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quarta-feira, 29 de julho de 2015

A ILUSÃO DA SOBERBA

O VIRUS DA SOBERBA
Uma virose que ilude corações e destroça vidas
Na Bíblia Sagrada escrito está que a soberba precede a ruína e o espírito altivo vem antes da queda. Na Bíblia Sagrada está a palavra “soberba” que traduz a dos textos originais, a saber: “huperephanos”, cujo sentido bíblico é “mostrar-se a si mesmo acima dos outros”, “querer aparecer ou se manifestar muito acima dos demais”. Soberba possui estreita ligação com o desdenho, a arrogância, a altivez, o orgulho (não gabardia). Nunca devemos confundir a soberba e o orgulho com a gabardia. A soberba estraga e desafora e avilta a gabardia. Toda soberba é um mal sinal indicador da presença de excessos, imoderação, inchação.

A soberba é uma ferramenta terrível que se reveste de cores variadas e se lança de modos diferentes. A soberba chega a vestir roupas da falsa humildade para se passar como se na verdade humildade fosse. Ela tem a força de se ocultar por trás de nomes, rótulos, empreendimentos, projetos, planos, gestos e falas. A soberba é como um prato que somente aparece do meio da festa para frente. A soberba sempre lampeja indicativos para dar mostras que o final da festa está chegando.

A soberba é um dos fatores com os quais pessoas têm se complicado ao longo da história humana. Gentes de todas as camadas sociais já passaram por algum inchaço da soberba. Felizes são as que saem dela sem arranhões e sem haverem sido sequeladas por ela. A soberba atrai o ódio e se assemelha a um animal perigoso cuja mordida provoca feridas profundas. Nunca se confunda entre soberba e autoridade, e entre arrogância e ímpeto. São fatores diferentes, todavia um pode abrigar o outro ou serem interpretados tortuosamente.

A soberba é um dos elementos que por vezes se coloca como causa, mas também assume posição de efeito. Fama, prestígio e poder são três elementos com os quais nem todo homem sabe lidar e equacionar os vieses de cada um deles. A soberba tem derrubado não poucas pessoas. Reis e monarcas foram sentenciados por ela, e em função da mesma tiveram perdas sobre perdas. A soberba entrou no  anjo Lúcifer. Deixou um exemplo que o tornou em Satanás. Por causa da soberba, aquele que brilhava tornou-se trevas. Aquele que somava tornou-se um divisor. Aquele que convivia em harmonia tornou-se um inimigo em si mesmo. Um exemplo resultante da soberba a ser visto por todos os mortais.

Apesar de todos os exemplos e fatos, a síndrome de Lúcifer, continua encontrando guarida em não poucos corações. Os anos se passam, e aqui e ali e acolá vezes por outras surgem pobres corações contaminados pelo vírus da soberba. A soberba tem descarrilado não poucas vidas. Já destruiu elos da comunhão. Por causa de soberbas,  profetas, escribas, apóstolos e discípulos já foram feitos vítimas delas. Hoje continua vitimando pessoas do altar. Pregadores e cantores que um dia já foram servos, hoje vitimados pelo vírus da soberba se tornaram senhores opulentos pelos inchaços dela.  

A humildade e a predisposição para ela existe. E nunca terminemos de acreditar na existência da humildade, mesmo quando a falsa regra tenta ditar que a soberba faz parte da normalidade e nunca cai de moda. Nenhum espetáculo da soberba se sustém de pé e tampouco vai muito longe, posto que cedo ou aparentemente tarde a própria soberba corroerá o fio do equilíbrio ou desarticulará os mosquetões do picadeiro dela mesma. Sem que se perceba, silenciosa e progressivamente a soberba abate e faz o soberbo despencar do espetáculo.

A soberba manifesta numa vida jovem é bem mais fácil de ser perdoada e corrigida do que quando se instala num  coração maduro. Aquela porque poucas quedas tiveram que a entalhasse cortes e esta porque pelo tempo de experiências e vivências já deveria ser mestra em fugir dela por conhecer as dores de seus cortes. A soberba trai a pessoa do soberbo pela sua própria altivez e o prende em malhas da rede de demagogias. Quase sempre os soberbos são amantes da falsa coragem e da demagogia.

Os males do ufanismo e do gigantismo da soberba têm causado desperdícios e prejuízos em tribunas e púlpitos. Assim como feito danos em não poucos corações entre públicos. E quando a ignorância menospreza conselhos sábios e despreza as linhas bíblicas, mais as cópias da soberba se reproduzem nutrindo a mediocridade. Todo soberbo possui coração litigioso e espírito contendor. Da queda da soberba, dificilmente o soberbo sai ileso do poço dela e mais difícil ainda se levanta sozinho do fosso de vergonha que o abrigou nela.

