inegável e inevitável quadro do panorama de pessoas dos últimos dias, e apesar disso lamentamos pelos muitos púlpitos sestrosos e temerosos de alguma forma e por motivos desconhecidos terem fugido literalmente dessas temáticas, ou quanto menos sendo nelas superficiais.

Essa esquiva silente tem conduzido pedagogicamente sem falas aos seus ouvintes viverem uma vida insatisfeita e inquieta distante de Cristo e da vontade de Deus, “nem frios, nem quentes, mas mornos”, além disso tem influenciado às pessoas a definirem por suas próprias intuições o significado do que lêem nas Escrituras, e isso tem levado muitos a desconsiderarem os pensamentos e as declarações dos autores dos textos bíblicos e por fim se perderem do rumo verdadeiro proposto pelo evangelho de Cristo para as nossas vidas.

Concluo, então, este artigo juntamente aos muitos generosos leitores, encorajando-lhes a vivermos preparados para o difícil desafio de sermos servos de Cristo em nossos contextos diários. É melhor termos os nossos nomes escritos no Livro da Vida do Cordeiro do que tê-los apenas aplaudidos por certos homens e candidatos a findarem sob as labaredas das trevas.
PbGS
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PREGADORES MODERNOS: íntimos do secularismo ou amigos da loucura?

PREGADORES MODERNOS: íntimos do secularismo ou amigos da loucura?

Por alguns minutos antes de assumir o púlpito para ministração de um estudo bíblico na série de estudos que a mim foi confiada ao atender mais um bom convite, e enquanto ainda sentado na tribuna de uma admirável igreja, após ouvir o canto de lindos louvores a Deus, digo realmente efetivos louvores a Deus, o Espírito do Senhor me fez folhear algumas páginas de minha Bíblia. E naquele momento minha atenção foi atraída a dois versículos escritos pelo apóstolo dos gentios, Paulo, em 1Coríntios 1.21-22.
E o relógio me conferiu tempo suficiente para que minha memória sob o impacto da graça de Deus penetrasse na cativante história de trajetória e currículo de um grande homem de Deus, possuidor de talentos, qualidades, dons espirituais, múltiplas experiências vivenciadas e poderosas obras em Deus – o apóstolo Paulo.

E agora neste momento de descanso oportuno, sou trazido a fazer registrar com clareza o que podemos absorver em nossa alma e imprimir no nosso espírito acerca da pregação, a fim de que não sejamos íntimos do secularismo, e sim amigos da loucura segundo Deus.


Vejamos primeiro algumas coisas notórias na trajetória e no currículo do apóstolo Paulo, começando por observar o seu tempo no Judaísmo como quando ainda era chamado Saulo, um dos principais cidadãos do Sinédrio judaico, e depois de convertido a Cristo como quando veio a receber o nome de Paulo, um pregador do Evangelho. Fatos curriculares bem conhecidos e citados por muitos, todavia ainda pouquíssimo refletidos ao pé da letra e meditados na profundidade da história, por um número considerável de pregadores modernos.

Comecemos por olhar que o Judaísmo conferira à vida de Paulo base sólida de sua convicção pessoal acerca de seu credo e de sua história e de seu zelo pessoal quanto à sua religiosidade e sua tradição. Paulo, o então Saulo, não era um homem de “poucas letras”, nem sequer um indouto. Bem como não era um elemento inserido num respeitável grupo de magistrados por uma questão de privilégios financeiros ou sob forças políticas que o favorecessem a fazer parte adjacente daquele contexto. Paulo, o então Saulo, não era um homem unicultural, de apenas um idioma e de apenas uma nacionalidade. Não era um elemento influenciador com vida resumida ao poder de presença.


