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terça-feira, 1 de novembro de 2011

CONHECENDO O TEMPO.












CONHECENDO O TEMPO.
Um comentário reflexivo em Rm 13.11-14.

Existem muitas coisas e fatores na vida humana para os quais precisamos nos despertar a fim de então poder enxergá-los, e não obstante temos o dever de considerá-los, para que não venhamos a inutilizar ou até perder nossas realizações, ou ainda até a destruir a nós mesmos através do descaso a esses fatores, ou da falta de conhecimento deles.

Nossa vida natural na Terra está intrinsecamente enraizada, ligada a esses fatores, e de certa forma sendo testemunha deles. E menosprezá-los seria fechar os olhos para o óbvio, seria perder o rumo da vontade de Deus e para os Seus propósitos, seria perder o tato perceptivo sobre cada panorama e seus contextos. 

Deixar de reconhecer esses fatores seria despencar na desconexão de nossa história e desafinar tinos quanto a caminhos inteligentes, promissores e ao mesmo tempo espirituais. Deixar de perceber a realidade deles seria permitir trafegar nossos dias nos caminhos da ignorância, da negligência, do desleixo, do isolamento e da descontextualização.

Nesta oportunidade, trago aos caros e generosos leitores um desses fatores, a saber – o tempo -. E aqui preciso me referir especificamente ao fator tempo na dimensão espiritual sobre cada panorama e seus contextos. Convido, pois, a dirigir o olhar examinador e reflexivo nessa direção com base em Rm 13.11-14.

A Escritura Sagrada fala com propriedade sobre o tempo e sua alocação para cada ato nele. É preciso estar atentos a ele enquanto o calendário escorre os seus numerais. Não devemos jamais subestimar o fator tempo na dimensão espiritual olhando para nós mesmos sem visão de espectro, sob pena de com isso limitarmos e restringirmos a preeminência do anúncio do Evangelho da graça de Deus aos homens.

Conhecendo o tempo, é preciso saber como anunciar a “tessalonicenses”, mas também é necessário saber como fortalecer a “bereanos”. É preciso saber discernir o momento de singrar as grandes terras dos “macedônios”, todavia também se faz necessário não desprezar as oportunidades das terras “licaônicas”. É preciso saber como acessar os procônsules, entretanto também é necessário saber como repreender e rejeitar os magos encantadores.

Conhecendo o tempo, é preciso saber como chegar aos empreendedorismos das “Lídias”, mas também é necessário saber não desprezar a simplicidade das “Dorcas”. É preciso saber como lidar com os açoites das varas, porém é necessário também não deixar passar o momento do impacto aos muitos “carcereiros filipenses” pedintes de luz.

Conhecendo o tempo, é preciso e importante saber como anunciar aos grandes areópagos das terras “atenienses”, todavia é necessário saber como contribuir e cooperar nas definitivas e vitais decisões dos concílios. É preciso saber como manter em eminência aqueles que lideram legitimamente a construção dos muros, porém é necessário também não deixar de levar em contas aqueles que das mesmas forma e qualidade sabem como militarem a boa milícia da fé.

Conhecendo o tempo, é preciso saber como ser um “fazedor de tendas”, todavia também se faz necessário saber como apelar e acessar aos “césares”. É preciso saber como pregar nas “Jerusalém” e nas “Samaria”, mas também é muito necessário estar pronto para anunciar nas grandes “Roma”.

Conhecendo o tempo, é preciso saber receber os banhos de ungüentos e perfumes, os alaridos e as palmas nas entradas das fachadas e “outdoors”, entretanto também é necessário saber como enfrentar os “sinédrios”, os “Pilatos”, e como estar pronto para esses momentos.

Conhecendo o tempo, é preciso saber como manter a fidelidade ao Senhor Deus, e ao mesmo tempo conhecer as possibilidades das manobras e conluios motivados pelos caprichos e pela inveja furiosa dos sátrapas despeitados. É preciso saber como valorizar o “anel e títulos” conferidos pelos palácios, contudo também é preciso saber estar pronto para a possibilidade da fornalha. É preciso saber honrar aos reis, mas também é necessário conhecer e discernir o momento de não se dobrar aos fulgores de impérios e nem a estranhos editos.

Conhecendo o tempo, é preciso ter o senso, a certeza e a consciência dos efeitos e resultados das curas e milagres de restauração na vida de muitos coxos, porém é necessário saber como chegar diante dos sacerdotes e capitães dos templos para dar contas às respostas de revanchismos e levantes.