A Bíblia Sagrada ainda está dizendo e aconselhando, instruindo e orientando, batendo e enfatizando, a que nenhum homem seja soberbo. Todo soberbo enquanto no seu auge cria e abre caminhos desaforados enquanto com isto fecha portas da compaixão e cerra portões para a misericórdia. Quem nunca enxerga os perigos da soberba é o próprio soberbo enquanto exaltado pela altivez dela.

Soberbos se contentam com escudos de cobre e desmerecem o alto valor e significado de escudos de ouro. Para o soberbo, tanto faz o brilho de um como o reluzir do outro. Para o soberbo, a diferença das coisas está apenas no campo seletivo interesseiro dele. O soberbo apenas visa tronos, status e posição, e as demais coisas somente se essas convergirem para o seu campo de interesse pessoal que contente e satisfaça a si. Ao soberbo o que mais importa é que haja brilho imediato diante de si.

Alguns antes de se tornarem soberbos começam nas profundezas da lama. Outros começam sobre tamancos alheios. E do meio para o fim sempre ambos buscam estar nos píncaros da altivez arrogante e sempre desconhecem aqueles que lhes emprestaram tamancos enquanto nos seus dias calçados com sandálias da falsa humildade e das aparências. A soberba despreza o sacerdócio alheio, denigre e avilta a legitimidade de quem na simplicidade, no suor e em lagrimas abriram caminhos antes dos que vêm depois.

Que nenhum de nós venha desprezar o vinho da simplicidade e se embriagar com o mosto da soberba. Que nenhum de nós venha abandonar o azeite perfumado da humildade e se lambuzar com a graxa fétida da soberba. A soberba que derribou o anjo Lúcifer até hoje continua enlameando e fazendo gentes despencar. Uma sugestão amiga: Fuja da soberba enquanto ela esteja apenas rondando a varanda do seu orgulho e a sala da sua gabardia. Ainda prevalece e deve predominar a simplicidade e a prudência ensinadas pelo Mestre da Galiléia.
EvGS




terça-feira, 23 de junho de 2015

APÓSTOLO "ZÉ". CONHEÇA!

APÓSTOLO “ZÉ”.
Atos de um "apóstolo" atual. Reflita!
Um currículo quase que interessante. Leia as declarações pessoais do apóstolo Zé. Declarações apostólicas modais atualizadas, proferidas do apóstolo Zé na primeira pessoa do singular, própria e comum de um “apóstolo atual”. Qualquer história ou fato reais parecidos ou conhecidos ou semelhantes são apenas mera coincidência. Leia, pense e reflita.  

1 – ATOS DE NOMEAÇÃO: “Me considero um apóstolo. Ninguém me nomeou. Nunca precisei de homem algum para me nomear. A “bíblia” já me nomeou diretamente. Tenho que me fazer “amigo” e buscar “parceria” de alguém porque sozinho ninguém vive, não é mesmo?! Comecei sofrendo... sofri muito... Me converti... e vim me humilhando e sendo humilhado... até que um dia “deus” falou diretamente comigo e eu dali em diante passei a dar ouvidos o que aquele povo dizia para mim! Fiz uma “viagem” e voltei transformado! Hoje... não tem mais quase nenhum daqueles... quiseram “se fazer” nas minhas costas, então “orei” para que “deus” passasse uma vassoura “santa” do “céu” e limpasse tudo! O sinal de “deus” na minha nomeação é que aqueles que “se levantaram contra mim” estão hoje na platéia e me vendo no palco! Para que nomeação mais do que essa?!”

2 – ATOS DE CONFIRMAÇÃO: “Todos que conheço já me chamavam de apóstolo e eu cheguei a esta conclusão pessoal de experiência entre eu e “deus”. Custei muito tempo para entender essa “chamada”... levei dois anos! Tanto que em meu carro está a placa gravada com tipos garrafais para poder ser identificado aonde quer que eu vá e seja de todos visto e todo mundo saiba que existe apóstolo sim! Adoro quando o povo se levanta animado me aplaudindo e bradam em alta voz pra mim “Esse é o nosso apóstolo marreta!” Vou aos píncaros de glórias!” O meu povo gosta, e eu me vejo confirmado no meu “ministério apostólico”. Para mais confirmação do que esta?!” Sou igual a Elias! Fui chamado e confirmado sem ter nome! E eu trabalhei para confirmar e fortalecer o meu ministério! Eu... o apóstolo Zé... trabalhei muito para montar o meu ministério! Hoje está aí... confirmado depois de uma consagração extraordinária de doze litros de azeite extra-virgem purinho e “orado” no monte e derramado sobre a minha cabeça!”  

