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sábado, 28 de março de 2015

NÃO ANDAIS COMO NÉSCIOS.

NÃO ANDAIS COMO NÉSCIOS.
Um alerta contra a imbecilidade.

Existem palavras pouco ouvidas, pouco pronunciadas. Entretanto, fatos da vida cotidiana não conseguem ocultar a presença de seus sinônimos e correlatos e nem excluir seus significados. Uma delas é o verbete “néscio”, cujo sinônimo inclui o termo “imbecil”. A imbecilidade é uma loucura estúpida e especial dos tolos. A tolice é sinônima de imbecilidade. Nem todo louco é imbecil, contudo todo ato de imbecilidade é tolice. A imaturidade facilita, viabiliza e conduz para a imbecilidade, assim como o extremismo de espertezas confere o selo dela. Estamos testemunhando e vivenciando o tempo da doença da imbecilidade.

A Bíblia Sagrada deixa bem claro e percebido que definitivamente uma das vontades de Deus é a de que não sejamos tolos, e por recomendação bíblica a que não andemos como néscios. Em sinônima, a Bíblia Sagrada está nos recomendando a não andarmos como imbecis. Apesar de não aparecer escrita na Bíblia Sagrada, nela a imbecilidade é denominada de parvoíce, e esta por extensão quer dizer estupidez, e por conceituação a parvoíce é sinônimo de idiotice, e biblicamente também é considerada uma loucura e estupidez pela ignorância e falta de entendimento. Todo ato de imbecilidade é tolice que capenga os seus passos bobos se equilibrando na corda rota do atrevimento autoritário insensato, esticada sobre o picadeiro da loucura. E Deus está dizendo para nós – “não andais como néscios”.

Imbecil, representada na palavra “néscio”, aparece nos seus sinônimos nas páginas sagradas do Livro de Deus por cerca de 35 vezes nas versões em língua portuguesa, e nas versões de língua inglesa recebe a tradução de “foolish”. Ela está no Livro de Deus para nos instruir a que nos afastemos e evitemos dos caminhos da idiotice e nos ensinar a identificar e reconhecer e lidar com aqueles que sofrem ou são acometidos de imbecilidade. Conhece-se o imbecil através de suas atitudes incoerentes e por via de suas palavras desconjugadas e desconexas de sua fala, ocultando o que está regado e carregado no seu coração. E Deus está dizendo para nós – “não andais como néscios”.

Na vida há imbecil para quase tudo, e existe catalogado um elenco de tudo que se pode ser detectado com relativa facilidade numa vida afetada pela loucura da imbecilidade. Toda imbecilidade é moralmente dissimulada, indesejada. Dar instrução ao tolo é tão inútil quanto fútil é, posto que no seu íntimo secretamente menospreza a sabedoria e peita contra a disciplina. A imbecilidade é fruto da ignorância e da insensatez. O imbecil subestima a Deus e luta contumaz contra os Seus desígnios. O imbecil recusa o conselho e na sua soberba estriba-se apenas na sua própria compreensão. Todo imbecil é ilhado e fechado na sua jaula de medos e inseguranças, alimentadas em si mesmo, e regada e dirigida pelas suas próprias idéias. E Deus está dizendo para nós – “não andais como néscios”.

A loucura tola da imbecilidade insufla e instiga o néscio a se auto-afirmar pela sua farsa de humildade buscando esconder o desnorteio de sua incapacidade, e de suas fraquezas e suas tolices por trás de sua altivez manhosa e contumaz. Enquanto não muda e não passa pela correção, nada resta ao imbecil, a não ser o prosseguir de seus passos escudados na sua autoridade pessoal deficiente colhendo e produzindo perdas sobre perdas. Seu atrevimento possui o canal de ações visando ocultar o seu recalcamento. Todo imbecil sofre e se auto tortura com as prisões dos seus próprios recalques. Por fim, uma vida aprisionada, carente de libertação e de transparência. E Deus está dizendo para nós – “não andais como néscios”.

A imbecilidade não possui senso de governo, e muito pior se torna quando governa, visto que tal qual uma pragana afeta uma plantação, assim o governo da imbecilidade avassala, avilta, açoita e destrói clássica e polidamente os seus governados. O governo da imbecilidade é marcado pela estúpida ausência de entendimento e pela falta de discernimento. Suas tentativas e estratégias revelam o colorido louco que campeia suas idéias e seus ideais inversos e mutantes. Todo imbecil sofre da falta de percepção criteriosa da realidade que o envolve. Todo imbecil é imprevidente, posto que na sua visão equivocada credita sua jornada confiando na imbecilidade que o aplaude, enquanto não percebe que agita ventos da inconseqüência contra si mesmo. E Deus está dizendo para nós – “não andais como néscios”.

Com a sua insensatez, o imbecil leva as suas próprias vida e idéias tal qual o camaleão, mudando de cores conforme o tempo e as ambiências, a visão de vantagens e os riscos do habitat, a fim de que não se torne presa e vítima das contingências da vida que o rodeia. A imbecilidade arrasta o tolo para a fossa da rejeição, porquanto cedo ou tarde não conseguirá abafar os seus multiformes tratamentos patenteados nas suas obras insipientes, inconstantes e inconsistentes. Um dos males provocados pela loucura tola da imbecilidade é enxergar um futuro por lentes míopes e opacas e influenciar outros a verem o mundo e a vida copiando e seguindo a mesma obscuridade estúpida de sua visão. Cegos e estúpidos promovendo mais cegueira e estupidez e produzindo cegos e estúpidos. E Deus está dizendo para nós – “não andais como néscios”.

A imbecilidade é uma loucura tola e atroz, inimiga da saúde da alma e uma feitora de inimizades. A imbecilidade debaixo de medos de ameaças supostas açoita dia e noite a mente e o coração do tolo, e sem temores o leva afoita e classicamente a atropelar vidas. Todo imbecil ignora o Reino de Deus e as suas coisas próprias dele, e possui a predisposição de fazer campanhas de inimizades e atear fogo contra aqueles dos quais alimenta medos, cismas e ressentimentos. E em tudo isso, a voz de Deus neste tempo de tantas e tamanhas imbecilidades dentro e fora dos santuários, assolando, desviando e vitimando vidas e prejudicando a obra e o Reino de Deus, está nos dizendo veementemente – “não andais como néscios”.
EvGS




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

TIPOS DE IGREJAS HOJE

TIPOS DE IGREJAS HOJE
Qual delas está afinada ao seu papel?
O termo "igreja" é essencialmente neotestamentário. Conhecer verdadeiramente o termo "igreja" na essência do seu significado e histórico é ir bem mais além do que resumi-lo ao conceito comumente equivocado a que alguém pode dar a um grupo de pessoas buscando um estilo de vida melhor, com frequência rotineira a dias e horários de reuniões de cultos. Biblicamente, o termo "igreja" implica em muito mais do que um simples ajuntamento de natureza eventual, sazonal ou periódica, de pessoas ligadas a rituais, gostos e afinidades cristãs comuns resumidas ao cantar, ao falar, ao ver e ouvir gestos e palavras manifestos por alguém.

Segundo competentes vozes dos bons e mais reconhecidos observadores e estudiosos cristãos de nosso tempo, notoriamente vêm hoje sendo classificadas algumas igrejas por tipos segundo a historicidade e constatação de seus procedimentos e da vida e visão de suas lideranças, comparados à luz dos moldes e princípios, orientados no Novo Testamento. Algumas bem notadas pelo seu amplo espectro de quantidade, de conteúdo consistente e da qualidade de seus programas e projetos, outras mergulhadas na corrida da busca desejada de projeção institucional, aplicando mecanismos dedicados a áreas setorizadas de suas atuações. Nessa classificação estão algumas a seguir.