Conhecendo o tempo, é preciso notar a necessidade de despertamento de um tipo de sono que tem inertizado muito boas vontades e nublado muitas mentes. Um tipo de sono no qual enquanto dormita o foco da visão, obscurece as capacidades de exercício e aplicação do discernimento e da proficiência.

Um tipo de sono no qual dorme-se naturalmente acreditando que se está despertado espiritualmente. Enquanto isso o calendário passa e o fator tempo faz cobranças, desafia rumos, revela e aponta imprudências, sintomatiza deficiências, traz a lume imprevidências e imperícias. 

Genericamente, o sono é um estado de repouso, inércia e moleza durante o qual o organismo entra em desaceleração do seu metabolismo e na suspensão parcial e temporária da consciência em relação ao contexto real. Um estado de relaxamento processado periodicamente.

Há vários tipos de sono, e nem todos conhecem os seus detalhes e nem para eles atentam. E para cada um deles a Escritura Sagrada emprega uma forma e figura diferentes de linguagem. Há o sono na área natural, objetiva, mas também existe o sono na área espiritual, subjetiva. Enquanto o sono natural é benéfico e necessário, por outro lado o sono espiritual é extremamente nocivo e terminantemente prejudicial em toda e qualquer circunstância.

O sono natural é um bem necessário dentro de seu limite e propriedade. Esse sono é tão bom e reparador enquanto for próprio e preciso. Mas, mesmo assim, ele pode oferecer oportunidade e espaço para o arqui-inimigo oportunista semear o seu joio no meio daquilo que com cuidado, esforço e dedicação foi plantado.

O sono espiritual é um estado perigoso, visto que assim como o natural, ele também mergulha o indivíduo na apatia, na frieza, na indolência, na perda de sentidos e noções dos contextos. Enquanto os homens dormem espiritualmente, o inimigo oportunista espreita e ronda buscando e montando suas investidas para enfraquecer bases, paralisar movimentos, inutilizar estratégias, aprisionar mentes, travar esforços e desviar projetos.

Assim como o natural, o sono espiritual pode também de certa forma afetar a alma e descalçar a razão, fazendo-lhes insensíveis e dormentes ao panorama e contextos. Assim como o sono natural, o espiritual pode levar à alienação ou à perda da noção do fator tempo. É muito possível e provável o tempo passar e não serem percebidos os detalhes de seus movimentos por alguém.

Ninguém jamais poderia descredenciar o tempo, desmerecê-lo, ignorá-lo. Quem tentou fazê-lo atropelou-se a si mesmo, foi tragado pelas próprias ignorâncias e caiu nos desmantelos da alienação, em grandes frustrações e profundos desalentos. Alguns destes se tornaram irreversíveis, visto que o calendário, o “cronos” e as capacidades físicas não voltam atrás. 

O tempo é um período cuja duração se especifica. Ele possui e apresenta conjuntos de condições, sucessão de ocasiões. Ele oferece oportunidades propícias e próprias para cada momento e realização, assim como também oferece e marca a noção de posicionamento e localização cronológicos. 

Alguns perdem tempo, e outros nele se perdem. Alguns ganham tempo, e outros com ele vencem. Alguns investem projetos e empreendimentos em torno do tempo, e outros dele lucram. Enfim, não se desconectar do tempo é sinal de espiritualidade, de inteligência, de perspicácia, de investimento, de ganhos e lucros.

Interpretar o tempo é uma ocupação desafiante, e apenas conhecê-lo teoricamente não basta. É preciso avançar a visão à frente por alguns quilômetros, antes de percorrê-los. É preciso perceber contextos algumas jardas além, antes de navegá-las. É preciso conhecer e identificar as épocas, para saber se mover nelas e dentro delas empreender. E isto nada tem em relação à adivinhação. Isto é sabedoria, perspicácia, inteligência, proficiência, vigilância e espiritualidade.

É preciso saber semear, plantar, com a propriedade de hoje para que se tenha o que ceifar, colher, com as ferramentas próprias de amanhã. Quem não é humilde e sábio para conhecer o tempo, também não é pronto para enfrentar o modo próprio de viver, semear e ceifar nele.

