Mostrando postagens com marcador exemplo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador exemplo. Mostrar todas as postagens
sábado, 10 de setembro de 2011
VASTI – caráter e convicções.
VASTI – caráter e convicções.
Valores que possuem alto custo.
Na noite da primeira sexta-feira deste mês em curso estive pregando na rica abertura do 9º Aniversário da Igreja Evangélica Congregacional, no distrito de Cassarotiba, Maricá-RJ, em atendimento ao cordial e generoso convite formulado pelo nobre amigo conhecido de alguns anos e que lidera o digno e atuante ministério daquela amada igreja.
Foi uma rica e feliz oportunidade me concedida por Deus em haver reencontrado alguns outros obreiros e ladeado com eles a nobre tribuna sagrada. Foi uma linda festividade com a extraordinária e inexplicável marca da presença do Espírito do Senhor evidente no seio daquele numeroso e amável público. Deus provê pátrias e portas abertas para seus pregadores sérios e de conteúdo, comprometidos com Deus, com o povo do Seu Reino e com a Sua Palavra.
Dias depois, uma digna irmã em Cristo que esteve presente com o grupo liderado de sua igreja naquele alegre evento me localizou e dela recebi um telefonema dizendo-me não haver encontrado neste blog uma postagem cujo tema e conteúdo discorressem especificamente sobre a vida de alguma mulher da Bíblia Sagrada. Aquela conversa sugestiva e edificante me imprimiu incentivação e encorajamento, e também me fez refletir naquela carinhosa e cordata observação.
Os dias passaram e hoje, com respeitoso carinho sobre aquela observação refletida, venho nesta oportunidade estender também a todos os diletos e generosos leitores algumas lições edificantes sobre os episódios da vida da rainha persa Vasti, nos dias do rei Assuero (Xerxes), seu esposo e regente naquele trono conhecido na época desde a Índia até a Etiópia.
Daqueles episódios escriturísticos notamos que o mover do Senhor nosso Deus jamais será inteiramente concebido e nunca cabalmente compreendido por pessoa alguma. Tudo que o Senhor Deus faz, além de ter propósitos, tem suas razões, que muitas vezes são inicialmente inapercebidos e apenas parcialmente interpretados.
Da mesma forma como nos soa estranho saber que Deus abate a quem Ele quer, por mais auto-confiante e poderoso que esse alguém seja. E levanta qualquer um que Ele queira, por mais frágil, simples e indigno que pareça aos olhos e aos conceitos humanos. Também nos fala um tanto limitadamente assimilável que Deus cria e move esses feitos para a consecução e consolidação dos Seus planos e projetos.
Trabalhar, mover, transformar, usar, equipar e empregar as coisas loucas, fracas e insignificantes deste mundo são algumas das inúmeras especialidades do Senhor Deus. Deus abre os canais da história humana para imprimir e fazer serem notados o imenso brilho de Sua soberania e o grande fulgor de Seu poder na História. O Senhor Deus tanto lidera a História como desfaz e constrói histórias.
Deus transforma o mais amargo dos amargos e o mais péssimo entre os péssimos em mais doce e mais excelente. Da mesma forma Ele tira do cenário o mais doce e mais excelente para elevar e estabelecer o que não conseguiríamos definir, qualificar e classificar para substituir aqueles.
De onde há espinheiro, Deus o tira e faz nascer a sarça e crescer a murta. Há momento que Deus faz o eclipse da Lua apagar a sua luminosidade para que apareça a estrela que Ele convoca a mostrar o seu brilho e sua presença no momento em que Ele quer.
Às vezes é preciso que algumas coisas inesperadas se revelem nas oportunidades do mover de Deus e aconteçam para que saibamos lidar sabiamente, com tato e inteligência com coisas e pessoas que estão no nosso contexto e ao nosso redor. O curso das ações de Deus constrói ao mesmo tempo em que instrui.
Um dos textos da Sagrada Escritura que muito nos mostra essas verdades é o que está registrado no Livro que toma o nome de Ester. A judia Ester que veio a ser a rainha da Pérsia nos dias do rei Assuero (Xerxes). Esse livro contém, dentre muitas outras, as ricas e profundas lições que revelam até onde vai e sustenta o auto-senso de equilíbrio, de respeito, de pudor, assim como da força de caráter e a firmeza de convicções de uma pessoa.
Apesar de empolgantes e estimulantes, o mais lindo nesse livro não são os acontecimentos em si mesmos. O mais notável nesse precioso livro é, sobretudo, a revelação do poder, da soberania, da vontade e da providência de Deus sobre homens e reinos para movê-los em favor do Seu povo. Quando o Senhor quer cumprir a sua vontade e realizar o seu propósito, Ele move qualquer coisa e a faz estar inteiramente a serviço de Sua soberana vontade.
E visualizando essas lições supramencionadas, me proponho neste singelo artigo a trazer aos diletos e generosos leitores o foco sobre a rainha persa Vasti. Talvez, e seja muito possível que a maioria de nós tenha a atenção atraída em primeira mão para os livramentos concedidos a Mardoqueu, aos atos de justiça impostos sobre Hamã e os detalhes que culminaram nas vitórias concedidas pelo Senhor a Ester e ao povo judeu daquela época.
Todos esses detalhes são riquíssimos e sobremodo importantes e empolgantes, porém neste artigo preciso lhes trazer um pouco mais de perto ao terreno de Vasti, porquanto as lições da vida de Vasti podem lhe despertar a visão sobre acontecimentos até então não lhe bem compreendidos, não lhe satisfatoriamente aceitos.
Começo por lhe dizer que a rainha Vasti, enquanto no poder e no convívio do palácio persa, foi a rainha mais poderosa do Oriente Médio. Vasti exerceu autoridade e influência no reino durante os seus dias na co-regência do trono persa com o seu esposo rei, e mesmo depois de estando fora dele, ainda de certa forma durante o reinado de seu filho em poder daquele trono.
O nome de Vasti é originado do antigo persa, romanizado na escrita para Washiti, e possui o significado de “a mais doce”, “a mais excelente”. O nome estava intrinsecamente representado na formosura de sua pessoa e na beleza incomum de sua presença. A bela e linda pessoa de Vasti estava identificada, conferida e estampada no seu nome. Olhar para a beleza exterior de Vasti era enxergar a sua força de caráter e a sua firmeza de convicções residentes no seu interior. Valores interiores que lamentavelmente faltam em muita gente de nosso tempo.
Mas assim como para todos os homens, tanto o poder é transitório e possui restrições como os fatores humanos são limitados e passageiros, os de Vasti também foram. Apesar da fragilidade do seu poder, havia nela a manutenção de valores interiores que podem e devem ser cultivados por todo aquele que não se dobra a vontades desgovernadas, a ditames desmedidos e desmandos irrefletidos, com a cara de “cortesia conveniente e respeitosa à oficialidade do sombrio bom senso”.
As lições da vida de Vasti muito ferem aqueles que se vendem, se trocam, se auto-desvalorizam e se barganham em troca de favores, de titulações e de posições humanas transitórias e passageiras. As lições da vida de Vasti chocam diretamente contra aqueles que, a fim de se manterem no poder, na moda e na mídia, transgridem contra si mesmos, contra o auto-senso judicioso e contra as suas integridades moral e espiritual.
Chocam contra aqueles que mudam de carapaça, matizam e trocam de cores. Enfim, se submetem a fazerem qualquer coisa com o fim de serem mantidos no visual da popularidade e de um trono do poder. Aqui na Terra tudo isso é visto por um olhar conceitual e avalista, mas realmente não sabemos como é enxergado pelo olhar esquadrinhador no Céu.
Tudo começou a vir a lume quando o monarca persa promoveu um banquete no seu suntuoso palácio para os seus cordatos convivas. Havia dois ambientes separados e destinados cada um para um público confraternizar-se, como era o costume daqueles idos de então no mundo persa. Num ambiente concentravam-se os homens e no outro afastado dos olhos deles confraternizavam-se reunidas as mulheres.
Em meio a toda alegria e excitação do ambiente, movidas pela força da embriaguez do vinho, o rei Assuero no último dia da festa queria e mandou que a sua esposa, a rainha Vasti, fosse trazida do seu ambiente para desfilar mostrando a sua beleza e formosura diante da reunião seleta de ébrios congregados. Na passagem bíblica, o verbo “mostrar” traduz a palavra rā’āh no texto original hebraico, e possui um dos significados de “fazer desfrutar com os olhos”.
Aquele monarca estava acostumado a ter o que queria e terminou por receber o que não esperava. O nome Assuero era originado do antigo persa, cuja escrita romanizada é ‘ªhashwẽrôsh e significa “rei venerável”. Um venerável incorrendo no risco de se fazer desprezível.
Movido pela euforia da embriaguez e pelo seu capricho pessoal, o rei Assuero recebeu a inesperada recusa da sua esposa rainha Vasti em não ceder a se permitir a aquele seu capricho. Assuero se viu de brios tocados e humilhados. E furioso e indignado, o rei levantou-se diante dos comensais confraternos para resolver um novo problema que se instalara a partir dali afetando a família, o ambiente do lar, o ambiente da realeza e a sua representação social e política.
Para ele e seus convivas chocados, o quadro indicava nas suas óticas e pareceres um problema misto de quebra de autoridade, desrespeito conjugal, desprezo para com os convidados. Segundo os olhos humanos e costumes, o prevalecimento da recusa foi considerado como audacioso descumprimento ao mandado de um rei, ofensa, e o juízo sobre a rainha aparentemente audaz foi sugerido por um conselho como resposta à sua atitude de insolência. O que os maiorais temiam eram os futuros posicionamentos das mulheres perante aos caprichos desmandados e descabidos de seus maridos.
Para ela e suas convivas no outro ambiente, a iniciativa do rei seu marido foi um ato conflitante, desastroso e impensado. O rei fez uma exigência incomum. Ele queria expor a rainha, sua própria esposa, por um capricho pessoal inapropriadamente. Foi um ato impróprio, pois que feria as mulheres e também era incompatível à posição de uma rainha. A perda de sensos no mau emprego do exercício de poder muitas vezes expõe à execração vergonhosa e acarreta prejuízos desastrosos.
A quebra daquele ato impróprio e impensado do soberano monarca Assuero deu o início visível exteriorizado do agir de Deus. Nesse caso, a quebra começou pela atitude-resposta de Vasti ao mandado imprudente do rei. A posição de Vasti conferia exemplo e influência sobre todas as mulheres do reino, e sua atitude poderia de certa forma se tornar um guia para outras.
Para quem ocupa posição notável e influente é preciso refletir nos seus exemplos formadores de opiniões nos outros. Para que a vontade de Deus venha ser realizada, os acontecimentos vão sendo desencadeados e se mostrando, independente do conceito ou juízo que façamos sobre eles.
Na força da embriaguez e debaixo da euforia do banquete, o rei estava pondo em risco a honra dele, invadindo a integridade moral da esposa e promovendo escárnio do seu reino, assim como possibilitando e viabilizando um desrespeito insultuoso que iria se tornar publicamente notório. Além disso, mandou servos domésticos comuns trazer escoltada a rainha. O que era impróprio e incidia com isso em rotulá-la como um objeto comum de prêmio como mostra para exposição.
O rei embriagado quis quebrar protocolos, fazendo abuso insanamente de sua autoridade para agradar a outros expondo sua própria esposa como se faz com um troféu. Terminou por ser colocado em situação difícil e desagradável por seu comportamento desequilibrado. A influência eufórica do ambiente do rei lhe sacou do tino e da capacidade de pesar e medir as conseqüências do seu ato.
A atitude da rainha Vasti em resposta ao querer imprudente do rei muito pode ensinar e muito pode revelar a ação de Deus. Vasti com sua resposta demonstrou e deixou claro que sua força de caráter e sua firmeza de convicções independiam de posição e de poder, assim como tinham um valor a ser zelado primeiro por ela e que sua atitude de submissão possuía limitações. Esse poder e exercício de percepção estão faltando em muita gente hoje.
Quer fosse para mostrar sua auto-afirmação diante das suas convidadas, quer fosse para fazer valer os seus valores morais, ela foi mais autêntica, sóbria, lúcida, leal, legítima e prudente do que o seu próprio marido rei. Exercício de poder e consciência do senso de valores são dois fatores distintos, mas quando unidos em ação conjunta revelam virtudes extraordinariamente louváveis. É preciso ser próprio para não se tornar vulgar e impróprio.
A atitude de Vasti recebeu o conceito e o parecer de desprezo e acarretou indignação. Fazendo o que lhe pareceu por correto e ético, e preservando a sua moral e de seu esposo e lar, Vasti sofreu perdas enquanto Deus estava com isso trabalhando no silêncio. Deus honrou e valorizou a individualidade da pessoa de Vasti ao mesmo tempo em que estava preparando o caminho para levantar Ester. É preciso saber ser próprio para não terminar por se tornar em objeto de joguete. Vasti foi própria e autêntica.
Deus valorizou Vasti e recompensou o seu reino provendo sobre ela uma outra rainha tão linda e tão nobre, forte e firme quanto era Vasti. Vasti não perdeu o seu lugar no trono para outra mulher qualquer. A mais doce, a mais linda, desceu do trono para a estrela nele subir e ocupá-lo dentro da vontade e da provisão de Deus. Perde-se a posição e o trono, mas não se deixa cair o valor, a integridade e as convicções pessoais. Existem valores que jamais se deve trocar e há virtude que nunca podemos deixar de apresentá-la.
Vasti foi banida da presença real para sempre, tendo como a causa principal a de recusar-se a se apresentar como um objeto bibelô para satisfazer as vistas dos olhos cobiçosos dos amigos ébrios de seu marido. As controvérsias geradas pela atitude de Vasti fizeram que ela fosse deposta da posição e do trono. O conflito gerado a partir da atitude de Vasti deu lugar e oportunidade para Ester subir ao trono tempos depois da crise instalada na família e no palácio do rei Assuero.
Apesar da força de caráter e da firmeza de convicções de Vasti serem merecedores de nossas admirações, percebemos o agir e o mover da mão do Senhor nosso Deus mostrando o Seu poder e soberana vontade sobre os homens e reinos. Quanto vale o seu caráter e até onde vai a firmeza de suas convicções? Quem se vende, se troca e se barganha hoje, pode sofrer sérias conseqüências como desonras amanhã. O que lhe vale mais? A posição, o poder, que transitam em cursos incertos e não-garantidos, ou as integridades moral e espiritual? Que vale mais, a sua roupa transitória, ou o seu corpo permanente?
Alguém pode estar crente e convencido de que esteja fazendo o certo contra alguém ou em favor de algo, sem saber que suas visão, vontades e decisões estão sendo lideradas por Deus providencialmente para canalizar bênçãos e promover favores a alguém, a algum ambiente, a algum lar. O Senhor Deus opera tanto o querer como o efetuar.
Assim sendo, devemos lembrar que os propósitos do Senhor nosso Deus são mais altos que o nosso entendimento e por esta causa transcendem toda e qualquer decisão humana. Da mesma forma precisamos lembrar que nossa força de caráter e nossa firmeza de convicções possuem um elevado valor e para mantê-los podemos pagar um alto preço pelo seu imensurável custo.
Precisamos, outrossim, aprender que toda coisa debaixo do Céu é movível, é transitória, é mutável e passageira. Jamais se estribe na auto-confiança colocada nas coisas vistas pelos olhos. Nunca se permita ser iludido ou sofrer o engano, acreditando equivocadamente que suas vontades e decisões são soltas e isoladas em si mesmas.
Independentemente do nosso juízo, qualquer que seja ele sobre o que for, existem situações criadas por Deus, alocadas no seu tempo para dentro de nossa cronologia, e movidas dentro dos Seus propósitos, para especificamente abaterem uns enquanto levantam outros a fim de que a vontade soberana de Deus seja cumprida.