1 - As igrejas que se fossilizam. Se fossilizar é uma expressão emprestada da paleontologia, com o fim de figurar algo que se faz tornar-se em fóssil; se faz tornar-se em restos ou vestígios antigos fragmentados, petrificados, de algum ser que teve vida e passou pela existência em tempos remotos; a algo com forma seca e inerte jazendo restrito em um fosso, num buraco. E em relação a igrejas, essa expressão revela realidades para as quais se deve atentar nos seus alertas. As igrejas que se fossilizam sobrevivem fechadas e temerosas em seus próprios medos e cismas alimentados pela ignorância, pela má concepção e pela digressão. Elas não vivem nem para si mesmas, nem para o Evangelho e nem para as causas do Reino. O entendimento deficiente reinante no seu seio provoca desastres na aplicação de suas linhas conservadoras em relação aos tempos e épocas das realidades enfrentadas pelo homem moderno. As igrejas que se fossilizam deixam seus sintomas gritantes ressoarem além das suas paredes e serem notados longe, ainda que debaixo de toda campanha marketizada e da boa polidez amistosa e emprego da chamada política da boa vizinhança que tentem mostrar. As igrejas que se fossilizam simplesmente se alienam das realidades de seus contextos e de suas épocas, se afastam dos propósitos do Evangelho e perdem a livre capacidade interativa tanto dentro de seus âmbitos como com o ambiente externo .

2 - As igrejas que se priorizam. Ainda que não largamente pronunciado, o verbete “prioridade” diz de uma atitude cujo procedimento se direciona à ordenação de coisas por suas importâncias. Prioridade se configura em preferência, importância, precedência e primazia. Em outras palavras – “dar o primeiro lugar” -. As igrejas que se priorizam arrastam consigo um grande débito para com o Céu e, sem que estejam apercebidas, acirram uma agressão contra o Evangelho e a proclamação extensiva do mesmo, em função de se priorizarem a si mesmas. A visão confusa ou borrada sobre as priorizações reais as arrasta também ao terreno da alienação parcial de si mesmas e a insensibilidade para com o ambiente externo. Elas vivem para si mesmas, e quase nada para a causa do Evangelho. As igrejas que se priorizam norteiam todas as suas atividades concentradas única e exclusivamente para o seu ambiente interior sobreviver a apenas momentos em torno de si mesma. Não possuem programas, alvos e projetos definidos e duradouros com metas a serem atingidas nas prioridades do Reino de Deus. Pautam e alimentam suas atividades segundo o seu parecer restrito à sua visão particular. Consequentemente perdem a credibilidade como igreja e organismo espiritual e ganham a rotulação de apenas grupos religiosos organizados para se auto sobreviverem rotineiramente dentro de suas paredes. Notoriamente, nas igrejas que se priorizam é percebida a sustentabilidade concentrada na centralização unilateral de ideais provisórios, onde a provisoriedade pauta e comanda a sua visão particular. Nessas igrejas, os perigos desastrosos que rondam seus líderes são as constantes ameaças de instabilidade, as ondas dos contextos da insegurança, o desfoco de alvos e a presença da inconsistência.

3 - As igrejas que se comercializam. Comprar e vender são atividades muito úteis, normais, muito comuns e historicamente necessárias em todo e qualquer segmento humano. Entre os homens, em tudo que se vive, se emprega, se produz, se adquire e se aplica estão presentes tanto o comprar como o vender na esfera de objetos palpáveis e bens materiais. Comprar e vender itens que possuem conteúdos que produzem instrução, orientação e edificação são de necessidade e investimento reconhecidos para o viver e a atuação melhores como caminhos e instrumentos para aperfeiçoamento. Entretanto, mostram as observações, os estudos e as estatísticas realizados por institutos cristãos de pesquisas que as igrejas que se comercializam atuam semelhantes a empresas agenciadoras de negócios comerciais rotativos. As igrejas que se comercializam tornam-se como pontos de negócios semelhantes a lojas comerciais, a mercados, a postos de combustíveis. Elas vivem somente das suas promoções de e para os seus interesses e em nada para a vida do Reino. O ponto forte de sua sobrevivência reside em propagandas e exposição de impressões e flashes relevantes utilizados como chamadas espetaculosas a uma clientela para si. São grupos genericamente rotativos, instáveis e mutáveis, sobrevivendo de lançamentos de práticas acompanhando modismos importados.

4 - As igrejas que se revitalizam. Uma das mais buscadas e enfatizadas práticas modernas em igrejas é o avivalismo (não o avivamento). Avivalismo significa uma tentativa de revitalização superficial e momentânea com a finalidade de acender ânimos para um dado momento em curto espaço de tempo. Ao passo que avivamento é uma demonstração da presença de um despertamento consciente, consistente e duradouro direcionado ao alcance do alvo preconizado na Palavra de Deus. Revitalização não é avivamento e nem renovação. Revitalizar significa retomada de fôlego e ânimo; reativar revigoramento. Apesar da canalização de esforços para essa revitalização, o que não é um erro ou desvio em si, o ponto central crítico reside na aplicação de mecanismos passageiros e paliativos apenas para atendimento de momentos deficientes e carentes. Os perigos e o fundo falso desse tipo de revitalização estão sutil e ocultamente na ausência ou abandono de cuidados eficientes e de trabalhos eficazes que visem de fato e em verdade a direção para o avivamento bíblico, real e verdadeiro. As igrejas que empregam seus esforços para revitalização de ânimos e auto-estimas na busca do bem-estar confiantemente pautados em contingências humanas, se divorciam e se perdem do engajamento da missão-mor da Igreja de Cristo, e concentram-se cansadas em assuntos contingenciais do momento na ânsia de atenderem gostos e vontades particulares para fins estranhos aos da igreja e do Evangelho. Enfim, arrastam-se em cansaços após cansaços e dificilmente chegam numa revitalização eficaz.

5 - As igrejas que evangelizam. É sabido de todos nós que nossa missão principal e maior é a tarefa da evangelização. É anunciar com persistência sistematicamente o Evangelho a todos os de fora e também edificar e aperfeiçoar os de dentro. Devido a vários fatores da atualidade, hoje já é patentemente percebida a necessidade de evangelizar tanto os de fora como os de dentro. Tornar a graça de Deus para a Salvação, conhecida, explicada e exemplificada é o propósito do anúncio do Evangelho, e construir e fortalecer cidadãos do Céu é o trabalho constante para com as vidas abraçadas por Ele. Construir hospitais, escolas, institutos, instituições, são atos louváveis, empreendimentos contributivamente inteligentes e essencialmente sociais e cívicos. Entretanto nossa missão não se resume a isso. Nossa chamada fundamental é para a proclamação do Evangelho, e a seguinte é para preservar vidas abraçadas por ele. Foram notadas pelos observadores cristãos que as igrejas que não se empenham na evangelização também não obtêm sucesso na sua revitalização contínua, não amadurecem e não se renovam com a propriedade de que é normal para a vida da igreja cristã e tendem a sucumbir nos seus vícios ocupacionais rotineiros. Ao contrário das igrejas que evangelizam, as que não evangelizam tendenciam ao envelhecimento e sobrevivem de expansões de famílias suas integrantes tradicionais e da rotatividade veloz de êxodos, tornando-se anãs sem que percebam e sem alvos permanentes.

De toda essa classificação, se pode ser depreendido de que como igreja do Senhor Jesus, não devemos nos deixar se tornar fossilizados. É preciso efetuar mudanças, saber de fato o que mudar, as razões para mudanças, para que  mudar, quando e como trabalhar essas mudanças. Como igreja do Senhor Jesus, não devemos nos fazer prioridade de nós mesmos e para nós mesmos. A nossa prioridade não está direcionada para atendimento de nós mesmos nas coisas que realizamos, mas sim para alcançar o ambiente externo enquanto também preservamos o interno. Como igreja do Senhor Jesus, não devemos nos assemelhar a pontos de comércio e negócios desta vida. Nossa propaganda é a Salvação pela graça significativamente exposta no Evangelho e não em nomes e rotulações para chamada de clientelas comerciantes. Como igreja do Senhor Jesus, não devemos nos fincar na conformação ao desejo único de nos manter apenas alegres para momentos nos interiores dos templos. Há muita coisa a ser feita para a proclamação do Evangelho. Precisamos de avivamento pelo ensino e exposição real, verdadeira e consistentemente bíblica para a construção saudável de vidas que entregam suas vidas ao Senhor da igreja. Avivalismo contingencial para atender a momentos é uma fábrica de vítimas do engano e da desafinação da vontade de Deus para a Sua Igreja. Como igreja do Senhor Jesus, não devemos estancar a tarefa necessária e imperativa da evangelização, nem travar pessoas e meios envolvidos nela, a fim de não impedir assim a missão da igreja ser robustecida e prosseguir.
EvGS




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

UMA VISTA NA REFORMA

UMA VISTA NA REFORMA
Alguém ainda se lembra dela?
O dia 31 do mês passado trouxe algumas surpresas. Digo realmente surpresas pelo menos no seio do povo de Deus. Enquanto em alguns rebanhos ele pouco ou quase nenhum impacto fez em corações nos santuários, também por outro lado é desastroso que muito menos se tenha norteado mensagens prementemente necessárias aos púlpitos cristãos em todo tempo. Contatos e conversas daqui, dali e de lá dão contas dessa lamentável verdade “gospel”.