É preciso saber o que se tem, para então se saber como isso adequar legitimamente dentro de cada tempo. Além de saber o que se tem, também é preciso saber lidar com isso, do contrário perde-se dos propósitos ou até fulmina-se a si mesmo na ineficácia do que se pretende ou na ineficiência do que se emprega. Cada tempo possui os seus requerimentos, e o despreparo desfoca a visão de empreendimento abrangente.

O tempo é um elemento despertador. Há tempo para cada despertamento. E cada despertamento tem as suas oportunidades. E cada oportunidade tem o seu tempo cronológico de acontecer. Existem aqueles que se despertam para o tempo, mas também há aqueles que ainda recebem o prêmio de serem despertados pelo tempo enquanto em tempo.

Uns despertam cedo, outros despertam tarde, e felizes são aqueles que se mantêm despertados por conhecer o seu tempo. Porém outros lamentavelmente dormiram no tempo e para eles o tempo em sua frente passou por se recusarem, ou não se permitirem, ser ao menos despertados por ele. Deixaram de efetuar a semeadura própria e por isso colhem a ceifa imprópria.

Dormir no tempo é um perigo que somente é percebido depois que se desperta para ele. Dormir no tempo é sinal de erros e perdas. Quem dorme no tempo perde rumos. Quem dorme no tempo perde-se na exeqüibilidade e descarrila-se da adequabilidade. Quem dorme no tempo fixa-se em padrões e é movido da essência. É deveras fácil se apegar a regras e padrões e distanciar-se da essência e da natureza.

Dormir no tempo é ver com os olhos determinados e dirigidos limitados apenas sobre padrões e regras, e perder-se na sensibilidade que deveria aplicar para perceber e identificar natureza e essência. Dormir no tempo é ver o Mestre Jesus de Nazaré com os olhos e não percebê-lo e não identificá-lo pela Sua natureza e essência do que Ele é e muito menos do que Ele fala e quer.

É muito fácil se estribar sobre as certezas escrituradas nos padrões e regras visualizados nos sinédrios e concílios e ao mesmo tempo, por dormir no tempo, ser acometido da cegueira em não enxergar natureza e essência da salvação esperada por eles.

Não foi vão o que o Senhor Jesus ensinou ao dizer “coais o pequeno mosquito, mas engolis o camelo” Mt 23.24 (KJV). O mosquito, considerado pelos religiosos da época como o menor ser vivo impuro. E o camelo o ser vivo impuro de maior tamanho. Os fariseus viram e observaram o tradicionalismo, entretanto perderam a noção do tempo, não enxergaram a natureza e a essência do esperado Messias tendo Ele no seu meio. Foram incapazes de verem além da bitola e dos limites.

Dormir no tempo é apenas ver com os olhos, porém não aprender com o íntimo sobre as coisas que nele acontecem e não apreender as lições que ele oferece. Uma das virtudes que o tempo ensina é a de esperar. O tempo coopera com o ensino e com a esperança. É preciso saber diferenciar entre esperar e dormir no tempo. Alguns dormem no tempo equivocadamente acreditando que estão em espera, e terminam por se perderem dos trilhos dormindo em pleno barulho do movimento das estações.

Dormir no tempo é permanecer estático e parado diante das demandas em todas as áreas da vida. O tempo ensina a se mobilizar adequadamente dentro de cada contexto. O desafio é se mobilizar dentro dos contextos sem perder a própria identidade, sem perder a própria essência e sem matizar a própria natureza. E mobilidade é uma capacidade requerida para aqueles que desejam concluir os anos de sua vida transitando pelas épocas sendo frutíferos, sem se desbotarem pelas influências, sem se desafinarem com as atualidades e sem serem absorvidos pelas conjunturas.

Feliz é aquele que aplica-se na mobilidade dentro dos contextos sem perder a sua identidade em face das demandas deles. Todos nós mudamos, e existem coisas nas quais precisamos ter a iniciativa de mudar, ou estar abertos a ser mudados. Do contrário, levantam-se muros e pederneiras, traceja-se linhas entrecortadas e descontínuas entre as gerações e estas perdem seus acessos entre si.

Entretanto, há coisas que são fundamentais e a vida está enraizada nelas. Afastar-se dos seus princípios seria divorciar-se da vontade de Deus expressa na Escritura Sagrada. Feliz é aquele que mobiliza-se no contexto sem perder as suas natureza, essência e identidade, por discernir com segurança os parâmetros de sua mobilidade atrelada a Escritura Sagrada.