Não tentemos, não subestimemos o Senhor Deus, pois tudo está em Suas potentes mãos para fazer o que Lhe apraz e quando Ele quer. Importa não perdermos os nossos sensos sobre os nossos valores individuais segundo a Palavra de Deus. E se porventura algum infortúnio tenha tocado os valores pessoais do caro leitor, não se abata, não perca o rumo, retorne para ele, fazendo valer a sua força de caráter e a sua firmeza de convicções pessoais com vistas nos princípios ensinados na Palavra de Deus.
PbGS
Marcadores:
abusos,
caráter,
convicção,
desmandos,
exemplo,
firmeza,
impropriedade,
imprudência,
inconsequência,
limitações,
valores
terça-feira, 26 de julho de 2011
DIÓTREFES – uma má influência.
DIÓTREFES – uma má influência.
Não aprove o reprovado.
Cada personagem na Bíblia Sagrada possui um histórico. Alguns de mais conteúdo e outros de menor simpatia. Alguns que muito valem ser citados e muito servem para bons exemplos a serem copiados e seguidos. Outros, porém, deles pouco alguém se interessa em mencioná-los, nada valeria ser imitado.
Muito provavelmente pessoa alguma de bom senso ordeiro e ético se sentiria encorajada a recomendá-los e em conteúdo algum mereceriam fiascos ou faíscas de elogios e de citações meritórias. Uma das funções de estarem registrados na Bíblia Sagrada é para nos servirem como figuras daquilo que em nossos dias deparamos.
Diótrefes fora um desses, cujas ações não merecem imitação e cujos procedimentos não valem ser seguidos. Seguir Diótrefes é a mesma atitude de seguir o mal, posto que ele plantou péssimas sementes, produziu frutos deficientes e somente promoveu males.
Para o nosso ensino, e cuidando para que sigamos o que é bom, o Espírito do Senhor fez estar escrito no Livro de Deus o que Diótrefes fez. 3Jo 9-11. Tudo que sabemos daquele cidadão está nesses versículos resumido em claras e singelas linhas para que nos sirva de bastante e suficiente ao nosso conhecimento.
Diótrefes está na Bíblia Sagrada para nos ensinar sobre os muitos “Diótrefes” que vivem e transitam em nossos dias. Quando vemos os “Diótrefes” de hoje, lamentavelmente somos lembrados de que nesta terra passou um Diótrefes que coisa boa alguma dele foi digno de ser registrada.
Quando vemos os “Diótrefes” de hoje, notamos que pelos tempos e épocas eles estão em situação e condição muito piores e rejeitadas do que aquele Diótrefes do passado, citado na Palavra de Deus. A diferença é que os “Diótrefes” de hoje dão o seu bote inimigo mais tecnicamente desenvolvido e estrategicamente dissimulado enquanto escondem as unhas sangrentas para que a sua feiúra da culpa não apareça a público.
Aquele Diótrefes existiu para nos ensinar, e os “Diótrefes” de hoje assim como aquele vivem para nos causar embaraços, promoverem tristezas e realizarem divisões, decepções e dissensões. Aquele Diótrefes conhecia a quem estava destinando a sua oposição, e os “Diótrefes” de hoje nem mesmo sabem contra quem estão lutando, fazendo campanhas maléficas, maliciosas e malévolas.
Aquele Diótrefes engendrou oposições de forma clara e pública, e os “Diótrefes” de hoje empreitam hostilidades de maneira velada e as escuras. Aquele Diótrefes parecia possuir um alvo definido e os “Diótrefes” de hoje nem mesmo têm um ideal digno e relevante a alcançar. Promovem perturbações com o que dizem e pelo que fazem.
Imaginamos como fora a vida pública de Diótrefes, e pensamos como foi a sua conturbada vida congregacional. Imaginamos como fora a iracunda vida individual de Diótrefes, e pensamos como foi a sua infrutífera vida espiritual. No passado existiu aquele Diótrefes, e nos nossos dias há os muitos “Diótrefes” que gratuitamente se proliferam.
“Diótrefes” estão soltos pelos templos. Alguns estão elegantemente sentados nas tribunas e com acesso livre e autônomo aos púlpitos. Outros estão aparentemente “auxiliando” como trabalhadores da obra e ainda outros no marasmo inconformado sentados nos respeitosos e bons assentos entre a membresia. Fácil é saber onde Diótrefes está no meio das muitas mãos levantadas, mas difícil é conhecer no ajuntamento quem ele é.
Fácil é saber tolerar e lidar com “Diótrefes”, porém difícil é a possibilidade de sermos aceitos e conviver com eles. Como seria sofredor para um bom, amável, cordial, gentil, amigo e companheiro servo de Deus atender e compreender as ações e procedimentos de “Diótrefes”.
Para sermos felizes em nossa caminhada seria de bom alvitre não fazermos o que fez Diótrefes e se possível nos fora sempre deixarmos que os “Diótrefes” se achem consigo mesmos, se encontrem no que são e no que precisam de bem fazerem em prol de suas sofridas almas.
E perguntamos que, pois, fez Diótrefes que não seria merecedor de ser seguido? Convido o generoso leitor a conhecer sete procedimentos de Diótrefes que nos levam a não fazer o que ele fez.
1 - Ele não recebeu a carta de João.
Tudo nos mostre em Diótrefes que ele possuía uma visão pessoal e particular egocêntrica e contrária ao bem-estar da comunhão cristã. Diótrefes estava na contra-mão com a essência da vida normal dos servos de Deus. Alguma coisa motivou Diótrefes a recusar e rejeitar o conteúdo de uma carta escrita por alguém que conviveu com o Mestre Jesus.
Diótrefes parece ter estado super impregnado de soberba que desconsiderou a pessoa de João a ponto de se indispor a ouvi-lo e rejeitá-lo. Recusar a receber algo diretamente da mão de alguém cujas experiência e autoridade possuíam um firme e inabalável fundamento nos dá uma luz para compreender algumas coisas rapinosas e rinhas escondidas no coração de Diótrefes e trazidas a lume nas suas ações e procedimentos.
2 - Ele não gostava de acolher os irmãos na fé.
Que razões Diótrefes possuía para não acolher os irmãos na fé? Ele fora tão insensível aos ensinamentos do Senhor Jesus que o seu senso perdeu a noção da hospitalidade e da comunhão praticadas no seio cristão. Diótrefes possuía um frio íntimo desconexo e estranho ao caloroso meio cristão legítimo e autêntico.
Diótrefes fora um “líder” cuja vida cristã era insipiente e superficial, cujas influências e procedimentos eram teóricos e artificiais. Que tipo de mensagem poderia Diótrefes pregar ao seu público ouvinte e que tipo de ensinamento poderia Diótrefes ministrar ao seu público convivente?
3 - Ele gostava de exercer a primazia.
Começa-se aqui a serem percebidas algumas das rapinas que estavam ligeiramente encobertas no íntimo de Diótrefes. Ele era do tipo absolutista. Não sentia-se bem em ser o segundo, nem a estar debaixo da autoridade de alguém. Ele gostava de estar no comando e não suportava ser ao menos liderado.
Ele era do tipo de gente que ouviu a mensagem e os cânticos sacros, apreciou os hábitos e costumes do convívio cristão, mas ao invés de conversão, sua vida foi varrida para dentro da igreja pelas contingências que se encontrava. “Diótrefes” nunca corrigem os seus erros e jamais prosseguem para alcançarem o alvo. “Diótrefes” tentam convencer outros daquilo que nunca foram convencidos.
Ele não deixou as velhas mazelas abrigadas no espírito de altivez e chegou com seus próprios planos. O seu íntimo tinha a propensão de absorver as linhas de pensamentos luciferianos. Tudo que ele desejava e ansiava era estar e ser visto no topo, na mais alta posição elevada.
Para Diótrefes o clima congregacional e as condições ambientais do seu meio somente estavam bem e a seu gosto pessoal se ele estivesse por cima e independente. Ele era desprovido do bom espírito de serviço e de auxílio. Pessoas assim nunca reconhecem a honra do primeiro porque jamais souberam ser o segundo.
Diótrefes ESTAVA, mas não ERA ministro do Evangelho de Cristo. Ele estava na primazia, porém não era principal e legítimo integrante dela. “Diótrefes” que fogem do trabalho de se darem à vontade de Deus, entretanto se lançam na contenda de tomarem pela força o que lhes é indevido e impróprio.
“Diótrefes” jamais sabem mandar, visto que nunca souberam obedecer. “Diótrefes” comungam no mesmo caminho de Roboão, por vezes trafegam nos passos iniciais de Manassés e terminam caindo no triste fim de Uzias. Nunca chegam bem e acolhido no fim e jamais possuem um final solidário e feliz.
4 - Ele proferiu palavras maliciosas contra os apóstolos e seus representantes.
É sempre assim com aqueles que adoram ter a primazia e se opõem contra seus amigos líderes. Nada ou pouquíssimo de bom têm a oferecer aos outros, e o que possuem externam em malícias e difamações contra quem jamais deveriam empreitar. Quem nada de bom conteúdo possui dentro de si, também coisa alguma de boa pode servir aos outros.
No afã de seu interesse na sua promoção pessoal, Diótrefes se opunha contra a autoridade apostólica. Dentre as covardes armas que os “Diótrefes” lançam mão, algumas delas são a propagação de inverdades, a disseminação de coisas perversas e a linguagem insultuosa que empregam no sentido de desmerecerem injustamente a quem em coisa alguma deve sê-lo.
“Diótrefes” não cooperam para o avanço do anúncio da mensagem cristã, não possuem a capacidade de saberem criticar condutas pela maneira correta, de frente e aceitável. Eles usam de artifícios que calhem em favor de seus interesses e promoção pessoais.
5 - Ele exercia influência perniciosa sobre os membros da igreja.
Diótrefes se tornou um péssimo modelo para o rebanho local. Infelizmente enquanto a grande obra de Deus avança sob a unção e o poder do Espírito Santo, alguns membros do Corpo de Cristo se expõem a péssimas e perniciosas influências estranhas ao espírito cristão pela presença de “Diótrefes”.
Aqui e ali são encontrados os “Diótrefes” inconformados, inconversos e insipientes. Eles possuem um tipo de repertório de mensagens cujo teor possui uma linha mestra desalinhada, um prumo desaprumado e um nível desnivelado. Mensagens que não edificam e nem constroem, mas causam esfriamento, desmoronamentos e escombros em seus ouvintes.
Diótrefes está solto pregando, saltando, pulando e gritando nos seus púlpitos particulares “a gosto de um deus” cujo nome não conhecem e cuja teologia volta-se para os seus próprios umbigos. “Diótrefes” que levantam empréstimos nos balcões bancários hoje e fecham as suas “portinholas de tendinhas” amanhã e saem às pressas corridos de lugar em lugar como se peregrinos e retirantes fossem, deixando as péssimas influências de suas mensagens cadavéricas, devedoras e velhacas para trás.
6 - Ele expulsava as pessoas que não concordavam com ele.
Diótrefes entrou para a igreja, mas em coisa alguma o espírito da igreja entrou nele. Ele entrou para a vida do Evangelho, porém ensinamento algum do Evangelho entrou nele. Ele viu o Reino de Deus, todavia não permitiu que a essência desse Reino entrasse nele.
Ele tentou formar e se assenhorear de um reino particular usando o povo do Reino de Deus. Ele saiu de suas limitações, ignorou individualidades e invadiu privacidades. Além de recusar-se a receber e acolher os crentes viajantes de sua época, que era coisa comum nos idos das primeiras perseguições contra os cristãos, ele ainda queria impor e controlar a igreja local querendo impedir os crentes a exercerem o dom da hospitalidade.
Diótrefes chegou ao cúmulo de mandar expulsar os crentes da sua igreja que não concordassem com ele. Aqueles crentes convictos dos ensinamentos do Senhor Jesus que exerciam a acolhida cristã a outros irmãos se tornavam para Diótrefes os seus inimigos excomungados.
A teologia de Diótrefes era duvidosa, conturbada, do tipo que “valia, mas não vale, e o que ora valia já não vale mais, e vale como eu penso e quando eu quero”. Nas mãos de Diótrefes repousava com segurança o cetro da exclusão e o império da excomunhão.
“Diótrefes” não sabem liderar individualidades e se perdem enrolados contra aqueles que seguem os passos do nosso Bom Mestre Jesus Cristo. Eles estariam em melhor e mais confortável situação se especializassem-se em ramos de negócios seculares ao invés de lidarem com as ovelhas do Mestre. “Diótrefes” sabem fechar portas e não manterem comunhão aberta, mal sabem perder porque jamais aprenderam a ganhar.
Quem pouco conhece o amor do Senhor Jesus, também raramente sabe lidar com as Suas ovelhas e distante está de conhecer os caminhos do apascentamento. Diante de problemas, a via rápida e expressa é expulsar e se livrar e jamais acolher e restaurar.
Diótrefes está solto de “carteirinha” ou portando credencial no bolso e fazendo o que bem quer e entende. Para eles o desmantelar e promover escombros não são problemas, difícil e quase impossível, doloroso e escabroso é o ser sensivelmente ético, legitimamente autêntico e competentemente restaurador.
7 - Ele plantou problemas para o futuro.
Diótrefes desconheceu a autoridade apostólica de João que esteve com o Senhor Jesus. Na verdade, Diótrefes não plantou sementes, e sim caroços. Anos depois os caroços de orgulho, ambição e rebeldia de Diótrefes contra um apóstolo vieram a se tornar um fruto-problema para o apóstolo Paulo.
É sempre assim que acontece com quem sai do Caminho e se perde em atalhos. Dificilmente acerta, e pivô doloroso torna-se a sua vida e deixa heranças indesejadas que se fazem problemas. “Diótrefes” nunca plantam boas sementes, eles jogam caroços.
Aquele Diótrefes que outrora havia tomada a liderança da igreja local a força, redundou em problemas e sérios prejuízos depois. O despotismo e a tirania dele se aflorou e produziu péssimos frutos que atravessaram anos e mais tarde seus péssimos exemplos tomados por outros vieram a afetar o ministério ausente de Paulo.
Diótrefes estava inchado, auto-inflado, considerava-se estrela-mor e astro-rei. “Diótrefes” seletistas, orgulhosos, ambiciosos e plantam péssimos caroços e deixam frutos indignos de servirem a outros, plantam exemplos que não merecem ser colhidos, semeiam ventos que mais tarde vão soprar tempestades. Muitas vezes a alta posição assumida por alguém sem ou com tenra estrutura cega-lhe os olhos, encurta-lhe a visão e cauteriza-lhe a sua sensibilidade.
Para o bem de nossas próprias vidas e da manutenção da nossa comunhão e do nosso costumeiro e pacífico bem-estar, não aprovemos o que não merece ser aprovado. Não sigamos o mal exemplo. Não plantemos caroços, mas semeemos sementes boas e dignas que mais tarde venham produzir frutos que permaneçam.
É prudente saber diferenciar entre Diótrefes e Demétrio. Aquele forçava e gostava de aparecer como líder, e este era líder testemunhado pela verdade. Portanto, não aprove o reprovado. Sigamos o que é bom segundo as Escrituras Sagradas.
PbGS
Marcadores:
ambição,
despotismo,
diótrefes,
estrelismo,
exemplo,
incoerência,
inconsequência,
influências,
orgulho,
probidade,
procedimento,
tirania
terça-feira, 3 de agosto de 2010
LEGADO: um poderoso instrumento influenciador.
LEGADO: um poderoso instrumento influenciador.
Assim como a vida está disposta em três fases - começo, meio e fim -, o legado de nossos feitos também o estão. Tudo em nossa vida possui o seu começo, alcança o seu curso e atinge o seu fim, ainda que a temporalidade de alguma dessas fases não seja notoriamente percebida ou de conformidade com o que nosso querer e nossas vontades imponham ou esperem. Independente de temporalidade, algumas coisas mal começam e logo terminam; outras se iniciam e mal chegam ao meio, aportam logo o seu fim. Não é o começo que decididamente determina o seu fim, apesar de alguns começos apresentarem identidade e determinação promissoras.