3 – ATOS DE AUTORIDADE: “Minha autoridade espiritual está acima de todos os homens. A minha autoridade é inquestionável. O que eu dito, meu povo segue na risca. E se não aceitar o que o apóstolo Zé diz, é porque não está preparado para servir a “deus”, e nem que eu apresente o “desobediente” a “deus”. Subo os montes e desço as grutas para buscar a “deus” e buscar os mistérios das revelações nunca vistas antes.” Não preciso procurar aconselhamento de ninguém! Homem só atrapalha! E tem outra coisa... se eu fosse me apoiar em autoridade de homem, eu não teria chegado onde cheguei, veja o meu apostolado! Você acha que quem tem uma multidão dessa como é a do meu ministério apostólico, é coisa de homem?! Eu, o apóstolo Zé, não brinco de ser crente!”

4 – ATOS DE COMPETÊNCIA: “Sou honesto. Não conheço ninguém mais honesto do que eu. E se aparecer, eu desafio. Dizem que sou soberbo, arrogante... mas isso é coisa da “oposição”! Não pego dinheiro direto “da mão de ninguém”. Não faço cobrança. Exatamente para que não haja ninguém me cobrando e me apontando de nada. Eu apenas utilizo o texto bíblico para de alguma maneira “dar uma sacudida espiritual” no meu povo. No meu “ministério” lidero o meu povo a seguir a minha competência de cobrar resultados de “deus”, porque quando o apóstolo Zé declara e profetiza, “deus” tem que dar! Por aí afora não sei! Mas no meu ministério, a palavra do apóstolo Zé é “cumprida na terra e aprovada no céu”!”

5 – ATOS DE DESEMPENHO: “Bom... o meu papel é mostrar o diferencial... é fazer a diferença. Amo, gosto e adoro estourar o meu povo no resplendor! Na minha tribuna sentam nas últimas fileiras os figurantes. Meu papel apostólico é fazer o exponencial do apóstolo Zé se projetar. No meu púlpito pregam somente renomados, e eu pago bem! Ninguém vai poder dizer que o ministério do apóstolo Zé paga mal... Tanto é abertamente verídico o meu papel que vocês vêem que só sentam ladeados do apóstolo Zé gente de grife e de nome. No meu apostolado, a fé é valorizada por demais! Fé é muito importante para um "ministério"! Pela fé apostólica, tenho vendido rosas, água, pedras, tijolos, remédios simbólicos, vassouras, enfim tudo! Pela fé tenho recebido de "deus", veículos, mansões, fazendas... e pobreza é coisa do "capeta"! Tudo pela fé! Na mão do apóstolo Zé chegou, e deu... tenha certeza que ficou bem empregado e bem investido... para "honra e seriedade" do apostolado! E outra coisa... sei que tem muita gente ressentida comigo.... são inimigos “de grátis” porque nas minhas competências não existe outro apóstolo Zé – só eu, que agora recente já estou pensando em adotar o que vários irmãos do meu ministério estão aclamando a mim como “pai, apóstolo, patriarca, paipóstolo  Elias”! Um papel muito importante o meu vai ser para as gerações, ainda que alguns sejam mortos, roubados e destruídos, por si mesmos.... Afinal não são todos que agüentam fazer “a obra espinhosa”, e a obra do “bicho capiroto” é de fazer assim mesmo contra as pessoas!”

6 – ATOS MINISTERIAIS: “No meu ministério, faço tudo pela criatividade. Amo, gosto e adoro ver o meu povo sempre alegre! A vida já está ruim e difícil no mundo... então, faço tudo para envolver e engajar o meu povo em “atividades mais atrativas”. Veja bem... temos tudo na presença de “deus”! O povo de meu ministério é um povo alegre e festeiro! Temos shows temáticos, espetáculos “ministeriais”, ringues, tecnologia do telão, unção extravagante com azeite de oliva extra virgem, purinho, vinho da alegria, danças a vontade! Recentemente, aprovei e lancei uma "bênção" criada pela "garotada", que é a boate gospel. Uma estratégia de "ganhar" gente pro meu ministério! Afinal, é o que o povo do meu ministério gosta! E cada povo tem o seu gosto... No meu ministério, “deus” fala comigo e me orienta a fazer o povo estar sempre alegre como disse o “meu colega” Apóstolo Paulo! Então, eu invisto em criatividade... gosto de aproveitar as idéias de gente criativa... levo isso para o monte da oração e apresento a “deus”. Se ele aprovar, e sempre ele aprova! Então, eu o apóstolo Zé, lanço a minha unção apostólica e agora a criatividade ungida é minha!"