Fato lamentável que alguns rebanhos da chamada “igreja moderna”, mergulhada no clima das euforias do imediatismo interesseiro, nas nuvens de temores e nos apêndices e adendos de buscas de satisfações do que mais importa e interessa aos momentos, parece haver desprezado o oceano do Espírito da Reforma e se deleitado no falso apego aos lagos da conformação. Alguém ainda se lembra da Reforma?

Passaram-se os dias, contudo não se foi esquecido por alguns observadores um pouco mais atentos nos fatos inesquecíveis da Reforma Protestante. E no panorama hodierno eles gritam tão alto e fortemente que parece nos querer despertar, nos sacudir, nos dizer que Lutero estaria outra vez mais batendo o martelo pregando as Institutas nas portas de não poucas igrejas de nossos dias.

Parece que os reformadores, que sacrificialmente derramaram suor, lágrimas e sangue, lamentavelmente pouco ou quase nada estão dizendo para não poucos crentes da geração dos dias de hoje. Lamentavelmente parece que os fatos da Reforma pouco ou quase nada estão sendo de fato lembrados por alguns líderes caminhando trôpegos no malabarismo das necessidades, dos temores, dos orgulhos pessoais desenfreados; nem por pregadores deste tempo e nem por cantores de arraiais dos filhos da casa de Deus, caminhantes ávidos na busca sedenta e desejosa de projeção humana. Anestesias modernas estão norteando gentes e encurralando e neutralizando líderes nos cercados das artificialidades, dos temores e das fomes e sedes deste tempo.

Ainda que algumas mentalidades tentem fazer arranjos de justificativas e apologias, e fujam de encarar os fatos modernos que gritam na mídia e em experiências nos santuários, literalmente a mesma presença que levou a igreja cristã de forma sutil e forçosa se dividir no velho continente europeu, está nos mesmos moldes forçando hoje dividir a igreja cristã brasileira. A voz da Reforma continua gritando incessantemente, e pena que uma das piores ilusões é achar que a ouve, quando para ela se desleixa e não se atenta.

A igreja moderna brasileira, salvo exceções, vem vivendo um outro evangelho, um evangelho diluído em conveniências e modismos fatuais, que não é o Evangelho. Aqui e ali, nega-se nas falas, contudo declara-se com fatos. Uns bizarros e outros nas linhas do inaceitável, desprezível e aborrecível. Uma igreja partidária e separatista dentro de si mesma. Promove grupos e expectativas pretensiosas, desrespeita moldes e despreza indivíduos. Alguém ainda se lembra da Reforma?

A igreja moderna brasileira, salvo exceções, vem seguindo um caminho que não é o seu. Parece haver esquecido seus fundamentos, assim como parece notoriamente ter se afastado de suas origens. Parece que os esforços modernos de alguns estão canalizando rebanhos ou grupos a tomarem e assumirem a configuração particular associativa de clubes de conchavos faccionados, objetos de lucros, pauta particular de negócios, auditório partidário e fracionado, teatro de apresentações artificiais e representações articulosas. Alguém ainda se lembra da Reforma?

A igreja moderna brasileira, salvo exceções, parece vir se conformando, se nutrindo e sendo alimentada por massageamentos espetaculosos ao ego, por enfeitiçamento de vidas através da injeção de jargões ocos, artificiais, inconsistentes, rasos e ilusoriamente aplaudidos. Uma falsa imagem da graça de Deus e uma manifestação de conceitos equivocados a respeito do que é a graça de Cristo. Mensagens não cristocêntricas, mas egocêntricas, hedonistas, estranhas ao Senhor da Igreja. Um mixto frio alimentando falsos conceitos e ilusões anti-bíblicos. Alguém ainda se lembra da Reforma?

A igreja moderna brasileira, salvo exceções, vem caminhando entre extremos e boa parte sucumbida em extremismos. Alguns rebanhos parece não saberem lidar com os teores e conteúdos da centralidade. Percebe-se isso nos seus alvos que recebem a atenção frenética na aplicação de sua atenção sobre áreas isoladas em detrimento de outras. É notável a confusão entre a aplicação de paciência e o tato de tolerância. Um observado afastamento dos padrões de Deus e um apoio simpático em padrões humanos sutilmente efetua exclusões silenciosas e leva a perdas desastrosas percebidas somente depois quando prejuízos batem em suas portas. Alguém ainda se lembra da Reforma?

A igreja moderna brasileira, salvo exceções, perdida apenas em canções de lábios e sacudida em heresias engenhadas pelas sugestões humanas interesseiras. E por falta ou ausência do espírito reflexivo e medidativo para com os fundamentos teológicos, troca-se a sua configuração original pela de ajustamento por associação de amizades contingenciais e de afinidades participativas. Mensagens que não falam de arrependimento e nem de conversão, porém de adesão a um estilo de vida, aderência a estilo de visão concentrada na busca do bem-estar amistoso segundo a visão dos interesses humanos. Alguém ainda se lembra da Reforma?

A igreja moderna brasileira, salvo exceções, parece que aplica seus esforços sobremaneira impetuosa na corrida que um dia já foi de fato veloz e publicamente ousada na evangelização. Hoje apenas para conquistar simpatias e amizades, ganhar vidas, entretanto na ausência dos mesmos cuidados relaxa e opõe-se contra algumas que estão dentro dela. Parece que para algumas mentalidades o importante é não cair da graça, não deixar a fé, entretanto nada ou pouco se fazer para levantar vidas e ensina-las a não serem confinadas a cativações humanas, independente de visões particulares tendenciosas e partidárias que se tenha sobre essas. Fatos que se sobre somaram e acarretaram a pressa da chegada da Reforma Protestante.  

Alguém ainda se lembra da Reforma? Pois é. Passando as vistas na Reforma, e olhando para a igreja moderna brasileira, salvo exceções localizadas, são percebidos os paralelos comuns entre esta incrivelmente moderna e aquela dos dias que antecederam a necessidade da Reforma. Aqueles foram dias de uma igreja fracionada e desencontrada perdendo a identidade cristã; aderindo procedimentos estranhos ao Evangelho de Cristo; desfocando-se dos seus propósitos e desprezando os seus fundamentos teológicos. Lideranças da época pregando discursos desconexos dos valores aprendidos nos caminhos da fé cristã; lideranças desafinadas entre falas, atos e Escritura; lideranças se tornando avessas às Escrituras e engenhando perseguições intolerantes e facções partidárias contra outros líderes dentro de si mesma; aderindo e assimilando interesses afeiçoavelmente politiqueiros e tiranamente partidaristas dentro de si mesma.

Aqueles foram dias de um cenário se desmoronando pelos desastres da hipocrisia teatral contagiando e arrebanhando pessoas pela impetuosidade de promessas otimismistas recheadas com a égide do positivismo egoísta e dos privilégios exclusivistas, e aquilo que era construído sobre os lastros das doutrinas cristãs fundamentais foi sendo aos poucos desprezado e transformado pelas influências das mentalidades tendenciosas, diluídas em interesses com misto de religiosidade. Um quadro lamentável, desastrosamente perigoso de uma igreja que quis se sustentar na força do braço e se impor empregando poderes seculares e buscando aplausos com sutilezas humanas. Que isso diz para a igreja moderna brasileira dos dias de hoje?

Alguém ainda se lembra da Reforma?
EvGS




terça-feira, 14 de outubro de 2014

DELEITA-TE NO SENHOR

DELEITA-TE NO SENHOR
Um convite irrecusável.
No Salmo 37, um dos salmos alfabéticos. Escrito por Davi. Está mencionada uma palavra incentivadora e convidativa, a saber: DELEITA-TE. Este verbete deve ser nossa divisa cotidiana diante da visão do panorama que envolve a diferença entre a recompensa dos justos e a dos ímpios. De forma reveladora ele deixa claro que a prosperidade dos ímpios acaba, e que felizes serão os justos, convidados a deleitar-se no Senhor.