Quantos e quantas coisas começam mal, se perdem no meio e tristemente derrocam no fim. E quantos e quantas outras começam mal, passam temporariamente perdidos no meio, mas enfim terminam bem. Ainda quantos e quantas começam mal, acertam e seguem bem no meio e finalmente chegam bem ao fim. Todavia, é uma aspiração incontestável de todos o começar bem, continuar bem e terminar bem – dificilmente na vida se alcança este privilégio “in totum” sem que haja experimentado pelo menos passar pela alta temperatura do “calor da fornalha” e pela solidão noturna entre as feras da “cova dos leões”.
Para cada uma dessas fases existem princípios que as regem, muito embora que a muitos passem despercebidos. Alguns desses princípios impõem condições e requisitos como regras potencialmente básicas e naturais para o curso de nossa vida, ou de alguma coisa nela existente. Ignorar ou atropelar essas regras é sinônimo de a qualquer tempo vir a incorrer em sérios desapontamentos ou contrair desajustes. Não podemos ignorar a existência desses princípios.
Felizes são aqueles que conseguem construir os seus feitos observando essas regras e norteando-se nesses princípios – melhor e mais proveitoso seria que os entendêssemos logo no início para que construíssemos eficientemente os nossos legados. Aos que assim fazem, conseguem construir feitos admiráveis no seu tempo e para a posteridade.
Seria de grande valia conhecer os princípios que regem cada fase de nossa vida para que venhamos a errar menos e acertar muito mais, se possível fora nos perder menos e nos atrelar mais ao alvo nos proposto. Válidas são as oportunidades que vêm a nos presentear com incomparáveis conteúdos de lições que podem contribuir sobremaneira a nos educar e a nos forjar, a fim de que possamos construir feitos de forma correta, apropriada e consistente, a fim de que nossos legados possam promover incentivos e temporalidade duradoura na posteridade.
Durante a nossa vida vamos construindo muitas coisas, idealizando muitas outras, vamos aprimorando ainda outras e não obstante desprezando algumas na medida que novas assumem os seus lugares outrora ocupados por aquelas. É natural esta espetacular dinâmica da vida. E é muito necessário que a compreendamos, para que nos tornemos mais úteis e mais sábios a cada dia ao passo que construímos os nossos feitos. Que Deus nos “ensine a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”.
Notoriamente os nossos feitos vão tomando forma e se consolidando a cada passo que adiantamos. E construímos bem quando não nos prendemos às circunstâncias das contingências que se nos acercam e nos circundam. Enxergar apenas as agruras ou as alegrias do momento seria pequeno demais diante da grandeza e amplitude que o nosso Deus espera em nossos legados. Todos os acontecimentos em nossa existência vão sendo vistos mais claramente e notados detalhadamente, senão por nós mesmos, sim e mais nitidamente pelos outros. Alguns deles logo nos revelam seus resultados e propósitos em nossa vida. É incontestável esse fato. Começamos por manter a consciência de reconhecer e identificar a nossa pequenez, as nossas fragilidades, as nossas limitações, bem como de que sempre existe a possibilidade de sermos melhores e confrontados com os revezes e temporais nos levantes de cada uma das fases da nossa vida. Isto nos prepara, nos move, nos ensina a aperfeiçoar os feitos que construímos a cada passo para o arcabouço de nossos legados.
Por vezes temos pouca consciência do impacto que nossas vidas pode exercer sobre outras. E quanto mais estamos comprometidos com o Deus que nos chama e vocaciona, nos tornamos completamente ocupados o bastante para acompanhar o nosso próprio sucesso advindo da boa mão do Senhor sobre os nossos feitos.
Quando a boa mão do Senhor está sobre nós e nos sendo favorável, emana em nós o forte compromisso pessoal de viver dedicado para Deus. Neste ponto, nossa realização pessoal singra e avança no segundo plano e tudo que precisamos é manter um relacionamento crescente e mais íntimo com Deus. Fatores externos podem de alguma maneira se levantarem para nos impedir ou nos desencorajar a realizar grandes feitos, entretanto precisamos lembrar diuturnamente de fazer coisas grandes e duráveis para Deus e para a posteridade – isto somente conseguimos pelo Espírito de Deus. Legados construídos puramente sob a força do poder e das habilidades humanas ganham suas recompensas e seus aplausos devidos, permanecem vivos até certo tempo, porém passam e ganham apenas um frio respeito nas lembranças esporádicas. Legados construídos sob o favor e a direção do Espírito de Deus certamente também recebem seus devidos reconhecimentos, permanecem e mantêm-se vivos pelos seus frutos e ganham maior temporalidade, utilidade e durabilidade na aplicação prática atravessando o tempo na experiência da posteridade, fazendo convergir com sucesso os muitos frutos conseqüentes como ramos e extensões daqueles frutos dos primeiros legados dos primórdios.
À medida que nossa vida passa, todos esses feitos vão assumindo um conjunto identificador que nos possibilita caracterizá-lo e qualificá-lo pautados em algum referencial que os defina, conceitue, ofereça-lhes comparações e confira-lhes a temporalidade e a utilidade que serão cultivadas na posteridade. Na medida que construímos nossos feitos, Deus com a sua boa mão nos concede pela Sua infinita graça, poder e misericórdia, as sucessivas oportunidades para aperfeiçoá-los ou corrigi-los, entretanto jamais as de completamente apagá-los. Podemos pouquíssimo nos lembrar de alguns de nossos feitos, todavia não está em nós a capacidade de completamente apagar a impressão que deixam para que nos sirvam de certa forma como elemento didático ou advertidor. Os feitos em nossos legados se fazem referenciais a serem notados, apreciados ou rejeitados.
E um dos elementos que nos servem de referenciais de feitos são os legados. Que seria da nossa história se não tivéssemos referenciais? Que seria de nossa construção de feitos e do aprimoramento destes se não houvesse os referenciais através de legados daqueles que nos antecedem, e dos que produzimos para a nossa posteridade? São os legados que nos permitem aquiescer de maneira segura em algumas coisas ou reprovar em outras. De certa forma eles contribuem para que erremos menos e acertemos mais e assim consigamos corrigir desvios, desfavores e desacertos na medida em que com isto vamos nos aprimorando. Aqui está um grande segredo para construir um bom legado duradouro. Felizes são aqueles que tomam como exemplo os legados de outros, e visualizando o seu próprio legado que transmitirá a gerações posteriores, trazem para si as lições e olhando para essas referências conseguem identificar as coisas e põem-se a corrigir e melhorar os seus feitos para que construa os últimos melhores do que os primeiros. Os legados também possuem a nobre função de nos fazer empreender os nossos últimos feitos serem melhores do que os primeiros.
Que são, pois, os legados? Que significa esta expressão? Permitam-me lhes definir, conceituar de forma elementar esta expressão tão importante e oportuna. Legado é o conjunto de feitos, de influências, de heranças, que recebemos ou transmitimos a gerações posteriores. É uma doação discriminada feita em forma de testamento. Um legado é o arcabouço de uma construção de feitos que serão vistos como testamentos pela posteridade. Existem os falsos legados, entretanto há os verdadeiros. Aqui e ali encontramos alguns legados imaginários, todavia nos acercamos dos reais. Existem os ruins legados, mas também há os bons. Existem os indesejados e desprezíveis, porém em contrapartida há os incentivadores e admirados. Enfim os legados possuem no seu conteúdo as lições testamentais de alguma maneira servíveis a serem seguidas ou rejeitadas.
Aproveitando estes momentos de tréguas em meus compromissos, venho aos caros e generosos leitores para lhes falar sobre um importante tema – o legado ministerial cristão -, especial e mais diretamente aos pregadores. Em vista da importância do assunto na natureza e características da atualidade, acredito seja também notoriamente útil aos demais de outras áreas ministeriais e eclesiásticas, quiçá seja para todas quantas existam ou demonstrem interesse. Legado ministerial cristão é algo no qual devemos nos predispor a pensar.
Realmente há legados nas mais diversas áreas da vida. Porém neste artigo refiro-me especial e especificamente ao legado ministerial cristão. O legado que se refere aos feitos construídos num ministério cristão. Num tempo em que multidões aquecem-se e contentam-se na momentaneidade transitória, raras e pouquíssimas pessoas pensam e agem de forma previdente e apropriada em conformidade com princípios, com respeito e probidade, com propriedade e seriedade, com uma visão de futuro, estando cônscias e lúcidas de suas fragilidades e limitações diante das periculosidades sorrateiras e influenciadoras dos tempos hodiernos.
E falando de ministério cristão, esta expressão “legado” se torna sempre oportuna especialmente para todos aqueles que encontram-se começando num ministério. E é tão primordial prioritariamente para todos aqueles que já estão em pleno desenvolvimento dele e por suficientemente tão contentadora para aqueles experientes que já passaram pelas tantas situações que caracterizam ativamente as fases de construção de seus feitos no desempenho de seus ministérios. O que está escrito na vida, nela feito está e não se há como mudar ou apagar, todavia se há como de muitas maneiras aperfeiçoar pelo que ora está em andamento e o que pela frente está por vir.
Um legado pode ser duradouro, digno de ser lembrado, aquiescido, respeitado, honrado e seguido. Mas também em contrapartida pode ser desprezado, evitado, esquecido. E em se tratando de ministério cristão, geralmente viemos a conhecer e a tomar consciência da força e poder do legado que construímos somente quando nos percebemos que já estamos em alto e pleno desenvolvimento de nossa vida ministerial e eclesiástica. O imediatismo e a pressa tem abraçado muita gente afoita e insipiente que antes de ascender ao ministério cristão pensa equivocadamente a seu respeito. Depois que passam a ocupá-lo alguns se perde nele descuidadamente por não preservar, ou lamentavelmente não saber conduzir, a identidade do ministério cristão que desempenha.
Que triste seria a ausência de legados e o desinteresse pela busca confiante e investimento seguro de sucessores para continuarem os nossos legados. Possivelmente seja encontrada aqui a resposta pela qual temos visto muitos haverem passado no ministério cristão e depois de haverem sido recolhidos à eternidade foram caídos no profundo esquecimento, ou deixaram imensas lacunas nos seus legados, por não haverem provido sucessores como frutos de suas indicações confiantes ou de seus investimentos seguros.
Alguns lamentavelmente construíram legados unitaristas, e pensando unilateralmente em si mesmos, impuseram indicações e investiram no que Deus não separou. Talvez haja sido em função dos olhares ansiosos haverem sido postos sobre alguns caracteres preconcebidos que “lhes fizera passar em sua frente”, esquecendo que ainda lhes faltava enxergar um novo caracter antes não visto à luz dos olhos. enquanto outros mais felizes e eficazes sabiamente construíram legados participativos e com isto imprimiram marcas de eficiência e probidade inesquecíveis em gerações posteriores e seus legados por conseguinte vêm ao longo desses anos nos promovendo incentivos, admirações, respeitabilidade, utilidade, dignidade e durabilidade.
Conheço alguns homens de Deus que, conhecendo o domínio apropriado de visar a temporalidade e a utilidade de seus legados, muito têm nestes tempos modernos ensinado nas suas simplicidades e capacidades os segredos de efetivamente preparar, confiantemente prontificar e seguramente aperfeiçoar sucessores para a obra, cada um destes nos seus respectivos ministérios para os quais demonstram inconfundivelmente haverem sido chamados e vocacionados – posso aqui com segurança afirmar que juntamente a outros sou um dos frutos desses homens de Deus fiéis e dedicados, mesmo dentro de suas realidades e limitações. Vezes por outras me disponho a ir algumas dezenas de kilômetros mais além e tenho o privilégio de ser cordial e irmanadamente recebido em suas mesas.
Assim como a vida, o legado possui também começo, meio e fim. Nem sempre uma pessoa que inicia a atividade ministerial se apercebe de que está com isto iniciando a escrever as primeiras páginas de seu próprio legado, e tudo o que visam são os números e quantidade de feitos. Que nos dera aos iniciantes tomarem consciência desta verdade, para que soubessem de fato construir melhor e com qualidade os seus legados e a posteridade tomar conhecimento deles e neles poder se espelhar.
No começo da construção de feitos, imperceptivelmente se está abrindo um legado. É interessante que nesta fase inicial do legado assume-se a posição de pouco olhar para trás, pois equivocadamente se pensa que por não ter palpavelmente nada ainda construído não precisaria por algumas vezes tomar tempo em olhar para trás. Quando exatamente aí muitos cometem a terrível negligência em não olhar os legados de outros que realmente Deus levantou antes de nós e para tantos servem muito bem.
Claro e evidente que no começo pouco se tenha construído quando ainda as escolhas das peças do grande “quebra-cabeça” da vida estão começando a surgirem e as junções dessas peças também ainda começam por se revelarem a quais dos “encaixes” elas se apropriarão.
Nesta fase do começo de um legado é muito natural e comum tomar-se a atitude de apenas olhar mais para a frente, para o futuro, e pouco olhar para trás. Ainda, nesta fase aparece a forte característica de olhar o agora tenra e limitadamente. Para quem está começando um legado é patente o estado de busca e anseios sonhando com o futuro esperado desejando que este comece o mais breve possível. Mas também se desperta com a visão de que tudo que está empreendendo ainda é muito pouco e carece de maior consistência em vista do que percebe em outros mais experimentados e do que ainda está por vir.
Um dos pontos de erros notados em alguns experientes é a paupérrima visão da extensão da seara e suas necessidades reais e a ausência de ousadia e incentivação em plantar sementes de investimentos naqueles que estão começando os seus legados, dessa forma permitindo negligentemente que alguns destes inexperientes caiam em estado de desmotivação e quando estes retomam ânimos saltam notadamente a cairem nas mãos de “tratadores de lobos” que maliciosamente subtraem a verdadeira simplicidade e motivação para o ministério cristão.
No meio dessa construção de feitos, já se é possível notar os fatos em desenvolvimento no legado. Claramente se desponta a preocupação de olhar mais para o momento do agora no que já está sendo realizado. O olhar para trás assume uma posição que se faz perceber e ajuizar as coisas com mais acuidade e consideravelmente melhor do que antes quando no começo do legado.
Agora já não se pode fechar os olhos para o que houvera feito para trás. É momento de começar aprender com o que ficou para trás e realizar o agora de forma mais consistente e aprimorada. Nesta fase da construção do legado surge um novo elemento na experiência ministerial cristã – olhar para frente de forma prudente, acurada e eficiente. Nesta fase de construção do legado tudo começa a tomar claridade na junção das peças do “quebra-cabeça”. Já não se pode mais olhar para frente como quando era feito no começo da construção do legado. Quem contraria ou ignora esta verdade entra em péssimas veredas e compromete a utilidade e dignidade do seu legado.
É no meio do legado, no alto e pleno desenvolvimento deste, que a luz daquele que o está construindo já se faz alta, tornando-se fácil de está sujeito às cobranças, às críticas, enfim a ser visto mais de perto e cuja mordomia toma um volume muito grande. Muitos esquecendo estes pequenos segredos e não se dando contas disto, continuam construindo os seus legados da mesma forma de como quando começaram a desempenhar os seus ministérios. Por esta causa tantos perdem a credibilidade, “caem na malha” astuta e sagaz do adversário, “passam os pés pelas mãos”, agarram-se onde e em quem deveriam evitar se agarrarem, fazem o que jamais deveriam pensar em fazer, enfim terminam prematuramente “fazendo coisas de meninos” inconstantes, envoltos em “fraldas” de ilusões temporárias e passageiras. Nesta fase do meio do legado, bom seria adotar a “visão de águia” em atingir com longo alcance quais os melhores feitos que ganhem maior temporalidade e utilidade para a posteridade.
O fim do legado. Os feitos concluintes de um legado. Na verdade nunca sabemos ou conhecemos realmente o fim da construção de nosso legado antecipadamente. Todavia alguns indícios nos levam a perceber pela nossa experiência de vida e pelas circunstâncias dos contextos que nos cercam que estaríamos bem avançados na construção de nosso legado. Um dos indícios é a revisão e declaração e contagem do que em nossa história já construímos.