7 – ATOS DE VISÃO DE TRABALHO: “Bom... estamos em um novo tempo! Todas as promessas já foram cumpridas! Não precisamos mais de ficar tão focados na Bíblia Sagrada porque nela já foi tudo revelado para nós! Já não vejo mais razões para doutrinar a igreja porque cada um por si mesmo já tem entendimento da Palavra! Vejo que o povo do meu ministério já sabe das coisas da Palavra! Não vou cansar o povo ouvindo e repetindo o que já sabem! Já não estamos no tempo mais de ficar cansando, enfadando, acrescentando peso, no povo! O povo já passa o dia trabalhando pesado, outros encarando problemas, e por que eu, logo eu, um apóstolo de consciência bíblica, iria ficar colocando mais peso em cima dos ombros do meu povo?! Não..., isso é farisaísmo pesado! Então, eu que “interpreto” a Palavra e “alimento” o meu povo, e minha visão é a de fazer o meu povo leve, unido, coeso, distraído, entretido, sem qualquer peso... Afinal, eu ganhei cada um deles e eu, apóstolo Zé, vou levar eles e apresentar direto a “deus” e dar contas de cada um deles lá”!”

8 – ATOS DE MINISTRAÇÃO: “OK... para mim a Bíblia Sagrada está em primeiro plano! Admiro demais a Bíblia... Depois dos cultos fico na minha mansão apostólica, vendo os vídeos das ministrações do meu ministério. Tudo bem criativo, bem elaborado, bem planejado com a aprovação do meu apostolado. Adoro ouvir as pregações do meu ministério. As de fora dele não me interessam! As de meu ministério não enfadam, não tiram o povo do “céu” e nem cansam ninguém! Alegria e aplausos purinhos na presença de “deus”! Ando vigilante com o meu apostolado! Primeiro, entrevisto o pregador antes de ministrar para o meu povo! Segundo, dou sempre um alerta aos cantores para manterem o meu povo sempre em movimento de interação... numa comunhão distraída de problemas! Dinamismo puro para esquecer problemas da vida! No meu ministério, essa coisa de profecia e de cura divina só vêm se for para trazer alguma "edificação de benefícios e vantagens para o meu apostolado, e fora disso nada! No meu apostolado quem ora e cura sou eu, o apóstolo "Zé", porque ninguém no meu ministério apostólico é maior do que o apóstolo! Para pregar e cantar para o meu povo no meu ministério, tem que ter nome, render ofertas e trazer divisas para o povo “da casa”! “Acho” que para “deus” tudo tem que ser grande como “ele” é! Então, para mim... na minha visão atualizada... eu... apóstolo Zé... dou primazia à Bíblia Sagrada, contanto que seja minutinhos relâmpagos de pregação com uma mensagem sempre especial não reflexiva, nada de coisas que levem o meu povo a pensar e ficar depois pensando e comparando e discordando de coisas do meu ministério! Nada disso! “Acho” que ministrações são para trazer as pessoas para unir e fortalecer o apostolado em si...! Fora disso é coisa do “capeta”!”

Qualquer história ou fato reais conhecidos ou semelhantes, são apenas mera coincidência! Pense e reflita. Ore, interceda e chore pela igreja do Senhor Jesus, se tiver entendido o texto.
EvGS





quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

TROPEÇOS QUE ENSINAM.

OS TROPEÇOS DE ACABE.
Um poço de fraquezas, desequilíbrios e culpas
Um dos fatores que os homens encontram dificuldades em lidar com ele é o poder. Poucos são os que conhecem as suas trilhas e sabem lidar com a força do poder lhe investido e com o exercício da autoridade lhe delegada, conscientes das conseqüências e resultados de tudo que faz aos outros. No Livro de Deus estão registrados vários nomes, sobre cujos ombros repousaram o poder e a autoridade sobre o povo de Deus.

Olhando na ótica de juízo puramente humano, é possível que se diga que alguns desses nomes bem que poderiam passar em branco e não constar nas páginas sagradas. Segundo nossos julgamentos, na melhor das interpretações, esses nomes seriam dispensados sem sombra de dúvidas, posto que as suas histórias de obras receberam o triste resumo declarativo final “e fez o que era mal aos olhos do Senhor”.

Um desses nomes é Acabe. Foi um dos monarcas de Israel. Acabe recebeu o trono de Israel de seu pai Onri, e reinou vinte e dois anos sobre o seu povo Israel, em Samaria. Mas o rei Acabe não somente herdou o trono, contudo também herdou e continuou a história viciada no desastroso legado deixado pelo seu pai, a saber: “e fez o que era mal aos olhos do Senhor, pior do que todos antes dele”. Se o rei seu pai fez pior, o texto nos deixa ver que Acabe, seu sucessor no poder, fez mal mais ainda do que seu pai de quem herdou o trono. Mas, para que os fatos da vida do rei Acabe constam nas páginas sagradas do Livro de Deus?