A palavra DELEITAR é mencionada nesse Salmo numa forma de contentamento e satisfação. Deleitar-se significa coloquialmente ter prazer, deliciar-se, regozijar-se. Especialmente neste Salmo, a palavra DELEITAR-SE traduz a original “anagh”, do texto hebraico bíblico, que quer literalmente dizer “tenha um passatempo educado e atencioso, prazeroso e agradável”.

O Livro de Deus nos faz alguns convites numa forma um tanto exortativa quase que imperativa a nos deleitar nas coisas do Senhor.

Um convite para nos deleitar na Sua vontade. Sabemos que Deus é Soberano. Sabemos que Deus é o Todo-poderoso. Sabemos que o Senhor é o nosso galardoador. E em face disso, Sua vontade é soberana e indiscutível. Ainda que não a compreendamos, a vontade de Deus é prevalecente. O Deus Soberano e Dominador faz Sua vontade ser executada tanto no Céu como na Terra e em todo o Universo. Deleitemos na vontade do Senhor, porque nela estamos seguros.

Um convite para nos deleitar na Sua Palavra. A Bíblia Sagrada, na Carta aos Hebreus, diz explicita e categoricamente que a Palavra do Senhor é viva e eficaz. Ela é o martelo que esmiúça a pedra. Ela é a água que nos lava, nos limpa e nos purifica. Ela é pão para o faminto espiritual. Ela mostra o caminho para os errantes desta vida. Ela sempre foi, é e será eternamente. Ela é a fonte inesgotável de sabedoria. Ela possui tesouros escondidos. Ela é para ser lida, meditada, observada, obedecida, respeitada e cumprida. Deus vela pela Sua palavra para fazê-la cumprir. Deleitemos, portanto, na Palavra do Senhor, porque ela é vida.

Um convite para nos deleitar na comunhão com o Senhor. A Bíblia diz que na presença do Senhor há fartura de alegria. Ter e manter a comunhão com Deus não é coisa sem princípios e sem propósitos. Comunhão com Deus é o ele mais precioso do que a melhor amizade que possamos ter entre pessoas nesta vida. Ter comunhão com Deus é ter participação e compartilhamento com Ele nas coisas do nosso viver. Na comunhão com Deus podemos enxergar tudo nesta vida de maneira consciente de que temos um Amigo insubstituível. Comunhão com Deus não significa ostracismo contemplativo em práticas da introversão. Deleitemos no Senhor, porque Ele nos fortalece e nos anima.

Um convite a nos deleitar no resplendor da glória do Senhor. Sabemos que o Senhor é o Rei da glória. O Senhor dos Exércitos é o Rei da glória, diz a Palavra de Deus. É um privilégio dos maiores que podemos ter o de termos a certeza de que Ele nos confere a garantia de que O veremos e seremos como Ele é. De majestade e glória é o Seu trono. Sua glória é imutável, eterna e inigualável. A glória de Sua presença não se resume a pensamentos e emoções movidos pelas suposições e subjetividades humanas. Deleitemos no Senhor, porque Ele é eternamente glorioso e declara que somos participantes de Sua glória.

Assim sendo, deleite-se no Senhor. Ainda que em meio aos revezes e intempéries desta vida, temos um altar e temos um Senhor que é o nosso Senhor, o Rei Eterno Majestoso e Soberano. Sejamos educados e atenciosos para com o Senhor. Tenhamos prazer, alegria, fazendo que o nosso tempo seja agradável com o Senhor. Quando nos deleitamos no Senhor, de fato passamos a nos conscientizar de que tudo de nós está sob o controle e o governo do Senhor. Se deleitar no Senhor jamais significa nos omitir ou negligenciar de aplicar nossa coragem e esforços nas coisas que estão sob o nosso poder de capacidade e dentro das oportunidades. Mas ter prazer e atenção agradável e de boa vontade para tudo no Senhor. 
Deleitemos no Senhor!
Deus seja louvado!
EvGS




terça-feira, 16 de setembro de 2014

LIVRES, MAS NÃO INDEPENDENTES.

LIVRES, MAS NÃO INDEPENDENTES.
Livres por ser libertos em Cristo.
Um dos maiores valores que todo homem almeja e busca é a liberdade. Ser livre é o resultado de favores ou de conquistas, mas também de pagamento de alto preço. A liberdade custa muito caro. Nem todas as pessoas estão prontas para lidar com a liberdade, e dentre elas muitas nem mesmo estão predispostas a lutar pela liberdade que possui, por sua própria conquista ou pela de esforços de outrem.

Deus nos fez para vivermos em liberdade. Assim como as prisões da vida possuem as suas restrições, por outro lado a liberdade possui as suas limitações. Ser livre não significa ser independente, haja vista que de alguma maneira a liberdade e a dependência em algum ponto ambas se encostam ou se convergem.

A Bíblia Sagrada nos dá segurança e garantia da promessa de verdadeira liberdade dizendo: “E conhecereis a Verdade, e ela vos libertará”. E “Se, pois, o Filho de Deus vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. O Senhor Jesus Cristo é o Libertador, já profetizado por Moisés, desde os dias do deserto. O Senhor Jesus nos faz livres nEle.

1 – Livres do pecado. Através dos nossos pais no jardim do Éden, nos tornamos prisioneiros do pecado. Não somos pecadores porque pecamos. Antes, pecamos porque já fomos tornados pecadores. A miséria e as mazelas do pecado atingiram a raça humana e todo o seu ambiente terrestre. Toda a criação geme como que em dores de parto, aguardando a revelação e a redenção dos filhos de Deus. Jesus Cristo nos faz livres da força da lei habitual do pecado. 

2 – Livres do inimigo dos homens. A Bíblia Sagrada nos diz que o Senhor Jesus nos transportou do império das trevas e nos levou para o reino do Seu amor. O Filho de Deus veio para por em liberdade os cativos. O inimigo dos homens tem em si mesmo o selo do engano e a perspicácia da mentira. Todavia, o Filho de Deus liberta e faz transformações no seu interior. Jesus Cristo nos faz livres do poder dominador e opressivo das trevas.

3 – Livres da morte eterna. Para a morte física, todos os homens caminham. Porém o que nem todos sabem conscientemente é que além dessa existe a morte espiritual, com o banimento eterno. O Deus Pai e Criador quer que todos os homens sejam salvos, porém a escolha decisiva em aceitar ou rejeitar a vida eterna em Cristo reside na vontade do homem. A Bíblia diz que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida. Jesus Cristo nos faz livres da morte eterna porque nos dá a vida eterna.

A boa notícia do Reino para todos nós é que Ele desceu ao cativeiro, nos libertou e nos deu dons! Ele é o nosso Libertador, e também aceitamos o Seu senhorio soberano sobre nós e recebemos de Sua bondade, misericórdia e favores. Por ser o nosso Senhor, sem Ele nada podemos fazer. Somos discípulos e servos dependentes dEle. Somos livres em Cristo e dependemos de Cristo!

Libertos, mas não independentes!
Deus seja louvado!
EvGS – Ev. Glauko Santos




sexta-feira, 1 de agosto de 2014

GUARDE O QUE TENS

GUARDA O QUE TENS.
Conserve e cuide
Esta foi a exortação do Senhor Jesus ao anjo da igreja de Filadélfia, e por conseguinte aos crentes daquela igreja. Ap 3.10-11. A igreja de Filadélfia foi uma das sete igrejas da Ásia destinatárias das sete cartas citadas nos primeiros capítulos do Livro das Revelações, o Apocalipse. A cada uma daquelas igrejas, uma carta pessoal e direta do Senhor a si. Em meio ao clima aceso e envolvente no fervor da tarefa de evangelização e da obra missionária da sua época, aquela igreja atuante em Filadélfia recebeu em sua carta essa expressão-chave exortativa.

Tudo parecia estar transcorrendo normalmente entre os crentes da mais jovem igreja da Ásia Menor, a igreja de Filadélfia, contudo uma breve exortação de encorajamento estava indo ao seu encontro através do conteúdo de uma carta escrita pelas mãos do apóstolo João. Uma exortação fortalecedora destinada especial e diretamente a si em meio às fraquezas, perseguições, apostasias e iniqüidades que estavam campeando os contextos das cidades vizinhas onde estavam morando outros crentes.