Somos tendenciosos a enxergar mais a quantidade e menos a qualidade de nossos feitos. Sem dúvida a quantidade e a variedade de feitos que realizamos deve ser realmente levada em conta, entretanto o que mais confere maior temporalidade e utilidade é a qualidade desses feitos e quais frutos eles resultarão e a possibilidade e a probabilidade de serem multiplicados em outros frutos. Um triste erro que assalta sorrateiramente o empenho da qualidade de um legado é atentar apenas para o somatório de coisas e atividades que se tem feito e ocupar-se menos com a qualidade deles e dos que poderão realizar.
Não podemos nos limitar especialmente a números de feitos, entretanto nos firmar a quais dentre esses números possuem a qualidade real que os faça serem multiplicados progressivamente em outros números. Podemos tomar muito tempo e esforço numa atividade ou tarefa, mas que esta seja de tamanha eficácia e qualidade que obtenha a abrangência e a amplitude de serem multiplicados os frutos dela advindos.
Aqui lhes apresento um conselho natural, mas muitíssimo válido e útil – não tomemos tempo em fazer muitos paliativos, porém nos determinemos a construir uma única vacina que promova a maior amplitude de benefícios duradouros ao maior número que dela fazer uso. Não nos ocupemos a construir muitos atalhos, mas nos empenhemos a edificar um único caminho que supere potencialmente e atinja beneficientemente o maior número dos que nele trilhar.
Outro indício que lampeja o fim de um legado é o lugar e o volume em que as exortações se externam com maior contundência e relevância. Nessa fase tudo parece, e apenas parece, demonstrar que nada há mais de novo para ser visto ou feito. Nessa fase, se faz necessário rever as suas condições de fé, estar convicto e consciente de que “combateu o bom combate, terminou a carreira e manteve a fé”, sabendo que os feitos mais recentes serão mais lembrados e contados do que os primeiros ocorridos nos limiares da construção do legado.
Há quem se entregue por satisfeito pelo que já construiu declarando conclusivamente do que nada pode mais realizar, e existem aqueles que apesar das suas muitas experiências olha mais para trás oferecendo lampejos de que a redação de sua vida ministerial cristã está validamente concluída podendo empreender eventualmente em construir mais algum feito futuro.
Mas também felizmente há quem nesta fase, que realmente apenas estimamos seja antecipadamente a conclusão do legado, se mantenha olhando para o agora jubilosamente, por estar pleno de experiência e consciente de todos os seus feitos, concebendo melhor a existência de erros e acertos cometidos nas fases anteriores para que a posteridade seja melhor e possa fazer melhor em evitá-los, compreendendo que comparativamente já tenha adquirido as marcas suficientemente comprováveis do caminho percorrido.
Nesta atitude de satisfação surge o verdadeiro regozijo no íntimo de qualquer um que compreende e percebe a sensação antecipada do sabor do dever cumprido, ainda que saiba consciente e convictamente que encontra-se cumprindo-o continuadamente na condição de um eterno devedor até o momento efetivamente conclusivo.
Existem os que nesta fase da construção do seu legado, consiga olhar para frente esperançosamente ao que lhes está reservado. Olhando para trás conscientemente, observa o agora jubilosamente e enxerga o futuro esperançosamente. Que graça singular!
Em se tratando de ministério cristão, qualquer um de nós pode sentir e identificar em que fase do legado está atravessando. As nossas faculdades humanas percebem naturalmente essas fases de começo, meio e fim da construção de nossos feitos, mas nem sempre nos detemos e nos damos conta detalhadamente nelas, não as percebemos com maior diligência e propriedade. Negligenciar essa observação seria comprometer a habilidade de auto-exame da própria história de feitos e desaguar na insuficiência de avaliação.
Um legado para ser classificado entre os bons legados e ser duradouro pelo menos precisa apresentar duas qualidades fundamentais para ser admirado pela posteridade:
Primeiro, precisa ser útil para que sirva de exemplo a ser seguido e respeitado. Se um legado serve para ser admirado e seguido por muito tempo, então ele possui utilidade e respeitabilidade. Legados menosprezados são legados deficientes, sombrios e além da média das dúvidas e da inutilidade. Pouco durará e quase nada representará para a posteridade e tão logo passe o tempo cai efetivamente na inutilidade e se faz suplantado por outros.
E depois, precisa ser digno para que seja duradouro e obtenha temporalidade acima das expectativas da média comum dos que constroem feitos semelhantes. Legados facilmente esquecidos são legados indignos e aquém da média dos que constroem feitos de mesmas natureza e características. Ninguém copiosamente adotará um legado publicamente indigno e quase nada falará à posteridade. Pior se torna o legado publicamente inútil e indigno do qual nem mesmo a maioria dos mais próximos o desejaria copiar a sua menor parte que seja.
Qualquer um que inicie um ministério seria de bom alvitre entender estas verdades e saber conscientemente que está iniciando um legado para gerações futuras.
É muito comum encontrarmos nas últimas lembranças de um legado as expressões de reconhecimentos, de lamentos, de agradecimentos, de contentamento e de júbilo. Características quase comuns em todos os legados.
Alguns legados pouco expressam em lições úteis e aplicáveis e apenas reconhecem oportunidades, pessoas e instituições. Outros se contêm em resumos soltos de fatos isolados, lamentam pelo que não pôde ser feito e agradecem a pessoas e a instituições. Ainda outros de forma incompleta reconhecem, lamentam e agradecem, nos deixando lacunas em branco e nenhum incentivo que influencie a posteridade. Além desses, existem os mais admiravelmente completos que nos fazem perceber a importância e valores de oportunidades havidas, pessoas de alguma forma participantes dele, fatos e instituições, expressando de forma integral reconhecimentos reais, agradecimentos claramente devidos e sinceros, contentamento e profundas lições transmissoras de incentivos, júbilos, gosto e atrativos a serem aprendidos, copiados, seguidos, vividos, propagados e mantidos vivos.
Estamos infelizmente vivenciando o desprezo aos legados úteis e dignos. Estamos vivendo infelizmente um tempo de menosprezo e inversão de valores, de transformações sociais completamente desniveladas e inteiramente relativistas. Um tempo no qual pouco se percebe da responsabilidade sobre o que alguém está construindo para ser transmitido à posteridade. A momentaneidade e o imediatismo influenciam multidões a “trocarem mutantemente de cores, roupagem e camuflagem” de forma submissa à transitoriedade, pouco se importando com suas gerações. Um tempo de artificialidade e de superficialidade, no qual o imediatismo e a transitoriedade estão em alta e o mais importante é atender o que mais se quer ser visto e notado e até seguido no momento, ainda que contrarie aos ensinamentos contidos na Escritura Sagrada. Um tempo em que o mais importante não é a mediana e sim a moda. Um tempo em que os elementos da freqüência são desprezados e os parâmetros apresentem riscos e confusões. Um tempo em que quase ninguém se dispõe a enxergar e perceber a leitura das verdades contidas na representação gráfica da vida.
A Bíblia expressamente nos faz ver que estamos vivendo um tempo em que lamentavelmente alguns de maneiras inconseqüentes concorrem e somam para o menosprezo, banalização e desrespeito para com as coisas de Deus e tudo com que a Ele se adora.
Que nos empenhemos construir nossos feitos visualizando quais qualidades desejamos sejam caracterizados os nossos legados. Que desejamos transmitir de nossos feitos para a posteridade? Na busca constante de afinação aos padrões éticos cristãos em construir nossos feitos que certamente comporão nossos legados, ganhemos mais êxito no aprimoramento de fazê-los cada vez melhor diante desses dias pós-modernos e sombrios, nos quais o relativismo investe contra todas as áreas da sociedade humana. Vamos, pois, construir legados úteis, dignos, duradouros, para que as gerações posteriores possam se orgulhar de nossos desempenhos nos ministérios cristãos que nos foram confiados. Certamente a posteridade vai identificar nossos erros e acertos, nossas fragilidades e limitações, e aprender lições deles, todavia por outro lado que possam relevantemente sobressair nossas virtudes a serem admiravelmente aplicadas e serem sensatamente compreendidas as nossas deficiências, e se possível sempre nos fora que estas sejam naturalmente menores.
Respeitosa e cordialmente convido aos diletos leitores e caros companheiros a refletir no que podemos realizar efetivamente para que os nossos legados sejam instrumentos que poderosamente influenciem à posteridade.
PbGS
http://www.glaukosantos.com
Assim como a vida está disposta em três fases - começo, meio e fim -, o legado de nossos feitos também o estão. Tudo em nossa vida possui o seu começo, alcança o seu curso e atinge o seu fim, ainda que a temporalidade de alguma dessas fases não seja notoriamente percebida ou de conformidade com o que nosso querer e nossas vontades imponham ou esperem. Independente de temporalidade, algumas coisas mal começam e logo terminam; outras se iniciam e mal chegam ao meio, aportam logo o seu fim. Não é o começo que decididamente determina o seu fim, apesar de alguns começos apresentarem identidade e determinação promissoras.
Quantos e quantas coisas começam mal, se perdem no meio e tristemente derrocam no fim. E quantos e quantas outras começam mal, passam temporariamente perdidos no meio, mas enfim terminam bem. Ainda quantos e quantas começam mal, acertam e seguem bem no meio e finalmente chegam bem ao fim. Todavia, é uma aspiração incontestável de todos o começar bem, continuar bem e terminar bem – dificilmente na vida se alcança este privilégio “in totum” sem que haja experimentado pelo menos passar pela alta temperatura do “calor da fornalha” e pela solidão noturna entre as feras da “cova dos leões”.
Para cada uma dessas fases existem princípios que as regem, muito embora que a muitos passem despercebidos. Alguns desses princípios impõem condições e requisitos como regras potencialmente básicas e naturais para o curso de nossa vida, ou de alguma coisa nela existente. Ignorar ou atropelar essas regras é sinônimo de a qualquer tempo vir a incorrer em sérios desapontamentos ou contrair desajustes. Não podemos ignorar a existência desses princípios.
Felizes são aqueles que conseguem construir os seus feitos observando essas regras e norteando-se nesses princípios – melhor e mais proveitoso seria que os entendêssemos logo no início para que construíssemos eficientemente os nossos legados. Aos que assim fazem, conseguem construir feitos admiráveis no seu tempo e para a posteridade.
Seria de grande valia conhecer os princípios que regem cada fase de nossa vida para que venhamos a errar menos e acertar muito mais, se possível fora nos perder menos e nos atrelar mais ao alvo nos proposto. Válidas são as oportunidades que vêm a nos presentear com incomparáveis conteúdos de lições que podem contribuir sobremaneira a nos educar e a nos forjar, a fim de que possamos construir feitos de forma correta, apropriada e consistente, a fim de que nossos legados possam promover incentivos e temporalidade duradoura na posteridade.
Durante a nossa vida vamos construindo muitas coisas, idealizando muitas outras, vamos aprimorando ainda outras e não obstante desprezando algumas na medida que novas assumem os seus lugares outrora ocupados por aquelas. É natural esta espetacular dinâmica da vida. E é muito necessário que a compreendamos, para que nos tornemos mais úteis e mais sábios a cada dia ao passo que construímos os nossos feitos. Que Deus nos “ensine a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”.
Notoriamente os nossos feitos vão tomando forma e se consolidando a cada passo que adiantamos. E construímos bem quando não nos prendemos às circunstâncias das contingências que se nos acercam e nos circundam. Enxergar apenas as agruras ou as alegrias do momento seria pequeno demais diante da grandeza e amplitude que o nosso Deus espera em nossos legados. Todos os acontecimentos em nossa existência vão sendo vistos mais claramente e notados detalhadamente, senão por nós mesmos, sim e mais nitidamente pelos outros. Alguns deles logo nos revelam seus resultados e propósitos em nossa vida. É incontestável esse fato. Começamos por manter a consciência de reconhecer e identificar a nossa pequenez, as nossas fragilidades, as nossas limitações, bem como de que sempre existe a possibilidade de sermos melhores e confrontados com os revezes e temporais nos levantes de cada uma das fases da nossa vida. Isto nos prepara, nos move, nos ensina a aperfeiçoar os feitos que construímos a cada passo para o arcabouço de nossos legados.
Por vezes temos pouca consciência do impacto que nossas vidas pode exercer sobre outras. E quanto mais estamos comprometidos com o Deus que nos chama e vocaciona, nos tornamos completamente ocupados o bastante para acompanhar o nosso próprio sucesso advindo da boa mão do Senhor sobre os nossos feitos.
Quando a boa mão do Senhor está sobre nós e nos sendo favorável, emana em nós o forte compromisso pessoal de viver dedicado para Deus. Neste ponto, nossa realização pessoal singra e avança no segundo plano e tudo que precisamos é manter um relacionamento crescente e mais íntimo com Deus. Fatores externos podem de alguma maneira se levantarem para nos impedir ou nos desencorajar a realizar grandes feitos, entretanto precisamos lembrar diuturnamente de fazer coisas grandes e duráveis para Deus e para a posteridade – isto somente conseguimos pelo Espírito de Deus. Legados construídos puramente sob a força do poder e das habilidades humanas ganham suas recompensas e seus aplausos devidos, permanecem vivos até certo tempo, porém passam e ganham apenas um frio respeito nas lembranças esporádicas. Legados construídos sob o favor e a direção do Espírito de Deus certamente também recebem seus devidos reconhecimentos, permanecem e mantêm-se vivos pelos seus frutos e ganham maior temporalidade, utilidade e durabilidade na aplicação prática atravessando o tempo na experiência da posteridade, fazendo convergir com sucesso os muitos frutos conseqüentes como ramos e extensões daqueles frutos dos primeiros legados dos primórdios.
À medida que nossa vida passa, todos esses feitos vão assumindo um conjunto identificador que nos possibilita caracterizá-lo e qualificá-lo pautados em algum referencial que os defina, conceitue, ofereça-lhes comparações e confira-lhes a temporalidade e a utilidade que serão cultivadas na posteridade. Na medida que construímos nossos feitos, Deus com a sua boa mão nos concede pela Sua infinita graça, poder e misericórdia, as sucessivas oportunidades para aperfeiçoá-los ou corrigi-los, entretanto jamais as de completamente apagá-los. Podemos pouquíssimo nos lembrar de alguns de nossos feitos, todavia não está em nós a capacidade de completamente apagar a impressão que deixam para que nos sirvam de certa forma como elemento didático ou advertidor. Os feitos em nossos legados se fazem referenciais a serem notados, apreciados ou rejeitados.
E um dos elementos que nos servem de referenciais de feitos são os legados. Que seria da nossa história se não tivéssemos referenciais? Que seria de nossa construção de feitos e do aprimoramento destes se não houvesse os referenciais através de legados daqueles que nos antecedem, e dos que produzimos para a nossa posteridade? São os legados que nos permitem aquiescer de maneira segura em algumas coisas ou reprovar em outras. De certa forma eles contribuem para que erremos menos e acertemos mais e assim consigamos corrigir desvios, desfavores e desacertos na medida em que com isto vamos nos aprimorando. Aqui está um grande segredo para construir um bom legado duradouro. Felizes são aqueles que tomam como exemplo os legados de outros, e visualizando o seu próprio legado que transmitirá a gerações posteriores, trazem para si as lições e olhando para essas referências conseguem identificar as coisas e põem-se a corrigir e melhorar os seus feitos para que construa os últimos melhores do que os primeiros. Os legados também possuem a nobre função de nos fazer empreender os nossos últimos feitos serem melhores do que os primeiros.
Que são, pois, os legados? Que significa esta expressão? Permitam-me lhes definir, conceituar de forma elementar esta expressão tão importante e oportuna. Legado é o conjunto de feitos, de influências, de heranças, que recebemos ou transmitimos a gerações posteriores. É uma doação discriminada feita em forma de testamento. Um legado é o arcabouço de uma construção de feitos que serão vistos como testamentos pela posteridade. Existem os falsos legados, entretanto há os verdadeiros. Aqui e ali encontramos alguns legados imaginários, todavia nos acercamos dos reais. Existem os ruins legados, mas também há os bons. Existem os indesejados e desprezíveis, porém em contrapartida há os incentivadores e admirados. Enfim os legados possuem no seu conteúdo as lições testamentais de alguma maneira servíveis a serem seguidas ou rejeitadas.