Da história pessoal do tribuno Saulo podemos confiantemente compreender que se tratava de uma pessoa bem centrada e versada, convicta e segura, e determinada na sua visão de propósitos e no seu domínio social e religioso. Saulo demonstrava ser uma pessoa equilibrada em emoções e sentimentos. Seus atos e escritos demonstram haver nele um claro domínio da capacidade de ajuizar coisas e fatos mediante o firme crivo da lógica e do raciocínio assim como pelo conhecimento e pela sua crença. Era uma pessoa extraordinariamente sábia em lidar com as circunstâncias e contingências humanas e sensatamente conhecedora na capacidade e habilidade de comandar e liderar a ponto de obter a confiabilidade dos maiorais do seu povo através de carta representativa delegando-lhe plenos poderes para cruzar todo o território, penetrar nos recintos de ajuntamentos, cultos e reuniões, violar a intimidade dos aconchegos domésticos, diligenciar execuções penais e prisões para as quais as sentenças fossem fundamentadas nas leis e tradições judaicas e aplicadas as penas impostas instantâneas e tempestivas. Recebera um tipo de poder e autoridade tão consistentes que não foram em momento algum interferidos e nem doutrinados pelo governo romano de então.

Imaginem os meus caros e generosos leitores que histórico curricular possuía Saulo no Judaísmo. Imaginem a formação secular e religiosa, a capacidade titular, a inteireza e integridade de Saulo, a sua habilidade de interagir em seu mundo. Imaginem os privilégios e as honras que graciosamente Deus concedeu a coroarem a vida daquele Saulo.


Agora, passemos a olhar a vida de Paulo como um pregador cristão converso e convicto como servo de Deus que foi. Que choque de mudanças espetaculares ocorrera em sua vida a partir de sua nova experiência com o Senhor no caminho de Damasco. Imaginemos quais e quantas lutas e desafios houvera passado Paulo ao iniciar a sua nova missão independente de sua vontade pregressa. Aquele que até o momento de seu encontro com Jesus no caminho de Damasco possuía todas as honras e privilégios confiados e conferidos pelas autoridades judaicas e intocadas pelo poder romano para que exatamente perseguisse e executasse, e agora tamanha personalidade se deparava com uma verdade que antes ignorantemente perseguia por desconhecê-la. Imaginem como não foram os primeiros dias de conversão daquele tribuno que estava a partir daqueles momentos deixando a sua cadeira vazia no Sinédrio judaico, deixando o seu apogeu de posições, tradições e religiosidades, vendo-se singrando em outra dimensão espiritual, enxergando-se entrar em outro mundo que sendo ligado ao seu anterior mesmo assim para ele era novo.


Imaginem os primeiros dias de conversão, os primeiros meses de adaptação à nova realidade dentro da verdade que já conhecera pelas bases fundamentais. Imaginem a transição de identidade religiosa e de perspectivas. Como olhar agora o novo Paulo que antes havia sido o velho Saulo? Imaginem os primeiros anos de desafios pessoais começando a ser integrado ao meio dos crentes sem que nada dissesse já subsistia debaixo de fortes suspeitas e com uma sentença divina sobre a sua vida “este é um vaso por mim escolhido para levar a minha Palavra e padecerá muito por causa do meu nome”, disse Jesus naqueles momentos acerca de Paulo. Ninguém mais tivera prova pessoal mais clara e contundente do seu momento de conversão que o próprio Paulo. Provas aquelas que ficaram fortemente impressas em sua alma e para sempre marcadas em seu espírito, carregando-as acesas no seu íntimo durante toda a sua trajetória.

Uma nova proposta de jornada agora se apresentava para a vida de Paulo. Uma proposta que veio enriquecer sua trajetória e seu currículo de vida. Seus conhecimentos teológicos agora receberam uma visão abrangente, seus conceitos espirituais ganharam maiores claridade e definições. Todo o seu domínio de religiosidade e tradicionalismo obtive um foco mais amplamente detalhado. Enfim agora já não era apenas um Paulo cheio de privilégios por seu histórico de prestígios e conhecimentos e autoridade religiosa. Começava a se levantar uma nova estrutura de vida naquele que estava sendo preparado para ser o “vaso escolhido para padecer” pelo nome do Senhor. Foi discipulado e integrado ao seio da igreja, foi posto no meio dos apóstolos para obter experiências e vivendo diariamente no meio dos crentes teve a suficiente experiência fundamental que deram prova de sua conversão e aquiescência ao ponto de obter posição favorável confirmada entre os crentes, culminando a confirmação testemunhal de sua chamada e vocação ao ser separado pelo Espírito Santo para a obra de pregação do Evangelho de Jesus Cristo.