O original dessa expressão no seu texto grego vai legitimamente mais além do que as versões nos trazem na palavra imperativa "guarda", do verbo guardar. GUARDA O QUE TENS. Guardar nesse rico texto quer original e legitimamente dizer: conserve, mantenha, cuide. Conforme o original, por extensão a todos nós, Deus está nos dizendo: Conserve o que você recebeu. Mantenha o que está conquistado para você e por vc. Cuide com atenção e esforço do que lhe pertence. Isso é teu, conserve!

Para o mundo, aqueles crentes eram considerados fracos, segundo a visão humana, todavia eram fiéis e havia entre eles os vencedores, poderosos e fortes diante de Deus. Uma igreja odiada e perseguida, contudo guardava a Palavra do Senhor Jesus durante as provações que vinham sobre si. Seus líderes e crentes não abandonaram o Evangelho de Cristo e seus princípios, continuaram perseverantes na fé, obedecendo ao Senhor e honrando o Seu nome. Não cederam às pressões que afloravam de todos os lados contra eles, na cidade.

A recomendação bíblica exortativa acima nos alcança por extensão e aplicação, e nos faz despertar o olhar para nós mesmos diante das coisas que nos confrontam em nossos dias. O panorama de nossos dias está sinalizando as mesmas coisas e outras mais, porém de outras formas e com outras roupagens. Pressões de todos os lados sobre os crentes estão alimentando ameaças e medos, sugerindo insegurança, rejeição, isolamento e solidão.

Os sistemas e as correntes de pensamentos em geral estão forçando lideranças cristãs e a comunidade dos crentes em Cristo a abrirem mão da guarda dos seus princípios e valores recebidos do Evangelho de Cristo para o povo do Seu Reino. Há forças implementando assédios e incrementando seduções com o fim de desviar o povo de Deus da verdadeira adoração cristã ao Cristo Vivo e Redentor. Influências artificiosas e sugestivas, de forma disfarçada e falseada, vêm desgovernando desde canções, mensagens e adoração até os modos de lidar com as muitas vidas nos rebanhos do nosso Senhor e Sumo Pastor.

Disfarçados em cortesias e vantagens, muitos engodos estão sendo lançados sobre lideranças cristãs e comunidade dos filhos da casa de Deus, com o objetivo de afasta-los da singeleza e do poder do Caminho. Aliadas a isso, as malhas do misticismo, a mesclagem do sincretismo e as influências da superstição estão iludindo e liderando crentes a viverem por vista e sentimentos, e não mais pela fé e pela razão como ensinado nas Escrituras.

Nestes dias de confusão e de achismos, nem mais reside em alguns corações o interesse e a busca pelo discernimento, a fim de diferenciarem ou saberem a quem de fato e em verdade está sendo prestada a adoração. Há uma percebida tendência localizada em se perder dos princípios teológicos fundamentados na Palavra de Deus. Tendências que afrontam diretamente os ensinamentos das Escrituras Sagradas.

Através dessa recomendação exortativa exposta acima, o Senhor Jesus está nos dizendo que Ele nos conhece. É Ele quem tem a chave e abre e fecha. Portanto, Ele tem o domínio e as garantias verdadeiras e reais. Ele está nos dizendo que em meio aos contextos existe vencedor. Logo, se subentende que há perdedor. E a Sua palavra a nós é CONSERVE O QUE TENS.

O apóstolo Paulo escrevendo aos crentes coríntios declarou que o que recebeu do Senhor isso lhes entregou. Também, ao jovem pastor Timóteo alertou de que era preciso estar ciente de quem tinha recebido os ensinamentos do Senhor. A fé robustecida dos crentes primitivos era consistente, haja vista que estava edificada sobre fundamentos firmes adquiridos na soma de ensinamentos do Evangelho com testemunhos vivos e a aquisição de experiências individuais e coletivas durante a caminhada.  

Mas o que temos que guardar? O texto da carta à igreja de Filadélfia dá os seus lampejos. Precisamos guardar o que temos de bom, elogiável e do agrado do Senhor. Olhando para o texto dessa carta empolgante, precisamos guardar tudo que temos recebido do Senhor. Precisamos guardar a nossa alma. Precisamos guardas as riquezas de Cristo em nós. Precisamos guardar o fervor do entusiasmo e do apego a Cristo, assim como a fé numa boa consciência. Precisamos guardar a preciosa Palavra de Deus de maneira firme, destemida e determinada.

Guarda o que tens! Conserve e não troque o que tens! Não nos permitamos e exponhamos às bancas e mesas das barganhas. Este é o tempo do fim. O tempo das ações desconexas e descasadas das falas e vice-versa. O tempo do fim está progressivamente viabilizando a seleção. Percebe quem pode e cuida-se quem quer. Está revelando e trazendo a lume mais do que era trazido em épocas passadas. Portanto, guarde o que tens!
EvGS




sexta-feira, 23 de maio de 2014

TRABALHO E SUCESSO

TRABALHO E SUCESSO
Não inverta essa relação.

Entre essas duas variantes existe um espaço que fala mais do que palavras. Existem realidades contundentes entre esses dois vocábulos. Não há sucesso coerente e consistente sem que haja primeiro o trabalho. O trabalho precede o sucesso. Todo sucesso que não é precedido de trabalho não pode ser considerado e nominado legitimamente como sucesso. Primeiro se trabalha e o sucesso disso é uma resultante que vem depois.

Todo sucesso verdadeiro é precedido pelo arregaçar das mangas e pelo suor esboçado no rosto ou pelas marcas e esforços impressos no semblante. Toda história de sucesso tem por trás um histórico de trabalho. As horas de sonhos com o sucesso somente se tornam efetivamente o sucesso real depois de anos de trabalho. Sonhadores que não trabalham tendem a permanecer dormentes nos seus sonhos com sensações de pseudo-sucesso.

Os requerimentos do sucesso real e verdadeiro são encontrados no comprometimento sério e honesto com o que se produz, na dedicação determinada no que se realiza e na disciplina persistente nos modos de como se produz e se realiza. A qualidade do trabalho aponta para o grau de sucesso decorrente dele. É muito menos possível se obter um grau satisfatório de sucesso decorrente de um trabalho de qualidade deficiente.

Anseios, sonhos e idealizações de sucesso somente deixam o seu ambiente subjetivo a partir do momento que entram no mundo objetivo do trabalho. Existem trabalhos de sucesso e também há sucessos de um trabalho. Na verdade o sucesso é trabalhoso, visto que suas tarefas exigem fatores interdependentes. Todo sucesso é na maioria das vezes invejável. Porém todo trabalho que aponta para o sucesso apresenta tarefas desafiantes.

O sucesso tem seus caminhos próprios. Um deles são as experiências vivenciais e outro é o tempo vivido no arrojo e no calor do trabalho. Sucesso exige trabalho e toma tempo antes de aparecer. Quer obter sucesso, então comece antes a trabalhar visando mais a qualidade no que faz do que própria e apreensivamente se perdendo na ânsia de querer sucesso. Quer trabalhar com sucesso, então comece a se preparar e se equipar para manter-se durante os tempos das exigências requeridas pelas temporadas e momentos do sucesso.

Todo sucesso tem o seu tempo de validade. Todo sucesso geralmente passa, contudo o que marca e imprime a sua duração é a seriedade e a propriedade mantidas no trabalho que o faz. O maior desafio não consiste em visar o sucesso. O maior desafio reside em depois de se haver obtido o sucesso, se manter trabalhando a fim de não despencar dele. Manter o mesmo sucesso por longo tempo é empreitada para quem não cruza os braços diante do trabalho exigido por ele.

Todo sucesso surge de uma relação conjunta de partes. O sucesso decorre de uma relação interativa de benefícios e de uma combinação concordante de satisfação entre partes. Nenhum sucesso legitimamente real e verdadeiro surge solitário, isolado, sem testificação. O sucesso é perseguido pela parte beneficente e reconhecido pela parte beneficiada. Para haver sucesso, antes existe a passagem do seu trabalho pelo crivo da avaliação. Sucesso sem avaliação é apenas uma ilusão, uma sensação, de sucesso desejado, e não o sucesso propriamente em si.

Ser bem-sucedido é o resultado obtido de um conjunto de fatores envolvidos no trabalho. Sucesso exige paciência e requer observação perspicaz e analítica. Sucesso exige inteligência e pede sensatez e equilíbrio. Na grade curricular do real e verdadeiro sucesso, a primeira disciplina recai na primazia que se dá ao temor a Deus, visto que nada se recebe se do Céu não lhe for dado.