Agora com o poder nas suas mãos e sobre os seus ombros  a autoridade investida, o rei Acabe poderia ter “dado a volta por cima”, se não apagando, pelo menos amenizando os feitos da velha história de seu pai, marcando boa pontuação, construindo uma nova história admirável e assim restaurando e promovendo o bom nome e o bom conceito de sua casa e de seu povo naqueles dias. Entretanto, o costume viciado de sua família palaciana desmedida somado aos tropeços de seus ímpetos insensatos o fizeram mergulhar sua vida aos poucos num poço de fraquezas, desequilíbrios e culpas, sem que percebesse as consequências. Quanto mais poder e autoridade uma pessoa possui, mais se torna exposta e mais força de influência exerce sobre as outras. Acabe parece não ter medido essa realidade.

Sua história ocupa quase oito páginas da Bíblia Sagrada nas versões em língua portuguesa, e nos deixa ver que por ser rei sobre um povo, Acabe desconheceu as suas responsabilidades para consigo mesmo, para com Deus e para com o seu povo, e delirou em equívocos a ponto de por em risco a sua própria vida, a de sua família, a de sua parentela e os limites de sua imunidade. Sua contumácia provocativa levou a si e o seu povo a sofrerem e padecerem debaixo de uma seca total durante um pouco mais de três anos, assim como a experimentarem derrotas e fracassos, mesmo debaixo de desmandos e falsas aparências.

Fazendo mal uso do seu poder e de sua autoridade, o rei Acabe parece ter imaginado que o seu povo e o seu reino fossem suas possessões pessoais particulares e privativas, ou um objeto de joguete político em suas mãos. Esqueceu de que reinar sobre o povo de Deus é uma oportunidade, um privilégio honrado, mas também pode ser um desastre vergonhoso, dependendo de como o governa. Acabe não mediu os seus atos, até que se viu sozinho e sem conselheiros sábios aliados. Acabe subestimou o mesmo Deus que o exaltou ao trono, e que um pouco mais de vinte anos depois o humilhou e o destituiu através de uma das piores formas que homem poderoso algum espera lhe aconteça.

Sem ser percebida, a sua cegueira espiritual alimentada pelo destemor a Deus e por um tipo insensato de coragem  obscureceu-lhe sua visão da vida, e o fez descarrilar o povo de Deus do seu bom caminho, assim como com que seus atos audaciosos viessem deixar registrados na história dos homens o que realmente leva uma família, sua parentela, e um povo à rejeição diante de Deus e à derrocada final e fatal debaixo de desprezos e desonras. Acabe foi mais além do vale de fraquezas pessoais. Ele atingiu o cume de um monte de mandos vergonhosos, de desmandos covardes, contra a saúde espiritual de sua casa e de seu povo, que era povo de Deus e não simplesmente um povo de seu “partido”. Um jogo de cobiças, covardias e soberbas formatou o seu caráter na dissimulação e no sentimento de inferioridade manhosos e velados.

Acabe quis inverter os valores e desfazer os marcos e rastros do seu povo assumindo uma posição hostil contra Deus e violentando espiritualmente o decoro e os valores morais e espirituais do seu povo, sem perceber que o seu potencial de liderança deveria ser para a glória de Deus e não para distorcer completamente as suas lentes morais. A ligação de Acabe com Deus estava fina e desgastada. O Deus que vela pela Sua Palavra e zela pelo Seu povo colocou o profeta Elias nos passos do rei Acabe, todavia este parece não ter entendido e assimilado os cuidados embutidos no recurso enviado por Deus para resolver os seus problemas, promover restauração de sua casa e viabilizar a preservação de sua parentela e reavivar o seu povo.

Para o rei Acabe, o profeta Elias era “uma pedra no sapato”, uma ameaça perturbadora e um criador de problemas, contudo pensando e correspondendo assim, o monarca simplesmente estava declarando e reforçando o corte final e conclusivo do fio fino e desgastado que lhe ligava a Deus. O rei Acabe conduzia a sua vida debaixo de falsas aparências, e sob elas jogava com a culpa e ao mesmo tempo se auto agredia com os seus sentimentos de inferioridade e de dissimulação. Acabe não sabia conviver com a verdade sobre si mesmo, e nem com o bem-estar e sucesso alheios, e nem ainda enfrentar os desafios de maneira justa e leal, e em vista disso tornou-se cada vez mais um emocionalmente desequilibrado e fraco, assim como um indivíduo facilmente manipulado e perdido em labirintos de medos e inconseqüências.