Aproveitando estes momentos de tréguas em meus compromissos, venho aos caros e generosos leitores para lhes falar sobre um importante tema – o legado ministerial cristão -, especial e mais diretamente aos pregadores. Em vista da importância do assunto na natureza e características da atualidade, acredito seja também notoriamente útil aos demais de outras áreas ministeriais e eclesiásticas, quiçá seja para todas quantas existam ou demonstrem interesse. Legado ministerial cristão é algo no qual devemos nos predispor a pensar.
Realmente há legados nas mais diversas áreas da vida. Porém neste artigo refiro-me especial e especificamente ao legado ministerial cristão. O legado que se refere aos feitos construídos num ministério cristão. Num tempo em que multidões aquecem-se e contentam-se na momentaneidade transitória, raras e pouquíssimas pessoas pensam e agem de forma previdente e apropriada em conformidade com princípios, com respeito e probidade, com propriedade e seriedade, com uma visão de futuro, estando cônscias e lúcidas de suas fragilidades e limitações diante das periculosidades sorrateiras e influenciadoras dos tempos hodiernos.
E falando de ministério cristão, esta expressão “legado” se torna sempre oportuna especialmente para todos aqueles que encontram-se começando num ministério. E é tão primordial prioritariamente para todos aqueles que já estão em pleno desenvolvimento dele e por suficientemente tão contentadora para aqueles experientes que já passaram pelas tantas situações que caracterizam ativamente as fases de construção de seus feitos no desempenho de seus ministérios. O que está escrito na vida, nela feito está e não se há como mudar ou apagar, todavia se há como de muitas maneiras aperfeiçoar pelo que ora está em andamento e o que pela frente está por vir.
Um legado pode ser duradouro, digno de ser lembrado, aquiescido, respeitado, honrado e seguido. Mas também em contrapartida pode ser desprezado, evitado, esquecido. E em se tratando de ministério cristão, geralmente viemos a conhecer e a tomar consciência da força e poder do legado que construímos somente quando nos percebemos que já estamos em alto e pleno desenvolvimento de nossa vida ministerial e eclesiástica. O imediatismo e a pressa tem abraçado muita gente afoita e insipiente que antes de ascender ao ministério cristão pensa equivocadamente a seu respeito. Depois que passam a ocupá-lo alguns se perde nele descuidadamente por não preservar, ou lamentavelmente não saber conduzir, a identidade do ministério cristão que desempenha.
Que triste seria a ausência de legados e o desinteresse pela busca confiante e investimento seguro de sucessores para continuarem os nossos legados. Possivelmente seja encontrada aqui a resposta pela qual temos visto muitos haverem passado no ministério cristão e depois de haverem sido recolhidos à eternidade foram caídos no profundo esquecimento, ou deixaram imensas lacunas nos seus legados, por não haverem provido sucessores como frutos de suas indicações confiantes ou de seus investimentos seguros.
Alguns lamentavelmente construíram legados unitaristas, e pensando unilateralmente em si mesmos, impuseram indicações e investiram no que Deus não separou. Talvez haja sido em função dos olhares ansiosos haverem sido postos sobre alguns caracteres preconcebidos que “lhes fizera passar em sua frente”, esquecendo que ainda lhes faltava enxergar um novo caracter antes não visto à luz dos olhos. enquanto outros mais felizes e eficazes sabiamente construíram legados participativos e com isto imprimiram marcas de eficiência e probidade inesquecíveis em gerações posteriores e seus legados por conseguinte vêm ao longo desses anos nos promovendo incentivos, admirações, respeitabilidade, utilidade, dignidade e durabilidade.
Conheço alguns homens de Deus que, conhecendo o domínio apropriado de visar a temporalidade e a utilidade de seus legados, muito têm nestes tempos modernos ensinado nas suas simplicidades e capacidades os segredos de efetivamente preparar, confiantemente prontificar e seguramente aperfeiçoar sucessores para a obra, cada um destes nos seus respectivos ministérios para os quais demonstram inconfundivelmente haverem sido chamados e vocacionados – posso aqui com segurança afirmar que juntamente a outros sou um dos frutos desses homens de Deus fiéis e dedicados, mesmo dentro de suas realidades e limitações. Vezes por outras me disponho a ir algumas dezenas de kilômetros mais além e tenho o privilégio de ser cordial e irmanadamente recebido em suas mesas.
Assim como a vida, o legado possui também começo, meio e fim. Nem sempre uma pessoa que inicia a atividade ministerial se apercebe de que está com isto iniciando a escrever as primeiras páginas de seu próprio legado, e tudo o que visam são os números e quantidade de feitos. Que nos dera aos iniciantes tomarem consciência desta verdade, para que soubessem de fato construir melhor e com qualidade os seus legados e a posteridade tomar conhecimento deles e neles poder se espelhar.
No começo da construção de feitos, imperceptivelmente se está abrindo um legado. É interessante que nesta fase inicial do legado assume-se a posição de pouco olhar para trás, pois equivocadamente se pensa que por não ter palpavelmente nada ainda construído não precisaria por algumas vezes tomar tempo em olhar para trás. Quando exatamente aí muitos cometem a terrível negligência em não olhar os legados de outros que realmente Deus levantou antes de nós e para tantos servem muito bem.
Claro e evidente que no começo pouco se tenha construído quando ainda as escolhas das peças do grande “quebra-cabeça” da vida estão começando a surgirem e as junções dessas peças também ainda começam por se revelarem a quais dos “encaixes” elas se apropriarão.
Nesta fase do começo de um legado é muito natural e comum tomar-se a atitude de apenas olhar mais para a frente, para o futuro, e pouco olhar para trás. Ainda, nesta fase aparece a forte característica de olhar o agora tenra e limitadamente. Para quem está começando um legado é patente o estado de busca e anseios sonhando com o futuro esperado desejando que este comece o mais breve possível. Mas também se desperta com a visão de que tudo que está empreendendo ainda é muito pouco e carece de maior consistência em vista do que percebe em outros mais experimentados e do que ainda está por vir.
Um dos pontos de erros notados em alguns experientes é a paupérrima visão da extensão da seara e suas necessidades reais e a ausência de ousadia e incentivação em plantar sementes de investimentos naqueles que estão começando os seus legados, dessa forma permitindo negligentemente que alguns destes inexperientes caiam em estado de desmotivação e quando estes retomam ânimos saltam notadamente a cairem nas mãos de “tratadores de lobos” que maliciosamente subtraem a verdadeira simplicidade e motivação para o ministério cristão.
No meio dessa construção de feitos, já se é possível notar os fatos em desenvolvimento no legado. Claramente se desponta a preocupação de olhar mais para o momento do agora no que já está sendo realizado. O olhar para trás assume uma posição que se faz perceber e ajuizar as coisas com mais acuidade e consideravelmente melhor do que antes quando no começo do legado.
Agora já não se pode fechar os olhos para o que houvera feito para trás. É momento de começar aprender com o que ficou para trás e realizar o agora de forma mais consistente e aprimorada. Nesta fase da construção do legado surge um novo elemento na experiência ministerial cristã – olhar para frente de forma prudente, acurada e eficiente. Nesta fase de construção do legado tudo começa a tomar claridade na junção das peças do “quebra-cabeça”. Já não se pode mais olhar para frente como quando era feito no começo da construção do legado. Quem contraria ou ignora esta verdade entra em péssimas veredas e compromete a utilidade e dignidade do seu legado.
É no meio do legado, no alto e pleno desenvolvimento deste, que a luz daquele que o está construindo já se faz alta, tornando-se fácil de está sujeito às cobranças, às críticas, enfim a ser visto mais de perto e cuja mordomia toma um volume muito grande. Muitos esquecendo estes pequenos segredos e não se dando contas disto, continuam construindo os seus legados da mesma forma de como quando começaram a desempenhar os seus ministérios. Por esta causa tantos perdem a credibilidade, “caem na malha” astuta e sagaz do adversário, “passam os pés pelas mãos”, agarram-se onde e em quem deveriam evitar se agarrarem, fazem o que jamais deveriam pensar em fazer, enfim terminam prematuramente “fazendo coisas de meninos” inconstantes, envoltos em “fraldas” de ilusões temporárias e passageiras. Nesta fase do meio do legado, bom seria adotar a “visão de águia” em atingir com longo alcance quais os melhores feitos que ganhem maior temporalidade e utilidade para a posteridade.
O fim do legado. Os feitos concluintes de um legado. Na verdade nunca sabemos ou conhecemos realmente o fim da construção de nosso legado antecipadamente. Todavia alguns indícios nos levam a perceber pela nossa experiência de vida e pelas circunstâncias dos contextos que nos cercam que estaríamos bem avançados na construção de nosso legado. Um dos indícios é a revisão e declaração e contagem do que em nossa história já construímos.
Somos tendenciosos a enxergar mais a quantidade e menos a qualidade de nossos feitos. Sem dúvida a quantidade e a variedade de feitos que realizamos deve ser realmente levada em conta, entretanto o que mais confere maior temporalidade e utilidade é a qualidade desses feitos e quais frutos eles resultarão e a possibilidade e a probabilidade de serem multiplicados em outros frutos. Um triste erro que assalta sorrateiramente o empenho da qualidade de um legado é atentar apenas para o somatório de coisas e atividades que se tem feito e ocupar-se menos com a qualidade deles e dos que poderão realizar.
Não podemos nos limitar especialmente a números de feitos, entretanto nos firmar a quais dentre esses números possuem a qualidade real que os faça serem multiplicados progressivamente em outros números. Podemos tomar muito tempo e esforço numa atividade ou tarefa, mas que esta seja de tamanha eficácia e qualidade que obtenha a abrangência e a amplitude de serem multiplicados os frutos dela advindos.
Aqui lhes apresento um conselho natural, mas muitíssimo válido e útil – não tomemos tempo em fazer muitos paliativos, porém nos determinemos a construir uma única vacina que promova a maior amplitude de benefícios duradouros ao maior número que dela fazer uso. Não nos ocupemos a construir muitos atalhos, mas nos empenhemos a edificar um único caminho que supere potencialmente e atinja beneficientemente o maior número dos que nele trilhar.
Outro indício que lampeja o fim de um legado é o lugar e o volume em que as exortações se externam com maior contundência e relevância. Nessa fase tudo parece, e apenas parece, demonstrar que nada há mais de novo para ser visto ou feito. Nessa fase, se faz necessário rever as suas condições de fé, estar convicto e consciente de que “combateu o bom combate, terminou a carreira e manteve a fé”, sabendo que os feitos mais recentes serão mais lembrados e contados do que os primeiros ocorridos nos limiares da construção do legado.
Há quem se entregue por satisfeito pelo que já construiu declarando conclusivamente do que nada pode mais realizar, e existem aqueles que apesar das suas muitas experiências olha mais para trás oferecendo lampejos de que a redação de sua vida ministerial cristã está validamente concluída podendo empreender eventualmente em construir mais algum feito futuro.
Mas também felizmente há quem nesta fase, que realmente apenas estimamos seja antecipadamente a conclusão do legado, se mantenha olhando para o agora jubilosamente, por estar pleno de experiência e consciente de todos os seus feitos, concebendo melhor a existência de erros e acertos cometidos nas fases anteriores para que a posteridade seja melhor e possa fazer melhor em evitá-los, compreendendo que comparativamente já tenha adquirido as marcas suficientemente comprováveis do caminho percorrido.
Nesta atitude de satisfação surge o verdadeiro regozijo no íntimo de qualquer um que compreende e percebe a sensação antecipada do sabor do dever cumprido, ainda que saiba consciente e convictamente que encontra-se cumprindo-o continuadamente na condição de um eterno devedor até o momento efetivamente conclusivo.
Existem os que nesta fase da construção do seu legado, consiga olhar para frente esperançosamente ao que lhes está reservado. Olhando para trás conscientemente, observa o agora jubilosamente e enxerga o futuro esperançosamente. Que graça singular!
Em se tratando de ministério cristão, qualquer um de nós pode sentir e identificar em que fase do legado está atravessando. As nossas faculdades humanas percebem naturalmente essas fases de começo, meio e fim da construção de nossos feitos, mas nem sempre nos detemos e nos damos conta detalhadamente nelas, não as percebemos com maior diligência e propriedade. Negligenciar essa observação seria comprometer a habilidade de auto-exame da própria história de feitos e desaguar na insuficiência de avaliação.
Um legado para ser classificado entre os bons legados e ser duradouro pelo menos precisa apresentar duas qualidades fundamentais para ser admirado pela posteridade:
Primeiro, precisa ser útil para que sirva de exemplo a ser seguido e respeitado. Se um legado serve para ser admirado e seguido por muito tempo, então ele possui utilidade e respeitabilidade. Legados menosprezados são legados deficientes, sombrios e além da média das dúvidas e da inutilidade. Pouco durará e quase nada representará para a posteridade e tão logo passe o tempo cai efetivamente na inutilidade e se faz suplantado por outros.
E depois, precisa ser digno para que seja duradouro e obtenha temporalidade acima das expectativas da média comum dos que constroem feitos semelhantes. Legados facilmente esquecidos são legados indignos e aquém da média dos que constroem feitos de mesmas natureza e características. Ninguém copiosamente adotará um legado publicamente indigno e quase nada falará à posteridade. Pior se torna o legado publicamente inútil e indigno do qual nem mesmo a maioria dos mais próximos o desejaria copiar a sua menor parte que seja.
Qualquer um que inicie um ministério seria de bom alvitre entender estas verdades e saber conscientemente que está iniciando um legado para gerações futuras.
É muito comum encontrarmos nas últimas lembranças de um legado as expressões de reconhecimentos, de lamentos, de agradecimentos, de contentamento e de júbilo. Características quase comuns em todos os legados.
Alguns legados pouco expressam em lições úteis e aplicáveis e apenas reconhecem oportunidades, pessoas e instituições. Outros se contêm em resumos soltos de fatos isolados, lamentam pelo que não pôde ser feito e agradecem a pessoas e a instituições. Ainda outros de forma incompleta reconhecem, lamentam e agradecem, nos deixando lacunas em branco e nenhum incentivo que influencie a posteridade. Além desses, existem os mais admiravelmente completos que nos fazem perceber a importância e valores de oportunidades havidas, pessoas de alguma forma participantes dele, fatos e instituições, expressando de forma integral reconhecimentos reais, agradecimentos claramente devidos e sinceros, contentamento e profundas lições transmissoras de incentivos, júbilos, gosto e atrativos a serem aprendidos, copiados, seguidos, vividos, propagados e mantidos vivos.
Estamos infelizmente vivenciando o desprezo aos legados úteis e dignos. Estamos vivendo infelizmente um tempo de menosprezo e inversão de valores, de transformações sociais completamente desniveladas e inteiramente relativistas. Um tempo no qual pouco se percebe da responsabilidade sobre o que alguém está construindo para ser transmitido à posteridade. A momentaneidade e o imediatismo influenciam multidões a “trocarem mutantemente de cores, roupagem e camuflagem” de forma submissa à transitoriedade, pouco se importando com suas gerações. Um tempo de artificialidade e de superficialidade, no qual o imediatismo e a transitoriedade estão em alta e o mais importante é atender o que mais se quer ser visto e notado e até seguido no momento, ainda que contrarie aos ensinamentos contidos na Escritura Sagrada. Um tempo em que o mais importante não é a mediana e sim a moda. Um tempo em que os elementos da freqüência são desprezados e os parâmetros apresentem riscos e confusões. Um tempo em que quase ninguém se dispõe a enxergar e perceber a leitura das verdades contidas na representação gráfica da vida.
A Bíblia expressamente nos faz ver que estamos vivendo um tempo em que lamentavelmente alguns de maneiras inconseqüentes concorrem e somam para o menosprezo, banalização e desrespeito para com as coisas de Deus e tudo com que a Ele se adora.