Sucesso é um acontecimento, um fato, uma ocorrência composto de um ou mais êxitos. E êxito é um efeito, um resultado mais direto e imediato obtido do trabalho realizado. Êxito é concluído e passa, enquanto que sucesso pode ser ou não durável. Há quem obtém êxito e tem apenas seu efeito resumido num sucesso, e existe quem está e continua fazendo sucesso. O melhor e mais desafiante verbo para o sucesso está no gerúndio (sendo, fazendo, mantendo, sustentando). Somente está sendo, fazendo, mantendo, sustentando, sucesso quem está efetivamente se mantendo trabalhando.

A Bíblia Sagrada é rica e repleta de histórias de sucesso. E a palavra especial nela que vai além de sucesso é vitória. Os servos de Deus não devem se conformar, nem se estagnar, e muito menos se deixar iludir-se com sucesso. Persistimos de fé em fé, seguindo de vitória após vitórias até chegarmos na vitória final, sabendo que na experiência humana toda história de sucesso possui em algum de seus contextos, pelo menos um parágrafo ou período ou frase por vezes de perdas, de contrariedades e de aparentes infortúnios.

Que nenhum de nós corra os passos da vida com as vistas dirigidas apenas para colecionar êxitos cegamente na obtenção de sucesso. Que todos nós, dentro de nossas compreensão e capacidade referenciadas na Palavra de Deus, mantenhamos determinados primeiramente em realizar trabalho sensato, disciplinado, equilibrado e coerente, de excelente qualidade, em tudo que nos for entregue a fazer.
Deus seja louvado em todo trabalho de cada um, assim como reconhecido o bom favor de sua mão em todo sucesso obtido.
EvGS




quarta-feira, 14 de maio de 2014

DISCÍPULO.

DISCÍPULO.
Basta que seja como o Mestre.
A palavra DISCÍPULO é formidável. Ela aparece cerca de 270 vezes nos textos originais do Novo Testamento. Ser discípulo é ter a oportunidade ímpar de poder aceitar e contar com os cuidados e as orientações de um mestre. Ser discípulo é estar disposto e disponível a atentar, a perceber, a captar, a depreender, a aplicar e a se conduzir dentro da disciplina ministrada por um mestre. Felizes são os que conseguem e persistem enfrentar os caminhos e neles vencer os desafios aprendendo com um mestre.

A palavra DISCÍPULO tem a mesma raiz da palavra DISCIPLINA. Ser discípulo é possuir a sensatez e o equilíbrio de enquanto esteja aprendendo possua o olhar para o futuro já sabendo que em algum momento pelos vieses naturais da vida não poderá fugir de pelo menos das eventuais responsabilidades de ser um exemplo, ou de vir a ser um mestre.

Ser discípulo é mais do que simplesmente ouvir e aprender. Ser discípulo é responder e corresponder ao que se ouve e apreende. A essência do ser discípulo é estar disposto a se submeter aos processos de aprendizado debaixo da responsabilidade de um mestre. Discípulo é alguém seguidor, imitador, do modelo de vida proposto por um mestre a quem esteja vinculadamente apegado. Ser discípulo é ser bem mais do que um simples aluno ou um aprendiz.   

A visão de conceito que o mundo ocidental tem do ser um discípulo demonstra alguma diferença da visão do ser discípulo cultivada e respeitada no mundo oriental. Na visão ocidental, ser discípulo é ser um aluno, um aprendiz, com vinculação eventual. Na visão oriental, o ser discípulo significa ser seguidor, imitador, persistente no processo de aprendizagem vendo, ouvindo e fazendo em cada etapa, seguindo submisso e disciplinadamente os conteúdos e desafios propostos em todo o processo da ministração. 

Discípulo é um vocábulo que recebeu maior atenção direta em tempos um pouco remotos dos nossos dias. As influências da vida pós-moderna parecem haver atingido alguns corações na casa de Deus. E por esta causa, a sublime tarefa de fazer discípulos está notoriamente sendo negligenciada por alguns. Lamentavelmente, o produzir discípulos para o Mestre está sendo substituído pelo reproduzir amigos colaboradores e partidários de ambiências.

Ser discípulo implica em ter a base das doutrinas e da história de sua fé. Ser discípulo não significa possuir pré-requisitos de inteligência, de conhecimentos, de perfeição sob a ótica humana, ou de qualquer item adquirido através das capacidades humanas em geral. Ser discípulo é ter inicial e fundamentalmente a disposição de aceitar ser moldado por seu mestre. O Senhor Jesus é o nosso Mestre, somos Seus discípulos. Entre nós temos mestres nos dado pelo nosso Mestre, porém nenhum de nós venha se permitir perder as natureza e características de discípulo do Mestre. É preciso exercer a consciência de continuarmos todos essencialmente sendo discípulos.

Nos dias hodiernos parece que o ser discípulo passou a ser coisa do passado, ou que caiu de moda. Há algumas gentes ansiando e forçando ocupar o lugar de mestres, em razão de algum cabedal de conhecimentos adquiridos nos bancos acadêmicos. Assim como existem algumas mentes que, acreditando estar ocupando alguma posição influente ou usufruindo de algum status expressivo, demonstram pela exteriorização dos seus pensamentos e ações de que já deixaram de ser discípulos.

Os dons ministeriais na casa de Deus, que são bênçãos para o povo de Deus, e o Senhor os deu visando a edificação e o aperfeiçoamento dos santos, parece haverem sido obscurecidos por estranhas visões. Assim como alguns cargos e funções na casa de Deus parecem estar sendo desenvolvidos divorciados da essência do ser discípulo.

E a virose sagaz e sutil da síndrome do gigantismo vem contagiando almas levando-as a perderem a essência de discípulos. Se afastam imperceptivelmente da disciplina do Mestre, e ganham as foscas e obscuras lentes de idealizador. Deixam os caminhos de discípulo e abandonam os princípios do discipulado, tornando-se idealistas mentecaptos.

A virose do gigantismo possui a força de contaminar e se ocultar no coração e mudar a visão e as atitudes. Discípulos que começam em crescimento, contudo se perdem e se permitem inchar-se. Gigantes por inchaços ilusórios, e não heróis na fé. Discípulo possui altruísmo, mas não gigantismo.

Crentes que já foram e caminharam nas passadas de discípulos, chegaram a obter crescimento nelas, todavia num dado momento sem que se percebessem de si mesmos, pararam de crescer e passaram a inchar-se. Perderam a maturidade, a sensatez, a natureza e a coerência de discípulo, e ganharam popularidade pelas malícia e insipidez dos desacertos e dos desconsertos provocados pela síndrome dos inchaços adquiridos.

Para algumas gentes, o ser discípulo parece ser coisa do passado. Para algumas mentalidades hodiernas, influenciadas por fatores do secularismo, parece que o importante nesta última hora chegada, é brilhar como artistas, estrelas, presidentes, chefes, caciques, pajés, coronéis, capitães e capatazes. Para algumas dessas gentes, o ser discípulo parece ser coisa de gente pequena, minúscula, submissa, subserviente, em busca dependente e catado de favorecimentos.
É preciso ser e manter a natureza e a coerência de discípulo, a fim de que os homens insulsos e destemperados não encontrem lugar para dar passadas e pisadas no sal. Para que os filhos das trevas na sua escuridão não achem brechas para exercerem influências e forças contra as lamparinas.

Somos feitos filhos eleitos de Deus por adoção, mas não somos feitos para ser endeusados. Somos amigos do Rei, mas o nosso reino não é deste mundo. Somos vitoriosos em Cristo, mas nossa vitória não se resume a sucessos sobre causas materiais desta vida. Somos chamados para ser discípulos aprendendo do Mestre, seguindo o Mestre, sabendo conscientemente que o nosso destino final é estar com o Mestre. Nosso papel é brilhar como astros no mundo, mas não somos astros e muito menos estrelas. Somos discípulos do Senhor Jesus Cristo.
EvGS




sábado, 12 de abril de 2014

A IGREJA CONTINUA A MESMA

A IGREJA CONTINUA A MESMA...
Algumas igrejas que não.
O Senhor nosso Deus é incomparavelmente surpreendente. O Senhor nosso Deus é soberanamente o Provedor, Protetor e Mantenedor da Sua Igreja. Dia após dia o Espírito de Cristo, do Senhor da Igreja, tem levantado e enviado pastores, mestres, doutrinadores, estudiosos e ensinadores, comprometidos com Deus, com a Sua Palavra e com a Sua Igreja a exortar os filhos da casa de Deus ao comprometimento fervoroso com a essência e as virtudes do Evangelho de Cristo antes do momento iminente do grito da meia-noite no anúncio da chegada do Noivo.