Acabe é a figura das pessoas que ficam emburradas e amuadas diante da superioridade e do bom senso dos outros. Acabe é a figura das pessoas que jogam com as ferramentas do revanchismo covarde e com a força momentânea da retaliação insana. O cego e insensato Acabe perdeu a oportunidade privilegiada por Deus de receber os louros provenientes das tentativas de restauração dirigidas por Deus através das investidas do profeta Elias para lhe estancar uma enxurrada de erros e desacertos perigosos que mais tarde receberam a dura sentença de desprezo e desterro extensiva a toda sua casa.

Hoje em dia entendemos porque aprouve a Deus fazer que no Seu Livro esteja registrada a história de um dos nomes de homens poderosos que passaram sobre a terra e tomaram um tempo de sua vida fazendo provocações a Deus mais do que os que foram antes de si no trono e violentando e desencaminhando o povo de Deus. A vida de Acabe está registrada para nos orientar a não agirmos com coisas iguais ou semelhantes como aquele monarca ora manhoso e ora soberbo e arrogante, quando lidamos com a força do poder e com o empenho da autoridade. Para nos fazer avisados dos perigos e tropeços que podem levar toda uma vida, uma família, uma parentela, um povo, ao poço de fraquezas, desequilíbrios e culpas.

A vida do rei Acabe está registrada também para nos dar lampejos de que os cuidados de Deus sobre nós, a nosso favor, podem estar residindo em pessoas que possam nos parecer sejam perturbadoras dos nossos intentos e modos de conduzir nosso caráter e as coisas e pessoas que estão sob o nosso poder e autoridade ou afetas a nós. A todo tempo, gentes estão despencando no despenhadeiro da desordem pessoal, da desonra moral, da rejeição e da reprovação. Umas despencando, mas outras se lançando, por desprezarem avisos e recursos de Deus, que as levariam a ser livradas de perder os freios de seus limites e torná-las vítimas tragadas pelas suas próprias mazelas contumazes e desaforos inconsequentes.
EvGS



sexta-feira, 4 de abril de 2014

FORMALISMO RELIGIOSO

Formalismo religioso
Guardai-vos desse fermento.
Os bons dicionários em sua maioria definem a palavra formalismo como sendo o apego excessivo a formalidades. A tendência de privilegiar e enaltecer a forma e as qualidades formais em detrimento do conteúdo e da realidade. A preocupação com a forma externa acima do conteúdo interno. Em suma, a formalidade visualiza prioritariamente a forma exterior, ao mesmo tempo em que despreza o conteúdo interior.

Para o formalismo importa que a forma exterior satisfaça e prevaleça, enquanto o seu cerimonialismo abafe e/ou afaste a realidade do conteúdo interior. Formalismo é uma palavra normal e aceitável em alguns âmbitos, mas também por vezes mal compreendida. Em algumas ocasiões e para algumas circunstâncias se cabe o formalismo. Ser formal não é sinônimo de ser fechado ou engessado. Todavia, como cada coisa tem os seus tempos e lugares, assim o formalismo tem os seus. Se o formalismo é para algumas coisas uma trava, o seu excesso é um desastre.

E um âmbito no qual o formalismo se faz ser por vezes chocante é no religioso. O formalismo religioso conforma a alma no desprezo dos valores interiores e no sono cerimonioso da prática mecânica de tradições; promove o arrefecimento da comunhão e contribui para o desfalecimento da fé e desrespeito aos valores interiores do próximo. O formalismo religioso afasta pessoa de pessoas.

O Senhor Jesus nos dias do Seu ministério terreno encontrou e defrontou-se com o formalismo religioso que estava imperando e campeando naquela época. O Senhor Jesus combateu forte e veementemente a prática do formalismo religioso no Seu tempo. E isso não foi em vão. O formalismo religioso atraia, concentrava e cativava a atenção para o que mais importava ser visto pelos olhos, enquanto a manifestação da alma e da essência do conteúdo interior estava sendo desprezada.

O formalismo religioso confere identidade e declaração de desequilíbrio, incoerência e desconexão com o real significado do servir a Deus e a do servir a vidas. Causa choques. Choca, afasta e intriga. Na área religiosa o foco original e legítimo concentra-se primaria e exatamente no conteúdo interior. É no interior onde está o ponto forte que emana, manifesta e reflete seu conteúdo para o mundo exterior.  

O formalismo religioso viabiliza o abrir brechas para a hipocrisia, e não obstante abre vagas sutis para a mediocridade comandar. É possível e louvável o ser sensato e equilibrado na formalidade, todavia é honroso e decoroso ser legítimo e coerente na informalidade. Enfim, um tempero que faz subir escadas sem se dar lugar para a soberba, e leva a descer degraus sem se dar espaço para o vil, o indecoroso e muito menos ao profano.