Durante sua vida de pregação, Paulo recebeu o privilégio de trabalhar incansavelmente para o Senhor, viajando em missões, pregando e ensinando ao mais que pôde. Experimentou as mais dolorosas agruras da caminhada pelas perseguições sofridas, pelos embates contra os ensinamentos religiosos legalistas, pelo combate contra as heresias e suas ameaças contra a fé cristã, pelas incompreensões e rejeições, pelos muitos e múltiplos riscos e desafios que vieram lhe confrontar contra a sua vida e tentar fazer desmerecido o seu ministério cristão.


Enfim a obra do Senhor na vida de Paulo foi sendo consolidada a cada experiência que vinha sendo coroada com a vida prática cotidiana na sua jornada. A aplicação de seus conhecimentos teológicos agora já por muito havia saído da limitação das letras e adentrado na elevada dimensão do Espírito a ponto de haver obtido a inspiração e a revelação divinas para escrever com muita propriedade e profundidade o arcabouço de doutrinas que vêm atravessando por séculos a vida congregacional da igreja e a vida individual particular de cada crente em Cristo, dando-nos incontestáveis provas da manutenção e cuidado do Espírito Santo sobre todos os que crêem e vivem em Cristo Jesus.

Paulo, o apóstolo pregador, empreendeu uma jornada de pregação tão eficiente que dirigido pelo Espírito “fez-se de tudo para poder ganhar alguns”, não se envergonhou do Evangelho quando este estava sendo odiado, perseguido, rejeitado e desprezado pelos grandes e entendidos e entre estes mediocrisado. O secularismo da época insultou o Evangelho, tentou mediocrisar a pregação, investiu forte contra o Evangelho utilizando o poder político, hábitos e costumes avessos à família humana, a ciência e as filosofias humanas. O mundo dos hábitos, costumes e práticas multi-idólatras sociais e gerais das pessoas do contexto da época dos dias de Paulo se levantavam como barreiras com fim impeditivo contra a pregação do Evangelho. Enfim, o secularismo perfazia um conjunto sincrético e dominava o mundo de então através das correntes de pensamentos que se alastravam e disseminavam o secularismo influenciando as sociedades por onde este aportasse.


O apóstolo pregador, Paulo, não se deixou ser dobrado pela influência ferrenha do secularismo. Paulo manteve-se firme e convicto na "loucura" do que cria e pregava. Paulo em momento algum cedeu a mensagem do Cristo Vivo às linhas de pensamentos e modismos do secularismo. Estar filiado e amigado ao mundo secular e conformado ao seu esquema eram fortes e atraentes propostas tentadoras usadas como instrumento de proteção de vida contra o desprezo e a vergonha por parte da sociedade daquela época. O secularismo conjugado se impunha com ferramentas de chantagem para manter subjugado todo entendimento a fim de que aquele que se levantasse ou fosse levantado para pregar contra ele sofria e padecia sérias conseqüências.


O mundo de então gostaria de ouvir coisas plurirreligiosas em geral, mas a doutrina do Caminho não poderia ser nivelada, assemelhada ou igualada àquelas. Ela certamente iria tocar em determinados assuntos que certamente iriam conflitar com as opiniões, vícios e tradições mundanos.


O Evangelho de Cristo poderia ser pregado, contanto que sincretizasse e juntasse todos os elementos do secularismo conjugados à pregação dele. O que o secularismo buscava era trazer com isto a estratégia de nivelar a pregação do Evangelho ao mundanismo filosófico e como isto fazer uma ponte que por ela transitasse seguramente o secularismo, o culturalismo religioso que é amigo íntimo das ferramentas da secularidade tradicional e que há minado a base de muitos segmentos, fazendo-os conformar-se ao sistema mundo para evitar choques e mantenha “a paz e a ordem” entre os homens.
Entretanto com isto a intenção do secularismo é impor forças implícitas e camufladas para que o homem não venha atentar em ouvir a pregação do Evangelho como este é, e que esse homem não venha ao conhecimento da graça de Deus e da salvação em Cristo pela fé ao ponto de que seja “liberto pelo poder de Jesus Cristo e transportado do império das trevas para o Reino do Filho do amor de Deus”.