É incrível e extraordinário o conteúdo que o apóstolo João recebeu na inspiração do Espírito e o escreveu nas suas epístolas universais para a Igreja do Senhor Jesus em todos os tempos. E tão quanto mais notáveis, úteis e necessários os seus conselhos e recomendações exortativos para a Igreja militante no tempo do fim. Ele faz notar que é possível uma pessoa ou um grupo continuar sendo crente, mas ter deixado os limites da ortodoxia para trás. Ultrapassar os limites da ortodoxia é ir além do que a Igreja foi ensinada.  

Faz alguns anos que mentes pensavam e declaravam que a semeadura do joio no meio do trigo seria esforço feito por trabalhadores estranhos à seara do Mestre. Os anos se passaram, e o que cada dia se mostra e se configura é a elaboração laboratorial do joio e a sua semeadura feitos e levados a todo esforço por gentes em todas as posições e setores no santuário ou ligadas a ele. O comichão nos ouvidos e a inconformidade com o que foi recebido dos nossos primeiros pais primitivos estão levando pessoas e grupos a se tornarem vulneráveis às investidas de espíritos estranhos à Igreja do Senhor Jesus.

A Igreja do Senhor Jesus continua a mesma. Algumas igrejas que não, por diversos e vários fatores observados e testemunhados. Respeitando as excessões. No seu livro “O que estão fazendo com a Igreja”, o Rev. Augustus Nicodemus traça linhas competentes, resultantes de um exaustivo e louvável trabalho de estudo e pesquisas acerca do afastamento e desvio de igrejas da Igreja. Vale dizer que as realidades hodiernas de igrejas ao serem confrontadas com a realidade da Igreja revelam assustadoramente esse distanciamento por parte delas em relação à Igreja do Senhor Jesus. São fatos testemunhados e constatados cotidianamente no suor das tarefas sacras. Esses fatos publicam mais do que palavras podem dizer.

O primeiro deles que mostra esse afastamento, é notado nas tendências da natureza humana decaída dominando sobre os gostos. O gosto por bispos e apóstolos. O gosto por posições nominais, pompas, domínios monopolizadores, e rituais. Uma busca pela veneração e respeitabilidade à base de mecanismos da imposição formal ou ideológica, ao invés de ter sua base na prática e no exemplo de vida fundamentados no que se foi recebido do Senhor e do apostolado. As incoerências na linha de conduta vêm publicando a grande divergência e afastamento dos moldes de tratamentos e modo de viver ensinados à Igreja.

O segundo a declarar esse distanciamento consiste na idéia de que pastores e líderes são mediadores entre Deus e as pessoas. O exemplo disso está sendo comprovado na terceirização da fé, na transferência de confiança às chamadas “orações poderosas” de pessoas detentoras de algum grau de influência sobre outras. A recorrência depositária de confiança em terceiros através da auto-exclusão nutrida por ignorância e analfabetismo bíblicos pode ser claramente constatada em muitos círculos de crentes.

O terceiro a mostrar a realidade desse afastamento está na forte presença do misticismo supersticioso sobre nomes, pessoas e objetos. Uma das tendências da natureza humana decaída é buscar adorar algo fisicamente visível ou alguém ou ser adorada por alguém. O misticismo supersticioso tem arrastado pessoas e grupos a serem adoradores cativos e cegos a nomes, títulos, rótulos, pessoas, assim como de mistificar objetos, amuletos, patuás, produzidos com o suposto fim de através da aquisição destes, pessoas possam por eles agradar a Deus e obter respostas, bênçãos e favores divinos. Uma ilusão que apenas tem alimentado o mercantilismo religioso. Em alguns círculos evangélicos, o almoxarifado e os balcões do misticismo supersticioso são abastecidos pela ignorância e insensatez de se dar ao esforço de comprar objetos, amuletos e patuás “evangélicos”, entretanto se resumem e se esquivam de adquirir literaturas e vídeos competentes para se edificarem e serem robustecidos na sua cosmovisão e na sua fé.

O quarto fato a mostrar a realidade gritante desse afastamento reside nas equivocadas aplicação e admissão dos conceitos entre o que é sagrado e o que é profano. Entre alguns crentes se desenvolveu uma cultura evangélica brasileira que por anos incorreu no triste prejuízo de infundir na mentalidade evangélica um estilo de tratamento opositor, antagônico e anti-religioso entre crentes e pessoas de outras religiões ou credos. Alguns seguimentos evangélicos ainda foram mais além, ao semear o tratamento opositor entre crentes e crentes, entre igrejas e igrejas, tanto de denominações distintas como até de algumas de mesma denominação.

O quinto fato a revelar esse afastamento pode ser visto no acatamento e assimilação de modismos e movimentos para atenderem a febres eventuais ou satisfazerem a necessidades existenciais e psicológicas das pessoas. Invenções próprias e consubstanciadas nos gostos e no querer das tendências da natureza humana decaída ditam lugar e reivindicam presença em alguns santuários. Não importa se o conteúdo interior com base bíblica é mais importante. Todavia nesses o mais interessante e atrativo é que as coisas aconteçam para causar “mostras” exteriores de satisfação e preenchimento de lacunas momentâneas no homem natural.

Alguns crentes e lideranças já conformativa e associativamente assumem o lugar da adoração congregacional com a “ministração” de espetáculos e apresentações cênicas rotineiros e isolados da ministração bíblica, em detrimento da adoração sacra e devocional pautada nos princípios e propósitos dos serviços de culto e adoração a Deus. O culto congregacional ao Senhor é um serviço composto de tarefas sacras e ao mesmo tempo uma manifestação livre e respeitosa de expressões individuais unidas, pautadas e dirigidas em princípios e propósitos ensinados na Palavra de Deus.

O sexto fato que mostra esse afastamento consiste na prática do seletismo de pessoas segundo a visão humana. Essa forma de seletividade empregada com visão humana tem possibilitado e viabilizado o espírito faccioso e dissensor a infiltrar e imperar austeridades, partidarismo, separatismo, autoritarismo e coisas não-condizentes, incompatíveis e estranhas ao Espírito da Igreja, e para enfraquecimento da fé e do ânimo em muitos crentes e igrejas.

O sétimo fato revelador desse distanciamento está comprovado no lento e continuado abandono e desprezo das linhas que demarcam claramente o solo santo da fé histórica da Igreja. Uma fé fundamentada nos exemplos dados pelo Mestre e praticados e corroborados pelos apóstolos e pelos crentes primitivos. Uma fé embasada na Palavra de Deus, e não uma crença condicional assanhada por espetáculos e movida pelos interesses pessoais particulares que entronizam apenas o ego e a pessoa do crente.

O oitavo fato que mostra de forma gritante esse afastamento está na infiltração e na impregnação do neoliberalismo em crentes e igrejas. Uma cultura que “ilumina” crentes com ilusões viciosas que não lhe levarão a lugar algum. Apenas os conduzirão para o pântano das frustrações, das decepções, das descrenças e do cansaço desmotivador da capacidade de crer e confiar. Uma cultura que leva pessoas a acreditarem em tudo que é mecanizado e manifesto entre paredes nos templos, e ao mesmo tempo sutilmente leva pessoas a terem um futuro pontilhado pelo veneno do descrédito e da incredulidade. Uma cultura que obscurece e anestesia a capacidade de exame e crivo sobre as coisas que estão sendo executadas para o Senhor e em Seu nome.

Tem sido terrível a fabricação e a instalação de neoliberais em igrejas. O que na verdade, forte e veementemente foi combatido na Igreja e por ela. Meios e instituições crentes produzindo gentes que infestam do neoliberalismo sagradas tribunas. Promotores do neoliberalismo cedendo púlpitos para a disseminação da cultura neoliberal disfarçada de “cultura de pensamentos bíblicos” e recheada de “pensamentos cristãos”. E por conta da ignorância e do analfabetismo bíblico e teológico, muitos crentes desavisados têm sido levados como vítimas vulneráveis da cultura do neoliberalismo disfarçado em igrejas.