O formalismo religioso é desastroso, mesquinho e intolerante. Festeja e agita a bandeira de tradições e ao mesmo tempo entulha as vias da compaixão e desdenha da misericórdia. Engole o camelo e côa o mosquito. Critica o argueiro nos olhos alheios e se conforma com a trave nos seus próprios. O formalismo religioso fala alto e sua voz pode ser ouvida, entretanto os seus moldes jamais devem ser imitados. Invejar e apedrejar são a sua perícia, e exercer a misericórdia é a sua incompetência.

O formalismo religioso mantém pintado o sepulcro de cal e nele esconde seus restos ressequidos e sem vida. Nas esquinas faz contas e publica o mínimo de sacrifício feito por si e despreza e abafa o tanto de suor, sangue e lágrimas da exaustão e cansaço alheios. O formalismo religioso agrada ao que lhe apraz e sacia o seu ventre. Comunga, se conluia e busca a proteção aos pés do império de Cezares e joga e se diverte com o poder do Reino.

O formalismo religioso assiste de forma fervorosa e vibrante o “lavar das mãos” diante de causas cruciais. Muitas vezes sem que se aperceba, promove a vergonha pública da coroa de espinhos e da cruz. Por vezes e em ocasiões propícias a si, usa as reservas da prata para comprar a traição. O formalismo religioso sugere adesão e corre atrás de prosélitos, porque também é impotente, amordaçado e manietado em demonstrar e convencer da conversão. Somente se oferece aquilo que se possui.
O formalismo religioso imperceptivelmente abre espaços e promove de forma tola a plataforma do desmantelo. O formalismo religioso literalmente ama, zela e adora cada acentuação e pontuação das letras, todavia abafa, sufoca e extingue a coragem e a intrepidez do Espírito. O formalismo religioso é um ébrio tentando se passar por lúcido e equilibrado. É um manco que caminha encostado em ombros interesseiros e aproveitadores, e manqueja apoiado em muletas alheias. É um cego guiando outros cegos. Ata e amarra em si o viés das picuinhas e afrouxa e solta os cordões da insensatez, da insensibilidade, da desonestidade e da subestimação.  

O formalismo religioso polidamente destrata, açoita e oprime líderes, e desrespeita e humilha liderados. Ele não permite olhar para o chão a enxergar a água da bacia lhe cobrando lavar pés alheios. Porém trata o redil como se este fosse subdividido em currais cativos numerados para dar suporte a bancadas e câmbios que atendam aos seus fins para si. O formalismo religioso possui a eficiência sagaz de se infiltrar, se ocultar e se escudar em cargos e posições, com a finalidade de manter parasitariamente contínuos os seus maus hábitos rotineiros.

O formalismo religioso é um verdadeiro desastre vestido de polidez e causador de escombros. Enquanto elegantemente olha para o exterior e se preocupa com a mediocridade de aparências e performances, números e numerários, estatísticas e tributos, tragicamente esconde-se das incumbências e tarefas inerentes, clamadas pelas realidades. Ele foge e se oculta das vozes dos clamores lhe cobrando coerência e afinação de atitudes, ações e posições, a fim de evitar a queda nos perigos conseqüentes da insipidez.

Que o formalismo religioso seja mantido distante do coração dos filhos da casa do Pai. Não tenhamos qualquer afinidade ou simpatia pelo formalismo religioso. Que sejamos simplesmente discípulos do Mestre amado, filhos da comunhão e da liberdade conforme a graça de Deus que nos alcançou. Não sejamos colaboradores da fidalguia tola e da soberba vergonhosa produzidas pelo formalismo religioso. Sejamos tão somente ministros de Cristo e despenseiros fiéis de Deus entre os homens.

Não abracemos o formalismo religioso em detrimento dos princípios.
Deus seja louvado!
EvGS




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

TRONCOS OU RAMOS?

Troncos ou ramos?
Pensemos antes de consumar.
Disse o Senhor Jesus: "Eu sou a videira, e vós sois os ramos..." Jo 15.5-6.

A natureza é uma rica fonte bastante ilustrativa. Algumas coisas na natureza podem oferecer ensinamentos como recursos instrucionais, ou didáticos ilustrativos. Olhar para uma videira e meditar nas palavras dos versículos supracitados é perceber e compreender a verdade que o Senhor Jesus quer que saibamos e aprendamos sobre o nosso relacionamento pessoal com Ele e dEle conosco, assim como da nossa maneira de viver. Um dos assuntos que esse texto fala é da unidade em Cristo. 

Viver em unidade é uma das mais caras e raras práticas de vida. A unidade ensinada pelo Senhor Jesus não é uma utopia. Essa unidade é valor do Filho de Deus, e é jóia preciosa de cristão. Viver no aprisco do Senhor é perceber o desafio (não a impossibilidade) de se manter a unidade ensinada pelo nosso amado Mestre Jesus. Unidade requer alguns fatores relevantes. Sem estes, pode até existir a presença de ajuntamento, de reunião, de agrupamento, de mistura e de junções. Todavia sem eles, a de unidade não. Juntar gentes é relativamente fácil, posto que atenções são naturalmente despertadas por embalos de artifícios visuais e sonoros. Porém mantê-las em unidade ao longo dos anos é um desafio-mor.