Dormir no tempo é deixar de se preparar com as ferramentas próprias a cada contexto. Empregar ferramentas inadequadas é um péssimo sinal de inaptidão e dormência no tempo. Aplicar ferramentas impróprias a cada contexto é uma declaração de ignorância, imaturidade, inexatidão, imprudência e desordem. Cada tempo aponta para com quais ferramentas devemos e podemos trabalhar nele.

Existem ferramentas fixas e inamovíveis. Essas devem ser o elenco próprio e principal do cabedal de todas as ferramentas que possuímos, ou que estão disponibilizadas a nos favorecerem. A insegurança e a ignorância podem ser ferramentas sorrateiras que aprisionam quem não enxerga as ferramentas próprias que deve empregar para os seus contextos. Assim como o isolamento pode se transformar numa ferrenha e terrível ferramenta contra a nossa mobilidade.     

Dormir no tempo é deixar de aprender a arte do governo. Governar em quaisquer âmbitos e contextos é um desafio, mas também é uma arte. Nem sempre o controle da formulação e da administração significam a totalidade do sentido de governo. Há entranhas e nuances que revelam novos assuntos e novas situações desafiantes à arte do governo.

Governar também depende da aprendizagem adquirida e desenvolvida de acordo com o tempo. Governar é uma arte que impõe compartilhamento e participação. Governo que se restringe a metodologias e se isola do tempo deixa de ser governo para ser qualquer outra coisa que se queira classificar ou denominar, menos governo. Governo depende primordialmente do Senhor Deus, competentemente de conhecimentos, naturalmente de ambientes e especificamente de pessoas.

Cada tempo e seus contextos acendem luzes a todos, e precisamos enxergá-las e conhecê-las bem; precisamos saber discerni-las apropriadamente e quais ferramentas podem ser aplicadas ou somadas para resultados eficazes que ofereçam lastros de estabilidade ao nosso governo. Jamais podemos estar dorminhocos, sonolentos, digressos, anestesiados, diante dos fortes fachos reclamantes do tempo e dos contextos.

Além dos recursos dos aconselhamentos bíblicos, um remédio para enfrentar os desafios do tempo e manter a marcha enquanto se preserva a identidade é principalmente não dormir no tempo. Não dormir no tempo é aproveitar todas e quaisquer pessoas que Deus mova e nos disponha, assim como todas as oportunidades que o tempo nos ofereça para anunciar a Salvação e promover a edificação.

Não dormir no tempo é perceber que agora nossa salvação está mais próxima do que quando começamos a crer. Não dormir no tempo é notar que a noite na dimensão espiritual está alta e passando ao seu final e que a manhã nessa dimensão está por acontecer inesperadamente pelo mundo. Para tanto, precisamos nos revestir do Senhor Jesus a cada dia. 

Não dormir no tempo é com propriedade aplicar a célebre frase paulina “examinai tudo e retende o bem.” Fp 5.21 (ARC). É preciso examinar tudo e ficar apenas com o que é bom. Esse “bom” não tem qualquer conotação com relatividade, não é um “bom” na visão relativista. É um “bom” segundo a Palavra de Deus.
PbGS




quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

RECICLAGEM – A ÊNFASE DA ÉPOCA...

RECICLAGEM – A ÊNFASE DA ÉPOCA...

Reciclar não é inovar, e sim renovar.


Nesta oportunidade venho aos diletos leitores de diferentes gerações com uma palavra consideravelmente muito oportuna em tempos de fortes transições e significativas mudanças. O tempo dos saltos, avanços e das grandes oportunidades é chegado. Quem foi de gerações anteriores e está sendo presenteado em viver neste tempo juntamente com a geração atual, tem o privilégio de haver sido também agraciado em presenciar o transcurso de acontecimentos das épocas e suas ênfases.

Atravessamos o tempo com as suas épocas, e em cada uma dessas há suas ênfases. É preciso saber compreender a existência de valores renováveis, assim como estar vigilantes aplicando nossas capacidades de percepção e de inteligência para saber discernir, entender e lidar seguramente com tato e sabedoria para com as épocas e suas ênfases. É preciso saber o que se deve seguramente fazer para que os valores sejam mantidos protegidos e renovados, e como precisamos empreender e realizar cada ação ou projeto neste tempo e para tempos futuros mantendo-nos atrelados nos ensinamentos da Palavra de Deus, na revelação progressiva da Escritura Sagrada e nos marcos deixados por homens fiéis e idôneos que tem nos ensinado.