Que nos empenhemos construir nossos feitos visualizando quais qualidades desejamos sejam caracterizados os nossos legados. Que desejamos transmitir de nossos feitos para a posteridade? Na busca constante de afinação aos padrões éticos cristãos em construir nossos feitos que certamente comporão nossos legados, ganhemos mais êxito no aprimoramento de fazê-los cada vez melhor diante desses dias pós-modernos e sombrios, nos quais o relativismo investe contra todas as áreas da sociedade humana. Vamos, pois, construir legados úteis, dignos, duradouros, para que as gerações posteriores possam se orgulhar de nossos desempenhos nos ministérios cristãos que nos foram confiados. Certamente a posteridade vai identificar nossos erros e acertos, nossas fragilidades e limitações, e aprender lições deles, todavia por outro lado que possam relevantemente sobressair nossas virtudes a serem admiravelmente aplicadas e serem sensatamente compreendidas as nossas deficiências, e se possível sempre nos fora que estas sejam naturalmente menores.
Respeitosa e cordialmente convido aos diletos leitores e caros companheiros a refletir no que podemos realizar efetivamente para que os nossos legados sejam instrumentos que poderosamente influenciem à posteridade.
PbGS
http://www.glaukosantos.com
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
A VERDADE – o pilar que sustenta nossa vida e pregação.
A VERDADE – o pilar que sustenta nossa vida e pregação.
Aproveitando este pequeno espaço de tempo após algumas horas de descanso de viagem, não poderia permitir passarem estas fagulhas do Espírito nem deixar escondidas estas sementes que ainda me sobraram das semeaduras realizadas neste período de feriado.
Um período de mentiras e ilusões que engana e diverte multidões de almas que atravessam os mais de trezentos dias do ano inteiro pensando e concentrando esforços especiais nas margens de suas possibilidades individuais para de tudo fazerem em alguns poucos dias tão rápidos e passageiros que a mágica das trevas suposta e ilusoriamente os enfeitam em longos e esplendidos. E como este, tantos outros abrem-se em nosso calendário.
Um turbilhão de mentiras e ilusões interesseiras que arrasta, impele, comprime e oprime uma multidão de almas cativas e anestesiadas pelo êxtase da pseudofama carnavalesca.
Louvo e magnífico a Deus porque algumas igrejas não cessaram o sonido de suas trombetas e não calaram o som de suas vozes em dias difíceis nos quais a oposição à verdade se faz mais clara. Neste curto período intitulado de feriado carnavalesco não me houve tempo para fechar o Sagrado Livro de Deus e nem tampouco afastar-me de meus compromissos já anteriormente tratados entre amigos. Acredito piamente não mais termos ou nos entregarmos ao luxo de nos escondermos em retiros individuais ou coletivos e mandarmos ou deixarmos que outros toquem as nossas trombetas em nossos posto e posição sob as mais variadas escusas que quiséssemos manifestar. Na verdade, alguns escondem-se, outros fogem e ainda outros segregam-se enrustidamente, todavia outros ousadamente tocam suas trombetas de forma altissonante enquanto atacam ofensivamente com a verdade de Deus contra as fortalezas de mentiras e ilusões do adversário. Aleluia!
Nem tudo que fazemos expressa ou representa exatamente o que de nós mesmos queríamos ou desejaríamos realizar para agradar a ótica alheia.
Das tantas coisas na vida que realizamos, algumas na verdade fazemos por questões de obediente entrega, de obrigação ou de necessidade. Excetuando a primeira, estas duas últimas quase sempre gostaríamos de evitar repeti-las, ou que a elas não fôssemos mais obrigados nem pela força do dever nem pelo impulso da necessidade.
Quase sempre no que fazemos, as escolhas e decisões sempre vão ser norteadas pelas nossas preferências e necessidades. Na verdade, existem algumas coisas que desejamos nunca acontecessem, se partissem e dependessem de nossas vontades e escolhas. Entretanto, quando se trata de prontas obediência e entrega, temos que seguir adiante vendo que elas em algum momento vão acontecer dentro ou alheias das nossas vontades.
Imaginemos quão difícil fora para os judeus antigos recém-egressos do cativeiro assírio sob os cuidados de Esdras e Neemias, depois de tanto tempo casados com as mulheres estranhas à sua linhagem, terem de dispensá-las de volta para as suas pátrias, por serem eles orientados pelos seus líderes a seguirem a verdade – que difícil fora para Esdras e Neemias ver uma multidão de mulheres e filhos terem que deixar os homens seus maridos a quem aprenderam a amar e a servi-los como esposas e partirem para seus lugares de origem deixando-os para trás. Imaginemos ainda quão difícil fora para os hebreus sob o comando de Josué terem que apagar os vestígios de servidão a outros deuses e decidirem num momento com suas casas servirem ao Senhor que é o Deus Verdadeiro. Imaginemos quão difícil fora para o então Abrão sair de sua terra e de seu convívio, deixando para trás a sua parentela e sair como estrangeiro e peregrino guiado pela verdade da promessa de Deus para uma terra que ainda no futuro ser-lhe-ia mostrada pelo Senhor. Imaginemos quão difícil fora para a igreja primitiva receber e aceitar como sendo verdadeira a conversão do então perseguidor Saulo de Tarso que zelava pela verdade, e que mais tarde recebera do Senhor o novo nome de Paulo e pregava a verdade muitas vezes afirmando “digo a verdade e não minto”.
Dizer a verdade, não faltar com a verdade, sustentar a verdade, ensinar a verdade e pregar a verdade não são deveres tão fáceis de ser cumpridos. Quando assim fazemos, certamente em muitos momentos e ocasiões não seremos bem aceitos, acatados, reconhecidos e aplaudidos por quem da verdade foge ou se faz oposto a ela por quaisquer motivos que sejam ou possuam. E um dos pilares que nos sustentam e nos ancoram na vida de pregador ou ensinador é exatamente este princípio basilar – amar a verdade -. Certamente todos nós gostamos de dizer verdades aos outros, porém nem todos gostamos de ouvir verdades sobre nós mesmos, ainda mais quando elas nos confrontam à luz daquilo que realmente somos ou que em algum momento fazemos, de bom ou de deficiente. Bem como quando as verdades contrariam ou literalmente descobrem e desnudam algo mantido por nossas conveniências ou caprichos pessoais – quantos conflitos isto causa...! Seja por isso que alguns planos e intenções escusos concorrem em promover inimizades para com quem sustenta e fala a verdade. A verdade coopera para construir e solidificar amigos, mas também em outras vezes ela revela inimigos. E quantos se fazem inimigos por serem parciais para com a verdade de amigos.
Imaginemos quão difícil foi a vida terrena do Senhor Jesus Cristo entre os homens por não faltar com a verdade dizer sempre a verdade, ensinar e pregar a verdade, sendo Ele mesmo a Verdade. Quão difícil fora para as pessoas e os meios, conformados aos seus próprios hábitos, tradicionalismo e visões particulares e convenientes, o ouvir a verdade pregada pelo Senhor Jesus. Quantos ressentimentos e intenções de retaliações e perseguições se colocaram em oposição à verdade pregada pelo nosso Bom Mestre e Senhor Jesus.
Ainda, usando nossas capacidades de imaginação sobre os escritos históricos e neotestamentários, podemos consistentemente deduzir o quão difícil fora a vida dos primeiros apóstolos e discípulos nos primeiros passos limiares da igreja primitiva por em razão de haverem se fundamentado na verdade, não faltar com a verdade e pregar a verdade, sob pena de comprometerem suas integridades físicas sofrendo violência por causa da verdade. Quantas oposições os fizeram de alvos indesejáveis e de opróbrios aos olhos dos demais por pregarem a verdade. Quantos interesses e zelos costumeiros desejaram abafar e calar a verdade ensinada e pregada por aqueles homens simples e do meio do povo em sua maioria.
Por fim, lembremos de um dos homens que pouco dele se fala em muitos púlpitos, o qual por falar a verdade fora alvo de desprezo, de rejeição, de reprovação e de inimizade em seu tempo – Micaías, um profeta contemporâneo do rei Acabe -. Quão difícil fora também a vida de Micaías entre os seus contemporâneos poderosos e amigos dos poderosos. Imaginemos o que os amigos íntimos e os assistentes afetivos diretos do rei Acabe não comentavam nos corredores e passos do palácio sobre a pessoa de Micaías. Perguntamos, que conceito o palácio poderoso de Acabe dava a Micaías por pregar a verdade? Para o rei e seu palácio, o profeta Micaías era um fornecedor de más notícias, um desencorajador, um pessimista, um revoltado, uma oposição!
Realmente podemos visualizar o quão difícil é em todos os tempos, falar a verdade, sustentar a verdade, ensinar e pregar a verdade, haja vista que a verdade pode comprometer posições, hábitos, costumes, tradições, conveniências e até mesmo algumas licitudes.
Dos exemplos acima, quero neste artigo aplicativamente focar este último por estar mais próximo das muitas coisas que acontecem no tempo hodierno – o de Micaías, um simples profeta de Samaria -. Que tamanho impacto constante tivera a vida desse homem por sua palavra estar afinada com a Palavra de Deus e aliada ao seu compromisso com ela. O grande problema que se opunha à palavra da verdade que saía da boca de Micaías se concentrava numa visão desequilibrada alimentada pelas lentes morais fora de foco e inteiramente distorcidas do rei Acabe. Que lamentável se torna o fim de quem se opõe à verdade por haver entrado em caminhos que levam à contra-mão dela. A resposta para abafar ou calar a verdade se desfecha em revanchismos, em perseguições quando não abertas, camufladas e ocultas.
Imaginemos se a câmara do rei Acabe possuísse o “telefone vermelho” (linha especial privativa) para através deste o rei ligar para os seus amigos e colegas para dar a “folha corrida construída com sua visão individual e particular” sobre Micaías. Que poderiam os “grampos” colherem e revelarem das conversas telefônicas que desmereciam a pessoa, a vida e a obra do profeta Micaías? No palácio não havia concordância à palavra da verdade que saía da boca de Micaías. No palácio não abrigava boas recomendações sobre Micaías. No palácio a palavra que saía da boca de Micaías de nada ou pouco tinha receptividade. Enfim, Micaías contrariava totalmente o rei Acabe e representava um aborrecimento ao seu palácio por aquele externar a verdade para, sobre e com este. O que o palácio tanto desejava era que Micaías falasse em nome da boa-vontade e da diplomacia politiqueira, mas o profeta não engenhava adaptações na sua mensagem para agradar ou satisfazer a situações e a pessoas. Que difícil fora a vida do Micaías...! Mal-interpretado em razão da errante capacidade perceptiva e insensível do seu rei.
Há verdades que despertam ânimos, ampliam visões e descortinam caminhos e horizontes para o sucesso. O que o profeta Micaías estava há muito querendo dizer ao rei Acabe era que este mudasse a sua linha de visão pessoal e de comportamento para que este obtivesse o completo sucesso. O que Micaías desejava era cumprir o seu papel de profeta dizendo a verdade para ver o bem do seu rei e do seu povo, mas pena que as ocupações particulares e o mundo pessoal do rei Acabe não lhe facultavam a capacidade de percepção e nem o senso de verdade para aplicar a sensibilidade sobre o que Micaías lhe transmitia. A verdade que Micaías pregava iria em muito servir em despertar o ânimo do seu rei ao rumo verdadeiro para realmente levá-lo a temer ao Senhor, para contribuí-lo em ampliar sua visão e lhe fazer provocar mudanças de caminhos e de sensibilidade espiritual.
Uma das virtudes de todo aquele que fala e prega a verdade é não efetuar bajulações e nem temer bajuladores. O profeta de Samaria, Micaías, possuía essa virtude e tanto assim era a sua prática que por ela recebeu uma bofetada no rosto por um de seus pares na frente do rei e de seus convidados de conselho de guerra na ocasião do “pré-briefing” de guerra na presença de dois reis, seus generais, seus assistentes de ordem e seus profetas particulares, mas ainda bem que existem reis como Jeosafá que levanta sua visão acima dos profeteiros particulares de plantão e manda que lhe seja apresentado um profeta que lhe fale a verdade - Quem tem visão da peleja não se conforma nem se deixa impressionar aos alaridos e alardes que vêm em sua frente -. Por vezes, para evitar situações desagradáveis e não contrariar intenções arriscadas, quantas pessoas distorcem a verdade e agem ao contrário do que fizera o profeta Micaías. Isto muitas vezes conduz o receptor-alvo da verdade a não enxergar o caminho, e de certa forma sendo-lhe covarde por vê-lo na margem do perigo e não buscar livrá-lo dizendo-lhe a verdade. Talvez se Micaías tivesse sido ouvido, mesmo falando inverdades no seu sarcasmo momentâneo para com o seu rei, obtivesse com isso um último melhor conceito amistoso, ganhasse algum bom reconhecimento, lograsse algum favorecimento do palácio. Todavia, pergunto: será que o íntimo da consciência de Micaías iria concordar ao longo do tempo com o “arranjo” que dissera? Para quem vive e prega a verdade, um tal “arranjo” desse fica aferroando-lhe e queimando-lhe para o resto de sua vida marcado no seu mundo interior que certamente o desconforto e a incomodação vão lhe perseguir e arrastar ora mais e ora menos na caminhada por ver que promoveu e induziu ao engano aqueles que para com os quais jamais deveria faltar com a verdade.
Agora trago uma boa notícia – quem prega a verdade, é sempre requisitado e mesmo que fale em tom sarcástico é inquirido enfaticamente a falar a verdade, pois em sua boca ela funciona, ainda que esta cause dores e contrariedades. Mesmo que nossos opositores gratuitos nos ojerizem e nos odeiem e que nos tenham como antipáticos, dentro de si alguma coisa vai impeli-los em algum momento a nos rogar insistentemente que falemos a verdade, porquanto em questões cruciais da vida, diante de decisões vitais, o que mais importa, o que mais significa e o que mais se conta e pesa, é exatamente a verdade que falamos ou que nos seja dita. Não importam as muitas falas de “profeteiros” e bajuladores, de fanfarrões alvissareiros, de mentirosos lisonjeiros, de subservientes irrefletidos, o que se busca e se carece como única linha de confiança é a verdade que pregamos ou que nos seja dita. Para alguns homens amantes de si mesmos, ressentidos, medrosos, se torna mais fácil assumirem o comportamento instintivo das lagartixas – “balançar sempre a cabeça verticalmente”, oferecendo mesmo como racionais, com esse gesto, a sempiterna indicação de subserviência ou de perene concordância para não contrariar, nem levantar oposições e nem cair do “ranking” da simpatia. Para esses opositores da verdade e para seus concordes e co-participes quase nada lhes importa o futuro para alguns escondido por trás das cortinas do tempo, quase em mais nada estão interessados além de seus próprios ideais. Para eles, o mais importante não são os pré-requisitos e exigências para estar prontos para a guerra, é ouvir quaisquer coisas que lhes massageiem o ego e lhes impressionem, ainda que isto os arraste aos prejuízos e à derrota fatal.
Só fala e prega a verdade quem está afinado e familiarizado aos pensamentos de Deus. Micaías era um destes seguramente afinado e extremamente familiarizado. E se quisermos falar e pregar a verdade, temos que pagar o sério preço em todas as áreas e meios para estarmos familiarizados e nos mantermos afinados com os pensamentos de Deus. Quem está afinado e familiarizado com os pensamentos de Deus promove felizes e edificantes idéias. No meio desse turbilhão de desprovidos de idéias, existem pessoas que, por serem desafinadas com os pensamentos de Deus, nenhuma idéia substancial e significativa produzem e nem por aquelas que lhes representem ultrapassagem lutam e promovem, por entediadas e ressentidas formalizarem possíveis ameaças imaginárias, porém ao receberem uma idéia fundamentada e pautada na verdade, se fazem de ignorantes e alheios a ela, contudo dias depois elas se apossam daquela idéia “aparentemente esquecida” como se esta tivesse se originado de si mesmas, desmerecem os seus idealizadores e propagam como se fossem elas as pessoas afinadas aos pensamentos de Deus e com eles possuíssem algum grau de familiaridade e se lançam como “donas da idéia”. Ao passo que o tempo passa vão se revelando que suas idéias em nada carregam da idéia original colhida dos pensamentos de Deus. E realmente olhando para o palácio de mentiras e falsidades do rei Acabe, não havia lugar nobre que recebesse e acatasse bem a palavra da verdade falada por aquele Micaías.