Olhando com vistas humanas, dos fatores que a unidade requer, alguns deles são primordiais, a saber: a transparência; a coerência; a hombridade; a interdependência e o respeito mútuo. E olhando com visão espiritual, a operação desses fatores naturalmente requer tanto o favor da graça divina como o empenho e a sensibilidade dos esforços humanos. Em questão dessa unidade, anular a ação do Espírito nela seria uma brutalidade tola, e ignorar as ações humanas nela seria uma irracionalidade perigosa.

Ao longo dos anos, a visão do mundo secular vem forçando as portas dos santuários, oferecendo engodos ideológicos espetaculares e iscas filosóficas fantásticas que bem conflitam com a unidade ensinada pelo Mestre a nós discípulos dEle. Matar, roubar e destruir são ações nas quais o arqui-adversário é perito e destro no emprego de ferramentas para alcançar o que por milênios tem vindo forçando obter. Passam-se os anos, as suas estratégias assumem novas artimanhas, entretanto os objetivos são os mesmos.

Estranhas visões querem e influenciam a que nos vejamos incompletos, frustrados e decepcionados frente aos desafios em ter a unidade nos ensinada pelo Senhor, e venhamos a nos tornar insatisfeitos com ela tanto na sua verticalidade como na horizontalidade. Alguém anseia que venhamos perder a excelente visão fundamental de que somos ramos da videira verdadeira. Somos ramos da videira. Mas alguém está interessado a que passemos a não nos ver como ramos, mas sim como troncos, como se troncos independentes fôssemos.

A visão do mundo secular é um tanto criativa. Reconheçam-se os seus méritos em não poucas áreas humanas. Entretanto, sua aplicabilidade se faz ofensivamente contrária quando se trata da visão bíblica sobre a unidade ensinada pelo Senhor Jesus à Sua igreja. Não somos sindicato. Não somos agremiação. Não somos clube. Nossa estrutura de ramos não assimila parenterais estranhos que correm nas veias de troncos da divisibilidade movida pela sede de poder, pela fome do separatismo ressentido, soberbo e invejoso, inflamado pelas terríveis chamas do partidarismo.

O tronco pode existir e viver sem ramos. Todavia dificilmente os ramos subsistem e sobrevivem por si, sem a seiva do caule. Separe-se do caule e logo perderá toda a capacidade de viver como cristão e de como realizar as coisas agradando a Deus como diz as Escrituras. O mais que poderá fazer é arrastar-se no tempo embromando, e seguir passos angariando e garimpando méritos e lisonjas humanos. Se tornar apenas um tronco solto.

Certamente que no futuro o Senhor Deus vai pedir contas das razões pelas quais alguém se arrasta como tronco no presente. Estamos num tempo em que as fantasias da hipocrisia, os confetes da falsa humildade e as serpentinas do desamor ganancioso estão promovendo bailes e foliões às escuras, nas penumbras e às ocultas, a fim de que não venhamos nos aperceber dos perigos da ausência de unidade, e percamos o teor e o fulgor dela e passemos a ser não mais ramos, porém troncos, falsamente declarando estar sendo ramos.

E um dos terríveis perigos é o de achar-se estar sendo aquilo que já há tempos deixou de ser e não estar sendo mais. Figurativamente falando, alguns incômodos e decepções podem instigar algumas sedes e fomes que suscitam o forte desejo tentador de ser tronco ao invés de continuar sendo ramo. Querer deixar de ser ramo para ser tronco é um efeito das investidas da antiga serpente do Éden. Não basta se autoafirmar como ramo e na realidade tentar subsistir, ou estar sobrevivendo como tronco. É uma ilusão delirante, perigosa e anestesiante. Por outro lado, também é um prejuízo incalculável o ser ramo sem frutificação.

Nem pensar em ser tronco. Bom é ser ramo. E melhor e mais sábio é o ser ramo em plena forma de frutificação. Somos ramos, e não troncos. Quantos ramos se deixaram levar pelas altas ondas do mar da ilusão e sem se aperceberem de si mesmos assumiram a natureza e a característica de troncos. Troncos isolados tendem a secar e quando não se espera eles tombam, ou são tombados pela falsa auto-suficiência, autonomia ilusória. Ser troncos é coisa afoita e impensada. O bom mesmo é sermos ramos.

Então, que permaneçamos sendo ramos frutíferos como fomos feitos para ser.
Deus seja louvado!
PbGS