Para alguns não está sendo nada fácil transitar neste tempo com as suas realidades diversificadas. Outros encontram dificuldades para lidar com as ênfases das épocas deste tempo convivente com a dualidade e a dubiedade. Para esses tantos tudo lhes parece como um surgimento desigual de desencontros irreverentes, desastrosos e desastrados. À sua primeira vista, tudo lhes parece ser contrariador e opositor. Para esses há uma semelhança com uma disputa tipo quebra-de-braço, na qual o confronto de forças constante e contínuo se mantém acirrado alimentando desconfortantes choques aparentemente irremediáveis e sem tréguas.

Para outros o sucesso bate à porta ao buscar atravessá-lo equilibradamente. De certo que alguns tentando encontrar êxito, e buscando e seguindo tentativas experimentais, enveredam-se em caminhos divergentes daqueles princípios imutáveis ensinados na Escritura Sagrada, mantendo-se duvidosamente nas margens e guiados por ventos idealistas, enquanto outros amigavelmente diluem-se ou são diluídos no meio das épocas e suas ênfases.

Mas também que podemos dizer de tantos outros que prosseguem avançando ricamente pautados na trilha do sucesso subindo a escalada firmes nos referenciais e confiantes no que estão produzindo seguramente na direção de Deus. Existem segredos que coroam e envolvem essa escalada, e podemos seguramente observá-los sem nos permitir ser arrastados e cativados pela dualidade e pela dubiedade, nem pelas demais portas do sincretismo amistosamente parceiro da conivência e da conveniência.

Cada tempo possui as suas épocas com suas ênfases, e tudo que precisamos para atravessá-los de forma segura e apropriada a princípio fazer é identificar suas características, medir suas abrangências, conhecer as necessidades, trabalhar e mover-se dentro da exeqüibilidade e de olhos bem abertos a adequabilidades, corroborar a firmeza no que é imutável, persistir na qualidade, saber adequar as circunstancialidades ao padrão predestinado e preestabelecido e acompanhar o desenvolvimento sem perder a identidade e a natureza nos princípios que recebemos. Negar o passado com seus detalhes e contingências seria desastroso, e não se preparar para o futuro seria negligência.

Tivemos a época da ênfase sobre o durável. Tivemos a época da ênfase para com o descartável. Estamos na época da ênfase no reciclável. O novo tempo chegou oferecendo oportunidades para a promissora perenização mediante a reciclagem. Somente se arrasta e perde-se em conflitos e sucumbem em insatisfações quem erroneamente quer e distorcidamente interpreta este tempo e se deixa ficar estaticamente plantado sem diretivas, confinado e preso nas cadeias do inconformismo, haja vista que a reciclagem abriu suas portas. Na verdade vivenciamos a época da atualização. Basta saber o que fazer e como fazer diante da ênfase oportuna da reciclagem e logo abre-se a porta da corroboração, da atualização e conseqüentemente da renovação.

O durável e duradouro visa sempre manter-se no padrão da sua alta qualidade. O seu elevado valor e a sua plena confiabilidade são mantidos com vistas a permanecer integralmente servível até perderem sua utilidade total pelo tempo de uso. O durável não troca a sua natureza e mantém o seu cerne original. É feito para atender todo o tempo enquanto durar, conservando-se no mesmo estado, com as mesmas qualidades, com vida resistente e prolongada. O durável tem a capacidade de atravessar o tempo e as épocas em pleno uso. A relação tempo e uso determina a sua duração estimada em condições normais e adversas.

O descartável possui as suas características próprias que se aliam às suas funções e suas aplicações para atenderem a necessidades momentâneas. A instantaneidade e a transitoriedade são itens visados pela praticidade dos descartáveis. São feitos para atenderem a momentos. Não se pode esperar durabilidade, futuridade e complexidade no descartável. O descartável é literalmente jogado fora logo depois de ser usado e geralmente não é levado em conta. Quando se trata de atender a emprego confiável e prolongado, o descartável é deixado de fora, é naturalmente excluído, rejeitado e ignorando, por atender apenas a contingências de curto prazo. Daí se nota a ausência de profundidade e a pouca importância do descartável quando se exige algo que não se torne em refugo inútil imediatamente depois do seu primeiro emprego.