O que mais se deseja realmente e se busca efetivamente são a paz e o entendimento entre os homens, entretanto é historicamente patente que esses valores seculares jamais vão ser convergidos entre si em função das diversidades e pluralidade humanas afastadas e divorciada da Palavra de Deus.


Como pregadores jamais pensemos em ceder aos múltiplos apelos e diversificados rogos amistosos do secularismo para que os pregadores do Evangelho revistam uma roupagem amiga dos conceitos mundanos às mensagens que recebemos do Senhor para serem entregues aos homens. Como pregadores também jamais pensemos em ferir a ética, o respeito, a urbanidade, as tradições humanas, às particularidades alheias, com pregações revanchistas “com sabor de mel”, nem pregações potencialmente explicativas e temerosamente aplicativas, negligenciando aos diletos públicos as suas devidas aplicações do que Deus nos diz para ser praticado nas suas vidas. Mudar os fundamentos da pregação e desviar os seus propósitos bíblicos seria nos colocar em posição fatal de prevaricadores contumazes, de hereges, falsos profetas, enganadores de homens, enfim de inimigos de Deus.


Quem quer que seja pode ter a liberdade pessoal de querer ouvir ou fugir da pregação, porém ela é o meio que aprouve e agradou a Deus para salvar os que crêem. Quem quer que seja pode ter a honestidade pessoal de julgar ou absorver a pregação, porém é ela o meio que traz o homem à fé e ao conhecimento de Deus. Qualquer que seja pode ter a espontaneidade pessoal de rejeitar ou aplicar a pregação, porém ela é o veículo provido e movido pelo Senhor para fazer o homem chegar ao conhecimento da salvação. Qualquer que seja pode ter a sensibilidade pessoal de ser movido ou intimado pela genuína pregação, porque ela é inconfundível, inalterável, inamovível. Qualquer que seja pode ter a franqueza de gostar ou odiar a pregação, mas ela não pode ser esquematizada e conformada aos gostos e aprovações particulares do homem. Por mais que o secularismo e os segmentos dos homens forcem influenciar ou mudar a prática da pregação, nenhuma pessoa tem a capacidade, a possibilidade e a probabilidade de mudar os métodos e a vontade de Deus para falar aos homens. A pregação é um projeto de Deus para alcançar os homens a fim de pelo Seu infinito amor convencê-los das coisas de Deus, do amor de Deus, da existência do pecado, da justiça e do juízo, do aperfeiçoamento dos crentes em Cristo no grande empreendimento de Deus aos homens.


Alguém pode dizer que substitua a pregação por discursos. Alguém pode também inferir que suplante a pregação por panfletos, figuras e vídeos. Alguém pode dizer que abafe a pregação com a mostra de músicas, danças e atrações cênicas. Todos esses recursos possuem o seu lugar próprio e devido para atuação, mas a convocação do Senhor Jesus e a equipagem de poder e autoridade para sair e percorrer expulsando os demônios, curando os enfermos e doentes, foram para empreender a pregação do Evangelho anunciando o Reino de Deus aonde quer que chegar a presença do povo de Deus.


Alguém pode ansiosamente desejar calar a pregação ou amordaçar os pregadores. Alguém pode decorosamente classificar e categorizar a pregação com o fim de desviar o seu foco para desmotivar os pregadores. Alguém pode culturalmente intentar encurralar a pregação como uma peça oratória que não deva ser coisa maçante e nem ocupar os pensamentos diários de quem a ouça. Alguém pode influentemente discriminar a pregação como uma prática arcaica e desnecessária para os dias atuais quando tudo se faz em novidade crescente em modernidade e avanço. Enfim, o secularismo “forçando barra” para minar a pregação até que o adversário pudesse conquistar as mentes para que não ousem a pregar e a outros não virem a crer na loucura da pregação, sendo ela provisionada por Deus para salvar os que crêem.

Entretanto, a Bíblia nos deixa claro que a pregação foi a atividade principal de Jesus. A pregação está no centro da missão do Evangelho, e Paulo demonstrou a importância da visão da pregação. A Palavra de Deus nos diz claramente que “agradou a Deus salvar os que crêem por meio da loucura da pregação”, 1Co 1.21.