E por fim, o nono fato revelador desse afastamento está no acatamento de conceitos e assimilação de práticas em destino a um falso progresso. Um progresso que descaracteriza e desvia crentes e igrejas dos verdadeiros propósitos da vida cristã e das doutrinas bíblicas que regem os princípios de vida no Reino de Deus. Grupos históricos vêm sendo movidos dos alicerces cristãos. Algumas igrejas e suas lideranças deixam claramente transparecer os seus medos e ressentimentos diante de falsas acusações neoliberais que influenciam intimidação a grupos conservadores, maldosamente conceituando-os como igrejas estagnadas, engessadas, sem progresso e sem frutificação.

A força do espírito dos libertinos também é notada atuando de forma sutil, aberta e sem oposição em igrejas. Lideranças cedem lugar a mentalidades conformativas ao sistema mundo no pensar e no agir. Na busca de um suposto progresso, imperceptivelmente crentes e lideranças crentes estão sendo arrastados pelo espírito libertino liderando-os inteligentemente para o estado de diluição, de perda de identidade cristã, de distanciamento dos ensinamentos do Mestre e Senhor da Igreja e, por fim, da perda da razão de existirem como igrejas.

Crentes e lideranças crentes vêm clara e literalmente se perdendo em promoções de momentos imediatistas que transitam entre extremos, a saber: os que numa ponta vão desde a ausência de razão bíblica até na outra a de pluralidade que atenda e sacie apenas o momento humano presente, em detrimento do permanente que nutra, fortaleça e conserve a fé, o ânimo e a esperança no futuro prometido pelo Senhor aos Seus servos.

“Filhinhos”, que demos ouvidos às bem-aventuradas palavras escritas pelo apóstolo João.
EvGS




sexta-feira, 4 de abril de 2014

FORMALISMO RELIGIOSO

Formalismo religioso
Guardai-vos desse fermento.
Os bons dicionários em sua maioria definem a palavra formalismo como sendo o apego excessivo a formalidades. A tendência de privilegiar e enaltecer a forma e as qualidades formais em detrimento do conteúdo e da realidade. A preocupação com a forma externa acima do conteúdo interno. Em suma, a formalidade visualiza prioritariamente a forma exterior, ao mesmo tempo em que despreza o conteúdo interior.

Para o formalismo importa que a forma exterior satisfaça e prevaleça, enquanto o seu cerimonialismo abafe e/ou afaste a realidade do conteúdo interior. Formalismo é uma palavra normal e aceitável em alguns âmbitos, mas também por vezes mal compreendida. Em algumas ocasiões e para algumas circunstâncias se cabe o formalismo. Ser formal não é sinônimo de ser fechado ou engessado. Todavia, como cada coisa tem os seus tempos e lugares, assim o formalismo tem os seus. Se o formalismo é para algumas coisas uma trava, o seu excesso é um desastre.

E um âmbito no qual o formalismo se faz ser por vezes chocante é no religioso. O formalismo religioso conforma a alma no desprezo dos valores interiores e no sono cerimonioso da prática mecânica de tradições; promove o arrefecimento da comunhão e contribui para o desfalecimento da fé e desrespeito aos valores interiores do próximo. O formalismo religioso afasta pessoa de pessoas.

O Senhor Jesus nos dias do Seu ministério terreno encontrou e defrontou-se com o formalismo religioso que estava imperando e campeando naquela época. O Senhor Jesus combateu forte e veementemente a prática do formalismo religioso no Seu tempo. E isso não foi em vão. O formalismo religioso atraia, concentrava e cativava a atenção para o que mais importava ser visto pelos olhos, enquanto a manifestação da alma e da essência do conteúdo interior estava sendo desprezada.

O formalismo religioso confere identidade e declaração de desequilíbrio, incoerência e desconexão com o real significado do servir a Deus e a do servir a vidas. Causa choques. Choca, afasta e intriga. Na área religiosa o foco original e legítimo concentra-se primaria e exatamente no conteúdo interior. É no interior onde está o ponto forte que emana, manifesta e reflete seu conteúdo para o mundo exterior.  

O formalismo religioso viabiliza o abrir brechas para a hipocrisia, e não obstante abre vagas sutis para a mediocridade comandar. É possível e louvável o ser sensato e equilibrado na formalidade, todavia é honroso e decoroso ser legítimo e coerente na informalidade. Enfim, um tempero que faz subir escadas sem se dar lugar para a soberba, e leva a descer degraus sem se dar espaço para o vil, o indecoroso e muito menos ao profano.

O formalismo religioso é desastroso, mesquinho e intolerante. Festeja e agita a bandeira de tradições e ao mesmo tempo entulha as vias da compaixão e desdenha da misericórdia. Engole o camelo e côa o mosquito. Critica o argueiro nos olhos alheios e se conforma com a trave nos seus próprios. O formalismo religioso fala alto e sua voz pode ser ouvida, entretanto os seus moldes jamais devem ser imitados. Invejar e apedrejar são a sua perícia, e exercer a misericórdia é a sua incompetência.

O formalismo religioso mantém pintado o sepulcro de cal e nele esconde seus restos ressequidos e sem vida. Nas esquinas faz contas e publica o mínimo de sacrifício feito por si e despreza e abafa o tanto de suor, sangue e lágrimas da exaustão e cansaço alheios. O formalismo religioso agrada ao que lhe apraz e sacia o seu ventre. Comunga, se conluia e busca a proteção aos pés do império de Cezares e joga e se diverte com o poder do Reino.

O formalismo religioso assiste de forma fervorosa e vibrante o “lavar das mãos” diante de causas cruciais. Muitas vezes sem que se aperceba, promove a vergonha pública da coroa de espinhos e da cruz. Por vezes e em ocasiões propícias a si, usa as reservas da prata para comprar a traição. O formalismo religioso sugere adesão e corre atrás de prosélitos, porque também é impotente, amordaçado e manietado em demonstrar e convencer da conversão. Somente se oferece aquilo que se possui.
O formalismo religioso imperceptivelmente abre espaços e promove de forma tola a plataforma do desmantelo. O formalismo religioso literalmente ama, zela e adora cada acentuação e pontuação das letras, todavia abafa, sufoca e extingue a coragem e a intrepidez do Espírito. O formalismo religioso é um ébrio tentando se passar por lúcido e equilibrado. É um manco que caminha encostado em ombros interesseiros e aproveitadores, e manqueja apoiado em muletas alheias. É um cego guiando outros cegos. Ata e amarra em si o viés das picuinhas e afrouxa e solta os cordões da insensatez, da insensibilidade, da desonestidade e da subestimação.  

O formalismo religioso polidamente destrata, açoita e oprime líderes, e desrespeita e humilha liderados. Ele não permite olhar para o chão a enxergar a água da bacia lhe cobrando lavar pés alheios. Porém trata o redil como se este fosse subdividido em currais cativos numerados para dar suporte a bancadas e câmbios que atendam aos seus fins para si. O formalismo religioso possui a eficiência sagaz de se infiltrar, se ocultar e se escudar em cargos e posições, com a finalidade de manter parasitariamente contínuos os seus maus hábitos rotineiros.

O formalismo religioso é um verdadeiro desastre vestido de polidez e causador de escombros. Enquanto elegantemente olha para o exterior e se preocupa com a mediocridade de aparências e performances, números e numerários, estatísticas e tributos, tragicamente esconde-se das incumbências e tarefas inerentes, clamadas pelas realidades. Ele foge e se oculta das vozes dos clamores lhe cobrando coerência e afinação de atitudes, ações e posições, a fim de evitar a queda nos perigos conseqüentes da insipidez.

Que o formalismo religioso seja mantido distante do coração dos filhos da casa do Pai. Não tenhamos qualquer afinidade ou simpatia pelo formalismo religioso. Que sejamos simplesmente discípulos do Mestre amado, filhos da comunhão e da liberdade conforme a graça de Deus que nos alcançou. Não sejamos colaboradores da fidalguia tola e da soberba vergonhosa produzidas pelo formalismo religioso. Sejamos tão somente ministros de Cristo e despenseiros fiéis de Deus entre os homens.

Não abracemos o formalismo religioso em detrimento dos princípios.
Deus seja louvado!
EvGS