Uma das recompensas de quem fala e prega a verdade é que, mesmo sob incompreensões e aparente divergência, em algum momento verá a verdade que falara ou pregara ser cumprida e noticiada alheia aos seus desejos ou intenções pessoais, porquanto a verdade não está amarrada ou presa aos objetivos e propostas humanos. Em todos os tempos e épocas existiram as oposições à verdade, contudo este tempo do fim possui esta triste característica – se opor e ressentir-se com a verdade -. Para o mundo destas estações lhe é mais contornável o conviver tolerantemente com a ausência da verdade contra si e contra seus mandos e desmandos do que dar ouvidos à ela e a partir daí reconhecer a sua importância e significado.
Para o rei Acabe o profeta Micaías possuía os falsos conceitos de “mal-educado”, “desobediente”, “irreverente”, “não ou pouco confiável”, “traidor ou traiçoeiro”, “aborrecedor”, “contrariador” e possivelmente outros próprios da linguagem e dos costumes da época. Mas, segundo nossa ótica hoje olhando de fora os escritos, será que o profeta Micaías era realmente digno de todos esses conceitos injuriosos? Será que o objeto-alvo dos conceitos não está trocado? Para o detentor do poder era muito mais fácil, seguro e acessível propagar uma má fama sobre Micaías por não gostando deste fazer os outros acreditarem e apoiarem o posicionamento do rei a respeito de um profeta do meio do povo. Era muito mais fácil para o detentor do poder “pegar o seu telefone vermelho privativo” e propagar os queixumes sobre o profeta contrariador, disseminar que o pequeno profeta era "não-confiável", bem como consultar a outros reis e bajuladores sobre o que poderia fazer de um profeta mal-conceituado. Se os “grampos” colhessem as conversas telefônicas realizadas na linha privativa do “telefone vermelho” do palácio do rei Acabe e por uma quebra de sigilo fossem reveladas, quantas coisas, ressentimentos, invejas, revanches e rapinas assoladoras abrigadas no silêncio aparentemente sorridente do palácio nos surpreenderiam aqui de fora...!
Imaginemos o tamanho e a profundidade da ira que corroia no interior do rei Acabe e de seus parentes dentro do palácio contra um profeta residente no meio do povo, ouvindo e vendo o que sofria e padecia o povo de restrições e sob ameaças a qualquer momento desferidas a mando da mulher fria do rei Acabe, a falsa e maligna Jezabel, que sorrateiramente agia na companhia de seus pares maleficiosos, enquanto o silêncio do palácio cobria os ares que iriam afetar as almas daqueles que se lhes opunham e reprovavam em razão da verdade. Quão difícil é a vida de quem fala e prega a verdade...!
As únicas armas de que dispunha Jezabel eram as suas baterias de incapacidades moral e espiritual que covardemente atiravam na tentativa de abafar e abater o sucesso alheio. Jezabel, na verdade, nutria o orgulho de ser rainha e aproveitando-se da posição e do prestígio de seu marido rei, escondia-se atrás da força de autoridade dele e tramava e engenhava contra as vidas dos profetas arautos levantados e enviados por Deus ao Seu povo, e descendo ela às mais baixas operações revanchistas no seu ressentimento, conluiava-se com os seus comanditas para num só golpe fazerem desmerecer e calar as palavras de verdade nas bocas dos profetas de Deus. A verdade incomodava o brio e o espírito do rei Acabe e o sucesso alheio corroia o coração invejoso de sua mulher rainha. O rei e a rainha por certo estimavam que mais cedo ou mais tarde iriam ser confrontados pela verdade falada pelos profetas arautos de Deus contra a qual tanto o palácio lutava. Quão difícil foram os dias do profeta Micaías...! A verdade era tão forte, clara e assinaladora nas palavras do pequeno profeta Micaías que apenas sua presença incomodava o grande e poderoso rei Acabe. E por que não frisar mais diretamente daquelas que se referiam aos sucessos alheios... Micaías e seus colegas profetas realmente atravessaram dias difíceis por causa da verdade que falavam e pregavam.
Nestes dias, pois, de oposição à verdade – uma das características do tempo do fim -, lembremos de que ela é o pilar que sustenta nossa vida e nossa pregação num tempo de mentiras, de ilusões, de “faz-de-contas”, de “panos-quentes”. Ainda que as “linhas privativas” do palácio queiram e intentem nos causar demérito injustificado, continuam sendo nos tempos de crises e de tomadas de decisões cruciais nos corredores do palácio, de fome e de sede da verdade de Deus e da operação de Seu Espírito no meio do povo, não são os profeteiros que prevalecem e “funcionam” com suas palavras mentirosas e lisonjeiras e suas presenças impressionantes – o que mais os imponentes palácios e seus grandes reis desejam e anseiam ouvir sempre foi, é e sempre será a palavra firme e segura da verdade na boca de pequenos profetas que vivem-na e pregam-na aonde quer que forem enviados, convidados e acolhidos.
O mais importante não é o profeta ser acolhido e aplaudido no suntuoso e requintado palácio, ainda que alguns iludam-se com tamanha fachada de receptividade e acolhida. O mais importante não é o pequeno profeta ser colocado nos lugares mais altos entre os grandes transeuntes privilegiados de "passe-livre" do palácio. O mais importante é o Excelso e Maravilhoso Deus ser glorificado e exaltado na minúscula e passageira vida de Seu pequeno e simples profeta, bem como na sua marcante obra. Também por outro lado não são os caprichos e as insinuações do rei, nem as ameaças da rainha, nem tampouco as invejas rancorosas dos bajuladores do palácio, que calam e abafam a mensagem do profeta. Assim como tantos já se foram, eles também passam e somente o palácio fica como testemunha imponente de que nas suas salas e corredores já pisou um profeta que fala e prega a verdade. Quantas lições em profundidade nos traz a vida do profeta Micaías, e quantos “Micaías” estamos precisando para estes tempos de “Acabes”...! Pois sem a pregação da verdade dos “Micaías” de hoje os aconselhamentos mentirosos e impressionantes dos profeteiros arrastam e influenciam os “Acabes” aos erros e à derrota. E quantos “Acabes” se livram de assombrosas perdas por darem ouvidos às verdades que nossos “Micaías” pequenos e pouco expressivos falam e pregam. Mas felizes são os grandes e poderosos reis que podem ouvir e contar com a verdade contundente e estável na palavra de pequenos e simples profetas nas horas cruciais de decisões fatais.
E como eu disse na minha palestra em dois desses dias de feriado a um grupo seleto, aqui retransmito que o mais importante não é apenas a nossa desenvoltura nas oportunidades que pregamos, ou no arranjo do material que desejamos trazer ao público, mas que se profundamente desejamos que o Senhor opere milagres e maravilhas sobre a nossa pregação, toda a nossa vida e obra sejam edificadas e sustentadas sobre o pilar da verdade, ainda que alguns ao serem tocados por ela ao ouvirem-na venham por um momento a pensar nos rejeitarem. E quando naquela ocasião disse em pregar a verdade, não falei sobre o sair como irresponsáveis “atirando” coisas contra a vida particular de quem quer que seja, nem de no afã da obediência falar o que não é lícito e nem o que nos convém, mas centralizarmos toda a nossa vida e trabalho de pregação na verdade da Palavra de Deus, uma pregação centralizada inteira e completamente na Palavra de Deus, ainda que as aplicações da pregação abranjam todas as áreas práticas e particulares da vida humana – esse é um dos propósitos de uma pregação que produz vida -, independente de quem sejam os ouvintes e os públicos.
Uma coisa certa sempre é: não há nada igual ou similar o ouvir a voz do Eterno Deus na pregação e nesta o ver o agir e o mover de Deus em sinais, milagres e maravilhas instantâneos em operação conjunta com o Espírito Santo – isto é resultado de uma estrutura de vida e obra construídas e sustentadas sobre o pilar da verdade. Pode ser que os “Acabes” repulsem e rejeitem os “Micaías”, porém sempre existem os reis “Jeosafás” ponderados, conscientes, sóbrios e sensíveis ao Espírito de Deus que desprezam os bajuladores profeteiros dos palácios e mandam buscar os verdadeiros profetas “Micaías” para que diante de si falem e preguem a verdade.
PbGS
Aproveitando este pequeno espaço de tempo após algumas horas de descanso de viagem, não poderia permitir passarem estas fagulhas do Espírito nem deixar escondidas estas sementes que ainda me sobraram das semeaduras realizadas neste período de feriado.
Um período de mentiras e ilusões que engana e diverte multidões de almas que atravessam os mais de trezentos dias do ano inteiro pensando e concentrando esforços especiais nas margens de suas possibilidades individuais para de tudo fazerem em alguns poucos dias tão rápidos e passageiros que a mágica das trevas suposta e ilusoriamente os enfeitam em longos e esplendidos. E como este, tantos outros abrem-se em nosso calendário.
Um turbilhão de mentiras e ilusões interesseiras que arrasta, impele, comprime e oprime uma multidão de almas cativas e anestesiadas pelo êxtase da pseudofama carnavalesca.
Louvo e magnífico a Deus porque algumas igrejas não cessaram o sonido de suas trombetas e não calaram o som de suas vozes em dias difíceis nos quais a oposição à verdade se faz mais clara. Neste curto período intitulado de feriado carnavalesco não me houve tempo para fechar o Sagrado Livro de Deus e nem tampouco afastar-me de meus compromissos já anteriormente tratados entre amigos. Acredito piamente não mais termos ou nos entregarmos ao luxo de nos escondermos em retiros individuais ou coletivos e mandarmos ou deixarmos que outros toquem as nossas trombetas em nossos posto e posição sob as mais variadas escusas que quiséssemos manifestar. Na verdade, alguns escondem-se, outros fogem e ainda outros segregam-se enrustidamente, todavia outros ousadamente tocam suas trombetas de forma altissonante enquanto atacam ofensivamente com a verdade de Deus contra as fortalezas de mentiras e ilusões do adversário. Aleluia!
Nem tudo que fazemos expressa ou representa exatamente o que de nós mesmos queríamos ou desejaríamos realizar para agradar a ótica alheia.
Das tantas coisas na vida que realizamos, algumas na verdade fazemos por questões de obediente entrega, de obrigação ou de necessidade. Excetuando a primeira, estas duas últimas quase sempre gostaríamos de evitar repeti-las, ou que a elas não fôssemos mais obrigados nem pela força do dever nem pelo impulso da necessidade.
Quase sempre no que fazemos, as escolhas e decisões sempre vão ser norteadas pelas nossas preferências e necessidades. Na verdade, existem algumas coisas que desejamos nunca acontecessem, se partissem e dependessem de nossas vontades e escolhas. Entretanto, quando se trata de prontas obediência e entrega, temos que seguir adiante vendo que elas em algum momento vão acontecer dentro ou alheias das nossas vontades.
Imaginemos quão difícil fora para os judeus antigos recém-egressos do cativeiro assírio sob os cuidados de Esdras e Neemias, depois de tanto tempo casados com as mulheres estranhas à sua linhagem, terem de dispensá-las de volta para as suas pátrias, por serem eles orientados pelos seus líderes a seguirem a verdade – que difícil fora para Esdras e Neemias ver uma multidão de mulheres e filhos terem que deixar os homens seus maridos a quem aprenderam a amar e a servi-los como esposas e partirem para seus lugares de origem deixando-os para trás. Imaginemos ainda quão difícil fora para os hebreus sob o comando de Josué terem que apagar os vestígios de servidão a outros deuses e decidirem num momento com suas casas servirem ao Senhor que é o Deus Verdadeiro. Imaginemos quão difícil fora para o então Abrão sair de sua terra e de seu convívio, deixando para trás a sua parentela e sair como estrangeiro e peregrino guiado pela verdade da promessa de Deus para uma terra que ainda no futuro ser-lhe-ia mostrada pelo Senhor. Imaginemos quão difícil fora para a igreja primitiva receber e aceitar como sendo verdadeira a conversão do então perseguidor Saulo de Tarso que zelava pela verdade, e que mais tarde recebera do Senhor o novo nome de Paulo e pregava a verdade muitas vezes afirmando “digo a verdade e não minto”.
Dizer a verdade, não faltar com a verdade, sustentar a verdade, ensinar a verdade e pregar a verdade não são deveres tão fáceis de ser cumpridos. Quando assim fazemos, certamente em muitos momentos e ocasiões não seremos bem aceitos, acatados, reconhecidos e aplaudidos por quem da verdade foge ou se faz oposto a ela por quaisquer motivos que sejam ou possuam. E um dos pilares que nos sustentam e nos ancoram na vida de pregador ou ensinador é exatamente este princípio basilar – amar a verdade -. Certamente todos nós gostamos de dizer verdades aos outros, porém nem todos gostamos de ouvir verdades sobre nós mesmos, ainda mais quando elas nos confrontam à luz daquilo que realmente somos ou que em algum momento fazemos, de bom ou de deficiente. Bem como quando as verdades contrariam ou literalmente descobrem e desnudam algo mantido por nossas conveniências ou caprichos pessoais – quantos conflitos isto causa...! Seja por isso que alguns planos e intenções escusos concorrem em promover inimizades para com quem sustenta e fala a verdade. A verdade coopera para construir e solidificar amigos, mas também em outras vezes ela revela inimigos. E quantos se fazem inimigos por serem parciais para com a verdade de amigos.
Imaginemos quão difícil foi a vida terrena do Senhor Jesus Cristo entre os homens por não faltar com a verdade dizer sempre a verdade, ensinar e pregar a verdade, sendo Ele mesmo a Verdade. Quão difícil fora para as pessoas e os meios, conformados aos seus próprios hábitos, tradicionalismo e visões particulares e convenientes, o ouvir a verdade pregada pelo Senhor Jesus. Quantos ressentimentos e intenções de retaliações e perseguições se colocaram em oposição à verdade pregada pelo nosso Bom Mestre e Senhor Jesus.
Ainda, usando nossas capacidades de imaginação sobre os escritos históricos e neotestamentários, podemos consistentemente deduzir o quão difícil fora a vida dos primeiros apóstolos e discípulos nos primeiros passos limiares da igreja primitiva por em razão de haverem se fundamentado na verdade, não faltar com a verdade e pregar a verdade, sob pena de comprometerem suas integridades físicas sofrendo violência por causa da verdade. Quantas oposições os fizeram de alvos indesejáveis e de opróbrios aos olhos dos demais por pregarem a verdade. Quantos interesses e zelos costumeiros desejaram abafar e calar a verdade ensinada e pregada por aqueles homens simples e do meio do povo em sua maioria.
Por fim, lembremos de um dos homens que pouco dele se fala em muitos púlpitos, o qual por falar a verdade fora alvo de desprezo, de rejeição, de reprovação e de inimizade em seu tempo – Micaías, um profeta contemporâneo do rei Acabe -. Quão difícil fora também a vida de Micaías entre os seus contemporâneos poderosos e amigos dos poderosos. Imaginemos o que os amigos íntimos e os assistentes afetivos diretos do rei Acabe não comentavam nos corredores e passos do palácio sobre a pessoa de Micaías. Perguntamos, que conceito o palácio poderoso de Acabe dava a Micaías por pregar a verdade? Para o rei e seu palácio, o profeta Micaías era um fornecedor de más notícias, um desencorajador, um pessimista, um revoltado, uma oposição!
Realmente podemos visualizar o quão difícil é em todos os tempos, falar a verdade, sustentar a verdade, ensinar e pregar a verdade, haja vista que a verdade pode comprometer posições, hábitos, costumes, tradições, conveniências e até mesmo algumas licitudes.