A própria sabedoria de Deus é loucura para os homens. Aprouve a Deus salvar os homens que crêem na pregação. O meio que agradou a Deus para salvar os que crêem é a loucura da pregação.
Aqui se faz necessário chamar os pregadores modernos à despertarem consciência, se disporem a estudar diligentemente a Palavra de Deus para cumpri-la fielmente e ensiná-la com seriedade, presteza, originalidade e habilidade apropriada à pregação.


A pregação parece loucura para o homem. E quando a visualizamos deste ponto-de-vista escriturístico notamos e identificamos as razões pelas quais a pregação parece loucura aos homens. Uma loucura que conflitou no passado com todos os conceitos humanos que tentaram consertar o homem e são impotentes para fazê-lo. Uma loucura que permanece conflitando no presente com todas as opiniões, ciências, filosofias e metodologias humanas que tentam comportamentalizar ou reconstruir um novo homem segundo os padrões estabelecidos pelo homem.

1. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o pregador.
Uma pessoa que dedica o tempo de sua vida por atender a chamada divina em dispor o seu íntimo para ocupar-se diligentemente a estudar a Palavra de Deus, para com efetiva demonstração de obediência consciente de cumprir a Palavra de Deus e para com irresoluta e firme determinação sair percorrendo a ensiná-la. Muitas vezes indo semeando e chorando em vista das incompreensões e dos obstáculos desafiadores. Muitas vezes sendo sábio faz-se de tolo, sendo lúcido e convicto faz-se de louco, sendo forte e fortalecido no Senhor faz-se fraco, enfim faz-se de tudo para por muitos meios poder levar alguns a serem salvos ao alcançarem o conhecimento de Deus.

2. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos a pregação em si.
Uma prática que exige preparo, domínio, conhecimento prático e aplicativo. Uma atividade que expõe a pessoa do pregador aos mais diversos olhares observadores. Uma sublime missão que leva o pregador ao campo de batalha da alma e do espírito. Uma ação estratégica provida e aprovisionada por Deus para que o Espírito com o seu poder peculiar visite o interior do homem e o convença do pecado, da justiça e do juízo. Uma tarefa espiritual que por ela Deus se agrada em alcançar e salvar os que crêem, esclarecendo o homem para livrá-lo das garras do mundanismo, da força satânica residente nas falsas doutrinas e nas práticas, dos enganos e ilusões religiosas, e do inferno descrito na Palavra de Deus.


3. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o seu conteúdo.
A Palavra de Deus é o conteúdo da pregação. Ela é um conteúdo renovador do entendimento, nutridor do espírito, eficazmente penetrante até as junturas da alma e do espírito e possui a aptidão para discernir os pensamentos e as intenções do coração do homem. Ela é um conteúdo absolutamente potente para esmiuçar todas as estruturas petrificadas de conhecimentos, licitudes e conveniências humanos. Ela é um conteúdo puro que não se mistura aos ditames, regras e convenções humanos, nem mesmo daqueles que se lançam a fazer uso dela. Ela é um conteúdo como uma espada cortante de dois gumes e não permite seu teor e propósito sofrer alterações, emendas, acréscimos e mudanças. Ela é um conteúdo que não cabe ao profissionalismo das áreas humanas e recomenda fortemente que a piedade não seja causa de ganho de dinheiro.


Os vários projetos e visões de evangelização existentes possuem os seus respeitados e honrados valor, importância, utilidade e posição. No mundo moderno as empreitadas de evangelização requerem muito dos pregadores em vista das muitas demandas vindas da seara branca e carente para a ceifa. Para todos esses projetos e visões temos pregadores sérios empenhados aos quais o nosso Deus confiou grandes privilégios em servi-LO para anunciar o conteúdo da Palavra de Deus em espectro muitíssimo amplo.


4. A pregação parece realmente loucura para o homem quando consideramos o seu ouvinte.
As grandes multidões de ouvintes são classificas biblicamente em dois grandes grupos: o dos que se haviam perdidos e o dos crentes salvos e justificados pela fé em Cristo. Pensar nessa dimensão escriturística é um enorme desafio para a mente natural movimentada sob os parâmetros da lógica e do raciocínio limitados às leis da possibilidade e da probabilidade e da sensatez puramente humanas. Tanto é difícil que, como exemplo, desafiou um dos principais mestres judeus sábios e ensinadores considerados e respeitados no tempo de Jesus, o rabi Nicodemos. Tanto é difícil que o apóstolo Paulo buscou empregar vários tipos de linguagens de diversas áreas da vida para explicar e aplicar as verdades espirituais aos seus contemporâneos religiosos judeus, sábios gregos e forenses romanos.