O reciclável tem seu valor, posto que visa atender a demandas temporais e previsivamente sua durabilidade e utilidade dependem de renovação periódica e sequencial para que atravesse o tempo sendo útil, servível e prestável. O reciclável é feito para atender dentro de ciclos de dependências renováveis. Os recicláveis são passíveis e possíveis de sofrerem renovação para atravessarem tempos sendo útil e servindo a novas utilidades. O reciclável pode sofrer atualização, pode ser recuperado, aproveitado.

Já experimentamos apropriadamente cada uma dessas épocas com suas ênfases. E cada uma delas nos trouxe novidades espetaculares. Cada uma nos trouxe novas lições e nos tornou mais fortemente discernidores e sensivelmente exploradores de novos rumos sobre os imutáveis trilhos seguros com seus marcos antigos. Certamente acertamos mais e erramos menos quando sabemos lidar seguramente com os tempos, suas épocas com suas ênfases sem perdermos a nossa fidelidade e a nossa identidade ao que fomos propostos a seguir e a fazer.

Tivemos um tempo em que a ignorância e a incapacidade alimentadas pelas forças da inveja e do revanchismo “inspiraram” o fim do durável para ceder lugar ao postiço. E o que mais se viu nesse tempo foram tantos descartáveis que se atormentaram mutuamente ao competirem com os seus colegas impostores. E o que mais estes aspiravam era abafarem os duráveis para serem reconhecidos como se também duráveis fossem.

O durável sempre atendeu e satisfez às mais diversas necessidades com marca, qualidade, potencialidade, originalidade e notoriedade. O durável jamais pôde ser suplantado pela efemeridade dos aplausos aos descartáveis. E na corrida desajuizada, afoita e ansiosa para entremeterem-se entre os duráveis, os descartáveis tentaram mudar seus coloridos, seus enfeites, suas ofertas, porém tudo que conseguiram foram relances oportunistas. Quanta falta fez o legítimo e verdadeiro durável...

Tivemos um tempo em que a imprudência difamatória e a avareza impenitente na ânsia de se promoverem, propagaram forçosamente o fim capital do descartável anunciando e justificando afoitamente a fantasia enganosa do artificial. E o que mais foi visto nesse tempo foram as confusões ilusionistas do artificioso ferrenhamente concorrendo com o descartável para tentar ultrapassá-lo e estabelecer lugar junto ao durável.

O artificial buscou estrategicamente desmerecer o durável, porém tudo que conseguiu foi atingir o descartável e cair literalmente na custódia das mãos piratas. O artificial para sustentar a sua pujança ilusionista tenta de todos os meios se abrigar no esconderijo do eufemismo para atenuar conceitos sobre a sua natureza artificiosa utilizando a metamorfose de palavras para os que lhe são atribuídos. Quantas inverdades inventaram contra o durável, e coitado do descartável que no meio dessa guerra ficou perdido e desbotado e nunca pôde ser igualado e nem ao menos assemelhado ao durável, ficando sempre a mercê do refugo permanente...

Tivemos um tempo em que a necessidade e a sensibilidade sofreram um forte despertamento ao se aperceberem dos prejuízos dos descartáveis e das perdas dos duráveis, e logo mais que depressa encontraram a porta espetacularmente milagrosa para o reciclável. Enfim, veio a ser ótimo o pesado sono haver chegado ao fim, mesmo sendo despertado aos trancos do pesadelo ameaçador da inutilidade fatal. A boa nova da possibilidade de reciclagem chegou aos ouvidos atentos, subiu ao pensamento inteligente, desceu ao coração fértil e sensível e externou-se em sucessivas alegrias e promissores horizontes. Que bom que a grande saída chegou, aproveita quem a apercebe e pode, e se permite ser reciclado quem sente e deseja...

Em tudo isso coisa alguma foi em vão, porquanto todas essas épocas têm nos ensinado pontos extraordinários para os demais segmentos da vida. Atualmente é lamentável que pouco se busque ser durável, mas também em contrapartida a procura desejosa paga o pesado preço tateando a todo custo encontrá-lo. De lentes corretivas nas mãos, a crise motivada pela miopia e pela visão borrada está chorando e procurando o durável, porquanto foi massacrada, entristecida e depois de tanto haver sido enganada se desiludiu pelas alegrias e alegorias do avivalismo infrutífero, pelas traições e malefícios causados pelas constantes mudanças de capas do impostor e do artificioso. Quanto desrespeito e banalização foram vistas, e quase houve prejuízos incalculáveis...