Dos exemplos acima, quero neste artigo aplicativamente focar este último por estar mais próximo das muitas coisas que acontecem no tempo hodierno – o de Micaías, um simples profeta de Samaria -. Que tamanho impacto constante tivera a vida desse homem por sua palavra estar afinada com a Palavra de Deus e aliada ao seu compromisso com ela. O grande problema que se opunha à palavra da verdade que saía da boca de Micaías se concentrava numa visão desequilibrada alimentada pelas lentes morais fora de foco e inteiramente distorcidas do rei Acabe. Que lamentável se torna o fim de quem se opõe à verdade por haver entrado em caminhos que levam à contra-mão dela. A resposta para abafar ou calar a verdade se desfecha em revanchismos, em perseguições quando não abertas, camufladas e ocultas.
Imaginemos se a câmara do rei Acabe possuísse o “telefone vermelho” (linha especial privativa) para através deste o rei ligar para os seus amigos e colegas para dar a “folha corrida construída com sua visão individual e particular” sobre Micaías. Que poderiam os “grampos” colherem e revelarem das conversas telefônicas que desmereciam a pessoa, a vida e a obra do profeta Micaías? No palácio não havia concordância à palavra da verdade que saía da boca de Micaías. No palácio não abrigava boas recomendações sobre Micaías. No palácio a palavra que saía da boca de Micaías de nada ou pouco tinha receptividade. Enfim, Micaías contrariava totalmente o rei Acabe e representava um aborrecimento ao seu palácio por aquele externar a verdade para, sobre e com este. O que o palácio tanto desejava era que Micaías falasse em nome da boa-vontade e da diplomacia politiqueira, mas o profeta não engenhava adaptações na sua mensagem para agradar ou satisfazer a situações e a pessoas. Que difícil fora a vida do Micaías...! Mal-interpretado em razão da errante capacidade perceptiva e insensível do seu rei.
Há verdades que despertam ânimos, ampliam visões e descortinam caminhos e horizontes para o sucesso. O que o profeta Micaías estava há muito querendo dizer ao rei Acabe era que este mudasse a sua linha de visão pessoal e de comportamento para que este obtivesse o completo sucesso. O que Micaías desejava era cumprir o seu papel de profeta dizendo a verdade para ver o bem do seu rei e do seu povo, mas pena que as ocupações particulares e o mundo pessoal do rei Acabe não lhe facultavam a capacidade de percepção e nem o senso de verdade para aplicar a sensibilidade sobre o que Micaías lhe transmitia. A verdade que Micaías pregava iria em muito servir em despertar o ânimo do seu rei ao rumo verdadeiro para realmente levá-lo a temer ao Senhor, para contribuí-lo em ampliar sua visão e lhe fazer provocar mudanças de caminhos e de sensibilidade espiritual.
Uma das virtudes de todo aquele que fala e prega a verdade é não efetuar bajulações e nem temer bajuladores. O profeta de Samaria, Micaías, possuía essa virtude e tanto assim era a sua prática que por ela recebeu uma bofetada no rosto por um de seus pares na frente do rei e de seus convidados de conselho de guerra na ocasião do “pré-briefing” de guerra na presença de dois reis, seus generais, seus assistentes de ordem e seus profetas particulares, mas ainda bem que existem reis como Jeosafá que levanta sua visão acima dos profeteiros particulares de plantão e manda que lhe seja apresentado um profeta que lhe fale a verdade - Quem tem visão da peleja não se conforma nem se deixa impressionar aos alaridos e alardes que vêm em sua frente -. Por vezes, para evitar situações desagradáveis e não contrariar intenções arriscadas, quantas pessoas distorcem a verdade e agem ao contrário do que fizera o profeta Micaías. Isto muitas vezes conduz o receptor-alvo da verdade a não enxergar o caminho, e de certa forma sendo-lhe covarde por vê-lo na margem do perigo e não buscar livrá-lo dizendo-lhe a verdade. Talvez se Micaías tivesse sido ouvido, mesmo falando inverdades no seu sarcasmo momentâneo para com o seu rei, obtivesse com isso um último melhor conceito amistoso, ganhasse algum bom reconhecimento, lograsse algum favorecimento do palácio. Todavia, pergunto: será que o íntimo da consciência de Micaías iria concordar ao longo do tempo com o “arranjo” que dissera? Para quem vive e prega a verdade, um tal “arranjo” desse fica aferroando-lhe e queimando-lhe para o resto de sua vida marcado no seu mundo interior que certamente o desconforto e a incomodação vão lhe perseguir e arrastar ora mais e ora menos na caminhada por ver que promoveu e induziu ao engano aqueles que para com os quais jamais deveria faltar com a verdade.
Agora trago uma boa notícia – quem prega a verdade, é sempre requisitado e mesmo que fale em tom sarcástico é inquirido enfaticamente a falar a verdade, pois em sua boca ela funciona, ainda que esta cause dores e contrariedades. Mesmo que nossos opositores gratuitos nos ojerizem e nos odeiem e que nos tenham como antipáticos, dentro de si alguma coisa vai impeli-los em algum momento a nos rogar insistentemente que falemos a verdade, porquanto em questões cruciais da vida, diante de decisões vitais, o que mais importa, o que mais significa e o que mais se conta e pesa, é exatamente a verdade que falamos ou que nos seja dita. Não importam as muitas falas de “profeteiros” e bajuladores, de fanfarrões alvissareiros, de mentirosos lisonjeiros, de subservientes irrefletidos, o que se busca e se carece como única linha de confiança é a verdade que pregamos ou que nos seja dita. Para alguns homens amantes de si mesmos, ressentidos, medrosos, se torna mais fácil assumirem o comportamento instintivo das lagartixas – “balançar sempre a cabeça verticalmente”, oferecendo mesmo como racionais, com esse gesto, a sempiterna indicação de subserviência ou de perene concordância para não contrariar, nem levantar oposições e nem cair do “ranking” da simpatia. Para esses opositores da verdade e para seus concordes e co-participes quase nada lhes importa o futuro para alguns escondido por trás das cortinas do tempo, quase em mais nada estão interessados além de seus próprios ideais. Para eles, o mais importante não são os pré-requisitos e exigências para estar prontos para a guerra, é ouvir quaisquer coisas que lhes massageiem o ego e lhes impressionem, ainda que isto os arraste aos prejuízos e à derrota fatal.
Só fala e prega a verdade quem está afinado e familiarizado aos pensamentos de Deus. Micaías era um destes seguramente afinado e extremamente familiarizado. E se quisermos falar e pregar a verdade, temos que pagar o sério preço em todas as áreas e meios para estarmos familiarizados e nos mantermos afinados com os pensamentos de Deus. Quem está afinado e familiarizado com os pensamentos de Deus promove felizes e edificantes idéias. No meio desse turbilhão de desprovidos de idéias, existem pessoas que, por serem desafinadas com os pensamentos de Deus, nenhuma idéia substancial e significativa produzem e nem por aquelas que lhes representem ultrapassagem lutam e promovem, por entediadas e ressentidas formalizarem possíveis ameaças imaginárias, porém ao receberem uma idéia fundamentada e pautada na verdade, se fazem de ignorantes e alheios a ela, contudo dias depois elas se apossam daquela idéia “aparentemente esquecida” como se esta tivesse se originado de si mesmas, desmerecem os seus idealizadores e propagam como se fossem elas as pessoas afinadas aos pensamentos de Deus e com eles possuíssem algum grau de familiaridade e se lançam como “donas da idéia”. Ao passo que o tempo passa vão se revelando que suas idéias em nada carregam da idéia original colhida dos pensamentos de Deus. E realmente olhando para o palácio de mentiras e falsidades do rei Acabe, não havia lugar nobre que recebesse e acatasse bem a palavra da verdade falada por aquele Micaías.
Uma das recompensas de quem fala e prega a verdade é que, mesmo sob incompreensões e aparente divergência, em algum momento verá a verdade que falara ou pregara ser cumprida e noticiada alheia aos seus desejos ou intenções pessoais, porquanto a verdade não está amarrada ou presa aos objetivos e propostas humanos. Em todos os tempos e épocas existiram as oposições à verdade, contudo este tempo do fim possui esta triste característica – se opor e ressentir-se com a verdade -. Para o mundo destas estações lhe é mais contornável o conviver tolerantemente com a ausência da verdade contra si e contra seus mandos e desmandos do que dar ouvidos à ela e a partir daí reconhecer a sua importância e significado.
Para o rei Acabe o profeta Micaías possuía os falsos conceitos de “mal-educado”, “desobediente”, “irreverente”, “não ou pouco confiável”, “traidor ou traiçoeiro”, “aborrecedor”, “contrariador” e possivelmente outros próprios da linguagem e dos costumes da época. Mas, segundo nossa ótica hoje olhando de fora os escritos, será que o profeta Micaías era realmente digno de todos esses conceitos injuriosos? Será que o objeto-alvo dos conceitos não está trocado? Para o detentor do poder era muito mais fácil, seguro e acessível propagar uma má fama sobre Micaías por não gostando deste fazer os outros acreditarem e apoiarem o posicionamento do rei a respeito de um profeta do meio do povo. Era muito mais fácil para o detentor do poder “pegar o seu telefone vermelho privativo” e propagar os queixumes sobre o profeta contrariador, disseminar que o pequeno profeta era "não-confiável", bem como consultar a outros reis e bajuladores sobre o que poderia fazer de um profeta mal-conceituado. Se os “grampos” colhessem as conversas telefônicas realizadas na linha privativa do “telefone vermelho” do palácio do rei Acabe e por uma quebra de sigilo fossem reveladas, quantas coisas, ressentimentos, invejas, revanches e rapinas assoladoras abrigadas no silêncio aparentemente sorridente do palácio nos surpreenderiam aqui de fora...!
Imaginemos o tamanho e a profundidade da ira que corroia no interior do rei Acabe e de seus parentes dentro do palácio contra um profeta residente no meio do povo, ouvindo e vendo o que sofria e padecia o povo de restrições e sob ameaças a qualquer momento desferidas a mando da mulher fria do rei Acabe, a falsa e maligna Jezabel, que sorrateiramente agia na companhia de seus pares maleficiosos, enquanto o silêncio do palácio cobria os ares que iriam afetar as almas daqueles que se lhes opunham e reprovavam em razão da verdade. Quão difícil é a vida de quem fala e prega a verdade...!
As únicas armas de que dispunha Jezabel eram as suas baterias de incapacidades moral e espiritual que covardemente atiravam na tentativa de abafar e abater o sucesso alheio. Jezabel, na verdade, nutria o orgulho de ser rainha e aproveitando-se da posição e do prestígio de seu marido rei, escondia-se atrás da força de autoridade dele e tramava e engenhava contra as vidas dos profetas arautos levantados e enviados por Deus ao Seu povo, e descendo ela às mais baixas operações revanchistas no seu ressentimento, conluiava-se com os seus comanditas para num só golpe fazerem desmerecer e calar as palavras de verdade nas bocas dos profetas de Deus. A verdade incomodava o brio e o espírito do rei Acabe e o sucesso alheio corroia o coração invejoso de sua mulher rainha. O rei e a rainha por certo estimavam que mais cedo ou mais tarde iriam ser confrontados pela verdade falada pelos profetas arautos de Deus contra a qual tanto o palácio lutava. Quão difícil foram os dias do profeta Micaías...! A verdade era tão forte, clara e assinaladora nas palavras do pequeno profeta Micaías que apenas sua presença incomodava o grande e poderoso rei Acabe. E por que não frisar mais diretamente daquelas que se referiam aos sucessos alheios... Micaías e seus colegas profetas realmente atravessaram dias difíceis por causa da verdade que falavam e pregavam.
Nestes dias, pois, de oposição à verdade – uma das características do tempo do fim -, lembremos de que ela é o pilar que sustenta nossa vida e nossa pregação num tempo de mentiras, de ilusões, de “faz-de-contas”, de “panos-quentes”. Ainda que as “linhas privativas” do palácio queiram e intentem nos causar demérito injustificado, continuam sendo nos tempos de crises e de tomadas de decisões cruciais nos corredores do palácio, de fome e de sede da verdade de Deus e da operação de Seu Espírito no meio do povo, não são os profeteiros que prevalecem e “funcionam” com suas palavras mentirosas e lisonjeiras e suas presenças impressionantes – o que mais os imponentes palácios e seus grandes reis desejam e anseiam ouvir sempre foi, é e sempre será a palavra firme e segura da verdade na boca de pequenos profetas que vivem-na e pregam-na aonde quer que forem enviados, convidados e acolhidos.
O mais importante não é o profeta ser acolhido e aplaudido no suntuoso e requintado palácio, ainda que alguns iludam-se com tamanha fachada de receptividade e acolhida. O mais importante não é o pequeno profeta ser colocado nos lugares mais altos entre os grandes transeuntes privilegiados de "passe-livre" do palácio. O mais importante é o Excelso e Maravilhoso Deus ser glorificado e exaltado na minúscula e passageira vida de Seu pequeno e simples profeta, bem como na sua marcante obra. Também por outro lado não são os caprichos e as insinuações do rei, nem as ameaças da rainha, nem tampouco as invejas rancorosas dos bajuladores do palácio, que calam e abafam a mensagem do profeta. Assim como tantos já se foram, eles também passam e somente o palácio fica como testemunha imponente de que nas suas salas e corredores já pisou um profeta que fala e prega a verdade. Quantas lições em profundidade nos traz a vida do profeta Micaías, e quantos “Micaías” estamos precisando para estes tempos de “Acabes”...! Pois sem a pregação da verdade dos “Micaías” de hoje os aconselhamentos mentirosos e impressionantes dos profeteiros arrastam e influenciam os “Acabes” aos erros e à derrota. E quantos “Acabes” se livram de assombrosas perdas por darem ouvidos às verdades que nossos “Micaías” pequenos e pouco expressivos falam e pregam. Mas felizes são os grandes e poderosos reis que podem ouvir e contar com a verdade contundente e estável na palavra de pequenos e simples profetas nas horas cruciais de decisões fatais.
E como eu disse na minha palestra em dois desses dias de feriado a um grupo seleto, aqui retransmito que o mais importante não é apenas a nossa desenvoltura nas oportunidades que pregamos, ou no arranjo do material que desejamos trazer ao público, mas que se profundamente desejamos que o Senhor opere milagres e maravilhas sobre a nossa pregação, toda a nossa vida e obra sejam edificadas e sustentadas sobre o pilar da verdade, ainda que alguns ao serem tocados por ela ao ouvirem-na venham por um momento a pensar nos rejeitarem. E quando naquela ocasião disse em pregar a verdade, não falei sobre o sair como irresponsáveis “atirando” coisas contra a vida particular de quem quer que seja, nem de no afã da obediência falar o que não é lícito e nem o que nos convém, mas centralizarmos toda a nossa vida e trabalho de pregação na verdade da Palavra de Deus, uma pregação centralizada inteira e completamente na Palavra de Deus, ainda que as aplicações da pregação abranjam todas as áreas práticas e particulares da vida humana – esse é um dos propósitos de uma pregação que produz vida -, independente de quem sejam os ouvintes e os públicos.
Uma coisa certa sempre é: não há nada igual ou similar o ouvir a voz do Eterno Deus na pregação e nesta o ver o agir e o mover de Deus em sinais, milagres e maravilhas instantâneos em operação conjunta com o Espírito Santo – isto é resultado de uma estrutura de vida e obra construídas e sustentadas sobre o pilar da verdade. Pode ser que os “Acabes” repulsem e rejeitem os “Micaías”, porém sempre existem os reis “Jeosafás” ponderados, conscientes, sóbrios e sensíveis ao Espírito de Deus que desprezam os bajuladores profeteiros dos palácios e mandam buscar os verdadeiros profetas “Micaías” para que diante de si falem e preguem a verdade.
PbGS
Marcadores:
autenticidade,
exemplo,
experiências,
legado,
legitimidade,
maturidade,
probidade,
referencial
Assinar:
Postagens (Atom)