O ouvinte espiritualmente perdido não desperta do sono espiritual que lhe mantém morto em delitos e pecados e distanciado de Deus enquanto não ouvir a pregação. A pregação é que vai lhe trazer a fé ao ouvi-la, e crendo nela passa a perceber que sua vida é tomada pelo Espírito de Deus que passa a fazer morada nele e a plantar uma transformação e modificação interior promovendo mudanças sentidas e percebidas em suas entranhas e enchendo-lhe de valores e coisas espirituais tão importantes e profundos que lhe faz transbordar em gozo e em conhecimento. Trazendo-lhe a nova capacidade de discernir todas as coisas mediante a ação do Espírito.


O ouvinte salvo e justificado pela fé em Cristo, agora despertado do sono espiritual e apto para compreender as coisas espirituais, ao ouvir a pregação aumenta-lhe a fé que se torna mais crescente pelo ouvir. A pregação lhe instrui e lhe faz corrigir erros, lhe causa edificação profunda e lhe motiva a tornar-se ousado em Cristo, lhe dirige aos meios de como se tornar apto e aprovado nas coisas eclesiásticas e na vida de ministério, assim como lhe doutrina.
Ninguém poderia afirmar que um ouvinte da pregação possui em sua frente o poder de escolha em permanecer em sua vida isolada de Deus e se fazer assim consequentemente um réu do juízo vindouro ou em crer na verdade da Palavra de Deus e ser salvo e justificado pela fé em Cristo Jesus, se não fosse a pregação.

Em face de tudo acima, e por essas fortes razões, temos que ainda que a pregação pareça ser uma ação de insanidade mental, um loucura para o homem, todavia ela é a verdadeira sabedoria de Deus para salvar os homens. Não sejam os ditames e os reclames do secularismo que venham influenciar as mensagens da pregação e não sejam as imposições dele que forcem os pregadores modernos a se fazerem íntimos do secularismo e inimigos da loucura da pregação segundo Deus.


Temos visto uma multidão de tendências invadirem os vários segmentos sociais e religiosos com o fim de fazer ruirem os firmes fundamentos da fé e forçarem para que sob a égide do pecado o homem mantenha-se obstinado e preso nas práticas dele, encoberto e abrigado em corações desviados da verdade de Deus, mortos na insensibilidade em não diferenciar o que é santo e o que é profano.


Agora numa época escatológica em que a cada dia os sinais da segunda vinda do Senhor se mostram cada vez mais claros e assimiláveis, que os pregadores modernos não se movam dos conteúdos e dos propósitos da pregação bíblica. Que como os veteranos de maior experiência e proficiência, assim se tornem cada vez mais corajosos e ousados em Deus para conservarem-se íntegros na pregação. Que ainda mais do que aqueles se tornem dispostos em serem diligentes na busca, em serem fiéis no cumprimento e em serem sérios e autênticos no que pregam e ensinam. Seguindo o exemplo de trajetória e currículo de Paulo, o apóstolo pregador aos gentios, jamais devemos recuar em função de possível ameaça de vergonha ou ridicularização contra a mensagem da cruz de Cristo. Jamais devamos nos permitir a sermos movidos de nossos marcos de amigos da loucura segundo Deus para nos fazermos contrários a todos esses séculos de pregações com gloriosos resultados ao flertarmos íntimos do secularismo muitas vezes não percebido em razão de seu engenhoso movimento e estratégias subliminares.
A intimidade com o secularismo arrasta ao estado de insipidez, e “quando se torna insípido, sem sabor ou com o sabor desqualificado, para nada mais tem utilidade a não ser para ser lançado fora e ser pisado pelos homens”. Quando se perde o sabor ou apresenta o sabor desqualificado, perde-se também a originalidade e a probidade, perde-se a distinção e se torna vulgarizado e desrespeitado.
PbGS
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