Quase sempre o conformismo da facilidade instiga a se adaptar e se acomodar ao descartável. E sem contar com a ausência de responsabilidade, a negligência, o desleixo e a falta de zelo, surge a ilusão preferencial e econômica em insistir empregar o descartável como se este fosse durável, e o que sobram são apenas as cinzas e a fumaça do que se foi e hoje não é mais, em função de nada significante, frutífero e útil haver deixado. Sobre o descartável predomina a lei do momentâneo, e os fantasmas do esquecimento, do refugo e da rejeição lhe rondam depois do seu momento de utilidade. O descartável é desprovido de consistência e sua pouca significância se revela na sua incoerência.

Aparece algum valor real no descartável quando este oferece a possibilidade de se tornar reutilizável mediante a submissão ao processo de reciclagem. Felizmente estamos convivendo numa geração que demonstra alto grau de inteligência humana, mas que também sintomatiza graus de sensíveis deficiências espirituais. Colocar no pódio e aplaudir o descartável e o postiço em detrimento do durável reciclado seria um triste e contundente sintoma de perda do senso de distinguir diferenças e valores.


Todavia em tudo é preferível o reciclável. Que bom que chegamos ao tempo da ênfase no reciclável. Tanto o durável como o descartável estão tendo a oportunidade de se perenizarem desde que possibilitem a se permitirem ser submetidos ao extraordinário benefício da reciclagem e suas fases. Por que ser apenas durável, se existe a chance de permanecer atravessando épocas sendo naturalmente renovável. Ser durável é excelente, porém melhor atravessar tempos e épocas se beneficiando com a reciclagem. Por que se conformar sendo apenas descartável, se há a oportunidade de se tornar durável e sair da constante ameaça predestinada do descarte se dando a chance de ser refeito e moldado pela reciclagem.

Qual será o futuro do durável se este não se permitir tornar-se reciclável? Qual possibilidade de futuro do descartável se este permanece não-confiável e inconsistente por não ser durável?

Se atrapalhado pelos medos, inseguranças e pela ausência de convicções, o durável pode ser diluído no meio dos descartáveis. Se artificializado pelas conjunturas dos modismos momentâneos e fantasiosos, o descartável pode se perder no tempo e sem que se aperceba ser posto rejeitado na ciranda dos impostores e por conseguinte perder a possibilidade e probabilidade de novas e oportunas renovações e da sua utilidade por não assemelhar-se ao durável e sair da validade para reciclagem.

Aperfeiçoado pelas capacidades de perceber posições para cada necessidade requerida e pela primordialidade de se perenizar distinguível, renovável, servível e utilizável, o reciclável ganha a capacidade de avançar de forma seguramente confortável, inteligente, apreciável, confiável e promissora sem perder sua natureza, seus propósitos, suas funções e sua razão de existência.

O melhor seria se o durável jamais se permitisse se tornar descartável e se inclinasse a reconhecer a necessidade premente de se fazer reciclável. O mais importante não é apenas durar e muito menos descartar, entretanto se permitir reciclar. Durar, sempre. Descartar, jamais. Reciclar, continuamente.

Agora, concluindo este artigo, chego ao momento elucidativo do seu cerne, convidando os caros e generosos leitores a correlacionarem esta temática a tantas pessoas do cotidiano que encontramos sucumbindo, outras soçobrando, na terrível teia do inconformismo e do revanchismo desfavorecedores. Busquemos em todo tempo ser duráveis sendo recicláveis, alcançando sucessivas vitórias, e se possível nos fora, continuarmos causando excelentes influências em promover incentivos e encorajamento para boas transformações nos descartáveis. O tempo em que estamos atravessando está propício para contribuirmos persistentemente com a ênfase da época dos recicláveis.

Ao durável que anseia permanecer durável, recicle-se! Ao descartável que deseja não continuar sendo descartável, recicle-se! Ao que espera reciclar-se, então esforce-se, persista e sobretudo apresse-se para a reciclagem. O tempo está passando e as recompensas resultantes da reciclagem renovadora são deveras promissoras.


Reciclar não é inovar, e sim renovar, atualizar, sem perder a identidade, a qualidade e a natureza...


Portanto, permita-se ter a bênção de se reciclar e aproveite a reciclagem.
PbGS
www.glaukosantos.com